terça-feira, 1 de setembro de 2015

Alba (2014)

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Alba de Lucas Castán é uma curta-metragem espanhola de ficção que teoria sobre a dificuldade em atingir o limite e contrariar a ordem natural da vida quando um indivíduo olha para o seu lado mais negro.
Pablo (Ramón Esquinas) sequestrou Mateo (José Manuel Seda) e levou-o para uma cave de um prédio em construção. No momento da verdade será Pablo capaz de terminar a sua missão?
Também autor do argumento, o realizador Lucas Castán constrói uma história que podemos dividir em dois momentos sendo apenas um deles presente para o espectador. Inicialmente desconhecemos quais os motivos ou propósitos deste rapto considerando apenas que estamos perante uma qualquer privação de liberdade que um raptor exerceu sobre um homem inocente. No entanto, é a ainda presente humanidade deste raptor que leva o espectador a considerar se não existe algo mais traumático por detrás das suas acções não o considerando apenas "mais um" acto criminoso perpetrado sobre um inocente. Desastrado e sem convicção, os motivos que estão na origem deste acontecimento começam lentamente a revelar-se dando assim forma ao segundo - temporalmente primeiro - segmento desta história.
"Alba" - a criança que nunca vemos - fora atropelada e a sua vida terminada. "Mateo" foi o responsável não condenado deste atropelamento. "Pablo" era - é - o pai martirizado e desesperado e a única forma de haver justiça é aquela que pode ser consumada pelas suas próprias mãos.
Numa instintiva reflexão sobre o desespero e a prática de actos cruéis, Alba confere ao espectador um olhar sobre um homem à beira do limite que sabe e sente não ter mais nada a perder e que a continuidade da sua própria existência terminou quando lhe retiraram o seu ser mais precioso. Esta poderia ser a imediata conclusão para esta história se, no entanto, não se encontrasse no seu seio aquele que é o verdadeiro ponto de reflexão, ou seja, a capacidade do Homem perante um acto de perda absoluta transformar-se naquilo que mais repudia ou, por sua vez, se consegue manter a tal humanidade que em momentos ditos normais tentando lentamente recuperar de um momento transformador da sua vida.
Entre o desespero e uma esperança que não irá chegar... o momento final é saber se o Homem deixa de ser racional e se dá lugar ao animal selvagem que a sociedade em tempos prendeu e domesticou nesta intensa e assumidamente negra história que deixa no meio da barbárie uma incerteza não confirmada.
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8 / 10
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