quinta-feira, 3 de julho de 2014

The Little Mermaid (2011)

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The Little Mermaid de Nicholas Humphries é uma curta-metragem de ficção canadiana que leva o espectador até um misterioso pântano.
Numa tenda de circo perdida num qualquer pântano, Grigori (Trevor Gemma) exibe para os inúmeros espectadores a sua mais recente presa: uma Sereia (Jovanna Huguet).
Desejosa de uma liberdade que Grigori jamais lhe entregará, afinal ela é uma forma fácil de ganhar dinheiro, esta Sereia tem apenas uma de duas opções... ou rende-se à ideia de ser uma eterna atracção de feira ou lutar para conquistar a sua liberdade.
Megan Hotz escreve um original argumento cujo ponto mais forte reside na sua mensagem a ler entre-linhas; quando alguém é retido por ter entregue o seu coração, que melhor forma de reconquistar a sua própria liberdade senão agir pelos mesmos métodos? É com base nesta premissa que esta curta-metragem se desenvolve ainda que o espectador não o saiba até assistir ao seu trágico final.
No meio de um local deserto e perdido no tempo, o espectador é levado a uma história que vai para além da privação da liberdade de alguém. The Little Mermaid toca em assuntos tão sensíveis como a referida reclusão mas também em aspectos que se prendem com o amor, a auto-anulação e a forma como alguns indivíduos se deixam levar por outros bem falantes que depois vivem à custa dos seu bom coração. Coração este que parece estar sempre presente ao longo da história pois percebemos pela interacção recriada entre a "Sereia" e "Grigori" que algo mais existiu entre ambos que os liga. Existe uma cumplicidade, uma entrega e uma quase admiração da primeira para com o segundo que em tempos não explicados a levaram à condição em que se encontra.
É então que no seio desta mesma "captura" consentida (em tempos idos) que se desenvolve um plano de vingança que, não sendo estruturado ou planeado mas sim o fruto de um impulso de momento, mais não é do que um momento poético e de auto-libertação há muito ansiado.
Ainda que o seu argumento traga de volta a vingnça poética ao cinema (aquela que é fruto de um acto passional) e que poderia ser muito melhor desenvolvido numa longa-metragem que seria, arrisco dizer, um interessante filme de fantasia, The Little Mermaid tem uma componente técnica e artística muito relevante que passa pela música original de Kim Oxlund que nos transporta para uma qualquer outra dimensão, o guarda-roupa de época de Benjamin Larose e Megan Leson, a magnífica caracterização de Sarah Elizabeth, Susan Manning e Krysten Merrick que conferem a Jovanna Huguet um look verdadeiramente credível e ainda a direcção artística da autoria de Sean Gibson Young que aliado à direcção de fotografia de Vince Arvidson nos colocam num espaço que de terreno pouco parece ter... afinal, quem se lembraria de colocar um circo que supostamente deve divertir e levar-nos para lugares distintos da nossa imaginação no seio de um pântano onde tudo parece já ter parado de viver?!
A falha maior (se assim se puder dizer) de The Little Mermaid prende-se única e exclusivamente com a sua escassa duração pois esta história tem muito por onde pode ser desenvolvida mas que, infelizmente, não o é.
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7 / 10
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Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #30

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De volta para a sua Sessão #30, o Shortcutz Xpress Viseu apresenta no segmento Curtas em Competição os filmes Fronteira, de António Lopes e Salomé, de Sofia Bairrão tendo os dois realizadores presença confirmada para falar dos seus filmes.
Como Projecto Convidado o SXV recebe o Festival de Jazz de Viseu (a segunda edição), com a presença de Ana Bento, membro da produção e da organização do festival e que apresenta ainda a curta-metragem de animação Jazz That Nobody Asked For, de Rune Fisker e Esben Fisker - Benny Box, da Dinamarca.
Finalmente no segmento Shortcutz Around the World, o SXV conta com a presença de Colour Bleed, de Peter Szewczyk, da Polónia.
Mais uma vez para aqueles que pretendem uma nova cheia de bom cinema em formato curto não se esqueçam de a partir das 22 horas de sexta-feira estarem presentes na Só Sabão, no Largo de São Teotónio, nº 30, por detrás da Sé de Viseu.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014

La Boca del León (2013)

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La Boca del León de Alfonso García é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos permite ver uma história já conhecida mas de forma completamente original.
Montalvo (Carlos Herranz) está ao telefone com um homem. Reparamos que tem o aspecto de um homem atormentado e rapidamente percebemos que está possuído por algum demónio.
O homem do outro lado é um Padre Exorcista (Emilio Linder) que na incapacidade de o aconselhar mais recorre à ajuda de Vicky (Ayleen Petrescu), filha de Montalvo que irá revelar grandes surpresas.
O genial argumento de Vicente Rubio transporta-nos para um conjunto de dilemas com aquilo que temos da nossa sociedade dita moderna e a forma como interagimos para com os demais. Questionemo-nos logo de imediato com a questão em causa... Estamos perante um homem que claramente necessita de ajuda. Independentemente da sua condição, credível para uns... não tanto para outros, "Montalvo" é um homem que se sente atormentado, em pânico e com uma clara necessidade de que alguém o ajude naquele preciso momento. No entanto, e para mal dos seus pecados (quão apropriada palavra), a única forma que tem de auxílio é pelo telefone. Eis a primeira questão que esta curta-metragem tão bem explora e que encontra uma vibrante semelhança com a realidade em si... numa altura em que as tecnologias se desenvolvem aproximando quem está distante e afastando aqueles que mais perto de nós se encontram inviabilizando assim o contacto directo entre as pessoas, numa sociedade em que as linhas de apoio para tudo e algo mais se apoderam da forma de comunicabilidade entre os indivíduos... porque não uma linha de apoio aos possuídos? Ter um padre exorcista à distância de um número de telefone seria (será? é?) o sonho de muitos e o pesadelo de tantos outros (espíritos).
É exactamente esta questão que dá, ao mesmo tempo, seguimento a outra igualmente importante e que está, no fundo, como aquela que dá origem a este argumento, ou seja, numa sociedade onde o isolamento e o afastamento entre indivíduos é cada vez mais notório e onde a comunhão, socialização e diálogo são cada vez mais escassos... não será este o momento perfeito para o dito demónio se apoderar da vontade humana? Afinal, não será mais fácil para ele conquistar o coração daqueles que se encontram solitários e sem ninguém a quem recorrer?! Não será ao criar sociedades baseadas unica e exclusivamente no "eu" e não no colectivo que os mais fracos são "capturados" por um qualquer demónio, podendo ser este meramente figurativo e ilustrativo dos reais males dessa mesma sociedade?
Se estas duas premissas não fossem de si só já suficientes para transformar La Boca del León num espantoso filme curto - não esquecer que tem menos de cinco minutos de duração - pensemos também que este foi filmado por telemóvel, vencedor aliás do Prémio Phonetastic na última edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Sitges, e que ao estilo de found footage assistimos àquilo que poderão ter sido os últimos instantes da vida dita "normal" daquele homem. Com todos estes elementos penso no quão interessante seria que este projecto tivesse pernas para andar um pouco mais longe e transformar-se em mais uma longa-metragem capaz de nos prender ao ecrã mesmo que muitos dos seus momentos sejam conseguidos graças a um humor negro muito particular que nos obriga, ao mesmo tempo, a pensar na referida sociedade em que "habitamos".
Ainda que curta, tanto quanto a duração do próprio filme, uma breve menção à interpretação de Carlos Herranz como "Montalvo", o homem a quem o demónio fez uma inesperada visita e a todo um trabalho de caracterização de Laura García e direcção de fotografia de Alfonso García que nos colocam de facto num local visitado pelo "demónio". Ainda um destaque positivo para o design de produção de Susi Caramelo que transforma o pouco que vemos daquele apartamento num magnífico "covil para a besta".
Com uma qualidade assumidamente genial, La Boca del León é desde já uma referência para o cinema do género que não se prende com os lugares comuns do mesmo tendo conseguido superar sem qualquer dificuldade todos os pequenos problemas que normalmente não dão a filmes deste género a dignidade que eles merecem.
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9 / 10
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Olhares Sobre Angola 2014 - terceira edição

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A mostra de cinema Olhares Sobre Angola regressa de 2 a 3 de julho à Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema em Lisboa, para a sua terceira edição. Depois do sucesso da última edição, com várias sessões esgotadas, Olhares Sobre Angola volta a um dos mais nobres espaços lisboetas de exibição cinematográfica, com uma programação integralmente dedicada ao cinema produzido em Angola, permitindo ao público português conhecer os novos autores deste país e aproximar-se desta cultura.
A terceira edição da mostra de cinema Olhares Sobre Angola é uma produção da Associação Cultural Il Sorpasso e Mukixe Produções, em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e começa hoje, quarta-feira 2 de julho, pelas 19 horas, na sala Luís de Pina onde será exibido Angola, Ano Zero, de Ever Miranda Palacio, um documentário que nos convida a entrar nesta nova realidade angolana através de um diálogo entre emigrantes, após 30 anos de guerra civil: o realizador – um jovem cubano que deixou o seu país para se estabelecer em Angola, na esperança de melhorar a sua situação económica – e esses jovens angolanos "retornados" determinados a contribuir para a redefinição de um novo projeto cultural e económico para o país.
Pelas 20 horas, na esplanada da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, decorrerá a apresentação e lançamento do DVD “Mariano Bartolomeu – Curtas-Metragens 1989 - 2008”, com a presença do realizador. Este DVD reúne a maioria das curtas-metragens de Mariano Bartolomeu tratando-se de uma obra de extrema importância de um dos pioneiros do cinema angolano. Há cópias existentes dos seus filmes em vários arquivos internacionais que ainda não foram recuperadas e restauradas.
Hereros Angola, de Sérgio Guerra será exibido na sessão de abertura de Olhares Sobre Angola, às 21h30, na Sala Dr. Félix Ribeiro. Hereros Angola é um documentário sobre o grupo étnico com o mesmo nome, habitantes das terras do sudoeste de Angola, povo Bantu. Os Herero são donos de uma tradição ancestral que é passada oralmente de pais para filhos. Este filme mostra o conhecimento vivo destes povos.
Na quinta-feira, dia 3 de julho, pelas 15 horas, Aprender a Ler Para Ensinar Meus Camaradas, do realizador João Marques Guerra é exibido na sala Luís de Pina. Este documentário musical acompanha a jornada de dois músicos angolanos, Wyza Kendy e Dodó Miranda, que viajam até a Bahia-Brasil em busca de traços de uma ancestralidade perdida e retrata uma herança angolana fora de Angola e reencontrada através da música. 
Pelas 19 horas, também na sala Luís de Pina, tem lugar uma sessão com uma seleção dos melhores videoclips e vídeos experimentais realizados na última temporada em Angola. De Nástio Mosquito, a Jorge De Palma, passando pela dupla Lindomar e Olimpio de Sousa e contemplando, ainda, a cinematografia de Paulo Azevedo e do artísta plástico, Binelde Hyrcam.

Às 19h30, Olhares Sobre Angola inaugura uma nova secção “Olhares Sobre...”, que pretende colocar em foco a obra de profissionais do cinema angolano. Na terceira edição, a mostra de cinema coloca os “Olhares Sobre… Mariano Bartolomeu” e traz à sala Dr. Félix Ribeiro uma seleção das curtas-metragens, acompanhadas pela presença do realizador:  Caribeando (1989), Un Lugar Limpio y Bien Iluminado (1991), O Que Faz Correr Quim? (1991), O Sol Ainda Brilha (1995), O Contador de Histórias (2003) e Uma Noite Perfeita para Falar de Amor (2008).

A última sessão de Olhares Sobre Angola decorre às 22 horas, na sala Luís de Pina com Death Metal Angola, de Jeremy Xido, um filme que segue o sonho de Wilker e Sonia - organizar o primeiro concerto de rock nacional, juntando membros da cena musical hardcore angolana de várias províncias. A narrativa avança, aos solavancos, no cenário bombardeado e minado do outrora imponente Huambo.
Na sala 6X2 e de entrada gratuita, durante os dias 2 e 3 de julho, são apresentados em sessão contínua e projetada em DVD, das 13h30 às 21h30, os filmes em depósito no ANIM - Arquivo Nacional das Imagens em Movimento - Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema: Eu Sou, Eu Era, Eu Quero Ser Pioneiro Político, de Henrique Ruivo Alves (Ritz), Rebita, de realização coletiva coordenada por Manuel Costa e Silva, Kizomba, Velha Guarda, um filme que fazia parte do projeto Ngoma (jornais culturais), uma realização coletiva que contou com a participação de Leonel Efe e de Alberto Sebastião, entre outros, Ngudi a Khama Cokwes, de Manuel Mariano e Alberto Sebastião e Os Meus Irmão Cokwes, de Manuel Mariano.
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terça-feira, 1 de julho de 2014

Paul Mazursky

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1930 - 2014
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bob Hastings

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1925 - 2014
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Fest 2014 - Festival Novos Cineastas/Novo Cinema: os vencedores

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Lince de Ouro - Melhor Longa-Metragem de Ficção: Mother of George, de Andrew Dosunmu
Menção Honrosa - Longa-Metragem de Ficção: Risse im Beton, de Umut Dag e Male Stluczki, de Aleksandra Gowin e Ireneusz Grzyb
Lince de Ouro - Melhor Longa-Metragem Documentário: Habibi Bistanan and al Bahar, de Mais Darwazah
Melhor Curta-Metragem de Ficção: Matka, de Lukasz Ostalski
Melhor Curta-Metragem Documental: Alles Wordt nu Anders, de Josefien Hendriks
Menção Honrosa - Curta-Metragem Documental: Boy, de Julie Bezerra Madsen
Menção Honrosa - Curta-Metragem de Ficção: To Deipno, de Dimitris Argyriou e A Tenista, de Daniel Barosa
Melhor Curta-Metragem de Animação: Nyuszi és Öz, de Péter Vácz
Melhor Curta-Metragem Experimental: White Lies, de Felix Schaefer
Menção Honrosa - Curta-Metragem Experimental: Orpheus, de Alessandro Paratore e Sara Aretino
Prémio C7nema - Prémio da Crítica: Arabani, de Adi Adwan
Prémio do Público - Melhor Filme: Risse im Beton, de Umut Dag
Prémio do Público - Melhor Curta-Metragem: Matka, de Lukasz Ostalski
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sábado, 28 de junho de 2014

Thylacine (2013)

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Thylacine de Alex Lampsos é uma curta-metragem norte-americana de ficção que nos conta a história de Nick (Trevor LaPaglia) e Charlie (Peter Michael Biondolillo) que estão prestes a celebrar o seu nono mês de relação.
É, no entanto, quando a data está prestes a confirmar-se que Nick aceita almoçar com um dos seus inúmeros admiradores deixando Charlie com receio pelo seu futuro em comum.
Esta curta-metragem de Alex Lampsos distancia-se da tradicional corrente que este género cinematográfico tanto difunde e que nos relata uma juventude numa constante e sistemática procura de sexo casual e fortuito centrando-se, por sua vez e preferencialmente, numa relação onde os afectos se pretendem estabelecer e formar algo baseado no sentido e na cumplicidade.
Com a atenção centrada nas dificuldades de uma jovem relação (entre jovens) que (sobre)vive maioritariamente graças às inúmeras instabilidades e inseguranças que são inerentes à própria idade, Thylacine consegue, no entanto, captar uma estranha sensibilidade e harmonia entre os sentimentos de duas pessoas que parecem ter encontrado a tal "metade" que os completa.
Sensibilidade essa que se manifesta de forma diferente nas duas personagens protagonistas. Se por um lado temos um "Charlie", numa composição de Biondolillo, que se mostra receoso talvez pelos traumas que o seu próprio passado insiste em trazer de volta recriando as desconfianças numa total entrega ao seu parceiro, não é menos verdade que o "Nick" de LaPaglia também as manifesta, e aqui através da fama que o seu passado de "garanhão" para sempre lhe deixou.
Sem certezas sobre o futuro, e de certa forma ainda bem que assim Lampsos deciciu contar esta história, Thylacine apenas garante ao espectador que as suas duas personagens estão dispostas a arriscar e tentar um futuro que os complete. Sem promessas ou encantos que poderiam ser quebrados ficamos assim a saber que os dois estão dispostos a tentar algo que, até então, nunca lhes tinha sido possibilitado. Sem promessas o futuro tende apenas a ser tentado e experimentado... esperando o melhor.
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7 / 10
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bobby Womack

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1944 - 2014
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Santo the Obscene - primeiro trailer

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Depois da exposição Obscenity, de Bruce LaBruce, este está a preparar a longa-metragem com base na mesma sob a realização de Luizo Vega.
De seu nome Santo, the Obscene, que será interpretado por Vega, é uma longa-metragem que pretende "contar a história de um santo contemporâneo que vive no deserto mas decide regressar à cidade para vislumbrar os seus habitantes", tal como havia contado ao diário espanhol El País, já em 2011.
Com rodagem programada para Madrid e para a região de Almería, Santo the Obscene tem para além de Luizo Vega, a participação de Rossy de Palma, conhecida pelos vários títulos de Almodóvar que interpretou nos anos 80, Bimba Bosé, Maria Forqué, Maria Ivanenko e Alaska, sob um argumento no qual a religião será o motor base e que promete, tal como a referida exposição, levantar polémica.
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quinta-feira, 26 de junho de 2014

What's on Your Mind? (2014)

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What's on Your Mind? de Shaun Higton, também o argumentista, é uma curta-metragem norueguesa de ficção que nos leva a pensar sobre a vida de cada um de nós nas redes sociais.
No caso específico do Facebook, este pode ser por vezes depressivo quando aqueles que o utilizam vêem nas vidas dos demais algo excitante e alegre e consideram, como comparação, as suas próprias vidas desanimadoras e aborrecidas.
É, no entanto, quando tudo parece correr mal que se pode transformar toda essa negatividade em momentos descontraídos, positivos e de sucessos... afinal, quem irá confirmá-los quando tudo está à distância de um "click" que diz "gosto".
Ainda que direccionada para uma comédia What's on Your Mind? surpreendeu-me não pelo seu conteúdo bem disposto e francamente irónico, mas sim pelos instantes finais onde depois de tantas provações com resultados negativos que mostram a realidade por detrás de tantas mensagens "inspiradoras". "Scott" (Espen Alknes), o interveniente principal desta curta-metragem escreve aquilo que realmente sente ser a sua vida... O desabafo, com um sentido desespero por detrás do que diz, são sucedidos por um simbólico "bloquear" de mensagens feito por algum (alguns) daqueles que preferiam ver as mentiras alegres que escondiam o seu sofrimento. Afinal, quem está realmente interessado naquilo que se diz sincero e vindo do coração neste mundo onde tudo é tão fácil e está à distância de um simples "gosto"?
Quem está realmente interessado naquilo que de mais "real" os outros têm por dizer quando fotografias de férias paradisíacas, noites de diversão ou refeições inimagináveis preenchem o imaginário daqueles que nunca, ou pelo menos tão facilmente, as conseguirão fazer ou ter, e que estão agora ali ao dispôr e aos olhos de todos?
No fundo aquilo que What's on Your Mind? realmente transmite é... até que ponto está cada um de nós disposto a saber realmente sobre o "outro" que temos adicionado enquanto "amigo"? Melhor dito... até que ponto somos realmente amigos daqueles que povoam as redes sociais de cada um de nós?
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8 / 10
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Porto7 - Oporto International Short Film Festival 2014: os vencedores

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Curta-Metragem: Ephemeral, de Diego Modino
Ficção Nacional: O Mundo Cai aos Bocados (e Ainda Assim as Pessoas Apaixonam-se), de Henrique Pina
Documentário: Minerita, de Raul de la Fuente
Animação: Carrotrope, de Paulo D'Alva
Interpretação: Ana Rayo, Helsinki
Menção Honrosa do Júri: Through the Breaking Glass, de Iván Mena Tinoco
Menção Honrosa do Festival: Little Vulvah and Her Clitoral Awareness, de Sara Koppel
Menção Honrosa do Público: Moonshine, de Michal Poniedzielski
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Shortcutz Xpress Viseu - vencedora do mês de Junho

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O Shortcutz Xpress Viseu anunciou a curta-metragem Perto, de José Retré como a vencedora do mês de Junho, numa competição em que se encontrava ainda a votação a curta-metragem No Sítio Onde as Raposas Dizem Boa Noite, de Rui Esperança.
Perto é assim a última curta-metragem vencedora da Melhor Curta do Mês antes da edição dos prémios anuais do Shortcutz Xpress Viseu, para os quais está pré-seleccionada, e cujos nomeados iremos conhecer no início do próximo mês de Julho.
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terça-feira, 24 de junho de 2014

Catarina e os Outros (2011)

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Catarina e os Outros de André Badalo é uma curta-metragem portuguesa de ficção que literalmente lançou a carreira de uma excelente jovem actriz como é Victória Guerra.
Catarina (Guerra) é uma jovem mulher cujos únicos encantos que nos são dados a conhecer se prendem directamente com a sua extrema beleza. Durante breves momentos do seu dia, Catarina é uma prisioneira auto-imposta do seu quarto onde, entre as quatro paredes, olha sem rumo para aquilo que a rodeia.
Alheada de tudo e todos e sem qualquer sinal daquilo que a atormenta, Catarina apenas sai do seu quarto para vaguear sem rumo por uma cidade onde procura parceiros sexuais... todos e qualquer um que lhe proporcione breves momentos de sexo desprotegido. Até ao dia em que a verdade é finalmente exposta...
André Badalo e Sara Esteves escreveram um guião no qual podemos testemunhar de muito perto a rota de auto-destruição de uma jovem. Poucos são os elementos que nos são inicialmente fornecidos mas percebemos que a sua falta de amor próprio não se deve a qualquer problema de aparência. Esta jovem é extremamente bela e teria com certeza todo um promissor futuro à sua frente. No entanto questionamo-nos... será ela apenas um rosto bonito que enveredou por um caminho que ruma claramente à sua própria morte? E se sim... porquê?!
Para a composição da sua personagem, Victória Guerra recorre a um quase total alheamento da realidade. Não a vemos preocupada com nada do que se passa à sua volta nem tão pouco com as escassas mensagens que escutamos vindas de uma mãe preocupada. O seu propósito, desde o instante em que acorda é apenas percorrer as ruas como uma predadora disposta a caçar a próxima vítima - esta que é, também ela, uma predadora à sua própria maneira - numa total despreocupação que chega a ser preocupante.
Pela noite e pelo dia percorre os mais variados locais... uma discoteca onde conhece o primeiro homem (Rui Porto Nunes) com quem se envolve no WC, o segundo (Cândido Ferreira) nas ruinas de uma qualquer urbanização, em terceiro lugar com um casal (Philippe Leroux e Maria João Bastos) enquanto os filhos destes esperam na sala e finalmente quando pede boleia e "serve" os três passageiros do carro (Tiago Aldeia, Pedro Carvalho e Luís Garcia), todos eles sempre com o mesmo alheamento e indiferença para aqui que acontece durante breves instantes.
Percebemos que "Catarina" deixou de se preocupar com a sua condição. Percebemos também que esta falta de segurança física, por aqueles que aborda nos mais distintos locais bem como pela forma desprotegida que com eles se relaciona, só se pode dever à sua própria condição breve de vida mas, no entanto, nada nos prepara enquanto espectadores para a surpresa final que, essa sim, poderá colocar em causa todos os anteriores acontecimentos.
É esta rota de auto-destruição que já referi que está presente durante todo este pequeno grande filme e os seus sinais e evidências são constantes. Desde a falta de comunicação que estabelece com aqueles que lhe são mais próximos, passando pelo seu objectivo diário em (sabemos a certo momento) infectar todos aqueles que na sua opinião são, também eles, sujeitos de risco. Desde os encontros ocasionais numa discoteca onde se entrega num WC imundo, passando por locais abandonados e também eles degradados ou mesmo o engate ocasional na rua onde qualquer um poderá aparecer sem esquecer o luxuoso lar em que se diverte com o casal enquanto os seus filhos esperam na sala ao lado, Catarina e os Outros denota um total desconforto do espectador que assiste a este percurso sem aparentes consequências que assinala a degradação psicológica desta jovem. Todos estes elementos são, de uma ou outra forma, o efeito de alguém que se deixou levar e entregou ao seu próprio final... sem equacionar as consequências ou a (ir)responsabilidade dos seus próprios actos. Tudo, para ela, terminou.
E de facto terminou... É graças ao último segmento desta curta-metragem que unindo a notícia que recebe à uma magnífica direcção de fotografia de Emanuel Magessi, José Pedroso e Patrícia Raposo que percebemos que aquele lugar em que se encontra é, para além do seu quarto, o espaço em que se refugia como se de um paraíso perdido se tratasse. Ali encontrou o fim (o seu), e irá consumi-lo de facto quando lhe perdemos o rasto. Apesar de não declarado, o seu fim pode ser imaginado pela sequência de imagens e de espaços por onde passa.
Catarina e os Outros e a magnífica direcção de André Badalo remetem-nos desde o primeiro instante para um daqueles filmes negros dos idos anos 70 onde uma improvável justiceira toma o controlo do seu destino, e o dos outros, através de uma longa marcha de vingança por uma sua própria fatalidade, entregando-se assim a um final trágico e potencialmene desolador do qual somos privados ou, a um mais recente The Brave One, de Neil Jordan onde uma mártir Jodie Foster elimina todos aqueles que considera tóxicos para uma sociedade, também ela, já perdida.
No final questionamo-nos... até que ponto é válida esta justiça pelas próprias mãos e que justiceira será esta que mais se assemelha a uma vítima perdida e vulnerável, sem armas e sem defesas contra os perigos que espreitam por todos os lados? Será a "vítima" mais mortal do que o próprio predador ou, por sua vez, não será este a verdadeira vítima?!
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8 / 10
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Eli Wallach

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1915 - 2014
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domingo, 22 de junho de 2014

Raúl Ramírez

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1927 - 2014
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Grace of Monaco (2014)

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Grace do Mónaco de Olivier Dahan é a mais longa-metragem do realizador de La Vie en Rose, e a co-produção franco-americana que abriu o último Festival Internacional de Cinema de Cannes.
No início dos anos 60 o Mónaco era um país com uma nova princesa Grace Kelly (Nicole Kidman), uma mulher dividida entre o conto de fadas e uma identidade pessoal por encontrar., assim como por uma intensa disputa política e económica com a França de Charles de Gaulle.
No meio, o Principe Rainier (Tim Roth) encontra-se num perigoso dilema entre um casamento ainda pouco aceite por parte de quem o rodeia e um eminente conflito que poderá colocar um fim não só à sua condição enquanto chefe de Estado como ao próprio principado.
Muito se especulou sobre este Grace of Monaco antes da sua estreia e mais ainda sobre a capacidade interpretativa de Nicole Kidman em dar corpo e alma a um dos rostos mais icónicos não só da indústria cinematográfica como também do próprio século passado. No fundo, ainda que Grace of Monaco não é a mais recente obra-prima do realizador francês como o foi La Vie en Rose, este filme consegue ser competente na reconstituição histórica que é feita de um período conturbado e em que não só um Estado como os seus líderes se tiveram de impôr perante uma das nações mais forte do continente Europeu.
Centrado exclusivamente nesse período em que o Mónaco de Rainier e a França de De Gaulle estiveram à beira de um conflito, o argumento de Grace of Monaco da autoria de Arash Amel reflectr sobre a importância que a Princesa Grace Kelly teve para a consequente afirmação do Mónaco enquanto uma nação soberana e independente ao mesmo tempo que desenvolve toda a sua indecisão e crise de identidade - princesa vs. actriz - que a abalaram e fizeram sentir uma peça fora do tabuleiro de xadrez num jogo que havia assumido largos anos antes. No entanto é este mesmo argumento que se propõe a uma missão maior que não chega a cumprir - talvez pela escassa duração - remetendo para um plano assumidamente secundário todas as personagens que navegam em torno de "Grace Kelly". É certo que o filme é sobre a Princesa do Mónaco, sobre os seus dilemas e inseguranças enquanto antiga actriz tornada princesa, sobre o seu papel de mãe e principalmente de mulher e de indivíduo mas, ao mesmo tempo, teria sido importante desenvolver alguns daqueles demais intervenientes que contribuíam de forma tão importante para a sua afirmação enquanto Princesa, a mulher serena e que para além de mulher do chefe de Estado viria a servir como um símbolo identitária do próprio país; afinal, ao contrário de qualquer Presidente, um monarca está para além do indivíduo sendo ele próprio uma instituição do Estado.
Dito isto, e denotando que a falta de exploração desses secundários tão importantes, não é menos verdade que a própria interpretação de Nicole Kidman enquanto "Grace Kelly" vive também ela de momentos chave por explorar navegando por nuances e por alguns momentos supostamente de clímax que não passam de situações brandas e sem pontos altos. Única excepção feita ao discurso final de "Kelly" onde - aí sim - serenamente se assume ela própria como a chefe de Estado de um pequeno país que graças ao seu mediatismo se viria a afirmar como uma referência no mundo.
Kidman - que vai bem em praticamente todos os filmes que interpreta - precisava deste filme. No entanto precisava que ele vivesse quase ininterruptamente da sua presença no ecrã expressando a sua interacção com os demais; quais as suas motivações junto do marido, dos filhos, dos membros do governo, dos amigos (por poucos que eles fossem) e dos seus assistentes pessoais demonstrando dessa forma o quão magnânime poderia ser a sua presença e determinação - mesmo que escondendo a sua inexperiência e, de certa forma, a sua própria timidez. Ainda assim temos uma Kidman segura da sua interpretação, determinada na mensagem que pretende transmitir sobre a actriz/mulher/princesa que Kelly foi e principalmente no importante lugar que ocupou na História recente de um país não conseguindo brilhar mais apenas por um lado quase decorativo que todos os demais actores assumem neste filme.
Desde Tim Roth como "Rainier", Frank Langella como "Francis Tucker" ou mesmo Paz Vega como "Callas" - com quem se percebe "Kelly" ter estabelecido uma próxima amizade - todos eles não conseguem explorar a importância devida que tiveram na vida - pessoal e profissional - desta mulher deixando apenas breves nuances que acusam a mesma sem nunca serem uma verdadeira confissão. E se este aspecto pode ser quase imperceptível nas mais várias personagens, para o "Rainier" de Tim Roth é quase incompreensível o facto de não ter uma maior participação no ecrã com Kidman. Afinal, existiria a Princesa Grace sem o Principe Rainier?
Grace of Monaco é, no entanto, mais uma forte aposta do realizador francês na contextualização histórica destacando-se pela excelência técnica de um guarda-roupa de época da autoria de Gigi Lepage que oscila entre o discreto e o exuberante ou mesmo a direcção artística de Dan Weil que insere o espectador na opulência de uma vida palaciana de excessos mesmo quando o próprio país atravessava dias menos positivos do que aqueles que hoje lhes conhecemos. Todos estes elementos exponenciados graças a uma exímia direcção de fotografia de Eric Gautier que consegue tornar os intensos brilhos em cores quentes, reconfortantes e que nos fazem esquecer todos os pequenos grandes problemas originados pelas intrigas políticas - e algumas palacianas - que se fazem sentir como pano de fundo.
No final, e ainda que um filme interessante pela sua tentativa de reconstituição história, Grace of Monaco não chega a ser um portento como o fora La Vie en Rose - a obra digna de comparação - nem tão pouco Kidman, mesmo com a sua qualidade representativa, consegue atingir o mesmo nível de entrega que Cotillard conseguiu enquanto "Piaf". As promessas e as intenções estão lá e o material e contexto histórico são suficientemente bons para nos darem uma imagem - ainda que breve - sobre os dilemas e conflitos interiores de uma mulher que se tornou grande mas, no entanto, decorrida mais de hora e meia de filme o espectador fica com a ligeira impressão que poderia ter assistido a um filme grandioso que se limitou a ser politicamente correcto à "imagem" e às noções "socialmente aceites" de algumas figuras históricas que estão, de certa forma, ainda muito presentes no imaginário de todos nós.
Assim, e voltando à minha primeira observação sobre a especulação que este filme gerou antes da sua estreia, Grace of Monaco está longe de ser um filme mau que algumas línguas mais ou menos afiadas deliraram em destruir. No entanto, desde os aspectos técnicos às próprias interpretações - competentes - o espectador sente que estas poderiam ter ido mais longe e mostrado a real essência de cada um, as suas forças, os seus medos, as suas ânsias e principalmente as suas aspirações que, na prática, haveriam de ser concretizadas. O destino - a acreditar nele - está para todos traçado... talvez não da forma como por vezes o imaginamos mas sempre como é suposto que ele seja... foi esse o lema que Kelly teve - e bem - de aceitar e que Grace of Monaco poderia ter explorado de forma mais detalhada e pessoal mostrando toda a sua intensidade. É isso que esperamos daquilo que Kelly fora... e daquilo que queremos ver de Kidman.
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"Grace Kelly: I have no army, I wish ill on no one, I have no resistance to agression."
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sábado, 21 de junho de 2014

Robert Gardner

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1925 - 2014
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7 Pecados Rurais (2013)

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7 Pecados Rurais de Nicolau Breyner é a sua mais recente longa-metragem atrás das câmaras depois dos muito falados e muito fracos Contrato (2009) e A Teia de Gelo (2012).
Quando Quim Roscas (João Paulo Rodrigues) e Zé Estacionâncio (Pedro Alves) vão ao encontro de duas primas afastadas vindas de Lisboa para reviver o Verão louco de dois anos antes, sofrem um acidente fatal no qual esbarram a sua frágil mota num rebanho de ovelhas.
É quando chegam ao Céu que Deus (Nicolau Breyner) lhes oferece a redenção através de uma segunda oportunidade, e o regresso a Curral de Moinas, condicionada ao facto de durante vinte e quatro horas renunciarem à prática de qualquer um dos sete pecados mortais ou, caso contrário, a morte será uma certeza.
Ainda que um actor maioritariamente de um registo cómico que sempre apreciei, é sempre com alguma suspeita e reserva que vejo um cartaz que contém o nome de Nicolau Breyner enquanto realizador, especialmente por no seu curriculum se encontrarem dois filmes falhados como o são Contrato e A Teia de Gelo. No entanto, e sempre na esperança que não se desça mais baixo do que aquilo que já foi muito mau e com uma igual dose dessa mesma esperança de que agora seja melhor, que me propus a uma aventura de hora e meia onde as "gargalhadas" eram uma promessa. Não poderia estar mais enganado... Primeiro porque estas não existiram e em segundo lugar por sim... é verdade... é possível descer ainda mais baixo e este 7 Pecados Rurais é disso uma prova viva que espero seja enterrada rapidamente.
Não há sítio melhor por onde começar do que o próprio início por isso... cá vou... Vamos em conjunto imaginar que o cio que afectava as duas personagens principais lhes tolhia a visão e que os ditos não reparavam num enorme rebanho de ovelhas no meio da estrada... Vamos até considerar que eles até encontravam a morte depois deste enorme "acidente"... Será o público assim tão pouco inteligente ao ponto de considerar que não se encontrava ninguém naquele local com as ovelhas e que estas desapareciam assim tão rapidamente quando eles "regressavam" à vida?!
Continuando... percebo uma certa tendência para um actor com o estatuto que tem Nicolau Breyner querer interpretar personagens que não sendo principais têm, no entanto, um certo carisma e relevância para a história em que participam. Como tal... será assim tão necessário nos seus discursos colocar eco para demonstrar uma maior imponência da mesma? É que enquanto espectador, não só se torna absurdo pois parece que o espectador tomou um banho de "ácidos" antes de ir ver este filme como também dificulta um pouco tentar perceber os diálogos quando os próprios são abafados pela dicção daquele que os profere. Desnecessário a roçar o absurdo, se alguém achou que a personagem de "Deus" saía beneficiada com este "efeito especial" não só se enganou como prejudicou um filme que já dava todos e mais alguns indícios de ser não mau... mas péssimo. E nem vou entrar naquela onda de falar sobre o interessante guarda-roupa de "Deus" a desfilar de toga...
Mas o mal não termina por aqui (a esta altura do campeonato... quem me dera)... Num plano em que "Zé" e "Quim" falam com "Deus" e tentam sair daquele espaço, incrédulos com a situação em que se encontram, os mesmos caminham numa sobreposição de planos (sai pela direita e entra pela esquerda) mas, no entanto, apesar do posicionamento dos actores ser diferente... as suas sombras encontram-se exactamente nos mesmos locais em que estavam antes. Se queremos efeitos especiais, ou algo que a isso se assemelhe, é preciso cuidado com aquilo a que se propõem.
É no decorrer desta conversa que acontecem ainda mais alguns dos momentos "sórdidos" deste filme onde ficamos a saber que afinal "Deus" se ginastica com um personal trainer e que até dá uma "perninha" na central telefónica quando necessário (por deus...), e nos quais sabemos que a dupla protagonista tem de sobreviver à provação das suas vidas ao não cometer nenhum dos sete pecados mortais (a saber... Ira, Luxúria, Soberba, Gula, Inveja, Avareza e Preguiça) mas atenção... sobreviver durante uma festa tradicional de Curral das Moinas que é como quem diz... sobreviver a todos estes pecados num meio muito peculiar onde a perdição parece estar mais à porta do que na 24 de Julho, em Lisboa pois ao fim de dez minutos já estão ambos a ser tentados no domínio da Luxúria...
As personagens, qual desfile de circo dos horrores para o qual o mais preparado dos espectadores treme quando com elas se cruza, são do mais básico e linear possível. Sem conteúdo e sem bases para ter uma história que as caracterize ou lhes dê personalidade (cruzes credo), desfilam como se se preparassem para caminhar rumo a um matadouro... Desde o "Eng. Castro Laboreiro", que é como quem diz o vigaro local, interpretado por José Raposo, passando pelas primas "Raquel" (Alda Gomes) e "Patrícia" (Melânia Gomes) cujo único objectivo é ajudar os protagonistas a cumprir o primeiro e já referido pecado, e isto sem esquecer os momentos assumidamente pimbalhocos aqui a cargo de Quim Barreiros e Paulo Futre (sim, o próprio) a interpretarem-se a si próprios.
É no exacto momento em que o filme bateu no fundo, literalmente falando, que uma inspirada Patrícia Tavares dá cor a uma "Célia Careca", possivelmente a única personagem com alguma graça pela sua simplicidade e alegria mas que, infelizmente, não só tem pouco tempo de antena como uma péssima caracterização que nos obriga a tentar perceber como foi feita do que propriamente a atentar na sua personagem.
Um pequeno destaque para a "Canção da Burra", de Sebastião Antunes que tão bem transposta para este filme a essência da ruralidade e da canção típica mas com toques de modernidade e que poderia ter sido muito melhor aproveitada por este filme mas que, infelizmente, não consegue safá-lo sob nenhuma perspectiva limitando-se a ser uma "boa ideia".
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No final de tudo isto o que temos? Pouco... muito pouco. Temos um argumento de Henrique Cardoso Dias e Frederico Pombares (inacreditável como este último se encontra por detrás do argumento de O Último a Sair), que reune segmentos maus de um episódio péssimo d'Os Malucos do Riso, Os Batanetes e O Prédio do Vasco (todos ao molho), os quais tentam recriar algum humor (sem graça) e que fazem nascer um conjunto de personagens ultra-estereótipadas sem conteúdo que parecem ter saído de uma qualquer jaula de um qualquer circo de horrores onde tinham sido escondidas dos olhares do público durante muitos e largos anos depois de um conjunto de experiências que, obviamente, correram mal.
Temos, no entanto, a certeza que Nicolau Breyner tentou recuperar o sucesso de "Quim" e "Zé" do Telerural e a onda de sucesso de um programa televisivo em que João Paulo Rodrigues havia participado meses antes para poder fazer o tal "sucesso cinematográfico" de final de ano que para além do muito dinheiro que tenha feito em bilheteira, jamais irá ficar na memória de alguém enquanto um bom exemplo do cinema português. Pelo contrário... para aqueles que estejam um pouco mais atentos 7 Pecados Rurais apenas funcionará como mais um exemplo daquilo que não deve ser feito... afinal, parece que temos um destes todos os anos, e Nicolau Breyner já conta com três no seu bolso.
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Prémio João Torto 2014 - o vencedor

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A Empório, em Viseu, atribuiu o Prémio João Torto 2014 (que deve o seu nome ao português que naquela cidade subiu à torre da Sé com umas asas por si construídas e de lá saltou no ano de 1540), no Sector Cultural e Criativo ao Shortcutz Xpress Viseu na pessoa de Carlos Salvador e Luís Belo, os seus organizadores, por continuamente mostrarem dedicação e resiliência no sector e na dinamização do evento que se realiza na cidade a cada duas semanas.
Como membro do júri do SXV e um dos seus convidados em Dezembro passado, tenho o prazer de felicitar publicamente os dois organizadores pela distinção justa e merecida assim como pelo contínuo empenho em exibir na cidade o melhor cinema em formato curto que é feito no país bem como pelos muitos convidados internacionais que tem conseguido trazer para o evento.
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