quinta-feira, 24 de maio de 2012

Go Get Some Rosemary (2009)

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Vão-me Buscar Alecrim de Ben Safdie e Joshua Safdie vencedor do Grande Prémio Cidade de Lisboa numa das anteriores edições do IndieLisboa conta-nos a história de um pai divorciado que durante um conjunto de dias fica com os seus filhos na sua casa nova e ainda pouco "habitável".
Lenny (Ronald Bronstein) é um homem aparentemente mais velho do que a sua real idade e que se encontra dividido entre as suas responsabilidades e o seu eterno desejo de permanecer jovem e independente de qualquer obrigação. Durante o período em que fica com os seus filhos todo o tipo de ocorrências mais ou menos normais sucedem a um ritmo alucinante que demonstram o quão pouco preparado está para poder assumir qualquer compromisso que seja, independentemente da motivação ou vontade que tem de, por exemplo, poder estar com os seus filhos.
Por muito interessante que seja podermos assistir à dinâmica existente entre um pai solteiro e os seus jovens filhos, este filme acabou por fazer perder muita da concentração que nele poderia depositar graças à sua filmagem ao estilo de "câmara na mão". Ficamos desde o início com a leve impressão de que os realizadores pretendem estar em todo o lado ao mesmo tempo e como tal filmar tudo o que lhes aparece à frente quebrando assim muita da atenção que poderíamos ter em determinados momentos.
E o mesmo se poderá dizer com alguns dos momentos do filme que são e estão francamente desapropriados com a narrativa principal nomeadamente o mais flagrante quando após ter estado com os filhos no ginásio Lenny é alvo de uma tentativa de engate por parte de outro homem... descontextualizado e sem qualquer nexo (muito menos devido à duração e da exposição que tem aquele momento). Como este, outros momentos como a mudança de casa que não sabemos como irá ser concluída ou mesmo a relação entre pai e mãe que pouco se desenvolve, acabam por estar sempre muito presentes no filme, fazendo com que outros caminhos se abram na história sem que para a narrativa principal muito contribuam além de nos mostrarem caminhos que não se fecham mas também não lhes é dada continuidade.
Resumidamente é um filme com algum potencial e com interpretações às quais não se lhes pode apontar defeitos de maior mas que se perde(m) graças à própria filmagem que nos faz dispersar por vários momentos ao longo do filme. No essencial seguimos a vida daquela família... principalmente daquele pai, que demonstra um esforço enorme para poder passar aqueles escassos dias com os seus filhos, mas ao mesmo tempo que o acompanhamos estamos também muito "preocupados" com todo o meio envolvente que, na maior parte das situações, é completamente irrelevante para o que de central está a acontecer e, como tal, perdemos por várias ocasiões o rumo que a história poderia levar.
Interessante por momentos mas nunca estimulante ao ponto de se tornar num dos filmes que gostamos realmente de ver ou com que criemos um qualquer tipo de identificação.
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3 / 10
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