segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Cemetery Gates (2006)

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As Portas do Cemitério de Roy Knyrim é uma longa-metragem norte-americana de "terror" - entre aspas já define muito do que ele é enquanto filme de género - e um que facilmente se insere naquele conjunto de obras que amamos odiar.
Depois do laboratório de Belmont (Reggie Bannister) ser invadido por dois ecologistas, Precious - a Diabo da Tasmânia mutante - é libertada na floresta adjacente provocando o caos por onde passa. Tudo ganha contornos mais preocupantes para Belmont quando este descobre que o seu filho Hunter (Peter Stickles) foi para a mesma floresta com um grupo de amigos onde se prepara para dirigir um filme de terror no cemitério que lá se encontra.
Determinado em parar com a ameaça à vida humana que é Precious, Belmont dirige-se para a floresta na companhia de Christine (Aime Wolf), também responsável pela sua mutação, salvando assim o maior número de vidas possível.
O mais engraçado de filmes como Cemetery Gates não é necessariamente a sua premissa que é invariavelmente semelhante a tantos filmes do género, mas sim o facto de ser construído com o máximo de seriedade para que tudo aparente ser amador, mal feito, mal dirigido e profundamente ridicularizante para todos os envolvidos. Apenas e só tendo isto em mente podemos equacionar a presença de momentos tão mal elaborados que rapidamente poderiam transformar um filme deste calibre em algo risível e muito pouco medonho - que, convenhamos, na prática nunca chega a ser - mas que o tal requinte em fazer dele mau preenche todos os requisitos necessários para que até lhe consigamos atribuir alguma graça... Afinal, mais não é do que um filme de entretenimento que cumpre aquilo a que se propõe.
Se esperamos algo que nos assuste pelos seus cenário macabros... podemos esquecê-lo. Aqui tudo é propositadamente tido de forma amadora, desde os espaços, aos adereços sem esquecer o próprio cemitério onde as potentíssimas cruzes das campas são mais leves do que um lençol e isto sem esquecer, claro, a rudimentar caracterização da "fera" de seu nome "Precious" (a sério?!) que em diversas ocasiões se apresenta como um homem dentro de um fato e com um andar digamos... "estranho" e que consegue ser quase do mesmo tamanho que um cavalo em idade adulta (lembremo-nos que isto era suposto ser um Diabo da Tasmânia). Se a isto juntarmos momentos onde gelatina líquida se assume como o novo tipo de sangue e nos diversos actores retirados às produções porno de mais baixo orçamento possível... o que temos no final é um cozinhado perfeito para um dos piores filmes dos últimos tempos - possivelmente de sempre - mas que, ao mesmo tempo, aprendemos a "gostar" dele pela simpatia e dedicação com que tudo foi feito para que no final tudo pudesse correr mal.
Saltos para o (des)conhecido que se encontra mesmo ao virar da esquina... burados dos quais não se consegue fugir sem uma corda mas que quando se esticam bem já estão com a cabeça de fora e cadáveres (sim, estamos num cemitério não se esqueçam) que se amarrotam como borracha e de seguida estão direitos como se nada fosse ou até mesmo o retrato de um cheio nauseabundo sem que se perceba que "Precious" está a passar ao lado, são apenas alguns dos detalhes que o realizador e respectiva equipa entregaram a este filme que suspeito ter demorado menos tempo a elaborar do que este simpático comentário que lhe estou a dedicar.
A nota que lhe atribuo e que poderão verificar já no final, em nada tem a ver com o potencial de divertimento que Cemetery Gates confere ao espectador que esteja disposto a vê-lo pois podem acreditar, vale a pena se o abraçarmos com paciência e sem esperar algo... bem feito. A pontuação que lhe atribuo tem única e exclusivamente a ver com o facto de ser um filme mau... Mau pela sua concepção e execução. Aspectos esses que, por sua vez, lhe conferem alguma graça, relativo humor e simpatia por um grupo de espectadores que apreciem o bom e velho cinema série B onde todos os erros são apreciados como uma arte sem glória que os torna filmes de culto... dentro do género. E no final perguntamo-nos: não gostámos de ver todos aqueles indivíduos serem despachados pela "simpática" Precious?
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domingo, 17 de agosto de 2014

O Avô (2014)

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O Avô de André Marques é uma curta-metragem portuguesa de ficção e uma das seleccionadas do Filminute - the international one-minut film festival.
A história, também ela da autoria de André Marques, relata um dia na vida de um avô aqui interpretado por Luís Lucas e o acompanhamento que o meu faz às tarefas diárias do seu neto (Tomé Galvão Fernandes) desde o treino no futebol passando pelo banho e jantar até o pai (Pedro Pernas) chegar a casa conseguindo, num breve minuto, captar toda a essência daquilo que esperamos do conceito de família.
Com um leve toque de humor e uma sensibilidade extrema, André Marques consegue não só contar uma emotiva história como demonstrar que com cada trabalho que entrega afirmar-se como um dos mais interessantes realizadores de uma nova geração de talentos emergentes no cinema português.
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Filme português em Yad Vashem

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A página oficial do documentário em formato de curta-metragem I Am Alive Thanks to Aristides de Sousa Mendes, de Priscilla Fontoura no Facebook anunciou hoje que vai passar a pertencer ao arquivo do Museu Memorial Yad Vashem, em Israel.
I Am Alive Thanks to Aristides de Sousa Mendes é um documentário sobre a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, terra do cônsul português que durante a Segunda Guerra Mundial atribuiu mais de trinta mil vistos a refugiados que chegavam à cidade francesa de Bórdeus possibilitando-lhes assim uma passagem em segurança para Portugal, que está desde então em ruínas e só agora começa a ter as primeiras obras de recuperação.
A Casa do Passal constitui um precioso património histórico deste Homem que é um dos dois Justos entre as Nações portugueses, decretado pelo Museu Memorial Yad Vashem e graças à informação prestada por este documentário vê assim mais um importante reconhecimento para com o seu legado.
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A Estrada 47 vence no Gramado

 
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A longa-metragem luso-italo-brasileira A Estrada 47, de Vicente Ferraz e com a co-produção de Leonel Vieira, foi há instantes anunciada como a grande vencedora do Festival de Cinema do Gramado, no Brasil tendo vencido o Kikito de Ouro de Melhor Longa-Metragem Brasileira e ainda o Kikito de Ouro de Melhor Som para Branko Neskov.
A Estrada 47 narra a história de três desertores de diferentes nacionalidade na Itália da Segunda Guerra Mundial que se perdem no meio da neve e do desespero, e conta entre os seus actores com a participação de Ivo Canelas.
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Festival de Cinema de Gramado 2014: os vencedores

 
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Melhor Filme - Longa-Metragem Brasileira: A Estrada 47, de Vicente Ferraz
Melhor Realizador - Longa-Metragem Brasileira: Marcelo Galvão, A Despedida
Melhor Actor - Longa-Metragem Brasileira: Nelson Xavier, A Despedida
Melhor Actriz - Longa-Metragem Brasileira: Juliana Paes, A Despedida
Melhor Actor Secundário - Longa-Metragem Brasileira: Paulo Betti, Infância
Melhor Actriz Secundária - Longa-Metragem Brasileira: Andrea Buzato, Os Senhores da Guerra 
Melhor Argumento - Longa-Metragem Brasileira: Domingos Oliveira, Infância
Melhor Fotografia - Longa-Metragem Brasileira: Eduardo Makino, A Despedida
Melhor Banda-Sonora - Longa-Metragem Brasileira: Alceu Valença, A Luneta do Tempo 
Melhor Montagem - Longa-Metragem Brasileira: Tina Saphira, Infância
Melhor Direcção de Arte - Longa-Metragem Brasileira: Moacyr Gramacho, A Luneta do Tempo
Melhor Som - Longa-Metragem Brasileira: Branko Neskov, A Estrada 47
Menção Honrosa - Longa-Metragem Brasileira: Fernanda Montenegro, Infância
Menção Honra - Longa-Metragem Brasileira: Os Senhores da Guerra, de Tabajara Ruas
Júri do Público - Longa-Metragem Brasileira: O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton
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Melhor Longa-Metragem Estrangeira - Júri da Crítica: El Crítico, de Hernán Guerschuny
Melhor Longa-Metragem Brasileira - Júri da Crítica: Sinfonia de Necrópole, de Juliana Rojas
Melhor Curta-Metragem Brasileira - Júri da Crítica: La Llamada, de Gustavo Vinagre
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Melhor Filme - Longa-Metragem Estrangeira: El Lugar del Hijo, de Manuel Nieto
Melhor Realizador - Longa-Metragem Estrangeira: Moisés Sepúlveda, Las Analfabetas
Melhor Actor - Longa-Metragem Estrangeira: Felipe Dieste, El Lugar del Hijo
Melhor Actriz - Longa-Metragem Estrangeira: Paulina Garcia e Valentina Muhr, Las Analfabetas
Melhor Argumento - Longa-Metragem Estrangeira: Manuel Nieto, El Lugar del Hijo
Melhor Fotografia - Longa-Metragem Estrangeira: Arnaldo Rodríguez, Las Analfabetas
Prémio Dom Quixote: Las Analfabetas, de Moisés Sepúlveda
Júri do Público - Longa-Metragem Estrangeira: Esclavo de Dios, de Joel Novoa
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Melhor Filme - Curta-Metragem Brasileira: Se Essa Lua Fosse Minha, de Larissa Lewandowski
Menção Honrosa - Curta-Metragem Brasileira: O Clube, de Allan Ribeiro
Melhor Realizador - Curta-Metragem Brasileira: Gustavo Vinagre, La Llamada
Melhor Actor - Curta-Metragem Brasileira: Guilherme Silva, Carranca
Melhor Actriz - Curta-Metragem Brasileira: Rafaela Sousa, Carranca
Melhor Argumento - Curta-Metragem Brasileira: Caio Ryuichi Yossimi, O Coração do Príncipe
Melhor Fotografia - Curta-Metragem Brasileira: Giovanna Pezzo, La Llamada
Melhor Banda Sonora - Curta-Metragem Brasileira: Sem Título #1: Dance of Leitfossil 
Melhor Montagem - Curta-Metragem Brasileira: Carlos Adriano, Sem Título #1: Dance of Leitfossil
Melhor Direcção de Arte - Curta-Metragem Brasileira: Caio Ryuichi Yossimi, O Coração do Príncipe
Melhor Som - Curta-Metragem Brasileira: Guga Rocha, História Natural 
Júri do Público - Curta-Metragem Brasileira: A Pequena Vendedora de Fósforos, de Kyoko Yamashita
Prémio Canal Brasil - Curta-Metragem Brasileira: A Pequena Vendedora de Fósforos, de Kyoko Yamashita
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sábado, 16 de agosto de 2014

Eclipse em Portugal (2014)

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Eclipse em Portugal de Alexandre Cebrian Valente é uma longa-metragem portuguesa de ficção estreada no início do ano e a segunda que o realizador dirige depois de Second Life (2009).
Tó-Quim (Pedro Fernandes) apaixona-se por Anita (Sofia Ribeiro) vivendo assim uma relação instável e violenta que não augura nada de positivo. Anita esconde seguir determinados rituais satânicos e rapidamente alicia Tó-Quim a manter o mesmo tipo de adoração tendo, como iniciação ao mesmo, de assassinar os seus pais.
Cebrian Valente, realizador e argumentista deste filme, adaptou muito livremente ao cinema esta história inspirada em acontecimentos reais que, o mais simpático que lhe podemos atribuir reside no facto de rapidamente fazer qualquer espectador esquecer que realmente por detrás deste desastre de proporções bem manhosas se esconderem acontecimentos que em tempos afectaram a vida de uma comunidade.
Pelos mesmos motivos que me levaram a considerar 7 Pecados Rurais e Sei Lá dois dos piores filmes portugueses dos últimos tempos, Eclipse em Portugal junta-se facilmente aos referidos formando um trio do desastre, ou seja, aquele conjunto de filmes que todos deveremos evitar para manter uma qualquer sanidade cinéfila - e mental - que se aproveite para o futuro próximo. Eclipse em Portugal é para todos os efeitos, e à semelhança dos outros dois referidos títulos, um escárnio ao público que poderá - eventualmente e desconhecendo - assistir a estas alarvidades. Primeiro por fazer desse mesmo público um conjunto de indivíduos atrasados, perdidos no tempo e numa mente pouco desenvolvida que pouco serve para além de relações incestuosas, secretas ou até mesmo proibidas mas que revestidas pelo manto do provincianismo são tidas como normais, aceitáveis e até mesmo bem-vistas ainda que em segredo. Desde o cliché do padre engatatão que é pai de sabe-se lá quantos filhos e que é bem visto pela comunidade, sem se esquecer dos "jovens" evoluídas demais para a comunidade em que estão inseridos, Eclipse em Portugal é um conjunto de lugares comuns e atentados contra o bom funcionamento de uma história que, afinal de contas, dá motivos so espectador para desejar que toda aquela suposta "população" merece realmente ser erradicada das nossas ruas. Quereria algum de nós ter alguma destas pessoas como vizinho? Não me parece!
Vibradores maiores que troncos de árvores - talvez aquilo que realmente mereça ter o estatuto de assustador para qualquer espectador -, mortes espalhafatosas que roçam o ridículo - Sílvia Rizzo e Fernanda Serrano... duas actrizes pelas quais tenho a maior estima (a primeira depois das suas intensas interpretações na telenovela Primeiro Amor (1996) e pela sua participação especial em Crianças SOS (2000), e a segunda pela sua protagonista em Amanhecer (2002-3) não merecem isto - ao ponto até de tornarem leviano um acontecimento real, rituais satânicos absurdos e uma ligeira indicação de que tudo se deve graças a um eclipse que em tempos aconteceu tornam este filme um insulto ao cinema de forma geral, já para não falar ao conjunto de actores que dele fazem parte a que junto aos já referidos nomes como Ricardo Carriço, José Eduardo, Joaquim Nicolau, Pedro Lima, São José Lapa ou José Wallenstein. Interpretações fracas sem que nenhum se destaque pela positiva e feitos apenas e só à medida daquilo que o péssimo agumento lhes permitiu, quase arriscaria dizer que qualquer um destes actores rapidamente deveria querer que Eclipse em Portugal fosse um daqueles títulos que eles não quererão voltar a ouvir pronunciar... tipo Voldemort...
O absurdo povoa sem qualquer tipo de pudor ou vergonha por este filme - sim, apesar de tudo vou continuar a chamá-lo de tal - que insiste em abusar a todo o momento do bom nome desses actores que mereciam muito mais do que "isto", assim como ridicularizo o espectador pela noção que transmite de uma parte da sua população que podendo ser mais simples e com outros costumes que existem nas cidades maiores não são necessariamente animais selvagens dispostos a morder para ter um pedaço de carne maior.
A certa altura o argumento faz-nos perder e até mesmo divagar sobre até que ponto terá este filme sido realmente inspirado numa história verdadeira... afinal, aqueles que o são prezam por recorrer a factos e acontecimentos podendo muito pontualmente adicionar pequenos apontamentos para ficcionar alguns detalhes... Aqui, Cebrian Valente dispersa pelo reino da fantasia ao inserir a noção de que vários repórteres tentaram saber a verdade mas nenhum voltou sequer para desmascarar a verdade - a noção do Portugal profundo quase transilvânico onde o comum dos mortais desaparece -... Ora, por muito grande que Portugal seja e por muitos recantos escondidos existam, até que ponto desapareceriam assim tantos jornalistas sem que ninguém alguma vez - mais não fosse "só por acaso" - se lembrasse que depois desta reportagem "maldita" nunca mais pensasse que os mesmos tinham regressado lá da "parololândia" tão acentuada pelo realizador?!
A alarvidade não termina e existe sempre uma incessante vontade de tentar ser irreverente - aqui até sexualmente - e relatar uma portugalidade inexistente, um sarcasmo e uma "verdade" mórbidos a respeito daquilo que somos, mesmo na nossa hipocrisia, e com isso ser rebelde... sem de facto o ser.
No final o que me espanta com Eclipse em Portugal - assim como com outros títulos que se inserem nesta corrente de filmes que nunca deveriam ter sido feitos - é esta mesma vontade de rebeldia, de mostrar um pouco mais o que escondemos e o que somos ou até mesmo aquilo que ambicionamos ser sem que, no entanto, se esteja disposto realmente a mostrá-lo. Queremos ousar sem tocar nos pontos fracos, queremos rebeldia sem que isso provoque comentários e queremos ir mais além sem que, no entanto, se consiga sequer chegar aos calcanhares de outros que tendo muito menos meios técnicos e por vezes até o tal "rosto" conhecido conseguem e criando assim o seu público.
No final, e para além de crítico mas sim enquanto espectador que tem a mais profunda admiração por muitos dos actores que aqui vejo participarem, espero sinceramente que este filme seja enterrado no mesmo lugar onde "despacharam" a jornalista Vitória (Sandra Cóias)... no fundo do rio.
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Festival Internacional de Cinema de Locarno 2014: os vencedores

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Competição Internacional
Pardo d'Oro: Mula sa Kung Ano Ang Noon, de Lav Diaz
Prémio Especial do Júri: Listen Up Philip, de Alex Ross Perry
Pardo de Melhor Realizador: Pedro Costa, Cavalo Dinheiro
Pardo de Melhor Actor: Artem Bystrov, Durak
Pardo de Melhor Actriz: Ariane Labed, Fidelio, l'Odyssée d'Alice
Menção Especial: Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro
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Concorso Cineasti del Presente
Pardo d'Oro Cineasti del Presente - Premio Nascens: Navajazo, de Ricardo Silva
Prémio Realizador Emergente: Simone Rapisarda, La Creazione di Significato
Prémio Especial do Júri Ciné+Cineasti del Presente: Los Hongos, de Oscar Ruiz Navia
Menção Especial: Un Jeune Poète, de Damien Manivel
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Opera Prima
Pardo Melhor Primeira Obra: Songs from the North, de Soon-mi Yoo
Menção Especial: Parole de Kamikaze, de Masa Sawada
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Pardi di Domani - Competição Internacional
Pardino d'Oro - Melhor Curta-Metragem Internacional - Prémio SRG SSG: Abandoned Goods, de Pia Borg e Edward Lawrenson
Pardino d'Argento Swiss Life: Shipwreck, de Morgan Knibbe
Menção Especial: Muerte Blanca, de Roberto Collio
Prémio Pianifica - European Film Awards: Shipwreck, de Morgan Knibbe
Prémio Film und Video Untertitelung: Hole, de Martin Edralin
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Pardi di Domani - Competição Nacional
Pardino d'Oro Swiss Life Melhor Curta-Metragem Suíça: Totems, de Sarah Arnold
Pardino d'Argento Swiss Life: Petit Homme, de Jean-Guillaume Sonnier
Prémio Action Light - Revelção Suíça: Abseits der Autobahn, de Rhona Mühlebach
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Piazza Grande
Prémio do Público UBS: Schweizer Helden, de Peter Luisi
Prémio Variety Piazza Grande: Marie Heurtin, de Jean-Pierre Améris
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Júri Independente
Prémio Ecuménico: Durak, de Yury Bykov
Prémio FIPRESCI: Mula sa Kung Ano Ang Noon, de Lav Diaz
Europa Cinemas Label: Fidelio, l'Odyssée d'Alice, de Lucie Borleteau
Prémio Júri Jovem - Primeiro Prémio: Durak, de Yury Bykov
Prémio Júri Jovem - Segundo Prémio: Alive, de Jung-bum Park
Prémio Júri Jovem - Terceiro Prémio: Perfidia, de Bonifacio Angius
Prémio "L'Ambiente è Qualità di Vita": Mula sa Kung Ano Ang Noon, de Lav Diaz
Menção Especial: L'Abri, de Fernand Melgar
Prémio Júri Jovem - Melhor Film Cineasti del Presente: Frère et Soeur, de Daniel Touati
Menção Especial: Buzzard, de Joel Potrykus
Prémio Júri Jovem - Melhor Curta-Metragem Competição Internacional: Sleeping Giant, de Andrew Cividino
Prémio Júri Jovem - Melhor Curta-Metragem Suíça: Abseits der Autobahn, de Rhona Mühlebach
Menção Especial: Matka Ziemia, de Piotr Zlotorowicz
Prémio FICC/IFFS: Mula sa Kung Ano Ang Noon, de Lav Diaz e Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa
Menção Especial: Durak, de Yury Bykov
Prémio SRG SSR - Semana da Crítica: 15 Corners of the World, de Zuzanna Solakiewicz e La Mort du Dieu Serpent, de Damien Froidevaux
Prémio Zonta Club Locarno - Semana da Crítica: La Mort du Dieu Serpent, de Damien Froidevaux
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Pedro Costa premiado em Locarno

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Pedro Costa foi anunciado como o vencedor do Pardo de Melhor Realizador no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça pelo seu mais recente filme Cavalo Dinheiro.
Novamente com a participação de Ventura que já havia trabalhado com Costa em Juventude em Marcha e em Centro Histórico, Cavalo Dinheiro conta ainda com as interpretações de Vitalina Varela e Tito Furtado não tendo ainda, no entanto, data de estreia anunciada em Portugal.
Cavalo Dinheiro venceu ainda o Prémio FICC/IFFS na secção Júri Independente em ex-aequo com o grande vencedor do Leopardo de Ouro Mula sa Kung Ano Ang Noon, de Lav Diaz.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Vida Activa (2014)

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Vida Activa de Susana Nobre é um documentário em formato de longa-metragem português que tem como sua base o programa educacional Novas Oportunidades lançado em Portugal para reconhecer e certificar as aprendizagens realizadas fora da escola ao longo da vida dos (então) adultos.
Ao longo das sessões deste programa homens e mulheres falam sobre o seu percurso de vida, sobre as suas diversas profissões e tarefas realizadas que, ao longo dos anos, lhes conferiram conhecimentos e aprendizagens diversas e os factores pessoais que os mesmos levaram para nunca terminarem os estudos na altura tida como ideal.
É através deste ponto de partida que tomamos conhecimento sobre as realidades individuais de cada um e sobre a forma como diferentes condições de vida determinaram rumos diferentes que, na actualidade e com as diversificadas condições de trabalho mais ou menos precário, lançaram todas estas pessoas para um mesmo fim comum.
O programa das Novas Oportunidades, descontinuidado desde 2011 após a entrada de um novo governo em Portugal, gerou uma verdadeira corrida ao mesmo de uma camada mais velha da população quando através do processo aqui realizada poder ser conferido aos vários adultos que a ele recorriam uma forma de validarem os seus conhecimentos académicos e profissionais e, como tal, uma equivalência a um grau de ensino superior àquele que detinham até então.
Num país que está a ser uma forte vítima da crise económica que lançou dezenas de milhares de pessoas para o desemprego tendo de seguida uma sua grande parte sido obrigada a entrar neste processo, seria de esperar de Vida Activa um daqueles documentários que chega ao mais íntimo e pessoal de cada história que podendo ou não ser mais problemática ou trágica, entregar ao espectador verdadeiras lições de vida que fizessem do mesmo uma história tocante e mais pessoal - aquilo que pessoalmente espero de um documentário - e não um relato tão monocórdico e impessoal que se fundamenta única e exclusivamente em factos lineares que servem de resposta a um conjunto de perguntas pré-formatadas.
Vida Activa tem o potencial argumentativa para que se tivesse tornado num daqueles documentários com o qual uma boa parte do público iria simpatizar... afinal quantos de nós não iriam encontrar várias referências com as quais se pudessem identificar e pensar que estaria ali um pouco da sua própria vida. No entanto, é graças a todo um conjunto de factos relatados e pouco "sentidos" (pelo menos na forma como são transmitidos ao espectador) que se sente como se estivesse a ser lida uma lista de supermercado onde se procuram os produtos que fazem falta lá para casa e não as trágicas - algumas são - histórias de quem acabou de perder ot rabalho e sua única fonte de rendimento sendo esse o princípio para toda uma vida nova... algumas das quais começadas aos sessenta anos de idade.
Impessoal e sem factor humano, Vida Activa não poderia ser mais... Inactivo.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ruas Rivais (2014)

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Ruas Rivais de Márcio Loureiro é uma longa-metragem portuguesa de ficção que conta com a interpretação de algumas figuras conhecidas da nossa televisão como Rui Unas, João Manzarra, Fernando Alvim e ainda Fafá de Belém numa participação especial.
Quando Bocas (Adolfo Nunes) morre, o Deus do Freestyle (Fernando Alvim) encarrega-o de organizar uma battle ou então a sua morte será definitiva. É no seu regresso que tenta convencer os seus amigos Cristovão/D.Cristo (Ruben Valle), Mr. Paki (Tomás Neto) e Nurb Di Street (Bruno Leça) a entrar nesta aventura enquanto pelo caminho se descobrem velhas rivalidades e segredos que até então estavam escondidos.
Com um conjunto excessivo de personagens que se atropelam a todo o momento, o argumento escrito por Bruno Leça, Ruben Valle e Rute Miranda preza por ser aquele que irá possivelmente afirmar-se como o mais inútil e absurdo que o cinema português viu. E não me refiro aos "últimos tempos"...
Desde o primeiro instante que o espectador sente uma total desconexão de segmentos onde se tentam apresentar todas as personagens ao mesmo tempo como se existisse uma necessidade quase agonizante para fazer crer que todas elas eram necessárias para uma história que se enrola em momentos sem graça. Estas personagens são, quase na sua maioria, criadas para justificar momentos que se tentam fazer ter graça em pequenas histórias paralelas que se criam para que o filme possa avançar - sem elas mais não seria do que uma curta-metragem manhosa com tudo condensado e mesmo assim em excesso - cada uma delas representativa de um determinado estilo que cai também ele em lugares comuns que a certa altura cansam pela sua banalidade. Temos os tipos que vivem e respiram a música e o freestyle como a lei de uma qualquer Bíblia, os enredos manhosos de discotecas de terceira categoria onde todos se conhecem e ninguém se "grama", e o potencial cromo de serviço que é, afinal, um deus do referido estilo.
Assim, e de piadola barata para piadola ainda mais barata, muitas delas verbalizadas numa linguagem que não se percebe bem se é português ou algum novo dialecto que foi inventado à pressão para o efeito, Ruas Rivais banha o espectador com quase duas horas de trivialidades sem graça - qual episódio d'Os Malucos do Riso - que fazem o espectador mais atento perceber que quando se pensa que nada pode ultrapassar o nível (baixo) de 7 Pecados Rurais ou Sei Lá... o mesmo é surpreendido com esta peça desconexa, desinteressante, sem graça e que confirma que sim... há desperdício de dinheiro em Portugal que infelizmente tem quase duas horas de duração. Pouco é (infelizmente) o cinema português que encontra um caminho para o circuito internacional mas, por breves - muito breves - momentos fui levado a equacionar a tenebrosa ideia de que este conseguiria seguir um bom rumo e chegar a outras paragens para além das nossas fronteiras... tremi e temi pela ideia daquilo que se pensaria do nosso cinema depois de verem esta "pérola" e no quão complicado poderiam ficar as grandes obras que felizmente o nosso cinema consegue produzir.
Mas as alarvidades não se ficam por aqui... ao longo da trama (existe uma? Se sim só mesmo se pensarmos na quantidade de frases que foram possivelmente retiradas de um qualquer filme semi-pornográfico de segunda categoria), deparamos com uma perseguição entre dois mafiosos e os nossos protagonistas que termina numa cena de tiroteio que dura alguns minutos... durante os mesmos perguntamo-nos qual a carga daquelas armas pois os tiros não cessam de forma alguma e no final (que nunca mais chega) perguntamo-nos... "isto terá realmente valido o esforço aplicado?". Não só por todos os momentos desconexos, pelas péssimas interpretações ou pelas personagens dispensáveis... esqueçamos até a falta de um argumento digno de interesse e perguntemo-nos apenas se esta realidade americana das battles e dos confrontos (mal) transportada para uma qualquer realidade alternativa portuguesa faz realmente algum tipo de sentido ao ponto de ser minimamente coerente?! A resposta é simples... não... não faz. Menos ainda quando percebemos que existe tanto profissional pelo país fora com capacidade e originalidade que fica pelo caminho sem conseguir realizar os seus projectos por falta de (escassos) apoios.
A existir um elemento positivo neste filme ele é única e exclusivamente a respeito do guarda-roupa elaborado por Mariana Falardo, característico e exemplar do género que se pretende retratar com este filme. Tudo o resto, sem excepção possível, pertence ao reino daquilo que qualquer um de nós reza para poder, com sucesso, esquecer.
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"Cristovão: (...) aquele líquido branco que quando vamos a beber fica sempre um bocadinho nas bordas."
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Columba Domínguez

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1929 - 2014
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Academia Portuguesa de Cinema: filmes pré-seleccionados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2015

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A Academia Portuguesa de Cinema iniciou o seu processo de selecção do filme português candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
De entre os filmes encontram-se obras de Joaquim Leitão, Joaquim Pinto, João Botelho, António-Pedro Vasconcelos ou André Gil Mata, que serão visionados e votados pela primeira vez por todos os membros da Academia num resultado que será divulgado durante o mês de Setembro.
Estão assim em consideração:
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7 Pecados Rurais, de Nicolau Breyner
Até Amanhã, Camaradas, de Joaquim Leitão
Cativeiro, de André Gil Mata
E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
Eclipse em Portugal, de Edgar Alberto e Alexandre Valente
Estrada da Revolução, de Dânia Lucas
Fátima no Mundo, de Adonai Media Productions Lda.
Os Gatos Não Têm Vertigens, de António-Pedro Vasconcelos
Guerra ou Paz, de Rui Simões
A Mãe e o Mar, de Gonçalo Tocha
Os Maias - Cenas da Vida Romântica, de João Botelho
Nirvana, de Tiago P. de Carvalho
Pecado Fatal, de Luís Diogo
Ruas Rivais, de Márcio Loureiro
Sei Lá, de Joaquim Leitão
Terra de Ninguém, de Salomé Lamas
Um Fim do Mundo, de Pedro Pinho
Vida Activa, de Susana Nobre
A Vida Invisível, de Vítor Gonçalves
Yama No Anata - Para Além das Montanhas, de Aya Koretzky
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Lauren Bacall

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1924 - 2014
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Arlene Martel

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1936 - 2014
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Condor de Plata - Associação de Críticos Argentinos 2014: os vencedores

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Filme: Wakolda, de Lucía Puenzo
Primeira Obra: Por un Tiempo, de Gustavo Garzón
Documentário: Mercedes Sosa, la Voz de Latinoamérica, de Rodrigo Vila e La Chica del Sur, de José Luis García
Curta-Metragem: María, Mónica Lairana
Realizador: Lucía Puenzo, Wakolda
Actor: Guillermo Pfening, Wakolda
Actriz: Natalia Oreiro, Wakolda
Actor Secundário: Diego Peretti, La Reconstrucción
Actriz Secundária: Victoria Carreras, Puerta de Hierro, el Exilio de Perón
Revelação Masculina: Pablo Pinto, De Martes a Martes e Diego Vegezzi, María y el Araña
Revelação Feminina: Florencia Bado, Wakolda
Argumento Original: Juan Taratuto, La Reconstrucción
Argumento Adaptado: Lucía Puenzo, Wakolda
Fotografia: Nicolás Puenzo, Wakolda
Música Original: Pablo Sala, La Vida Anterior
Montagem: Juan José Campanella, Metegol
Direcção de Arte: Adriana Maestri, Puerta de Hierro, el Exílio de Perón
Guarda-Roupa: Marcela Vilariño, Puerta de Hierro, el Exílio de Perón
Som: José Luis Díaz, Metegol
Filme Ibero-Americano: Tabu, de Miguel Gomes (Portugal)
Filme Estrangeiro: Blue Jasmine, de Woody Allen (EUA)
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Robin Williams

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1951 - 2014
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Figueira Film Art - Festival de Cinema da Figueira da Foz 2014: selecção oficial

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Irá decorrer entre os dias 8 e 14 de Setembro o Figueira Film Art 2014, na Figueira da Foz. Entretanto aqui fica a programação oficial já divulgada:
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Longa-Metragem
Batafá Film Clube, de Silas Tiny
De Armas e Bagagens, de Ana Delgado Martins
Erika's Eyes, de Bruno Lázaro
O Espinho e a Rosa, de Filipe Henriques
Guerra ou Paz, de Rui Simões
Lanifícios.Doc, de Luís Silva
Nós na Rua, de Luís Margalhau
Olá António Olá, de Rui Simões
Pecado Fatal, de Luís Diogo
O Primeiro Verão, de Adriano Mendes
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Curta-Metragens de Ficção
¡Siguiente!, de Aitor Arenas
15 Bilhões de (-T)+Deus, de Cláudio Jordão
50 Pesos Argentinos, de Bernardo Cabral
Acaso Numa Tarde, de Ricardo Machado
Aconteceu no Interior, de Ricardo Machado
Amanhã, de Miguel Babo
Animales, de Iván Cortázar
Anseios que Permeiam Meus Tempos de Paz, de Eduardo Ferreira
ARCONADA, de Asier Urbieta
A Beira do Abismo, de Paulo César Fajardo
Boy, de Bruno Gascon
Calou-se. Saiu. Saltei., de Bruno Carnide
A Ceia, de Duarte Guedes
Chico Malha, de Guilherme Gomes e Miguel Reis
O Condenado, de Miguel Babo
Controle Remoto, de Nuno Barreto
Dies Irae, de João Alves Monteiro
Do Outro Lado da Rua, de Pedro Bessa
Donosti Monogatari, de Pedro Pérez Jiménez
Duelo, de Pedro Cardita
Éden, de Fábio Freitas
Ensaios Contra a Intermitência da Cegueira, de Miguel Babo
A Estrela Mais Brilhante, de André Matos e Joana Santos
Falha do Sistema, de José Miguel Moreira
Fronteira, de António Lopes
Grafiteira, de António Amaral
O Homem que Remava o Barco, de Bruno Rosa
Lágrimas de Um Palhaço, de Cláudio Sá
Leoncio, de Javier Cirujeda
Loco con Ballesta - Crossbow Killer, de Kepa Sojo
Lost Haven, de Patrício Faísca
A Luz Escureceu nos Teus Cabelos, de Bruno Carnide
M de Macho, de Ana Almeida
Mas Não se Bordam os Peixes, de Sihan Felix
O Meu Amigo de Noirmoutier, de José Augusto Carvalho
O Milagre, de Francisco Lança
Morir como un Perro, de Fernando Durán
Mudanza, de Marta Parreño
Mulher. Mar, de Filipe Pinto e Pedro Pinto
A Nau Catrineta, de Artur Correia
Otsoko, de Ander Iriarte
Poesia de Segunda Categoria, de Luís Santo Vaz
Por Aqui Nada de Novo, de Pedro Augusto Almeida
Prescrição, de Marco Miranda
Preto ou Branco!, de Alison Zago
Projecto V, de Bernardo Gomes de Almeida
Remissão Completa, de Carlos Melim
Salomé, de Sofia Bairrão
Señas de Identidad - Signs of Identity, de Xavi Guàrdia
Só, de Nuno Fragata
Sob, de Nuno Prudêncio
Survivalismo, de José Pedro Lopes
Sussurro, de Fernando Cabral
Tchikena, de Nuno Barreto
Tupper, de Angel Manzano
Uma Curta de Amor, de João Paulo Simões
Umukulu, de Nuno Barreto
Vera, de Iban Ayesta
La Verdadera Revolución, de Pablo Sola
X e Y, de João Costa
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Curta-Metragem Documentário
About Pigs, de Carlos Silva
Água para Tabatô, de Paulo Carneiro
Berlenga, A Ilha do Farol, de Paulo César Fajardo
Bons Rebeldes, de Daniel Sousa
Coimbra, O Canto, a Guitarra e a Poesia, de  Miguel Babo
Cura, de Pedro Alves
Fios do Tempo, de Joaquim Pavão
From New York with Love, de André Valentim Almeida
Juventude do Cais, de Charles Faria e Gabriel Matt
A Luz da Terra Antiga, de Luís Santos
O Mal Antigo, de Nuno Prudêncio
Mata Nacional do Bussaco - Património Vivo Natureza Mágica, de Paulo César Fajardo
Oh Johny, de Paulo Carneiro
Para Lá do Balcão, de Artur Caiano
Pianoscópio - Primeiras Notas, de Luís Margalhau
Proyecto Mágico, de Manuel Jiménez Núñez
Razão para Zebras, de João Costa
Sabores da Serra da Estrela, de Luís Silva
Sons do Rural, de Tiago Dias dos Santos
Tesoros, de Iván Cortázar
Tesouras e Navalhas, de Hernâni Duarte Maria
Viagem ao Coração da Serra da Estrela ou Festas em Honra da Nossa Senhora da Assedasse, de Paulo César Fajardo
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Videoclip
45 Minutes of Love, de Curro Rodríguez Villalba
A Lifestory, de Nacho Rodríguez
Canção de um Vagabundo, de Miguel Babo
D-Tox, de Paulo César Fajardo
Dumus Dominicus, de Adel Kháder
Give Me a Chance, de Nacho Rodríguez
How Does it Feel, de Curro Rodríguez Villalba
I Saw the Light, de Manuel Portugal
Lululemon - Flying Fortress, de Mário Costa
Me Encanta, de Oscar Romagosa
Navegar, de Carlos Silva e Pedro Almeida
Palui, de Carlos Silva e Pedro Almeida
Paths of Light, de Nelson Fernandes
Respirar, de Duarte Guedes e Nuno Simões
RipTide - in the Middle of the Nite, de Stefan Glerum e Crooned Line
Sr. Etc - do EP Cavalo de Ferro, de Superdinamite
Stereoboy & Emmy Curl, Littlesecret, de Mário Costa
Stray - Ancora, de Artur Caiano
Tango Maria, de Duarte Guedes
The Way I Am, de Curro Rodríguez Villalba
Tráiler, de Adel Kháder
Universitária Capetinha, de Lucenio Carvalho
Valsina do Proxeneta, Killer Mustang, de Franklin Pinho
Vayorken, de Artur Caiano
White Haus - Far from Everything, de Vasco Mendes
Zombies4Kids, de Pedro Santasmarinas
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domingo, 10 de agosto de 2014

Carlos Gonçalves

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1944 - 2014
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Menahem Golan

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1929 - 2014
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Pterodactyl (2005)

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Pterodactyl de Mark L. Lester é um dos muitos filmes sobre uma qualquer criatura disforme e fora do seu tempo que um qualquer canal de televisão nacional (não vou referir qual) resolveu passar numa das passadas noites de sexta-feira.
Um vulcão supostamente extinto resolve dar um ar de sua graça e despertar um segredo há muito guardado. No seu interior estão alguns ovos de pterodáctilo que, perturbados, irão dar alguns problemas à Humanidade ou pelo menos àquilo que se lhe assemelha nas suas redondezas.
Esta foi a melhor e mais polida descrição que poderia fazer sobre esta filme cujo argumento (ele existe?) foi escrito por Mark Sevi sem que pelo caminho me ocorresse dizer que que o mesmo é um conjunto de alarvidades sem sentido que "brilham" (muito limitadamente) no ecrã. Ups... já o disse!
Lester concentra-se francamente na execução de Pterodactyl como um filme mau. Desde a adaptação do referido argumento que não tem uma ponta de sentido que lhe confira alguma credibilidade, passando pelas péssimas interpretações de um conjunto de actores que ora parecem fadados para a desgraça e para a próxima mutilação e desmembramento como se estivesse a ler os lembretes que esconderam nos bolsos das calças e, tudo isto, sem esquecer que os efeitos especiais não só são maus como brindam a mediocridade e o amadorismo, no seu pior sentido, com primor.
A história ronda sempre o mesmo neste género muito característico de cinema (?) onde as personagens principais estão sempre envolvidas num conjunto de estudos geográficos e são repentinamente interrompidos não só pelo descalabro natural, e animal, que se avizinha como também por um qualquer conflito local que opõe as mafias e os militares do burgo. No meio de uma salganhada sem limites de onde ninguém parece poder escapar temos os tradicionais lugares comuns ou clichés que caracterizam cada uma das ditas personagens. Por um lado temos o par romântico que mais ou menos se confirma, a crescente contagem de vítimas entre o grupo de estudiosos que de inteligência pouco têm (aliás, muito lhe devem até e jamais a irão pagar), e os militares ou mafiosos que não só são brutos e violentos até dizer basta como fazem questão de serem mais rupestres do que um animal supostamente extinto há milhares de anos. No jogo do corre e esconde... poucos se safam e muita confusão, sem qualquer explicação razoável vai surgindo. Escusado será dizer que nesta altura já o espectador deseja a morte violenta de todas aquelas personagens absurdas e que o dito animal sobreviva e possa contar ele próprio a história. Eis a empatia que criam junto de nós.
Depois de assistir a um conjunto de filmagens que poderiam ter sido efectuadas nas traseiras da casa de qualquer um de nós para o qual apenas bastaria deixar crescer umas ervas e acartar com alguns baldes de terra para fingir que tinhamos uma qualquer montanha ali ao virar da esquina, Pterodactyl torna-se rapidamente num daqueles filmes que qualquer um de nós adora detestar pois, na prática, nada de útil ou com um mínimo sentido poderá alguma vez ser daqui retirado.
Vivam então os desmembramentos, que nem um estilo gore conseguem honrar, e os actores (ou pseudo) que são contratados para um conjunto de saltos, gritos, comentários inteligentes que não o são, clichés, textos fotocopiados de tantos outros filmes do género e um completo e (im)perfeito amadorismo que dá vida a algo que jamais deveria ter saído da gaveta... Aliás, Pterodactyl deveria ser como um vampiro... ao primeiro sinal de luz desfazia-se privando-nos assim, e muito alegremente, da sua triste e decadente existência que apenas resulta para um breve entretenimento (quanto muito) que rapidamente esquecemos como se de fast-food se tratasse e cujo propósito maior será mostrar como algo nunca deve ser feito.
Se a palavra nulidade fôr justa para caracterizar alguma vez um filme... a mesma será aqui como brindá-lo com um magnífico elogio.
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1 / 10
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Guillermo Larrea

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1966 - 2014
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The Seduction of Joe Tynan (1979)

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A Sedução de Joe Tynan de Jerry Schatzberg é uma longa-metragem norte-americana cujo argumento foi escrito pelo actor protagonista, Alan Alda.
O Senador Joe Tynan (Alda) é um político respeitado e admirado a quem é pedido que assuma a liderança da oposição a uma indicação para o Supremo Tribunal de Justiça. Com o auxílio de Karen Traynor (Meryl Streep), uma investigadora que descobre as provas do comportamento segregacionista do indicado ao Supremo, Tynan conquista um cada vez maior apoio por parte do público e de alguns outros políticos que ambicionam estar a seu lado quando a sua ascenção a um cargo mais elevado se confirmar.
No entanto a relação entre Tynan e Traynor desenvolve para além da esfera profissional comprometendo não só a sua integridade político como a sua vida familiar que aos poucos parece ser relegada para um segundo plano e dos quais se afasta aos poucos mesmo contra sua vontade.
Um filme no qual entre Meryl Streep é sempre um chamariz. Se pensarmos que este foi um dos seus primeiros desempenhos no cinema e no mesmo ano em que participou em Kramer Versus Kramer então temos uma combinação de elementos que só poderiam ser abrilhantados com um argumento que nos leva para os mais ou menos "claros" meandros da política.
Alda, não só protagonista como argumentista deste filme, leva-nos a uma abordagem diferente do meio... Aqui contam as aparências, as supostas amizades e os jogos de bastidores que o verdadeiro homem político tece para a sua (e única) ascenção a cargos mais altos. As promessas que não se cumprem e os favores que não se pagam são apenas ofuscados pela devassidão e deboche (quase premonitória) pelos quais esses mesmos corredores e bastidores se regem num conjunto de "leis" e de códigos que apenas os envolvidos conhecem e pelos quais se deixam levar num ciclo vicioso e assumidamente corrompido.
No entanto, esta combinação de elementos, perfeita para entregar ao espectador um olhar mordaz e quase cínico sobre o mundo que é suposto defender os interesses dos cidadãos mas que acaba por criar um pequeno conjunto de "grandes senhores" que apenas vêem e trabalham para os seus próprios interesses, falha. E falha não porque o que é apresentado esteja mal elaborado mas pela sua falta de exploração, e até mesmo de convicção, com que é abordado. "Tynan" é um homem ambicioso mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser cordial e bem humorado com aqueles com quem de mais perto convive. Sabe até onde pode ir, o que fazer e como lidar com aqueles com quem se cruza mas a sua própria sede de poder deixa-o a ignorar os seus... a sua família. Quando entramos dentro do seu lar percebemos que a família apenas existe em nome. Com uma falta de comunicabilidade crescente e um conjunto de problemas por se resolver, os silêncios apoderam-se das suas acções e vontades. Tudo fica por dizer sem que o espectador consiga perceber o(s) seu(s) porquê(s).
Se esta componente dramática falha, esperaríamos então que aquele olhar cínico e mordaz repleto de comédia negra conseguisse catapultar este filme para outra esfera fazendo dela uma irónica referência mas, no entanto, também esses momentos supostamente mais descomprometidos mas ainda assim não menos irónicos, acabam por preencher apenas breves instantes sem que nos seja permitido realmente entrar nos podres dos meandros em que aqueles políticos "habitam".
Com interpretações meramente medianas do seu conjunto de actores nem Alda, nem Streep nem Barbara Harris que interpreta "Ellie", a mulher de "Tynan" conseguem cativar qualquer empatia ou mesmo identificação com o público em geral, comprovando que este The Seduction of Joe Tynan mais não é do que um filme de uma era e não um que seja representativo de um sistema ou de um meio. Nem mesmo a própria sedução oferece resultados. Quando Alda parece interpretar um homem cativante e a quem todos cedem de uma ou outra forma, aquilo que temos é, no final, um retrato pouco inspirado do político de valores (um contrasenso) mas sim uma imagem pouco ofuscada de um Homem que um dia teve ideias, objectivos e convicções deixando-se levar por um caminho fácil para a sua ambição que esteve, até então, ocultada.
Se o objectivo era seduzir o espectador, este talvez tenha sido conquistado no final da década de 70 do século passado porque hoje The Seduction of Joe Tynan mais não é do que uma colagem de momentos e de situações pouco exploradas e que são, irónica e tristemente, o retrato de uma realidade que todos nós já conhecemos.
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4 / 10
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Down in the Valley (2005)

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O Vale Proibido de David Jacobson é uma longa-metragem norte-americana que nos conta a história de Harlan (Edward Norton), um cowboy moderno que conhece Tobe (Evan Rachel Wood) e por quem se apaixona. Esta empatia alastra-se também para com Lonnie (Rory Culkin), o irmão de Tobe, que vê em Harlan uma figura paterna e cúmplice.
Quando a crescente cumplicidade de ambos se torna um problema para Wade (David Morse), pai de Tobe, as frágeis ligações entre aquela família serão severamente ameaçadas e as tensões acumulam ao ponto de as suas próprias vidas serem colocadas em risco.
Depois de grandes e sólidas interpretações como as que teve em Primal Fear e American History X que lhe valeram nomeações aos Oscars ou de Fight Club e 25th Hour, qualquer projecto que contenha o nome de Norton é por si só alvo de alguma atenção, especialmente se pensarmos que desde esses idos anos poucos foram os registos em que evidenciou todo o seu carisma e potencial enquanto actor não pela falta do mesmo mas sim pela falta de projectos em que realmente o conseguisse demonstrar.
Down in the Valley apresenta-se então como aquela promessa em que esperamos ver novamente um actor como Norton a brilhar num filme que já de si apresenta um interessante argumento, também da autoria de Jacobson, sobre uma América não tão profunda mas isolada de um certo mediatismo conferido às grandes cidades e à sua "vida". Aqui o que nos é apresentado é o outro lado da América. Aquela que apesar de se localizar num grande e importante centro urbano não deixa de, no entanto, mostrar um relativo isolamento, e até afastamento, do mesmo onde as pessoas ditas normais levam as suas vidas quotidianas nos seus trabalhos, nas suas vivências e principalmente nos seus problemas. É neste contexto que vamos encontrar "Wade", "Tobe" e "Lonnie". Longe de serem uma família perfeita eles são, em última análise, tudo aquilo que têm. São as suas próprias ligações ao mundo e as únicas testemunhas de que realmente existem (existiram). Numa relação familiar nunca esclarecida para o espectador (sabemos que "Wade" é pai de "Tobe" mas não de "Lonnie", e que estes dois são irmãos) e onde a presença de uma mãe ou do que lhe aconteceu é, também ela, desconhecida, estas três almas convivem num misto de receio, imposição, aproximação e distância que confunde o espectador sobre a sua verdadeira natureza.
É neste misto de insegurança e incerta que aparece "Harlan", um homem que parece não só fora do seu tempo como principalmente do seu lugar. Um mundo do qual se queixa pela sua falta de humanidade, de delicadeza e de compaixão, valores estes que "Tobe" e "Lonnie" inicialmente nele encontram e que dão origem a esta invulgar aproximação que por diversos momentos quase se assemelha a uma afectividade maternal. Assim, e sem grandes questões, a cumplicidade torna-se crescente mas, ao mesmo tempo estranha e invulgar. Invulgar pelo câmbio e inversão de posições transformando maior a cumplicidade entre "Harlan" e "Lonnie" e levando ambos para uma cavalgada ao pôr-do-sol quase surreal mas que o espectador percebe caminhar em direcção ao fim (de ambos ou de um).
Se por um lado Down in the Valley se revela como um filme quase hipnótico e que pretende dar uma perspectiva diferente do brilho das luzes e do encanto dos sonhos que são depositados numa América das oportunidades, não é menos verdade que no processo demonstra que estes sonhos não só não são possíveis como são repudiados e de certa forma impossibilitados criando toda uma geração (ou gerações) de renegados onde as suas vivências diárias se limitam a um conjunto de banalidades que os ajudam a atravessar os dias.
Longe de ser um daqueles filmes memoráveis sobre "as possibilidades", Down in the Valley consegue ser, como anteriormente referi, algo hipnótico. Existe uma quase perfeita conjugação de momentos, de luzes, de cor e de brilho que a fantástica direcção de fotografia de Enrique Chediak consegue captar e que nos faz deixarmo-nos levar pelas entranhas deste filme sem que, no entanto, consigamos com ele criar uma perfeita união. Falha esta que é, a meu ver, por uma notória falta de química entre as personagens e pela sua variação de polos de atenção. Se por um lado a dinâmica se deve às personagens interpretadas por Wood e Norton, não é menos verdade que esta cumplicidade vai decrescendo e dando origem a um outro vértice interpretado por Norton e Culkin sem que, no entanto, estes sejam a dupla esperada no início desta narrativa.
Interessante pelo retrato desiludido de uma América onde os valores da desconfiança e da violência imperam, Down in the Valley falha pela falta de exploração que dá a esta mesma temática preferindo contemplar a tentativa de relacionamento e de inserção de um homem que, na prática, nunca se chega a cumprir.
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"Harlan: Walked up and down it looking for one open face, but most people I've meet hardly seem like human beings to me anymore."
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6 / 10
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Shortcutz Xpress Viseu - vencedor de Julho

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Salomé, de Sofia Beirão foi anunciada como a curta-metragem vencedora de Julho de 2014 do Shortcutz Xpress Viseu.
Esta curta-metragem, cuja interpretação está a cargo de Cleia Almeida e Ana Moreira, é assim a primeira grande vencedora do segundo ano do SXV e também a primeira nomeada ao prémio de Melhor Curta do Ano na cerimónia a realizar em 2015.
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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Lucy (2014)

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Lucy de Luc Besson é não só a sua mais recente longa-metragem como tem como sua protagonista a actriz Scarlett Johansson. Se estes dois elementos não fossem suficientes para que este filme se tornasse numa promessa, basta juntar-se-lhe a participação de Morgan Freeman para então qualquer um poder esperar o filme do ano.
Lucy (Johansson) ia apenas cumprir um favor forçado a um amigo quando se vê envolvida num negócio de tráfico de droga. Retida contra a sua vontade, a droga que transporta espalha-se no seu organismo fazendo-a atravessar por rápidas mutações que a transformam no único ser no mundo capaz de utilizar uma cada vez maior percentagem do seu cérebro e, como tal, controlar tudo o que a rodeia.
Capaz de uma constante mutação, Lucy pretende agora vingar-se daqueles que a mantiveram cativa ao mesmo tempo que com a ajuda do Prof. Norman (Freeman) partilha os seus conhecimentos para o bem da ciência e supostamente da Humanidade.
Com um trailer promissor e com um conjunto de profissionais como o são Besson, Johansson e Freeman, Lucy apenas poderia ser aquele filme que qualquer cinéfilo deseja ansiosamente ver. Com uma apresentação repleta de elementos que nos transportam de imediato para os três sucessos maiores de Besson, respectivamente La Femme Nikita, Léon e The Fifth Element, como não esperar apenas o melhor e um filme não só repleto de acção como um espectáculo visual capaz de nos dominar na sua hora e meia de duração.
Lucy tem, à semelhança dos referidos filmes, mais uma personagem feminina dominante. Depois de Anne Parillaud, Natalie Portman e Milla Jovovich, chegou a vez de Scarlett Johansson funcionar como a musa de Besson que evidencia uma fragilidade cativante que rapidamente se transforma na sua maior arma e, como consequência, contribui para o próprio fortalecimento do carácter da sua personagem. É devido a essa referida inocência que "Lucy" se vê envolvida num negócio muito acima das suas próprias defesas e que irá condicionar todo o seu destino.
Até aqui La Femme Nikita, Léon e The Fifth Element partilham de um fundo comum com Lucy. Mas é só mesmo até aqui. Enquanto os três primeiros filmes são uma junção perfeita de acção e história dramática, Lucy apresenta-se como um filme que nos fascina pela sua realização mas que se perde numa tentativa de explicação de factos que apenas só pode ser comparado com a própria tentativa de transformar Johansson numa estrela de acção que simplesmente não resulta. Se por um lado a premissa de um ser avançado (ou mentalmente mais desenvolvido) parece poder ser perfeito para a actriz escolhida, não é menos verdade que todo o seu desenvolvimento é atirado à parede numa esperança de que cole e se torne num qualquer objecto de culto... mas sem "sumo".
A certa altura o espectador deseja, a todo o custo, que este filme dê uma volta e que seja cativante, afinal todas as premissas estão lá, mas na prática é sentido que por muito que se tente a sua elevação ao tal estatuto de culto, Lucy nunca cumpre. A constante necessidade em mostrar a mutação de "Lucy" e as capacidades e poderes que esta desenvolve no controlo de tudo o que a rodeia fazem de uma quase perfeita Johansson um mero andróide, sem reacção, emoções ou empatia apenas comparável com a necessidade demonstrado por esta na possibilidade em controlar o seu presente e voltar ao passado conhecendo assim as suas (nossas) origens.
"A Vida foi-nos dada há biliões de anos... O que fizemos com ela?"... A resposta a esta questão colocada logo no início de Lucy pode estranhamente ser a pergunta de resposta simples feita para todo este filme: nada. Lucy não convence primeiro pela apatia crescente com que Johansson é filmada deixando esta magnífica actriz num estado quase mecânico quando todo o fundamento da sua personagem poderia ser o descobrir o passado e a forma como este influenciou o presente (e de certa forma o futuro), criando assim uma potencial nova via para a Humanidade. Logo a pergunta que eu me coloco é simples... como pode uma pessoa supostamente tão preocupada com os destinos da referida Humanidade tornar-se em algo muito semelhante a um autómato?! Desprovida de emoções e de sensações... de dor até... qual o fundamento de descobrir algo que se diz condenado quando a própria se condena a um fim tão... "indiferente"?! "I feel everything" diz a nossa "Lucy" a dado momento... pois todos os seus actos demonstram o contrário evidenciando definitivamente a sua apatia.
Pelo meio temos Morgan Freeman. Escusado será de referir o potencial que encontro (todos nós encontramos) nos dotes artísticos deste senhor que nos presenteia com personagens quer dramáticas quer cómicas que enchem as medidas a qualquer cinéfilo. Até nas suas interpretações mais breves ou ditas secundárias podemos encontraá-lo em todo o seu esplendor. Aqui Freeman, enquanto o professor que estuda as capacidades da mente humana, encontra-se numa posição quase de "que estarei eu a fazer aqui?". A incredulidade que lhe vemos estampada no rosto é, de início ao fim, notória sendo o segmento final a coroação de tal pensamento. Freeman que está brilhante em todos os seus registos, encontra-se em Lucy como um mero apêndice. Alguém encontrado para tornar um argumento frágil em algo credível... Afinal, não nos recordamos dele como Deus?!
É é com Deus, ou pelo menos uma tentativa frustrada de o trazer a este filme, que Lucy termina. Sem revelar nada de extraordinário do final deste filme, "Lucy" termina com uma óbvia referência quase bíblica quando responde que está "por todo o lado" ao tornar-se num ser humano (?) evoluído ao ponto da sua presença física ser perfeitamente dispensável.
Quase prepotente, arrisco dizer, Lucy consegue ser o filme mais frágil de Besson de quem não conseguimos esquecer aqueles que foram os seus grandes sucessos não só junto da crítica como do público. Aqui, e com as devidas positivas referências a uma perspicaz direcção de fotografia de Thierry Arbogast que por momentos nos consegue remeter para um ambiente futurista (sem o ser) e a clara qualidade dos efeitos visuais e coreografias nos momentos de luta, Lucy é um daqueles filmes que nos passa ao lado. Sem ser de esquecer não é memorável, não suporta nada de novo nem sequer se preocupa em bem justificar os seus argumentos sobre a Humanidade (ou falta dela) e aquele que poderia ser o próximo passo da evolução humana.
No final, Lucy pretendeu ser a união entre dois pesos pesados de Hollywood com um visionário e inovador criador francês que, no entanto, ficou perdido pelas pretensões do que poderia ter sido mas do qual teve medo de ver concretizado. Não é mau... não conseguiu ser bom... limitou-se a ser assim assim...
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"Professor Norman: We humans are more concerned with having than with being."
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5 / 10
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Marilyn Burns

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1950 - 2014
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