sábado, 20 de fevereiro de 2016

Swallows (2015)

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Swallows de Sofia Bost é uma curta-metragem de ficção luso-inglesa presente na secção competitiva nacional do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra que amanhã termina no Centro Cultural Olga de Cadaval.
Sara (Teresa Tavares) trabalha num restaurante em Londres sempre com a perspectiva de encontrar algo na sua área e justificar assim a saída contra vontade de Portugal. Oscilante sobre aquilo que deixou para tráz em confronto com aquilo que poderá vir a ter, Sara encontra-se hesitante como que num limbo dividida entre incertezas.
Sofia Bost aqui no duplo papel de realizadora e argumentista recria um - mais um - interessante filme sobre a incerteza de uma geração que parece não ter nada e limitar-se ao mediano numa vida que lhes surge sem que a mesma tenha sido planeada. Swallows é, enquanto retrato de uma época, o espelho fiel desta geração que nos seus trinta(s) permanece com as mesmas incertezas e indecisões de uma adolescência já ida separando-os, no entanto, a compreensão de que os anos passaram e a idade já não é a mesma. Uma geração que parece perdida na falta de oportunidades e na não concretização dos seus objectivos agora tidos como crescentes desgostos e declaradas frustrações que levam a pensar "terá valido a pena?".
Teresa Tavares tem em "Sara" a sua interpretação mais forte e determinante, encarnando uma imagem fiel desta mesma geração da qual, aos poucos, surgem inúmeros retratos cinematográficos comprovando que o momento existe e é real. Sem o trabalho para o qual dedicou toda a sua vida académica, sem a presença da família que lhe poderia conferir algum conforto. Distante física e psicologicamente de "Francisco" (Pedro Caeiro), um namorado que parece preparado para "partir para outra" e a partilhar casa com outras mulheres com as quais não se identifica, "Sara" parece estar no seu ponto de ruptura sem, no entanto, ter forças para se encaminhar rumo a "algo".
Sempre com a premissa do "what's next" na mente de "Sara", Swallows é uma curta-metragem dona de um dramatismo violento que toca no íntimo daqueles que, tal como ela, percebem que a vida está a milhas de distância daquilo que um dia ousaram sonhar. Sonhar... a palavra que aqui - e nos demais filmes que versam sobre esta temática - se torna essencial mas ao mesmo tempo potencialmente perigosa.
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8 / 10
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