quinta-feira, 11 de maio de 2017

El Tren de las 8 (2016)

.
El Tren de las 8 de Ross Manso é uma curta-metragem espanhola presente na secção Cantábria da oitava edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorre na região espanhola até ao próximo dia 13 de Maio.
Bruno, Noé e Gustavo são três irmãos que se dirigiram para um bosque onde planeiam enterrar um corpo. Depois de uma discussão, Bruno - o mais novo - entra pelo bosque indo parar a um terminal de comboios onde todo um conjunto de personagens esperam pacientemente pelo das oito horas.
Aquilo que começa como uma mais ou menos inspirada história de gangsters e mafiosos que saíram do seu último crime cedo se transforma numa enigmática história sobre uma qualquer perdição da qual os seus protagonistas foram alvo. Nem sempre perceptível naqueles instantes iniciais que remetem o espectador para um conto de vingança e fuga mas El Tren de las 8 é um pouco mais do que um simples filme onde os malfeitores procuram ficar e dividir aquilo que pilharam.
Nem sempre perceptível ao longo da sua história mas é - para o espectador - a viagem de "Bruno" aquela em que deste lado do ecrã merece a maior atenção. Distante dos objectivos dos dois irmão, "Bruno" entra por um caminho por entre o bosque onde vai dar a uma estranha plataforma de um terminal de comboios perdida no meio das árvores onde várias personagens parecem esperar intemporalmente por um comboio que nunca mais chega. Pergunta-se o espectador se esta espera se prende com algo mais do que com uma simples viagem para a cidade mais próxima... ou até mesmo se estas personagens que ali esperam se encontram dentro do mesmo espaço terreno em que "Bruno" se encontra. Desfeitas algumas dúvidas, aquilo que nos espera é então uma história que se aproxima de uma redenção algo sobrenatural onde todos parecem esperar a sua penitência e a sua oportunidade num "além" que está, afinal, mais perto do que aquilo que se poderia imaginar.
No entanto, e se o argumento de El Tren de las 8 parece sedutor pela mescla de história de vingança que encontra a sua plataforma sobrenatural, a dinâmica das suas personagens e algumas interpretações mais fragilizadas tolhem todo o conjunto desta curta-metragem que quer pela sua duração quer pelas deficiências narrativas com que o espectador se vai deparando com uma história que se prolonga para lá daquilo que seria aceitável e compreensível de e para com o seu argumento.
O purgatório aqui assumido como aquele terminal perdido no meio de um bosque (imaginado?) onde todos penam pelos seus pecados e esperam por uma sentença que pode levar toda uma (além) vida é, no conjunto desta curta-metragem, o ponto mais forte e que lhe confere toda uma estranha mas original dinâmica, distanciando a tradicional imagem do mesmo e conferindo-lhe um aspecto mais terreno com o qual todo o espectador poderá criar uma ligação... afinal, quantos de nós já não (des)esperámos por um transporte que aparentava nunca mais chegar?! Mas, no entanto, se esta originalidade aqui sentida credibiliza todo o trabalho final... a falta de inspiração de algumas das suas personagens (interpretações) retiram a dinâmica até então sentida parecendo que cada um ruma numa direcção oposta sem saber quando chegar a bom porto... de um eventual desnorte a um erro/fragilidade na direcção de actores, El Tren de las 8 parece provocar no espectador o mesmo sentimento que aquelas personagens perdidas aparentam... uma total perda do seu sentido de orientação que o leva a questionar-se sobre o seu próprio porto ou objectivo...
Desta forma, e ainda que as boas intenções e a verve de originalidade se sintam presentes, El Tren de las 8 perde-se pela vontade de contar uma história que se alonga... e alonga... para lá daquilo que o seu argumento permitia originalmente, constituindo-se este como o seu maior déficit de dinamismo e o suficiente para criar desconexão entre público e história.
.
5 / 10
.
.

Sem comentários:

Publicar um comentário