quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ricardo Bauleo

.
1946 - 2014
.

Cinemateca Portuguesa - Especial 25 de Abril: Uma Celebração

.
A Cinemateca Portuguesa terá ao longo do dia 25 de Abril uma programação que irá relembrar e celebrar o 25 de Abril de 1974, ao longo do qual serão exibidos um conjunto de documentos históricos sobre o mesmo.
Assim na Sala Dr. Félix Ribeiro começará pelas 15 horas a Emissão Histórica da RTP de 25 de Abril de 1974 / Os Primeiros Filmes, sessão que se prolongará até perto das 21 horas quando será exibido o documentário Torrebela, de Thomas Harlan. Finalmente pelas 23e30 será exibido o documentário As Armas e o Povo, do Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica em 1975.
Na Sala Luís de Pina existirá também uma programação alternativa, mas não menos importante, quando pelas 15 horas serão exibidos as Rushes, segmentos filmados em rua e sem edição, pelas 17 horas com a exibição de filmes Super 8 cedidos para a celebração do 25 de Abril, e finalmente pelas 18e30 com o Colóquio "O que é uma Cinemateca?", por Manuel Pina dando continuidade ao seu trabalhado iniciado na altura e ao qual dará uma nova perspectiva aos olhos do Portugal de 2014.
A celebração é de entrada livre tendo, no entanto, de ser levantado bilhete para a ela poder assistir estando a sua atribuição limitada aos lugares disponíveis nas respectivas salas.
.
.

40 Anos do 25 de Abril no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa

.
Em Maio de 1974, a Sociedade Nacional de Belas Artes organiza uma série de reuniões no âmbito das quais nasce o Movimento Democrático de Artistas Plásticos. No dia 10 de Junho de 1974, o MDAP, em colaboração com o MFA, decide realizar uma enorme pintura colectiva, na Galeria de Arte Moderna de Belém,  naquele que foi um esforço criativo de cariz comunitário que juntou 48 nomes da cena artística portuguesa dos anos 1970. Júlio Pomar aparece ao lado de artistas como Noronha da Costa, Fernando de Azevedo, Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro, João Vieira, Costa Pinheiro, Eduardo Batarda, António Palolo, entre outros.
O filme que se exibe, em loop, ao longo de todo o dia 25 de Abril, no Atelier-Museu Júlio Pomar, na Rua do Vale, 7, em Lisboa, por ocasião das comemorações do quadragésimo aniversário do 25 de Abril - "Pintura Colectiva - Movimento Democrático dos Artistas Plásticos", Instituto de Tecnologia Educativa, 1975, com a duração de 14 minutos, depositado na Cinemateca - Departamento ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento), documenta esse preciso momento criativo, imbuído de um imenso espírito revolucionário.
.

IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2014

.
IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2014
.
de 24 de Abril a 04 de Maio
.
Culturgest
Cinema São Jorge
Cinema City Campo Pequeno
Cinemateca Portuguesa
.
O IndieLisboa 2014 inicia hoje para onze dias repletos de cinema que será exibido nos quatro espaços referidos e, tal como tem acontecido nos últimos onze anos, apresenta o melhor do cinema independente quer a nível nacional como internacional, numa seleção de 226 filmes, entre curtas e longas-metragens de ficção, animação e documental.
Neste primeiro dia de festival há a destacar o mais recente filme de Johnnie To, realizador de Hong Kong que já foi Herói Independente no ano de 2008 e que no IndieLisboa’14 apresenta Man Tam (Blind Detective), uma sessão a decorrer às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest. A acção desenrola-se em torno de "Chong" (o regresso do actor Andy Lau), um detective cego que se junta a "Tung" (Sammi Cheng), uma jovem e inexperiente polícia. Numa missão quase impossível, vão tentar resolver o caso do desaparecimento de uma amiga de infância de "Tung".
No Pequeno Auditório da Culturgest, pelas 21h45, decorre a primeira sessão da Competição Internacional de Curtas Metragens, composta por cinco filmes: Montenegro, de Luiz Stockler, onde, através do humor, se exploram assuntos íntimos, Heights, de Calum Walter, em que por uma única janela se percorrem tempos e espaços captados com um iPhone, IRL, de Grant Singer, com a cantora Sky Ferreira como protagonista, que interpreta uma jovem que ao reconstruir a noite anterior tenta desvendar imagens que revelam um suicídio, Förår, de John Skoog, que revela um acontecimento insólito que se tenta reconstruir através da memória e finalmente Quelqu’un d’Extraordinaire, de Monia Chokri, uma comédia hilariante onde uma rapariga de 30 anos destrói a despedida de solteira de uma amiga de infância.
Alentejo, Alentejo, o mais recente documentário de Sérgio Tréfaut, será também apresentado hoje pelas 22 horas, na sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge. Um belíssimo documento sobre o cante alentejano que faz a ligação da abertura do festival à revolução de Abril.
Destaque ainda para as longas metragens Suzanne e Drinking Buddies, ambas no Cinema City Campo Pequeno, salas 1 e 3, às 23h50 e às 23h55, respectivamente. De Katell Quillévéré, Suzanne revela a história de uma rapariga/mulher (Sara Forestier), e da sua família, num filme onde o lado emocial se sobrepõe ao racional. Drinking Buddies é uma comédia romântica de Joe Swanberg que foge totalmente aos clichés. Kate e Luke apaixonam-se no local de trabalho, e Drinking Buddies foi filmado numa verdadeira fábrica de cerveja artesanal, com os actores a beber a sério e a improvisar a maioria dos diálogos.
.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Michael Glawogger

.
1959 - 2014
.

Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #25

.
A Sessão #25 do Shortcutz Xpress Viseu está a chegar e desta vez não na tradicional sexta-feira mas sim no dia 24 de Abril (quinta-feira).
No seu segmento de Curtas em Competição estarão presentes desta vez as curtas-metragens O Que Eu Entendo por Amor, de Ricardo Martins e Diz-me Como És, de João Filipe Silva, estando ambos os realizadores presentes na sessão para apresentarem os seus trabalhos.
Como Curta-Metragem Convidada o Shortcutz Xpress Viseu recebe O Bairro, de Raquel Castro e com a apresentação do "Movimento pelo Bairro Municipal de Viseu".
Finalmente, e como já vem sendo hábito, no segmento Shortcutz Around the World estará presente The Rapid Eye, de Floris+Menno, partilhada pelo Shortcutz Amsterdam.
Assim, para aqueles que apreciam o que é bom feito em formato de cinema curto não se esqueçam de na próxima quinta-feira dia 24 Abril se deslocarem à Só Sabão, no Largo de São Teotónio 30, por detrás da Sé, em Viseu para aquela que será a Sessão #25 do SXV.
.

.

terça-feira, 22 de abril de 2014

XIX Globos de Ouro SIC/Caras: nomeados de 2014

.
Foram hoje divulgados os nomeados em todas as categorias para a XIX edição dos Globos de Ouro atribuídos numa parceria entre a SIC e a revista Caras, numa cerimónia a realizar no próximo dia 18 de Maio no Coliseu dos Recreios, em Lisboa e transmitidos pelo canal de Carnaxide.
Como é já tradição ficam aqui os nomeados para a categoria de Cinema e ainda a nomeada na área da representação seleccionada para a categoria de Revelação.
.
.
Melhor Filme
Até Amanhã, Camaradas, de Joaquim Leitão
É o Amor, de João Canijo
Em Segunda Mão, de Catarina Ruivo
Um Fim do Mundo, de Pedro Pinho
.
.
Melhor Actor
Gonçalo Waddington, Até Amanhã, Camaradas
Joaquim de Almeida, La Cage Dorée
Paulo Pires, Quarta Divisão
Pedro Hestnes, Em Segunda Mão
.
.
Melhor Actriz
Anabela Moreira, É o Amor
Maria João Bastos, Bairro
Rita Blanco, La Cage Dorée
Rita Durão, Em Segunda Mão
.
.
Finalmente na categoria de Revelação, recaiu uma nomeação na área da representação para Sara Matos, jovem actriz que iniciou a sua carreira na série televisiva juvenil Morangos com Açúcar, tendo depois representada na sua adaptação cinematográfica Morangos com Açúcar - O Filme, e tendo no último ano desempenhado interpretações protagonistas nas produções Doida Por Ti, Belmonte e O Beijo do Escorpião, transmitidas pela TVI.
.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

In&Out - Festival du Film Gay & Lesbien de Nice 2014: participação portuguesa

.
O In&Out - Festival Gay & Lesbien de Nice a realizar entre 24 de Abril e 3 de Maio na cidade francesa vai apresentar uma extensa selecção de cinema português nesta que será a sua sexta edição, tendo para tal convidado o Queer Lisboa para a programação.
Assim o público do In&Out vai poder assistir a uma sessão integral da obra do realizador António da Silva cuja curta-metragem Bankers venceu o Prémio Pixel Bunker de Melhor Curta-Metragem Portuguesa no Queer Lisboa, serão ainda exibidas uma sessão de curtas-metragens de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, e uma terceira sessão de curtas onde se destacam as obras de Gabriel Abrantes, Alexandre Melo, Carlos Conceição, Possidónio Cachapa e Ricardo Penedo, o vencedor da secção In My Shorts da última edição do Queer Lisboa com a sua curta Depois dos Nossos Ídolos. Finalmente será ainda exibida a longa-metragem de Joaquim Pinto, E Agora? Lembra-me, filme premiado em diversos festivais de cinema nacionais e internacionais.
Esta sessão de cinema será apresentada pelo director artístico do Queer Lisboa, João Ferreira, numa iniciativa que vem no seguimento de uma política de internacionalização do cinema português que aquele festival tem desenvolvido nos últimos anos em colaboração com diversos festivais de cinema internacionais, estando ainda agendadas parcerias ao longo de 2014 nomeadamente na Mostra Fire!!, a decorrer de 3 a 13 de Julho em Barcelona e no Festival Cinedays, e decorrer em Novembro em Skopje, na Macedónia.
Esta que será a sexta edição do In&Out contará com a presença dos realizadores António da Silva, João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, e a programação portuguesa será exibida nos seguintes segmentos:
.
27 de Abril
E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
.
Programme Courts #2: Mix Portugal (27 de Abril)
Fratelli, de Gabriel Abrantes e Alexandre Melo
O Inferno, de Carlos Conceição
O Nylon da Minha Aldeia, de Possidónio Cachapa
Depois dos Nossos Ídolos, de Ricardo Penedo

.
Programme Courts #3: Integrale António da Silva (27 de Abril)
Mates (2011)
Julian (2011)
Bankers (2012)
Gingers (2013)
Daddies (2014)

.
Programme Courts #4: Focus João Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata (28 de Abril)
O Que Arde Cura, de João Rui Guerra da Mata
Manhã de Santo António, de João Pedro Rodrigues
O Corpo de Afonso, de João Pedro Rodrigues
.

domingo, 20 de abril de 2014

Bílis Negra (2013)

.
Bílis Negra de Nuno Sá Pessoa é uma das curtas-metragens portuguesas que foram seleccionadas para o Prémio YORN - Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror da última edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e que agora foi também apresentada em competição no Shortcutz Xpress Viseu.
Numa morgue dois ladrões (Tobias Monteiro e Paulo Duarte Ribeiro) surpreendem um médico legista vestido de mulher (João Craveiro) com alucinações sobre a fama e aquilo que pode fazer para a alcançar.
Se por um lado os seus desejos parecem longe de se conseguirem concretizar, não é menos verdade que uma súbita alteração dos acontecimentos vai proporcionar um curioso desfecho.
A adaptação que João Craveiro faz da peça de Uarlen Becker não poderia estar mais na ordem do dia quando assistimos diariamente a comportamentos que nos levam a pensar naquilo a que alguns estão dispostos a fazer para poder encontrar o seu lugar no estrelato. Aqui somos levados a crer que apenas aquele excêntrico médico pretende o seu lugar junto às "estrelas" mas, na realidade, até os próprios ladrões o pretendiam ainda que não estejam dispostos a revelá-lo. Senão vejamos, esta dupla de ladrões, em nome de um desfile de moda de vanguarda cujos modelos seriam cadáveres, estariam dispostos a profanar os corpos para poder mediatizar o seu evento... no entanto, é com os delírios e excentricidades de um médico que aparenta estar farto da vida desinteressante que leva que se espantam e questionam as suas intenções e alucinações.
Este argumento, não só é um mordaz retrato dos dias em que vivemos onde tantos estão dispostos a tudo pelos tais quinze minutos de fama em que a televisão os coloca no centro do mundo, como também o consegue fazer de forma irónica e com uma também ela alucinante comédia que nos prova que nós, os espectadores, estamos dispostos a perder alguma humanidade para verificar até que ponto todos chegam para saciar a nossa própria curiosidade mórbida. Seria tão mais fácil, mas igualmente desinteressante, desligar a televisão quando "tudo acontece"...
Se a dupla Monteiro e Ribeiro nos entregam interpretações mordazes e negras como aqueles dispostos a um acto macabro em nome de um bom e mediático espectáculo, justiça tem de ser feita a João Craveiro que entrega uma alma, ainda que sem grandes valores ou pretensões humanas, à sua personagem como um médico que claramente perdeu o rumo há muito tempo mas que, ainda assim, espera o seu lugar e a sua redenção conquistada por um acidente e uma ironia do destino.
As personagens aqui criadas sob o olhar atento de Nuno Sá Pessoa remetem-me para aquele universo muito particular criado por Alex de la Iglésia onde, não sendo necessariamente vilãs, neles se transformam graças a um passado que não lhes foi generoso e que sempre lhes cobrou mais do que aquilo que lhes conseguiu providenciar, tornando-se assim todo o seu ambiente envolvente como um teste à sua própria alucinação e desejo de ser algo mais do que aquilo em que na realidade conseguiram ser.
.
.
"Ladrão 1: Tu aceitavas ser fotografado nú?
.
Ladrão 2: Eu até aceitava... em troca de algum dinheiro e umas participações numa telenovela..."
.
8 / 10
.
.

Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay 2014: os vencedores

.
Competição Internacional de Longas-Metragens
Longa-Metragem Internacional: L'Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie
.
Competição Ibero-Americana de Longas-Metragens
Longa-Metragem Ibero-Americana: Costa da Morte, de Lois Patiño
Menção Especial: Escuela de Sordos, de Ada Frontini
.
Competição de Novos Realizadores
Longa-Metragem de Novos Realizadores: Volantin Cortao, de Diego Ayala e Anibal Jofre
Menção Especial: Raíz, de Matías Rojas Valencia
.
Competição de Cinema de Direitos Humanos
Longa-Metragem de Direitos Humanos: Nadea e Sveta, de Maura Delpero
.
Competição Internacional de Curtas-Metragens
Curta-Metragem Internacional: Detour, de Michael Kam
Menções Especiais: Border Patrol, de Peter Baumann e Rollercoaster, de Marek Marlikowski
.
Competição Uruguaia de Curtas-Metragens
Curta-Metragem Uruguaia: La Mujer Rota, de Jeremías Segovia
Menções Especiais: De Agua y Algodón, de Alessandro Ceci, En la Orilla, de Stefano Tononi e Puente, de Valentín Baubeta
.
Prémio Júri Jovem
Longa-Metragem: Papusza, de Joanna Kös e Krysztof Krause
Menção Especial: Vic + Flo ont Vu un Ours, de Denis Côté
.
Júrí ACCU / FIPRESCI - Competição Internacional
Longa-Metragem Internacional: Papusza, de Joanna Kös e Krysztof Krause
Menção Especial: Los Insólitos Peces Gato, de Claudia Sainte-Luce
.
Júri ACCU / FIPRESCI - Competição Ibero-Americana
Filme Ibero-Americano: Costa da Morte, de Lois Patiño
Menção Especial: El Miedo, de Jordi Cadena
.
Júri SIGNIS-URUGUAY - Asociación Católica Mundial para la Comunicación
Prémio SIGNIS: Papusza, de Joanna Kös e Krysztof Krause
.
Prémio do Público: Papusza, de Joanna Kös e Krysztof Krause
.

sábado, 19 de abril de 2014

Il Capitale Umano (2013)

.
O Capital Humano de Paolo Virzì é uma longa-metragem italiana e o filme de encerramento da sétima edição da Festa do Cinema Italiano que ontem terminou no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Massimiliano (Guglielmo Pinelli) e Serena (Matilde Gioli) namoram. Ou pelo menos assim todos pensam. É esta relação que faz os destinos de duas famílias distintas se aproximarem de forma inequívoca.
Numa noite, um ciclista é atropelado e toda uma série de acontecimentos irá revelar não só os destinos como principalmente o carácter de todos os membros destas duas famílias.
Dividido em quatro capítulos distintos, o argumento de Il Capitale Umano da autoria do próprio realizador em colaboração com Francesco Bruni e Francesco Piccolo entrega o primeiro deles como um reflexão sobre uma das personagens principais deste filme, ou seja, "Dino" (Fabrizio Bentivoglio), um homem sedento de uma oportunidade de sucesso económico e financeiro e que vê na ligação que une a sua filha à poderosa família Bernaschi o seu momento.
O segundo capítulo entrega ao espectador uma perspectiva sobre a referida família Bernaschi através de "Carla" (Valeria Bruni Tedeschi), uma mulher da classe alta, abastada e de boas famílias mas incapaz de ter um projecto próprio de vida deixando-se ser anónima no seu propósito. Desinteressada e no seio de uma família que a ignora em boa medida, "Carla" pretende apenas conseguir ter um fim que justifique a sua existência. O terceiro capítulo dedicado a "Serena" (Matilde Gioli) - e o último dedicado a uma personagem específica - centra a sua dinâmica em torno da filha de "Dino", uma rapariga desinteressada de "Massimiliano", o seu namorado prepotente e dedicado a impressionar os amigos humilhando os demais. Com uma súbita paixão por "Luca" (Giovanni Anzaldo), é esta relação que irá dar o mote para a tragédia que se percebe estar próxima.
O último capítulo dá título a esta longa-metragem... "O Capital Humano". Considera-se capital humano os atributos de um indivíduo adquiridos através da sua edução, e é neste segmento que o espectador toma real conhecimento de toda uma vontade de uns se tornarem membros de um "meio" enquanto que outros tentam desesperadamente dele sair. Mas no final, o espectador questiona-se sobre aquilo que é realmente importante... Será o meio que define aqueles que a ele "pertencem" ou, por sua vez, serão as experiências e a compreensão do "outro" que definem a forma como cada elemento - independentemente do seu meio - interage com os demais? No essencial, é neste último segmento que o carácter de todos os personagens é finalmente revelado. Se uns querem desesperadamente fazer parte de uma suposta classe mais alta e abastada, estando portanto disposto a tudo, é também verdade que o espectador observa uma certa desumanização daqueles que a ele pertencem "naturalmente" não por se encontrarem distante do que se passa à sua volta mas sim porque vivem desesperadamente desinteressados do mesmo. Para alguns o que interessam as dificuldades alheias quando elas não lhes batem à porta? O que interessa um teatro ir encerrar quando o seu lugar poderá ser ocupado por um condomínio privado onde uma elite mais "abastada" pode criar melhor vizinhança?
Mas é também aqui que, no entanto, são também dados a conhecer todo um grupo de desumanizados mais "populares"... Os pseudo-intelectuais de fachada, os ideólogos que ninguém quer escutar e até mesmo aqueles que pouco tendo estão dispostos a tudo perder - valores incluídos - por uma miragem de aceitação num meio que simplesmente não os quer por perto ou aqueles que outrora culpados de um crime esperam agora por uma oportunidade que não chegará. Independentemente do seu estrato ou condição social, o "capital humano" - tido como os valores, educação e capacidades de cada um - mostram-se então como perdidos numa espiral de acontecimentos descontrolados dos quais todos pretendem escapar quer por medo, desdém ou medo irracional que as suas míseras existências estejam condenadas a um papel social que não transcenda aquilo que eles secretamente desejam.
Assim, e sempre cruzando segmentos e momentos pontuais, Il Capitale Umano reconta a história a partir de um acontecimento específico mostrando o outro lado do mesmo entregando, dessa forma, continuidade aos eventos que se sucedem sempre com o fim maior de revelar a condição humana - daqueles que têm todo o mundo nas mãos como daqueles que não o tendo pretende lá chegar - naquilo que têm de bom e principalmente ao mal que podem chegar transformando-se naquilo que repudiam.
Com um humor dramático - por vezes até trágico - e com interpretações que denotam o lado mais solitário de vidas que tudo e todos têm por perto, Il Capitale Umano reflecte sobre o Homem como um ser que normalmente sem valores, carácter ou motivações para lá das materiais, que desespera por uma ligação com os outros mas que igualmente treme quando a encontra.
Com uma intensa interpretação quer de Valeria Bruni Tedeschi como de Fabrizio Bentivoglio, Il Capitale Umano encerrou esta Festa do Cinema Italiano de Lisboa naquela que é uma estreia internacional que comprova, uma vez mais, toda uma clássica dimensão do cinema transalpino em saber contar histórias (des)humanas mostrando os dois lados do Homem... aquele que quer vencer mas principalmente aquele que se sente derrotado não só pelas suas limitações e circunstâncias mas principalmente pela forma como tenta alcançar aquele espaço que não é, ou será, seu.
.

.
8 / 10
.
.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Festa do Cinema Italiano 2014: os vencedores

.
Chegou ao fim mais uma edição da Festa do Cinema Italiano, a sétima, que decorreu no Cinema São Jorge, em Lisboa desde o passado dia 10, tendo sido atribuídos os respectivos Prémios do Júri e Prémio do Público aos quais foi ainda adicionado pela primeira vez este ano um Prémio Carreira a uma das mais emblemáticas figuras do cinema transalpino e mundial.
Segundo o júri composto por Lorenzo Codelli, vice-director da Cineteca del Friuli di Gemona e crítico de cinema, Jean Paul Bucchieri, encenador, investigador e docente na Escola Superior de Teatro e Cinema e ainda do fadista Camané, foram selecionados dois filmes vencedores por "apesar de tratarem temáticas e linguagens muito diferentes, reconhecemos que os dois filmes são contributos importantes no que diz respeito a questões muito relevantes no contexto social actual".
.
Prémio do Júri
(ex-aequo)
.
 
.
La Mafia Uccide Solo d'Estate, de Pierfrancesco Diliberto "PIF"
.
.
The Special Need, de Carlo Zoratti e Cosimo Bizzarri
.
Prémio do Público TVCine
.
.
Zoran, il Mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto
.
Prémio Carreira
.
.
Vittorio Storaro
.
A Festa segue agora para Coimbra de 21 a 23 de Abril no Teatro Académico Gil Vicente, para o Porto de 24 a 27 de Abril na Casa das Artes, para o Funchal de 8 a 11 de Maio no Teatro Municipal Baltazar Dias e finalmente para Loulé de 16 a 18 de Maio no Cine-Teatro Louletano.
.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gabriel García Márquez

.
1927 - 2014
.

Mayra Alejandra Rodríguez

.
1955 - 2014
.

Festival Internacional de Cinema de Cannes 2014: selecção oficial

.
Competição
Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard
The Captive, de Atom Egoyan
Clouds of Sils Maria, de Olivier Assayas
Deux Jours, Une Nuit, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Foxcatcher, de Bennett Miller
Futatsume no Mado, de Naomi Kawase
The Homesman, de Tommy Lee Jones
Jimmy’s Hall, de Ken Loach
Kis Uykusu, de Nuri Bilge Ceylan
La Meraviglie, de Alice Rohrwacher
Leviathan, de Andrei Zvyagintsev
Maps to the Stars, de David Cronenberg
Mommy, de Xavier Dolan
Mr. Turner, de Mike Leigh
Relatos Salvajes, de Damian Szifron
Saint Laurent, de Bertrand Bonello
The Search, de Michel Hazanavicius
Timbuktu, de Abderrahmane Sissako
.
Un Certain Regard
Amour Fou, de Jessica Hausner
Bird People, de Pascale Ferran
La Chambre Bleue, de Mathieu Amalric
Charlie’s Country, de Rolf de Heer
Dohee-ya, de July Jung
Eleanor Rigby, de Ned Benson
Fantasia, de Wang Chao
Harcheck mi Headro, de Keren Yedaya
Hermosa Juventud, de Jaime Rosales
Incompresa, de Asia Argento
Jauja, de Lisandro Alonso
Lost River, de Ryan Gosling
Party Girl, de Marie Amachoukeli
Run, de Philippe Lacote
The Salt of the Earth, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado
Snow in Paradise, de Andrew Hulme
Titli, de Kanu Behl
Tourist, de Ruben Ostlund
Xenia, de Panos Koutras
.

Hotel Anaidaug - nova curta-metragem da Paradoxon Produções

.
Hotel Anaidaug é o novo projecto cinematográfico da Paradoxon Produções realizado por Hernâni Duarte Maria, autor também do argumento.
Tal como definido na sua página oficial, Hotel Anaidaug é a adaptação do livro homónimo de Fernando Pessanha que aborda "duas realidades, um veleiro, um tripulante, o hotel, uma visão noir", num estilo que mistura o drama, o thriller e a ficção.
Com a interpretação de Nuno Murta, Lourenço Seruya, Milai Miu, Rogério Cão, Miguel Costa Lopes, Bruno Rossi e de Fernando Pessanha, o autor da obra adaptada que também colabora com a música original juntamente com Iládio Amado, Hotel Anaidaug conta ainda com a participação com o apoio institucional para a divulgação do CinEuphoria bem como do Só Divulga, da Câmara Municipal de Faro, RUA FM e Palácio do Tenente, estando a sua estreia prevista para 2015.
.
.
.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

La Prima Neve (2013)

.
A Primeira Neve de Andrea Segre é a mais recente longa-metragem do realizador que em 2013 venceu o Prémio do Público e o Prémio do Júri da Festa do Cinema Italiano com a sua obra Io Sono Li, e que agora volta à Festa novamente em Competição.
Dani (Jean-Christophe Folly) nasceu no Togo. Chegou a Itália vindo refugiado e para escapar à guerra civil na Líbia onde se encontrava e reside agora numa casa de acolhimento com tantos outros refugiados e com a sua filha recém nascida. Dani tem um segredo que o atormenta e que o impede de manter uma relação de proximidade com a jovem bebé.
Em Val dei Mocheni, onde agora vive encontra trabalho em casa de Pietro (Peter Mitterutzner), um idoso apicultor que vive junto à sua nora Elisa (Anita Caprioli) e ao seu neto Michele (Matteo Marchel) de dez anos cuja única amizade é o seu tio Fabio (Giuseppe Battiston) revelando uma total rebeldia que o afasta progressivamente da sua mãe agora viúve graças à morte prematura do seu marido, deixando Michele com um sentido vazio pela falta daquele que tão intensamente o marcara.
Dani e Michele estabelecem uma rápida e forte união que parece não poder mudar... até que Dani recebe finalmente os documentos que lhe permitem movimentar-se para fora de Itália e estabelecer a sua própria vida afastando-se de todos os parcos laços que parecia manter.
Andrea Segre e Marco Pettenello são os autores do argumento de La Prima Neve que estabelece uma próxima relação entre o espaço e o indivíduo na medida em que nos obriga a reflectir sobre o poder da transformação e da mudança. A primeira neve é aquela que define a intensidade das cores, dos contornos e das formas dos bosques, das árvores e das folhas que lentamente começam a cair. Aquela que transforma toda uma paisagem verdejante e exuberante em locais pálidos e desprovidos de cor ou de uma identidade, remetendo todos os elementos para uma mesma situação.
É então a partir deste pressuposto que é estabelecida uma relação do lugar/espaço para com o indivíduo sendo esta mesma neve o elemento fundamental que determina também a sua própria transformação e superação dos obstáculos que até então o condicionavam. Se por um lado "Dani" se apresenta como um homem atormentado pela morte da sua jovem mulher e que se vê a braços com uma filha que em tudo o faz relembrar a mesma, não é menos verdade que aos poucos a relação de amizade que estabelece com "Michele" o faz ver que existe uma esperança e um momento em que o seu passado é ultrapassado ainda que seja sempre lembrado de forma dolorosa.
"Dani" nunca viu a neve, sendo esta aqui uma metáfora para a transformação. O mesmo será dizer que "Dani" nunca perspectivou essa mesma transformação e que a sua vida foi uma constante viagem para locais que só lhe trouxeram dor... O seu país onde revela não poder voltar por motivos que não conhecemos mas que suspeitamos estarem relacionados com algum tipo de perseguição, a Líbia de onde teve de fugir graças à guerra civil e finalmente este pacífico local em Itália onde se encontra com a sua filha que o faz recordar um amor perdido de forma irrecuperável. A dor acompanhou a sua viagem e nada, apesar dos diferentes locais em que se encontra, lhe mostram algum sinal de mudança e de dias mais alegres. É, no entanto, a relação de amizade que estabelece com "Michele" que lhe garante que aquele espaço com aquelas pessoas que se calhar não são tão diferentes de si pode ser o local onde sempre pertenceu, ainda que para lá chegar tenha experienciado um longo e tortuoso caminho. A pergunta coloca-se... valerá seguir ou será preferível criar raízes onde aparenta ser bem-vindo?
A perda também tocou "Michele" com a perda do seu pai a quem tinha como um ídolo e a quem admirava. Aquele que lhe deu os primeiros valores e ensinou a tocar acordéon. Foi a sua perda, tal como a de "Dani", que o levou a tornar-se alguém marginal àqueles que o rodeavam e a desejar enfrentar uma série de perigos que o colocavam longe da sua própria segurança e a menosprezar a criação de laços com a mãe ou com a escola, e a manter-se apenas próximo àqueles que, tal como ele, pouco respeitam as regras que lhes são impostas.
É assim desta forma que a relação entre os dois se estabelece, pela perda e pela absoluta necessidade que ambos sentem em, tal como as árvores que os rodeiam por todo o lado, estabelecer raízes que lhes garantam uma ideia e sentimento de pertença, de saber onde estão e para onde, e quem, voltam todos os dias. É através dos seus silêncios que se aprendem a escutar e a perceber as necessidades afectivas e de pertença que as suas trágicas perdas, ambas devido a acidentes, lhes "ofereceram".
Se por um lado Jean-Christophe Folly aparenta ser a força motora de La Prima Neve, não é menos verdade que após os momentos introdutórios a sua personagem esmorece entregando, de forma natural, todo o protagonismo a um jovem Matteo Marchel que poderia muito facilmente ver a sua interpretação recompensada com uma nomeação aos David da Academia Italiana de Cinema. Se Folly nos impressiona com uma raiva e dor contidas e quase asfixiantes, é Marchel que as sente de forma efusiva e explosiva. Ambos complementam-se pela disparidade das suas próprias personagens e, de certa forma, mesclam-se como se de uma só personagem se tratasse. O primeiro um adulto como uma juventude perdida e o último como uma pré-adolescência que o força a tornar-se num adulto e controlar o ambiente que o rodeia.
La Prima Neve vive ainda com a excelência da direcção de fotografia da autoria de Luca Bigazzi que nos coloca no centro de um local exuberante e de cores múltiplas que, no entanto, primam pela não equivalência de sentimentos e de sensações. Se o local capta a nossa atenção pela excelência natural e pela multiplicidade de pequenos detalhes que são realçados pela luz que deles parece emanar, não é menos verdade que com o tempo, e com a neve, os mesmos são dissipados e colocados todos na mesma perspectiva neutral, denotando que é a partir deste momento que podem, finalmente, evoluir.
Andrea Segre volta a impressionar com mais uma sentida homenagem ao local e ao indivíduo, colocando uma vez mais as problemáticas da emigração em debate como já o fizera com o referido Io Sono Li, bem como presta homenagem a Itália e aos seus mais variados locais, uma sentida homenagem pela sua beleza natural e pelo sentimento de pertença que o indivíduo com eles cria mesmo que sejam, à partida, culturas visceralmente distintas.
.
.
8 / 10
.
.

Shortcutz Xpress Viseu - vencedor de Março de 2014

.
Foi hoje revelado que o vencedor do passado mês de Março do Shortcutz Xpress Viseu foi a curta-metragem Bílis Negra, de Nuno Sá Pessoa que conta com a interpretação de João Craveiro, Tobias Monteiro, Paulo Duarte Ribeiro e Sara Moura.
De relembrar que Bílis Negra foi uma das curtas-metragens finalistas do Prémio YORN - Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa na última edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.
.
.

Prémios Novos 2014: os vencedores

.
Os Prémios Novos que têm como intuito destinguir os talentos nacionais com menos de 35 anos, mas mais diversas áreas da sociedade portuguesa que se destacaram no último ano, tiveram a sua segunda edição ontem, dia 15 de Abril pelas 21.30h, na Fundação CGD - CULTURGEST.
Na categoria de Cinema o vencedor foi Gabriel Abrantes que se destacou no último ano pela realização das curtas-metragens Ennui, Ennui e Taprobana com a qual esteve presente no Festival Internacional de Cinema de Berlim onde conquistou a nomeação directa para os European Film Awards a atribuir em Dezembro próximo em Riga, na Letónia.
.
.
Na categoria de Televisão a vencedora foi Sara Matos, jovem actriz que iniciou a sua carreira na série juvenil Morangos com Açúcar e que no último ano participou nas telenovelas líderes de audiência como Doida por Ti, Belmonte e O Beijo do Escorpião.
.
.
Finalmente na categoria de Teatro o vencedor foi John Romão que recentemente participou no projecto Voyages du Kadmos, no Festival d'Avignon 2013, projecto que reúne novos encenadores de teatro.
.
.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Chela Castro

.
1929 - 2014
.