domingo, 20 de setembro de 2015

Spunk (2015)

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Spunk de António da Silva é um documentário em formato de curta-metragem português presente na secção Hard Nights de homenagem ao realizador português da décima-nona edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa até ao próximo dia 26 de Setembro.
Este documentário sobre as novas tecnologias e as novas formas de interacção e sedução sexual encontra-se subdividido naquilo a que poderemos chamar de dois distintos segmentos. O primeiro sobre as tecnologias propriamente ditas e a forma como evoluíram... Sobre a utilização da informática como forma de se poderem proporcionar encontros e contactos sexuais e que, com o tempo, evoluiu para o exibicionismo e uma certa provocação online desde os primódios da internet aos actuais chat's e sites de conversação com câmara ou o mais recente modelo de telemóvel que tornam o distante próximo.
O segundo segmento de Spunk prende-se com o acto propriamente dito. Com o exibicionismo e as fantasias criadas de um lado da câmara com a perfeita consciência que do outro lado a libido, a excitação e o prazer estão a ser provocados e estimulados. É neste segundo momento que existe um acto sem existir um contacto físico real, onde o prazer devém do voyeurismo, da provocação e da excitação de um momento que de um lado é correspondido pela imagem (real) que se obtém do outro.
No fundo, se de um lado existe um gosto pelo espectáculo, pelo exibicionismo e, muitas vezes, também pelo próprio dinheiro considerando que muitos se mostram a troco de um crédito - uma nova forma de peep hole - não é menos verdade que do outro lado existe uma gosto pela excitação, provocação e imaginação que são gerados por este jogo a duas mãos (piada de duplo sentido de lado).
Se para uns é clara a excitação física de momento, outros há que falam numa viagem que se inicia nos prazeres da carne como forma de atingir o espírito mas todos, sem qualquer excepção, denotam um evidente prazer na dinâmica de observar e ser observado, de ver e ser visto e de fantasiar como forma de chegar ao outro eventualmente entre pessoas que em situações reais e próximas se distanciariam pelo preconceito para com um rosto, um corpo ou algumas formas mas que ali atingem um nível de cumplicidade inesperado e improvável.
Implícito a este novo tipo de sexualidade está a capacidade de quem se exibe ter aquilo que o outro que observa procura, sabendo-o usar e potencializando assim a sensação de prazer e clímax desejado independentemente do tipo de espectáculo ou fetiche que cada um tem ou imagina ter e, uma vez atingido, esta nova forma de sexualidade faz os seus intervenientes dissiparem-se de forma anónima no espaço que naquele momento ocuparam. Rostos visíveis mas desconhecidos no meio do mundo cibernético que facilitam o contacto entre todos que na realidade nunca se conhecem... essencialmente mais não são do que puras e momentâneas fantasias que se concretizam.
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7 / 10
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