terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Clash of the Titans (2010)

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Choque de Titãs de Louis Leterrier é o remake do filme com o mesmo título mas dos anos 80 que conta a história de Perseu (Sam Worthington), semi-deus e filho de Zeus (Liam Neesn) que vive e sobrevive a inúmeras provações causadas pelos deuses do Olimpo de forma a encontrar uma solução para evitar que o Kraken, uma figura mitológica que tráz consigo a destruição, consiga fazer desaparecer do mapa a cidade de Argos.
Em relação ao primeiro filme que já leva quase com trinta anos de distância, podemos em termos de elenco compará-los e dizer que estão ambos recheados com um conjunto de actores que faz inveja a qualquer filme. Se na versão original tinhamos Laurence Olivier, Maggie Smith, Burgess Meredith, Ursula Andress e Harry Hamlin como interpretes, aqui temos um Liam Neeson, Ralph Fiennes, Sam Worthington, Mads Mikkelsen e Gemma Arterton, tudo caras conhecidas do panorama cinematográfico da actualidade quer sejam actores já reputados quer caras novas e com futuros promissores. Aqui, ambos filmes são pesos pesados...
No entanto, é certo que este remake vence nos ultra-modernos efeitos especiais que tornam tudo bem mais "real" do que a versão original. Talvez o ponto forte do filme consiga mesmo ser este, e aí é quase indiscutível, também devido à época em que vivemos.
Em todo o caso se considerarmos esta mesma questão dos efeitos especiais, por muito rudimentares que sejam os da versão original, e que em muitos casos o são mesmo, o que é certo é que o filme dos anos 80 consegue ao mesmo tempo ter muita mais magia e uma legião de fãs por todo o mundo. Poucos são aqueles, e eu incluído, que olham para o filme e pensem "lá está algo que se percebe ter sido menos bem feito". Quando vemos o filme perdemo-nos na magia e na mitologia que ele acarreta e lembra-nos do quanto gostavamos de ver este filme quando éramos mais novos. Se há filmes que se pode dizer serem "de culto", a versão original deste Choque de Titãs é um desses filmes.
Em todo o caso, e assumindo desde já que a versão original é a minha preferida e pela qual nutro mais simpatia, não deixo de dizer que este filme de Louis Leterrier me deixou agradavelmente surpreendido e, dentro do género, considero-o um filme interessante e que nos proporciona bons momentos de diversão e emoção. É, de forma geral, um filme bem feito que apenas perde por ter um antecessor de muito peso e do qual todos nós nos lembramos.
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7 / 10
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um Funeral à Chuva (2010)

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Um Funeral à Chuva de Telmo Martins foi um dos filmes que saiu vencedor da última edição dos Caminhos do Cinema Português tendo vencido os prémios de Melhor Longa-Metragem, o Prémio da Imprensa e o Prémio do Público.
Este filme gira em torno da história de um grupo de amigos que se reune dez anos depois da sua formatura universitária para o funeral de João (João Ventura) na Covilhã.
A notícia da morte de João espanta todos. Diana (Sandra Santos), uma apresentadora de televisão que não seguiu o sonho de representação e vive por isso frustrada, Marco (Alexandre da Silva) que se havia formado em engenharia mas que agora escreve sobre viagens para uma revista, Rui (Pedro Górgia) que não conseguiu vingar na sua área e trabalha agora num clube de vídeo, André (Luís Dias) que desistiu do curso para poder tratar da mãe, e a sua irmã Susana (Sílvia Almeida) que conseguiu terminar o curso, exerce mas vive os sentimentos de culpa pelo facto do seu irmão não ter tido as mesmas oportunidades.
Finalmente temos Zé (Hugo Tavares), aquele que era o mais "estróina" do grupo mas que acabou agora como professor na Universidade onde todos estudaram e que avisou os amigos da morte de João, por ter sido o único que se manteve em contacto com ele mesmo depois da sua licenciatura. E é Zé que se mostra mais afectado com a morte do amigo. Nota-se nas suas expressões e reacções que se encontra desesperado, sózinho. Nota-se que entre os dois amigos seria possível que existisse algo mais do que amizade. Possivelmente um amor ocultado de todos.
O encontro entre estes amigos dez anos depois é feito em grande parte à volta de uma mesa, de muito alcoól e de algumas ganzas para "animar a malta". Falam sobre o passado e as suas experiências assim como a presença do João nas suas vidas. Aqueles que com ele mais privaram e as poucas palavras sábias que este seu amigo, silencioso como eles próprios admitem, ocasionalmente lhes dava.
Refletem todos sobre os belos tempos universitários que tiveram, e sobre as experiências que fizeram deste grupo amigos para toda a vida independentemente da distância que os poderia separar. Mostram-nos como as suas vidas aparentemente perfeitas não o são na realidade. Falam sobre o que ficou por fazer e por tentar. Revelam-nos de como os seus sonhos ficaram para sempre, aparentemente, esquecidos.
Este filme de Telmo Martins e com um argumento do próprio realizador em parceria com Luís Campos e Jorge Vaz Nande aparenta ter a nível das interpretações algumas "falhas" pois elas são, por vezes, pouco naturais. No entanto, esse mesmo aspecto contribui para que nos pareçam reais os momentos de diálogo entre os vários amigos. Parecem realmente ser pessoas que estiveram separadas durante dez anos.
É agradável ver como o cinema português finalmente, ao que me parece, já ultrapassou complexos antigos e que agora já se permite fazer filmes de todo o género e feitio e que conseguem chegar a todos os géneros de público. É bom perceber, gostemos ou não daquilo que nos é apresentado, que já há filmes para todos os gostos e que o cinema português começa a dispersar por todas as áreas não se limitando apenas ao chamado "cinema de autor" onde, supostamente, apenas algumas pessoas têm direito a poder ver filmes do nosso "mercado".
Deixo ainda um pequeno destaque à banda-sonora de André Fernandes que não só é enérgica e divertida como emocionante nos momentos certos. É uma lufada de ar fresco (cliché à parte) que resulta muito bem no filme e com a sua história.
Este Um Funeral à Chuva foi para mim uma surpresa agradável. Foi bom poder ver um filme do qual pouco sabia, e que me conseguiu provocar algumas risadas por um ou outro momento mais divertido num filme que, é essencialmente sobre a morte de uma pessoa. Filme este que ao mesmo tempo e através da sua simplicidade consegue também deixarmos a pensar sobre as nossas vidas, os nossos amigos e os nossos sonhos para o futuro. É aqui que este filme se torna um vencedor.
Parabéns aos actores e ao realizador Telmo Martins que... lá por Abril ou Maio, altura em que deve conquistar a nomeação ao Globo de Ouro SIC/Caras para Melhor Filme.
Uma aposta ganha e que espero seja o motor de arranque para outras histórias do género que aposto saírem igualmente vencedoras e alvo de curiosidade do público nacional.
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7 / 10
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Chicago Film Critics Association: vencedores

Filme: The Social Network
Realizador: David Fincher, The Social Network
Actriz: Natalie Portman, Black Swan
Actor: Colin Firth, The King's Speech
Actriz Secundária: Hailee Steinfeld, True Grit
Actor Secundário: Christian Bale, The Fighter
Argumento: Aaron Sorkin, The Social Network
Documentário: Exit Through The Gift Shop
Filme Estrangeiro: Un Prophète (França)
Filme de Animação: Toy Story 3
Fotografia: Wally Pfister, Inception
Banda-Sonora: Clint Mansell, Black Swan
Intérprete Revelação: Jennifer Lawrence, Winter's Bone
Realizador Revelação: Derek Cianfrance, Blue Valentine
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Where the Wild Things Are (2009)

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O Sítio das Coisas Selvagens de Spike Jonze foi um dos filmes sensação de 2009/10 que conta com a participação do jovem actor Max Records no principal desempenho, secundado por Catherine Keener e Mark Ruffalo.
Iniciamos este filme com a presença de Max (Records) um miúdo com sérios problemas de atenção por parte não só da sua mãe como da sua irmã e que se sente literalmente inadaptado junto da sua família. A única forma que pensa ter de chamar a atenção é literalmente comportar-se como um miúdo mimado e birrento e de facto confirma-se... não pelo melhor dos sentidos.
Um dia numa discussão com a mãe que tenta fazê-lo perceber que o seu comportamento não é o melhor, Max foge indo parar a um local onde vivem monstruosas e imaginárias criaturas.
Bom, dito isto... admito que o que me levou inicialmente a ver este filme foi o extraordinário trailer de apresentação que era, de facto, muito bom e com uma banda-sonora que aguçava o apetite de qualquer um de nós.
O filme em si é, de uma forma geral, engraçado. Sei perfeitamente que não é daqueles filmes que alguma vez irei considerar ser "da vida", mas sei também que é uma muito boa história sobre a fase de crescimento pela qual todos nós passamos, bem como os medos do desconhecido pelos quais todas as crianças passam. Todos anseiam ser adultos, mas é uma vez lá chegados que todos percebem que afinal a melhor etapa das nossas vidas é de facto a infância. No entanto só o sabemos, e percebemos, quando já a perdemos definitivamente.
Também a fuga de Max tem uma justificação... Ela mais não é do que uma representação da sua fuga física e psicológica à indiferença que sente dentro da sua casa. Enquanto a sua irmã adolescente se prepara ela para ter a sua vida e a sua mãe se prepara para refazer a sua, Max é, de certa forma, "abandonado". É uma criança, que necessidades terá ele? Comparando com os outros... poucas.
Esta fuga é assim a sua forma de se revoltar e rebelar contra a indiferença de que se sente vítima. Refugiar-se num mundo alternativo, onde os monstros mais não são do que representações gigantescas dos seus medos, tal como eles aparentam ser a qualquer criança com receio do que está para "além" daquilo que se controla... A solidão, o medo ou a vontade de pertencer e integrar algo são constantes da sua jovem e curta vida.
No entanto estes mesmos monstros não representam só os medos de Max. Eles são também representações daquilo em que Max, ou qualquer outra pessoa, se transforma. Futuros adultos com ânsia e impaciências. Medos e receios que, de uma ou outra forma, poderão resultar em impulsos mais violentos como reacção àquilo com que se depara.
Não será para mim, como disse, um filme genial. Existirão (existem) filmes melhores e que poderei considerar como os grandes filmes do ano. Este, no entanto, se não me conseguiu conquistar gande simpatia durante uma boa parte da sua história é no entanto no final que consegue captar mais da minha atenção e da minha empatia para com ela.
É a percepção por parte dos monstros de que Max vai abandonar a ilha (que é como quem diz abandonar a sua jovem idade e entrar numa adolescência) que conseguimos perceber a nostalgia que ele inconscientemente e de imediato sente ao ver que aquela fora a sua melhor idade e que jamais a poderá repetir. É talvez aqui que todos nós enquanto espectadores percebemos que a nossa melhor fase de vida foi de facto a infância. Uma altura de sonhos, de aventuras e de sermos nós próprios sem rótulos, fachadas ou representações a que a sociedade obriga. Uma altura simplesmente natural em que somos nós próprios.
Será esta a grande mensagem que a mim, tal como a tantos outros, este filme conseguiu transmitir e olhando-o assim consegue ser uma história engraçada e agradável de se ver.
Além destes imensos "detalhes" é de destacar ainda a participação de nomes reconhecidos como James Gandolfini, Catherine O'Hara, Paul Dano, Forest Whitaker ou Chris Cooper a dar voz aos monstros bem como é de referir ainda a magnífica banda-sonora da autoria de Carter Burwell e Karen Orzolek como pontos altos deste filme.
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"Judith: Happiness is not always the best way to be happy."
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7 / 10
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sábado, 18 de dezembro de 2010

Solomon Kane (2009)

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Solomon Kane de Michael J. Bassett é um intenso e muito interessante filme de acção e aventura que tráz ao grande ecrã a história de Kane (James Purefoy) um combatente não só frente aos espanhóis como também das forças demoníacas que começavam a invadir os meios rurais do Reino, e que utiliza todos os meios possíveis, inclusivé os mais violentos, para fazer justiça pelas próprias mãos.
Um dia numa das suas missões conhece o enviado do Diabo que vem reclamar a sua alma devido às inúmeras atrocidades que cometeu durante toda a sua vida mas, rebelde como é recusa acompanhá-lo e após conseguir escapar renuncia a toda a violência refugiando-se num mosteiro.
No entanto, como nada parece correr como ele quer, rapidamente é posto fora do mosteiro e rapidamente se apercebe de que o mundo com o qual começa agora a manter contacto está muito diferente daquilo que deixou, e as forças do mal começam a apoderar-se aos poucos dos terrenos do país.
Este filme saiu como justo vencedor do Prémio do Público do último Fantasporto e confesso que é daqueles filmes que demorei a ver mas do qual saí francamente satisfeito com os resultados finais. James Purefoy que dá corpo e alma a Solomon Kane torna-se com este filme, do qual em nada me espantava que desse vida a uma saga do género, um herói instantâneo do género fantástico. É delirante ver a rudeza e falta de humanidade que tem para com aqueles que considera serem ameaças ao bem-estar geral. Mais delirante é quando se lança sem piedade numa missão de extermínio geral que parece quase não ter fim.
O ambiente geral criado pelo filme é igualmente soberbo. O trabalho de fotografia de Dan Laustsen consegue criar realmente uma atmosfera quase da idade das trevas onde tudo é muito sombrio e sentimos que a qualquer momento sai alguém da escuridão para atacar o nosso herói de serviço.
Não será com certeza o melhor filme do género ou sequer um retrato interessante de uma época mais ou menos sombria. No entanto não deixa de ser um óptimo exemplo de como o cinema do género fantástico está alive and kicking e que muitos espectadores vibram com este tipo de filme. Eu assumo... sou um deles. Quando bem feitos conseguem ser filmes de pura adrenalina que conseguem não só entusiasmar como entreter qualquer cinéfilo.
Michael J. Bassett... Parabéns... Será muito pedir mais uns quantos filmes a dar continuidade às aventuras de Solomon Kane?
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"Solomon Kane: There are many paths to redemption, not all of them peaceful."
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7 / 10
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alice in Wonderland (2010)

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Alice no País das Maravilhas é a mais recente adaptação deste conto de Lewis Carroll desta vez feita pelas mãos de Tim Burton que tanto já nos encantou com os seus filmes que passam por Big Fish e Eduardo Mãos de Tesoura.
Alice (Mia Wasikowska) está de volta ao País das Maravilhas após se ter metido, no seu mundo, em mais um problema que não antecipava... o seu casamento arranjado. Uma vez lá chegada encontra novamente as mesmas personagens estranhas como o Chapeleiro Louco (Johnny Depp), a Raínha de Copas (Helena Bonham-Carter) e uma Raínha Branca (Anne Hathaway) que se encontram num estado de pré-guerra para ver quem assume de uma vez por todas o domínio de tão bizarra terra.
Sendo um filme de Tim Burton é natural que qualquer cinéfilo salive por saber qual o filme com que o mestre nos vai presentear. Basta considerarmos toda a filmografia do realizador para sabermos que aquilo que nos espera é mais uma genial obra que enriquece o imaginário de qualquer um.
No entanto este Alice, não sendo mau, seria impossível sê-lo, é um filme que enquanto o estamos a ver, e em especial depois, nos deixa a pensar que ficou ali muito por dizer. As personagens que são por si só suficientemente ricas, ficam quase como que decorativas e não são exploradas no seu máximo. É impossível não gostarmos de uma Raínha de Copas interpretada por Helena Bonham-Carter que consegue sempre retirar uma ponta de loucura exagerada de qualquer uma das suas personagens. E por muito violenta que ela aqui seja... ganha a simpatia de qualquer um de nós.
O mesmo acontece com o Chapeleiro Louco criado por Johnny Depp que nos mostra através do seu olhar tanto de louco como de melancólico e saudoso. Este papel, que lhe valeu esta semana a nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Actor Comédia, e que espero sinceramente que saia vencedor, é possivelmente um dos papéis mais comentados e apreciados do ano. Duvido que lhe consiga dar uma nova nomeação a Oscar mas que fica na galeria das suas personagens mais aplaudidas, disso não tenho a menor das dúvidas.
O ponto forte deste filme serão seguramente todos os seus aspectos técnicos que, desde o Guarda-Roupa de Colleen Atwood, à Banda-Sonora de Danny Elfman e a Fotografia de Dariusz Wolski fazem deste filme um verdadeiro espectáculo de cor e de sons que em nada ficam atrás de tantos outros filme do género fantástico. Áreas estas que não me espantaria nada se obtivessem uma nomeação na próxima cerimónia dos Oscars em 2011. Duvido que Depp chegue a uma nomeação. Parece-me que o seu papel é reduzido demais para a alcançar, e em especial num ano em que as grandes (esperamos) interpretações masculinas são muitas, mas o Globo de Ouro será, quase de certeza, seu.
Mensagens a reter deste filme são também algumas... É impossível não vermos o mundo imaginário de Alice como o seu refúgio quando se lhe deparam problemas que podem mudar toda a sua vida como até então a conhece. As próprias incertezas de uma jovem mulher numa altura em que as mesmas pouco tinham a opinar sobre a sua própria vida e claro... a presença de um Jabberwocky (excelente registo da voz de Christopher Lee... seria impossível pensar noutra pessoa para lhe dar voz) que mais não é do que aquele eterno "Velho do Restelo" presente em cada uma das nossas consciências quando alguma mudança de maior se aproxima. Aquele medo que todos nós temos de conquistar e ultrapassar.
Garanto que gostei do filme, apesar do meu comentário sobre o mesmo parecer algo "indefinido". Acho simplesmente que ele poderia ter sido bem mais explorado para nos garantir pelo menos mais uma hora de puro entretenimento. Não iria fartar ou aborrecer ninguém, pois afinal de contas todos nós gostamos daquilo que Tim Burton nos oferece.
Mais ainda digo... todo o filme é visualmente rico e a certa altura acabamos por nos perder com tanta cor vibrante e apelativa que percorre todo o filme desde o princípio até ao final... Aquilo que simplesmente digo é que este não será o filme de Tim Burton que me ficará na memória como aquele de que mais gostei de todo o seu excêntrico e magnífico registo mas que é, ainda assim, um excelente filme do género fantástico e que certamente não irá deixar nenhum de nós indiferente.
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"The Red Queen: It is far better to be feared than loved."
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8 / 10
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief (2010)

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Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo de Chris Columbus conseguiu convencer-me que ainda se faz um excelente cinema do fantástico sem que, para isso, se tenha sempre de recorrer a remakes de filmes do passado que acabam, quase sempre, por não ser tão bons como os originais. Este sim, ganha pela originalidade e pela piada que de facto tem.
Neste filme conhecemos Percy Jackson (Logan Lerman) um jovem estudante com disléxia (pensamos nós) que vive com a sua mãe e um padrasto bem labrego que os maltrata. Mas, com isto dito, ficamos também a saber que Percy tem algo mais escondido na sua história pessoal... Ele é, segundo percebemos, filho de Poseidon, Deus dos Mares.
Depois de terem roubado o trovão de Zeus, a arma mais poderosa do Mundo, e das suspeitas terem recaído sobre Percey, começa então uma entusiasmante história de aventuras e de acção que combina os tempos modernos à História da mitologia grega que persiste intocável desde à milhares de anos, criando assim um interessante e bem conseguido filme de entretenimento que não desilude ninguém.
As interpretações são igualmente delirantes e considerando o género de filme que é estão igualmente bem conseguidas e trabalhadas. Logan Lerman como Persey Jackson, Catherine Keener como a sua mãe, Uma Thurman, magnífica como sempre, como a mortal Medusa, Sean Bean como Zeus, Kevin McKidd como Poseidon e uma Rosario Dawson ao estilo de matadora como Persefone ou um Pierce Brosnan como um professor de História que é mais do que parece, completam um elenco extraordinário que faz deste filme um daqueles que primeiro desconfiamos e depois passamos a gostar.
Além destes aspectos, todos eles positivos na minha opinião, não se pode igualmente deixar de referir os excelentes efeitos especiais e que, muito possivelmente, poderão ter uma nomeação ao Oscar na sua respectiva categoria.
Puro entretenimento que deixa qualquer um bem disposto. E quem não acredita... que veja os segmentos com Uma Thurman, que é como quem diz... Medusa.
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7 / 10
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Blake Edwards

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1922 - 2010
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Revista New Yorker elege os Filmes do Ano...

... e entre eles encontramos não um... não dois... não três... mas sim QUATRO filmes portugueses entre o TOP 25 do ano.
Dito isto temos no oitavo lugar o filme O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira, Aquele Querido Mês de Agosto de Miguel Gomes no décimo lugar logo seguida no décimo primeiro por Ne Change Rien de Pedro Costa e em décimo quinto A Religiosa Portuguesa de Eugène Green.
Finalmente só me resta acrescentar que com tanta recepção, e positiva, do cinema português além fronteiras, visto que agora até nos Estados Unidos temos algum crédito, porque não pensar em investir CÁ numa Academia de Cinema que lançasse ainda mais o nosso cinema noutros países ao ponto de, passados quarenta e não sei quantos anos que seleccionamos um filme aos Oscars pudessemos ter, finalmente, uma nomeação ao tão referido Filme Estrangeiro?
É só pensar assim por alto e... Parabéns aos filmes mencionados e seus respectivos realizadores.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

The Ghost Writer (2010)

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O Escritor Fantasma a nova obra do relizador Roman Polanski foi o grande vencedor deste ano dos EFA's cuja cerimónia deste ano teve lugar em Tallinn, capital da Estónia.
O filme, que partia com sete nomeações, saiu vencedor em seis categorias sendo elas Filme, Realizador, Ewan McGregor como Actor, Argumento, Banda-Sonora e Design, tornando-se assim no maior vencedor de EFA's até à data.
Esta história escrita pelo próprio Polanski em parceria com Robert Harris e com um excelente elenco do qual fazem parte Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Tom Wilkinson, Kim Cattrall e Timothy Hutton, leva-nos até ao mundo das intrigas políticas, das indústrias militares e da CIA.
Tudo começa quando um Escritor Fantasma (McGregor) é contratado para escrever as memórias do ex-primeiro-ministro britâncio Adam Lang após a misteriosa morte do seu escritor oficial.
O Escritor Fantasma, nunca abordado pelo seu verdadeiro nome durante todo o filme, aceita a proposta, relutante de início, e segue ao encontro de Lang na sua residência norte-americana, onde desde cedo perceber que aquele ambiente é estranho e onde as suspeitas e as desconfianças imperam ao ponto do Escritor suspeitar mesmo da participação de Lang como membro da CIA. Mas... será mesmo ele?
Este filme desperta logo a curiosidade de qualquer um se pensarmos no mediatismo que o seu realizador tem tido desde os anos 70 e em particular nos últimos dois ou três anos desde a sua prisão em Zurique. Como tal, é normal que qualquer um de nós queira saber o que é que ele tem andado a fazer e se esta sua última obra merece destaque pela sua qualidade ou se mais não é do que muita publicidade para nada.
Depois de começarmos a ver este filme e de percebermos que ele nos prende a atenção desde o primeiro minuto, entendemos que afinal a publicidade que o filme tem não se deve ao facto do seu realizador ter estado envolvido em tanta polémica nos últimos anos e que estamos realmente perante um filme que é simplesmente BOM.
A sua história, que podemos presumir já ter visto dezenas de vezes em tantos outros filmes, consegue realmente ser interessante e criar um intenso clima de suspense que não nos larga em momento nenhum. Se a este aspecto juntarmos a fenomenal banda-sonora da autoria do compositor do momento Alexandre Desplat, então estamos mesmo perante uma intensidade bem forte que não nos larga de início até ao final. Especialmente nos momentos em que pensamos já ter percebido tudo e que, afinal, estamos ainda longe de ver realmente qual a realidade que assombra os acontecimentos descritos no filme.
Digo com segurança que este filme não é apenas fogo de vista, nem que vive tão pouco de uma publicidade que gira em torno do mediatismo do seu realizador. E digo ainda que este sabe tão bem como há quarenta anos dirigir magníficas histórias que nos prendem do primeiro ao último minuto, e daí se justificam os seis EFA's que ganhou no início deste mês em Tallinn.
Excelente filme que, infelizmente, não irá aos Oscars, pois se fosse antevia aqui umas quantas merecidas nomeações para Filme, Realizador, Argumento, Banda-Sonora, Actor Principal (McGregor) e Actores Secundários (Brosnan e Williams), devido apenas e só ao mediatismo negativo que o realizador tem do outro lado do Atlântico mas que é, seguramente, um dos melhores filmes deste ano e que merece ser visto por todos, em particular por aqueles que apreciam bons thrillers que conseguem deixar-nos inquietos durante todo o tempo em que estamos a ver este filme.
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9 / 10
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

San Francisco Film Critics Circle: vencedores

Filme: The Social Network
Actor: Colin Firth, The King's Speech
Actriz: Michelle Williams, Blue Valentine
Actor Secundário: John Hawkes, Winter's Bone
Actriz Secundária: Jacki Weaver, Animal Kingdom
Realizador: Darren Aronofsky, Black Swan e David Fincher, The Social Network
Argumento Original: David Seidler, The King’s Speech
Argumento Adaptado: Aaron Sorkin, The Social Network
Filme de Animação: Toy Story 3
Filme Estrangeiro: Mother (Coreia do Sul)
Documentário: The Tillman Story
Fotografia: Matthew Libatique, Black Swan
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Prince of Persia: The Sands of Time (2010)

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Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo de Mike Newell é um extraordinário filme de aventuras e do fantástico que faz lembrar os bons velhos tempos em que o Indiana Jones nos fazia vibrar de emoção.
Dastan (Jake Gyllenhall) um princípe persa que acaba de invadir uma cidade sagrada do império é subitamente acusado de assassinar o seu pai. Este facto leva-o  a fugir na companhia da Princesa Tamina (Gemma Arterton) que é detentora do punhal sagrado.
Este punhal detentor da extraordinária capacidade de alterar o passado é procurado por Nizam (Ben Kingsley), tio de Dastan, de forma a poder alterar o seu passado e matar o irmão, assumindo ele assim o controlo de todo o império que governaria despoticamente.
Este é o género de filmes que me deixa, logo à partida, de pé atrás. E isto tem um motivo até bem simples. Se considerarmos muitos filmes do género passados em épocas tão distintas e remotas, assistimos quase sempre a pobres exemplos que pouco argumento ou conteúdo têm e, como tal, resguardam-se apenas e só em potenciais efeitos especiais que deixem o espectador a salivar.
Esta regra é também ela suspeita na medida em que estes mesmos efeitos especiais são, quase sempre, tão óbvios e básicos que nos deixam completamente desiludidos com aquilo a que assistimos. Ou é possível notar que o actor está a representar à frente de um ecrão verde com a imagem a passar no fundo, que é como quem diz, totalmente descoordenado, ou então são de tal maneira pobres que mais paree que foram a um "garage sale" de um qualquer subúrbio para comprar roupas velhas e fogo de artifício já com cheiro a naftalina.
Aqui, felizmente, a surpresa é francamente agradável. Não só o filme tem uma história cativante que misturas aspectos históricos como é por exemplo o caso da civilização persa, como também engloba aspectos de grandes batalhas e de intensa acção com efeitos especiais soberbos que nos fazem prender a todas as imagens que passam pelo ecrã e, em alguns casos, ter de repetir para conseguir perceber toda a riqueza visual que elas nos conseguem transmitir através da enorme qualidade que os efeitos especiais têm. Não me admiraria nada que o filme conseguisse a nomeação ao Oscar na categoria de Efeitos Especiais Visuais.
De igual mérito está o excelente trabalho de caracterização dos actores que, em alguns casos (e para quem viu o filme sabe bem a quem me refiro), está feito de uma forma tão credível que parece mesmo que estamos ali presente pessoas... digamos, desfiguradas (para ser simpático), e que suspeito também poder render ao filme uma outra nomeação a Oscar na respectiva categoria.
Finalmente os actores... Todos eles sem excepção conseguem entregar desempenhos seguros e confiantes que apenas contribuem para elevar ainda mais a qualidade da narrativa e do filme na sua globalidade. Quer seja Gyllenhall, Kingsley, Arterton ou Alfred Molina, novamente aqui a fazer o papel da mau da fita, mas desta vez num registo mais cómico, pois é Kingsley que assume o vilão de serviço, todos estão de parabéns pelos seus seguros e enérgicos desempenhos.
Este é não só um filme de aventuras, de efeitos especiais e de acção, mas também um filme com alguns contornos históricos e com desempenhos seguros e altamente credíveis que, como já referi, nos fazem lembrar os melhores tempos de um Indiana Jones que desafia tudo e todos até chegar a um final onde esperamos por uma sequela que faça justiça a um grandioso filme do género.
Indispensável para todos aqueles que gostam de passar um final de noite na mais pura experiência de aventura cinematográfica.
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8 / 10
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

New York Film Critics: vencedores

Filme: The Social Network
Realizador: David Fincher, The Social Network
Argumento: Lisa Cholodenko & Stuart Blumberg, The Kids Are All Right
Actriz: Annette Bening, The Kids Are All Right
Actor: Colin Firth, The King’s Speech
Actriz Secundária: Melissa Leo, The Fighter
Actor Secundário: Mark Ruffalo, The Kids Are All Right
Fotografia: Matthew Libatique, Black Swan
Filme de Animação: The Illusionist
Documentário: Inside Job
Filme Estrangeiro: Carlos (França)
Primeira Obra: Animal Kingdom
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2º Direito (2004)

2º Direito de Francisco Antunez é uma curta-metragem um tanto ou quanto estranha. Tem ali algum potencial pois de início quando assistimos a tanta droga pelo meio pensamos que vai haver alguma trama pelo meio que vá fazer literalmente "explodir" a cena.
No entanto, quando verificamos que é apenas consumir e mais consumir e que depois nada se passa além de uma detenção com algum palavreado mais forte (hoje em dia já nem tanto mas enfim...), esta curta acaba por se tornar mais num desfile de algumas caras conhecidas do que propriamente algo de interesse.
Promete mas não cumpre... além claro dos seus actores entre os quais Peter Michael, São José Correia, Gonçalo Diniz, Rui Unas e Carla Vasconcelos, pois de resto mais não é do que "mais uma" curta que no final acaba por não ter grande história para contar.
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2 / 10
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New York Film Critics Online: vencedores

Filme: The Social Network
Actor: James Franco, 127 Hours
Actriz: Natalie Portman, Black Swan
Actor Secundário: Christian Bale, The Fighter
Actriz Secundária: Melissa Leo, The Fighter
Realizador: David Fincher, The Social Network
Intérprete Revelação: Noomi Repace, The Girl With The Dragon Tattoo
Realizador Revelação: John Wells, The Company Men
Elenco: The Kids Are All Right
Argumento: Aaron Sorkin, The Social Network
Documentário: Exit Through The Gift Shop
Filme Estrangeiro: Io Sono l'Amore (Itália)
Filme de Animação: Toy Story 3
Fotografia: Black Swan
Banda-Sonora: Black Swan
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Los Angeles Film Critics Association: vencedores

Filme: The Social Network
Realizador: Olivier Assayas, Carlos e David Fincher, The Social Network
Actor: Colin Firth, The King's Speech
Actriz: Kim Hye-Ja, Mother
Actor Secundário: Neils Arestrup, Un Prophèt
Actriz Secundária: Jacki Weaver, Animal Kingdom
Argumento: Aaron Sorkin, The Social Network
Fotografia: Matthew Libatique, Black Swan
Banda-Sonora: Alexandre Desplat, The Ghost Writer e Trent Reznor e Atticus Ross, The Social Network
Design de Produção: Guy Dyas, Inception
Documentário: Last Train Home
Experimental: Film Socialism, Jean Luc Godard
Filme Estrangeiro: Carlos (França)
Filme Animação: Toy Story 3
New Generation: Lena Dunham, Tiny Furniture
Legacy of Cinema Award: Serge Bromberg, Henri George's Clouzot Inferno, Fundação F.W. Murnau e Fernando Pena pelo restauro de Metropolis
Carreira: Paul Mazursky
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Festival de Cinema Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira: vencedores

LONGAS-METRAGENS
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Filme: Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi
Actor: Marat Descartes, Os Inquilinos
Actriz: Ana Carbatti, Os Inquilinos
Revelação: A Espada e a Rosa, de João Nicolau
Prémio Especial do Júri: Chantal Akerman, De Cá, de Gustavo Beck
Prémio da Crítica: Chantal Akerman, De Cá, de Gustavo Beck
Prémio dos Cineclubes: A Espada e a Rosa, de João Nicolau
Prémio do Público: Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi
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CURTAS-METRAGENS
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Filme: Avós, de Michael Wahrmann
Revelação: O Céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta
Prémio Especial do Júri: Pickpocket, de João Figueiras
Menção Honrosa do Júri: Náufragos, de Gabriela Amaral Almeida e Matheus Rocha e Não Filme em Três Actos e um Prelúdio, de Rita Macedo
Prémio da Crítica: O Voo de Tulugaq, de André Guerreiro Lopes
Prémio dos Cineclubes: A History of Mutual Respect, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Menção Honrosa Júri Cineclubes: O Céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta
Prémio do Público: O Céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta
Prémio 2: Onda Curta: Descalço, de Tomás Baltazar
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domingo, 12 de dezembro de 2010

Human Zoo (2009)

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Zoo Humano de Rie Rasmussen, que também produziu, escreveu e interpretou, é um interessante mas algo "louco" filme sobre a vida de Adria (Rasmussen), uma mulher albano-kosovar que, numa primeira fase se viu perseguida durante o conflito que opôs a Sérvia ao Kosovo mas que foi salva por Srdjan (Nikola Djuricko), um soldado sérvio desertor.
Uma segunda vertente que o filme foca é a vida de Adria em Marselha, já fugida da guerra e das perseguições de que era alvo, numa tentativa de levar uma vida normal mas que, como imigrante clandestina, tem todas as dificuldades legais que lhe estão inerentes. É aqui em França que tenta levar uma vida normal, que se relaciona com outras pessoas que, como ela, fugiram dos seus paises de origem e que conhece Shawn (Nick Corey), o americano libertino de quem vai gostar e com quem, percebemos irá ficar independentemente das voltas que a sua vida possa levar.
Este filme que pode por vezes parecer bastante estranho devido à sua edição de ora termos imagens de França ora do Kosovo, e para o qual temos de prestar atenção redobrada, é um daqueles filmes que começa a focar o último grande conflito pelo qual a Europa passou no última década do século XX.
Com alguma clareza, se bem que ainda escassa, temos uma abordagem aos dramas pelos quais muitas mulheres passaram durante aquele conflito, desde as mutilações às violações, e também pela desordem e falta de lei pela qual a região Balcânica passou durante os anos que sucederam os conflitos.
Vivemos assim, durante quase todo o filme, um ambiente selvático que parecia não querer cessar. Esperaríamos então que, uma vez em França, a sua vida fosse facilitada ou, pelo menos, mais compreensiva para com a sua situação. Facto que não viria a suceder mas, ao mesmo tempo, é naquele país que descobre as pessoas que mais perto irão ficar do seu coração e pelas quais está disposta a arriscar até a própria vida.
Temos então aqui uma mensagem que passa tanto pela componente dramática pois temos um breve olhar osbre o que foi a vida daqueles que passaram por este conflito mas ao mesmo tempo não é de uma forma que vitimize aqueles que sofreram mas sim um relato sobre a forma como conseguiram escapar.
E ao mesmo tempo temos também um intenso filme de acção que nos mostra como aqueles que poderiam ser as vítimas da sociedade são também aqueles que mais resistência ganham perante todas as diversidades naquele que é, tal como o título do filme nos indica, um zoo humano que consome aos poucos aqueles que nele tentam sobreviver onde as nossas duas personagens principais se lançam numa cruzada muito ao estilo de uma Bonnie e um Clyde da era moderna como aliás, frisam no decorrer do filme.
Muito intenso e interessante que nos dá um olhar diferente mas contagiante de uma realidade que é, em grande medida, ainda desconhecida de todos nós e que passa desde o conflito Balcânico até ao tráfico de mulheres para a prostituição e a vida dos imigrantes ilegais que não se encontrando seguros nos países de onde são originários também não o estão naqueles que os acolhem.
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7 / 10
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Boston Society of Film Critics: vencedores

Filme: The Social Network
Actor: Jesse Eisenberg, The Social Network
Actriz: Natalie Portman, Black Swan
Actor Secundário: Christian Bale, The Fighter
Actriz Secundária: Juliette Lewis, Conviction
Realizador: David Fincher, The Social Network
Argumento: Aaron Sorkin, The Social Network
Fotografia: Roger Deakins, True Grit
Montagem: Andrew Weisblum, Black Swan
New Filmaker Award: Jeff Malmberg, Marwencol
Banda-Sonora: Trent Reznor e Atticus Ross, The Social Network
Elenco: The Fighter
Documentário: Marwencol
Filme Estrangeiro: Mother (Coreia do Sul)
Filme Animação: Toy Story 3
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CinEuphoria Prémios 2011: últimos filmes seleccionados

Para os CinEuphoria Prémios 2011 estão seleccionados também os seguintes filmes:
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The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans
Celda 211
Clash of the Titans
Dorian Gray
The Ghost Writer
Greenberg
How to Train Your Dragon
The Imaginarium of Doctor Parnassus
Human Zoo
The Last Song
The Messenger
Peacock
Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief
Solomon Kane
Um Funeral à Chuva
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sábado, 11 de dezembro de 2010

Feliz 102º

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Manoel de Oliveira
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The Blind Side (2009)

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Um Sonho Possível de John Lee Hancock foi o filme que finalmente conseguiu dar algum crédito ao talento de Sandra Bullock pois ao entregar-lhe esta interpretação dramática e vencedora de um Oscar, um SAG e um Globo de Ouro Drama, colocou-a junto da galeria de actores com reputação credível ao contrário daquilo que vinha a acontecer já há algum tempo por não se descolar dos papéis de comédia onde o seu talento era altamente questionado.
Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) é uma forte e decidida mãe e mulher do sul que um dia conhece Michael Oher (Quinton Aaron) um jovem sem-abrigo que ajuda dando-lhe um lar, uma educação, uma família e amor como se de um filho próprio se tratasse, até ao dia em que ele se torna numa estrela de futebol americano.
Contra a opinião de uma sociedade mais fechada que não aceita outros não iguais a entrarem no seu pequeno círculo, Leigh Anne assume uma postura diferente e sabe que sem o devido apoio e atenção, Michael estaria perdido e desamparado.
Esta história, aparentemente banal, não só deu o devido reconhecimento em Sandra Bullock como já referi como é, acima de tudo, uma encantadora história de amor de uma pessoa para com outra, e de como esse amor pode assumir contornos maternais independentemente de haver ou não laços consanguíneos.
E é essencialmente nisto que o filme se baseia. Na capacidade que as pessoas têm de se ligarem entre si. De criarem laços e empatias. Na possibilidade de se formarem famílias, verdadeiras famílias, entre pessoas que aparentemente nada têm a ver umas com as outras. Pessoas vindas de meios sociais diferentes, com nível de cultura e de educação em extremos opostos entre si mas que devido a forças maiores e à presença de sentimentos e de Humanidade no seu coração conseguem quebrar barreiras e assumir laços afectivos que são, por vezes, superiores aos de sangue.
Sandra Bullock obteve aqui aquele que é possivelmente o papel da sua vida. Nunca desgostei de um papel que tenha feito. Há sempre aqueles com que simpatizamos mais... outros menos... Mas este é sem sombra para dúvidas aquele que a lançou definitivamente como uma estrela do cinema e claro, todos os prémios que obteve com ele só a ajudaram e isto apesar de ter também obtido o troféu de pior actriz do ano. Este foi de facto o ano de Bullock.
O elenco é, na sua globalidade, também muito coerente. Temos desempenhos de Kathy Bates, Tim McGraw, Lily Collins e do jovem Jae Head que são profundamente sentidos e elaborados com grande rigor que ora variam entre um registo sentido e dramático e com o jovem filho do casal elevam-se bem alto no registo da comédia. Sentimos realmente que estão ali como se de uma família verdadeira se tratasse.
Um bom e emocionante filme dramático que apela ao melhor de cada um de nós sem que, para isso, seja preciso chorar baba e ranho. Muito bom... e Bullock (não canso de referir) no seu melhor.
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8 / 10
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

El Secreto de Sus Ojos (2009)

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O Segredo dos Seus Olhos de Juan José Campanella, vencedor de dois Goya, tornou-se na grande surpresa do ano ao sair vencedor em 2010 do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Esta história que começa com uma violenta cena de agressão e violação toma contornos bem mais fortes que passam desde o amor ao medo e da esperança ao temor numa Argentina politicamente instável como pano de fundo.
Benjamín (Ricardo Darín) um investigador policial vive atormentado por um crime que não teve solução vinte e cinco anos antes. Atormentado por não o ter conseguido resolver, por ter perdido o seu parceiro e especialmente por ter sido na época em que se apaixonou e deixou o crime e a sua resolução, envolver-se no seu potencial amor.
À medida que acompanhamos a vida de Benjamín presentemente vamos ao mesmo tempo assistindo a situações passadas nesses anos que criaram os respectivos distanciamentos que os inteveninentes virão a sentir no futuro.
Irene (Soledad Villamil) a grande paixão de Benjamín, e por quem ainda sente um grande amor, tenta dissuadi-lo de continuar a investigar o que se havia passado tantos anos antes, mas facilmente percebemos que apenas com o desfecho daquele crime que o atormentara toda a sua vida poderá Benjamín finalmente assumir o seu amor pela mulher que ama.
Este fantástico filme, que confesso ter sido para mim uma enorme surpresa, tem excelentes e fortes interpretações a seu cargo. De Ricardo Darín já não me espanta pois após tê-lo visto nesse fantástico O Filho da Noiva só poderia esperar gandes feitos deste actor.
É no entanto do restante elenco que chegam as mais agradáveis surpresas e que são também não só em termos de interpretes como de personagens na história, as mais essenciais para compreendermos aquilo que realmente ocorreu naqueles dias mais negros da História da Argentina.
Quer Soledad Villamil como Pablo Rago são dois actores com aquelas que são provavelmente as interpretações mais fortes de todo o filme. Villamil como "Irene", a jovem inspectora que tenta tudo por tudo para se afirmar num mundo de homens, e Pablo Rago como "Ricardo", o choroso marido que desespera por saber quem foi o homicida e violador da sua mulher, são as forças (des)controladas deste filme. É inclusive Pablo Rago que nos dá já bem perto do filme a interpretação que é, a meu ver, a mais forte e a que aparenta ser mais instável dentro de uma sanidade quase impossível. É preciso ver para realmente acreditar o tão bons que eles são.
O argumento também da autoria de Campanella em parceria com Eduardo Sacheri é no mínimo entusiasmante. Se de início pensamos ir assistir a uma história que nos vai desvendar quem está por detrás de um brutal homicídio, depressa percebemos que são muitos maiores os contornos desta história.
Temos não só a resolução do brutal acontecimento que lança o mote para todo o filme, como temos à mistura uma relação de amizade e amor por concretizar numa Argentina viciada por cunhas e por esquemas políticas que safam os mais bárbaros criminosos em nome de uma perseguição política sem limites. Mas acima de tudo, de tudo isto, temos a mais brilhante e original história de vingança que o cinema nos entrega desde há uns largos anos.
Para aqueles que julgam que a meio do filme vão sair insatisfeitos da sala de cinema... Não se deixem enganar... Se todo o filme está brilhantemente dirigido, as sequências com que nos brindam os últimosquinze minutos são aquelas pelas quais esperamos por ver durante todo o filme... E acreditem... Vale muito a pena...
É certo que estava a torcer pel' Um Profeta na cerimónia dos Oscars. É certo que esperava que ganhasse O Laço Branco... Mas mais certo ainda é que este Segredo foi um justíssimo vencedor de um Oscar de Filme Estrangeiro bem como de todo os outros prémios que galardoaram os brilhantes profissionais que dele fazem parte.
Só deixo uma nota final de apreço pela magnífica banda-sonora que intensifica ao limite os momentos mais tensos do filme. Se eles já valem pelo que valem, esta banda-sonora da autoria de Federico Jusid e Emilio Kauderer apenas os tornam num clímax constante.
Uma palavra apenas.... B R I L H A N T E...
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8 / 10
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Momentos (2010)


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Momentos de Nuno Rocha é daquelas surpresas que sabem realmente bem e pela qual agradeço a existência ao seu realizador.
Nuno Rocha que já nos havia surpreendido e divertido com a hilariante 3x3 e com a curta Vicky and Sam que foi uma das vencedoras deste ano do Caminhos do Cinema Português, tem aqui uma comovente história que brilha pela sua simplicidade.
Nesta curta somos transportados até um sem abrigo que assiste ao transporte de duas televisões para uma loja ao lado da qual ele dorme. Movido pela curiosidade e pela percepção de que as televisões se ligaram após a saída de tão misteriosos homens, ele vira-se para o ecrã e se inicialmente as imagens lhe deram vontade de rir (assistimos a imagens da curta 3x3), rapidamente as mesmas mudam levando-o para anos antes de ser um sem abrigo onde assiste a gravações da sua filha ainda criança.
O que se passa a seguir não irei comentar pois há filmes que devem ser vistos e apreciados, e este é sem qualquer dúvida um desses filmes.
Tiro o chapéu ao realizador Nuno Rocha que, de curta em curta-metragem me tem surpreendido sempre pela positiva quer no domínio da comédia quer num registo mais dramático o que me leva a esperar com alguma (bastante) curiosidade para o dia em que possa filmar uma longa-metragem. Assumo desde já que serei um dos espectadores que irá estar presente na sala de cinema.
Belíssima história e belíssima curta-metragem com uma fotografia excelente e que, mesmo sem diálogos, transmite todas as sensações e emoções que são pretendidas para o registo dramático que se pretende. Apesar de uma curta, e infelizmente por vezes não ser alvo da devida atenção, é digna de figurar entre os melhores filmes portugueses do ano.
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8 / 10
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dear John (2010)

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Juntos ao Luar de Lasse Hallström é um extraordinário, e para não fugir à regra da filmografia do realizador sueco, emocionante filme que conta com duas surpreendentes interpretações de Channing Tatum e Amanda Seyfried.
Tal como nos anteriores sucessos do realizador, tais como Chocolat, As Regras da Casa ou The Shipping News, somos transportados não para meios urbanos mas para pequenas localidades e para um núcleo mais restricto de actores que compõem toda uma situação dramática muito forte.
Aqui acompanhos a história de John Tyree (Channing Tatum) um militar de licença que por um acaso conhece Savannah Curtis (Amanda Seyfried) que se encontra de férias universitárias. Aquilo que começa com uma simples simpatia acaba, como será de esperar em amor. Um amor conquistado em apenas duas semanas. Será ele real ou uma simples paixão de Verão?
Em termos gerais esta é a história do filme. Mas muito gerais mesmo! Aquilo que à partida poderia ser uma história mais ou menos banal e igual a tantas outras, ganha uma vida cativante quando olhamos com atenção para as diversas personagens que cruzam este filme.
Começando pelos actores protagonistas, confesso que ambos me causavam inicialmente alguma desconfiança. Habituado que estava a vê-los em filmes ora de acção ora de meninos "bonitos", era difícil imaginar que este filme fosse igualar, ou sequer chegar perto, dos outros magníficos filmes que o realizador sueco nos deu.
Para minha imensa surpresa este filme não só é agradável, como é bom... Aliás, muito bom. Arrisco-me mesmo a dizer que não só iguala como supera as anteriores obras mencionadas pela sua simplicidade e fidelidade a um sentimento tão nobre como é o amor.
É demasiadamente agradável ver que Lasse Hallström continua a retirar sentidos desempenhos dos seus actores e que os coloca, por muito suspeitos que sejam à partida, a trabalhar em registos tão sérios e de uma forma tão natural que acabamos por ter ali registos de actores mais evoluídos e que, felizmente, mostram capacidades para além do desempenhos de um banal filme-pipoca.
Tanto Channing Tatum no seu registo como o militar ex-desordeiro, devido a um lar onde pouco ou nenhuma comunicação existia, e agora apaixonado como Amanda Seyfried menina bonita e conservadora mas com uma chama interior enorme capaz de sacrificar os seus objectivos com o intuito de poder aproximar-se daqueles que ama, estão naqueles que são quase de certeza, os seus melhores registos. Notamos que existe dedicação em ambos e que a química existente entre as suas personagens é de facto real.
Gostei igualmente de ver algum protagonista dado a Henry Thomas que, desde ET ou Lendas de Paixão, não se tem visto com a devida dignidade em nenhum filme em concreto, e se pensarmos nos anos que já lá vão desde que esses filmes foram feitos...
E seria impossível não falar do curto mas magnífico desempenho de Richard Jenkins que mais uma vez se afirma num filme, como tem vindo a acontecer de há alguns anos a esta parte, e que não seria nada mal pensado nomeá-lo novamente a um Oscar, agora como Actor Secundário. A sua interpretação como pai autista de John Tyree é extremamente emocionante e digna de alguns dos momentos mais tocantes de todo o filme.
É seguro dizer, aliás, que tanto ele como Channing Tatum têm aqui desempenhos que os poderiam levar a uma nomeação a Oscar e que se no caso de Richard Jenkins isso até poderia ser uma possibilidade, o mesmo já não acontece com Tatum porque lá está, existe o estigma de filmes passados e de poder apenas ser mais uma dita cara bonita no cinema que não irá repetir a dose. No entanto, para ambos actores acho pouco provável que uma nomeação venha de facto a acontecer.
Hallström já tem como "tradição" filmar meios pequenos... pouco povoados ou onde a acção e as suas personagens centrais nunca sejam abafadas pelo meio que as rodeia. Temos sempre um conjunto restrito de actores em cena ou então que nos fazem ignorar praticamente tudo o que ocorre à sua volta. Quando estão a ser filmados a câmara é todo sua e centrada na personagem que nos dão a conhecer. Temos este aspecto presente em todos os seus filmes e é curioso ver que repete esta situação. Nunca temos um meio envolvente "cheio" de artifícios que nos podem fazer perder a concentração das personagens que estão ali a ser construídas.
Gostei francamente de todas as dinâmicas utilizadas para construir este filme adaptado de um livro de Nicholas Sparks com um belíssimo argumento de Jamie Linden. Desde a história de amor adiado e quase impossível. Das voltas que as vidas das pessoas podem dar mas como, ao mesmo tempo, quando estas se encontram destinadas (para quem acredita no destino), a vida e os caminhos que se escolhem acabam sempre por traçar uma estrada em comum. De certa forma é este mesmo o caminho que queremos ver. Queremos saber que mesmo no meio de dificuldades e de caminhos mais complicados, existe também sempre uma estrada que fará ligar as vidas daqueles que têm como um objectivo viver um amor verdadeiro.
Como não poderia deixar de ser uma pequena nota à extraordinária banda-sonora da autoria de Deborah Lurie que dá o toque final a um conjunto de imagens que são por si só já deslumbrantes por demais.
E para quem disso duvida que assista a este filme sem partir de início com pré-conceitos que acabam por ser baseados em nada, e que me diga depois se o encontro final entre John Tyree e o seu pai não são daqueles que preservamos na memória por muito e bom tempo...
Um fantástico e extraordinário filme que não será reconhecido, infelizmente, nesta época de prémios cinematográficos mas que nem por isso deixará de ter o devido e reconhecido mérito. Parabéns Mr. Hallström por mais um dos seus magníficos trabalhos.
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"Savannah Curtis: The saddest people I've ever met in life are the ones who don't care deeply about anything at all."
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10 / 10
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mine Vaganti (2010)

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Uma Família Moderna de Ferzan Ozpetek é um extraordinário filme do realizador turco que nos transporta para a dinâmica existente no seio de uma típica família italiana.
A história começa quando Tommaso (Riccardo Scamarcio) regressa a casa decidido a contar aos pais que não só não acabou os estudos em Gestão como além disso é homossexual, facto que sabe irá destruir o coração do seu conservador pai Vincenzo (Ennio Fantastichini).
A surpresa abate a família quando durante o jantar que todos reune, Antonio (Alessandro Preziosi), irmão de Tommaso revela que ele é homossexual, deixando todos perplexos, especialmente o próprio Tommaso e o seu pai que via em Antonio o principal motor para a continuidade da família.
Este jantar causa assim a ruptura da ligação familiar para com Antonio que é obrigado a sair de casa e a abandonar a empresa familiar que até então dirigia, a continuidade do silêncio de Tommaso e a debilidade de saúde de Vincenzo.
O silêncio de Tommaso, que o consome duramente aos poucos, vem ser posto em causa quando os seus amigos e o namorado vêm de Roma para lhe fazerem uma visita. A partir deste momento algumas pessoas da família, nomeadamente a avó (Ilaria Occhini) e Luciana (Elena Sofia Ricci) a tia ninfomaníaca, desconfiam que algo mais se passa e que a homossexualidade na família não se limita apenas a Antonio.
Para lançar uma ainda maior confusão na cabeça de Tommaso ainda temos a presença de Alba (Nicole Grimaudo) que fomenta ainda mais dúvidas existentes na sua cabeça ao ponto de questionar a sua própria sexualidade.
No entanto, filme italiano que se preze não pode ser só centrado nas confusões e atritos familiares, não... não é possível... Ainda temos de acrescentar que todas essas confusões rapidamente passam para o pequeno meio em que a família vive, levando-os a uma quase histeria colectiva.
Muito se falou (bem) deste filme quando estreou há dois meses, motivo suficiente para despertar a curiosidade além do próprio facto de já ser um filme italiano e ter o excelente Ferzan Ozpetek a realizá-lo. Para quem já havia visto esse grande filme La Finestra di Fronte, este era quase uma obrigação de ir ver para confirmar a sua qualidade.
Um dos primeiros grandes aspectos deste filme é de facto a sua dualidade entre comédia e drama que ora num momento nos fazem rir com boas e estridentes gargalhadas como segundos depois nos faz vir lágrimas aos olhos pela intensidade dramática que quer imagens quer diálogos atingem.
De seguida os actores.... Não há um que seja que aqui esteja ou desenquadrado. Todos eles estão ali com um propósito. Estão em harmonia.
Se Riccardo Scamarcio está brilhante em toda a sua amargura, incerteza e de certa forma revolta interior, em que percebemos facilmente que se encontra "perdido", não só pela sua sexualidade que esconde de todos os que lhe são próximos como pela sua paixão pela escrita estar também ela escondida, temos uma também magnífica interpretação de Alessandro Preziosi que esconde uma igualmente grande amargura por não só viver a sua sexualidade de forma reprimida como por ter escondido, repudiado e maltratado o único amor que a sua vida teve e que agora não o deseja.
No fundo tanto Scamarcio como Preziosi são o reflexo daquilo que a sua avó fora em nova. Também a personagem interpretada por Ilaria Occhini vive o sentimento de amargura ao ter casado com um irmão enquanto sentia paixão pelo outro. Estas paixões escondidas e reprimidas são, no fundo, um sentimento que percorreu a família, o que faz destes três actores o triângulo fundamental de todo o filme.
Mas nem tudo é triste ou mais sentimental. Temos também o conjunto de actores que contribui para o lado mais cómico do filme e com os quais partilhamos as mais intensas gargalhadas. Elena Sofia Ricci como Luciana, a tia ninfomaníaca que recebe uma presença masculina quase diária no seu quarto e a justifica como um assaltante que a visita todas as noites, e o trio de amigos de Tommaso que chega de Roma, Davide (Gianluca de Marchi), Andrea (Daniele Pecci) e Massimiliano (Mauro Bonaffini) que são de longe o motivo dos mais fortes momentos de comédia de todo o filme.
Não posso deixar de referir os últimos momentos de Ilaria Occhini no filme onde decide finalmente, após anos e anos de auto-repressão, viver a sua vida à sua maneira. O arranjar-se como se fosse para uma festa, o pintar-se e preparar-se para ficar aquilo que sempre foi, uma mulher à frente do seu tempo, e finalmente comer... comer os doces que tanto queria e que lhe dariam a felicidade e o bem-estar que sempre desejou para si. Finalmente, e para um desfecho feito à sua maneira, tomou a sua vida pelo pulso e fez dela o que quis uma vez que percebera que afinal tudo iria terminar bem.
Foi exactamente este momento, e as consequências que dele surgiram, que acabaram por unificar uma família que aos poucos parecia desmoronar. Os últimos segmentos do filme são absolutamente emocionantes e todas as imagens fazem resumir de uma forma bem clara tudo aquilo em que, no fundo, se baseia uma família. A "força do sangue" e o poder que uma verdadeira união pode ter tornam-se num vínculo muito poderoso e que acaba sempre por ter um impacto muito forte na vida de uma família.
Ferzan Ozpetek dirige uma vez mais um poderoso filme sobre sentimentos e sobre afectos. Filme este que em Itália ganhou dois Donatello, totalmente merecidos, para os Actores Secundários Ilaria Occhini e Ennio Fantastichini.
Temos então aqui um grandioso filme que acaba por satisfazer os gostos de todos. Temos uma história dramática e com forte explosão de sentimentos que consegue emocionar qualquer um e, ao mesmo tempo, assistimos a magníficos momentos de comédia que põem uma enorme sala de cinema a rir às gargalhadas fazendo com que ninguém saia de lá sem dizer que gostou.
Digo seguramente que este filme se encontra entre os melhores do ano a ter estreado por cá e, com a mesma certeza afirmo que espero pacientemente pelo próximo triunfo vindo das mãos deste magnífico realizador turco que conseguiu, desde há muito, captar a essência de uma família italiana e que nos transmite todo o seu conhecimento com a força e energia que esperamos ver.
É seguramente um esplendoroso relato de emoções, de incertezas, de dúvidas, de alegrias e tristezas e de como todos nós chegamos ao dia em que pensamos que temos de ultrapassar todos os obstáculos e barreiras em nome apenas de um objectivo... o de sermos felizes.
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10 / 10
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Remember Me (2010)

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Lembra-te de Mim de Allen Coulter é possivelmente dos grandes filmes que vi nos últimos tempos e, como tal, dos mais complicados para tecer um comentário. Assim sendo, se no final de quem ler isto, tudo o que cá esteja escrito parecer muito "off"... peço-vos que não o estranhem. Falar do que se gosta é, muitas vezes, bastante complicado e muito complexo.
Este filme começa com um assalto e uma morte na Nova York de 1991, que percebemos ir mudar a vida de quem sobrevive para sempre, muda num instante para a mesma cidade mas dez anos depois.
Estamos no Verão... presenciamos uma família a prestar homenagem a alguém que morreu e que, mais tarde, vimos a saber ser o filho e irmão dos presentes. Tyler (Robert Pattinson) o filho mais velho e que vive uma tensa relação com Charles (Pierce Brosnan) um pai austero e ausente tanto para ele como para a sua jovem irmã Caroline (Ruby Jerins). Diane (Lena Olin) a mãe agora casada com outro homem desde que a família não aguentou a morte do filho. Todos eles estão num presente estado de tensão resultado de muita falta de comunicação e afastando progressivo de uns para com os outros e que parece não ter qualquer solução à vista.
Ao mesmo tempo voltamos a centrar-nos na história de Allyson (Emilie de Ravin) a sobrevivente do assalto com que o filme começou e a sua tensa relação com o pai Neil (Chris Cooper), que havia detido Tyler dias antes. Tyler e Allyson vão então conhecer-se, vão gostar um do outro e vão viver em conjunto os fantasmas que assombram as suas vidas até um final totalmente inesperado e surpreendente pela magnitude que alcança.
O filme é do princípio até ao final bom. Simplesmente bom. Como comecei por dizer, passam por vezes tempos sem fim até se encontrar um filme que nos satisfaça na totalidade. Este está lá a 100%.
Assistimos a famílias destruídas pela morte. Magoadas com o que dizem entre si e provavelmente mais ainda com aquilo que fica por dizer. Os silêncios acabam por ser mais mortais do que a própria morte pois vão, aos poucos, destruindo o que de mais bonito existe dentro de cada um. Destrói a sua luz e a sua essência.
Sentimos isto com quase todas as personagens deste filme mas tanto Tyler como Caroline são disto o exemplo perfeito. Dois filhos sobreviventes ao suicídio do seu irmão mais velho e que, de uma ou outra forma se refugiaram num silêncio que vai aos poucos consumindo as suas próprias almas. Tyler com a relação tensa e algo agressiva para com o pai, e Caroline por se sentir afastada do mesmo vão, aos poucos, vivendo vidas isoladas e em silêncio.
Silêncio este que não mata mas os consome. Consome a sua alegria de viver, de sentir e de gostar latentes principalmente nos relatos que nos chegam sobre a vida de Tyler onde as relações esporádicas e sem significado acabam por ser a prática corrente do seu dia-a-dia.
O argumento de Will Fetters é no mínimo excelente. Não querendo revelar qual o seu surpreendente e muito bem elaborado final, do qual vamos tendo algumas pistas mas que passam ao lado visto que estamos mais concentrados nas tensas relações destas duas famílias, não deixo no entanto de dizer que deu a todos estes actores excelentes possibilidades de fazerem sentir um conjunto de emoções que, infelizmente, nem sempre encontramos nos filmes.
E com isto quero dizer que estas mesmas interpretações, retiradas de actores que à partida até poderiam ser suspeitos para o público, são de primeiro nível. Robert Pattinson como Tyler, revela o enorme potencial que tem e que está, em certa medida, desperdiçado em filmes-pipoca que fazem muito furor mas têm pouco conteúdo e que quase votam ao esquecimento grandes filmes e grandes histórias como a que temos aqui. Para aqueles de nós que duvidam das capacidades interpretativas de Pattinson aqui temos a prova que este actor britânico é capaz de nos dar muito bom trabalho ao contrário do mediano a que vamos sendo habituados a ver da sua parte.
Os restantes actores, importantes para o desenvolvimento da história mas secundários na mesma, estão ao nível exigido... muito bons. No entanto seria injusto passar por este comentário sem deixar um pequeno (ou grande) reparo sobre o trabalho de um desses intervenientes. Ruby Jerins, que interpreta Caroline a irmã mais nova de Tyler, é de longe uma jovem actriz para a qual todas as atenções (e esperamos bons trabalhos) estão direccionados. Esta jovem actriz é no mínimo surpreendente ao espelhar quer no seu olhar quer nos seus movimentos tímidos e envergonhados, o medo e o recalcamento emocional que sente para com o amor e a atenção que o seu pai, a quem tanto quer agradar, não lhe dá.
Finalmente (haveria tanto por dizer...) faço um destaque também à igualmente grandiosa banda-sonora da autoria de Marcelo Zarvos que nos últimos quinze minutos do filme, provavelmente os mais intensos, dá a toda esta obra uma dimensão superior que, na minha opinião, coloca este filme algo "esquecido" num patamar dos melhores do ano. Uma pena que esta temporada de prémios que agora começa não o olhe com olhos de quem vê, possivelmente graças aos mesmos momentos finais que lançam este filme para uma dimensão ainda mais séria do que aquela que já havia alcançado.
Resumindo tudo isto... e provavelmente muito mais do que havia por dizer... para aqueles que não querem ver este filme porque a imagem do Robert Pattinson pode estar ligada a outro estilo menor de filmes, tentem ignorar esse aspecto e de coração aberta vê-lo pois com toda a certeza não se irão arrepender da excelente surpresa que vão ter ao verem, sentirem e apreciarem a experiência maior que é este filme.
Para além de uma história de amor... Para além de uma história da solidão... Para além de uma história sobre o silêncio... Para além de uma história de dor... Para além de uma história de uma família, este filme é sem qualquer margem para dúvidas, imperdível.
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"Tyler: If you could hear me, I would say that our finger prints don't fade from the lives we've touched."
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10 / 10
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