sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Howl (2015)

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Howl de Paul Hyett é uma longa-metragem britânica presente na secção Serviço de Quarto da nona edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer no Cinema São Jorge até ao próximo Domingo.
Joe (Ed Speleers) é um jovem revisor que se vê encurralado numa profissão da qual não prevê nenhum futuro auspicioso. Depois de mais uma promoção falhada, Ed segue para mais uma viagem no último comboio da noite onde apenas um pequeno grupo de passageiros segue.
É durante esta viagem que o comboio onde segue sofre um misterioso acidente... no mesmo local onde cinquenta anos antes outro comboio havia tido um acidente semelhante. Quando o maquinista sai da carruagem para não mais voltar e todos escutam uivos vindos da floresta circundante, Joe e os passageiros percebem que afinal não estão sózinhos.
Na boa e velha tradição de filmes sobre licantropos, Mark Huckerby e Nick Ostler escrevem um tradicional argumento centrando a atenção da história no já "conhecido" local isolado onde um comboio é impedido de continuar viagem parando no seio de uma densa e misteriosa floresta onde nem o habitual nevoeiro é esquecido. Após a apresentação - breve - daquelas que serão as principais personagens desta história, Howl desenha-se de acordo com os já habituais estereótipos de o grupo de estranhos - alguns até odiosos - que em tempo de crise e necessidade se unem para sobreviver a uma ameaça iminente.
Com as oscilações entre suspense e comédia de situação graças a algumas personagens como, por exemplo, o "Paul" de Calvin Dean ou "Matthew" de Amit Shah, Howl mantém-se fiel aos seus princípios tentando eliminar as personagens pela ordem de menor importância reservando, no entanto, algumas surpresas que conseguem destabilizar a crença de que todos se salvam no final... Principalmente aqueles com quem mais simpatizamos. Ou pelo menos não sobrevivem como alguns esperam. Howl corre ainda os habituais riscos de um filme do género nomeadamente o poder cair em lugares comuns - existe sempre alguém que vai tentar descobrir a origem de um misterioso ruído - mas nem mesmo isso consegue tirar crédito a uma história que consegue cumprir com o essencial... assusta quando necessário, faz-nos rir com algumas personagens que são assumidamente cómicas e cuja função é tornar mais ligeira uma história que se adensa e claro, presenteia o espectador com o melhor que existe a nível de caracterização dos licantropos - vulgo lobisomens - dos últimos largos anos. E tudo isto sem esquecer de deixar o espectador em delírio com algumas mortes mais espalhafatosas e a eterna questão... terá terminado por aqui?!
Tendo presente a noção de claustro - e claustrofobia - graças à limitação de espaço que se sente durante perto de hora e meia, Howl consegue manter-se fiel às origens sem deixar de conferir a esta história alguma modernidade... os presentes telemóveis que não funcionam deixando no ar a sensação de que quanto mais tecnológico está o mundo mais perto está, ao mesmo tempo, de se tornar incomunicável sem esquecer a presença de uma frustração tão típica deste século XXI em que esse mesmo mundo nos coloca ao esperar que em jovem idade todo um desconhecido futuro seja já uma realidade ou certeza delineada.
A sobrevivência - ainda que esperada ao ataque licantropo - não o é só dentro daquele comboio onde a impotência de um mundo que foge das mãos marca presença. A impotência sente-se também na inércia em escolher uma nova condição, em ceder os padrões masculinizados de uma sociedade castradora, à incapacidade de deixar descendência ou até mesmo de criar laços e união com pessoas num planeta globalizado mas cada vez mais distante... tudo tão próximo... tudo tão longe. Assim, estes lobisomens surgem como a última "defesa" de um planeta que se purga agindo em matilha e protegendo não só a sua "identidade" como principalmente o seu espaço inalterado e do qual subsistem.
Esquecendo toda a filosofia que lhe podemos facilmente encontrar, Howl lança simplesmente uma última e fatal questão... quando todo um dia parece ter corrido mal não deixando qualquer tipo de expectativas para o futuro - pais sem filhos, entrevista que correu mal, falta de trabalho depois de horas a palmilhar os caminhos da cidade... nada mais poderá correr mal... ou será que pode?! Inteligente na sua abordagem na mescla perfeita entre suspense e comédia, Howl pode não ser o filme do ano mas será certamente um que cumpre os seus fins primeiros... ser o mais bem sucedido "revival" do género - que não esquece o gore - sendo assim uma aposta seguro para os fãs do mesmo.
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7 / 10
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