domingo, 24 de junho de 2012

Como Agua para Chocolate (1992)

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Como Água para Chocolate de Alfonso Arau é um filme mexicano nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro que nos conta a história de amor proibído entre Pedro (Marco Leonardi) e Tita (Lumi Cavazos). Proibído visto que a mãe de Tita queria que esta enquando filha mais nova ficasse a tomar conta dela, dando assim lugar ao casamento da mais velha que até à data ninguém queria desposar.
Uma história em época de mudança num México rural ultra-conservador onde a moral, os valores e os bons costumes (por muito inapropriados que fossem), apesar de ter conseguido separar um amor verdadeiro, nunca o conseguiu terminar.
Esta história de um amor trágico, incompleto durante anos sem fim e ocultado através de valores familiares de honra e por relações de poder, dirigido por um dos mais conceituados realizadores mexicanos tinha tudo para ser uma história trágica bem cosneguida que não só nos apaixonaria a todos como também facilmente nos conseguiria conquistar. No entanto algo falha no meio de todos estes caminhos tumultuosos.
Se por um lado há toda uma componente bem latina que mostra que a boa cozinha e os prazeres de uma mesa composta conseguem conquistar todo um povo, e que de certa forma nos conseguem deliciar só de olhar para tudo aquilo que é feito e como de um simples almoço se é capaz de fazer um festim capaz de deleitar qualquer um (mas continuo a dizer que Chocolat é bem mais conseguido neste aspecto), também é verdade dizer que tudo isto é de certa forma "apagado" graças à pouca química existente entre os dois actores protagonistas. Se por um lado ambos ficam devastados por não conseguirem consumar o seu amor e paixão, também é justo dizer que ao aceitar casar com a irmã mais velha, Pedro não se mostra muito incomodado com a vã desculpa de poder ficar perto de Tita, dando assim início a uma longa história de amor que ora se cumpre ora não, dependendo das necessidades e oportunidades que ambos lá vão criando entre si.
Assim, se por um lado a química entre os protagonistas não está devidamente consumada é, no entanto, correcto dizer que a transposição de época do filme está francamente bem conseguida. Ao vermos as imagens no ecrã sentimo-nos por diversos momentos como se estivessemos de facto ali. O pó, os cheiros que imaginamos percorrerem aqueles cenários e as festas são algo que nos consegue cativar e fazer esquecer que estamos em épocas bem diferentes e distintas.
Se por um lado podemos dizer que o romance de Laura Esquível, que aqui também assina o argumento, conseguem recriar um ambiente tanto temporal como de espaço perfeitos que nos transportam realmente para o local onde a história de desenlaça, também será justo dizer que a dinâmica existente as demais personagens está lá e bem presente. A relação conflituosa de dominação e dominado entre Tita e a sua mãe conseguem ser dos momentos recriados mais interessantes e estimulantes que o filme apresenta. No entanto, e no fundo aquilo que é o mais importante de tudo, são os momentos (poucos) existentes entre o par protagonista que não aquecem nem nos arrefecem durante todo o filme. Sabemos que é uma relação proibída e como tal queríamos ver mais "perigo" nos seus encontros mas a verdade é que nem de perto nem de longe se aproxima de algo que é realmente "proibído".
Quando este amor se consegue finalmente consumar, já velho em idade, em vez de terminar com uma relação que queremos ver de amor, temos algo que é literalmente incendiário, quase roçando no ridículo, deixando-nos com uma sensação de "ok... isto não deveria ter acontecido assim".
Na teoria, se por um lado teve vários momentos que gostamos e até queremos ter mais, na prática é que o filme nunca deixa de ser mediano e tem poucos momentos realmente concretizados que nos consigam apaixonar e deliciar, tal como o amor não efectivado que Pedro e Tita vivenciaram.
Não deixa de ser interessante e com alguns momentos ora trágicos ora cómicos que nos conseguem despertar a curiosidade mas em suma não é um grande filme do género.
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5 / 10
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