quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CineFiesta - Mostra de Cinema Espanhol 2014: programa oficial

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Realiza-se entre os dias 4 e 9 de Dezembro a sétima edição do Cine Fiesta - Mostra de Cinema Espanhol, nas cidades de Lisboa e Porto numa iniciativa que pretende divulgar o mais recente cinema espanhol em Portugal.
Em Lisboa, entre os dias 4 e 6 de dezembro, o CineFiesta irá apresentar no Cinema São Jorge os mais recentes filmes espanhóis, nomeadamente El Niño, de Daniel Monzón, Musarañas, de Juanfer Andrés e Esteban Roel, La Isla Minima, de Alberto Rodríguez, e o candidato espanhol aos Óscares  e grande vencedor dos Goya no início deste ano Vivir es Fácil Con los Ojos Cerrados, de David Trueba. A pensar no público familiar, será ainda exibido o filme de animação Mama, Soy Un Zombie, de Beñat Beitia e Ricardo Ramón.
Todos estes filmes estrearam em Espanha durante o ano de 2014, excepto Musarañas, cuja estreia espanhola está marcada para o próximo dia 25 de Dezembro.
A programação prolonga-se ainda para a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema vai receber Dos Memorias, documentário de Jorge Semprún - guionista e ex-ministro da cultura - sobre a Guerra Civil Espanhola, e Campanadas a Media Noche, de Orson Welles, um filme realizado em 1965, produzido e rodado em Espanha. Pela primeira vez, haverá Cinema em Concerto, um momento em que o músico Jordi Sabatés acompanhará ao piano algumas obras de Segundo de Chomón, um dos pioneiros da arte cinematográfica em Espanha.
Nesta edição, o CineFiesta associou-se ao Festival Porto Post Doc e vai exibir no Teatro Rivoli e no Cinema Passos Manuel, Porto, quatro documentários, todos eles premiados em vários festivais internacionais: Vikingland, de Xurxo Chirro, Todos Vós Sodes Capitáns, de Oliver Laxe, Costa da Morte, de Lois Patiño - filme que arrecadou variadíssimos prémios, entre eles o de Melhor Realizador Emergente no Festival de Locarno 2013 - e ainda Arraianos, de Eloy Enciso - vencedor do Prémio de Vanguarda e Género no BAFICI, entre outros, sendo que durantes estes dias, tanto Lisboa como Porto vão ainda contar com a presença de alguns actores e realizadores espanhóis.
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Programa
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LISBOA
Cinema São Jorge
04 dez - 21h30 - El Niño, de Daniel Monzón
05 dez - 19h30 - Vivir es Fácil Con los Ojos Cerrados, de David Trueba
05 dez - 21h45 - Musarañas, de Juanfer Andrés e Esteban Roel
06 dez - 17h00 - Mama, Soy un Zombie, de Beñat Beitia e Ricardo Ramón
06 dez - 21h30 - La Isla Minima, de Alberto Rodríguez
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Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
04 dez - 21h30 - Dos Memorias, de Jorge Semprún (Conferência com José Maria Prado)
05 dez - 21h30 - Campanadas a Media Noche, de Orson Welles
06 dez - 21h30 - JORDI SABATÉS RECRIA SEGUNDO DE CHOMÓN
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PORTO
Rivoli (Sala 2)
04 dez - 18h00 - Vikingland, de Xurxo Chirro
04 dez - 21h30 - Todos Vós Sodes Capitáns, de Oliver Laxe
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Passos Manuel
09 dez - 19h00 - Arraianos, de Eloy Enciso
09 dez - 22h30 - Costa da Morte, de Lois Patiño
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Warren Clarke

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1947 - 2014
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Shortcutz Xpress Viseu - vencedor do mês de Outubro

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A curta-metragem Pela Boca Morre o Peixe, de João P. Nunes foi o filme curto vencedor do mês de Outubro do Shortcutz Xpress Viseu, tornando-se assim o quarto filme candidato ao Prémio SXV de Melhor Curta do Ano, juntando-se a Salomé, de Sofia Bairrão, Bicho, de Carlos Jesus e Miguel Munhá e ainda Cigano, de David Bonneville.
De relembrar ainda que Pela Boca Morre o Peixe foi o filme curto vencedor do Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror no passado mês de Setembro.
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Queen and Country (2014)

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Pela Raínha de John Boorman é uma das longas-metragens em competição nesta edição do Lisbon & Estoril Film Festival a decorrer no Centro de Congressos do Estoril e no Cinema São Jorge até ao próximo dia 16 de Novembro.
Depois de um conjunto de anos a recuperar dos tormentos da Segunda Guerra Mundial, Inglaterra vê-se novamente envolvida num novo conflito, desta vez na Coreia. Bill (Callum Turner) e Percy (Caleb Landry Jones) travam amizade no difícil e isolado campo de treinos em que se encontram e partilham os amores e desamores pelos seus superiores que parecem concentrados em lhes dificultar a vida.
Mas é na difícil realidade da aproximação da guerra que a sua amizade será realmente colocada à prova, no mesmo instante em que Bill conhece a bela e enigmática Ophelia (Tamsin Egerton) e que Elizabeth II se torna a Raínha de Inglaterra.
Ainda que um filme centrado num período bem conturbado da História moderna e de conseguir captar uma certa irreverência que está sempre inerente a este tipo de filme de "caserna" que o torna assumidamente bem disposto apesar da imensa tragédia que está por detrás das suas diversas personagens, Queen and Country perde-se na empatia que tenta criar não só entre as suas personagens como principalmente na identificação e proximidade que estas deveriam ter com o seu público.
A dinâmica e potencial existentes por detrás desta história são, ou deveriam ser, os suficientes para estarmos perante um daqueles filmes de época em que as realidades ou tragédias pessoais estariam acima do conflito que serve de pano de fundo para as mesmas. No entanto, não só é uma verdade que o conflito em si se assume como uma mera tela que constextualiza a relação das personagens como estas não se desenvolvem o suficiente para considerarmos que elas sim são, afinal, aquilo em que o espectador se deveria concentrar.
No fundo, e para que Queen and Country faça total sentido na aparente - apenas e só - dispersão, é considerá-lo como a segunda parte da obra de 1987, Hope and Glory onde a mesma família vivia as amarguras da já referida Segunda Guerra Mundial e que aqui mais não são do que exactamente os mesmos, anos depois e com um novo conflito a ensombrar as suas vidas. Aqui encontramos a família Rohan mais velha e o jovem Bill como centro desta novo conflito como uma das suas principais personagens. Esqueçamos os anos que separam 1945 de 1952 e as potenciais mudanças que esta família sentiu, ainda que algumas delas vivam nas entrelinhas e sejam brevemente referenciadas e concentremo-nos sim no seu crescimento e na forma como as guerras realmente mudam as pessoas tornando-as mais indiferentes aos pequenos grandes dramas da vida e tentando aproveitar aqueles outros momentos que podem fazer valer um pouco mais essa mesma vida.
No final Queen and Country é a justa homenagem aos "Rohan" tal como os deixámos em 1945 mas, ao mesmo tempo, a porta de entrada para uma nova sequela - não sabemos quando - que talvez nos permita explorar as agora consequências da Coreia num período aparentemente mais calmo. Terão eles encontrado alguma redenção? Serão as suas vidas mais tranquilas? Ou aquela eterna pergunta... terão eles próprios encontrado algum tipo de redenção ou expiação com as escolhas - e rumos - que tomaram ou aos quais foram obrigados.
Com algum humor à mistura, ainda que normalmente mais corrosivo do que necessariamente feito a pensar em divertir alguém, Queen and Country centra toda a sua atenção nos vazios que ficam nas personagens que os povoam. Assistimos ao que poderia ter sido, ao que aconteceria, ao que poderia ser, às hipóteses, aos sonhos, aos desejos que não se podem cumprir e principalmente na solidão que se percebe que todos sentem mas que na prática nunca a vão confrontar. Não será aquele filme que ficará no coração, principalmente se não visto imediatamente após a Hope and Glory, mas confirma-se como o segundo acto de uma história que ainda assim fica por contar.
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7 / 10
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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Carol Ann Susi

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1952 - 2014
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Jauja (2014)

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Jauja de Lisandro Alonso é uma longa-metragem argentina de ficção exibida na mais recente edição do Lisbon & Estoril Film Festival a decorrer até ao próximo dia 16, e que conta com a participação de Viggo Mortensen na interpretação principal.
Patagónia nos finais do século XIX. Gunnar Dinesen (Mortensen), capitão dinamarquês chega ao território quando a conquista do deserto dizima toda uma população nativa. A seu lado chega Ingeborg (Viilbjørk Malling Agger), a filha de quinze anos, que se apaixona por um dos militares presentes no local e com quem foge durante a noite.
Na manhã seguinte quando se apercebe da fuga, Gunnar inicia uma viagem pelas profundezas desconhecidas deste território em busca da sua filha numa viagem que se espera longa e tortuosa.
Ainda que sentida a proximidade com o antigo estilo western norte-americano, Jauja leva o espectador a percorrer uma viagem mística que tem tanto de ilusória como de fantasmagórica pelas desconhecidas pampas argentinas onde se pensa que se irá encontrar uma qualquer essência de "Dinesen", até então um personagem atípico num território improvável.
Quando se espera que desta busca resulte uma descoberta pessoal - para as personagens - ou até mesmo individual - para "Dinesen" ou até para o próprio espectador -, aquilo com que nos deparamos é um vazio imenso característico das próprias pampas argentinas onde muito pouco, para lá de alguma vida natural, existe. A certo momento o espectador pensa que estes territórios mais não espelham do que os reais propósitos destes colonos que, através de inuendos militares ou migratórios, se deslocaram para o Novo Mundo, isto é... desprovidos de objectivos reais nos seus territórios de origem, chegam aqui para encontrar uma nova oportunidade que na prática jamais será alcançada tendo mesmo tudo a fugir-lhes por debaixo dos pés.
A magnificiência dos territórios - áridos, espaçosos e vazios - pode apenas ser comparada com a sua própria presença na medida em que retratam no real aquilo que sentem; a perda. A procura de um mundo melhor, com oportunidade e uma riqueza fácil é imediatamente perdida quando ao chegar têm de aniquilar o nativo (leia-se o natural de...), como se este representasse o último obstáculo (apenas mais um) para poder finalmente ter o seu próprio local e ascenção. Terra de (e)migrantes, estas pampas perdidas no desconhecido envolvem aqueles que nela se aventuram e impedem-no de sair por cima dos acontecimentos, embrenhando-se num rumo de perdição como se de um eterno purgatório se tratasse. A ilusão de um mundo melhor está então perdida.
Ainda que distante de ser um filme apelativo através da sua história, Jauja consegue ser um portento a nível técnico exibindo uma requintada direcção de fotografia de Timo Salminen que capta a alma, as cores, a sua aridez e a sua luminosidade transformando-se todas elas nos sentimentos da verdadeira personagem principal que é, no fundo, o espaço geográfico. Um espaço que consome aqueles que por ele se aventuram e que tentam a sua sorte na esperança de um momento melhor que, na prática, não chega.
Destaque ainda para o guarda-roupa ou até mesmo para a música original composta pelo próprio Viggo Mortensen e que capta, uma vez mais, aquela essência dos velhos western e nos quais esperamos que alguém parta a cavalo rumo ao pôr do sol. Aqui a viagem nãos erá feita a cavalo, pelo menos não na sua totalidade, e o calor abrasador será sentido à medida que cada acorde será tocado.
Visualmente Jauja é um filme apelativo, rico e cheio de vida - ainda que francamente camuflada - no entanto, a nível de enredo e narrativa estamos longe de encontrar aquele filme que irá marcar o espectador pela positiva.
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6 / 10
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Boy (2014)

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Boy de Bruno Gascon é uma curta-metragem portuguesa de ficção e uma das mais agradáveis surpresas do género fantástico dos últimos tempos.
O que acontece quando alguém se encontra completamente só e (auto)-privado da sua liberdade? O que acontece quando esse alguém se encontra num espaço que mais não é do que a imagem de uma total degradação psicológica sentindo-se preso a esse mesmo local? A resposta está em Boy (Duarte Grilo), que se considera uma pessoa bem comportada.
Bruno Gascon, Joana Domingues, Joana Palminha e João Rui Silva assinam o argumento desta curta-metragem que surpreende não só pela destreza da sua mensagem como principalmente pela forma como aborda questões tão complexas como a solidão e a liberdade não só físicas como principalmente psicológicas, sem esquecer a natural interligação entre ambas. Boy questiona o espectador sobre estas temáticas induzindo-o, até certo ponto, a pensar que as palavras proferidas pelo seu intérprete principal se baseiam essencialmente num relato sobre uma terceira pessoa. Aquele alguém que sofreu por prazer dos outros que lhe induziram práticas de uma qualquer tortura física e psicológica que o limitaram no seu trato e no seu comportamento. "Era perfeito", escutamos a certa altura, e percebemos que esta tortura psicológica granjeava mais ou menos lentamente, uma condição de prisão auto-imposta a alguém que se limitava a obedecer e "respeitar" um sofrimento consentido.
Num casebre imundo e aparentemente abandonado encontramos "Boy" (Grilo), um homem que percebemos ter perdido a noção da realidade, do que o rodeia, das suas limitações e principalmente da sua dignidade graças a um conjunto de abusos aos quais deve ter sido sujeito durante tempo indeterminado. Tempo esse que é, aliás, desconhecido no seu todo. Não sabemos o que se passa para além daquelas quatro paredes. Não sabemos se se encontra só no mundo ou mesmo se este existe tal como o conhecemos. O mundo é, na prática, apenas o interior daquelas quatro paredes que se encontram a "salvaguardá-lo" de tudo o demais (será?).
Talvez o mundo seja algo mais mas, para ele, tudo se resume àquele espaço degradado - talvez uma imagem da sua própria mente e consciência - perdidos no espaço, nas memórias de um abuso não explicado mas que aos poucos ele revela com os seus comentários para o espectador que assiste a alguém perdido e sem retorno. Comentários estes que demonstram o poder (ou falta dele) de um indivíduo atormentado pela dor, pela tortura, pela solidão. Duarte Grilo está perfeito ao encarnar este homem cuja prisão poderá ou não ser voluntária. Sabemos que está isolado e que escuta vozes perdidas na sua memória mas, ao mesmo tempo, será esta prisão aplicada por alguém ou mais não será do que um afastamento de uma sociedade que poderá - ou não - ainda existir? Terá sido forçado a isso ou o afastamento será voluntário? Afinal percebemos que se pode libertar das correntes que o prendem à parede...
São pequenos momentos - de um argumento perspicaz, e ao mesmo tempo abrangente - que nos abre portas para várias hipóteses. Se por um lado pensamos que "Boy" pode ter sido aprisionado naquele casebre, também nos questionamos se existirá algo mais para além do mesmo, ou seja, no mundo. Questionamo-nos ainda se ele se encontra só naquele espaço ou até mesmo no mundo e ainda nos questionamos se este indivíduo não será antes uma vítima de maus tratos, ou de esquizofrenia ou mesmo de alguma patologia mental que forçou alguém a esquecê-lo num espaço perdido - afinal o isolamento pode ter sido provocado e este nunca ter desenvolvido comportamentos sociais adquiridos através da convivência com os outros - e são estas pequenas dúvidas e incertezas que alimentam uma estranha vivacidade num ambiente soturno, degradado e assumidamente decadente que fazem daquela personagem uma alma perdida que esqueceu, ou até mesmo desconhece, elementos básicos de qualquer ser humano.
No final temos apenas uma grande certeza... a de que a solidão mata, quer seja ela voluntária ou decretada por terceiros. Mata mas primeiro condena a mente, degrada-a, fustiga-a e provoca-a com pequenas recordações de algo que se julga ter sido um passado... mas do qual já não se tem a certeza se existiu ou se mais não é do que uma alucinação provocatória que o permite sonhar com algo que não lhe é permitido experienciar. E quando pensamos que tudo está prestes a ser confirmado, eis que se abre uma nova porta... para o desconhecido.
Para além de um thriller bizarro, enigmático e possuidor de diversas leituras, Boy é um verdadeiro ensaio sobre a condição da mente humana e dos limites (ou falta deles) que esta possui. Sobre a sua resistência e sobre a sua capacidade de se manter lúcida quando tudo o demais parece já ter ou estar perdido e que encontra em Duarte Grilo um mestre na sua encarnação - tanto da lucidez como do tormento. De rosto perdido no seu sofrimento à encarnação de um sadismo masoquista impiedoso, Grilo torna-se na expressão de alguém psicologicamente descontrolado ao qual o espectador assiste enigmaticamente sobre os seus potenciais desfechos. Com uma interpretação sólida e francamente dramática, Duarte Grilo assume-se como a alma perdida que a sua personagem (não) encarna.
Tecnicamente há ainda que destacar a qualidade da direcção de fotografia de Carlos Melim que nos transporta para um local tão sombrio como a mente de "Boy" deixando apenas escapar raros apontamentos de luz que fornecem a tal "esperança" onde ela parece já não existir, para a direcção artística da autoria de Pedro Paiva que complementa o próprio ambiente e claro, para o genial rosto que combina todos os elementos através da caracterização de Rita Pereira que dá corpo a um sombrio sentido.
No final resta-nos apenas um tom cantado de forma assustadoramente sombria... "he's got the whole world in his hands..."... ou talvez já (se) tenha definitivamente perdido (d)esse mundo...
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9 / 10
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Permiso de Ausencia (2014)

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Permiso de Ausencia de Row and Jack - dupla de realizadores composta por Josh Wroe e Jordan Jacques Aboutboul - é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos remete para uma estranha mas presente realidade.
Ele (Aaron Martín) corre desalmadamente pelas ruas de uma cidade. Ela (Daimy García) conversa com uma amiga sobre os seus encontros amorosos. Rapidamente se encontram mas Ele demonstra um estranho e por vezes violento comportamento.
Josh Wroe, Jordan Jacques Aboutboul e Daimy García escrevem um argumento que inicialmente prende a nossa atenção por - apesar de alguns momentos que percebemos ser violentos - se destacar uma estranha "coreografia" exibida por "Ele". Aquele homem corre pelas ruas como se algo o perseguisse. Algo que nunca vemos mas sentimos sempre presente, fazendo o espectador mais atento lembrar-se do genial The Entity, de Sidney J. Furie onde a protagonista se vê ameaçada por uma entidade sobrenatural que acompanha todos os movimentos do seu dia-a-dia. Mas, no entanto, percebemos que algo mais se esconde por detrás deste estranho comportamento.
Na prática Wroe, Aboutboul e García fazem uma questão que apesar de simples nada ter... aparentemente o é... O que aconteceria se de repente um indivíduo se visse ameaçado e perseguido por uma entidade que está automaticamente protegida pela lei e pelo sistema? O que aconteceria quando, num único e breve instante, esse mesmo indivíduo se vê desprovido da sua liberdade, da sua identificação, da sua segurança sem um motivo aparente para além do prazer - e do poder - daqueles que por simplesmente quererem e poderem fazer o que querem? Para lá de uma qualquer anarquia de "um", Permiso de Ausencia leva-nos a uma reflexão sobre o poder e o seu abuso de uma autoridade, seja ela qual fôr, sobre uma cidadão que não tem como se defender perante a mesma estando assim sujeito a uma vontade corrupta e corrompido que exerce a sua dominância pelo simples prazer de o poder fazer... sem motivos, sem desculpas e sem argumentos... simplesmente "porque sim"; "Mi encanta mi trabajo" escutamos... é este o único "argumento".
O poder de um sobre outro é aqui explorado na sua forma mais animal. O poder da violência, o poder pelo simples poder que nunca se esquece de deixar uma última ameaça ao retirar uma identificação como se dissesse "sei onde estás". Esse poder invisível mas presente que persegue e que se subverte em nome de um prazer desconhecido e que, tal como nos é fornecido desde o início, se baseia em factos reais - tantas histórias que já conhecemos - e que percebemos que ao cair nas malhas desse mesmo poder que nos encontramos perdidos, sózinhos e abandonados... à volta ninguém suspeita, ninguém se apercebe (ou quer) e ninguém conhece. São as acções desse mesmo poder que existem e marcam, que destroem e não perdoam. Que são reais!
Curiosos os pequenos grandes detalhes que passam ao longo desta curta-metragem nomeadamente a fuga em que a sombra d'"Ele" aparece reflectida na parede em fragmentos - aqueles que restam do Homem - ou também o facto do banco em que ele cai depois da agressão possuir um simbólico R.I.P. (Rest in Peace) gravado ou, mais revelador ainda, quando durante a agressão assistimos a dois polícias virarem costas seguindo na sua mota, fazendo de Permiso de Ausencia uma curta-metragem mordaz, bem presente e actual, extremamente intensa e quanto baste revoltante, desafiante e, ao mesmo tempo medonha pois espelha uma realidade que sabemos existir mas que todos queremos, de uma ou outra forma, ignorar.
Um destaque pela positiva ainda para a música original de F. Javier Garrido Haro e David Gold bem como para a caracterização de Laura Pérez López.
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"Voz: Mi encanta mi trabajo."
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8 / 10
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domingo, 9 de novembro de 2014

Maps to the Stars (2014)

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Mapas para as Estrelas de David Cronenberg foi o segundo filme que visionei nesta edição do Lisbon & Estoril Film Festival e no Centro de Congressos do Estoril.
Nesta história o espectador é levado a conhecer Hollywood através de alguns dos seus mais directos intervenientes. Por um lado a família Weiss, Stafford (John Cusack), o pai analista e terapeuta, a mãe Christina (Olivia Williams) que cuida meticulosamente da carreira do filho Benjie (Evan Bird), um jovem de treze anos que acabara de sair de uma desintoxicação. Por outro conhecemos Havana Segrand (Julianne Moore) uma actriz de renome que vive desesperamente na tentativa de sair da sombra da sua mãe, uma lendária actriz dos anos 60.
À cidade chega também Agatha (Mia Wasikowska), recentemente saída de um sanatório onde fora acompanhada por alguns incidentes pirómanos, e que se apaixona por Jerome (Robert Pattinson), o condutor da limousine que a conduz na cidade. Chegará a altura de saber que Agatha é também membro da família Weiss.
Maps to the Stars esteve em competição para a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes de onde acabou por sair premiado com a Interpretação Feminina para Julianne Moore e, ainda que não considere que não tem uma interpretação grande ao ponto dessa distinção, não é menos verdade que é uma das personagens mais desafiantes que recria nos últimos largos anos graças a um argumento cru e mordaz da autoria de Bruce Wagner.
A encarnação de Julianne Moore enquanto "Havana Segrand" é um perfeito retrato de uma actriz "ultrapassada" e desgastada pelo tempo. Alguém que tenta desesperadamente reencontrar o seu público nicho e ter aquele grande êxito que a faça renascer para a fama que tanto deseja e sente merecer. No entanto é o afastamento desse estrelato que a torna num elemento perto dessa potencial decadência e auto-destruição revivendo, ao mesmo tempo, fantasmas do seu próprio passado que a condenaram a uma figura de segundo plano que vive na sombra do estrelado da sua mãe, actriz de renome cujos filmes (re)vive constantemente como uma auto-punição.
No entanto, não é só a decadência de "Havana" que está presente em Maps to the Stars. A família "Weiss" é a encarnação da mesma quando analisamos a vida de todos os seus elementos. Se por um lado temos um casal disfuncional que pouco vemos interagir, não é menos verdade que a concepção de família enquanto tal está longe de ser normal quando sabemos que o seu jovem filho de treze anos acaba de sair de uma clínica de desintoxicação e cujos comportamentos parecem de um adulto com um passado por contar. Algo está mal quando descobrimos que todos fogem desse tal passado que os atormenta e que está prestes a bater-lhes à porta quando a misteriosa "Agatha" chega a Hollywood.
O interessante argumento de Wagner coloca em cima da mesa uma questão que embora tocada de forma pouco explícita está presente nas vidas de todas estas personagens e explica, de certa forma, os fantasmas que os atormentam. O incesto abordado quer na família "Weiss" através da relação entre os irmãos "Stafford" e "Christina" é também um dos principais motes do distúrbio existe em "Havana" quando esta revela a sua potencial - e nunca confirmada - violação por parte da mãe, a actriz que todos respeitavam. No fundo Wagner centra toda a sua história nas cicatrizes quer físicas quer psicológicas que afectam o bem-estar - principalmente mental - destas personagens. São essas cicatrizes que acabam por ser o mote principal deste filme de Cronenberg, à semelhança do que já acontecera com Crash onde essas, sendo essencialmente físicas, funcionavam como o motor para que uma sexualidade por vezes reprimida fosse exposta e praticada. Em Maps to the Stars estando presente uma cicatriz essencialmente psicológica, esta tem como fundo - ou pelo menos o seu principal motor -, um motivo de cariz sexual que provoca e desencadeia essas mesmas perturbações.
No fundo existe uma acção vs. reacção - ainda que tardia mas sempre constante - entre um passado perturbado e conflituoso que num ritmo consistente deixa marcas presentes nas diversas personagens que os inibem de uma vida normal mesmo que frente a câmaras encenem o ambiente e lar perfeitos. É esta dualidade entre o físico e o psicológico, o encenado e o real que provoca os conflitos interiores que os atormentam denotando felicidade quando todos os demais choram e a capacidade de tudo ser capaz para uma auto-satisfação que é, na maior parte dos momentos, apenas momentânea; um mapa para as estrelas que estão, no entanto, em plena decadência.
Interessante ainda é a crítica mordaz que Maps to the Stars tece com comentários pouco simpáticos à fórmula para o sucesso pela qual algumas "estrelas" tomam, nomeadamente quando se refere a adesão à cientologia como forma para alcançar o sucesso ou ainda quando estando lá, e por vezes em tão jovem idade, este mesmo sucesso transporta os seus intervenientes para um rumo de abusos, dependências e destruíção da qual dificilmente conseguirão sair, Tudo isto sem esquecer as absurdas e pouco sentidas visitas aos fãs que atravessando situações complicadas quase são ridicularizados pelos mesmos, tornando-os (às estrelas) pessoas vãs, absurdas, insípidas e hipócritas com vidas desfeitas que não criam - nem pretendem - laços com ninguém. Motivo este pelo qual os seus próprios fantasmas sejam de crianças, representações da última inocência que alguma vez conheceram.
Maps to the Stars não será aquele filme que todos iremos ver nesta temporada de prémios que está prestes a iniciar mas é, ao mesmo tempo, uma interessante e bem elaborada crítica ao sistema do estrelato - e ao mundo in-Hollywood - bem como à forma como a perversão de alguns valores se transforma numa auto-penitência que irá destruir o ego de muitos lançando-os num inferno (afinal o fogo é aqui uma constante) no qual irão penar para toda a sua própria eternidade.
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"Agatha Weiss: On the stairs of Death I write your name, Liberty."
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8 / 10
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sábado, 8 de novembro de 2014

Saint Laurent (2014)

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Saint Laurent de Bertrand Bonello é o candidato francês ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e foi um dos filmes de abertura do Lisbon & Estoril Film Festival deste ano - exibido Fora de Competição - e que contou com a presença do realizador na apresentação do mesmo no Centro de Congressos do Estoril.
Yes Saint Laurent. Um nome, uma marca. Nos bastidores das grandes passerelles internacionais conhecemos o homem Saint Laurent (Gaspard Ulliel), a sua concepção profissionalmente perfeita onde pretende apenas criar o belo. Ao mesmo tempo, conhecemos o outro lado do brilho... Saint Laurent, o homem de paixões, de entregas e de excessos que o marcaram para toda uma vida.
Depois de L'Apollonide (Souvernirs de la Maison Close), o realizador leva o espectador numa viagem que passa, uma vez mais, pelo imaginário de uma vida sexual fechada aos olhares do público, por meandros sempre obscuros e altamente dependentes da satisfação que é consagrada àqueles que nela participam mas, em vez de abordar toda uma alta classe parisiense, Saint Laurent é um retrato das vivências escondidas dessa mítica figura da moda internacional que foi Yves Saint Laurent. Aqui conhecemos YSL o génio da moda que redefiniu as formas femininas através de linhas e cortes direitos e acentuados desprovendo a mulher de uma imagem tradicional que se definira ao longo de anos dando-lhe agora todo um novo toque de uma sensualidade sóbria e distinta.
No entanto, este filme é também, como referi, uma viagem ao outro lado do brilho e do estrelato, da opulência e do estilo fazendo o espectador cair na subversão e na anarquia pessoal de uma vida dupla que poucos conheceram, onde o desgaste e a depência psicológica das velhas memórias de um passado e de amores mais ou menos perdidos e a física graças a alucinogéneos que condenaram toda a vida de Saint Laurent são apenas o início de uma espiral de decadência iniciada largos anos antes aquando do seu esgotamento nervoso durante o cumprimento de serviço militar na guerra da Argélia.
Bertrand Bonello e Thomas Bidegain assinam assim um argumento que para além de nos remeter para os anos de maior fama e ascenção do estilista francês - 1967 a 1976 - mas também sobre a sua vida paralela onde a criação e a inspiração sempre foram uma constante como forma de dignificar a forma e o corpo feminino ao mesmo tempo que os seus dramas pessoais o levavam numa espirar de decadência onde orgias, recurso a prostituição masculina e drogas pesadas consumiam a sua, por vezes, pouco estável vida sentimental e afectiva. Bonello filma então os extremos, os excessos e a ténue linha que separa a luz da escuridão, a sanidade de uma certa loucura que é o mesmo que dizer a vida tida segundo os padrões ditos "morais" da época e aqueles que são, na prática, aplicados e que normalmente pouco estão relacionados com os anteriores.
A dar vida a este homem temos um inspirado Gaspard Ulliel tão enigmático, controverso e sexualmente explícito como aquando da sua interpretação como "Hannibal "Cannibal" Lecter" em Hannibal Rising (2007). Se este último filme lhe granjeou o conhecimento internacional, Saint Laurent será certamente o filme que o vai confirmar como um dos actores franceses do momento e a interpretação será "aquela" que durante muitos e longos anos precisará de ser superada. O seu olhar aparentemente calmo contrasta com alguma provocadora perversão que insinua e uma afectividade que procura sem conseguir confirmar em absoluto.
Num misto de notáveis interpretações secundárias onde se destacam Valérie Donzelli como a tia que Saint Laurent gostava de "modelar", Jasmine Trinca como uma das amigas da alta sociedade ou Valeria Bruni Tedeschi como uma mulher apagada que num instante ganha uma nova vida graças às suas palavras, Saint Laurent destaca-se ainda pelas interpretações de Jérémie Renier como "Pierre Bergé", o companheiro de vida - e de profissão - do estilista, Louis Garrel numa intensa interpretação como "Jacques de Bascher", o eterno "objecto" de desejo de Saint Laurent e ainda Léa Seydoux como "Loulou de la Falaise" designer de jóias e fiel amiga do estilista.
Todos eles encarnam um espírito típico da época saído do "free love" e num misto de decência herdada da era De Gaulle e a loucura dos anos 70 onde tudo tinha de ser vivido e com alguns excessos, fazem com que Saint Laurent insira o espectador num palco por vezes louco e sedutor - muito graças a uma excêntrica direcção de fotografia de Josée Deshaies - mas repleto de riscos que todos eles viveram (in)conscientemente.
Com um design de produção de Katia Wyszkop e um guarda-roupa coordenado por Anaïs Romand, Saint Laurent poderá não ser o filme francês do ano mas será com toda a certeza um dos mais marcantes.
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8 / 10
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European Film Awards 2014: os nomeados

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Filme
Ida, de Pawel Pawlikowski (real.) e Eric Abraham, Piotr Dzięcioł, Ewa Puszczyńska e Christian Husum (prods.)
Kys Uykusu, de Nure Bilge Ceylan (real.) e Zeynep Özbatur Atakan (prod.)
Leviafan, de Andrey Zvyagintsev (real.) e Alexander Rodnyansky & Sergey Melkumov (prods.)
Nymphomaniac, de Lars von Trier (real.) e Louise Vesth (prod.)
Turist, de Ruben Östlund (real.) e Erik Hemmendorff, Marie Kjellson e Philippe Bober (prods.)
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Comédia
Carmina y Amén, de Paco León (real.) e Paco León, Ghislain Barrois e Álvaro Augustín (prods.)
La Mafia Uccide Solo d'Estate, de Pierfrancesco Diliberto (real.) e Mario Gianani e Lorenzo Mieli (prods.)
Le Week-End, de Roger Michel (real.) e Kevin Loader (prod.)
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Realizador
Nuri Bilge Ceylan, Kis Uykusu
Steven Knight, Locke
Ruben Östlund, Turist
Paweł Pawlikowski, Ida
Paolo Virzì, Il Capitale Umano
Andrey Zvyagintsev, Leviafan
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Actor
Brendan Gleeson, Calvary
Tom Hardy, Locke
Alexey Serebryakov, Leviafan
Stellan Skarsgård, Nymphomaniac
Timothy Spall, Mr. Turner
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Actriz
Marian Alvarez, La Herida
Valeria Bruni Tedeschi, Il Capitale Umano
Marion Cotillard, Deux Jours, Une Nuit
Charlotte Gainsbourg, Nymphomaniac
Agata Kulesza, Ida
Agata Trzebuchowska, Ida
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Argumento
Ebru Ceylan e Nuri Bilge Ceylan, Kis Uykusu
Jean-Pierre e Luc Dardenne, Deux Jours, Une Nuit
Steven Knight, Locke
Oleg Negin e Andrey Zvyagintsev, Leviafan
Paweł Pawlikowski e Rebecca Lenkiewicz, Ida
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EFA Carlo di Palma - Fotografia: Łukasz Żal e Ryszard Lenczewski, Ida
Música Original: Mica Levi, Under the Skin
Montagem: Justine Wright, Locke
Design de Produção: Claus-Rudolf Amler, Das Finstere Tal
Guarda-Roupa: Natascha Curtius-Noss, Das Finstere Tal
Som: Joakim Sundström, Starred Up
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Documentário
Just the Right Amount of Violence, de Jon Bang Carlsen
Master of the Universe, de Marc Bauder
Of Men and War, de Laurent Bécue-Renard
Sacro Gra, de Gianfranco Rosi
Waiting for August, de Teodora Ana Mihai
We Come as Friends, de Hubert Sauper
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Filme de Animação
L'Arte della Felicitá, de Alessandro Rak
Jack et la Mecanique du Coeur, de Mathias Malzieu e Stéphane Berla
Minuscule - La Vallée des Fourmies Perdues, de Thomaz Szabo e Hélène Giraud
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European Discovery of the Year - Prix FIPRESCI
10,000 KM, de Carlos Marques-Marcet
71, de Yann Demange
La Herida, de Fernando Franco
Party Girl, de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis
Plemya, de Myroslav Slaboshpytskiy
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Curta-Metragem
The Chicken, de Una Gunjak
The Chimera of M., de Sebastian Buerkner
Daily Bread, de Idan Hubel
Dinola, de Mariam Khatchvani
Fal, de Simon Szabó
Hätäkutsu, de Hannes Vartiainen e Pekka Veikkolainen
Hvalfjord, de Guðmundur Arnar Guðmundsson
Ich Hab Noch Auferstehung_, de Jan-Gerrit Seyler
Lato 2014, de Wojciech Sobczyk
The Missing Scarf, de Eoin Duffy
Panique au Village: La Buche de Nöel, de Vincent Patar e Stéphane Aubier
Pequeño Bloque de Cemento con Pelo Alborotado Conteniendo el Mar, de Jorge López Navarrete
Pride, de Pavel Vesnakov
Shipwreck, de Morgan Knibbe
Taprobana, de Gabriel Abrantes
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pela Boca Morre o Peixe (2014)

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Pela Boca Morre o Peixe de João P. Nunes é uma curta-metragem portuguesa de ficção e a vencedora do Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror da última edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.
Miguel (Miguel Sá Nogueira) dedicou anos à pesca ilícita tornando-o famoso no seu círculo com o qual partilha um conjunto de obsessivas paixões grotescas. No entanto, é no dia em Miguel é mordido por uma das suas presas que a sua vida ganha uma nova perspectiva onde a mutação é não só psicológica como principalmente física tendo consequências assumidamente catastróficas.
A curta-metragem de João P. Nunes - também autor do argumento em parceria com Pedro Barão - que agora está em competição no Shortcutz Xpress Viseu capta no seu estilo muito próprio o ambiente de The Fly, de David Cronenberg logo de imediato graças à personagem central ser um homem aparentemente solitário e sem qualquer aparente sólida ligação a terceiros a viver num local sem qualquer traço identificativo da sua personalidade assim como pela sua evidente transformação que aos poucos se confirma.
Num ambiente que é desde o primeiro instante tão soturno quanto decadente, o espectador entra naquilo que se pressente um espaço alternativo, com pessoas igualmente bizarras cujo único propósito parece querer cumprir um qualquer devaneio muito próximo do carnal e que lhes garante uma satisfação física.
"Miguel" um homem que seduz pela sua entrega e dedicação a este prazer ilegal, é um homem completo no seu espaço, intrigante pelo círculo de "amigos" que mantém e suspeito pelo seu aparente aspecto angelical. Neste meio que é reservado a poucos - talvez aqueles que exibam posses capazes de satisfazer o seu desporto - percebemos que ele é um ás que se orgulha dos registos que mantém da sua "actividade"... talvez o melhor do grupo e aquele que sempre cumpre com os seus objectivos. Os demais - meros carnívoros desejosos do próximo saque - ostentam uma decadência que os transforma em seres pouco racionais e que apenas mantém esta "amizades" por ser a única forma de manterem o seu capricho num vício que é proibido. Personagens animalescas e sem princípios latentes todos, sem excepção, destacam-se pelos seus comportamentos pré-formatados como dependentes da próxima dose que lhe garanta uma tranquilidade ainda que possa ser apenas momentânea. Dependência esta que os aproxima do limiar da legalidade, do respeito pela lei e até de uma convivência normal em locais mais próprios do que aquele em que se encontram e que os aproxima de uma qualquer seita que se esconde dos olhares públicos.
É, no entanto, na transformação de "Miguel" que se centram os detalhes mais interessantes deste curioso filme curto pois é através desta que encontramos o expoente máximo da bizarria graças a uma interessante e eficaz caracterização de André Ramos Silva. Desde as manchas que lhe aparecem no corpo passando pela sua própria estrutura que se altera - espinhas em vez de ossos - "Miguel" é um homem prestes a desaparecer transformando-se naquilo que sempre procurou... uma pesca original, ilegal e por demais curiosa: ele próprio. É esta mesma transformação que garante ao espectador os momentos tidos como mais líricos/alucinantes e que o obrigam a entrar num universo totalmente diferente nomeadamente onde conhecemos a agora nova dependência de "Miguel" por espaços onde a água seja uma constante... um lavatório ou uma banheira onde a sua respiração (e sobrevivência) se tornam facilitadas.
O anzol, arma do crime até então muito utilizada por si, surge uma vez mais na sua vida... não da forma como esperaria mas sim por se tornar no instrumento que o condena e que o faz o próximo "petisco" daqueles que até então alimentou.
Pela Boca Morre o Peixe destaca-se de imediato por dois aspectos técnicos que muito contribuem para o lado negro pretendido sendo eles a sua direcção artística pelas mãos de Marta do Vale que transforma todos os espaços - já de si fechados e sem ligações a um qualquer exterior - num aparente aquário de onde não se consegue escapar e que é optimizado graças à já referida caracterização de André Ramos Silva que transforma Miguel Sá Nogueira num ser andante e de guelras.
Finalmente um último destaque ao original argumento que ganha vida graças à notável interpretação de Miguel Sá Nogueira como um homem frio, distante, indiferente e até mesmo desligado da vida - a dos outros - e que se vê a braços com a sua própria extinção preso na ratoeira que ele próprio montou durante anos.
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8 / 10
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Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #38

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O Shortcutz Xpress Viseu e o Projecto Alcateia - Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo apresentam uma sessão especial de videoclips musicais na qual contará com a presença dos realizadores Bruno Carnide, Vasco Mendes e ainda do músico Noiserv que encerra a noite com um showcase.
No próximo Sábado dia 8 de Novembro pelas 21e30 o local para estar é na Fundação Lapa do Lobo, na Rua de Santa Catarina, 30 na Lapa do Lobo onde a entrada é gratuita.
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Sê Bem-Vindo a Esta Casa (2014)

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Sê Bem-Vindo a Esta Casa de Ana Pio - também autora do argumento - é uma curta-metragem de ficção que leva o espectador a uma viagem por uma casa onde uma rapariga (Andreia Assunção) revisita as suas memórias e os espaços que directamente delas fazem parte.
Cada memória num compartimento, cada imagem associada a um espaço e cada sentimento derivado de uma convivência com aqueles que mais próximas dela sempre estiveram - a sua família - lidos e pensados depois de já não se encontrarem presentes numa altura em que a sua própria existência parece fantasmagórica.
Este argumento demonstra um potencial muito interessante na medida em que propõe um desafio aos recantos da memória desde aquilo que ela guarda até às emoções que as mesmas provocam despoletadas através do seu confronto.
A "Rapariga" encontra-se naquele que pensamos ter sido o seu lar... percorre um corredor e só lhe é permita a entrada nas divisões da casa muito ocasionalmente. Vê os seus familiares e quando tenta tocar em objectos desse seu passado, estes agem como se ela não se encontrasse por ali; na prática esta sua imagem é algo futuro (do deles) e apenas a imagem que ela própria tem de si num espaço que "já passou", como se uma presença fantasmagórica se tratasse ou então alguém que fez uma incursão ao seu próprio passado, nunca alterando o seu próprio aspecto - a memória que tem de si naquele mesmo espaço - enquanto à sua volta alguns elementos mostram a passagem desse tempo.
Pela casa tanto temos esses fragmentos do passado ainda presentes na sua memória como também ruínas dessa sua história que mais não são agora do que destroços marcados, e mais ou menos apagados, pelo tempo. Mas, no entanto, algo falha na concretização daquilo que poderia ser um grande filme do género. A interpretação de Andreia Assunção, ainda que esforçada, não se torna convincente o suficiente para dar credibilidade ao seu ar de reflexão sobre o seu próprio passado e sobre a constância das suas recordações mantendo-se sempre uma promessa "morna".
Interessante o detalhe cénico de se optar por uma casa onde os estores - e por vezes as portas - estão fechados (a mente) como que salvaguardados de influências externas (a passagem do tempo). Pequenos blocos que se resguardam e salvam do esquecimento face a um mundo exterior que é susceptível de mudar pelas próprias experiências individuais.
Finalmente, e esta como uma nota muito pessoal, o facto de encontrar numa curta-metragem a presença de uma sempre intensa e grande actriz como é Suzana Borges que - agora num desejo também ele muito pessoal - espero que sirva de exemplo para outros realizadores em entregarem personagens ricas e fortes a esta magnífica actriz.
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6 / 10
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Lado Nenhum (2014)

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Lado Nenhum de Rui António é uma curta-metragem portuguesa de ficção que esteve em competição no Shortcutz Xpress Viseu e que nos conta uma história que podemos considerar actual.
Mãe (Mariema) e filho (Pedro Barbeitos) vagueiam pelas ruas de Lisboa. Aos poucos percebemos que não têm que comer ou lugar para viver transportando as suas poucas posses à medida que caminham.
Num mundo em transformação que surpreende nem sempre pelos melhores motivos, conseguirá esta família sobreviver a todos os desafios com que são confrontados?
O argumento de Rui António e Afonso Cruz apresenta-nos a difícil e quase sempre escondida realidade de uma sociedade moderna, falida e em declínio onde tudo o que interessa é parecer "normal" aos olhos daqueles que (nos) observam. As aparências de uma vida plena e de sucesso onde as posses monetárias definem aquilo que cada um é fazem de Lado Nenhum um triste mas real retrato de um Portugal - aplicável a qualquer outro espaço - actual. Triste e pesaroso que se sustenta com a imagem de um período mais farto mas igualmente imaginado, seguimos então a vida destas duas pessoas que recordam agora os seus bons momentos onde pouco (ou nada) possuem passando pela vida, pelas ruas, pelas memórias apenas com o intuito de sobreviver e manter uma dignidade (ou aparência) que também faz parte desse conjunto de memórias.
No entanto é também este argumento que faz um interessante reparo sobre as pessoas que, tendo ou não algum objectivo aparente, parecem vaguear pelas ruas, pelos espaços e pelos seus afazeres como autómatos habituados a uma rotina que pouco lhes irá proporcionar para além da ilusão de ter "algo". O hábito, esse malfadado estado que condiciona tudo e todos àquilo que lhes é apresentado. Se é bom a isso se habituam... se é mau, o destino será o mesmo. Habituamo-nos facilmente ao que nos é colocado no caminho, por vezes sem tentar contrariar, pois temos como garantido que aquele é o nosso destino... o nosso fado; o fim de um percurso que poderá - ou não - mudar mas que naquele dado momento é a certeza inabalável. Comer lixo ou roubar, mendigar e enganar... a tudo se habituam sem questionar.
No final, a última e talvez mais importante mensagem de Lado Nenhum - que se insere na já referida corrente cinematográfica que tem como base a actual crise financeira/social - é a forte necessidade que tem em demonstrar que o importante é sobreviver mesmo que, para tal, seja necessário recorrer a todos as fórmulas - mais ou menos prestigiantes - para o conseguir.
Interessante é a química entre Pedro Barbeitos e Mariema enquanto mãe e filho abandonados à sua própria sorte numa idade em que esta já não se irá fazer notar, e principalmente a fria e algo calculista interpretação desta veterana actriz que - felizmente - não está esquecida com uma interpretação enquanto uma mulher disposta a tudo (mesmo tudo) para poder vencer numa vida que faz questão de lhe mostrar que se esqueceu dela retirando-lhe todos os confortos que durante anos lhe conferiu.
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"Filho: As pessoas são como os planetas... parece que vão a algum lado mas só andam às voltas."
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8 / 10
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Fatale (2014)

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Fatale de Dário Ribeiro é uma curta-metragem portuguesa de ficção que leva o espectador até uma estranha e sombria sala onde encontramos uma mulher detida e algemada a uma cadeira. Alguém está na sala com ela. Será esta uma situação de rapto?
Quando percebemos o que está realmente a acontecer percebemos que afinal não é a ela que procuram mas sim a alguém que conhece?
Dário Ribeiro cria aqui um ambiente sinistro que nos desperta a atenção pois coloca o espectador num espaço de tensão e onde as situações são misteriosas o suficiente para nos fazer questionar sobre quem será realmente o vilão deste local. É apenas no momento em que começamos a perceber quem é a misteriosa presença que a acompanha bem como quais os motivos da sua permanência naquele espaço que somos imediatamente levados para factos ocorridos e que explicam as perguntas que lhe são dirigidas.
Conhecerá ela quem realmente procuram? Terá ela laços que a liguem ou comprometam? Irá ela salvar a sua própria pele? Num misto de intriga e mistério somos levados a uma história que nos remete para dois grandes êxitos norte-americanos como o são Basic Instinct - aquela cena dos lençóis e dos pulsos amarrados será eterna - bem como para uma ligação homossexual que liga as duas protagonistas de Bound distanciando-se de ambos pelos destinos dados às suas protagonistas que se torna francamente diferente daquele tido nos filmes referidos anteriormente.
Se por um lado Fatale aguça a curiosidade do espectador para conhecer aquilo que as levou até àquele ponto marcante das suas vidas, não é menos verdade que a limitação de tempo - não esquecer que estamos perante um filme curto - nos leva a não criar uma empatia directa com nenhuma das duas personagens que, no final, nos parecem algo mecânicas e sem alma. Interessante pela sua premissa e criação de um ambiente algo negro, Fatale apenas peca por não conseguir mostrar com maior profundidade a verdadeira personalidade e fundamento das acções das duas actrizes.
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6 / 10
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Lisbon & Estoril Film Festival 2014

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Lisbon & Estoril Film Festival
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7 a 16 de Novembro
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Centro de Congressos do Estoril
Medeia Monumental
Nimas
Centro Cultural de Belém
Fundação Calouste Gulbenkian
Casino Estoril
Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ariel - Candidato Português a Melhor Filme Ibero-Americano 2015

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A Academia Portuguesa de Cinema seleccionou o filme Os Maias - Cenas da Vida Romântica, de João Botelho como o candidato português aos Ariel 2015 na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano.
O filme de João Botelho sucede assim a A Última Vez que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata - recente vencedor do Sophia de Melhor Filme - na corrida ao troféu atribuído anualmente pela Academia Mexicana de Cinema.
Os Maias - Cenas da Vida Romântica com argumento de João Botelho baseado na obra homónima de Eça de Queirós, conta com as participações de Graciano Dias, Maria Flor, Pedro Inês, João Perry, Catarina Wallenstein, Rita Blanco, Maria João Pinho, Adriano Luz, Filipe Vargas, Nuno Pardal e Rui Morrison entre outros.
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Goya 2015 - Curtas-Metragens pré-seleccionadas

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A Academia Espanhola de Cinema divulgou os filmes curtos pré-seleccionados para a cerimónia a realizar no próximo dia 8 de Fevereiro de 2015 em Madrid.
Nas categorias de Curta-Metragem Documental e de Animação ficaram pré-seleccionados dez filmes em cada categoria enquanto que na Ficção ficaram quinze filmes indicados de entre os quais irão ser indicados quatro nomeados para cada categoria, sendo eles:
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Curta-Metragem de Ficção
Absolutamente Personal, de Julián Merino Díaz
Ahora, No, de Elia Ballesteros e Kate Campbell
Café para Llevar, de Patricia Font
Ciudadano Torralba Redux, de Suso Hernández
Foley Artist, de Toni  Bestard
La Cañada de los Ingleses, de Víctor Matellano
Loco con Ballesta, de Kepa Sojo
Meeting with Sarah Jessica, de Vicente Villanueva Ribes
Pitahaya, de Albert Espinosa
Pulse, de Álvaro Giménez Sarmiento
Safari, de Gerardo Herrero Pereda
Sin Respuesta, de Miguel Parra
Sinceridad, de Andrea Casaseca
Todo un Futuro Juntos, de Pablo Remón
Trato Preferente, de Carlos Polo
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Curta-Metragem Documental
366 Días, de Leopoldo Pomés Leiz
El Domador de Peixos, de Dani Resines y Roger Gómez
El Último Abrazo, de Sergi Pitarch Garrido
Godka Cirka, de Àlex Lora e Antonio Tibaldi
La Máquina de los Rusos, de Octavio Guerra Quevedo
¿Por qué Arturo Soria?, de Antonio Peláez Barceló
Ser e Voltar, de Xacio Baño
Verano 2013, de Eduardo Cardoso
Walls (Si Estas Paredes Hablasen), de Miguel López Beraza
Zela Trovke-Cortando Hierba, de Asier Altuna Iza
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Curta-Metragem de Animação
A Lifestory, de Nacho Rodríguez
A Lonely Sun Story, de Enrique Fernández Guzmán e Juanma Suárez García
Bloquejats Apilats, de Anna Solanas Santacana e Marc Riba Roqué
Desportistas, de Ana Rodríguez, Iván Ramírez e Juan Carlos Arniz
El Señor del Abrigo Interminable, de Victoria Sahores Ripoll
Foamy, de Eduard Puertas Anfruns
Juan y la Nube, de Giovanni Maccelli
La Mancha, de Javier Abad Moreno
Planet Ripos (El Casting), de Manuel J. García Pozo
Sangre de Unicornio, de Alberto Vázquez
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Miradouro da Lua (1993)

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O Miradouro de Lua de Jorge António (Portugal/Angola) é a primeira longa-metragem luso-angolana na qual João (João Cabral) se dirige a Angola para descobrir e conhecer o pai a pedido da mãe (Isabel de Castro).
Durante a viagem João conhece Sol (Aline Solange) que, com a ajuda da família, lhe dá pistas sobre como poderá encontrar o pai e compreender mais o seu passado. Conseguirá João compreender melhor o seu passado e o seu presente?
Como em todas as viagens em que se procura algo ou alguém, O Miradouro da Lua é, também ela, uma história onde aquilo que se encontra é mais um auto-conhecimento e libertação individual do que propriamente uma expiação sobre um qualquer porquê que se pretende do passado. Aquilo que o espectador retém de "João" pouco mais é do que pequenas e triviais banalidades de um jovem numa Lisboa do início dos anos '90 onde tanta incerteza ainda se prende com o passado colonial do país para onde muitos dos progenitores haviam rumado ou de onde nunca haviam saído. África, mais do que a Lisboa natal, é o local onde todas as respostas podem vir a ser encontradas explicando - deseja ele - todas as pequenas lacunas que o próprio encontra na sua vida. Porque cresceu sem um pai presente? Porque nunca o conheceu? O que o levou a ter e manter uma vida a milhares de quilómetros de distância e, no fundo, a grande e eterna pergunta... "quem sou eu?"...
Se a vida de "João" por Lisboa se resume a uma família relativamente pouco funcional onde uma mãe - que saudades que se manifestam ao encontrar uma gigante Isabel de Castro - emocionalmente distante e uma irmã (Elsa Galvão) que pouco se preocupa com um pai que, também ela, não conhece, ou até mesmo a uma namorada (Julie Sargeant) que tem os seus próprios planos típicas de uma jovem adulta, aquilo que ele procura pode encontrar-se nessa distância geográfica e física que o separa da Angola que o pai decidiu escolher. A pedido do pai (assim o pensa), "João" ruma a uma nova vida estival onde eventualmente conseguirá obter as respostas que tanto procura.
Sem grandes raízes ou laços emocionais e afectivos que o liguem a Lisboa, a realidade de "João" é que também não os encontra nessa Angola distante ou nada ou alguém conhece, oscilando num limbo que poderá trazer mais dúvidas do que respostas. Com o sentido de aventura natural de alguém que ainda não criou as referidas raízes, é Angola que finalmente o irá ver como o homem que poderá vir a ser... Angola, terra agora não só afectada pelos conflitos coloniais como também pelos conflitos internos que viu fomentar poderá trazer-lhe mais dúvidas do que respostas, mais incertezas do que momentos concretizados ou até mesmo surpresas para as quais não parece estar preparado.
O Miradouro da Lua é, eventualmente, o resultado do próprio miradouro natural... um espaço geograficamente imenso apenas alterado pela erosão natural do vento... um espaço deserto onde se pode reflectir mas do qual surgirão poucas respostas para além daquelas que, eventualmente já se esperavam... o pai de "João" desapareceu voluntariamente... não se apegou à família que formara em Portugal - quais os motivos desconheceremos para sempre ou apenas poderemos equacionar como tendo esta família sido o resultado de um casamento pouco voluntário de outros tempos - e formou uma nova vida com novas pessoas e novos destinos nessa Angola que escolheu e que o acolheu como um dos seus. Do pai "João" não irá saber nada para lá das pequenas certezas que retém dos espaços que foram outrora os seus caminhos e, tal como ele, opta por uma Angola que lhe poderá abrir portas que compreendeu não ir alcançar em Lisboa. Formou os seus amigos... reteve novos encontros e paixões que lhe poderão dar, à semelhança do progenitor, uma tal nova vida onde se iniciará como mais um anónimo numa terra que é grande demais. Se em Lisboa nada o espera e em Angola nada tem... a vida pode ser realmente nova naquele local onde pode assumir-se como mais um entre tantos anónimos que ali vão (espera) florescer à sua própria maneira sem qualquer tipo de expectativas de e para com ele.
As falhas maiores de O Miradouro da Lua encontram-se naqueles lugares comuns que são normalmente atribuídos a um cinema português datado não na sua época mas sim na forma como deixa fluir a sua história ou a pretensa mensagem. Tudo é relatado a um passo muito próprio onde é o espectador que lentamente intui aquilo que vê ou para o qual está preparado não deixando espaço para a memória ou o desconhecido firmarem o seu espaço. Das relações de amizade às amorosas ou até mesmo familiares que aqui vemos cumprir, o espectador compreende-as antes do seu anúncio... retém aquilo que elas poderiam ter de melhor e de dinamizador para a história sem que, no entanto, se deixem cumprir como realidades que a personagem principal poderia desenvolver, criando assim toda uma nova dinâmica na narrativa que poderia distanciar-se dos destinos escolhidos de um "pai" não os repetindo com a mesma certeza que o "filho" irá agora confirmar.
Interessante pela forma como se aproximam as duas realidades lusitanas - Portugal e Angola aqui desenhados como um espaço sombrio e tenebroso (Lisboa) e ensolarado e resplandecente (Luanda) - onde as esperanças, os desejos, os sonhos e as ambições são devidamente confirmadas ou terminadas, O Miradouro da Lua peca pelo distanciamento que cria com o espectador que não consegue encontrar nenhum ponto de empatia com nenhuma das personagens para lá do cómico de situação que algumas o conseguem permitir. Nem mesmo quando o espectador percebe que "João" tem mais alguém naquela Luanda distante se consegue criar o laço ou fio condutor desta história mantendo-a pelo morno que nunca será consumado... ou pelo menos não para o conhecimento do espectador que está limitado àquilo que vê e não ao que poderia ter sido.
Destaque, ainda assim, para um jovem João Cabral cuja personagem tinha tanto para dar explorando todas as suas pequenas nuances e para uma Isabel de Castro, a qual qualquer um de nós poderia ficar horas a observar e que aqui se limita a uma participação especial, O Miradouro da Lua desgasta-se e não sobrevive ao tempo tal como a erosão que o vento provoca no espaço geográfico que dá título a esta longa-metragem. Vê-mo-la mas não a guardamos para mais tarde recordar.
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4 / 10
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