domingo, 27 de maio de 2012

P (2005)

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P - A Semente do Mal de Paul Spurrier é uma longa-metragem de terror que nos conta a história de Dau, uma jovem orfã do interior da Tailândia que após passar uma infância ostracizada por todos e ter a sua avó doente e sem dinheiro para se tratar, é induzida para trabalhar na grande cidade onde, enganada, dá por si num bar de striptease onde invejada pela colegas e desejada pelos homens, passa da sua inocência à idade adulta num curto espaço de tempo.
Mas não é só isto que se pode dizer a respeito de Dau... esta jovem aparentemente inocente esconde muito mais do que aqui que os olhos dos outros conseguem alcançar...
Este filme que começa com a vida solitária de uma jovem que apesar de não procurar a aprovação de ninguém sempre desejou fazer parte de um meio que não a desprezasse, tão depressa é interessante como com igual rapidez começa a torna-se enfadonho e aborrecido. Se os momentos iniciais até à sua chegada à capital mostram um filme que se quer dramático e com algum "cheirinho" a vingança que secretamente qualquer espectador quer ver, depressa se torna numa história onde tudo está mais concentrado e preocupado com danças do ventre e nudez semi conseguida que não convencem ninguém.
A história de Dau, esta jovem inocente que apenas pretende encontrar uma forma de ajudar a sua debilitada avó, mostram que a compaixão pode existir dentro de qualquer um de nós. Mas também é uma verdade que esta compaixão pode ser rapidamente corrompida quando "valores" mais altos como o dinheiro se intrometem do bem-estar de qualquer um de nós. Se analisarmos o filme nesta perspectiva, que é como quem diz a primeira meia-hora da sua duração, temos aquilo que procuramos neste filme. Uma história dos nossos dias... real, dramática e com uma leve brisa de vingança que vai sendo "cozinhada" à medida que os minutos passam.
O problema começa quando, já na capital, Dau se transforma numa prostituta bem paga que já nem se lembra da avózinha que está doente e precisa da sua ajuda. Nunca mais, em momento algum, sabemos o que terá se passado com aquela mulher por quem Dau abandonou todo o seu confortável mundo. A partir daqui a única preocupação de Dau é vingar-se de todos aqueles que se mostrem uma ameaça à sua segurança ou... uma forma de saciar a sua fome.
Inicialmente interessante e promissor julgo que a meio caminho o filme se perde e de uma intenção de filme de suspense/terror se torna numa vontade extrema de demonstrar uma decadência ocidental que se aproveita da extrema miséria e carência que, no caso, o povo tailandês sente. Temos os ocidentais ricos com dinheiro, muito dinheiro, para gastar em jovens raparigas e uma delas que, da fama e do "prazer" de bruxa não se livra e lá vai ganhando o seu próprio "sustento".
Esta pobre transição de dois momentos deste filme é acompanhada pela igualmente pobre caracterização de Dau que a transforma numa rapariga normal num demónio mal pensado e concebido que não assusta ninguém, pelo menos não da forma como era pretendido mas sim pela sua falta de eficácia e coerência. Não basta, bem pelo contrário, pintar a cara de preta e colocar umas lentes amarelas para se imaginar que se está possuído por "algo".
Com um potencial dentro do género que se perde pelo caminho, este filme promete inicialmente muito mais do que aquilo em que se transforma acabado por se tornar maçador e repetitivo ao ponto de ser quase desgastante aguentá-lo até ao fim. Ainda assim, para os interessados e curiosos, nada melhor do que o verem para confirmarem.
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2 / 10
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