terça-feira, 13 de maio de 2014

Meeting with Sarah Jessica (2013)

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Meeting with Sarah Jessica de Vicente Villanueva é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Fantástico da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha, entre 5 e de 10 de Maio últimos.
Dori (Inma Cuevas) cumpre o seu sonho ao viajar até Nova York para jantar e conhecer a estrela da sua série preferida, Sarah Jessica (Montserrat Roig de Puig) sendo que, no entanto, a esperava uma surpresa muito maior do que aquela que poderia imaginar.
Vicente Villanueva elabora um argumento que, de certa forma, junta dois estilos que já se cruzaram no passado quando Joel Gallen dirigiu o comic Sex and the Matrix para a gala dos prémios MTV e que, muito originalmente colocou as personagens da série Sex and the City no universo Matrix dos irmãos Wachowski.
Aqui, uma vez mais, entramos no universo Sex and the City mas com uma significativa e igualmente engenhosa orientação que faz da sua estrela "Sarah Jessica" alguém que se encontra no seio de uma conspiração mundial para controlar as mentes dos espectadores e fazê-los esquecer o mundo problemático em que vivem(os), com o intuito de o expôr sendo que, no entanto, forças maiores a impedem de cumprir o seu objectivo.
"Dori", numa composição extremamente cómica e divertida de Inma Cuevas, é então aquela fã completamente oposta ao ideal de beleza que a série impôs pela mundo fora, mas que sonha poder ser como a "Carrie Bradshaw" à qual "Sarah Jessica" deu vida e que agora encontra apenas para descobrir que aquilo que via e aquilo que agora tem à sua frente são, na prática, duas imagens bem distintas... tal o poder da televisão.
Meeting with Sarah Jessica leva-nos então numa viagem não só pelo universo mágico da televisão que impõe um padrão que não será no final aquele que corresponde à verdade, não por uma questão de mentir ao seus eternos e leais fãs, mas sim porque poderes maiores se escondem por detrás de todo o mundo do espectáculo que tem, como fim último, a dominação mundial e o controle das mentes dos mais fracos (que entre a teoria da conspiração), conseguindo-o através de séries mundialmente difundidas e que conquistam uma vasta dimensão de seguidores e fãs. Com a premissa de que nem tudo o que parece realmente é, o argumento de Villanueva pressupõe através de Meeting with Sarah Jessica que a televisão é apenas um "pequeno" mundo de aparências com fins bem mais complexos do que o mero entretenimento e que, (in)felizmente alguns são "capturados" e controlados ao ponto de, tal como "Dori" se apresentarem tal como a sua estrela de televisão preferida sem que, no entanto, em nada se pareça com ela.
Numa viagem entre o mundo do espectáculo, os universos alternativos, a ilusão das aparências e aqueles que se deixam levar por mundos irreais que tomaram, algures pelo caminho, como sendo os mais certos e reais, o espectador delicia-se com duas soberbas e alucinantes interpretações de Roig de Puig e Cuevas, a primeira que parece alimentar-se de speed e a segunda que aos poucos perde toda a sua sedutora ingenuidade e que pelo meio encontram uma cumplicidade e identificação que conquistam em segundos.
Ainda que Meeting with Sarah Jessica fique longe do filme que poderia ter sido tendo, no entanto, todos os ingredientes necessários para uma comédia referência, pois no final esperamos poder receber algo mais destas duas personagens e dos seus "depois" nomeadamente o que terá acontecido a tão nobre missão que é confiada a "Dori", não deixa também de ser verdade que por momentos aquele jantar em que as duas potencialmente antagónicas personagens se encontram tem momentos de puro delírio nos quais nos questionamos se nós próprios não nos encontramos num espaço alternativo e no qual nos deixámos levar por uma conspiração mundial que está em curso há largos anos.
Se existe filme curto que merecia uma maior exploração não só das suas personagens como também da história em que estão inseridas, Meeting with Sarah Jessica é o exemplo perfeito. Como uma maior edição da história já apresentada e prolongar o "e depois" que não chegamos a conhecer, esta tem aquele potencial que poderia transformar o filme numa série de histórias alternativas que teriam um público próprio receptivo para as consumir, e Villanueva deveria questionar se não está disposto a avançar com a mesma.
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5 / 10
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