domingo, 14 de agosto de 2016

Year Six (2014)

Year Six de Austin Barbetto é uma curta-metragem norte-americana de ficção que se insere no sub-género filme pós-apocalíptico aqui filmado enquanto projecto de final de curso.
Ele (Mark Boucher) procura desesperadamente pela sua namorada Alice. Ao longo do seu caminho por um mundo posterior a um apocalipse que nunca conhecemos, encontra pequenas mensagens que ela lhe foi deixando com o tempo. Seis anos depois, poderá ele encontrar aquele que foi o amor da sua vida?
O realizador Austin Barbetto em colaboração com Mark Boucher escreveram o argumento desta curta-metragem que, inserindo-se num rico e prolífero género que sendo muito explorado não deixa de apresentar interessantes e enigmáticas histórias que permitem ao espectador deixar-se levar pelos recantos mais sombrios da sua imaginação exibe, no entanto, pequenas falhas que se compreendem pela falta de tempo, recursos e uma história... inacabada.
Recorrendo quase exclusivamente a espaços abandonados que recriam o ambiente de um território desolado por um qualquer cataclismo que nunca foi revelado - apesar de um breve tocar de sirenes que o nosso protagonista sonha num momento específico - e a uma planeada filmagem que tem apenas no seu protagonista o "único" interveniente a tempo inteiro, Year Six deixa, ao longo dos seus quase sessenta minutos de duração - a sensação de que este poderia ter sido mais... durante mais tempo.
Sem menosprezar o trabalho daqueles que não sendo profissionais depositam nesta história, esta curta-metragem (quase longa sem o saber) inicia a sua "kilometragem" de uma forma interessante ao revelar um protagonista solitário por um espaço inóspito - brilhantemente aproveitado os momentos de um eventual Outono mais "apagado" - que tem uma missão não tão misteriosa mas invulgar no género, ou seja, procurar o (seu) amor num momento em que tudo parece apontar para uma desistência (in)esperada. Os perigos não sentidos nos primeiros instantes, começam lentamente a revelar-se como uma constante... Afinal, é nos momentos de crise extrema que o verdadeiro carácter de cada um se manifesta, e numa época em que tudo aparenta ter terminado... o lado selvagem e desumano do Homem revela-se como que de um coma despertado. Cada um sobrevive como pode... e aqueles que (des)esperam na sua solidão são os mesmos que se tornam ainda mais selvagens, mais rudes, mais impiedosos e, como tal, os verdadeiros sobreviventes de um mundo que já não o é.
A dinâmica - de história e de espaço - de Year Six consegue aguentar-se intacta durante muito tempo mas são aqueles pequenos detalhes que, no entanto, parecem minar a confiança que o espectador deposita na história nomeadamente uma banda-sonora desajustada para a tensão dramática que se fazia esperar - estamos afinal num fim dos tempos e não num passeio pelo parque onde pensamos na vida... bom, esta última parte talvez até seja verdade - que apenas se agudiza com algumas interpretações secundárias que não fogem ao tido como normalizado no género e, como tal, tendem a banalizar as suas acções e os seus propósitos... se é que alguns.
A própria descrição desta curta-metragem como "uma longa que não o chegou a ser", não só condiciona a certo nível a opinião global do espectador como faz, ao mesmo tempo, compreender o porquê de tantos momentos que poderiam - deveriam - ter sido explicados e que se espera o teriam sido caso este projecto tivesse sido terminado como o realizador e restante equipa esperavam - a referida longa - e, se compreendemos os porquês dessas lacunas, não deixa de ser também uma realidade que Year Six perde um tanto a sua dinâmica e propósito se pensarmos que estamos perante um filme... que não o foi mesmo que não propositadamente.
Assim, e com a devida ressalva para os locais escolhidos para as filmagens que dinamizam e bem a acção e a direcção de fotografia da autoria do própria realizador, as interpretações fragilizadas por uma não conclusão da história, o já referido argumento relativamente linear para o género em questão e uma escolha musical bastante frágil, prejudicam o resultado final não deixando, no entanto, de ser uma simpática curta-metragem quase experimental - pela vontade expressa em contar uma história que não termina nem sequer dá lugar ao livre arbítrio do espectador - que fica, no entanto, num limbo por se perceber que os eu desfecho... não estará para chegar.
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4 / 10
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