domingo, 1 de fevereiro de 2015

Jupiter Ascending (2015)

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Ascenção de Júpiter de Andy Wachowski e Lana Wachowski é uma longa-metragem norte-americana de acção e ficção científica futurista - muito na linha das últimas obras dos Wachowski - que nos conta a história de Jupiter Jones (Mila Kunis), nascida no meio do Atlântico rumo aos Estados Unidos depois do seu pai ter sido selvaticamente assassinado na sua Rússia natal.
Com um trabalho nas limpezas de casas abastadas e com a clara noção de que merece mais na sua mísera existência, Jupiter descobre que é, afinal, herdeira do próprio planeta Terra quando Caine Wise (Channing Tatum) um caçador de cabeças vindo de outro planeta não só a protege como se apaixona por ela.
No seio de uma intriga inter-galáctica onde todos disputam o planeta mais rico do Universo, estará este em risco de sucumbir à mesma ou conseguira Jupiter reclamar o seu devido trono?
Naquela que é a mais recente obra cinematográfico que faz um claro piscar de olhos às questões ecológicas, que podemos presenciar na abordagem à abelha como um - ou o - animal importante para a reciclagem ambiental ou numa Terra em perigo por aqueles que nela habitam já terem esgotado todos os recursos produzidos na mesma os Wachowski - que além de realizarem também escreveram este argumento - desenvolvem toda uma história que transporta o espectador para os limites inimaginados do Universo onde a existência é tão ou mais antiga do que no planeta azul.
No entanto, se por aqui a co-existência mais ou menos pacífica esgota lentamente os recursos e aqueles que por cá vivem, não deixa de ser um facto registado que nessas outras dimensões a existência sustém-se meramente graças ao esvaziamento social e de bens - ou por outras palavras os seus habitantes - em favor de uma sociedade dominante que usa e abusa daqueles planetas por onde passa. Sociedade eventualmente mais evoluída - é um facto - mas também é uma realidade que esta evolução se deve meramente à custa daqueles que, mais fracos, não lhes conseguem resistir.
Se quisermos ser então mais realistas, existe realmente uma sociedade mais evoluída que (sobre)vive graças àquilo que produz ou, por sua vez, esgota os recursos daqueles que os produzem e, tal como na Terra, usam-nos até à sua total exaustão? Existem assim tantas diferenças entre estas duas sociedades distantes no tempo e no espaço ou, afinal, não é esta um mero reflexo daquilo com que todos nós vivemos no planeta Terra e que tentamos - mais ou menos bem sucedidos - modificar?
Preocupados com uma questão temporal - já presente em Matrix (1999) e em Cloud Atlas (2012) - onde os acontecimentos e o próprio tempo interagem numa linha, sendo modificados e alterados com consequências e eventos também eles transformadores, Jupiter Ascending distancia-se francamente das duas longas-metragens há pouco mencionadas não pela sua qualidade e capacidade de interligar continua e temporalmente as diversas e potenciais histórias aqui medianamente factualizadas. Se o espectador percebe a qualidade dos elementos técnicos desta longa-metragem nomeadamente no que diz respeito aos seus efeitos especiais - um ponto positivo para os Wachowski que em todas as suas obras primam pela excelência neste campo - não deixa de ser uma realidade que a vontade de criar um enredo rico e com várias pontas por onde navegar deixam com que exista uma perceptível dispersão de momentos, locais, espaços e personagens que nunca chegam a ser desenvolvidos naquilo que é um potencial existente. Facto que o comprova é a tensa dinâmica entre os três irmãos "Abrasax" que para lá de uma vontade em conquistar território nunca chegam a ter os seus passados desenvolvidos e vivem quase exclusivamente graças a um mediatismo óbvio entregue a Eddie Redmayne e ao seu "Balem Abrasax".
É esta mesma dispersão que, na prática, evita o desenvolvimento daquele que poderia ser o momento mais interessante desta história - já presente em algumas longas-metragens mas aqui pouco desenvolvido - e que já referi, ou seja, a questão ambiental. Explicado à sua maneira muito própria e equiparando recursos para as diferentes realidades "inter-planetárias", se aqui os alimentos são uma necessidade para a perpetuação da espécie, não deixa de ser real que para aqueles que chegam de "fora" somos nós, os próprios humanos, que servimos de "receita" para a sua própria sobrevivência sendo que enquanto uns destroem planeta a planeta para receberem o seu elixir da eternidade... nós por cá concentramo-nos a destruir o nosso planeta muito lentamente até à exaustão, aqui tão desejada por essa raça alienígena.
Intrigante pela já referida perspectiva ambiental, Jupiter Ascending falha pela dispersão de momentos e personagens que tenta desesperadamente enquadrar e dar vida sem serem especialmente necessários bem como pela forma como falha na química entre Tatum e Kunis, mantendo-se, dessa forma, no patamar que o coloca como um simpático filme de entretenimento - relativamente olvidável - sem que seja, no entanto, um bom filme do género.
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5 / 10
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