sábado, 12 de setembro de 2015

Purgatorio (2014)

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Purgatório de Pau Teixidor é uma longa-metragem espanhola presente na secção Serviço de Quarto da nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer até amanhã no Cinema São Jorge.
Marta (Oona Chaplin) e Luís (Andrés Gertrúdix) mudam-se para um apartamento num prédio praticamente vazio. Logo na primeira noite no apartamento fica sózinha e tudo aparente estar calmo até que Ana (Ana Fernández), uma vizinha, lhe pede para ficar com o filho Daniel (Sergi Méndez).
Ao longo da noite Daniel parece denotar um comportamento cada vez mais estranho e irracional, insistindo até que está outra criança dentro daquela casa. Estará ele a dizer a verdade ou será Marta que já não distingue a realidade?
Luis Moreno escreve um argumento onde a tensão e a dúvida vivem alegremente de mãos dadas. Desde os instantes iniciais em que "Marta" chega à garagem do seu novo prédio que percebemos existir algo que a acompanha e que se faz anunciar mais ou menos claramente para o seu próprio espanto e eventual descrédito.
É, no entanto, quando chega ao seu novo lar que o espectador começa a perceber a tragédia de um passado recente, e a lacuna que a mesma criou entre o casal que parece ter encontrado nesta mudança uma esperança de poder sobreviver aos acontecimentos que tudo tinham para os separar. E se inicialmente achamos que a tensão existente entre o casal pode derivar de um qualquer caso extra-matrimonial, cedo também percebemos que algo mais se passa entre os mesmos.
Mas, ainda que esta dinâmica se torne importante para a história de fundo de Purgatorio, não é menos verdade que aquela estabelecida entre "Marta" e o jovem "Daniel" se assume como a indispensável para que tudo ganhe uma nova perspectiva e realidade - ainda que dentro do género fantástico. O jovem parece retirado de um qualquer local fantasmagórico e o próprio parece circular por aquela casa como se ninguém conseguisse dar por si e pelos seus movimentos. Se num momento pensamos que ele pode mais não ser do que uma partida da mente de "Marta", não é menos real que é quando ele denota um comportamento mais humano numa total oscilação do que havia revelado até então, que o espectador percebe que se calhar algo mais existe entre ambos que os condiciona nas suas próprias manifestações.
Longe de receio daquilo que o "outro" pode ser, Purgatorio lança o inuendo e a suspeita sobre aquilo que realmente se encontra ao nosso lado sem que nenhum de nós consiga perspectivar ou até mesmo observar. Se todos nós somos energia... para onde irá ela depois do nosso corpo físico morrer? Ao entrar então neste campo do desconhecido, o espectador observa as limitações e fragilidades de "Marta" como aquelas manifestadas por alguém que tem no seu íntimo a perfeita noção do que é a perda. Quando a perda se une a um desejo intenso, conseguirá "Marta" expiar as suas emoções ou, por sua vez, dar-lhes a perfeita desculpa para se manifestarem de outra forma?
Com uma música original de Aaron Rux que recria uma atmosfera fantasmagórica num prédio já de si deserto, Purgatorio confere a Oona Chaplin o seu primeiro grande desempenho enquanto protagonista e recria com algum cuidado o bom e "velho" género da casa assombrada manifestando ainda alguns elementos místicos e/ou simbólicos como as almas presas em espelhos que todos observamos sem conseguir ver, objectos que prendem os espírito ao espaço terreno tornando toda uma história densa e assombrosa mas que se revela como a manifestação de um amor próximo e intenso que nem a morte consegue separar.
Purgatorio consegue fazer de um pequeno apartamento num grande prédio um espaço onde as presenças são mais do que aquelas que inicialmente vemos e fazer ainda do poder da sugestão um dos seus maiores trunfos... afinal, o que mete mais medo será aquilo que vemos ou o que suspeitamos "estar lá" sem que seja observado?
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7 / 10
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Welp (2014)

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Welp de Jonas Govaerts é uma longa-metragem belga exibida na secção Serviço de Quarto da nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer até ao próximo dia 13 no Cinema São Jorge e que leva o espectador a uma interessante incursão no cinema de terror feito por crianças.
Sam (Maurice Luijten) é um solitário rapaz de 12 anos que parte para um acampamento de escuteiros. Depois de algumas histórias sobre um rapaz perdido meio homem meio lobo de seu nome Kai, Sam encontra na floresta uma casa na árvore e um rapaz com uma estranha máscara.
Será Kai apenas um fruto da imaginação perturbada de Sam ou existirá realmente algo mais que os olhares mais desatentos não conseguem ver naquela floresta?
Um dos filmes que mais antecipava do MOTELx e cujo argumento de Govaerts e Roel Mondelaers reunia um conjunto de elementos que qualquer fã do género considera interessantes de imediato, confirma, no final, as expectativas que nele depositava ao revelar-se como um filme bem sucedido especialmente se considerarmos que estamos perante um género que pode ser prolífero no cinema norte-americano mas atípico para o cinema europeu.
Se este filme começa com um momento violento e que fazem o espectador adivinhar aquilo que o espera, não é menos verdade que Welp é, desde o primeiro momento, um filme cuja história está repleta de uma violência que impera de uma ou outra forma. Quer seja no grupo em que "Sam" se "insere" e que não parece muito receptivo à sua presença ou até mesmo daqueles que são considerados como os mais frágeis no grupo por não alinharem em todo o tipo de actividades que são propostas, ou até mesmo nos ocasionais arruaceiros "filhos-da-terra" que parecem não faltar nas localidades mais pequenas e remotas e que de certa forma lançam o "tom" de todos os acontecimentos por vir. Estarão todas as irmandades sujeitas a uma violência vs. aceitação? Estaremos perante um meio - pouco natural - onde a única forma de interacção e formação de grupo se desenvolve para lá de uma violência física que determina se "estás" ou não apto para o mesmo?
É neste ambiente restrito pouco dado ao humanismo ou tão pouco à camaradagem que tem no "Sam" de Maurice Luijten o rosto e a história perfeitos para nos centrarmos nele e nos seus movimentos... De aspecto frágil num grupo que se assume como rude, com um passado pouco claro no que diz respeito às suas origens e que o colocam até certo ponto como um marginal que ninguém aceita ele é o veículo perfeito para tudo aquilo que iremos presencial e confirmar como o "aluno" perfeito de algo que está por chegar. Incapaz de formar grandes amizade, "Sam" encontra em "Kai" - outro marginal e selvagem - o amigo que não conseguiu ter em espaços ou ambientes mais saudáveis e socialmente aceites para o seu normal desenvolvimento. "Kai" é assim alguém capaz de o entender e partilhar dessa marginalidade em relação à sociedade que lançam o mote àquilo que os poderá unir mas que acaba, também ela (relação), por se estabelecer com a prática de um acto violento e que irá desencadear todos os demais acontecimentos.
Welp torna-se assim num filme sobre a interacção social e as relações - ou falta delas - humanas, nas quais vence quem mais e melhor se adapta ao meio em que vive - independentemente da violência que lhe está inerente - e onde todos acabam por ser o fruto desse meio corrompido pela violência que cria e gera num ciclo interminável. Como elemento secundário - ou não - temos então a presença de um assassino psicopata - anónimo - que o espectador apenas pode associar ao espaço em que se insere - uma aldeia abandonada - onde residiam antigos trabalhadores da indústria que ali se fixava e que por uma ou outra circunstância da mudança e evolução dos tempos deixou de existir. Alguém que ficou para trás, esquecido... perdido. Alguém que encontrou uma nova forma de viver - a caça. Se anteriormente essa caça era feita para subsistir, agora é praticada como um desporto que elimina todos os elementos indesejados do meio, que é como quem diz, todos aqueles que ousam entrar naquela floresta.
"Kai" era uma cria do sistema (do assassino)... mas o que acontece quando outra potencial - "Sam" - chega ao meio? Podem as duas crias subsistir no mesmo espaço ou existe apenas lugar para uma? Numa perpetuação da sobrevivência dos mais aptos, "Kai" e "Sam" têm de lutar por um lugar que necessita ser preenchido e que nenhum tem como garantido e que transformam esta história e este filme num conto não tão moderno sobre a violência - sob as suas mais diversas formas - e sobre aqueles que a ela se adaptam... ou morrem.
Com o ambiente a ser aperfeiçoado com a música original de Steve Moore e a direcção de fotografia de Nicolas Karakatsanis que transformam aquela floresta num labirinto em potência, Welp recupera o género do filme de escuteiros perdidos na floresta de forma gloriosa e sem pudor de transformar alguns dos pequenos "humanistas" nos rostos não tão inocentes de uma violência que se assume e revela lentamente.
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7 / 10
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Heir (2015)

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Heir de Richard Powell é uma curta-metragem canadiana de ficção presente na secção de Curtas Internacionais do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer actualmente no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Quando Gordon (Robert Nolan) na companhia do filho Paul (Mateo D'Avino) se encontra com Denis (Bill Oberst Jr.), um estranho com quem partilha um segredo, a relação entre pai e filho envereda por um caminho de decadência de consequências imprevisíveis.
Com um argumento da autoria do próprio Richard Powell, Heir é uma invulgar história de terror onde este, apesar de revestido com uma capa de estranhas criaturas que povoam os lugares mais obscuros das próprias sombras, assume contornos bem mais reais e grotescos do que aquilo que o espectador inicialmente ousa acreditar. A revelação deste horror é inicialmente revelada por "Gordon" que troca uns não tão misteriosos e-mail's com alguém que desconhecemos, num momento que o próprio espectador relativiza como pouco importante para a restante narrativa.
A relação entre os dois homens tendo "Paul" como um invulgar protagonista desperta, essa sim, a atenção do espectador que observa a tensa interacção entre os dois homens que se conheceram e, questionando não só o encontro como o correio electrónico e as fotografias que foram "trocadas" logo no início, antevê uma amizade imprópria, proibida e eventualmente mortal sem que, no entanto, consigamos realmente perceber quem será a vítima.
Entre "Gordon" e "Denis" é perceptível um estranho mal estar e nervosismo que se tornam difíceis de compreender. Difíceis até se perceber a dinâmica da relação entre os dois homens que parecem conversar como que de uma dependência ou de uma droga se tratasse, e a visita - não à pesca como se assume - mas para casa de "Denis" cedo se transforma e revela naquilo que eventualmente alguns consigam decifrar através dos pequenos e nem sempre evidentes detalhes. Os dois homens mais não são do que dois perigosos predadores que esperam na sombra pela próxima vítima inocente e cujo corpo definha quando não obtêm a sua droga... crianças inocentes. Os seus corpos transformam-se e revelam-se enquanto seres horrendos - numa brilhante e inteligente metáfora que inicialmente apresenta indivíduos normais mas que cedo os revela como aquilo que eles de facto são - prestes a capturar a próxima vítima para voltarem a encarnar a máscara que os esconde dos olhares do mundo. Os seus covis são lugares imundos e impuros, cujo fedor é reconhecido por aqueles que ali não pertencendo reconhecem imediatamente sendo, no entanto, o único local onde conseguem perpetrar os seus violentos e hediondos crimes longe dos olhares alheios. As suas transformações são imediatas e precisam estar escondidos do mundo para poderem continuar a existir mas, no entanto, aos poucos revelam-se pelos seus comportamentos pouco naturais e uma sede voraz que não conseguem controlar. Para eles tudo vale... não têm limites além daquele que precisam alimentar para esconder o monstro que a sua pele oculta.
Com uma música original muito bem construída e adaptada ao universo que pretende retratar - um bravo ao compositor Christopher Guglick - Heir deixa apenas uma dúvida no ar... irá "Gordon" proteger o seu herdeiro ou entregá-lo às garras de um monstro que o deseja?!
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7 / 10
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Insónia (2015)

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Insónia de Bernardo Lima é uma curta-metragem de ficção portuguesa e uma das dez nomeadas ao Prémio MOV MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror desta nona edição do MOTELx a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Quando um homem solitário (Nuno Pardal) vagueia as noites tentando ignorar o vazio da sua vida, encontra todo o tipo de situações que o fazem desesperar silenciosamente. Num desses giros encontra uma mulher (Mafalda Lencastre) que, espancada por outro homem (Diogo Lima), recolhe a sua simpatia e a protege. No entanto, é quando ele decide intervir que toda a sua vida é arrastada para uma existência de violência e dor.
Num argumento também da autoria do realizador Bernardo Lima, o espectador entra numa silenciosa viagem pelo desespero de um homem - Nuno Pardal - perdido em pensamentos ocultos mas que vão todos evidenciar o seu pesado legado e existência de solidão e eventual inadaptação. Se por um lado percebemos que este homem aparentemente desgastado não tem qualquer tipo de ligação ou relação com outras pessoas - afinal todo a sua existência parece condenada a vaguear pela noite em locais mais ou menos duvidosos -, não é menos verdade que também denota alguma inadaptação visto que a única pessoa com quem aparenta tentar estabelecer uma relação é uma prostituta que encontra na rua e pela qual parece desenvolver alguma empatia quando a observa a ser espancada por outro homem.
É nesta dinâmica de apenas procurar aqueles que se encontram em situações mais desfavoráveis que a sua - resultado de uma noite mal dormida ou de, como o título indica, nem sequer conseguir dormir - este homem transforma-se num errante sem destino, sem propósitos ou sem vida cuja alma está condenada a uma aparente e eterna viagem pelo silêncio apenas granjeado pela noite e pela indiferença que aqueles que também a povoam lhe conseguem conferir.
Se a sua vida poderá estar marcada pela violência do esquecimento, não é menos verdade que o próprio cai na teia da violência física quando a sua inadaptação em lidar com os outros o torna na sua vítima mais directa. De solitário por opção (?) a vítima da socialização, este homem perde-se num meio caminho de onde não conseguirá sair sem ser violentamente afectado.
Nuno Pardal - que felizmente começa a aparecer cada vez com mais frequência nas mais diversas produções cinematográficas - confere à sua personagem uma alma - perdida - na solidão da vida, da noite e de objectivos encontrando apenas numa outra alma perdida - Mafalda Lencastre - a possibilidade de estabelecer uma união - que não será concretizada - que, no entanto, será a sua ruína.
Interessante pela abordagem que estabelece uma íntima relação entre a solidão e o terror - pouco explorada mas uma tão grande verdade - Bernardo Lima consegue colocar a fasquia desse mesmo terror num "algo" vazio e invisível que corrói a mente e a esperança do Homem de forma eficaz e sistemática sem que o mesmo se aperceba. É, no entanto, também graças ao desespero da procura do "outro" que este terror se faz notar confirmando assim que a solidão estabelece um limbo, ou até mesmo um purgatório, de onde a eventual "saída" se torna impossível como uma "insónia" que insiste em desgastar pelo desespero.
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7 / 10
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Howl (2015)

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Howl de Paul Hyett é uma longa-metragem britânica presente na secção Serviço de Quarto da nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer no Cinema São Jorge até ao próximo Domingo.
Joe (Ed Speleers) é um jovem revisor que se vê encurralado numa profissão da qual não prevê nenhum futuro auspicioso. Depois de mais uma promoção falhada, Ed segue para mais uma viagem no último comboio da noite onde apenas um pequeno grupo de passageiros segue.
É durante esta viagem que o comboio onde segue sofre um misterioso acidente... no mesmo local onde cinquenta anos antes outro comboio havia tido um acidente semelhante. Quando o maquinista sai da carruagem para não mais voltar e todos escutam uivos vindos da floresta circundante, Joe e os passageiros percebem que afinal não estão sózinhos.
Na boa e velha tradição de filmes sobre licantropos, Mark Huckerby e Nick Ostler escrevem um tradicional argumento centrando a atenção da história no já "conhecido" local isolado onde um comboio é impedido de continuar viagem parando no seio de uma densa e misteriosa floresta onde nem o habitual nevoeiro é esquecido. Após a apresentação - breve - daquelas que serão as principais personagens desta história, Howl desenha-se de acordo com os já habituais estereótipos de o grupo de estranhos - alguns até odiosos - que em tempo de crise e necessidade se unem para sobreviver a uma ameaça iminente.
Com as oscilações entre suspense e comédia de situação graças a algumas personagens como, por exemplo, o "Paul" de Calvin Dean ou "Matthew" de Amit Shah, Howl mantém-se fiel aos seus princípios tentando eliminar as personagens pela ordem de menor importância reservando, no entanto, algumas surpresas que conseguem destabilizar a crença de que todos se salvam no final... Principalmente aqueles com quem mais simpatizamos. Ou pelo menos não sobrevivem como alguns esperam. Howl corre ainda os habituais riscos de um filme do género nomeadamente o poder cair em lugares comuns - existe sempre alguém que vai tentar descobrir a origem de um misterioso ruído - mas nem mesmo isso consegue tirar crédito a uma história que consegue cumprir com o essencial... assusta quando necessário, faz-nos rir com algumas personagens que são assumidamente cómicas e cuja função é tornar mais ligeira uma história que se adensa e claro, presenteia o espectador com o melhor que existe a nível de caracterização dos licantropos - vulgo lobisomens - dos últimos largos anos. E tudo isto sem esquecer de deixar o espectador em delírio com algumas mortes mais espalhafatosas e a eterna questão... terá terminado por aqui?!
Tendo presente a noção de claustro - e claustrofobia - graças à limitação de espaço que se sente durante perto de hora e meia, Howl consegue manter-se fiel às origens sem deixar de conferir a esta história alguma modernidade... os presentes telemóveis que não funcionam deixando no ar a sensação de que quanto mais tecnológico está o mundo mais perto está, ao mesmo tempo, de se tornar incomunicável sem esquecer a presença de uma frustração tão típica deste século XXI em que esse mesmo mundo nos coloca ao esperar que em jovem idade todo um desconhecido futuro seja já uma realidade ou certeza delineada.
A sobrevivência - ainda que esperada ao ataque licantropo - não o é só dentro daquele comboio onde a impotência de um mundo que foge das mãos marca presença. A impotência sente-se também na inércia em escolher uma nova condição, em ceder os padrões masculinizados de uma sociedade castradora, à incapacidade de deixar descendência ou até mesmo de criar laços e união com pessoas num planeta globalizado mas cada vez mais distante... tudo tão próximo... tudo tão longe. Assim, estes lobisomens surgem como a última "defesa" de um planeta que se purga agindo em matilha e protegendo não só a sua "identidade" como principalmente o seu espaço inalterado e do qual subsistem.
Esquecendo toda a filosofia que lhe podemos facilmente encontrar, Howl lança simplesmente uma última e fatal questão... quando todo um dia parece ter corrido mal não deixando qualquer tipo de expectativas para o futuro - pais sem filhos, entrevista que correu mal, falta de trabalho depois de horas a palmilhar os caminhos da cidade... nada mais poderá correr mal... ou será que pode?! Inteligente na sua abordagem na mescla perfeita entre suspense e comédia, Howl pode não ser o filme do ano mas será certamente um que cumpre os seus fins primeiros... ser o mais bem sucedido "revival" do género - que não esquece o gore - sendo assim uma aposta seguro para os fãs do mesmo.
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7 / 10
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O Tesouro (2015)

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O Tesouro de Paulo Araújo é uma curta-metragem de ficção portuguesa e uma das dez nomeadas ao Prémio MOV MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror presente nesta nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa até ao próximo dia 13 de Setembro.
Três irmãos fidalgos - Rui (Ricardo Ferreira de Almeida), Rostabal (Tiago Pires) e Guanes (Pedro Pinto de Carvalho) - encontram-se numa demanda por um cofre cheio de ouro. Quando a miséria faz definhar o mais nobre dos sentimentos, está no seio dos três irmãos a eterna questão de como se irá dividir todo o espólio encontrado... nem que para isso se tenha de impôr a morte.
Paulo Araújo e Ricardo Ferreira de Almeida assinam o argumento desta curta-metragem tendo como base o conto de Eça de Queirós e com o qual o espectador pode estabelecer uma imediata comparação com o Portugal dos nossos dias - estando no entanto este filme curto a retratar uma portugalidade na sua génese - na medida em que (como foi dito numa brilhante apresentação de Manuel João Vieira antes da curta ser exibida) "estamos perante as acções de um grupo de homens num país perdido". Perdido não no espaço mas na sua concepção de uma ordem, de uma ideia de progresso e de um plano orientador para a concretização do seu futuro onde sobrevivem aqueles que encontram um esquema para se apoderar dos recursos que poderiam ser de todos e não de apenas um privilegiado.
Na essência o que aqui é apresentado por O Tesouro mais não é do que um ensaio sobre a essência humana. Três homens - que são irmãos - procuram um tesouro perdido (ou escondido) como forma de poderem com ele saciar todas as suas carências elevando-se um pouco mais para além da miserabilidade em que definham lentamente. No entanto, é quando este tesouro é encontrado que finalmente se revelam as suas verdadeiras naturezas iniciando de imediato uma tentativa de repartir de forma (des)igual o espólio e, por impossibilidade de o transportar dois deles conspiram contra o terceiro relembrando-se de como este sempre fora regido pela avareza e pela mesquinhez esquecendo-se de partilhar quando sempre tivera muito.
Aos poucos, e de forma muito pouco subtil, os dois irmãos planeiam a morte de "Guanes" que se deslocara à cidade para trazer transporte e alimento podendo agora sobreviver de forma mais nobre. No entanto, o próprio "Guanes" revela os seus próprios planos sobre como acha que o mal-fadado tesouro deveria ser repartido e as acções dos três homens rapidamente revelam a junção de vários pecados capitais reunindo a ganância, a ira, a gula e a cobiça que rapidamente entram numa espiral de corrupção - pessoal e moral - dando lugar ao sangue e à morte.
Quando a ganância é a mãe de todas as desavenças e a morte a sua solução - será? - O Tesouro retrata o fim de todas as irmandades, onde o Homem não reconhece o sangue - o seu - nem tão pouco a Humanidade ou benevolência que a riqueza lhe poderia conferir. Num espaço que se revela tão selvagem e inóspito como as acções dos irmãos de Medronhos, O Tesouro prima pelo seu lado característico de época nomeadamente o guarda-roupa de Isabel Feliciano e a caracterização na qual partilha os créditos com o realizador Paulo Araújo, não deixando de ter na sua essência a degradação e degeneração do Homem (da Humanidade) e pelas interpretações dos referidos irmãos que revelam o pior lado do Homem corrompido pela (sua) sede de poder.
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7 / 10
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Ermida (2015)

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Ermida de Vasco Esteves é uma curta-metragem de ficção portuguesa e uma das dez nomeadas ao Prémio MOV MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror que teve ontem a sua exibição juntamente com a longa-metragem Burying the Ex, de Joe Dante nesta que é a nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa até ao próximo Domingo dia 13 de Setembro.
Numa ermida abandonado no topo de uma colina, Sofia (Rita Silva) prepara-se para se entregar a Miguel (Vicente Wallenstein) aquele que será possivelmente o seu primeiro namorado. Mas, no interior daquela ermida algo escondido e tenebroso está preparado para se revelar.
Nada com maior tradição no cinema de terror do que a junção de um local abandonado ainda com vestígios de um passado distante tornando dessa forma impossível o recurso a um qualquer auxílio que tarde ou nunca chegará e o eterno grupo de adolescentes que se refugia no mesmo para disfrutar do seu primeiro encontro sexual - para alguns proibido. Ermida segue a tradição ao juntar esses elementos criando assim uma interessante e tensa atmosfera mas, ao mesmo tempo, recorre a um terror que espreita mais nas sombras psicológicas do que propriamente nos recantos ocultos de um qualquer espaço. Assim temos aqui um terror que se assume como sendo mais íntimo do que exterior, residindo exclusivamente na complexidade da mente humana.
O argumento de Guilherme Daniel explora assim o despertar de uma sexualidade reprimida e as inseguranças que lhe estão associadas e a sua estreita ligação para com a perda da inocência que aqui se manifesta com um homicídio... inicialmente do "outro" que faz perder a inocência e de seguida do "eu" que nunca mais voltará a ser o mesmo face às circunstâncias.
Interessante mais pelo seu argumento e premissa - bem como pela escolha do local - Ermida treme um pouco pelas suas interpretações cujas personagens deixam muito por explorar... Afinal, seria a primeira vez que "Miguel" ia para aquele local... Estará "Sofia" assim tão inocente e inexperiente? São principalmente estas as questões que ficam por responder quanto ao íntimo das personagens e não tanto a consequência que se adivinha como um "acidente" no percurso de ambos e do qual jamais irão regressar tal como antes eram.
Não partindo logo de imediato como uma das curtas-metragens na linha da frente, Vasco Esteves consegue com Ermida criar uma interessante ambiência que prima por recorrer aos mais frágeis segmentos de uma mente instável e que poderia, tanto para o interesse da história como do espectador, um desenvolvimento futuro.
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6 / 10
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Burying the Ex (2014)

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Como Enterrar a Ex de Joe Dante foi o filme que esta tarde passou na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge onde até ao próximo dia 13 decorre a nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.
Max (Anton Yelchin) e Evelyn (Ashley Greene) vivem uma relação de um sonho aparente. Enquanto Max vive preso a um negócio que parece não o levar a algum lado, Evelyn tenta trazê-lo para uma realidade - a sua - mostrando-se uma perfeita e adorável (apenas para ele) ditadora.
Quando Max decide terminar a relação com Evelyn, esta sofre um brutal acidente que a mata deixando-o por um lado "aliviado" e por outro com uma enorme sensação de perda. Mas, o que aconteceria se tivesse uma segunda oportunidade com esta relação?
Inspirado na curta-metragem homónima cujo argumento é, tal como aqui, da autoria de Alan Trezza, Burying the Ex é o regresso de Joe Dante à realização de uma longa-metragem depois de The Hole (2009). Se por um lado esta é uma simpática comédia de "terror" pós-adolescente que tanta conquistar os sorrisos dos espectadores por alguma boa disposição que confere às suas personagens mais ou menos características, não é menos verdade que Dante está longe - muito longe - da sua época dourada onde entregou aos seus fãs aqueles que são hoje considerados filmes de culto como Piranha (1978), Gremlins (1984), The Explorers (1985), Innerspace (1987) ou Gremlins 2: The New Batch (1990). Mais concentrado em se tornar no próximo "filme-pipoca" que atrai multidões às salas de cinema graças aos seus jovens actores protagonistas que como Yelchin, Green ou Alexandra Daddario fazem as delícias de um público também ele juvenil, Burying the Ex restringe-se a algumas piadas de circunstância onde (in)felizmente os mortos-vivos também não abundam - nem precisavam - e a colocar a temática do oculto (ou pelo menos uma sombra do mesmo) em cena tal como acontecera em Gremlins... Sorte temos que as semelhanças se mantém por aí e que ninguém arriscou comparações mais sérias com as anteriormente referidas obras.
Dito isto, se retirarmos algum humor de circunstância onde dois dos protagonistas parecem estabelecer uma química instantânea - Yelchin e Daddario - e que ambos são acérrimos fãs de algumas obras cinematográficas de culto ou até mesmo o humor mais grotesco encarnado pelo "Travis" de Oliver Cooper, o que resta de Burying the Ex? Pouco... muito pouco. Não existe nenhuma ligação credível entre espectador e personagens... pelo menos não uma que perdure como aquele que foi conseguida em Gremlins ou em Innerspace, e tão pouco parecem querer que o espectador perceba que o estão a fazer com muito gosto limitando-se (e a nós) a seguir um guião mais ou menos explorado em dezenas de obras do género - tendo Life After Beth, de Jeff Baena exibido na edição anterior do MOTELx como directo "concorrente" - e deixando de lado elementos mais interessantes como, por exemplo, as origens daquele misteriosa estatueta demoníaca - mas pouco - que essa talvez tivesse algo mais interessante por contar.
Ligeira, como qualquer comédia teen de Verão que não obriga o espectador a pensar muito sobre o enredo e/ou motivações das personagens, Burying the Ex é em iguais proporções olvidável não conseguindo destacar-se por qualquer momento com a excepção - provavelmente - do vómito mais asqueroso desde aquele de The Exorcist.
Anton Yelchin vive num misto de namorado dominado por uma activista ecológica e enojado com a visível degradação da mesma enquanto esta, interpretada por Ashley Greene - go green... será alguma piada "oculta"? - oscila entre dominadora... e muito dominadora deixando apenas um pequeno - muito pequeno - espaço para Alexandra Daddario brilhar um pouco - com muita pena minha confesso - e conseguir entregar a Oliver Cooper alguns dos momentos mais carismáticos de um filme que facilmente irá cair nos locais mais escondidos da memória humana - talvez para Dante seja até um aspecto positivo.
Simpático sem conseguir ganhar grande número de fãs, ignorando até os mais distraídos que quem assina este filme é um realizador que já detém tantas obras de culto, Burying the Ex tinha um certo potencial para se tornar num filme bem construído se explorasse mais as suas personagens - possivelmente aquilo que ficou por fazer - conferindo-lhes mais espírito e menos "seguir o livro" conseguindo, apesar de tudo, de ser um breve marco de entretenimento... ligeiro... muito ligeiro.
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6 / 10
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Goddess of Love (2015)

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Goddess of Love de Jon Knautz é a mais recente longa-metragem do realizador de Jack Brooks: Monster Slayer (2007) e The Shrine (2010) presentes nas edições de 2009 e 2010 do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, e que agora regressa ao São Jorge com uma história de amor e obsessão numa espiral descendente à loucura.
Venus (Alexis Kendra) é uma artista plástica e stripper. Aparentemente solitária, Venus deixa-se levar pelos conselhos de Chanel (Monda Scott) uma outra stripper que a aconselha a encantar algum cliente para assim conseguir mais dinheiro.
Quando Brian (Woody Naismith) chega ao clube nocturno, Venus sente por ele uma atracção imediata que ultrapassa a simples relação prestador de serviços vs. cliente. Mas, o que acontece quando os fantasmas do passado de Brian são suplantados por aqueles guardados por Venus?
Alexis Kendra une-se a Jon Knautz como produtora e argumentista de Goddess of Love numa história que se centra não necessariamente no potencial amor entre "Venus" e "Brian" mas sim na espiral rumo à loucura que a stripper interpretada por Kendra denota desde os primeiros instantes desta história. São sinais desta loucura - uns perceptíveis para o espectador outros apenas compreensíveis quando todos os mistérios são finalmente resolvidos - elementos como a música estridente que escuta do apartamento vizinho, conversas que escuta na loja que frequenta mas que percebemos ninguém estar a tê-las e, a mais evidente, os pequenos momentos em que a sua concentração se apaga dando lugar a pequenos espasmos de violência que não teriam outra explicação lógica.
Mas, Goddess of Love vai mais longe na sua abordagem à loucura não ignorando todos os demais intervenientes que lidam com "Venus" mas sim entregando um olhar honesto - e preocupante - sobre aqueles que convivem no limite entre a sanidade e a sua falta oscilando entre um e outro não conseguindo decifrar lucidamente qual é qual e quando se manifesta. No fundo, a perspectiva aqui retratada não é a do "outro" mas sim na primeira pessoa, onde o espectador acompanha "Venus" na sua vida, nas suas tarefas nem sempre relevantes para a história, mas que nos mostra uma mulher banal igual a tantas outras que parece ter encontrado o amor da sua vida e que, num ápice, este foge-lhe entre os dedos preferindo a companhia e os prazeres carnais de outra.
Na prática o espectador nunca sabe quem foi "Venus". Sabemos que até certa altura da sua vida foi bailarina clássica mas que por motivos desconhecidos abandonou a profissão dedicando-se agora a uma dança mais "exótica" e a outra expressão de arte. Sabemos também que ela é uma mulher diferente. Distante das colegas de profissão e com um apartamento muito peculiar onde tudo está ordenado milimetricamente tendo cada coisa o seu lugar específico. No seio dos seus pertences uma imagem que se destaca por diversas vezes tendo inclusive uma pseudo materialização... A imagem de um homem com cabeça de burro que segundo a interpretação de sonhos é a união de um lado agressivo (o homem) com a falta de percepção e discernimento (a cabeça de burro). No fundo, um perfeito paralelismo entre o mundo dos símbolos que ali tentam estabelecer uma relação com ao estado psiquiátrico de "Venus", uma mulher claramente perdida entre aquilo que é real... e o que não é.
Se o "Brian" de Woody Naismith é, à partida, a personagem central no sentido de ser a motivadora de todas as (de)pressões de uma mente perturbada é, no entanto, a "Venus" de Alexis Kendra que domina todo este filme. É ela a "Deusa do Amor" - Vénus de Milo - que tal como a deusa do Olimpo massacrou todos aqueles que se lhe opuseram nos seus mais variados caprichos e desejos. É ela que perturbada e perturbadora entrega ao espectador toda uma perspectiva da sua (auto-)vitimização às mãos daqueles que parecem concentrados e concertados em fazer com que ela não atinja os seus objectivos - neste caso os sentimentais - mais imediatos podendo satisfazer a tal carência que revela. Kendra tão depressa se revela como frágil e desprotegida como rapidamente se transforma num qualquer ser perturbado e cujo olhar denota uma profunda e sentida loucura prestes a ser exteriorizada contra quem com ela se depara.
Assim, e através de um olhar na primeira pessoa, o espectador acompanha não aqueles que são as vítimas de uma mente perturbada - pelo contrário estes são transformados em seres indiferentes e até por vezes responsáveis pela sua desgraça - mas sim a própria mente em espiral de decadência rumo à loucura e todos os seus actos inicialmente de vítima desprotegida e que rapidamente se transforma na verdadeira fonte de todos os problemas entregando desta forma uma duplicidade de perspectivas ao espectador que apenas percebe a real dimensão dos actos destas personagens já bem perto de um final que nem sempre é esperado tal como acontece.
Jon Knautz regressa assim em muito boa forma ao MOTELx depois de em 2010 ter participado com o conto de terror The Shrine entregando, ao mesmo tempo, uma memorável interpretação a Alexis Kendra que se assemelha não no conteúdo mas sim na forma ao melhor de Mia Farrow em Rosemary's Baby, de Polanski onde o espectador se mantém na incerteza sobre a realidade e a demência de uma mente que se perdeu no espaço.
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"I Will Love You Forever"
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8 / 10
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Turbo Kid (2015)

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Turbo Kid de François Simard, Anouk Whisell e Yoann-Karl Whissell é uma longa-metragem em co-produção canadiana-neo-zelandesa presente na secção Serviço de Quarto da nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer no Cinema São Jorge até ao próximo dia 13 de Setembro.
1997. Um futuro apocalíptico. A água escasseia. The Kid (Munro Chambers) vasculha os escombros da antiga sociedade à procura de pequenos objectos para ter no pequeno espaço que conhece como lar. Fã de comics, The Kid depara-se numa das suas incursões com Apple (Laurence Leboeuf) uma animada e muito positiva sobrevivente que é seguidamente raptada por Zeus (Michael Ironside), o poderoso senhor do crime que The Kid irá tentar destruir.
Numa viagem pós-apocalíptica que junta os melhores elementos de Mad Max e até de uma inteligentíssima curta-metragem exibida no último ano no MOTELx de seu nome Nightsatan and the Loops of Doom, Turbo Kid exala por todos os seus poros o melhor do género acção, comédia, apocalipse, romance e ainda uma pesada presença de ficção científica electrónica que cativam o espectador de forma inesperada.
Um dos elementos mais interessantes deste filme prende-se logo com o momento do "futuro apocalíptico" não nesse desconhecido futuro mais ou menos distante mas sim numa data que até nos é - presentemente - já passada - 1997 - e não deixando de com ela piscar mais ou menos discretamente o olho a outro grande franchising como o é o de Terminator com Arnold Schwarzenegger, com o qual a personagem "Zeus" de Michael Ironside parece ter bebido inspiração - é preciso ver para perceber - ou até mesmo a ideia de que os ciborg já caminham "entre nós". É nesse futuro já passado de 1997 que o mundo entrou numa decadência abismal onde a própria água é agora uma raridade - Turbo Kid não se esquece deste grande problema ecológico pelo qual já vários Estados atravessam - e onde a ditadura de um que comanda a anarquia alheia dominaram toda a civilização ou ideal que a mesma deixou.
Mas não é tanto deste apocalipse que Turbo Kid se trata, afinal dele só sabemos que originou toda a ruína como então a conhecemos, mas sim da improvável amizade gerada entre o Homem e a Máquina numa simbiose perfeita de compreensão e humanização que a muitos dos ditos Homens já não chega. Levanta-se então a questão, o que será da sociedade - da comunidade antes dito - quando a máquina consegue ser mais humana e protectora do que o próprio Homem... É graças a "Apple", numa excêntrica e cómica interpretação de Laurence Lebeouf, que o espectador se revê com maior entusiasmo... Ou seja, nem mesmo no meio de um perigo iminente ou a sua destruição é quase certa, deixa de ter aquela positividade e disposição para encontrar o melhor no e do pior.
Mas Turbo Kid é um pouco mais. Retrata o caos dessa sociedade que se assemelha aos piores momentos retratados na obra de culto Mad Max sendo que, no entanto, enquanto nesse as motos eram de morte, em Turbo Kid de morte só mesmo as bicicletas que orgulhosamente todos conduzem como se nada mais no mundo conseguisse ser conduzido. E quando pensamos que não podem existir perseguições a alta velocidade... eis que Turbo Kid nos surpreende.
No entanto, e para lá de todas as pequenas grandes mensagens escondidas e homenagens que o trio de realizadores presta às obras de culto que obviamente os inspiraram, não é menos verdade que Turbo Kid reune ainda interessantes elementos que o tornam único nomeadamente a tal positividade já referida bem como a extensa componente gore que rapidamente exibe para deleite de todos os fãs do género fantástico e terror tendo inclusive nas interpretações interessantes registos de personagens bem construídas como a já referida (vivacidade) "Apple" de Laurence Lebeouf, o "Zeus" de Michael Ironside que prima também por viver no seu próprio Olimpo - literalmente falando - em mais um vilão muito característico para juntar à sua já extensa galeria de "maus da fita", e ainda o jovem Munro Chambers como "Turbo Kid", um jovem que tinha tudo para poder falhar no mundo agreste como sempre o conhecera mas que graças a essas mesmas fragilidades se tornou no mais improvável herói da Humanidade e que, muito certamente, irá voltar aos ecrãs nos próximos anos... afinal, tem todo o potencial para tal.
Interessante ainda pela dinâmica repleta de intencionais defeitos que o colocam como um daqueles filmes série B que povoaram o imaginário de muitos cinéfilos nos idos anos 70, Turbo Kid assume-se como uma longa-metragem vencedora ainda no que diz respeito ao seu original e excêntrico guarda-roupa da autoria de Eric Poirier, a óbvia caracterização sem a qual um filme deste género jamais sairia bem sucedido e uma sentida vontade de transformar muitos dos objectos - K7's de música e VHS por exemplo - do agora nosso passado como aqueles de um futuro que não se chegou a cumprir.
Impossível não referir a personagem não física mas francamente presente de Turbo Kid que é a sua música original criada pelas mãos de Jean-Philippe Bernier, Jean-Nicolas Leupi e Le Matos e que dão uma certa vida e cor a esta obra transformando-a num sentido exemplo de cinema simples cujo conteúdo é entreter o espectador mas que, ao mesmo tempo, consegue conquistar aquele espaço enquanto filme de culto (a ser).
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8 / 10
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Delfina Cruz

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1946 - 2015
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Caradecaballo (2015)

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Caradecaballo de Marc Martínez Jordan é uma curta-metragem de ficção espanhola que de forma engenhosa e muito bem estruturada nos apresenta Caradecaballo (Marc Martínez Jordan) que festeja o seu sexto aniversário. Mas, no entanto, para seis anos de idade deduz(-se) que sofre de gigantismo usando, ao mesmo tempo, uma máscara cabeça de cavalo que esconde a sua verdadeira identidade. Na sua companhia apenas a Avó (Josefa Centeno) que espera - tal como ele - pelos pais que tardam em chegar.
O argumento, também da autoria de Marc Martínez Jordan que se assume como uma intensa força motora desta curta-metragem, insere o espectador naquilo que parece tornar-se numa assustadora história muito ao estilo de um conto sobre uma família "diferente" e que, como tal, o emerge no imaginário de um qualquer filme de terror no qual está sempre à espera de um choque pelo bizarro mas que à medida que decorre a explanação dos factos surpreende pela faceta francamente trágica de "Caradecaballo".
Em voz-off (Aimar Vega) assistimos a um discurso de uma mente que está claramente perturbada. Com uma voz francamente forte que lhe atribui uma idade superior àquela que celebra, "Caradecaballo" está incapaz de um discurso fluente e lúcido cuja justificação chega quando realmente é identificado todo o ambiente - e situação - em que ele e a sua "Avó" vivem.
Com uma oscilação no estilo de terror que inicialmente se apresenta como de um ambiente tenso e proto-macabro onde as personagens - disformes - parecem aprisionadas a um espaço que as consome e que se prepara para revelar um novo psicopata, Caradecaballo transforma-se com a revelação dos factos sobre essas mesmas personagens, numa curta-metragem onde esse terror assume proporções não só mais densas como reais e traumáticas pela possibilidade de ser  ou se tornar numa eventualidade na vida de qualquer um.
Não revelando qualquer facto, o terror de Caradecaballo está não na potencial transformação macabra de uma personagem mas sim nos eventos traumáticos pela qual esta atravessa e que a transformam num pária que não se reconhece, não sabe quem é e cujo único refúgio encontrado se centra na encarnação de uma identidade desconhecida que conforta e confere uma segurança até então inexistente. Para lá de um terror imaginado onde o medo assume uma forma fantasmagórica, aqui o medo é - foi - algo real e transformador de uma realidade conhecida e presente que, no entanto, se mantém distante de uma mente que continua perturbada pela confirmação de um evento.
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9 / 10
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Arcana (2015)

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Arcana de Jerónimo Ribeiro Rocha é uma curta-metragem portuguesa de ficção e a que serve de introdução à nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que se prolonga até ao próximo dia 13 de Setembro no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Presa numa masmorra, uma mulher prepara a sua fuga... e chega o momento em que alguém possibilita a concretização do seu plano.
Para lá do bem construído argumento também ele da autoria do realizador, Arcana destaca-se pela junção de todo um conjunto de elementos que o tornam num muito bem estruturado filme curto de terror e um exemplo de destaque no que a cinema português diz respeito. Vários são os pequenos detalhes que nos transportam para o imaginário de bruxaria nomeadamente evidente possessão demoníaca da "Dama" (Iris Cayatte numa inspirada e demoníaca interpretação) e o círculo de sal que a aprisiona, os símbolos enigmáticos que são como que uma sua linguagem e todos os rituais proferidos que fazem adivinhar o que de macabro conjura.
É, no entanto, quando este referido círculo de sal é desfeito que o verdadeiro poder desta "Dama" se revela em toda a sua plenitude... Quem ela invoca jamais conheceremos. Sabemos no entanto que existe algo ou alguém seu "superior" pois é quando se dá a sua libertação parcial que evoca os cânticos que lhe permitem lutar pela sua total libertação... Revela-se como algo entre dois mundos... de aspecto humano mas com uma parte física que a destaca de algo terreno. Terá sido aprisionada pelos seus actos ou pelo seu aspecto? Seria ela perigosa antes do seu cativeiro?
Se por um lado todo o seu aspecto causa repulsa, independentemente da época em que se encontre que nunca nos é dada a conhecer para lá da vaga ideia que as suas vestes transmitem, não é menos verdade que todo o seu processo de fuga tem um fim que, não sendo observado se faz notar através de outros sentidos como a audição, se faz também ele anunciar como algo não tão macabro como o demais processo fazia adivinhar. No fundo, utilizando uma expressão bem actual... os fins para esta "Dama" justificaram os meios... pouco ortodoxos e que pelo caminho espalharam o pânico entre aqueles com quem ela se cruzou.
Mas é a nível técnico que Arcana se destaca não conseguindo encontrar par na sua excelência no que diz respeito à perfeita caracterização de João Rapaz que tem uma clara inspiração em The Exorcist provocando os mesmos níveis de repulsa que o clássico dos anos 70 provocou, destacando-se ainda pela qualidade do seu guarda-roupa de Isabel Carmona, direcção artística de Luís Monteiro e a direcção de fotografia de João Lança Morais que leva o espectador ao lado mais negro não só do espaço como da mente humana.
Independentemente do que surja a nível de programação durante esta edição do MOTELx, o espectador pode desde já ter a certeza de que assistiu a um dos seus mais representativos filmes de terror e a uma personagem que será, com toda a convicção, uma das imagens símbolo do mesmo. Como nota pessoal... para quando a longa-metragem?!
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8 / 10
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European Film Awards 2015: as longas-metragens pré-seleccionadas

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje quais as longas-metragens pré-seleccionadas aos European Film Awards a atribuir no próximo dia 12 de Dezembro em Berlim, na Alemanha, e um dia depois de anunciado o candidato português aos Óscares, a trilogia de Miguel Gomes é agora pré-seleccionada na íntegra para os prémios Europeus.
A lista completa dos seleccionados inclui algumas das obras mais emblemáticas do cinema europeu do último ano, muitas das quais premiadas ou seleccionadas para os mais emblemáticos festivais de cinema do mundo. E são elas:
  • 45 Years, de Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Aferim!, de Radu Jude (Roménia/Bulgária/República Checa)
  • Anime Nere, de Francesco Munzi (Itália/França)
  • Babai, de Visar Morina (Alemanha/Kosovo/Macedónia/França)
  • Belye Nochi Pochtalona Alekseya Tryapitsyna, de Andrei Konchalovsky (Rússia)
  • Cialo, de Malgorzata Szumowska (Polónia)
  • Dora Oder die Sexuellen Neurosen Unserer Eltern, de Stina Werenfels (Suíça/Alemanha)
  • The Duke of Burgundy, de Peter Strickland (Reino Unido/Hungria)
  • Efterskalv, de Magnus von Horn (Polónia/Suécia/França)
  • Eisenstein in Guanajuato, de Peter Greenaway (Holanda/Bélgica/México/Finlândia)
  • Elser, de Oliver Hirschbiegel (Alemanha)
  • En Duva Satt På en Gren och Funderade På Tillvaron, de Roy Andersson (Suécia/França/Alemanha/Noruega)
  • Every Thing Will Be Fine, de Wim Wenders (Alemanha/Canadá/França/Suécia/Noruega)
  • Ex Machina, de Alex Garland (Reino Unido)
  • Fusi, de Dagur Kári (Islândia/Dinamarca)
  • Hayored Lema'Ala, de Elad Keidan (Israel/França)
  • He Ovat Paenneet, de Jukka-Pekka Valkeapää (Finlândia/Holanda)
  • Hrutar, de Grímur Hákonarson (Islândia/Dinamarca)
  • Ich Seh Ich Seh, de Veronika Franz e Severin Fiala (Áustria)
  • Im Labyrinth des Schweigens, de Giulio Ricciarelli (Alemanha)
  • La Isla Mínima, de Alberto Rodríguez (Espanha)
  • Klass Korrezkii, de Ivan Tverdovsky (Rússia/Alemanha)
  • Kobry a Uzovky, de Jan Prusinovsky (República Checa)
  • Koza, de Ivan Ostrochovsky (Eslováquia/República Checa)
  • The Lobster, de Yorgos Lanthimos (Grécia/Reino Unido/Irlanda/França/Holanda)
  • La Loi du Marché, de Stéphane Brizé (França)
  • Louder Than Bombs, de Joachim Trier (Noruega/Dinamarca/França)
  • Mænd & Høns, de Anders Thomas Jesen (Dinamarca/Alemanha)
  • Magical Girl, de Carlos Vermut (Espanha)
  • Mia Madre, de Nanni Moretti (Itália/França)
  • As Mil e Uma Noites - Volume 1: O Inquieto, Volume 2: O Desolado e Volume 3: O Encantado, de Miguel Gomes (Portugal/Suíça/França/Alemanha)
  • Miss Julie, de Liv Ullmann (Noruega/Reino Unido/Irlanda/França)
  • Mita Tova, de Tal Granit e Sharon Maymon (Israel/Alemanha)
  • Mustang, de Deniz Gamze Ergüven (França/Alemanha/Turquia)
  • Nicije Dete, de Vuk Rsumovic (Sérvia/Croácia)
  • L'Ombre des Femmes, de Philippe Garrel (França/Suíça)
  • Paddington, de Paul King (Reino Unido)
  • Peace to Us in Our Dreams, de Sharunas Bartas (Lituânia/França/Rússia)
  • Pod Elektricheskimi Oblakami, de Aleksey German Jr. (Rússia/Ucrânia/Polónia)
  • Il Racconto dei Racconti, de Matteo Garrone (Itália/Reino Unido/França)
  • Sangailes Vasara, de Alanté Kavaïté (Lituânia/França/Holanda)
  • Schneiders vs. Bax, de Alex van Warmerdam (Holanda/Bélgica)
  • Simindis Kundzuli, de George Ovashvili (Geórgia/Alemanha(Cazaquistão/República Checa/França/Hungria)
  • Tetarti 04:45, de Alexis Alexiou (Grécia/Israel/Alemanha)
  • Le Tout Nouveau Testament, de Jaco van Dormael (Bélgica/França/Luxemburgo)
  • The Treasure, de Corneliu Porumboiu (Roménia/França)
  • Tri Dritare dhe një Varje, de Isa Qosja (Kosovo/Alemanha)
  • Trois Souveniers de ma Jeunesse, de Arnaud Desplechin (França)
  • Urok, de Petar Valchanov e Kristina Grozeva (Bulgária/Grécia)
  • Victoria, de Sebastian Schipper (Alemanha)
  • Youth - La Giovinezza, de Paolo Sorrentino (Itália/França/Reino Unido/Suíça)
  • Zvizdan, de Dalibor Matanic (Croácia/Eslovénia/Sérvia)
Os nomeados serão conhecidos a 7 de Novembro próximo, durante o Festival de Cinema Europeu de Sevilha, em Espanha.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Miguel Gomes representa Portugal nos Óscares

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O Júri da Academia Portuguesa de Cinema constituído por Paulo Trancoso (produtor), Lauro António (realizador), André Szankowski (director de fotografia), Pedro Melo (director de som) e Miguel Monteiro (actor), escolheu o filme As Mil e Uma Noites - Volume 2: O Desolado, de Miguel Gomes para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro à 88ª edição dos Óscares da Academia Americana de Cinema.
O filme de Miguel Gomes é o segundo volume de uma trilogia composta ainda por Volume 1: O Inquieto e Volume 3: O Encantado que tem por base o conto persa As Mil e Uma Noites onde Xerazade entretém o Rei com histórias místicas e de aventura de forma a atrasar a sua morte. Em As Mil e Uma Noites, Miguel Gomes retrata histórias de um país - Portugal - socialmente desesperado onde predomina o descontentamento.
As Mil e Uma Noites - Volume 2: O Desolado estreia comercialmente em Portugal a 24 de Setembro próximo depois de ter a sua estreia mundial em Cannes onde venceu a Palm Dog e conta com a interpretação de Joana de Verona, Gonçalo Waddington, Teresa Madruga, Crista Alfaiate, Luísa Cruz, Margarida Carpinteiro, Pedro Inês, João Pedro Bénard, Adriano Luz, Carla Maciel, Xico Xapas e Isabel Muñoz Cardoso.
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domingo, 6 de setembro de 2015

Paulo Rebelo

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1969 - 2015
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sábado, 5 de setembro de 2015

Setsuko Hara

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1920 - 2015
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Osvaldo Canhita

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1963 - 2015
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Grande Prémio do Cinema Brasileiro 2015: os vencedores

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Longa-Metragem de Ficção: O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Debora Ivanov e Gabriel Lacerda por Gullane e Rodrigo Castellar e Pablo Torrecillas por TC Filmes
Longa-Metragem de Comédia: Os Homens são de Marte... É pra lá que eu Vou, de Marcus Baldini Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha e Karen Castanho por Biônica Filmes
Longa-Metragem Documentário: Brincante, de Walter Carvalho. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane e Debora Ivanov por Gullane
Longa-Metragem de Animação: O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Produção: Fernanda Carvalho e TitaTessler por Filme de Papel
Longa-Metragem Infantil: O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Produção: Fernanda Carvalho e TitaTessler por Filme de Papel
Longa-Metragem Estrangeira: Relatos Salvajes, de Damián Szifrón (Argentina)
Curta-Metragem de Ficção: O Caminhão do meu Pai, de Maurício Osaki
Curta-Metragem Documentário: Efeito Casimiro, de Clarice Saliby
Curta-Metragem de Animação: A Pequena Vendedora de Fósforo, de Kyoko Yamashita
Realizador: Fernando Coimbra, O Lobo Atrás da Porta
Actor: Babu Santana, Tim Maia (fase 2) e Tony Ramos, Getúlio
Actriz: Leandra Leal, O Lobo Atrás de Porta
Actor Secundário: Jesuíta Barbosa, Praia do Futuro
Actriz Secundária: Thalita Carauta, O Lobo Atrás da Porta
Argumento Original: Fernando Coimbra, O Lobo Atrás da Porta
Argumento Adaptado: Jorge Furtado e Pedro Furtado, Boa Sorte
Montagem Ficção: Karen Akerman, O Lobo Atrás da Porta
Montagem Documentário: Pedro Bronz, A Farra do Circo
Fotografia: Lula Carvalho, O Lobo Atrás da Porta
Banda Sonora Original: André Abujamra, Trinta
Banda Sonora: Berna Ceppas e Mauro Lima, Tim Maia
Direcção Artística: Tiago Marques, Getúlio
Guarda-Roupa: Kika Lopes, Trinta
Caracterização: Martín Macias Trujillo, Getúlio
Efeitos Visuais: Adam Rowland, Trash
Som: George Saldanha, François Wolf, Armando Torres Jr., Tim Maia
Prémio do Público: Hoje Eu Quero Voltar Sózinho, de Daniel Ribeiro
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terça-feira, 1 de setembro de 2015

European Film Awards - Prémio do Público 2015

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os seleccionados ao Prémio do Público 2015 cujo vencedor será anunciado na cerimónia a realizar em Berlim, na Alemanha no dia 12 de Dezembro próximo.
O Prémio do Público que pode ser votado aqui até ao próximo dia 31 de Outubro, já premiou filmes como Volver, de Pedro Almodóvar, La Vita è Bela, de Roberto Benigni, Amélie, de Jean-Pierre Jeunet, Slumdog Millionaire, de Danny Boyle ou o vencedor do ano passado Ida, de Pawel Pawlikowski.
E os nomeados deste ano são:
  • Fehér Isten, de Kornél Mundruczó (Hungria/Suécia/Alemanha)
  • The Imitation Game, de Morten Tyldum (Reino Unido/EUA)
  • La Isla Mínima, de Alberto Rodríguez (Espanha)
  • Leviafan, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
  • A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence, de Roy Andersson (Suécia/Alemanha/França/Noruega)
  • Qu'est ce qu'on a fait au Bon Dieu?, de Philippe de Chauveron (França)
  • Samba, de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)
  • Le Sel de la Terre, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado (França/Brasil/Itália)
  • Turist, de Ruben Östlund (Suécia/Noruega/França/Dinamarca)
  • Victoria, de Sebastian Schipper (Alemanha)
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Bande de Filles (2014)

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Bando de Raparigas de Céline Sciamma é uma longa-metragem francesa nomeada ao Prémio LUX do Parlamento Europeu e a quatro César na última edição dos prémios da Academia Francesa de Cinema cujo personagem principal é Marieme (Karidja Touré), uma jovem francesa que no seio de uma família opressora em que a lei do seu irmão mais velho impera não só dentro de casa como nos gangs de rua que o temem e que se une assim a três outras raparigas do bairro que lhe incutem não só uma necessidade de respeito próprio e no meio que tem de ser conquistado nem que seja pela força.
Perdida num mundo que parece não ser o seu, conseguirá Marieme, também conhecida por Vic, alcançar o tão ambicionado respeito e a liberdade que lhe permitirão decidir sobre a sua vida e o seu futuro?
Ao contrário do típico filme sobre um gang de um qualquer subúrbio, Bande de Filles apresenta-nos uma história que antevemos com muitas semelhanças a todos aqueles a que já assistimos mas aqui com uma pespectiva feminina e onde a sobrevivência não é necessariamente aquela que se tem de manter nas ruas - esta chega como uma consequência da inserção no gang propriamente dito - mas sim uma sobrevivência que se desespera alcançar logo dentro de casa onde o primeiro sentimento de insegurança chega.
"Marieme" é uma jovem que se tenta aplicar ao máximo nas suas tarefas e obrigações enquanto filha mais velha e estudante mas, ao mesmo tempo, existe todo um sentimento de que por muito que faça ou se esforce nunca será suficiente estando invariavelmente condenada a uma vida como todas as mulheres da sua família ou grupo de amigos, ou seja, atingir a maioridade, começar a trabalhar nas limpezas de um qualquer edifício de escritórios, casar e ter filhos perpetuando assim o longo ciclo de desesperança que a assola.
Nos instante iniciais deste filme a realizadora e argumentista Céline Sciamma brinda-nos com o que esperar deste meio... "Marieme" surge ao espectador como uma determinada jogadora de rugby, interventiva e com as suas amigas que - eventualmente como ela - esperam pelo seu momento de sorte. No entanto, se de início temos um entusiasmo típico de jovens adolescentes como toda uma vida pela frente, não é menos verdade que rapidamente ao entrarem no seu bloco de prédios que os seus sorrisos e conversas são abafados por uma dominante presença masculina para quem as mulheres do bairro apenas devem existir para os servir enquanto homens e sobre as quais exercem a sua excessiva força física.
Num mundo em que é o elemento mais fraco de toda uma cadeia de acontecimentos que a impedem de evoluir ou se destacar, "Marieme" encontra o conforto em "Lady" (Assa Sylla), a destemida líder de um gang de raparigas que vê nos seus olhos a vontade de vencer. Se inicialmente esta inserção e sentimento de pertença a fazem sentir como alguém, cedo percebe que provavelmente não será este o local - também ele repleto de violência e confrontação - onde irá conseguir fazer valer os seus sonhos e afirmar-se como a mulher que pretende ser. Entre fugas, incertezas e um amor que a poderia voltar a colocar como subserviente de outro homem - "Ismael" (Idrissa Diabaté) - "Marieme" tem apenas uma sólida opção... seguir em frente... fugir de um ambiente onde apenas pode prevalecer a violência e que invariavelmente a irão colocar sempre num limbo entre aquilo que tem e aquilo que espera poder ter - sem que este último seja possível de concretizar.
É com todas estas premissas e ideias que Bande de Filles avança como um - mais um - retrato sobre os emigrantes e seus filhos que povoam as grandes metrópoles francesas no seio de todo um conjunto de sonhos com portas fechadas e que esperam e desejam um dia poder ter o seu momento de sorte. Com ídolos internacionais que se aproximam do seu próprio mundo, estas jovens desejam apenas sobreviver num núcleo que as condena a um papel tido como "tradicional" junto da sua comunidade, não as aceitando como membros de uma sociedade do século XXI mas que as próprias sabem - e sentem - que as suas vidas valem mais do que aquilo a que estão "condenadas".
Sem nunca se tornar condescendente com as suas personagens, Bande de Filles mergulha no charco da indiferença mas termina com uma esperança de que sabe poder ser algo mais quando se liberta dos rótulos a que fora condenada, e Karidja Touré tem uma interpretação de mestre ao conseguir não só transmitir as inseguranças de uma jovem adolescente como também o forte instinto de sobrevivência de uma jovem mulher em início de vida.
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7 / 10
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Relación Abierta (2014)

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Relación Abierta de Carlos Ocho é uma curta-metragem espanhola de ficção que apresenta ao espectador Oscar (Eudald Font) - mais emotivo e algo irracional - e Sergio (Christian Escudero), mais racional e com quem mantém uma relação há cinco anos. Relação esta que está prestes a mudar graças a uma inesperada sugestão de Oscar.
O realizador e argumentista Carlos Ocho apresenta assim ao espectador uma história séria contada em tons ligeiros sobre a dinâmica - ou falta dela - de um casal que tendo uma relação que aparenta ser estável e bem organizado pode, num simples instante, estar ameaçada por aquilo que aparenta ser a monotonia sentida por um deles. Mas, e se a ideia de monotonia não fôr mais do que uma ideia sentida de uma moda vivida por outros? O que acontece quando o desejo ou a sugestão não partem da sua cabeça mas sim da sugestão ou inuendo lançando por uma suposta mais "correcta" ideia de relação (aberta) moderna?
Num registo tranquilo e até assumidamente bem humorado, o espectador presencia dois comportamentos e mentalidades bem distintas; se um "Oscar" parece preparado para colocar em causa aquilo que fora construído a dois, já "Sergio" parece determinado em demonstrar que concorda com esta decisão deixando ao primeiro a dúvida sobre se afinal a relação está tão "forte" como pensava estar. No meio de incertas e sugestões que parecem não ser mal recebidas, estará afinal "Oscar" tão certo do seu papel nesta relação forte?
Com duas interessantes interpretações de Escudero e Font, Relación Abierta consegue fazer - de forma humorada e leve - com que se questionem as relações ditas modernas onde independentemente de se manterem elos e dinâmicas cúmplices e bem estabelecidas alguns estão sempre dispostos a questionar se a "galinha da vizinha é melhor do que a minha?" podendo com isso colocar todo um futuro em risco.
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8 / 10
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Alba (2014)

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Alba de Lucas Castán é uma curta-metragem espanhola de ficção que teoria sobre a dificuldade em atingir o limite e contrariar a ordem natural da vida quando um indivíduo olha para o seu lado mais negro.
Pablo (Ramón Esquinas) sequestrou Mateo (José Manuel Seda) e levou-o para uma cave de um prédio em construção. No momento da verdade será Pablo capaz de terminar a sua missão?
Também autor do argumento, o realizador Lucas Castán constrói uma história que podemos dividir em dois momentos sendo apenas um deles presente para o espectador. Inicialmente desconhecemos quais os motivos ou propósitos deste rapto considerando apenas que estamos perante uma qualquer privação de liberdade que um raptor exerceu sobre um homem inocente. No entanto, é a ainda presente humanidade deste raptor que leva o espectador a considerar se não existe algo mais traumático por detrás das suas acções não o considerando apenas "mais um" acto criminoso perpetrado sobre um inocente. Desastrado e sem convicção, os motivos que estão na origem deste acontecimento começam lentamente a revelar-se dando assim forma ao segundo - temporalmente primeiro - segmento desta história.
"Alba" - a criança que nunca vemos - fora atropelada e a sua vida terminada. "Mateo" foi o responsável não condenado deste atropelamento. "Pablo" era - é - o pai martirizado e desesperado e a única forma de haver justiça é aquela que pode ser consumada pelas suas próprias mãos.
Numa instintiva reflexão sobre o desespero e a prática de actos cruéis, Alba confere ao espectador um olhar sobre um homem à beira do limite que sabe e sente não ter mais nada a perder e que a continuidade da sua própria existência terminou quando lhe retiraram o seu ser mais precioso. Esta poderia ser a imediata conclusão para esta história se, no entanto, não se encontrasse no seu seio aquele que é o verdadeiro ponto de reflexão, ou seja, a capacidade do Homem perante um acto de perda absoluta transformar-se naquilo que mais repudia ou, por sua vez, se consegue manter a tal humanidade que em momentos ditos normais tentando lentamente recuperar de um momento transformador da sua vida.
Entre o desespero e uma esperança que não irá chegar... o momento final é saber se o Homem deixa de ser racional e se dá lugar ao animal selvagem que a sociedade em tempos prendeu e domesticou nesta intensa e assumidamente negra história que deixa no meio da barbárie uma incerteza não confirmada.
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8 / 10
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Farcume - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Faro 2015: os vencedores

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Ficção
1º: Willa, de Isabelle Bertolone, Helena Hufnagel, Tina Kringer e Benedikt Weber (Alemanha)
2º: With Thy Spirit, de Karim Rahbani (Líbano)
3º: Braxploitation, de Edem Ortegal (Brasil)
Menção Honrosa: Alekto, de Thomas Kaufmann (Suíça), Bestas, de Rui Neto e Joana Nicolau (Portugal), Mahi va Man, de Babak Habibifar (Irão) e Wut, de Sérgio Maltas (Alemanha)
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Documentário
1º: Alegria: A Humanitarian Expedition, de Christoph Van Toggenburg (Suíça)
2º: Waiting for the Train, de Panay Simon (França)
3º: O Anjo das Mil Pedras, de Keivan Majidi (Curdistão)
Menção Honrosa: Pucara, Hacedores de Ceramica, de Carlos García Cornejo (Perú) e Poop on Poverty, de Vijay Jodha (África do Sul)
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Animação
1º: Butterfly Hunter, de Min-Yu Chen (Taiwan)
2º: Castilho y el Armado, de Pedro Harres (Brasil)
3º: Song Bird's Shop, de Anatoliy Lavrenishyn (Ucrânia)
Menção Honrosa: Cuerdas, de Pedro Solis García (Espanha) e Deja-Moo, de Stefan Muller (Alemanha)
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Videoclip
1º: Fotos de lo que Fuimos, de Francisco J. Morales (Espanha)
2º: Melancholic Park, de Kai Waker (Rússia)
3º: João Lum - Atmosfera, de Sonat Duyar (Portugal)
Menção Honrosa: Tribruto - O Amanhã de Ontem, de Rafael Correia (Portugal)
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Prémio do Público: Casitas, de Javier Marco (Espanha)
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Prémio "Curtíssima": The Toboggan, de Richard B. Pierre (Canadá)
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Sari Rosa (2013)

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Sari Rosa de Maria José Anrubia é um documentário em formato de curta-metragem espanhol que informa o espectador sobre a condição da mulher na Índia. Num Estado dividido em castas - a primeira reservada aos intelectuais e sacerdotes, a segunda à classe política e militar, a terceira aos comerciantes e artesãos e a quarta e última aos servos e aos intocáveis -, a mulher encontra-se num estado considerado inferior pois ao nascer é imediatamente considerada um encargo para a família do qual esta só se livrará no dia em que casar.
Desta forma Sari Rosa apresenta-nos toda uma dinâmica de Estado em que a mulher mais não é do que um objecto de pouca utilidade - na perspectiva da sociedade - cujo único propósito é casar e poder assim validar a sua posição enquanto dona de casa sendo a condição de solteira uma provocação para a comunidade e principalmente para a família e todos os sinais de classificação social estão única e exclusivamente reservados à mulher desde o anel no dedo mindinho, a argola nos tornezelos ou até mesmo o ponto vermelho na testa.
É então que é apresentada também ao espectador a associação do Sari Rosa (gulabi - a cor), fundada por Sampat Pal, uma cor não associada à religião - como as demais - e que identifica aquelas mulheres que se tornam emancipadas do papel que a sociedade e a comunidade lhes reserva. O Gulabi Gang - como fora chamado - tenta assim proteger todas as mulheres vítimas de maus tratos e abusos físicos ou psicológicos reivindicando os seus direitos enquanto parte integrante de uma sociedade que as ignora ou não defende.
Ao espectador chega então a perspectiva de um Estado cuja economia é das consideradas emergentes neste século XXI mas que, ao mesmo tempo, tem ainda um longo passo a dar no que diz respeito à protecção dos Direitos Humanos de uma parte significativa da sua população, ou seja, as mulheres que são na sua maioria considerados como uma categoria inferior desprovida de direitos e cuja única função "possível" encontrada no Estado é a subserviência e a servidão.
Com fundamentos humanos e uma perspectiva interessante sobre o sub-continente indiano, Sari Rosa é um documentário que o espectador interessado nesta temática facilmente gostaria de ver mais e melhor desenvolvido.
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8 / 10
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