quinta-feira, 1 de junho de 2017

Yo Soy Metástasis (2016)

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Yo Soy Metástasis de Sergio M. Sánchez é uma curta-metragem espanhola onde a ficção ilustra um momento na vida social actual que não está tão distante da realidade.
Um homem e uma mulher. Ele faz zapping na televisão enquanto ela se perde pelos caminhos das redes sociais. A evolução, ou aquilo que a define no presente, é uma mutação das relações sociais para dar corpo a um ser social maior... o ciberespaço. Estará a humanidade preparada para enfrentar as suas consequências.
Yo Soy Metástasis é assim a reflexão sobre a criação deste "super ser" online que todos engloba e onde todos se "conhecem". Um espaço no qual tudo se sabe, tudo se discute e tudo se comenta renegando para uma quase inexistências as verdadeiras e reais relações humanas, no qual a liberdade ultrapassa os limites de qualquer regulamentação e onde tudo se desenvolve selvaticamente.
Dito de outra forma, o que é afinal o sentido desta curta-metragem? Uma crítica social aos comportamentos de uma comunidade auto-privada de relações de interacção e convivência? À forma como todos os indivíduos se privam de sair, conviver e conhecer o mundo tal como ele é, na esperança de poder vê-lo através de um computador que regista imagens que já ninguém pára para apreciar? No fundo, Yo Soy Metástasis é um pouco de tudo isto sem, no entanto, esquecer a sua própria caracterização ao Homem... um bicho cada vez mais indiferente, apático e anti-social que aos poucos se transforma num ser selvagem, mesquinho e sem qualquer sentido de empatia ou solidariedade. Quando tudo não passa de uma imagem num ecrã e não uma experiência sentida e vivida... existirá espaço para saber como é, de facto, o mundo em que vivemos?
No entanto, e se a linha narrativa que conduz esta história é apelativa ao ponto do espectador perceber que está ali perante uma crítica que é, de certa forma, feita contra si, Yo Soy Metástasis fragiliza quando se a analisa pela sua componente de execução técnica - relativamente amadora ou pouco trabalhada - ou mesmo pela disponibilidade dos seus actores que poderiam aparentar estar tão selvagens quanto as suas personagens pedem mas que, na realidade, parecem desligados desta mensagem tentada que a curta-metragem e o seu realizador se propuseram transmitir. No final, se esta é interessante pela forma como expõe o Homem... é também o mesmo que se desliga da tal mensagem que quis filmar remetendo todo o resultado final para um filme curto que, de forma geral, não será lembrado.
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2 / 10
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