terça-feira, 17 de julho de 2012

Shame (2011)

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Vergonha de Steve McQueen foi a segunda colaboração do realizador inglês com Michael Fassbender, após o estrondoso Hunger, e que deu ao actor alemão a Coppa Volpi de Veneza, a nomeação ao BAFTA, ao Globo de Ouro e a inúmeros outros prémios confirmando-o assim (se é que ainda era necessário) como um dos grandes talentos cinematográficos do momento, e que veio para ficar.
Brandon (Fassbender) tem uma boa e organizada vida profissional e um bom apartamento em Nova York. No entanto tem um enorme segredo que aos poucos o vai consumindo. Brandon é viciado em sexo e o seu único propósito diário é acordar e encontrar uma forma de alcançar o próximo orgasmo. Seja com alguém no escritório, alguém que vê passar na rua, o importante é que este seu segredo seja diariamente saciado.
Toda a sua vida e organização são abalados quando reaparece na sua vida Sissy (Carey Mulligan), a sua irmã de quem percebemos estar separado há bastante tempo e também com pouca vontade de a rever. É esta chegada que irá acabar com a aparentemente perfeita e bem organizada vida de Brandon e o lançar no espiral de decadência que aparenta não ter um fim.
Um filme com este tipo de argumento poderia facilmente cair no absurdo de se tornar num filme apenas e só sobre sexo. No entanto, estando por detrás dele alguém como Steve McQueen e na interpretação principal esse que se pode chamar seguramente de gigante da interpretação como é Michael Fassbender, nada poderia cair no absurdo ou ser banalizado. Assim, também de uma forma algo simplista poderia dizer que este filme é essencialmente sobre as necessidades básicas de cada um. Poderia ser sobre a procura de abrigo, de comer, mas aqui a necessidade é o sexo. Não o sexo sob uma perspectiva de procriação mas simplesmente o sexo pelo sexo. Não há afecto, não há intuito de procriar mas sim o sexo que algures no tempo foi procurado como fonte de prazer e que é agora uma obrigação e a forma de obter a próxima "trip" de satisfação, tornando-se naquilo que se pretende ser o mote principal desta história... a dependência.
Tal como um drogado que procura substâncias ilícitas para alcançar o seu paraíso, ainda que momentâneo,  Brandon levanta-se da cama cada manhã com o único intuito de obter mais um orgasmo. Pode ser com alguém que encontrou na rua, no metro, no bar onde vai depois do trabalho ou até mesmo no escritório onde passa os seus dias frente a um computador onde apenas procura tudo o que se relacione com sexo. Este é o seu objectivo de vida... a sua dependência.
Dependência esta que não tem qualquer tipo de limites. Todos os meios lhe servem para a satisfazer. Sejam prostitutas, engates fortuitos em bares ou discotecas gay, cibersexo, revistas pornográficas ou até a imaginação e sugestão que alguém que encontra lhe provoca. Todos os meios são válidos para a satisfazer, variando apenas a forma de o concretizar de facto, o que a torna cada vez menos secreta pelo que constatamos quando o seu computador de trabalho é levado para reparação.
É esta mesma dependência que de certa forma o proibe de ter relacionamentos significativos com outras pessoas. Tem poucas pessoas que possa considerar como amigos e mesmo esses pertencem àquele pequeno núcleo que convive em bares apenas para um potencial engate de ocasião, acabando também eles por se tornarem num veículo para satisfazer a sua dependência mesmo que apenas por breves instantes.
Em oposição a Brandon temos Sissy, a sua irmã (interpretada por Mulligan). Uma jovem mulher que ao contrário de Brandon pretende ser alvo de afecto de todos aqueles que conhece. Sissy pretende que alguém a ame, que trate dele, que lhe dê atenção, carinho e afecto. A sua necessidade de ter alguém a seu lado faz com que se relacione facilmente com as outras pessoas, acabando por apresentar tal como Brandon uma dependência que apenas difere da dele no propósito final. Enquanto ele não pretende saber o nome ou quem é a pessoa com quem se deita, Sissy pretende ter alguém a seu lado que a ame.
A relação entre os irmãos Brandon e Sissy poderá, se analisarmos, ser explicativo da sua actual condição. Percebemos que os limites e as barreiras do normal relacionamento entre ambos não existe. A exposição à nudez, os muito breves instantes em que existe algum afecto bem como alguns dos diálogos entre ambos dão a perceber que o seu passado está ensombrado. Nunca nos é revelado nenhum detalhe, afinal não é sobre isso que o filme trata, mas percebemos que acontecimentos incestuosos ou de abuso sexual enquanto menores, poderiam explicar, por exemplo, a mutilação a que Sissy se sujeita. Algo no passado está, sem qualquer margem para dúvidas, directamente ligado com estas dependências de sexo (Brandon) e de afecto (Sissy).
Estes acontecimentos passados podem ser mais facilmente identificados no comportamento de Sissy... a mutilação a que se sujeita desde muito jovem, o relacionamento que quase chega a ser incestuoso com Brandon que chega ao ponto de querer dormir com ele, a constante necessidade de uma ideia de afecto venha lá ele de onde vier revelam-nos que algures no seu passado está algo por explicar. No entanto, mesmo em Brandon existem sinais como o nunca atender ou responder aos inúmeros telefonemas da sua irmã e a sua fria relação quando se encontra na sua presença. Tal como ela diz... eles não são maus... vêm sim de um lugar mau...
Se pensarmos bem neste filme, ninguém além destes dois actores poderia ter dado vida a estas personagens. De Michael Fassbender já noutras ocasiões referi o seu enorme potencial e capacidade de encarnar as mais intensas personagens e histórias. Ecléctico e sempre intenso, quem o viu em Hunger sabe que o seu potencial não tem limites e que com ou sem Oscar (acreditem que ele ainda irá ganhar uns quantos), o seu talento jamais poderá ser questionado. Ele é bom... Ele é MUITO BOM. Fassbender é o rosto perfeito para encarnar um Brandon atormentado. Sim, ele vive atormentado. A sua vida está longe de ser perfeita como aparentemente poderiamos pensar. Nada do que ele faça ou ninguém com quem ele esteja tem outro propósito que não satisfazer incansavelmente a sua dependência. O sexo é aqui para Fassbender o que a bebida foi para Nicolas Cage há largos anos num brilhante Leaving Las Vegas... o veículo perfeito para a sua auto-destruíção. Aqui o sexo já não é prazer... é uma obrigação a ser satisfeita tal como o era o alcoól no referido filme para Cage. Ambos sabem o que precisam... Ambos sabem onde tê-lo... Ambos sabem que o que querem os vai destruir. A única aparente diferença é o final destas personagens nos seus respectivos filmes. Fassbender e McQueen "encontraram-se" naquela que será uma muito longa (espero) e inspiradora parceria cinematográfica.
E ninguém melhor do que Carey Mulligan para ser a sua actriz protagonista. Mulligan é o perfeito rosto inocente que procura um porto seguro. A sua vontade de ser amada, muito à semelhança do que já acontece em Drive onde a parte deste filme se afirma novamente como uma das actrizes do momento, são francamente ternas e reveladoras de uma fragilidade imensa expressa não só pelas suas palavras mas principalmente pelas suas expressões e gestos.
McQueen volta a ter ao seu serviço Sean Bobbitt, o mesmo director de fotografia de Hunger, que aqui recria através dos contrastes de luz e cor, dois ambientes perfeitamente distintos. Se por um lado temos o apartamento de Brandon com cores desprovidas de vida (logo sentimento) onde o branco percorre todo o espaço, por outro temos exteriores em rua ou outros espaços onde a cor predomina, demonstrando que a vida continua a percorrer todos os outros espaços onde outras pessoas existem de facto, não se limitando a viver uma vida de obrigação e dependência.
Shame, será um filme incompreendido por muitos, ignorado por outros tantos principalmente pela sua franqueza na exposição nua e crua de um assunto ainda tão tabu como o sexo (que o é), especialmente se considerarmos que por detrás dele está uma incansável busca anónima e sem qualquer tipo de sentimento. O facto de ser abordado como uma dependência, tal como se de uma droga se tratasse, coloca-o num patamar de "substância proibída" que em última análise levará aquele que o procura num estado de total de decadência e degradação. No entanto, tal como todas as dependências, também esta tem as suas tentações. Esta, por sua vez, encontra-se literalmente em todos os lugares e recantos disponível para todos aqueles que a querem. Não se esconde... oculta-se, mas está ali... sempre ali.
McQueen entrega-nos outro grande filme com duas excelente interpretações que nos fazem esperar pelo seu próximo trabalho, também ele com Fassbender em parceria com Brad Pitt, Twelve Years a Slave. Deste Shame só me resta dizer que é de longe um dos melhores filmes do ano.
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"Sissy: We're not bad people, we just come from a bad place."
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10 / 10
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Zombey (2011)

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Zombey de Jack De La Mare é uma bem disposta curta-metragem britânica que, como o próprio nome indica, perpetua o cinema zombie. E sim, digo bem disposta pois foge um pouco às contínuas mortes dramáticas, aliando-as aqui a um grande sentido de humor. Nunca chegamos a ter medo ou assustarmo-nos com nada, antes pelo contrário, a tensão é aqui do início ao fim dissipada com algum humor nonsense.
Um grupo de amigos foge de uma recente praga zombie e refugia-se numa escola primária que, não para nosso espanto, está infestada com os mortos vivos que assumem aqui várias "personalidades". Desde estudantes a professores passando pelos administrativos e pessoal de limpeza todos aqui são o resultado devastador (ou talvez não) desta epidemia.
Os momentos são sempre fruto de alguma boa disposição e percebemos claramente que desde técnicos a actores não estão à espera de ser glorificados com este trabalho o que faz com que a sua beleza resida exactamente neste aspecto. Se este trabalho fosse para levar a sério, certamente as críticas negativas iriam "chover". Assim aquilo que aqui temos é um bom resultado de entretenimento que nos conseguem quer prender quer distrair ao longo de pouco mais de quarenta minutos onde o humor completamente desprovido de sentido é rei e senhor. E resulta.
Animada e realmente bem disposta esta curta-metragem deve ser vista mais que não seja pelo conjunto de artimanhas efectuadas por este tão singular grupo de sobreviventes que recorre a tudo o que tem à mão (mesmo que seja absurdo) para sobreviver.
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6 / 10
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domingo, 15 de julho de 2012

Celeste Holm

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1917 - 2012
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Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde 2012: vencedores

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COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
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Grande Prémio “Cidade de Vila do Conde”: A STORY FOR THE MODLINS, de Sergio Oksman
Animação: TRAM, de Michaela Pavlatova
Documentário: A COMUNIDADE, de Salomé Lamas
Ficção: WITHOUT SNOW, de Magnus von Horn
Vila do Conde Short Film Nominee: MANHÃ DE SANTO ANTÓNIO, de João Pedro Rodrigues (European Film Awards 2012)
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COMPETIÇÃO EXPERIMENTAL
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Prémio Experimental: ARCANA de Henry Hills
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COMPETIÇÃO VIDEO MUSICAL
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Prémio Canal 180: I FINK U FREEKY - DIE ANTWOORD, de Roger Ballen
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COMPETIÇÃO CURTINHAS
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Prémio Mar Shopping: O DESESPERO DA LARANJA, de John Banana
Menção Honrosa: LUMINARIS, de Juan Pablo Zaramella
Menção Honrosa: FLAMINGO PRIDE, de Tomer Eshed
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COMPETIÇÃO NACIONAL
Melhor Filme: OS VIVOS TAMBÉM CHORAM, de Basil da Cunha
Menção Honrosa: A CIDADE E O SOL, de Leonor Noivo
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COMPETIÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL
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Prémio do Público “Mateus Rosé Sparkling”: LES ENFANTS DE LA NUIT, de Caroline Deruas
Prémio RTP2 Onda Curta: OS VIVOS TAMBÉM CHORAM, de Basil da Cunha, FLAMINGO PRIDE, de Tomer Eshed, PYTHAGASAURUS, de Peter Peake, SILENT, de L. Rezan Yesilbas, TRAM, de Michaela Pavlatova
PRÉMIO CANAL + (Espanha): KALI, O PEQUENO VAMPIRO, de Regina Pessoa
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COMPETIÇÃO TAKE ONE!
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Prémio Smiling, Prémio Instituto Português do Desporto e da Juventude, Prémio Restart, Prémio Agência da Curta Metragem e Prémio RTP2 Onda Curta: DO MUNDO, de Manuel Guerra
Menção Honrosa: MUPEPY MUNATIM, de Pedro Peralta
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15º VIDEORUN RESTART
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1º Lugar
Prémio Canon e Prémio Instituto Restart: UM ÚLTIMO OLHAR, de Helder Faria, Luis Sergio, Michell Silva
2º Lugar: 20 X 3 = ZERO, de Andrea Gomez, Didac Gilabert, Teresa Santos
3º Lugar: VINTE VER, de Filipe Lima Barbosa, André Gil Dínis, Pedro Mota, Gonçalo Loureiro, Fernando Machado
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sábado, 14 de julho de 2012

Stable Minds (2010)

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Stable Minds de Klay Abele é uma curta-metragem que decorre num mundo pós-apocalíptico e que tenta reflectir sobre a condição humana onde os sobreviventes são poucos.
Desde uma escassa apresentação que nos dá a entender que um vírus mortal que teve a sua origem em África e que dizimou o planeta até algumas parcas dissertações sobre os dilemas da moral em tempo de crise, a palavra-chave desta curta é apenas e só uma... escasso. Tudo aqui é uma miragem do que poderia ter sido uma boa curta e, excepção feita ao competente trabalho de fotografia que torna todo o ambiente tão frio como se pretende num mundo a morrer, o demais é perfeitamente banal e já visto em dezenas de outras curtas-metragens melhor conseguidas.
Valha, ainda assim, o esforço e boa vontade com que o realizador fez este trabalho.
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3 / 10
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sage Stallone

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1976 - 2012
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Richard D. Zanuck

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1934 - 2012
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Magic Mike (2012)

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Magic Mike de Steven Soderbergh tornou-se num filme amado e odiado antes sequer de estrear. Amado por uns por ser o filme em que o seu actor principal iria mostrar mais do que os seus dotes representativos, e odiado por outros por esse motivo mas também por ser realizado pelo homem que entregou Traffic e Erin Brokovich que era o mesmo que dizer... estava a descer os padrões de qualidade.
Se por um lado uns se enganaram será justo dizer que os outros também. Nem Soderbergh está a baixar os padrões de qualidade do seu cinema, simplesmente aqui mudou um pouco o registo, também é justo dizer que se esperam ir ver algo mais "gratuito" estão bem enganados.
Mike (Channing Tatum) de dia trabalha na construção e à noite é stripper num bar onde causa sensação entre as inúmeras mulheres que vão assistir ao seu espectáculo. No seu trabalho diurno conhece o desajustado Adam (Alex Pettyfer) que tenta sobreviver à custa de trabalhos ocasionais que encontra mas não tendo, para nenhum deles, a devida vocação.
A vida de Adam dá uma inexplicável reviravolta quando Mike o torna no seu protegido e o lança no seu primeiro espectáculo de striptease que, apesar da sua falta de jeito, lhe dá o sucesso e o dinheiro que ele tanto procura.
Longe de ser um filme gratuito e sem jeito este Magic Mike, à semelhança do que acontece com os já referidos títulos assinados por Soderbergh, é acima de tudo um conto sobre a vida de algumas pessoas inadaptadas e desajustadas que encontram num estilo de vida alternativo, não incorrecto mas sim diferente daquele a que estavam habituados a ter, o seu próprio estilo de vida.
A questão principal que aqui se coloca é como (sobre)viver num mundo onde as portas se vão fechando sucessivamente às nossas próprias vontades e ambições? Resignar e aceitar o mundo tal como ele é ou libertarmo-nos dos nossos estigmas e pontos proibídos e abraçar as oportunidades que nos aparecem à porta?
E esta sobrevivência não se baseia apenas na de Adam. É principalmente através de Mike que assistimos a essa luta por se afirmar. Se inicialmente temos um Mike disposto a fazer do striptease a sua forma de vida, não deixa igualmente de ser verdade que apenas o fez como forma de um dia poder ter o seu próprio negócio de construção. E esta luta pela sua própria sobrevivência não fica por aqui. Mais tarde com Adam, tenta igualmente manter-se vivo ao escolhê-lo como seu "discípulo" e dar assim continuidade ao negócio que o popularizou.
A dar vida a "Mike" temos um perfeito Channing Tatum que aqui não só deposita muita alma como dá literalmente o corpo ao manifesto. Todos nós já sabemos que o seu início de carreira foi igual à personagem que interpreta, e que o próprio filme teve a sua dose de autobiográfica, e como tal temos o actor a mostrar algo que é, de certa forma, um pouco de si. Sóbrio e competente, mesmo nos momentos mais ousados do filme, Tatum consegue não cair numa qualquer vulgaridade e mostrar que nas mãos do realizador certo é mais do que uma "cara bonita" que entretém o público feminino mais ou menos jovem. Não irá a Oscar como aconteceu com Julia Roberts em Erin Brokovich mas arrisco dizer que este é, apesar da sua temática, o filme de viragem na carreira do actor.
Destaque ainda para Alex Pettyfer que nesta sua interpretação de um jovem apagado pelas circunstâncias e rumo que a sua vida levou consegue mostrar o exacto oposto da personagem de Tatum. Enquanto um leva este estilo de vida para alcançar um objectivo que de outra forma lhe é negado, Pettyfer encarna a postura da pessoa que na falta desses mesmos objectivos se deixa deslumbrar pelo dinheiro e vida fácil que percebemos ser de curta duração.
De certa forma esta dupla de actores complementam-se e conseguem mostrar dois bem distintos lados do mesmo estilo de vida. Um usa-se dela.. o outro deixa-se por ela usar.
Seria no entanto impossível falar deste filme sem referir aquele que se torna central em cada cena em que participa... Matthew McConaughey. "Dallas", a sua personagem, tem tanto de delicioso como de malicioso. Se por um lado é o eterno bem disposto dono do bar que abraça aqueles homens como se fossem da sua família por outro, nos momentos mais (in)oportunos bem lhes lembra que eles não são mais do que seus meros funcionários e fonte de rendimentos. Tem de cómico e divertido tanto como de obscuro e matreiro, esta poderá ser a interpretação que lhe valerá uma nomeação a um Oscar.
E temos assim este Magic Mike que, à semelhança das outras obras do realizador, se centra na viagem de descoberta pessoal das suas personagens que tentam desesperadamente encontrar o seu lugar no mundo, o seu espaço, os seus seres queridos e sobretudo uma validação dos seus actos. Validação essa que nunca chegará pela aprovação dos outros mas sim pela auto-aprovação que se encontra escondida e oculta por entre os acções que se realizam para sobreviver. Pelo caminho, temos uma viagem que atravessa dificuldades, amizade, droga, sexo, roubo, atritos e uma grande consciencialização que também a idade passa por aqueles que muito rapidamente a esquecem.
Longe de ser um filme profundo onde as reflexões sobre a vida assumem um lugar decisivo, é no entanto um filme onde a consciencialização da própria vida bate com muita força, e muito depressa, à porta daqueles que se lembram de se esquecer dela.
Acima de tudo é divertido e bem disposto e termina tal e qual como esperamos que termine. Sem surpresas mas com um caminho difícil até lá chegar. Soderbergh não desilude pelo filme que fez, antes pelo contrário, consegue mantê-lo alguns patamares acima do seu congénere Showgirls tocando nos mesmos temas sem roçar brutalmente a vulgaridade, e mantendo toda a viagem de ascenção, queda e normalização de uma vida num ritmo que, apesar das circunstâncias, pode ser familiar a qualquer um de nós.
E quanto àqueles que pensam ir ver neste filme nada mais do que um conjunto de danças mais ou menos eróticas com muita carne à mistura... hey... isto não é porno...
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7 / 10
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

The Cold Light of Day (2012)

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À Fria Luz do Dia de Mabrouk El Mechri foi um dos filmes aguardados devido à participação de dois dos actores que já há algum tempo precisavam de um belo destaque para revitalizar as suas adormecidas carreiras. Falo claro está de Bruce Willis e Sigourney Weaver que em tempos movimentaram verdadeiros batalhões de fãs às salas de cinema.
Quando Will (Henry Cavill) visita os pais Martin (Willis) e Laurie (Caroline Goodall) em Espanha, deixa para trás uma vida agitada nas finanças que pode a qualquer momento ruir. Percebemos que a relação entre pai e filho não são as melhores mas avizinham-se umas férias de mar e de tranquilidade até ao momento em que Will recebe um telefonema em que percebe que perdeu tudo.
Depois de um pequeno acidente no barco em que Will se ausenta tudo muda rapidamente. Quando regressa ao barco descobre que todos desapareceram e sem qualquer tipo de explicação. Ao tentar avisar a polícia perceber que algo de muito grave aconteceu e que por detrás do estranho desaparecimento da sua família algo de muito mais grave está escondido mas que só ele poderá resolver.
É de reparar logo de início que com a presença de dois actores com uma carreira tão estabelecida no cinema eu pouco, muito pouco aliás, me referi a eles. A verdade é que eles durante todo o filme têm uma prestação tão secundária quanto a atenção que eu aqui lhes dediquei.
Bruce Willis com esta sua muito contida e reservada interpretação nem parece o actor que deu vida a John McLance na saga Die Hard. Não só aparece muito misterioso e apagado como a sua presença no filme, toda ela somada, não deve ultrapassar os cinco minutos de duração. Tudo o que viermos a saber dele acaba por ser um relato daquilo que aqueles que com ele "conviveram" revelam para criar a sua própria personagem. Basicamente qualquer actor menos "preparado" poderia tê-lo feito e Willis aqui assume-se apenas como um nome sonante para dar alguma maior credibilidade ao filme em questão.
Já Sigourney Weaver que aqui se assume como a mente criminosa da história, apesar de ter uma interpretação um pouco mais duradoura, não assume o potencial que a sua personagem poderia ter. Nem tão pouco está com a garra a que estamos habituados a vê-la limitando-se a disparar uns quantos tiros e a fazer cara de má sempre que aparece.
Aqui o protagonismo chega por parte daquele que se deveria assumir como a "estrela emergente" que é o caso de Henry Cavill. O actor que se arrisca demasiadamente a ficar rotulado como intérprete de filmes de acção, e pouco mais, tem aqui todo o protagonismo do filme. Pouco se aproxima do drama mas sim de uma interpretação feita ao sabor do minuto, sempre ele recheado de instantes de acção e de pensamento rápido, Cavill encarna bem, ou pelo menos dentro do possível, aquilo que dele é esperado. Corre, gesticula, leva muito murro e pontapé, volta a correr e no final de tudo além de estar todo partido consegue sobreviver a tanto problema que nem ele próprio deve ter percebido de onde chegou.
Crédito seja igualmente dado à actriz espanhola Verónica Echegui que de repente assume o protagonismo num filme que lhe pode abrir portas para um mercado cinematográfico mais abrangente, não pelos dotes da sua interpretação que, para o género, estão dentro do desejável, mas porque tal como referi anteriormente, muitos irão ver este filme pelos nomes sonantes e mediáticos que o acompanham.
Apesar de ser um filme com alguma intensidade e que nos consegue prender ao ecrã pela sua fluidez e ritmo acelerado, este não é o filme no qual queremos ver estes actores. Eu pelo menos gostava de ver a Sigourney Weaver num filme dramático mais "pesado" e "denso" que mostrasse que ela é capaz de muito mais, e não num filme onde quase parece quererem mostrar que ela ainda está para as curvas e que consegue dar uns quantos tiros. Alguém que se lembre dela por favor para um Aliens feito à sua medida... ou outro A Noite da Vingança.
Acabamos por gostar do filme porque é do género que nos consegue distrair enquanto o vemos e têm algumas boas e interessantes sequências de acção que conseguem cumprir bem aquilo que representam mas, ao mesmo tempo, sabemos perfeitamente ao acabar de o ver que não é "aquele" filme que vamos recordar durante muito tempo. É, em suma, um interessante filme de acção com uma história já algo batida e, em certos momentos, até previsível.
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6 / 10
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

[REC]³ Génesis (2012)

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[REC]³: A Origem de Paco Plaza é o terceiro título da saga que nos transporta para um ambiente completamente diferente daquele que conhecemos. Enquanto nos dois primeiros filmes a acção decorre naquele tão tenebroso prédio de Barcelona durante uma madrugada, aqui somos levados para umas alucinantes vinte e quatro horas de um casamento e respectiva boda onde, como já será de esperar, tudo vai correr mal... muito mal.
Clara (Leticia Dolera) e Koldo (Diego Martín) são o casal perfeito. Jovens e apaixonados vivem um para o outro. O seu passo natural é o casamento para o qual convidam todos os seus familiares e amigos. Depois de um animado casamento todos se dirigiram para a boda onde comer, beber e dançar seriam a forma perfeita de homenagear aquele perfeito casal. Este é o dia mais feliz das suas vidas.
Ainda que lhe dêem pouca ou nenhuma atenção, afinal estão num casamento onde as bebedeiras são mais que normais, alguns estranhos acontecimentos começam a suceder a um ritmo alucinante e percebemos que algo está prestes a começar.
Sem darmos conta a infecção alastra por aquele casamento como um fogo e no meio de tanta confusão e agitação perdemos a noção (por mais pequena que seja) de quem está afinal infectado ou a tentar fugir deles. O pânico é a partir deste momento geral e os sobreviventes, ao que cedo iremos perceber, são muito poucos.
Apesar de na sua essência a história ser em muito semelhante à dos dois anteriores filmes, não podemos deixar de realçar alguns detalhes diferentes que aqui ganham vida. Este filme retrata os acontecimentos prévios àquilo que iremos ver nos outros dois títulos. Esta é, como o próprio nome indica, a história que deu origem aos trágicos acontecimentos do prédio de Barcelona. No entanto ainda não está clara a verdadeira origem daquele vírus, ou possessão demoníaca, se bem que a menina de Medeiros e alguns outros acontecimentos durante a boda dão uns indícios daquilo que realmente se passa por detrás de todo este enredo e que suspeito teremos um convincente desfecho no próximo [REC] Apocalipse e que será, pelo menos assim tudo o aponta, o último título desta tão macabra saga.
Outro interessante aspecto que este título nos revela é um maior desenrolar da acção ao ar livre. Temos alguns momentos o segundo título em que temos momentos em exteriores mas nada que ponha os infectados em campo aberto. Aqui, pela primeira vez, é o que sucede. Para o terceiro título, mas temporalmente o primeiro, deparamos com um surto infeccioso ainda sem contenção, permitindo assim aos infectados percorrerem um vasto território livres para capturar todos aqueles que lhes façam frente.
Uma outra inovação que este filme nos dá é que ao contrário dos dois primeiros títulos, a gravação do que se passa deixa de ser em tempo real para mescla de tempo real/câmara na mão para o tradicional filme de terror em que a história nos está a ser relatada. Estamos num casamento... Para além do típico câmera que está a gravar toda a cerimónia, temos também um conjunto vasto de pessoas que com os seus telemóveis e câmaras portáteis gravam, também eles, todo o casamento e boda à medida que ele decorre. Além de uma única perspectiva dos acontecimentos teremos, talvez nesse agora tão aguardado título, um relato do que se passou contado pelas diversas câmeras que ali se encontravam. Mais realista ou não, terá o seu interesse ver o que sucedeu à medida que um grupo de infectados entrou pela boda e aterrorizou todos os convidados.
Finalmente outro aspecto inovador que este filme nos dá a conhecer é a existência pela primeira vez na saga de uma verdadeira heroína. A "Clara" de Leticia Dolera está para a saga [REC] aquilo que Sigourney Weaver esteve para a saga Aliens. Ela com muito medo, mas só com ele sobrevive a coragem, enfrenta aquele bando de infectados com uma moto-serra como se não houvesse dia de amanhã (e na volta não haveria mesmo). O aparecimento desta heroína era um dos factores essenciais para transformar este conjunto de filmes numa verdadeira saga, algo que Manuela Velasco não conseguiu, sendo apenas a vítima perfeita dos dois primeirs títulos.
Algo me faz suspeitar que a madrugada na qual decorre esta boda é a mesma, temporalmente falando claro está, do primeiro filme, colocando a infecção em dois lugares distintos e fazendo assim com que ao efectuar a reportagem aos bombeiros a "nossa" Manuela Velasco não soubesse ainda de tão misteriosos acontecimentos. Talvez a própria Jennifer fosse uma das convidadas deste casamento que tão surpreendentemente "sobreviveu" ao sucedido... Afinal todos nós sabemos o que sucedeu àquele autocarro cheio de crianças...
Algo me faz suspeitar que a caracterização deste filme da autoria de David Ambit, Kevin Carter, Juan Olmo e Patricia Reyes terá, também ela, uma nomeação aos Goya do próximo ano. Seria minimamente justo considerando a transformação que muitos destes actores tiveram e que os torna, no mínimo, medonhos.
Destaco ainda a química perfeita entre o par protagonista. Leticia Dolera e Diego Martín são encantadores. Quando os acontecimentos se iniciam esperamos e desejamos que pelo menos eles consigam aqui escapar dos infectados e que os possamos ver no próximo filme. As suas imagens do passado que vemos no decorrer das gravações que os seus amigos fizeram são no mínimo uma esperança de que algo de bom pode, e deve, acontecer... Mas só para quem fôr ver o filme é que saberá o que realmente acontece, pois de mim não levam grandes informações a esse respeito...
Finalmente e para encerrar este comentário destaco ainda a poderosa fotografia de Pablo Rosso que transforma o dia mais feliz da vida daquele casal, e de certa forma da vida de todos os convidados (ou pelo menos assim parece) de algo perfeito e celestial repleto de luz e alegria, num sinistro e macabro espaço onde a escassez de luz confunde quem é quem. Exemplo perfeito é o estado de sítio em que fica o salão e o túnel onde Clara vai finalmente colocar os pontos nos is.
Se forem tão entusiastas desta saga como eu já esperam o quarto e último (?) título para terem todas as respostas às vossas perguntas satisfeitas. Até lá a única coisa que posso acrescentar é que se gostaram dos dois primeiros títulos vão com toda a certeza gostar também deste. Apesar do estilo da narrativa ser um pouco diferente... não vai desiludir ninguém. Apenas vai aguçar o apetite para o próximo título onde como o próprio indica... teremos o Apocalipse.
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"Clara: El dia más feliz de mi vida!"
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8 / 10
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terça-feira, 10 de julho de 2012

Estrada de Palha (2012)

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Estrada de Palha de Rodrigo Areias foi o filme que me fez deslocar a uma sala de cinema mais afastada tal era a antecipação com que o aguardava. E não era para menos... Entre a presença de Nuno Melo, um dos meus actores preferidos, e um promoção bastante bem conseguida através de um trailer riquíssimo em imagem com uma fotografia aliciante e uma banda-sonora que fazia chorar por mais, tinha ainda a novidade de prometer um western "à portuguesa".
Era mais do que óbvio que assim que o filme estreasse eu tinha simplesmente de o ver mesmo com os sucessivos "avisos" de que era um filme diferente e talvez não o conseguisse "digerir" logo à partida. Bom, gostante eu normalmente de filmes que mais ninguém gosta, isto acabou por funcionar ainda mais como um incentivo à visualização daquele que, acabado de estrear, já reunia tantas opiniões e tão diversas.
Estrada de Palha baseia-se na obra Desobediência Civil de Henry David Thoreau, um livro com uma forte e intemporal mensagem política. Para dar uma ideia, Thoreu defendia que a resistência civil é uma oposição moral a um Estado injusto e que os indivíduos não devem permitir que os governos (segundo ele mais prejudiciais do que benéficos) comandem ou atrofiem as suas consciências e que têm assim de evitar a sua intromissão e que se tornem agentes de injustiças. No fundo Thoreau defende que a Democracia não é uma cura pois apesar de serem representativas das maiorias não a torna correcta pois até as decisões de um Homem justo podem ser injustas, e a decisão de um indivíduo não é necessariamente inferior à do corpo político e da maioria.
Dito isto, e depois desta longa introdução, passamos à acção do filme propriamente dito. Estrada de Palha inicia-se nas terras gélidas da Lapónia onde um homem vive afastado do seu país. Ao receber notícias da morte do seu irmão regressa a um Portugal monárquico pós-regicídio com o desejo de vingança. É aqui que (re)enconta um país profundo mergulhado na lei da bala, na corrupção, nas perseguições e no despotismo dos agentes do Estado.
Este filme que se pretende "ver" como uma análise social fá-lo não tendo um tempo ou espaço concretos. Sabemos em que época nos enquadramos por algumas leves referências durante o filme e pelas claras evidências de vestuário, mas a sua mensagem poderia ser tida em qualquer parte do mundo e em qualquer época temporal seja ela 1909 ou 2012. A sua forte mensagem percorre(u) e percorrerá todos os tempos e lugares pois a corrupção e a sua quase constante impunidade estão presentes em todas as etapas da História passada ou presente, e podemos assistir ao nosso actual e conturbado período político.
Se até aqui tenho o tipo de filme ao qual facilmente me rendo pois as temáticas sociais, históricas e políticas num filme fazem-me ganhar o dia, o que é certo é que este Estrada de Palha promete mas não consegue cumprir na totalidade aquilo que dele esperamos. Não pela sua mensagem que já explicitei ser, de longe, bastante motivadora e apelativa mas sim por alguma falha de concretização de pequenos mas importantes detalhes. A principal destas falhas é a lenta narrativa do filme que, ao contrário de um western à boa e velha maneira, impede que consigamos atingir algum clímax. Sentimos que a tensão está lá e prestes a explodir mas... nunca chega a acontecer. Exemplo perfeito disto é a fuga da prisão que sucede sem que nenhum de nós consiga sentir o mínimo de tensão durante a sua ocorrência... "Now you see them... and now you don't.". E este aspecto percorre todo o filme de início até ao final. Queremos ver uma vingança a ser de facto consumada. Queremos ver alguém que pague. Queremos perceber que a morte dos inocentes não foi feita em vão. Queremos... mas não chegamos a ter. É este o principal aspecto que nos deixa no final ficar "desconfortáveis". Pensamos "então mas afinal... nada se passou?" (ideia que vou retomar mais tarde, no final deste comentário...).
Mas não só de momentos menos bem conseguidos vive o filme. Pelo contrário... Muitos são os elementos positivos do mesmo. Começando pelas duas fortes interpretações de Nuno Melo que enriquece o ecrã com mais uma personagem assumidamente marcante como o homem do regime que numa época de transição faz a lei à sua medida, e uma enorme surpresa vinda de um estrondoso Vítor Correia, um cowboy solitário que se converte na encarnação perfeita do justiceiro que todos secretamente procuram
Outros aspectos bem positivos, e que funcionaram como impulsionador para que se tornasse um filme que eu senti querer ver através do trailer que vi vezes sem conta, foi a sua extraordinária banda-sonora premiada na última edição dos Caminhos do Cinema Português em Coimbra, da autoria de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Rita Redshoes. Se temos melodia emblemática e que ficará na história do cinema português... esta será a "tal". Sonoridades típicas de um país deserto e apático, qual Texas temos o nosso próprio Alentejo onde as vacas dão lugar às ovelhas e o típico bourbon é substituído pelo tão característico vinho a martelo, que nos transportam de facto para um universo western"iano", esta banda-sonora tem uma vida própria no filme... é, sem qualquer margem para dúvida, uma das suas personagens e que fala muito mais do que qualquer uma daquelas de carne e osso.
E o mesmo se poderá dizer pela brilhante edição de fotografia de Jorge Quintela que nos transporta, como disse, de um longinquo Texas para o nosso Alentejo mantendo um certo ambiente de estranhos num local que, é ele, igualmente longínquo e estranho onde nada se passa "às claras".
A quebra de sequências do filme tem o seu lado positivo ao enquadrar a obra de Thoreau com a acção decorrente mas, por sua vez, também funciona contra o mesmo ao cortar a fluência do mesmo. Precisaríamos assim de tantos enquadramentos e interrupções? Se por um lado elas nos situam no contexto por outro desconcentram-nos da acção.
Não direi que é o melhor filme português do ano... mas tinha todo o potencial para se tornar num dos melhores filmes (português ou não) de sempre mas que por falta de alguma concretização prática não conseguiu ser. No entanto, e retomando o que mais cedo disse... "Então mas afinal... nada se passou?". Passou e muito... Se no início deste filme o nosso justiceiro tinha desenterrado a arma para vingar a morte do seu inocente irmão, independentemente de recuperar as ovelhas ou não e de se fazer justiça, no final procede ao seu enterro numa clara mensagem de que num país onde nada muda... ou vives nele ou partes para sempre.
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8 / 10
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os Últimos Dias (2011)

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Os Últimos Dias de Francisco Manuel Sousa é uma excelente curta-metragem feita como trabalho final do curso de cinema da Universidade da Beira Interior e que é no mínimo uma enorme lufada de ar fresco (e pesado) de um nome até agora desconhecido mas que a ser apoiado terá muito para dar ao cinema português.
Luísa (num brilhante registo de Joana Belo) é uma jovem que, não sendo problemática, não deixa de ser uma marginal. Aparentemente poderemos pensar que todos os adolescentes o são mas, depois de ter sido apanhado a fumar na escola e de ser castigada tanto pela directora como pelos pais, ela revela ter outros planos... a fuga.
Luísa combina com Filipe, um jovem com quem percebemos passar tempos intermináveis a falar num chat de internet, fugir... Mas Filipe tem outros planos... quer matar todos aqueles que lhe fizeram mal antes de desaparecer. O que irá agora fazer esta jovem antes de dar um novo rumo a toda a sua vida?
O desfecho final desta curta-metragem é no mínimo surpreendente. Em primeiro lugar faz-nos reflectir sobre os benefícios (ou malefícios) da internet e sobre quem se esconde por detrás de um conjunto de letras que surgem no ecrã. Como estas palavras podem influenciar quem as recebe e, em última análise, até que ponto a internet se torna um vício cuja dependência pode, como com qualquer outra droga, levar um indivíduo a uma espiral de queda, ruína e tortura física e psicológica que ninguém consegue explicar.
A jovem actriz Joana Belo tem um registo interpretativo no mínimo impressionante. Desconheço se a actriz até à data já tem alguma outra experiência mas se não tem este seu trabalho revela um futuro promissor. Se de início nos parece mais uma adolescente apática e isolada a quem, na sua própria opinião, tudo lhe corre mal, com o decorrer da acção ela mostra-nos poder ser alguém que levado a um certo limite (por mais irrelevante que possa parecer) se torna numa eficaz máquina assassina que nem pensa nos limites ou nas consequências das suas acções. Joana Belo tem assim uma interpretação apática mas brutalmente eficaz pois encontra, apenas no momento final, a real dimensão de todas as suas acções.
Dimensão esta que consegue ser igualmente avassaladora quando percebemos o que realmente aconteceu para chegar (e chegarem como veremos) àquele momento que destrói qualquer tipo de dúvida que se poderia ter sobre "encontros secretos" originados via internet. Não quero com isto propagar uma ideia de que esta é perigosa... Perigoso pode ser sim quem se esconde por detrás dela.
Destaque ainda para as participações secundárias de Paulo Matos como o pai de Luísa, Maria José Pascoal como a directora da escola e da sempre grande Elisa Lisboa como a funcionária que inicialmente a denuncia e que se torna no primeiro "alvo" da jovem.
Garantidamente um dos "pesos pesados" do ano, esta curta-metragem bem que poderia ser uma longa com terreno mais do que suficiente para ser explorado. Arrisco dizer que este é seguramente um dos melhores trabalhos cinematográficos que veremos este ano, ainda que possa prematuro neste momento afirmá-lo.
Do e ao realizador só posso dizer que espero muito atentamente pelos seus próximos trabalhos pois estou convicto que com os apoios certos terá muito e bom ainda por mostrar. Em duas palavras... simplesmente extraordinário.
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9 / 10
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domingo, 8 de julho de 2012

Ernest Borgnine

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1917 - 2012
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8 Days Later (2007)

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8 Dias Depois de Trevor Wild e Daniel Smith é uma curta-metragem de terror que segue a mesma linha (inclusive no título) dos filmes 28 Dias Depois e 28 Semanas Depois mas, ao contrário do que sucedeu nos referidos filmes, este decorre nuns Estados Unidos infectados com o mesmo vírus.
Contado ao estilo de um diário de conhecimentos básicos que se devem saber para sobreviver num mundo onde os sobreviventes são escassos, este filme não tem muito de novidade para o universo que já nos é familiar.
Ainda assim, para uma curta que terá, à partida, poucos recursos, consegue ser bem planeada e pensada e com uma caracterização que não deixa de ser fiel à saga original. Vale assim apenas pela curiosidade e para os fãs do estilo.
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6 / 10
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sábado, 7 de julho de 2012

Automaton Transfusion (2006)

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Automaton Transfusion de Steven C. Miller foi um daqueles filmes que me "caiu de pára-quedas" e do qual não fui capaz de desviar a atenção logo a partir dos primeiros instantes que, sem revelar nada, assumo serem dos mais bem conseguidos dos últimos tempos neste género de filme.
A história, no seu todo, é semelhante a todos os outros filmes do género. Numa pequena e pacata cidade do interior estranhos acontecimentos começam a suceder a um ritmo galopante quando os seus habitantes apresentam estranhamente um apetite voraz por carne humana. Desde a ocasional dentada a um frenesim de banquetes vai um salto, e aquilo que parecia um acidente isolado apresenta-se como um surto que é capaz de dizimar toda uma população.
Mas na prática, e já sabendo o que nos espera na globalidade, como apreciadores do género deixamo-nos levar por aquilo que o filme apresenta. Muita dentada, muita carne pendurada (qual talho), muito sangue... basicamente, muito gore. Mas nós não nos importamos... afinal se gostamos de ver estes filmes sabemos o que eles nos reservam e mesmo que os ocasionais e inevitáveis sustos, já esperados na sua maioria, surjam nos momentos em que nós sabemos que eles vão surgir, a realidade é que não nos importamos. Venham eles...
Com o decorrer da trama tomamos conhecimento de algo que acaba por também já se tornar óbvio... afinal o surto não é assim tão de origem desconhecida mas trata-se sim de uma experiência governamental que deu para o torto (para detalhes há que ver o filme), e mesmo assim, com tão familiar argumento, continuamos a gostar de ver o que este filme tem para apresentar.
No entanto, não há bela sem senão e os problemas surgem quando começamos a olhar para o filme de uma perspectiva técnica. Estes zombies que apesar de primarem por uma óptima caracterização que mais nos enoja do que mete medo (mete algum) e serem dotados de uma rapidez só semelhante à da saga 28 Dias Depois, são rapidamente "abafados" por alguns problemas técnicos a nível da coordenação de som e dos diálogos dos actores que por várias ocasiões tornam cansativa a percepção da acção do filme. Na teoria, no entanto, voltamos a nem ligar muito ao que se passa pois queremos é ver até que ponto aquelas personagens conseguem resistir a tão fortes investidas daquele bando de zombies que não desiste de dar a próxima "dentadinha".
Nem mesmo os desempenhos interpretativos deste conjunto de actores, que nem sempre é o melhor mas que consegue ser competente para o género que defende, nos faz afastar do filme. Queremos mais... e todos nós o sabemos...
Na prática o filme está exactamente onde o queremos... Clichés sobre clichés recheados com muito sangue e muito gore, uma boa caracterização dos mortos-vivos e a eterna cena familiar destroçada com a vitimização de alguns dos seus. No entanto nem tudo é assim tão "perfeito"...
Este filme estraga tudo aquilo que conseguiu construir ao longo de setenta e cinco minutos quando, de um momento para o outro, no exacto momento em que queremos ver mais termina abruptamente com a insultuosa mensagem "TO BE CONTINUED".
Continua?! Mas... continua quando e para onde? Para onde ainda poderia esquecer pois muitos, senão todos, estes filmes acabam quase sempre da mesma forma... Agora "quando" é algo que não posso esquecer. Se pensar que este filme já leva seis anos e que até à data não foi apresentada mais nenhuma continuação, fazendo com que uns já tenham esquecido o que viram e outros tantos nem se lembrem das personagens que aqui fizeram o seu "pézinho de dança", é no mínimo um insulto pensar que algum dos espectadores que poderão ter gostado do que aqui foi apresentado queira agora voltar a repetir a dose.
Se todo o filme estava construído de uma maneira agradável para o espectador, este final pode dizer-se que é no mínimo uma vergonha. Vou mais longe e repito-me, é um insulto do realizador não entregar um final lógico, gostássemos dele ou não, e que encerra-se um capítulo. Afinal de contas não estamos a falar de nenhuma trilogia tipo O Senhor dos Anéis onde existe uma continuidade lógica entre cada um dos títulos. Aqui não. Aqui estamos apenas a ver um filme do qual queremos ver um final. Mesmo que esse final significa o linchamento de todas aquelas inocentes almas que "zombificaram" do dia para a noite.
Por muito amador que fosse todo o trabalho em questão não lhe aponto isso como um defeito mas sim como fruto de criadores que podem ter tido aqui uma das suas primeiras experiências e que, depois de ver os cinco minutos iniciais, até lhes gabava o esforço. No entanto, todo o trabalho feito com este filme é literalmente deitado ao caixote do lixo com um final sem qualquer sentido ou razão de ser. Muito menos quando a respectiva "continuação" nunca chegou.
Interessante para o género mas completamente desmotivador pelo seu absurdo final.
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3 / 10
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Morvern Callar (2002)

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A Viagem de Morvern Callar de Lynne Ramsay conta com a interpretação principal de uma grande e jovem actriz de seu nome Samantha Morton já por duas vezes nomeada ao Oscar.
Morvern Callar (Morton) é uma jovem inglesa que trabalha num supermercado. A sua aparente banal vida transforma-se totalmente quando o seu namorado se suicida deixando-lhe algum dinheiro para o funeral e o seu romance por publicar.
Depois de alguns dias de pensar calmamente no que iria fazer Morvern faz-se passar pela autora do romance e envia-o a uma editora seguindo depois com a sua melhor amiga para Ibiza com o dinheiro que seria para o funeral tendo, no entanto, dado um final ao corpo do seu namorado.
A viagem para Ibiza tem tudo menos de pacífica mostrando ser o momento de uma verdadeira e radical transformação não só na vida de Morvern como em relação a tudo e todos que a rodeiam.
Várias são as sensações e emoções pelas quais passa ao longo desta viagem. Quase funciona como um processo de transformação numa nova pessoa. Alguém que ela própria desconhecia que existia dentro de si. Com o suicídio do seu namorado, Morvern atravessa um curto mas muito intenso período de luto. Um luto em silêncio pois ninguém sabe do seu suicídio. Tudo é ocultado. Dos conhecidos, dos amigos, da editora que nunca chega a saber da sua existência.
As memórias de Morvern da relação que manteve, tanto com o seu namorado como com a sua melhor amiga transformam-se radicalmente quando descobre segredos que até então lhe estavam ocultados. Repensa na sua vida e no sentido, ou falta dele, que fez até então. É então na viagem que faz com a sua melhor amiga que Morvern se liberta de estigmas e preconceitos que até então a inibiam e dá início a uma viagem de auto-descoberta e conhecimento que vão modelar todo o seu futuro.
Samantha Morton é, em qualquer uma das suas interpretações uma verdadeira força da natureza. Ora calma e paciente ora um verdadeiro tornado de emoções, percebemos perfeitamente que todo o mundo se modifica quando o ecrã irradia a sua presença. O seu olhar, expressão, movimentos e simples diálogos demonstram uma tremenda força de vida e vontade por ir mais além do que aquela simplória, e não simples, vida lhe reservou até então. Acaba por se tornar não só uma viagem a Ibiza onde se vai divertir e esquecer o seu passado. Pelo contrário, esta viagem torna-se numa celebração de já ter passado. Uma celebração daquilo que deixou para trás e que não quer voltar a conhecer. Uma viagem de novas descobertas, de desejo, de auto-satisfação e concretização.
Na minha opinião, o problema maior que este filme apresentou prende-se exactamente com o facto de ser apenas e só a viagem de uma só pessoa onde tudo o resto, quer sejam outras personagens quer seja o próprio espaço que habita ou que vai visitar, serem quase pontos apagados no ecrã. Se ela lá não estivesse teriam eles significado alguma coisa para o restante filme? Não são eles também que ajudaram a moldar a sua personalidade num dado momento da sua vida logo, como poderão eles assumir um lugar tão pouco relevante no desenvolvimento deste filme?
Dito isto, poderá esta sua personagem, independentemente da brilhante interpretação de Morton, "sobreviver" se não tivermos em consideração tudo o resto? Consegue ela ser auto-suficiente?
É um filme interessante se analisarmos a viagem de auto-descoberta e afirmação no mundo que Morvern tem, mas na prática lá bem perto do final saímos com uma sensação de algum vazio e falta de concretização sobre aquilo que poderá ser o seu futuro. Resumidamente... aquece mas depois quando se "come"... está frio. Vale apenas pela interpretação e enorme talento de Samantha Morton.
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5 / 10
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Globos de Ouro Itália 2012: vencedores

FILME
L’Industriale, de Giuliano Montaldo
REALIZADOR
Ferzan Ozpetek, por Magnifica Presenza
PRIMEIRA OBRA
Appartamento ad Atene, de Ruggero DiPaola
COMÉDIA
Com’è Bello Far l’Amore, de Fausto Brizzi
ARGUMENTO
Roberto Faenza e Dahilia Heyman, em Un Giorno Questo Dolore ti Sarà Utile
FOTOGRAFIA
Arnaldo Catinari, em L’Industriale
MÚSICA
Andrea Morricone, em L’Industriale
INTÉRPRETE CANÇÃO ORIGINAL
Patty Pravo, em Com’è Bello Far l’Amore
ACTOR
Elio Germano, em Magnifica Presenza
ACTRIZ
Asia Argento, em Isole
ACTOR SECUNDÁRIO
Beppe Fiorello, em Terraferama e Magnifica Presenza
ACTRIZ SECUNDÁRIA
Paola Minaccioni, em Magnifica Presenza
REALIZADOR REVELAÇÃO
Laura Morante, em Ciliegine
FILME A CONSIDERAR
Maternity Blues, de Fabrizio Cattani
GLOBO DE OURO EUROPEU
Andrea Osvart
DOCUMENTÁRIO
Mare Chiuso, de Stefano Liberti e Andrea Segre
CURTA-METRAGEM
La Casa di Ester, de Stefano Chiodini
PRODUTOR
Elda Ferri, em Un Giorno Questo Dolore ti Sarà Utile
FILME EUROPEU
Tellement Proches, de Olivier Nakache e Eric Toledano
GLOBO DE OURO ESPECIAL
Anna Proclemere, em Magnifica Presenza
PRÉMIO À CARREIRA
Michele Placido
MENÇÃO ESPECIAL
Giovanna Cau, por uma vida dedicada ao cinema
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
Pierfrancesco Favino
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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anestesia (2010)

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Anestesia de Pedro Varela é uma das curtas-metragens premiadas no Shortcutz Lisboa 2010 com vários prémios incluindo Melhor Actor para Albano Jerónimo, e inclusive aqui no CinEuphoria, desta vez integrada no telefilme O Dez, com os prémios aos actores secundários portugueses, novamente para Albano Jerónimo e São José Correia.
Timóteo (Jerónimo) tem algo no seu corpo que pretende desesperadamente remover. Investiga sem fim em manuais de medicina como poder efectuar uma operação no seu próprio corpo mas, para isso, precisa também de cobaias.
Não haverá melhor cobaia para Timóteo do que mulheres que anónimas na noite arriscam a sua vida por algum dinheiro e que sendo à partida fisicamente menos fortes que ele, não irão dar luta. Até ao dia em que Amanda (Correia) surge na sua vida e consegue finalmente obter aquilo que ele procura.
A dupla protagonista desta curta-metragem não poderia ser melhor. Albano Jerónimo e São José Correia interpretam as suas personagens na perfeição. Ele instável e quase a roçar a paranóia por querer desesperadamente remover do seu corpo um moeda que representa o mal para quem a possui. Ela uma predadora. Uma mulher capaz de tudo para alcançar o seu objectivo final nem que para isso tenha de se mostrar como uma mulher inocentemente sedutora.
As sólidas interpretações destes dois actores dão vida a um brilhante argumento de João Nunes que por si só já tem uma energia muito própria e que é recriado num ambiente tão negro como a própria história de tão maldita moeda que atormenta de formas distintas as suas personagens.
A excelência não se fica por aqui... a direcção de fotografia de Vítor Rebelo que transforma um luhar já por si só assustador num verdadeiro antro de medo é apenas completamentada pela sinistra banda-sonora da David Rossi que executa muito bem a ideia de que ali nada de bom irá suceder.
Tudo completado com a excelência de Pedro Varela na realização que nos faz desejar ver novos trabalhos deste realizador que aqui cumpre na perfeição aquilo que se espera de um filme de suspense e de terror... sentirmos que estamos presos num local onde iremos ter a nossa vida posta à prova. Brilhante!
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10 / 10
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Anaconda (1997)

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Anaconda de Luis Llosa foi um dos grandes sucessos de bilheteira do ano em que estreou pois levou multidões ao cinema na esperança e na promessa de ser um novo Tubarão mas... com uma cobra absurdamente gigante.
Se a isto juntarmos um Jon Voight, Owen Wilson, Eric Stoltz e uma Jennifer Lopez (há altura ainda muito latina e não tão americanizada como actualmente), então o filme estava mesmo a "pedir" que o espectador fosse à sala de cinema para o ver.
Tudo começa quando uma equipa da National Geographic pela Amazónia salva Paul (Voight) um estranho homem que cedo revela as suas intenções de capturar uma anaconda gigante para poder ganhar algum dinheiro extra... muito dinheiro extra.
Escusado será dizer que a partir deste momento toda a equipa está metida em problemas e que Terri (Lopez), Danny (Ice Cube), Steven (Stoltz) e Gary (Wilson) vão literalmente lutar pela sua vida como forma de escaparem às mandíbulas assassinas de tão enorme criatura.
É impossível destacar uma interpretação positiva neste filme. Ele é, na teoria e na prática feito para ser mau. Literalmente muito mau. Temos os claros heróis de serviço que aqui se assumem nas pessoas de Jennifer Lopez e Ice Cube mas que na prática mais não são do que dois "desenrascas" que tentam das formas mais alucinantes e sem qualquer nexo escapar ao tão mortal abraço de uma anaconda disforme. Jon Voight, também igual a si próprio não conseguindo, no entanto, recriar um vilão credível e verdadeiramente assustador, limitando-se a ser mais bonacheirão e ressabiado do que propriamente alguém que nos consiga, por qualquer momento que seja, meter medo.
Todas as interpretações são, sem excepção, feitas a metro... Lá lhes atiraram com meia dúzia de páginas a dizer que teriam de ser todos básicos e... eles foram.
É nestes filmes que acabamos por nos virar para o mais óbvio... a credibilidade dramática do assassino... a anaconda mas, uma vez mais, nem ela consegue ser credível. Além de absolutamente disforme devido ao seu exagerado tamanho e completamente peceptível a sua falta de enquadramento real nas imagens, ainda temos uma anaconda que se mexe mais rapidamente do que uma gazela independentemente do peso que um animal daquele tamanho deveria ter. Como se tudo isto não bastasse temos uma cobra exageradamente grande, que se move muito rapidamente e... que grita... Grita bem alto para assustar as suas indefesas vítimas.
Às tantas ao assistirmos a este filme mais parece que nos encontrarmos a assistir a uma comédia do que propriamente a um filme que se quer de acção e suspense. As interpretações são tão más que se tornam absurdas e os próprios efeitos especiais que deveriam conferir à anaconda algum "look" assustador mais conseguem parodiá-la do que torná-la assustadora. Não nos começamos a rir porque o filme não o pede mas... com um pouco de sorte lá acabamos por fazê-lo.
Acrescento que por momentos até desejamos que aquela anaconda disforme mate aquela gente toda de uma só vez para tornar a agonia de ver este filme menos penosa e dolorosa. Algo que, infelizmente, não acontece.
Se esperamos por um filme interessante ao estilo de Tubarão ou até mesmo de um Aracnofobia, onde os animais ganham uma inteligência extrema que conseguem dar conta de uma população inteira de uma forma mais ou menos credível estamos longe, muito longe aliás, de estar certos. Aqui os momentos de tensão nunca se concretizam por maior e nem tão pouco existem momentos de ligeira comédia que suavizem a tensão existente no filme.
As interpretações dos actores e respectiva construção de personagens é de tal forma má que pensamos hoje como terão estes actores participado em tão fraco conteúdo cinematográfico e, finalmente, até é de ter pena da própria anaconda que mais parece condenada a ter de lidar com aquelas pessoas tão estranhas... ninguém merece.
Temos no final um filme pobre, muito manhoso e sem qualquer nexo mas que vistas bem as coisas consegue ter aí o seu ponto forte... Lixo cinematográfico que, na prática, nos diverte de uma ou outra forma. Nem sempre podemos ter filmes bons e de conteúdo à nossa frente. Todos nós temos os momentos em que preferimos optar por algo que nos deixa a cabeça completamente vazia... Eis o filme!
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3 / 10
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Andy Griffith

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1926 - 2012
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Ensinamentos Para a Vida Adulta (2010)

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Ensinamentos para a Vida Adulta de Ernesto Bacalhau foi a curta-metragem vencedora do Shortcutz Lisboa em Novembro de 2011 e uma das justas finalistas seleccionadas para o Sophia na respectiva categoria.
Quando uma rapariga (Maria Leite) se desloca para a sua primeira aula de condução estava longe de imaginar que Efigénio (Orlando Costa) o seu instrutor a fizesse passar por uma das maiores provas da sua vida com a cumplicidade da sua mulher (Lucinda Loureiro).
Aquilo que começa como uma simples e muito simpática lição de condução acaba no que poderia ser o maior pesadelo da vida de qualquer um. Se a carta e o respectivo automóvel são um sinal de independência, tal como tão brilhantemente é referido ao longo desta curta, o que é certo é que para aquela rapariga consegue obter o simbolismo do seu maior pesadelo e tortura.
Quando Efigénio e a mulher a transportam contra a sua vontade para aquele que poderá ser o seu último destino só restam duas soluções... parar e pensar no perigo em que se encontra ou reagir e obter, na pior das circunstâncias, a sua tão desejada independência.
Esta curta-metragem representa uma continuidade na brilhante originalidade que o cinema de curta duração português tem vindo a apresentar nos últimos tempos. Para ser franco cada vez que vejo um destes filmes páro para pensar na quantidade de talento que tenho visto e como ele, em muitas situações, se encontra tão "escondido" dos olhares de quem deve ver.
Assim, e falando desta muito em concreto mas sem revelar nada daquilo que deve ser visto neste vinte minutos de muita emoção, temos aqui um argumento da autoria de Ricardo Figueira que começa por ser simpático e a todos agradar para avançar para uma história de clausura e medo e terminar num conto de violência, vingança e afirmação.
Os actores não poderiam ter sido melhor escolhidos. Por um lado temos um Orlando Costa que todos nós estamos habituados a ver em produções televisivas onde encarna sempre o bom da fita. Sempre um homem calmo, paciente e com os seus enormes rasgos de alegria que preenchem o serão de qualquer um. Aqui, se inicialmente dá continuidade a este seu look mais familiar, rapidamente mostra o seu lado oculto e sombrio capaz de cometer as maiores atrocidades em nome da segurança dos seus. Um rosto amigo que esconde um ladro tenebroso e impiedoso capaz de "dar conta do recado" sem o mínimo de coração. Se já me tinha conquistado com o seu lado bom... fez-me render com o seu lado sombrio. Simplesmente brilhante.
Ao seu lado temos uma sempre impiedosa Lucinda Loureiro como a sua mulher e enfermeira de profissão que com mais garra e convicção consegue ser mortífera. No entanto desta actriz não poderia esperar outra coisa. Aliás, acrescento que se fizesse o papel da "boazinha" julgo que nem me conseguiria agradar. Está "au point" como aliás se quer.
Finalmente temos uma igualmente surpreendente Maria Leite que era até agora uma desconhecida para mim, mas que se afirma como a menina ingénua transformada em heroína e que com uma garra tão grande ou maior que os seus captores consegue dominá-los e controlar toda a situação.
Igualmente impressionante a fotografia de André Szankowski que recria uma atmosfera "seca" desprovida de grandes artifícios que nos faça dispersar a atenção com detalhes supérfulos, transformando espaços e ruas que podem ser em qualquer cidade ou vila portuguesa num ambiente que parece retirado de um qualquer deserto no interior profundo dos Estados Unidos onde estas acções ao estilo de Terror na Auto-Estrada se desenrolam.
E não esquecendo a brilhante banda-sonora de Paus (lamento se estou a cometer alguma gaffe mas é o que me pareceu na minúscula letra dos créditos finais) que "apenas" intensifica toda uma tensão que se sente crescente ao longo de todo o filme.
Esta curta-metragem é sem dúvida uma muito agradável surpresa que não se deve perder e, como tal, aqui fica na íntegra para que possa ser vista. Acreditem que não se vão arrepender.
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9 / 10
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pré-seleccionadas aos Sophia 2012: Curtas-Metragens

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Ficção
  • Alfama, de João Viana
  • Direto, de Luís Alvarães e Luís Mário Lopes
  • Ensinamentos para a Vida Adulta, de Ernesto Bacalhau
  • O Inferno, de Carlos Conceição
  • Incêndio, de Miguel Seabra Lopes e Karen Akerman
  • Insert, de Marco Martins e Filipa César
  • Liberdade, de Gonçalo Abrantes e Benjamin Crotty
  • Momentos, de Nuno Rocha
  • North Atlantic, de Bernardo Nascimento
  • Pickpocket, de João Figueiras
  • Shadows, de Nuno Dias
  • Zoo, de Margarida Leitão
Documentários
  • Alvorada Vermelha, de João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues
  • Angst, de Graça Castanheira
  • Como as Serras Crescem, de Maria João Soares
  • Fuera de Quadro, de Márcio Laranjeira
  • Gaita-de-foles, de Luís Margalhau
  • A Máquina, de Miguel Guimarães Correia e Daniel P. Sousa
  • Noturnos
  • Wakasa, de José Manuel Fernandes
Animação
  • Bats in the Belfry, João Alves
  • Ginjas, de Zepe (José Pedro Cavalheiro) e Humberto Santana
  • Independência de Espírito, de Marta Monteiro
  • Os Milionários, de Mário Gajo de Carvalho
  • My Music, de Tiago Albuquerque e João Bráz
  • Os Olhos Do Farol, de Pedro Serrazina
  • Vacas, de Isabel Aboim
  • Viagem a Cabo Verde, José Miguel Ribeiro
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GDA 2012: os vencedores

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Revelados os Prémios Fundação GDA - Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas que premeia este ano pela primeira vez três interpretações em cinema.
Para Melhor Actor a distinção foi atribuída ex-aequo para Fernando Luís pela sua interpretação no filme América de João Nuno Pinto e Nuno Lopes pelo seu desempenho no multipremiado Sangue do Meu Sangue.
Na categoria de Melhor Actriz Secundária foi distinguida Rita Martins pelo seu desempenho no filme Efeitos Secundários de Paulo Rebelo.
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domingo, 1 de julho de 2012

Pelas Próprias Mãos (2008)

Pelas Próprias Mãos de Artur Ribeiro é mais um dos telefilmes produzido pela TVI no segmento Casos da Vida.
Neste telefilme Sónia (Sandra Santos) é a nova comandante do posto de GNR de uma aldeia do interior. Quando pensava ir ter uma vida pacata no seu novo posto, mal chega é confrontada com um tiroteio onde estão envolvidos os rufias da aldeia (Ângelo Rodrigues e Manuel Melo) e o Presidente da Junta (Nicolau Breyner) que não se mostra muito cooperante.
Como se a confusão profissional não bastasse, a comandante Sónia tem ainda a sua própria paixoneta sentimental com outro dos guardas que não consegue controlar.
O problema maior desta primeira temporada de telefilmes da TVI são os seus argumentos que tentam resolver em pouco mais de oitenta minutos um conjunto infindável de histórias soltas. Por um lado a relação sentimental entre dois guardas, por outro o seu principal caso policial que envolve uma violação e os tais rufias e finalmente um Presidente de Junta que em desespero resolveu fazer justiça pelas próprias mãos. Tudo isto sem esquecermos que existe um conjunto enorme de actores secundários que, em muitos casos, não têm sequer o desenvolvimento da sua personagem. Luísa Ortigoso, Augusto Portela ou um Philippe Leroux com uma estranhíssima personagem que dança à medida que entrega mandados de captura, são algumas das personagens que mereciam um maior destaque e desenvolvimento.
Na prática os telefilmes não funcionam não pela falta de qualidade dos seus actores ou das histórias, mas sim pelo fraco desenvolvimento que é dado a ambos e por alguma "telenovelice" que é dado ao ritmo das filmagens fazendo dispersar e deixar por explicar vários aspectos que mereciam naquele espaço de tempo a sua correcta divulgação. Afinal só tendo perto de uma hora e meia de duração e não um conjunto de trezentos episódios, os vários caminhos abertos nesta história devem ser resolvidos e não adiados para mais tarde.
Ainda assim consegue ser um dos mais bem pensados telefilmes desta fornada inicial sem que, no entanto, consiga ser um filme memorável para o futuro. Longe de crítica negativa mas sim um reparo que deveria ser seguido, é pena que não existam mais canais de televisão a investir nas produções nacionais como, mais ou menos bem, a TVI tem feito.
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6 / 10
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Lux Film Prize 2012: filmes seleccionados

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Foram hoje revelados no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary os filmes seleccionados ao Prémio Lux 2012 atribuído pelo Parlamento Europeu, para os quais se destaca uma participação portuguesa pelo segundo ano consecutivo depois de na última edição ter sido seleccionado o filme Mistérios de Lisboa de Raúl Ruiz. E os seleccionados são:
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À Perdre la Raison, de Joachim Lafosse
Barbara, de Christian Petzold
Cesare Deve Morire, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Crulic - Drumul Spre Dincolo, de Anca Damian
Csak a Szél, de Bence Fliegauf
Djeca, de Aida Begic
Io Sono Li, de Andrea Segre
L'Enfant d'en Haut, de Ursula Meier
Louise Wimmer, de Cyril Mennegun
Tabu, de Miguel Gomes
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