terça-feira, 10 de julho de 2012

Estrada de Palha (2012)

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Estrada de Palha de Rodrigo Areias foi o filme que me fez deslocar a uma sala de cinema mais afastada tal era a antecipação com que o aguardava. E não era para menos... Entre a presença de Nuno Melo, um dos meus actores preferidos, e um promoção bastante bem conseguida através de um trailer riquíssimo em imagem com uma fotografia aliciante e uma banda-sonora que fazia chorar por mais, tinha ainda a novidade de prometer um western "à portuguesa".
Era mais do que óbvio que assim que o filme estreasse eu tinha simplesmente de o ver mesmo com os sucessivos "avisos" de que era um filme diferente e talvez não o conseguisse "digerir" logo à partida. Bom, gostante eu normalmente de filmes que mais ninguém gosta, isto acabou por funcionar ainda mais como um incentivo à visualização daquele que, acabado de estrear, já reunia tantas opiniões e tão diversas.
Estrada de Palha baseia-se na obra Desobediência Civil de Henry David Thoreau, um livro com uma forte e intemporal mensagem política. Para dar uma ideia, Thoreu defendia que a resistência civil é uma oposição moral a um Estado injusto e que os indivíduos não devem permitir que os governos (segundo ele mais prejudiciais do que benéficos) comandem ou atrofiem as suas consciências e que têm assim de evitar a sua intromissão e que se tornem agentes de injustiças. No fundo Thoreau defende que a Democracia não é uma cura pois apesar de serem representativas das maiorias não a torna correcta pois até as decisões de um Homem justo podem ser injustas, e a decisão de um indivíduo não é necessariamente inferior à do corpo político e da maioria.
Dito isto, e depois desta longa introdução, passamos à acção do filme propriamente dito. Estrada de Palha inicia-se nas terras gélidas da Lapónia onde um homem vive afastado do seu país. Ao receber notícias da morte do seu irmão regressa a um Portugal monárquico pós-regicídio com o desejo de vingança. É aqui que (re)enconta um país profundo mergulhado na lei da bala, na corrupção, nas perseguições e no despotismo dos agentes do Estado.
Este filme que se pretende "ver" como uma análise social fá-lo não tendo um tempo ou espaço concretos. Sabemos em que época nos enquadramos por algumas leves referências durante o filme e pelas claras evidências de vestuário, mas a sua mensagem poderia ser tida em qualquer parte do mundo e em qualquer época temporal seja ela 1909 ou 2012. A sua forte mensagem percorre(u) e percorrerá todos os tempos e lugares pois a corrupção e a sua quase constante impunidade estão presentes em todas as etapas da História passada ou presente, e podemos assistir ao nosso actual e conturbado período político.
Se até aqui tenho o tipo de filme ao qual facilmente me rendo pois as temáticas sociais, históricas e políticas num filme fazem-me ganhar o dia, o que é certo é que este Estrada de Palha promete mas não consegue cumprir na totalidade aquilo que dele esperamos. Não pela sua mensagem que já explicitei ser, de longe, bastante motivadora e apelativa mas sim por alguma falha de concretização de pequenos mas importantes detalhes. A principal destas falhas é a lenta narrativa do filme que, ao contrário de um western à boa e velha maneira, impede que consigamos atingir algum clímax. Sentimos que a tensão está lá e prestes a explodir mas... nunca chega a acontecer. Exemplo perfeito disto é a fuga da prisão que sucede sem que nenhum de nós consiga sentir o mínimo de tensão durante a sua ocorrência... "Now you see them... and now you don't.". E este aspecto percorre todo o filme de início até ao final. Queremos ver uma vingança a ser de facto consumada. Queremos ver alguém que pague. Queremos perceber que a morte dos inocentes não foi feita em vão. Queremos... mas não chegamos a ter. É este o principal aspecto que nos deixa no final ficar "desconfortáveis". Pensamos "então mas afinal... nada se passou?" (ideia que vou retomar mais tarde, no final deste comentário...).
Mas não só de momentos menos bem conseguidos vive o filme. Pelo contrário... Muitos são os elementos positivos do mesmo. Começando pelas duas fortes interpretações de Nuno Melo que enriquece o ecrã com mais uma personagem assumidamente marcante como o homem do regime que numa época de transição faz a lei à sua medida, e uma enorme surpresa vinda de um estrondoso Vítor Correia, um cowboy solitário que se converte na encarnação perfeita do justiceiro que todos secretamente procuram
Outros aspectos bem positivos, e que funcionaram como impulsionador para que se tornasse um filme que eu senti querer ver através do trailer que vi vezes sem conta, foi a sua extraordinária banda-sonora premiada na última edição dos Caminhos do Cinema Português em Coimbra, da autoria de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e Rita Redshoes. Se temos melodia emblemática e que ficará na história do cinema português... esta será a "tal". Sonoridades típicas de um país deserto e apático, qual Texas temos o nosso próprio Alentejo onde as vacas dão lugar às ovelhas e o típico bourbon é substituído pelo tão característico vinho a martelo, que nos transportam de facto para um universo western"iano", esta banda-sonora tem uma vida própria no filme... é, sem qualquer margem para dúvida, uma das suas personagens e que fala muito mais do que qualquer uma daquelas de carne e osso.
E o mesmo se poderá dizer pela brilhante edição de fotografia de Jorge Quintela que nos transporta, como disse, de um longinquo Texas para o nosso Alentejo mantendo um certo ambiente de estranhos num local que, é ele, igualmente longínquo e estranho onde nada se passa "às claras".
A quebra de sequências do filme tem o seu lado positivo ao enquadrar a obra de Thoreau com a acção decorrente mas, por sua vez, também funciona contra o mesmo ao cortar a fluência do mesmo. Precisaríamos assim de tantos enquadramentos e interrupções? Se por um lado elas nos situam no contexto por outro desconcentram-nos da acção.
Não direi que é o melhor filme português do ano... mas tinha todo o potencial para se tornar num dos melhores filmes (português ou não) de sempre mas que por falta de alguma concretização prática não conseguiu ser. No entanto, e retomando o que mais cedo disse... "Então mas afinal... nada se passou?". Passou e muito... Se no início deste filme o nosso justiceiro tinha desenterrado a arma para vingar a morte do seu inocente irmão, independentemente de recuperar as ovelhas ou não e de se fazer justiça, no final procede ao seu enterro numa clara mensagem de que num país onde nada muda... ou vives nele ou partes para sempre.
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8 / 10
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os Últimos Dias (2011)

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Os Últimos Dias de Francisco Manuel Sousa é uma excelente curta-metragem feita como trabalho final do curso de cinema da Universidade da Beira Interior e que é no mínimo uma enorme lufada de ar fresco (e pesado) de um nome até agora desconhecido mas que a ser apoiado terá muito para dar ao cinema português.
Luísa (num brilhante registo de Joana Belo) é uma jovem que, não sendo problemática, não deixa de ser uma marginal. Aparentemente poderemos pensar que todos os adolescentes o são mas, depois de ter sido apanhado a fumar na escola e de ser castigada tanto pela directora como pelos pais, ela revela ter outros planos... a fuga.
Luísa combina com Filipe, um jovem com quem percebemos passar tempos intermináveis a falar num chat de internet, fugir... Mas Filipe tem outros planos... quer matar todos aqueles que lhe fizeram mal antes de desaparecer. O que irá agora fazer esta jovem antes de dar um novo rumo a toda a sua vida?
O desfecho final desta curta-metragem é no mínimo surpreendente. Em primeiro lugar faz-nos reflectir sobre os benefícios (ou malefícios) da internet e sobre quem se esconde por detrás de um conjunto de letras que surgem no ecrã. Como estas palavras podem influenciar quem as recebe e, em última análise, até que ponto a internet se torna um vício cuja dependência pode, como com qualquer outra droga, levar um indivíduo a uma espiral de queda, ruína e tortura física e psicológica que ninguém consegue explicar.
A jovem actriz Joana Belo tem um registo interpretativo no mínimo impressionante. Desconheço se a actriz até à data já tem alguma outra experiência mas se não tem este seu trabalho revela um futuro promissor. Se de início nos parece mais uma adolescente apática e isolada a quem, na sua própria opinião, tudo lhe corre mal, com o decorrer da acção ela mostra-nos poder ser alguém que levado a um certo limite (por mais irrelevante que possa parecer) se torna numa eficaz máquina assassina que nem pensa nos limites ou nas consequências das suas acções. Joana Belo tem assim uma interpretação apática mas brutalmente eficaz pois encontra, apenas no momento final, a real dimensão de todas as suas acções.
Dimensão esta que consegue ser igualmente avassaladora quando percebemos o que realmente aconteceu para chegar (e chegarem como veremos) àquele momento que destrói qualquer tipo de dúvida que se poderia ter sobre "encontros secretos" originados via internet. Não quero com isto propagar uma ideia de que esta é perigosa... Perigoso pode ser sim quem se esconde por detrás dela.
Destaque ainda para as participações secundárias de Paulo Matos como o pai de Luísa, Maria José Pascoal como a directora da escola e da sempre grande Elisa Lisboa como a funcionária que inicialmente a denuncia e que se torna no primeiro "alvo" da jovem.
Garantidamente um dos "pesos pesados" do ano, esta curta-metragem bem que poderia ser uma longa com terreno mais do que suficiente para ser explorado. Arrisco dizer que este é seguramente um dos melhores trabalhos cinematográficos que veremos este ano, ainda que possa prematuro neste momento afirmá-lo.
Do e ao realizador só posso dizer que espero muito atentamente pelos seus próximos trabalhos pois estou convicto que com os apoios certos terá muito e bom ainda por mostrar. Em duas palavras... simplesmente extraordinário.
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9 / 10
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domingo, 8 de julho de 2012

Ernest Borgnine

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1917 - 2012
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8 Days Later (2007)

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8 Dias Depois de Trevor Wild e Daniel Smith é uma curta-metragem de terror que segue a mesma linha (inclusive no título) dos filmes 28 Dias Depois e 28 Semanas Depois mas, ao contrário do que sucedeu nos referidos filmes, este decorre nuns Estados Unidos infectados com o mesmo vírus.
Contado ao estilo de um diário de conhecimentos básicos que se devem saber para sobreviver num mundo onde os sobreviventes são escassos, este filme não tem muito de novidade para o universo que já nos é familiar.
Ainda assim, para uma curta que terá, à partida, poucos recursos, consegue ser bem planeada e pensada e com uma caracterização que não deixa de ser fiel à saga original. Vale assim apenas pela curiosidade e para os fãs do estilo.
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6 / 10
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sábado, 7 de julho de 2012

Automaton Transfusion (2006)

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Automaton Transfusion de Steven C. Miller foi um daqueles filmes que me "caiu de pára-quedas" e do qual não fui capaz de desviar a atenção logo a partir dos primeiros instantes que, sem revelar nada, assumo serem dos mais bem conseguidos dos últimos tempos neste género de filme.
A história, no seu todo, é semelhante a todos os outros filmes do género. Numa pequena e pacata cidade do interior estranhos acontecimentos começam a suceder a um ritmo galopante quando os seus habitantes apresentam estranhamente um apetite voraz por carne humana. Desde a ocasional dentada a um frenesim de banquetes vai um salto, e aquilo que parecia um acidente isolado apresenta-se como um surto que é capaz de dizimar toda uma população.
Mas na prática, e já sabendo o que nos espera na globalidade, como apreciadores do género deixamo-nos levar por aquilo que o filme apresenta. Muita dentada, muita carne pendurada (qual talho), muito sangue... basicamente, muito gore. Mas nós não nos importamos... afinal se gostamos de ver estes filmes sabemos o que eles nos reservam e mesmo que os ocasionais e inevitáveis sustos, já esperados na sua maioria, surjam nos momentos em que nós sabemos que eles vão surgir, a realidade é que não nos importamos. Venham eles...
Com o decorrer da trama tomamos conhecimento de algo que acaba por também já se tornar óbvio... afinal o surto não é assim tão de origem desconhecida mas trata-se sim de uma experiência governamental que deu para o torto (para detalhes há que ver o filme), e mesmo assim, com tão familiar argumento, continuamos a gostar de ver o que este filme tem para apresentar.
No entanto, não há bela sem senão e os problemas surgem quando começamos a olhar para o filme de uma perspectiva técnica. Estes zombies que apesar de primarem por uma óptima caracterização que mais nos enoja do que mete medo (mete algum) e serem dotados de uma rapidez só semelhante à da saga 28 Dias Depois, são rapidamente "abafados" por alguns problemas técnicos a nível da coordenação de som e dos diálogos dos actores que por várias ocasiões tornam cansativa a percepção da acção do filme. Na teoria, no entanto, voltamos a nem ligar muito ao que se passa pois queremos é ver até que ponto aquelas personagens conseguem resistir a tão fortes investidas daquele bando de zombies que não desiste de dar a próxima "dentadinha".
Nem mesmo os desempenhos interpretativos deste conjunto de actores, que nem sempre é o melhor mas que consegue ser competente para o género que defende, nos faz afastar do filme. Queremos mais... e todos nós o sabemos...
Na prática o filme está exactamente onde o queremos... Clichés sobre clichés recheados com muito sangue e muito gore, uma boa caracterização dos mortos-vivos e a eterna cena familiar destroçada com a vitimização de alguns dos seus. No entanto nem tudo é assim tão "perfeito"...
Este filme estraga tudo aquilo que conseguiu construir ao longo de setenta e cinco minutos quando, de um momento para o outro, no exacto momento em que queremos ver mais termina abruptamente com a insultuosa mensagem "TO BE CONTINUED".
Continua?! Mas... continua quando e para onde? Para onde ainda poderia esquecer pois muitos, senão todos, estes filmes acabam quase sempre da mesma forma... Agora "quando" é algo que não posso esquecer. Se pensar que este filme já leva seis anos e que até à data não foi apresentada mais nenhuma continuação, fazendo com que uns já tenham esquecido o que viram e outros tantos nem se lembrem das personagens que aqui fizeram o seu "pézinho de dança", é no mínimo um insulto pensar que algum dos espectadores que poderão ter gostado do que aqui foi apresentado queira agora voltar a repetir a dose.
Se todo o filme estava construído de uma maneira agradável para o espectador, este final pode dizer-se que é no mínimo uma vergonha. Vou mais longe e repito-me, é um insulto do realizador não entregar um final lógico, gostássemos dele ou não, e que encerra-se um capítulo. Afinal de contas não estamos a falar de nenhuma trilogia tipo O Senhor dos Anéis onde existe uma continuidade lógica entre cada um dos títulos. Aqui não. Aqui estamos apenas a ver um filme do qual queremos ver um final. Mesmo que esse final significa o linchamento de todas aquelas inocentes almas que "zombificaram" do dia para a noite.
Por muito amador que fosse todo o trabalho em questão não lhe aponto isso como um defeito mas sim como fruto de criadores que podem ter tido aqui uma das suas primeiras experiências e que, depois de ver os cinco minutos iniciais, até lhes gabava o esforço. No entanto, todo o trabalho feito com este filme é literalmente deitado ao caixote do lixo com um final sem qualquer sentido ou razão de ser. Muito menos quando a respectiva "continuação" nunca chegou.
Interessante para o género mas completamente desmotivador pelo seu absurdo final.
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3 / 10
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Morvern Callar (2002)

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A Viagem de Morvern Callar de Lynne Ramsay conta com a interpretação principal de uma grande e jovem actriz de seu nome Samantha Morton já por duas vezes nomeada ao Oscar.
Morvern Callar (Morton) é uma jovem inglesa que trabalha num supermercado. A sua aparente banal vida transforma-se totalmente quando o seu namorado se suicida deixando-lhe algum dinheiro para o funeral e o seu romance por publicar.
Depois de alguns dias de pensar calmamente no que iria fazer Morvern faz-se passar pela autora do romance e envia-o a uma editora seguindo depois com a sua melhor amiga para Ibiza com o dinheiro que seria para o funeral tendo, no entanto, dado um final ao corpo do seu namorado.
A viagem para Ibiza tem tudo menos de pacífica mostrando ser o momento de uma verdadeira e radical transformação não só na vida de Morvern como em relação a tudo e todos que a rodeiam.
Várias são as sensações e emoções pelas quais passa ao longo desta viagem. Quase funciona como um processo de transformação numa nova pessoa. Alguém que ela própria desconhecia que existia dentro de si. Com o suicídio do seu namorado, Morvern atravessa um curto mas muito intenso período de luto. Um luto em silêncio pois ninguém sabe do seu suicídio. Tudo é ocultado. Dos conhecidos, dos amigos, da editora que nunca chega a saber da sua existência.
As memórias de Morvern da relação que manteve, tanto com o seu namorado como com a sua melhor amiga transformam-se radicalmente quando descobre segredos que até então lhe estavam ocultados. Repensa na sua vida e no sentido, ou falta dele, que fez até então. É então na viagem que faz com a sua melhor amiga que Morvern se liberta de estigmas e preconceitos que até então a inibiam e dá início a uma viagem de auto-descoberta e conhecimento que vão modelar todo o seu futuro.
Samantha Morton é, em qualquer uma das suas interpretações uma verdadeira força da natureza. Ora calma e paciente ora um verdadeiro tornado de emoções, percebemos perfeitamente que todo o mundo se modifica quando o ecrã irradia a sua presença. O seu olhar, expressão, movimentos e simples diálogos demonstram uma tremenda força de vida e vontade por ir mais além do que aquela simplória, e não simples, vida lhe reservou até então. Acaba por se tornar não só uma viagem a Ibiza onde se vai divertir e esquecer o seu passado. Pelo contrário, esta viagem torna-se numa celebração de já ter passado. Uma celebração daquilo que deixou para trás e que não quer voltar a conhecer. Uma viagem de novas descobertas, de desejo, de auto-satisfação e concretização.
Na minha opinião, o problema maior que este filme apresentou prende-se exactamente com o facto de ser apenas e só a viagem de uma só pessoa onde tudo o resto, quer sejam outras personagens quer seja o próprio espaço que habita ou que vai visitar, serem quase pontos apagados no ecrã. Se ela lá não estivesse teriam eles significado alguma coisa para o restante filme? Não são eles também que ajudaram a moldar a sua personalidade num dado momento da sua vida logo, como poderão eles assumir um lugar tão pouco relevante no desenvolvimento deste filme?
Dito isto, poderá esta sua personagem, independentemente da brilhante interpretação de Morton, "sobreviver" se não tivermos em consideração tudo o resto? Consegue ela ser auto-suficiente?
É um filme interessante se analisarmos a viagem de auto-descoberta e afirmação no mundo que Morvern tem, mas na prática lá bem perto do final saímos com uma sensação de algum vazio e falta de concretização sobre aquilo que poderá ser o seu futuro. Resumidamente... aquece mas depois quando se "come"... está frio. Vale apenas pela interpretação e enorme talento de Samantha Morton.
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5 / 10
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Globos de Ouro Itália 2012: vencedores

FILME
L’Industriale, de Giuliano Montaldo
REALIZADOR
Ferzan Ozpetek, por Magnifica Presenza
PRIMEIRA OBRA
Appartamento ad Atene, de Ruggero DiPaola
COMÉDIA
Com’è Bello Far l’Amore, de Fausto Brizzi
ARGUMENTO
Roberto Faenza e Dahilia Heyman, em Un Giorno Questo Dolore ti Sarà Utile
FOTOGRAFIA
Arnaldo Catinari, em L’Industriale
MÚSICA
Andrea Morricone, em L’Industriale
INTÉRPRETE CANÇÃO ORIGINAL
Patty Pravo, em Com’è Bello Far l’Amore
ACTOR
Elio Germano, em Magnifica Presenza
ACTRIZ
Asia Argento, em Isole
ACTOR SECUNDÁRIO
Beppe Fiorello, em Terraferama e Magnifica Presenza
ACTRIZ SECUNDÁRIA
Paola Minaccioni, em Magnifica Presenza
REALIZADOR REVELAÇÃO
Laura Morante, em Ciliegine
FILME A CONSIDERAR
Maternity Blues, de Fabrizio Cattani
GLOBO DE OURO EUROPEU
Andrea Osvart
DOCUMENTÁRIO
Mare Chiuso, de Stefano Liberti e Andrea Segre
CURTA-METRAGEM
La Casa di Ester, de Stefano Chiodini
PRODUTOR
Elda Ferri, em Un Giorno Questo Dolore ti Sarà Utile
FILME EUROPEU
Tellement Proches, de Olivier Nakache e Eric Toledano
GLOBO DE OURO ESPECIAL
Anna Proclemere, em Magnifica Presenza
PRÉMIO À CARREIRA
Michele Placido
MENÇÃO ESPECIAL
Giovanna Cau, por uma vida dedicada ao cinema
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI
Pierfrancesco Favino
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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anestesia (2010)

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Anestesia de Pedro Varela é uma das curtas-metragens premiadas no Shortcutz Lisboa 2010 com vários prémios incluindo Melhor Actor para Albano Jerónimo, e inclusive aqui no CinEuphoria, desta vez integrada no telefilme O Dez, com os prémios aos actores secundários portugueses, novamente para Albano Jerónimo e São José Correia.
Timóteo (Jerónimo) tem algo no seu corpo que pretende desesperadamente remover. Investiga sem fim em manuais de medicina como poder efectuar uma operação no seu próprio corpo mas, para isso, precisa também de cobaias.
Não haverá melhor cobaia para Timóteo do que mulheres que anónimas na noite arriscam a sua vida por algum dinheiro e que sendo à partida fisicamente menos fortes que ele, não irão dar luta. Até ao dia em que Amanda (Correia) surge na sua vida e consegue finalmente obter aquilo que ele procura.
A dupla protagonista desta curta-metragem não poderia ser melhor. Albano Jerónimo e São José Correia interpretam as suas personagens na perfeição. Ele instável e quase a roçar a paranóia por querer desesperadamente remover do seu corpo um moeda que representa o mal para quem a possui. Ela uma predadora. Uma mulher capaz de tudo para alcançar o seu objectivo final nem que para isso tenha de se mostrar como uma mulher inocentemente sedutora.
As sólidas interpretações destes dois actores dão vida a um brilhante argumento de João Nunes que por si só já tem uma energia muito própria e que é recriado num ambiente tão negro como a própria história de tão maldita moeda que atormenta de formas distintas as suas personagens.
A excelência não se fica por aqui... a direcção de fotografia de Vítor Rebelo que transforma um luhar já por si só assustador num verdadeiro antro de medo é apenas completamentada pela sinistra banda-sonora da David Rossi que executa muito bem a ideia de que ali nada de bom irá suceder.
Tudo completado com a excelência de Pedro Varela na realização que nos faz desejar ver novos trabalhos deste realizador que aqui cumpre na perfeição aquilo que se espera de um filme de suspense e de terror... sentirmos que estamos presos num local onde iremos ter a nossa vida posta à prova. Brilhante!
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10 / 10
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Anaconda (1997)

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Anaconda de Luis Llosa foi um dos grandes sucessos de bilheteira do ano em que estreou pois levou multidões ao cinema na esperança e na promessa de ser um novo Tubarão mas... com uma cobra absurdamente gigante.
Se a isto juntarmos um Jon Voight, Owen Wilson, Eric Stoltz e uma Jennifer Lopez (há altura ainda muito latina e não tão americanizada como actualmente), então o filme estava mesmo a "pedir" que o espectador fosse à sala de cinema para o ver.
Tudo começa quando uma equipa da National Geographic pela Amazónia salva Paul (Voight) um estranho homem que cedo revela as suas intenções de capturar uma anaconda gigante para poder ganhar algum dinheiro extra... muito dinheiro extra.
Escusado será dizer que a partir deste momento toda a equipa está metida em problemas e que Terri (Lopez), Danny (Ice Cube), Steven (Stoltz) e Gary (Wilson) vão literalmente lutar pela sua vida como forma de escaparem às mandíbulas assassinas de tão enorme criatura.
É impossível destacar uma interpretação positiva neste filme. Ele é, na teoria e na prática feito para ser mau. Literalmente muito mau. Temos os claros heróis de serviço que aqui se assumem nas pessoas de Jennifer Lopez e Ice Cube mas que na prática mais não são do que dois "desenrascas" que tentam das formas mais alucinantes e sem qualquer nexo escapar ao tão mortal abraço de uma anaconda disforme. Jon Voight, também igual a si próprio não conseguindo, no entanto, recriar um vilão credível e verdadeiramente assustador, limitando-se a ser mais bonacheirão e ressabiado do que propriamente alguém que nos consiga, por qualquer momento que seja, meter medo.
Todas as interpretações são, sem excepção, feitas a metro... Lá lhes atiraram com meia dúzia de páginas a dizer que teriam de ser todos básicos e... eles foram.
É nestes filmes que acabamos por nos virar para o mais óbvio... a credibilidade dramática do assassino... a anaconda mas, uma vez mais, nem ela consegue ser credível. Além de absolutamente disforme devido ao seu exagerado tamanho e completamente peceptível a sua falta de enquadramento real nas imagens, ainda temos uma anaconda que se mexe mais rapidamente do que uma gazela independentemente do peso que um animal daquele tamanho deveria ter. Como se tudo isto não bastasse temos uma cobra exageradamente grande, que se move muito rapidamente e... que grita... Grita bem alto para assustar as suas indefesas vítimas.
Às tantas ao assistirmos a este filme mais parece que nos encontrarmos a assistir a uma comédia do que propriamente a um filme que se quer de acção e suspense. As interpretações são tão más que se tornam absurdas e os próprios efeitos especiais que deveriam conferir à anaconda algum "look" assustador mais conseguem parodiá-la do que torná-la assustadora. Não nos começamos a rir porque o filme não o pede mas... com um pouco de sorte lá acabamos por fazê-lo.
Acrescento que por momentos até desejamos que aquela anaconda disforme mate aquela gente toda de uma só vez para tornar a agonia de ver este filme menos penosa e dolorosa. Algo que, infelizmente, não acontece.
Se esperamos por um filme interessante ao estilo de Tubarão ou até mesmo de um Aracnofobia, onde os animais ganham uma inteligência extrema que conseguem dar conta de uma população inteira de uma forma mais ou menos credível estamos longe, muito longe aliás, de estar certos. Aqui os momentos de tensão nunca se concretizam por maior e nem tão pouco existem momentos de ligeira comédia que suavizem a tensão existente no filme.
As interpretações dos actores e respectiva construção de personagens é de tal forma má que pensamos hoje como terão estes actores participado em tão fraco conteúdo cinematográfico e, finalmente, até é de ter pena da própria anaconda que mais parece condenada a ter de lidar com aquelas pessoas tão estranhas... ninguém merece.
Temos no final um filme pobre, muito manhoso e sem qualquer nexo mas que vistas bem as coisas consegue ter aí o seu ponto forte... Lixo cinematográfico que, na prática, nos diverte de uma ou outra forma. Nem sempre podemos ter filmes bons e de conteúdo à nossa frente. Todos nós temos os momentos em que preferimos optar por algo que nos deixa a cabeça completamente vazia... Eis o filme!
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3 / 10
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Andy Griffith

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1926 - 2012
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Ensinamentos Para a Vida Adulta (2010)

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Ensinamentos para a Vida Adulta de Ernesto Bacalhau foi a curta-metragem vencedora do Shortcutz Lisboa em Novembro de 2011 e uma das justas finalistas seleccionadas para o Sophia na respectiva categoria.
Quando uma rapariga (Maria Leite) se desloca para a sua primeira aula de condução estava longe de imaginar que Efigénio (Orlando Costa) o seu instrutor a fizesse passar por uma das maiores provas da sua vida com a cumplicidade da sua mulher (Lucinda Loureiro).
Aquilo que começa como uma simples e muito simpática lição de condução acaba no que poderia ser o maior pesadelo da vida de qualquer um. Se a carta e o respectivo automóvel são um sinal de independência, tal como tão brilhantemente é referido ao longo desta curta, o que é certo é que para aquela rapariga consegue obter o simbolismo do seu maior pesadelo e tortura.
Quando Efigénio e a mulher a transportam contra a sua vontade para aquele que poderá ser o seu último destino só restam duas soluções... parar e pensar no perigo em que se encontra ou reagir e obter, na pior das circunstâncias, a sua tão desejada independência.
Esta curta-metragem representa uma continuidade na brilhante originalidade que o cinema de curta duração português tem vindo a apresentar nos últimos tempos. Para ser franco cada vez que vejo um destes filmes páro para pensar na quantidade de talento que tenho visto e como ele, em muitas situações, se encontra tão "escondido" dos olhares de quem deve ver.
Assim, e falando desta muito em concreto mas sem revelar nada daquilo que deve ser visto neste vinte minutos de muita emoção, temos aqui um argumento da autoria de Ricardo Figueira que começa por ser simpático e a todos agradar para avançar para uma história de clausura e medo e terminar num conto de violência, vingança e afirmação.
Os actores não poderiam ter sido melhor escolhidos. Por um lado temos um Orlando Costa que todos nós estamos habituados a ver em produções televisivas onde encarna sempre o bom da fita. Sempre um homem calmo, paciente e com os seus enormes rasgos de alegria que preenchem o serão de qualquer um. Aqui, se inicialmente dá continuidade a este seu look mais familiar, rapidamente mostra o seu lado oculto e sombrio capaz de cometer as maiores atrocidades em nome da segurança dos seus. Um rosto amigo que esconde um ladro tenebroso e impiedoso capaz de "dar conta do recado" sem o mínimo de coração. Se já me tinha conquistado com o seu lado bom... fez-me render com o seu lado sombrio. Simplesmente brilhante.
Ao seu lado temos uma sempre impiedosa Lucinda Loureiro como a sua mulher e enfermeira de profissão que com mais garra e convicção consegue ser mortífera. No entanto desta actriz não poderia esperar outra coisa. Aliás, acrescento que se fizesse o papel da "boazinha" julgo que nem me conseguiria agradar. Está "au point" como aliás se quer.
Finalmente temos uma igualmente surpreendente Maria Leite que era até agora uma desconhecida para mim, mas que se afirma como a menina ingénua transformada em heroína e que com uma garra tão grande ou maior que os seus captores consegue dominá-los e controlar toda a situação.
Igualmente impressionante a fotografia de André Szankowski que recria uma atmosfera "seca" desprovida de grandes artifícios que nos faça dispersar a atenção com detalhes supérfulos, transformando espaços e ruas que podem ser em qualquer cidade ou vila portuguesa num ambiente que parece retirado de um qualquer deserto no interior profundo dos Estados Unidos onde estas acções ao estilo de Terror na Auto-Estrada se desenrolam.
E não esquecendo a brilhante banda-sonora de Paus (lamento se estou a cometer alguma gaffe mas é o que me pareceu na minúscula letra dos créditos finais) que "apenas" intensifica toda uma tensão que se sente crescente ao longo de todo o filme.
Esta curta-metragem é sem dúvida uma muito agradável surpresa que não se deve perder e, como tal, aqui fica na íntegra para que possa ser vista. Acreditem que não se vão arrepender.
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9 / 10
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pré-seleccionadas aos Sophia 2012: Curtas-Metragens

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Ficção
  • Alfama, de João Viana
  • Direto, de Luís Alvarães e Luís Mário Lopes
  • Ensinamentos para a Vida Adulta, de Ernesto Bacalhau
  • O Inferno, de Carlos Conceição
  • Incêndio, de Miguel Seabra Lopes e Karen Akerman
  • Insert, de Marco Martins e Filipa César
  • Liberdade, de Gonçalo Abrantes e Benjamin Crotty
  • Momentos, de Nuno Rocha
  • North Atlantic, de Bernardo Nascimento
  • Pickpocket, de João Figueiras
  • Shadows, de Nuno Dias
  • Zoo, de Margarida Leitão
Documentários
  • Alvorada Vermelha, de João Rui Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues
  • Angst, de Graça Castanheira
  • Como as Serras Crescem, de Maria João Soares
  • Fuera de Quadro, de Márcio Laranjeira
  • Gaita-de-foles, de Luís Margalhau
  • A Máquina, de Miguel Guimarães Correia e Daniel P. Sousa
  • Noturnos
  • Wakasa, de José Manuel Fernandes
Animação
  • Bats in the Belfry, João Alves
  • Ginjas, de Zepe (José Pedro Cavalheiro) e Humberto Santana
  • Independência de Espírito, de Marta Monteiro
  • Os Milionários, de Mário Gajo de Carvalho
  • My Music, de Tiago Albuquerque e João Bráz
  • Os Olhos Do Farol, de Pedro Serrazina
  • Vacas, de Isabel Aboim
  • Viagem a Cabo Verde, José Miguel Ribeiro
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GDA 2012: os vencedores

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Revelados os Prémios Fundação GDA - Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas que premeia este ano pela primeira vez três interpretações em cinema.
Para Melhor Actor a distinção foi atribuída ex-aequo para Fernando Luís pela sua interpretação no filme América de João Nuno Pinto e Nuno Lopes pelo seu desempenho no multipremiado Sangue do Meu Sangue.
Na categoria de Melhor Actriz Secundária foi distinguida Rita Martins pelo seu desempenho no filme Efeitos Secundários de Paulo Rebelo.
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domingo, 1 de julho de 2012

Pelas Próprias Mãos (2008)

Pelas Próprias Mãos de Artur Ribeiro é mais um dos telefilmes produzido pela TVI no segmento Casos da Vida.
Neste telefilme Sónia (Sandra Santos) é a nova comandante do posto de GNR de uma aldeia do interior. Quando pensava ir ter uma vida pacata no seu novo posto, mal chega é confrontada com um tiroteio onde estão envolvidos os rufias da aldeia (Ângelo Rodrigues e Manuel Melo) e o Presidente da Junta (Nicolau Breyner) que não se mostra muito cooperante.
Como se a confusão profissional não bastasse, a comandante Sónia tem ainda a sua própria paixoneta sentimental com outro dos guardas que não consegue controlar.
O problema maior desta primeira temporada de telefilmes da TVI são os seus argumentos que tentam resolver em pouco mais de oitenta minutos um conjunto infindável de histórias soltas. Por um lado a relação sentimental entre dois guardas, por outro o seu principal caso policial que envolve uma violação e os tais rufias e finalmente um Presidente de Junta que em desespero resolveu fazer justiça pelas próprias mãos. Tudo isto sem esquecermos que existe um conjunto enorme de actores secundários que, em muitos casos, não têm sequer o desenvolvimento da sua personagem. Luísa Ortigoso, Augusto Portela ou um Philippe Leroux com uma estranhíssima personagem que dança à medida que entrega mandados de captura, são algumas das personagens que mereciam um maior destaque e desenvolvimento.
Na prática os telefilmes não funcionam não pela falta de qualidade dos seus actores ou das histórias, mas sim pelo fraco desenvolvimento que é dado a ambos e por alguma "telenovelice" que é dado ao ritmo das filmagens fazendo dispersar e deixar por explicar vários aspectos que mereciam naquele espaço de tempo a sua correcta divulgação. Afinal só tendo perto de uma hora e meia de duração e não um conjunto de trezentos episódios, os vários caminhos abertos nesta história devem ser resolvidos e não adiados para mais tarde.
Ainda assim consegue ser um dos mais bem pensados telefilmes desta fornada inicial sem que, no entanto, consiga ser um filme memorável para o futuro. Longe de crítica negativa mas sim um reparo que deveria ser seguido, é pena que não existam mais canais de televisão a investir nas produções nacionais como, mais ou menos bem, a TVI tem feito.
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6 / 10
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Lux Film Prize 2012: filmes seleccionados

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Foram hoje revelados no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary os filmes seleccionados ao Prémio Lux 2012 atribuído pelo Parlamento Europeu, para os quais se destaca uma participação portuguesa pelo segundo ano consecutivo depois de na última edição ter sido seleccionado o filme Mistérios de Lisboa de Raúl Ruiz. E os seleccionados são:
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À Perdre la Raison, de Joachim Lafosse
Barbara, de Christian Petzold
Cesare Deve Morire, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Crulic - Drumul Spre Dincolo, de Anca Damian
Csak a Szél, de Bence Fliegauf
Djeca, de Aida Begic
Io Sono Li, de Andrea Segre
L'Enfant d'en Haut, de Ursula Meier
Louise Wimmer, de Cyril Mennegun
Tabu, de Miguel Gomes
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sábado, 30 de junho de 2012

Shortcutz Faro - Curta vencedora de Junho 2012

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Aqui Jaz a Minha Casa
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de Rui Pilão
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Divina Intervenção (2011)

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Divina Intervenção de Telmo Martins realizador que já nos havia apresentado o muito agradável Um Funeral à Chuva, e regressa aqui com esta curta-metragem em 3D.
Esta história mostra-nos um homem (Hugo Costa Ramos) que procura o local ideal para pôr termo à sua vida. Não conhecemos os motivos... apenas sabemos ser este o seu desejo. Por entre caminhos e desfiladeiros
É quando chega ao local "ideal", ou pelo menos um deles, que outro homem (Luís Dias) aparece do nada e tenta saber os motivos de tal decisão levando-o a desistir do local e seguir caminho até encontrar outro que não esteja "escolhido".
Tinha alguma curiosidade em ver este trabalho por o saber um dos mais recentes do realizador que me tinha impressionado com o Funeral e assim que soube que este já se encontrava disponível online não perdi tempo em ver.
O primeiro aspecto que me desiludiu no filme foi o facto de estar em 3D. Não sou fã desta nova "moda" que faz com que todos os filmes apareçam neste formato que, na minha opinião, em nada beneficia os filmes. Antes pelo contrário. O segundo, e provavelmente o mais importante, é a falta de desenvolvimento que o argumento tem. A história, a melhor explorada nomeadamente nos motivos que levaram o primeiro homem a procurar tão desesperadamente a morte, faria com que esta curta (que seria mais longa) tivesse um desenvolvimento mais interessante e dava também um novo olhar à personagem, o mesmo se aplicando ao segundo homem.
Os actores acabam por sofrer do anterior mal e com pouco conteúdo para enriquecer as suas personagens, não conseguem dar-lhes o devido conteúdo e trabalhar mais nos motivos e nos porquês. Da personagem interpretada por Hugo Costa Ramos pouco ficamos a saber e da personagem de Luís Dias esboçamos apenas um breve sorriso pela sua tão caricata figura.
Se há curtas que vivem muito bem por o serem, esta não é uma delas. A sua reduzida duração não chega para explicar os motivos que levam aqueles dois homens a estar ali naquele local a procura a morte, e a simples justificação de "porque sim" não é suficientemente convincente para nos satisfazer.
Aqui Telmo Martins poderia, tanto a nível de realização como principalmente de argumento, ter dado mais... muito mais, fazendo com que este trabalho não se resumisse a uma simples banalidade.
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3 / 10
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Abraham Lincoln: Vampire Hunter (2012)

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Diário Secreto de um Caçador de Vampiros de Timur Bekmambetov é um interessante e imaginativo filme que cruza eventos e personagens históricas com mitologia numa abordagem bem conseguida.
Numa época em que a escravatura era ainda parte do sistema nos Estados Unidos, o jovem Abraham Lincoln assiste à morte da sua mãe às mãos de um vampiro. Anos mais tarde, Lincoln (Benjamin Walker) ao tentar matar o vampiro Jack Barts (Marton Csokas) é abordado por Henry Sturgess (Dominic Cooper) que o treina para ser um caçador de vampiros ao seu serviço.
Depois de se mudar para Springfield e trabalhar numa loja conhece Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead) que viria a ser sua mulher, enquanto estuda Direito de dia e à noite dá caça aos vampiros que povoam a cidade.
À medida que Lincoln abandona a sua profissão nocturna e se dedica à sua amada e à construção de uma carreira política que o levará anos mais tarde à Presidência do país, a população vampírica tem também os seus próprios planos para aquilo que poderia ser o primeiro território no mundo sob o domínio das criaturas sedentas de sangue.
Se inicialmente qualquer um de nós suspeita sobre este género de filme, o que é certo é que também temos de lhes dar uma oportunidade para perceber realmente o que daqui poderá surgir. Se na prática, ou pelo menos na maioria das situações, o que temos é um conjunto de factos sem nexo que retira todo e qualquer interesse do filme em causa, julgo que aqui será seguro dizer que os acontecimentos conseguem ser convincentes.
Em primeiro lugar não nos podemos esquecer do género de filme que é... acção misturada com alguma pitada de aventura e, claro está, tendo como pano de fundo um dos acontecimentos históricos mais importantes da História dos Estados Unidos da América e, como "personagem principal, um homem que foi Presidente do referido país. Muita confusão? Nem por isso...
Vamos pelo lado de entretenimento do filme, e esperemos que daqui saia uma agradável história de aventura que nos irá distrair por algum tempo. Os Estados Unidos em plena guerra civil onde os contornos da mesma vão muito para além do fim da escravatura no sul do país, dando sim lugar a um território que poderá ser dominado por uma força que escravizará todos aqueles que lhe façam frente. A junção do lado imaginativo com os acontecimentos históricos reais consegue estar harmoniosamente realizada ao ponto de se tornarem credíveis. A famosa batalha de Gettysburg que tantas vidas custou... afinal mais não foi do que uma carnificina vampírica?!
Além do próprio argumento que consegue unir todos estes aspectos de uma forma bem convincente para o género (que nem sempre é bem sucedido) temos de destacar aqueles que são os aspectos fundamentais do género. O primeiro são os óbvios efeitos especiais, claramente no seu máximo aquando da viagem final de comboio e que conseguem elevar todo o filme a uma dimensão bem espectacular, e finalmente a caracterização dos referidos vampiros que, estejam ou não transformados, são verdadeiramente assustadores.
As interpretações, das quais nenhuma se destaca pela sua excelência conseguem, no entanto, ser bem eficazes com doses equilibradas quer de acção quer de aventura e com uma ligeira dose de humor. Benjamin Walker como Lincoln ou Dominic Cooper como o seu primeiro grande amigo são das personagens mais centrais e que consegue captar a maioria do protagonismo do filme. Rufus Sewell como o milenar vampiro Adam (curioso nome para dar a um vampiro com mais de cinco mil anos, numa clara referêcia ao primeiro homem) está, passo o cliché, igual a si próprio. Mais um papel onde o seu olhar mortiço e desprovido de emoção consegue ser um dos seus pontos mais fortes e torná-lo irresistível nesta sua nova personagem.
Por ser um filme também ele de época, há igualmente aspectos positivos que poderemos considerar... a brilhante direcção artística e recriação das casas senhoriais e das plantações sulistas ou das pequenas lojas do norte que eram autênticos mercados abastecedores da autoria de François Audouy, Beat Frutigere Cheryl Carasik... ou claro, o requintado guarda-roupa da autoria de Varvara Avdyushko e Carlo Poggioli que só não irão ver o seu trabalho convertido numa nomeação a Oscar devido ao género em que este filme se insere, não deixando no entanto de ser dos maiores trunfos que o filme apresenta.
Que se desengane quem vá ver este filme a pensar que irá assistir a uma reconstituição histórica com factos que conhece. Aqui temos sim a História como um pano de fundo e uma moderna e interessante adaptação dos mesmo a um conto vampírico. Muito ao estilo de Bekmambetov (do qual já temos o excelente Wanted), temos um bem movimentado conto recheado de intensas cenas de acção e de lutas bem aparatosas que não nos vão deixar sossegados na cadeira e que conseguem ser do princípio até ao fim constantes e enérgicas, não permitindo assim que o filme se perca pelo caminho e impossível para nós espectadores perder-lhe o gosto. Não será intemporal mas deixa com certeza a sua marca neste Verão.
O único factor negativo... só mesmo o desnecessário aplicar do 3D que... acaba por ser perfeitamente dispensável (mas isso... é neste e em qualquer outro filme).
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"Abraham Lincoln: History prefers legends to men."
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7 / 10
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Shortcutz Faro #05

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 Última sessão Shortcutz Faro.
.Exibição curta vencedora do mês.
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Curta convidada Conto do Vento.
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Convidado especial Cláudio Jordão co-realizador da curta Conto do Vento.
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hoje 21h30 Pátio de Letras.
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terça-feira, 26 de junho de 2012

Nora Ephron

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1941 - 2012
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