sábado, 12 de setembro de 2015

A Tua Plateia (2015)

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A Tua Plateia de Óscar Faria é uma curta-metragem de ficção portuguesa e uma das dez nomeadas ao Prémio MOV MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror 2015 do MOTELx a decorrer no Cinema São Jorge até amanhã dia 13.
Ele (Miguel Damião) percorre em silêncio o interior desertificado de Portugal onde recolhe paus, pedras e vítimas. Numa dessas viagens uma igualmente misteriosa menina acompanha-o... Qual será a sua missão?
O realizador e também argumentista de A Tua Plateia entrega uma história que nos prende desde o primeiro instante e que nos seus breves minutos de duração cria uma interessante e tensa atmosfera sobre o desconhecido que aqui se apresenta através das estranhas e enigmáticas acções de um homem que parece ora indiferente ora desesperado com aquilo que "tem" de fazer.
Se inicialmente o espectador o encara como uma assassino psicopata perdido nas estradas desconhecidas de um Portugal profundo, não é menos verdade que lentamente percebemos que as suas acções têm uma finalidade - ainda que mórbida - e que nada do que faz é ao acaso. Aquele homem parece transformado por um trágico acontecimento que o acompanha e que pretende colmatar a sua dor com uma última acção de graça para com o passado que perdeu.
A Tua Plateia transforma-se desta forma não numa curta-metragem de terror tradicional onde estamos perante a presença de um vilão habitual mas sim perante uma história onde esse mesmo terror se assume como psicológico e, como tal, o principal elemento que distorce e transforma a realidade tal como tanto a personagem como o espectador em sala a conhecem.
Com uma atmosfera alternativa para a qual muito contribui a cuidada direcção de fotografia de José Pedro Lopes - também o produtor - e que conferem a toda a curta-metragem uma nítida sensação de isolamento e desespero latentes, A Tua Plateia afirma-se como uma interessante aposta para a melhor curta de terror do ano denotando ainda uma intensa interpretação de Miguel Damião como um atípico vilão cujo coração fora - em tempos - arrancado do seu peito e que encontra nas suas acções uma forma de se manter ligado àquilo que já não tem pois todos, mesmo aqueles que já não estão, precisam de alguém que os admire... eternamente.
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8 / 10
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