sexta-feira, 9 de março de 2012

Far Cry (2008)

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Far Cry - O Filme de Uwe Boll adaptação cinematográfica de um dos videojogos mais vendidos e que tem essa lenda de "mau" cinema a realizá-lo, conta com Til Schweiger como o seu actor principal.
Após começar uma investigação sobre experiências genéticas em humanos numa instalação militar ultra-secreta, Valerie (Emmanuelle Vaugier) uma repórter com um tio nessas instalações, decide fazer uma pequena visita turística às mesmas de forma a poder investigar in loco o que por ali se passa.
No entanto, mal sabia ela que o seu tio já era também alvo dessas mesmas experiências e que ela própria iria passar um mau bocado em nome do apuramento da verdade. Mas, como nem tudo é mau, não só ela recebe a ajudar de Jack (Schweiger) como também se apaixona por ele naquele que será um pequeno périplo de flirt ao mesmo tempo em que tentam escapar da morte "certa".
Típico filme desse mestre do cinema chungoso (não há outra forma possível de dizê-lo), mas do qual todos nós gostamos, independentemente da veemência com que tentemos negá-lo. Desde que este filme passe pelas nossas mãos, é certo e sabido que o vamos ver.
Não só falando pela realização que alterna de situação em situação sem muitas vezes conseguir ter um sentido lógico (mas também neste tipo de filmes será que isso é necessário?), mas também pelo próprio argumento que quase se limita a "atirar à parede" um sem número de clichés e de momentos que quase se repetem de forma igual e aos quais já assistimos noutros tantos exemplares tão ou mais manhosos que este.
Das interpretações então quase nem vale a pena falar... Começando em Til Schweiger e terminando em Udo Kier, elas são do mais absurdas e sem qualquer nexo possível. Temos a jornalista curiosa (Vaugier), o cientista louco (Kier), o improvável (?) herói (Schweiger) e a militar cavalona de serviço (Natalia Avelon) e isto sem referir as eternas máquinas assassinas na sua maioria actores anónimos que devem ter também trabalhado na construção dos parcos cenários na sua maioria fábricas abandonadas e a carregar com pesos pesados no qual pouco mais seria necessário do que grunhir, algo que eles repetem muito bem em cena.
Não vou negar que este género filme me diverte principalmente pelo facto de serem tão maus, mas tãooo maus, que é impossível não simpatizar e de dizer que eles não nos divertem. É claro que não têm qualquer tipo de qualidade além de um sentimento de entretenimento masoquista que, na prática, constitui o único factor que pode levar alguém a ver este tipo de filme... Mas também não deixa de ser verdade que todos nós o temos e, por muito que se negue, todos sem excepção gostamos de ver estes filmes, mais que não seja para podermos de seguida gozar em alto e bom som com eles.
Tendo isto em consideração, este Far Cry vale a pena ver... mas que não se enganem pois este não é, nem de longe nem de perto, o filme da vida de alguém. Na realidade, será que dois dias depois alguém ainda se lembra dele?
Parabéns Uwe Boll... continuas na tua melhor forma.
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2 / 10
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quinta-feira, 8 de março de 2012

Terror Trap (2010)

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Armadilha de Terror de Dan Garcia tinha aquilo que normalmente se antevê como um argumento que pode provocar alguns momentos de tensão mas tinha também dois elementos que deixam qualquer um ficar de pé atrás... Jeff Fahey e Michael Madsen no seu elenco.
Começando pelo filme propriamente dito... tudo se desenrola quando o casal Don (David James Elliott) e Nancy (Heather Marsden) após sofrerem um violento acidente numa estrada deserta, são encaminhados para um pequeno motel de estrada pelo polícia lá do sítio (Fahey).
É neste motel que o conflituoso casal a viver os seus problemas matrimoniais, deparam com alguns problemas com a vizinhança quando descobrem que o mesmo motel serve de local de diversão macabra onde todos os seus hóspedes são vítimas de violência por um grupo de mascarados. Será que alguém consegue sobreviver a esta difícil provação?
Depois de ver o filme posso facilmente responder a esta questão... Eu esperava muito honestamente que ninguém sobrevivesse. Não porque gosto de ver sangue a jorros por filmes, mas o que é certo é que quando as interpretações são más, mas tão más, que nada de bom delas se retira, o que é certo e eu admito, é que gosto de ver ser tudo limpo quase como se fosse uma razia.
Posso começar de imediato por falar do quão irritante foi a prestação da principal actriz Heather Marsden, que vive mais preocupada em ser irritante e proferir gritos estridentes através daqueles seus lábios carregadinhos de bótox do que propriamente no seu desempenho dramático (?) para bem do filme que se quer de suspense e tenso. Tensos só mesmo os nossos ouvidos que se fartam muito rapidamente de vê-la no ecrã e esperamos que algum dos mafiosos lá do sítio acabe com ela de vez.
E o mesmo serve para Jeff Fahey... ter o seu nome associado a um filme é motivo suficiente para dele suspeitar... Sim, há excepções como o caso de Silverado mas, regra geral, o seu nome é sinal de desastre garantido num filme. Aqui não foi excepção.
E claro seria impossível esquecer Michael Madsen na sua fase pós-decadente onde não só confirma ser uma presença perfeitamente dispensável no filme como (sobre)vive de clichés ultra-utilizados que nem só não lhe dão graça como comprovam ser um "has been" do cinema.
Se alguém já viu este filme (poupem-se), não acharam tão absurdo e dispensável o grupo de mânfios que se encontravam por detrás do espelho constantemente a lamber os lábios e em suaves gemidos à medida que viam o sofrimento das vítimas... pobre, muito pobre e não chega nem de perto ao mais fraco da saga Saw.
Tudo o resto além de ser completamente previsível, sem "sal" ou qualquer graça, não provoca qualquer tipo de tensão ou suspense e acaba da forma mais absurda, descontextualizada e sem nexo de que poderia haver memória.
Além dos poucos momentos "cómicos" que o filme consegue (?) provocar, o absurdo é tanto que não há qualquer possível salvação para o filme mas, ainda assim, aos corajosos recomendo... pode ser que se divirtam tão pouco como eu. Se existe um filme dispensável... este é um desses.
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2 / 10
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quarta-feira, 7 de março de 2012

CinEuphoria Prémios 2012: a primeira cerimónia

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Neste que é já o terceiro ano de entrega dos CinEuphoria temos uma inovação. Pela primeira vez teremos uma cerimónia de entrega dos diplomas aos vencedores que se realizará em parceria com o Portugal Fantástico e com o gentil apoio da Junta de Freguesia de Benfica que nos disponibilizou o Auditório Carlos Paredes.
Assim, no próximo dia 14 de Março pelas 21 horas procederemos à nossa primeira cerimónia para a qual contaremos com a presença de todos.
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terça-feira, 6 de março de 2012

Brothers (2000)

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Irmãos de Vernon Mortensen é uma curta-metragem de ficção baseada nas vivências de dois irmãos tendo um deles um problema mental e onde um grande "segredo" é escondido.
Este vive com a percepção de que é mais "lento" (como o próprio se descreve) do que o irmão e não consegue perceber o porquê desse aspecto. Quando o irmão mais velho resolve falar-lhe sobre o seu passado, é então que se descobrem as verdades que ensombram esta família agora reduzida apenas aos dois.
Interessante curta-metragem que parece esconder-nos algo mais do que aparenta, consegue criar um ambiente de suspeita e de incertezas que apenas no seu final serão desvendadas. Com a recriação de um ambiente envolvente tão pesado como a história que parece escondida, e umas interpretações bem conseguidas, esta curta deixa-nos a vontade de ver um pouco mais do que aquilo que a sua duração permite.
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6 / 10
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Esteban (2010)

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Esteban de Jesus Lopez é uma curta-metragem argentina que facilmente percebemos ser bastante amadora e cheia de pequenos clichés e falhas que em nada abonam para a sua credibilidade.
Com os acontecimentos narrados através de uma das suas intervenientes, mas que pouco se vê no decorrer dos mesmos, esta história conta-nos alguns dos dias da vida de um jovem que descobre a sua homossexualidade e se vê repudiado não só pela família como pela comunidade.
Considerando o meio conservador onde ela se desenrola seria de esperar uma história que mostrasse os traumas e assédios inerentes à própria situação, no entanto aquilo que aqui vemos narrada não passa de um conjunto de momentos mal interpretados e pouco credíveis que transformam toda a curta-metragem numa amálgama de situações pré-concebidas sobre a aceitação (ou falta dela) e a descoberta sexual de um jovem.
Sem momentos dramáticos consistentes ou capazes de criar algum tipo de empatia com as suas personagens, esta curta é mais desesperante do que simpática, tornando-se rapidamente num trabalho perfeitamente dispensável.
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1 / 10
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domingo, 4 de março de 2012

Até Que a Vida Nos Separe (2012)

Até que a Vida nos Separe de Jorge Queiroga foi o último telefilme que a TVI exibiu nesta já longa temporada dos mesmos.
Artur (João Lagarto), Eunice (Mafalda Vilhena) e Henrique (Rui Andrade) são convidados para um jantar de amigos em casa de Paulo (André Gago) e Raquel (São José Correia). É neste jantar que o jovem e "flirtuoso" Henrique começa os piropos mais do que óbvios para Raquel, insinuando-se a cada passo que dá.
Se de início Raquel se mostra pouco disponível e o Paulo pouco atento, os seus papéis invertem-se à medida que o desejo cresce em Raquel que, instantaneamente se mostra mais do que disponível aos "avanços" de Henrique.
A relação tempestiva cresce no triângulo Paulo vs Raquel vs Henrique e, de uma ou outra forma, percebemos que o final se aproxima. Conseguirão estas famílias resistir ou irão elas ceder aos caprichos do desejo?
Se o anterior telefilme da TVI superou qualquer expectativa tornando-se numa das histórias mais divertidas e bem representadas com que este canal alguma vez nos brindou, o que é certo é que com este as expectativas desceram drasticamente. Não pelo conjunto de actores que, pelos seus nomes e carreiras bem sabemos do que são capazes, mas sim pela evidência com que a história e as personagens se desenvolvem, ou pouco desenvolvem, ao ponto de percebermos a cada passo o que vai suceder de imediato.
A desgraça das mesmas é tão óbvia que quase conseguimos prever aquilo que irá suceder... quem irá ser descoberto ou até mesmo o desfecho trágico que uns e outros terão. Este filme, bem como o seu pobre argumento, não conseguem surpreender ninguém... se por um lado o anterior telefilme poderia ter deixado qualquer um bem disposto e com vontade de ver mais, é proporcionalmente certo que este não deixa saudades a ninguém. À excepção da qualidade inerente deste conjunto de actores, o filme em si... não convence, conseguindo até ser bem semelhante a uns quantos outros que na primeira temporada de telefilmes a TVI já tinha exibido.
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4 / 10
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sábado, 3 de março de 2012

Polisse (2011)

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Polissia de Maïwenn presente na selecção oficial do Festival Internacional de Cinema de Cannes em 2011 e tido como um dos filmes choque do ano foi não só uma agradável surpresa que presenteou as nossas salas de cinema como também se assume como um filme forte, frio e bastante intenso que consegue por diversas ocasiões gelar os nossos ossos.
A Unidade de Protecção de Menores da Polícia de Paris é confrontada com a presença de Melissa (Maïwenn), uma fotógrafa contratada para uma reportagem fotográfica não só sobre os elementos do departamento como também da sua acção diária contra o crime e as violações dos Direitos dos menores que dão origem a uma multiplicidade de ocorrências às quais eles nem sempre conseguem ficar indiferentes. Desde abusos sexuais, pedofilia, carteiristas, prostituição, sexualidade infantil ou droga que afecta crianças das mais variadas idades, este grupo de agentes, pouco respeitados pelos demais por não terem "verdadeiras funções policiais", debate-se ainda com os seus dramas pessoais e traumas familiares que aos poucos os vão consumindo por dentro.
Como consegue este conjunto de homens e mulheres manter o equilibrio entre as suas vidas pessoais e profissionais quando percebem claramente que o pior existe no seio de uma sociedade que parece tantas vezes perdida?
Entre relações falhadas, amizades perdidas e a tentativa de se manterem lúcidos ao longo de dias e dias de um trabalho árduo que os coloca no mais variado tipo de situações, conhecemos um conjunto de personagens muito características entre as quais podemos destacar logo de imediato "Fred" (Joeystarr), o mais impulsivo de todos os agentes que reage a frio às inúmeras injustiças processuais com que depara, e que acaba por encontrar em "Melissa" o conforto que se percebe já ter perdido dentro da sua própria casa. O mesmo se pode dizer dela, de quem percebemos manter com Francesco (Riccardo Scamarcio), pai das suas filhas, uma relação meramente de amizade.
À prova será também colocada a amizade entre "Iris" (Marina Foïs) e "Nadine" (Karin Viard). A primeira vive os seus distúrbios alimentares ao mesmo tempo que a relação com o seu marido parece estar à beira do fim por não conseguirem ser pais. Facilmente percebemos que os entraves que "Iris" coloca à possibilidade de ser mãe são mais do que conscientes. Como conseguirá ela trazer uma criança ao mundo quando percebe que estas são vítimas, directa ou indirectamente, das maiores atrocidades que conhece? Conseguirá ela própria manter-se dentro da lei se um dia a um filho seu fosse perpetrada alguma dessas atrocidades?
Ao perceber que o seu casamento falhou "Iris" aconselha "Nadine" (que vê nela a mulher forte e determinada que não consegue ser), a deixar o seu casamento. Mas os remorsos por se sentir sempre próxima do seu marido que entretanto afastara irão rapidamente surgir e "Nadine" não irá aguentar a pressão que, em última análise acaba por determinar a relação entre todos eles que vivem, assumidamente, os problemas uns dos outros.
A excelência deste filme vive num brilhante argumento da autoria de Maïwenn (que no fundo se assume como a força todo-poderosa deste filme ao realizar, escrever e interpretar uma das personagens centrais) e de Emmanuelle Bercot, mas também na requintada e sentida composição das personagens que um magistral conjunto de actores interpretou. E não me refiro apenas aos já referenciados actores mas a todos os outros que, em interpretações mais ou menos secundárias se assumem como fortes alicerces de uma história que dispara em todas as direcções e expõe a cru um conjunto de casos que podem ser reais em qualquer parte de um mundo dito "desenvolvido". Entre amores e desamores, relações que no fundo são mais do que profissionais e a própria profissão que os coloca entre dilemas e o mais variado grupo de molestadores que passam desde o "simples" traficante a um pai ou mãe que abusa sexualmente de um filho, este conjunto de personagens não poderia ser mais excêntrico e, ele próprio, sentir-se psicologicamente afectado pelas situações diárias em que são colocados. E são estas que os fazem ter o mais absurdo comportamento quando com elas se deparam que pode provocar desde uma distância atroz como o mais inesperado momento de comédia.
Mas se é de momentos sérios, profundos e que conseguem literalmente arrepiar o mais insensível dos espectadores que se quer falar, posso referir três em concreto sem, no entanto, divulgar grandes detalhes sobre os mesmos. O primeiro está relacionado com a violação de uma menor que entretanto engravida. Ao efectuar um aborto, a jovem recusa-se a dar um nome à criança. É "Iris" que o faz... dando-lhe o seu. Se analisarmos a trajectória desta personagem, o momento é deveras macabro, desolador e revela o seu clímax não podendo dele esperar nada de positivo.
O segundo prende-se com o facto de uma mãe sem-abrigo ao dirigir-se à polícia com o seu jovem filho para que fiquem com ele. A reacção da criança (filho na realidade daquela mulher) quando percebe que a mãe o vai deixar é, no mínimo, desoladora.
E finalmente o momento que durante todo um filme já de si duro, conseguiu literalmente gelar-me o sangue. "Iris" recebe uma promoção para liderar o departamento, mas a pressão de um casamento falhado, de uma profissão que já a desumanizou o suficiente e agora com a amizade de "Nadine" ferida de morte, tudo assume para ela uma dimensão cruel demais que aparentemente já não consegue suportar. Os instantes finais deste filme são francamente perturbadores e provavelmente os segundos mais intensos a que assisti num filme nos últimos tempos.
É certo que existem alguns momentos positivos no filme onde o amor e as relações que parecem florescer nos dão alguma esperança sobre o futuro destas personagens que vivem diariamente um conjunto de situações que qualquer um de nós simplesmente nem quer imaginar. No entanto, não deixa igualmente de ser verdade que a realidade é dura e pesada demais para que quem pensa nela (ou a vive) tão intensamente, lhe consiga resistir incólume durante muito tempo.
E é também igualmente uma pena que este filme tenha passado rápido (demasiadamente rápido) pelas salas de cinema nacionais pois é um filme que deveria ter sido mais divulgado, discutido e debatido com interesse e preocupação pois estes são problemas reais que afectam tantas sociedades (incluindo a nossa) e que não são, infelizmente, situações meramente imaginadas. Este é um filme forte, muito intenso e por vezes bruto que não consegue deixar nenhum de nós indiferente.
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10 / 10
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma Aventura na Casa Assombrada (2009)

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Uma Aventura na Casa Assombrada de Carlos Coelho da Silva é a primeira longa-metragem que adapta esta saga literária juvenil escrita por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.
Tudo se passa em torno de uma pedra preciosa perdida e que não só um grupo de mafiosos tenta encontrar como também o grupo de heróis destemidos que esta saga, inicialmente televisiva e agora cinematográfica, eternizou.
Os cincro, Chico (Francisco Areosa), Luísa (Margarida Martinho), Teresa (Mariana Martinho), João (César Brito) e Pedro (Luís Lopes) embarcam assim numa aventura juntamente como Filipa (Sara Salgado) pela antiga propriedade da sua família e tentar então encontrar a jóia há décadas perdida.
Com o apoio de Ester (Sofia Grilo), o espírito que ainda "pernoita" pela casa e com as investidas sem fim de Bárbara (Sandra Barata Belo) e do trio de alemães Reinhardt (André Maia), Otto (João Didelet) e o seu chefe (Christopher Murphy), será que este grupo de heróis juvenis vai finalmente encontrar a jóia?
Aquela que é uma saga literária que fez as delícias de uma geração (lamento aos fãs mas assumo-me como um anti-saga visto nunca lhe ter conseguido achar qualquer tipo de interesse), tem após a incursão televisiva, que não foi nenhuma pérola, uma adaptação cinematográfica que foi um total e completo desastre. Não só as interpretações do elenco no seu todo são pobres, às já referidas participações podemos ainda acrescentar Ricardo Carriço e Ana Padrão), e sem qualquer conteúdo que de uma forma coesa faça ver a importância de cada uma das personagens na história, também o próprio argumento é algo feito para jovens como se estes fossem "especiais".
Honestamente falando, duvido que exista um qualquer adolescente dos dias de hoje que se reveja ou identifique sequer com estas histórias, e menos ainda que tenha um mínimo de interesse em ir ver o filme ao cinema. Lembro-me que o alarido gerado em torno desta versão cinematográfica foi muito, podem agradecer à SIC que o patrocinou, mas o que é certo é que tão depressa veio como se foi sem que alguém lhe desse grande destaque ou atenção.
Pobres são também os escassos efeitos especiais que tentaram fazer deste filme algo de "diferente" mas, se em alguma perspectiva eles funcionaram, foi mesmo na vertente de mostrar aquilo que não se deve fazer. Ou mesmo as vozes distorcidas como se de fantasmas se tratassem... Enfim, é realmente caso para dizer que a pobreza reina aqui. O cinema português até à data não é especialista em recorrer a grandes e elaborados efeitos. O que é certo é que aqueles aqui feito colocam o filme ao nível daquelas pérolas que passam às tantas da manhã onde um grupo de abelhas/vespas/anacondas, dizimam populações inteiras naquilo que se pode chamar de um banho de sangue. Aqui sangue propriamente dito não há mas, no entanto, temos os actores aos saltos a olharem no vazio naquilo que qualquer um de nós pode facilmente chamar de disparate.
Podia ter sido feito com o intuito de atrair jovens às salas de cinema... Sendo "podia" a palavra-chave pois de facto os resultados finais ditam exactamente o contrário. É um filme pobre, sem um grande conteúdo que desperte interesse do público, seja ele da idade que fôr, e que mais não é do que uma pobre justificação para dizer que se faz "cinema".
Se alguma coisa de útil se pode dizer sobre este filme é que ele é perfeitamente dispensável.
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1 / 10
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Shortcutz Lisboa Prémios 2012: vencedores

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CURTA SHORTCUTZ LISBOA: Desavergonhadamente Real, de Artur Serra Araújo
REALIZADOR: Artur Serra Araújo, Desavergonhadamente Real
PRODUTOR: Carla Fonseca, Sombras
ACTOR: Miguel Borges, Casa com Piscina
ACTRIZ: Rita Martins, Sombras
ARGUMENTO: Pedro Resende, Maybe
FOTOGRAFIA: André Santos, Cavalos Selvagens
EFEITOS ESPECIAIS / VISUAIS: Bikini, Pós Produção, Sombras
DIRECÇÃO DE ARTE: Joana Linda, Boudoir
MONTAGEM: Artur Serra Araújo, Desavergonhadamente Real
SOM: Índigo, Sombras
MÚSICA ORIGINAL: PAUS, Ensinamentos para a Vida Adulta
ANIMAÇÃO: Os Olhos do Farol, de Pedro Serrazina
DOCUMENTÁRIO: A Minha Rua, de Diogo Varela Silva
CURTA SHORTCUTZ NETWORK: Zwischen Himmel Und Erde, de York-Fabian Raabe (Shortcutz Berlin)
PRÉMIO FUTURO: Universidade Lusófna
FIGURA SHORTCUTZ: MOTELx
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quinta-feira, 1 de março de 2012

An American Haunting (2005)

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Assombrados - Uma História Americana de Courtney Solomon foi inicialmente uma surpresa por ter Donald Sutherland, um dos meus actores preferidos, como uma das suas principais interpretações.
Esta história inicia-se na actualidade quando uma mulher começa a ler a história da sua família ao mesmo tempo que a sua filha tem um conjunto de terríveis pesadelos. De imediato somos transportados para o início do século XIX onde têm lugar os acontecimentos descritos nas cartas que foram deixadas sobre a história da família.
Aquilo que de início aparenta ser uma simples disputa de terras em tribunal ganha outros contornos quando a família Bell se torna vítima de um conjunto de investidas de uma entidade que atormenta o patriarca da família e a sua filha mais velha.
A tranquilidade e paz que faziam dos Bell uma família respeitada termina com uma enorme descida aos infernos onde nenhum deles consegue levar uma vida normal. O que será que aquela entidade realmente pretendia daquela família?
Disse anteriormente que este filme foi uma agradável surpresa porque não só por ter muita estima pelo seu actor principal, como também por me parecer ser uma interessante história de suspense e terror que poderia muito facilmente conseguir encostar-nos à parede com os potenciais sustos que iria provocar.
Seguindo esta linha de pensamento, a grande surpresa provocada pela real intenção, e identidade, da entidade que consegue ser não só inovador como interessante mediante o contexto da história, é completamente abafada pela privisibilidade que este acontecimento do século XIX vem trazer para o desfecho da mesma na actualidade. A partir do momento em que percebemos as reais intenções daquela entidade ficamos a perceber no mesmo instante como esta história influência os "actuais" acontecimentos.
É esta mesma previsibilidade que transforma o filme em algo banal retirando-lhe assim todo o mérito que havia conseguido até àquele exacto instante. De algo quente passa a frio num breve piscar de olhos e, nesta mesma perspectiva, todos os acontecimentos que decorrem nos "nossos dias" são completamente dispensáveis da narrativa.
Das interpretações destaco o sempre grande Donald Sutherland e a jovem mas muito promissora Rachel Hurd-Wood que conseguem ser no meio de tudo as grandes almas do filme se bem que, tal como a história, também as suas interpretações arrefecem dada a previsibilidade com que a história termina.
É um filme interessante e que na maior parte da sua duração consegue surpreender-nos mas que dado o desfecho bastante previsível fruto da junção de duas épocas temporais e "ambientes" semelhantes consegue, a dada altura, perder aquele efeito inovador que tinha conseguido alcançar até então.
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4 / 10
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Florbela (2012)

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Florbela de Vicente Alves do Ó, segunda longa-metragem do realizador, é um estrondoso e simplesmente genial filme sobre a poetisa portuguesa.
Depois do excelente Quinze Pontos na Alma (a sua primeira longa), e de um conjunto de filmes que tiveram o argumento escrito por Alves do Ó, a ansiedade por este Florbela era realmente muita. Muita mas que recompensou em igual proporção quando ontem tive o privilégio de assistir à sua antestreia no Cinema São Jorge em Lisboa. Uma antestreia digna do filme que se avizinhava.
Da própria Florbela Espanca pouco conhecia (conheço), além das histórias soltas que se ouvem ao longo dos tempos sobre a sua promíscua vida sexual, de alguma potencial insanidade e de uma vida afectiva e familiar desfeita. Esta figura que tantas histórias gera terá aqui uma sua história. Algo que nos faça aproximar de si, do seu tempo e daqueles que a rodeavam de uma ou outra forma.
Tudo começou com uma muito bem colocada apresentação do filme, dos seus actores e de todo o conjunto de profissionais que trabalharam para a "construção" deste que hoje afirmo, sem qualquer pudor, ser um dos filmes maiores do cinema português. Apresentação essa que fez com que muitos aplaudissem à medida que as palavras iam sendo proferidas e que muitos, com maior ou menor sussurro diziam "muito bem". Sentiu-se um clima muito interessante na sala quando algumas palavras sobre o cinema português foram ditas. Mas todos esperavamos o filme.
Os minutos iniciais que deslumbraram com magníficas, e para alguns provocadoras, imagens de Florbela (Dalila Carmo), apenas tinham comparação com a igualmente excelente banda-sonora que inundava toda a sala. Facilmente damos pelos nossos olhos a tentar devorar todos os "recantos" filmados para não se perder um único segmento que o ecrã nos permite ter.
Tudo, sem excepção, gira em torno de Florbela. A sua relação com um marido abusivo (José Neves), a sua entrega a um novo amor na pessoa de Mário Lage (Albano Jerónimo) ou a relação de dependência para com o seu irmão Apeles (Ivo Canelas) fazem de Florbela a presença constante no ecrã, mesmo nos escassos momentos em que "ela" não está lá.
O argumento, também ele da autoria de Vicente Alves do Ó, não só retrata principalmente a mulher como alguns daqueles que mais de perto com ela lidaram... o seu marido Mário Lage e o seu irmão Apeles. Arelação com um quase estava comprometida não só pelo espírito livre de Florbela como principalmente pela dependência afectiva que esta tinha para com o seu irmão. Um quase que não existe sem o outro, facto que até a própria mensagem final do filme nos deixa antever, mas também pelos próprios comportamentos existentes de um para com o outro que ultrapassavam o normal para qualquer relação fraterna. O argumento de Alves do Ó é francamente bom. Com pequenos comportamentos ou gestos, com as palavras adequadas em que muito se revela e se percebe, encontramos um sem fim de emoções que os brilhantes actores que compõem este filme nos conseguem facilmente transmitir.
E os actores que dão vida ao argumento são, sem qualquer margem para dúvida, grandes. É quase impossível falar dessa grande Dalila Carmo sem começar por dizer que a adoro desde o dia em que segui religiosamente a série Diário de Maria que a RTP passou já há quatorze anos. A ternura que então transmitia na sua interpretação e que foi ao longo dos anos amadurecendo e transformando numa enorme força que faz dela uma das grandes actrizes portuguesas, independentemente de qualquer que seja a sua geração, estão nesta sua Florbela transformadas numa força, numa vida e numa vitalidade que a tornam na alma de todo o filme. Digo alma pois conseguimos através de todos os seus momentos sentir uma tristeza profunda mascarada de alegria e uma dor por ser uma alma grande demais para o sítio e para o tempo em que se encontrava. A aparentemente frágil e doce figura que a Dalila tem escondem (ou não) uma força maior, muito maior, do que qualquer um de nós possa imaginar até ao momento em que vemos aquilo que esta magnífica actriz consegue fazer (se é que alguém tinha dúvidas...) quando tem em mãos uma história tão forte como esta. Longa seja a sua carreira, mas aposto que este será o seu grande filme. Aquele a que todos a iremos associar. E bem.
A acompanhar esta grande actriz temos outros igualmente brilhantes actores. Ivo Canelas interpreta Apeles, o irmão não menos angustiado de Florbela e que vive por ela uma obsessão sentimental/afectiva que, de certa forma, sempre a manteve "presa". Não quero revelar nada da história pois este filme é importante demais para ser "contado" tendo obrigatoriamente de ser visto mas a revelação sentimental de Apeles sobre a mulher que sempre amou e nunca teve é assombrosa... "in a good way". É um momento francamente desarmante e que coloca este actor num patamar bastante elevado.
Albano Jerónimo, que desde há muito venho a defender como alguém em quem se deve apostar e bem pois o seu talento é propocional à altura física do actor (e para quem tinha dúvidas que veja a curta-metragem Anestesia e depois diga algo), interpreta Mário Lage, o homem que ama Florbela mas que percebe que só a pode ter se lhe der liberdade. Recatado e amargurado por não ter dela a mesma frequência de amor que sente que lhe dá, Albano Jerónimo fecha um triângulo sentimental.
Destaco ainda a interpretação de Rita Loureiro, essa actriz enorme que aqui interpreta Sophia de Arriaga, amiga de Florbela e que é quase como a consciência política do filme. Retrata e comenta a época pré-ditadura que se formos a analisar consegue ser tão semelhante aos dias que hoje correm. Aqui secundária, ao contrário do protagonismo que teve em Quinze Pontos na Alma, mas não menos importante do que qualquer um dos outros actores. O segundo momento em que se escutaram as vozes pela sala...
E se entre o argumento e as interpretações (onde se encontram também Anabela Teixeira, Carmen Santos, Marques d'Arede, António Fonseca, Joana Figueira ou uma participação especial de Lauro António), não posso deixar passar a excelência técnica deste filme. Sim, a palavra correcta é excelência. A banda-sonora da autoria de Pedro Janela e Guga Bernardo é do melhor que alguma vez ouvi em cinema. Sóbria, forte e ao mesmo tempo com uma dose bem grande de emoção que funciona, também ela, como uma própria personagem deste brilhante filme.
Assim como o guarda-roupa de época de Sílvia Grabowski, que também assina a direcção artísitca, ou a fotografia de Luís Branquinho que consegue captar o melhor da luminosidade de forma a captar em vários momentos, e por vezes num mesmo segmento, todos os estados de alma que nos permitem perceber um pouco da confusão sentimental das diversas personagens, são também eles elementos muito fortes do filme. Como já referi, tudo se resume numa palavra... excelência.
Muitos tremem com a expressão "cinema português". Eu utilizo-a apenas como a referência que se pode dar à proveniência de um certo filme. Aqui a história pouco interessa de onde pois poderia ser passada possivelmente em qualquer parte do mundo, no entanto, este é o cinema português que quero ver. Histórias grandes... com personagens, reais ou fictícias, mas grandes, intemporais, com algo que possam "dizer" e transmitir a todos nós. Este é o cinema português que tanto nos faz falta e pelo qual muitos de nós esperam cada vez mais poder ver. E que felizmente podemos agora nesta "tournée" que o Florbela fará, felizmente, por todo o país para que a sua carreira possa ser longa... muito longa.
Quanto a mim termino com apenas mais uma observação... Não são os prémios que fazem um filme, pois estes acabam por ser uma subjectividade de quem vota neles e os filmes valem quando têm uma história boa para transmitir (o que este tem), mas não me inibo em afirmar que... "e o Sophia vai para...".
A todos os que gostam de muito bom cinema têm aqui a oportunidade para a partir de 8 de Março o irem ver e perceber que está perante uma das obras maiores do cinema português. Quem não fôr é estar praticamente a cometer um crime.
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"Senhor Lage: Viver é não saber que se está a viver."
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10 / 10
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Northfork (2003)

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Northfork de Michael Polish seduziu-me pelo seu trailer que me fazia pensar ir assistir a um filme profundamente trágico sobre o fim de uma era... de uma cidade.
Este filme decorre em 1955 quando uma pequena cidade do interior está largada ao abandono depois de boa parte da sua comunidade ter sido deslocada para outro lugar. Northfork vai desaparecer... vai ser inundada após a construção de uma barragem. Poucos são aqueles que ainda resistem neste local e que, tal como ele, também vão assistir ao seu próprio fim ali.
No que resta desta comunidade assistimos aos últimos dias de uma criança devolvida ao orfanato pelos seus pais adoptivos devido aos seus graves problemas de saúde, e percebemos que eles representam também o final de toda a história tanto da cidade como da comunidade em si e como, por sua vez, o fim desta representa a morte daquela própria criança.
Do elenco, que se pode considerar de luxo, onde se destacam as interpretações de Nick Nolte, James Woods, Daryl Hannah e do próprio Michael Polish que além de realizar e ser argumentista em conjunto com o seu irmão, tem também ele uma interpretação neste filme como um dos homens encarregados de "ajudar" à evacuação da cidade, esperava mais. As interpretações parecem perder-se algo pelo caminho dando quase sempre lugar a um certo misticismo que se perde com a própria história. Prometem muito mas na prática acabam por cumprir muito pouco remetendo quase na totalidade as suas prestações a algo mais espiritual do que real. À excepção da interpretação de Nick Nolte, o padre da cidade que zela pelo bem-estar da jovem criança e das de James Woods e Michel Polish, a dupla pai-filho que com a evacuação das pessoas esperam um pedaço de terra para construir de início as suas vidas, que é como quem diz as presenças "terrestres" com ideias e objectivos concretos, todas as demais remetem-se para um lugar mais "além" e com pouca concretização prática, divagando entre o sonho e a imaginação daquela criança que aos poucos parece definhar.
A sensação final depois da exibição do filme é que ele poderia ter sido muito mais se se concentrasse no final da cidade e da criança com factos reais. Esta história nunca chega a atingir o drama inicial que apresenta, diluindo-se quase na totalidade com uma história mais que fragmentada sobre o desejo de pertença a um lugar e a um grupo. As próprias histórias pessoais nunca chegam a ser exploradas dado o elevado número de personagens que o filme apresenta e como tal temos quase um relato a "várias cores" sobre o local sem que nunca seja sequer concluída.
No entanto o filme tem sim aspectos que são acentuadamente positivos. Tanto a banda-sonora da autoria de Stuart Matthewman com sons profundamente trágicos e melancólicos como também a fotografia de M. David Mullen com cores esbatidas e sombrias retratam fielmente o fim daquela pequena cidade e comunidade.
Tecnicamente bem executado e com potencial de argumento para ser um filme bastante interessante não é, no entanto, um filme que tenha conseguido alcançar todo o seu potencial acabando por divagar algures pelo meio perdido...
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4 / 10
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Prémio Autores 2012: Autor Internacional

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Imanol Uribe
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Prémios Autores Cinema: vencedores

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Filme: Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
Actor: Nuno Melo, O Barão
Actriz: Rita Blanco, Sangue do Meu Sangue
Argumento: João Canijo, Sangue do Meu Sangue
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Prémio Autores 2012: Filme

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João Canijo
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Sangue do Meu Sangue
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Prémio Autores 2012: Actor

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Nuno Melo
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O Barão
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Prémio Autores 2012: Actriz

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Rita Blanco
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Sangue do Meu Sangue
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Prémio Autores 2012: Argumento

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João Canijo
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Sangue do Meu Sangue
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Noiva Precisa-se (2012)

Noiva Precisa-se de José Afonso Pimentel é mais um telefilme da TVI e este sim é caso para dizer... "e que filme". Com as interpretações de José Carlos Pereira e Paula Neves (que se reencontram depois de Anjo Selvagem que os fez tornar no par romântico no já ido início deste século) e ainda Paulo Rocha, Bruno Simões e Ricardo Castro, este telefilme conseguiu mostrar que a produção de cinema para televisão consegue ser bem feita quando se mostram claros sinais de vontade.
Rui (Pereira) está prestes a casar com Nathalie (Carla Salgueiro) e convida os seus amigos de longa data Hugo (Rocha), Catarina (Neves), Alberto (Simões) e Jorge (Castro), para com ele partilharem o dia mais feliz da sua vida. Tudo muito bonito até ao dia em que Nathalie cancela o casamento e Rui fica com os quatro amigos em casa para o ajudarem a resolver a situação.
Estes, não contentes com a ausência da festa, resolvem encontram uma substituta para Rui e assim conseguirem aproveitar uns merecidos dias de férias na sua casa. Como é óbvio, o clima para a confusão está mais do que preparado.
Se a realização de José Afonso Pimentel já está excelente, não só em comparação com os anteriores telefilmes mas também porque este está de facto muito bem feito, o argumento de Henrique Cardoso Dias, Roberto Pereira e Frederico Pombares é do mais divertido que tem passado nos últimos tempos pela televisão. Com os discursos certos para cada momento, as suas personagens crescem a olhos vistos. Cada uma delas devidamente estereótipada, como é necessário para um filme do género, e cada uma delas com o seu devido espaço no filme. Nenhum se atropela e o protegonismo que deveria pertencer a José Carlos Pereira está devidamente repartido para com os quatro secundários que acabam por não o ser tanto assim.
Paulo Rocha assume uma vez mais o papel que já o vem a caracterizar em muitos dos seus trabalhos... o garanhão de serviço que faz tudo para ter a sua noite preenchida com alguém. Bruno Simões é uma vez mais o neurótico de serviço com sérios problemas de contacto físico, à excepção da sua "Nanda" num registo muito próprio e divertido da actriz Ana Lopes, e Ricardo Castro com a sua interpretação de um homem fechado e com sérios problemas sentimentais e de auto-afirmação.
O par protagonista José Carlos Pereira e Paula Neves completa-se. De facto existe uma química interessante entre estes dois actores e eles funcionam muito bem. Os tempos, as falas e os gestos de ambos quase que se complementam e, na falta de um, o outro afirma-se.
Os próprios secundários (aqueles que são mesmo secundários), também não poderiam ter sido melhor escolhidos, Joana Figueira como a senhora do centro de emprego, António Montez e Amélia Videira como os pais de "Rui", ou Carla Salgueiro como a noiva interesseira, todos, sem excepção, estão no seu devido lugar.
Quando comecei a ver este telefilme pensei aquilo que normalmente penso... "ok, mais uma produção da TVI que acabará por falhar de uma ou outra forma". Não poderia estar mais errado. Este (tele)filme superou todas as minhas expectativas. Não por serem baixas (que até eram), mas por conseguir ser realmente um bom filme. Uma comédia que é realmente divertida não só pela sua simplicidade mas também pela descontracção que todos aparentam ter. É essencialmente um filme divertido com actores que descomprometidamente assumem uma naturalidade que muito faz falta neste tipo de produções. Sem lições de moral ou expectativas além do entretenimento, este Noiva Precisa-se assume-se como uma divertida e bem disposta comédia que só perde pelas horas a que passou e pelos complexos que muitos de nós têm para com estas produções da TVI.
Parabéns ao referido canal de televisão e que destes... venham muitos mais.
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9 / 10
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Oscars 2012: vencedores

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Filme: The Artist, Thomas Langmann
Actor: Jean Dujardin, The Artist
Actriz: Meryl Streep, The Iron Lady
Actor Secundário: Christopher Plummer, Beginners
Actriz Secundária: Octavia Spencer, The Help
Realizador: Michel Hazanavicius, The Artist
Argumento Original: Woody Allen, Midnight in Paris
Argumento Adaptado: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash, The Descendants
Fotografia: Robert Richardson, Hugo
Banda-Sonora: Ludovic Bource, The Artist
Canção: "Man or Muppet", Bret McKenzie, The Muppets
Montagem: Angus Wall e Kirk Baxter, The Girl with the Dragon Tattoo
Guarda-Roupa: Mark Bridges, The Artist
Direcção Artística: Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo, Hugo
Caracterização: Mark Coulier e J. Roy Helland, The Iron Lady
Som: Tom Fleischman e John Midgley, Hugo
Efeitos Especiais Sonoros: Philip Stockton e Eugene Gearty, Hugo
Efeitos Especiais Visuais: Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning, Hugo
Filme de Animação: Rango, Gore Verbiski
Filme Estrangeiro: Jodaeiye Nader az Simin, Asghar Farhadi (Irão)
Documentário Longa-Metragem: Undefeated, Daniel Lindsay, T.J. Martin e Rich Middlemas
Documentário Curta-Metragem: Saving Face, Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, William Joyce e Brandon Oldenburg
Curta-Metragem de Ficção: The Shore, Terry George e Oorlagh George
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