sexta-feira, 29 de junho de 2012

Abraham Lincoln: Vampire Hunter (2012)

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Diário Secreto de um Caçador de Vampiros de Timur Bekmambetov é um interessante e imaginativo filme que cruza eventos e personagens históricas com mitologia numa abordagem bem conseguida.
Numa época em que a escravatura era ainda parte do sistema nos Estados Unidos, o jovem Abraham Lincoln assiste à morte da sua mãe às mãos de um vampiro. Anos mais tarde, Lincoln (Benjamin Walker) ao tentar matar o vampiro Jack Barts (Marton Csokas) é abordado por Henry Sturgess (Dominic Cooper) que o treina para ser um caçador de vampiros ao seu serviço.
Depois de se mudar para Springfield e trabalhar numa loja conhece Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead) que viria a ser sua mulher, enquanto estuda Direito de dia e à noite dá caça aos vampiros que povoam a cidade.
À medida que Lincoln abandona a sua profissão nocturna e se dedica à sua amada e à construção de uma carreira política que o levará anos mais tarde à Presidência do país, a população vampírica tem também os seus próprios planos para aquilo que poderia ser o primeiro território no mundo sob o domínio das criaturas sedentas de sangue.
Se inicialmente qualquer um de nós suspeita sobre este género de filme, o que é certo é que também temos de lhes dar uma oportunidade para perceber realmente o que daqui poderá surgir. Se na prática, ou pelo menos na maioria das situações, o que temos é um conjunto de factos sem nexo que retira todo e qualquer interesse do filme em causa, julgo que aqui será seguro dizer que os acontecimentos conseguem ser convincentes.
Em primeiro lugar não nos podemos esquecer do género de filme que é... acção misturada com alguma pitada de aventura e, claro está, tendo como pano de fundo um dos acontecimentos históricos mais importantes da História dos Estados Unidos da América e, como "personagem principal, um homem que foi Presidente do referido país. Muita confusão? Nem por isso...
Vamos pelo lado de entretenimento do filme, e esperemos que daqui saia uma agradável história de aventura que nos irá distrair por algum tempo. Os Estados Unidos em plena guerra civil onde os contornos da mesma vão muito para além do fim da escravatura no sul do país, dando sim lugar a um território que poderá ser dominado por uma força que escravizará todos aqueles que lhe façam frente. A junção do lado imaginativo com os acontecimentos históricos reais consegue estar harmoniosamente realizada ao ponto de se tornarem credíveis. A famosa batalha de Gettysburg que tantas vidas custou... afinal mais não foi do que uma carnificina vampírica?!
Além do próprio argumento que consegue unir todos estes aspectos de uma forma bem convincente para o género (que nem sempre é bem sucedido) temos de destacar aqueles que são os aspectos fundamentais do género. O primeiro são os óbvios efeitos especiais, claramente no seu máximo aquando da viagem final de comboio e que conseguem elevar todo o filme a uma dimensão bem espectacular, e finalmente a caracterização dos referidos vampiros que, estejam ou não transformados, são verdadeiramente assustadores.
As interpretações, das quais nenhuma se destaca pela sua excelência conseguem, no entanto, ser bem eficazes com doses equilibradas quer de acção quer de aventura e com uma ligeira dose de humor. Benjamin Walker como Lincoln ou Dominic Cooper como o seu primeiro grande amigo são das personagens mais centrais e que consegue captar a maioria do protagonismo do filme. Rufus Sewell como o milenar vampiro Adam (curioso nome para dar a um vampiro com mais de cinco mil anos, numa clara referêcia ao primeiro homem) está, passo o cliché, igual a si próprio. Mais um papel onde o seu olhar mortiço e desprovido de emoção consegue ser um dos seus pontos mais fortes e torná-lo irresistível nesta sua nova personagem.
Por ser um filme também ele de época, há igualmente aspectos positivos que poderemos considerar... a brilhante direcção artística e recriação das casas senhoriais e das plantações sulistas ou das pequenas lojas do norte que eram autênticos mercados abastecedores da autoria de François Audouy, Beat Frutigere Cheryl Carasik... ou claro, o requintado guarda-roupa da autoria de Varvara Avdyushko e Carlo Poggioli que só não irão ver o seu trabalho convertido numa nomeação a Oscar devido ao género em que este filme se insere, não deixando no entanto de ser dos maiores trunfos que o filme apresenta.
Que se desengane quem vá ver este filme a pensar que irá assistir a uma reconstituição histórica com factos que conhece. Aqui temos sim a História como um pano de fundo e uma moderna e interessante adaptação dos mesmo a um conto vampírico. Muito ao estilo de Bekmambetov (do qual já temos o excelente Wanted), temos um bem movimentado conto recheado de intensas cenas de acção e de lutas bem aparatosas que não nos vão deixar sossegados na cadeira e que conseguem ser do princípio até ao fim constantes e enérgicas, não permitindo assim que o filme se perca pelo caminho e impossível para nós espectadores perder-lhe o gosto. Não será intemporal mas deixa com certeza a sua marca neste Verão.
O único factor negativo... só mesmo o desnecessário aplicar do 3D que... acaba por ser perfeitamente dispensável (mas isso... é neste e em qualquer outro filme).
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"Abraham Lincoln: History prefers legends to men."
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7 / 10
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