quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mi Kobayashi Maru (2016)

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Mi Kobayashi Maru de José Luis Mora é uma curta-metragem espanhola de ficção na qual Laura (Olga Alamán) e Olga (Laura Contreras) falam sobre as suas vidas. Enquanto uma se queixa de como tudo lhe corre mal e pretende desistir depois de um casting mal sucedido, a outra exibe sinais de uma vida preenchida e sem grandes dificuldades. Uma discussão parece alterar tudo... ou talvez não.
Nem tudo o que parece por vezes o é. É com base nesta premissa que Mi Kobayashi Maru se desenrola dando primeiro lugar a uma inesperada confissão sobre a inveja e o insucesso para, de seguida, surpreender o espectador com uma igualmente improvável reviravolta nos argumentos que opõem estas duas amigas.
Dos insucessos - ou dificuldade em alcançar uma oportunidade - de uma actriz que aparenta ter investido tudo numa carreira que nunca mais encontra o seu início a uma realizadora de sucesso para quem a vida apenas tem sorrido, o espectador primeiramente cria uma empatia com os argumentos de ambas as mulheres para, de seguida, ser inesperadamente surpreendido com as suas reais aptidões enquanto profissionais. Será que tudo aquilo que nos é colocado à frente não terá - sob todas as perspectivas - uma leitura que pode revelar-se nem sempre linear? No mundo, apresenta-nos Mi Kobayashi Maru, nem tudo é a preto e branco perdendo-se - pelo meio - em toda uma vasta palete de outras tonalidades.
Com um ponto de vista interessante no que diz respeito ao seu argumento, Mi Kobayashi Maru torna-se involuntariamente frágil quando tenta apresentar todos estes elementos num período de tempo que apenas a transforma como um cómico de situação e não necessariamente uma daquelas histórias que gostaríamos de ver mais e melhor desenvolvidas... Afinal, a meio gás (que é aproximadamente pelos dois minutos de duração), não está o espectador pronto a empatizar com uma das mulheres vendo, no entanto, as suas intenções interrompidas? Assim, e ainda que as intenções estejam lá, esta curta-metragem acaba por se perder no meio de tantas outras pela sua breve duração incapaz de revelar mais do carácter destas duas mulheres... ou, pelo menos, daquele que o espectador pensa já conhecer.
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3 / 10
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