segunda-feira, 9 de setembro de 2013

De Helaasheid der Dingen (2009)

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A Inevitabilidade das Coisas de Felix Van Groeningen foi a longa-metragem escolhida para a cerimónia de encerramento da segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres que decorreu no cinema São Jorge, em Lisboa, desde a passada quinta-feira.
Gunther Strobbe (Kenneth Vanbaeden) é um rapaz de treze anos que vive no seio de uma família onde o alcoól e o lixo fazem parte da sua família disfuncional dominada pelo seu pai e três tios perfeitos marginais à sociedade que sem um trabalho estável, no meio de noites perdidas em alcoól e sexo ocasional, os Strobbe passam por um conjunto de situações semelhantes a um desgaste físico e emocional sem limites e sem qualquer tipo de preocupação rumo à sua própria extinção, sempre sob um lema que os desresponsabiliza "Deus criou o dia e nós passamo-lo a festejar".
Gunther percebe que está, aos poucos, a ser preparado para seguir o mesmo estilo de vida do qual parece não poder escapar e que irá assim dominar toda a sua existência e forma de estar, sendo que os demais dele só esperam uma perpetuação dos hábitos da sua família que apenas o levarão ao ritmo de vida que os seus familiares têm independentemente de aparentar ser alguém com um nível de inteligência um pouco mais desenvolvido e, como tal, à possibilidade de fazer um pouco mais da sua vida, ou que se torne num jovem pai esquecendo assim todos os objectivos de vida e portas que lhe podem ser abertas aspirando depois apenas uma vida igualmente marginal igual àquela que os Strobbe sempre estiveram habituados.
Um adulto Gunther (Valentijn Dhaenens) continua à espera da sua grande oportunidade, com relações ocasionais longe de um grande amor da sua vida. Tenta lançar a sua carreira enquanto escritor na qual conta a sua própria história e factos numa altura em que a mulher com quem vive uma relação ausente de afectividade lhe anuncia que está grávida, facto que passa a atormentar toda a sua existência.
Van Groeningen e Christophe Dirickx escrevem um argumento baseado no romance de Dimitri Verhulst que nos insere num ambiente muito semelhante àquele que Scola nos deu no final da década de 70 do século passado com o seu brilhante Brutti, Sporchi e Cattivi ao retratar a desilusão não assumida de uma família nas franjas da sociedade. No entanto, afastando-se de um humor acutilante presente na obra-prima de Scola, Van Groeningen toma literalmente todos os podres e desilusões de uma família misturando-os e entregando uma obra onde todos estão inerentemente ausentes de qualquer esperança. Sentimos a espiral de decadência e antevemos desde muito cedo que o rumo daquelas personagens não pode ser bom. No entanto, é exemplar a forma como lhes é dada vida e sobretudo o facto de não os transformar em banais marginais mas sim em pessoas dotadas de uma extrema humanidade que, por um ou outro motivo, nunca tiveram oportunidades de a aplicar em nome do seu próprio bem-estar e da sociedade onde se inserem. Aqui, pelo contrário esta mesma sociedade sempre os colocou de parte, pela sua proveniência, pela sua despreocupação enquanto jovens, pelos seus modestos recursos ou até pela sua peculiar forma de diversão, e em vez de lutar contra essa tendência feita os "Strobbe" deixaram-se levar por ela, dando-lhe razão e inconscientemente arrastando-se rumo a um lugar de onde jamais iriam sair, aos vícios, às dependências e a uma vida que mesmo que lhe sorrissem estaria fechada por capricho a qualquer vontade que pudessem mostrar-lhe.
No entanto nem só sobre os inúmeros entraves a uma vida melhor se baseia este filme. Pelo contrário, somos ainda levados a um período onde a saturação com este vida, por parte de um jovem "Gunther" que percebe a tempo poder ter mais e melhor do que aquilo que lhe mostraram ser o inevitável, e opta assim por uma vida longe de tudo aquilo que sempre conhecera desde os seus tios, o seu pai e a sua avó que sempre lhe dedicou um carinho e atenção extremos, algo que sempre lhe fora negado por uma mãe que o ignorou. Assim, quando este jovem procura essa oportunidade que lhe é justamente devida, aquilo que encontra é a exigência de lhe ser retirado esse circulo de confiança onde sempre vivera. Círculo esse que, de certa forma, o prendia à tal vida que indesejava e que lhe vedava uma formação académica e a possibilidade de um futuro menos mau. Mas, algo que este excelente argumento mantém sempre presente, é a capacidade de mostrar que as oportunidades são facultadas mas se a mente de quem as tem não cede e se abre às inovações e às mesmas, não esquecendo o passado mas libertando-se das amarras que ele coloca, jamais conseguirá dar o passo em frente e aproveitar o elemento novo com que é presenteado. Esse acaba por ser o principal mote deste filme e aquele pelo qual um "Gunther" adulto se vê de certa forma limitado. Ele sabe que tem as oportunidades mas numa constante luta com o seu passado não o "usa" para falar de si, da forma como o mesmo o influenciou e determinou muitos dos seus comportamentos e, ao mesmo tempo, por não querer falar deles vive numa prisão de medo que o mesmo se aproxime demais e o tome de volta à vida que em tempos tivera.
A sua redenção só chegará no dia em que abraçar como uma parte sua todos aqueles clichés que outros utilizaram para o definir e que jogavam contra a sua própria evolução e transformação. A vida degenerada e vivida marginalmente, a paternidade enquanto um jovem, o seu meio natural e principalmente a sua família... aqueles que o protegeram, que lhe deram vida e segurança mesmo que, por vezes, estes não chegassem através dos melhores meios e métodos. E é quando esta aceitação chega que sabemos que a inevitabilidade das coisas chega não por se transformar naquilo que se espera mas sim por saber que veio de um meio que não o define mas que o molda e caracteriza em valores que de outra forma nunca teria conhecido.
Com um conjunto de actores que encarnam ferozmente as interpretações que lhes são dadas enquanto a caricata família Strobbe, há que destacar no entanto um pequeno conjunto de actores que dominam o filme à sua própria maneira. Logo de início tenho de referir os actores que encarnam "Gunther" em duas distintas fases, ou seja, em jovem interpretado por Kenneth Vanbaeden e em adulto Valentijn Dhaenens. Se o primeiro mostra a força e a determinação de alguém que sabe qual o seu meio mas que ao mesmo tempo percebe que este irá funcionar de forma a prendê-lo a um passado e a uma vida que não quer, o segundo demonstra com certeza que as suas opções não o levaram ao destino que ele pretendia. Em comum ambos têm a aceitação do espaço e do meio das suas origens e conseguem retratar com excelência que podem viver uma vida atormentados em ocultar, principalmente de si próprios, as mesmas ou por sua vez aceitá-las e percebê-las como uma parte do seu intelecto sem que, no entanto, sejam a sua totalidade. O confronto de  personalidade que esta personagem tem ao longo de todo o filme e que por vezes consegue ser angustiante para o próprio espectador revelam a capacidade e qualidade interpretativa depositada por estes dois magníficos actores que conseguem fascinar-nos desde o primeiro instante.
Por sua vez há também que destacar a interpretação de Gilda De Bal enquanto "Meetje", a avó de "Gunther" que num silencioso muito estrondoso zela pelo bem-estar de todos os seus filhos que independentemente das suas vidas errantes só lhes quer bem (mesmo quando decide contra eles), e pela extrema ternura e carinho que entrega ao seu neto renegado por uma mãe que nunca o desejou.
E finalmente há que destacar aquela que é capaz de ser a mais marginal e fisicamente mais forte interpretação de todo o filme a cargo de Koen De Graeve enquanto "Celle", o excêntrico pai de "Gunther" que nutre tanto amor como ódio (ainda que ocasional) pelo seu filho, ao ponto de por ele ser capaz de tudo... de entrega e dedicação como também de raiva e fúria por nele ver o motivo da separação da sua mãe.
De destacar ainda as interpretações de Wouter Hendrickx, Johan Heldenbergh e Bert Haelvoet que funcionam como os suportes de comédia do filme enquanto os três tios do jovem "Gunther" que vivem à margem de qualquer convenção social que alguma vez possa ter sido imaginada.
Tecnicamente há que destacar a direcção de fotografia de Ruben Impens que nos faz recuar e fazer-nos sentir parte de uma década de 80 onde os excessos e a consequente marginalidade co-habitavam quase harmoniosamente, e fazer-nos ver todas estas pessoas não como alguém que nada pretende da vida mas sim como retratos daqueles que tentaram e desistiram por saber que jamais se conseguirão libertar dos estigmas que lhes foram colados naquela que é sem qualquer margem para dúvidas uma desconhecida obra-prima vinda da Bélgica.
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10 / 10
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Confituur (2004)

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Compota de Lieven Debrauwer presente nesta segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres, a decorrer no Cinema São Jorge em Lisboa é uma divertida e emotiva história familiar escrita por Debrauwer em colaboração com Jaak Boon.
Tuur (Rik van Uffelen) é um sapateiro que celebra o aniversário de casamento com Emma (Marilou Mermans), uma simpática dona-de-casa que cuida de tudo e todos. No momento em que toda a aldeia se prepara para uma enorme festa em sua honra, Tuur está longe de partilhar a emoção sentida pelos demais.
Depois de Tuur abandonar a festa, Emma descobre na manhã seguinte que ele não dormiu em casa, tendo ido para casa da irmã Josée (Chris Lomme) que todos haviam renegado de uma ou outra forma, especialmente Gerda (Viviane de Muynck), também sua irmã com quem vive devido à sua invalidez, e que fica completamente transtornada quando descobre que o seu irmão a foi visitar. Depois de alguma relutância Emma visita Tuur e Josée em casa desta e da sua namorada Odette onde ambas trabalham como mulheres de espectáculo num pequeno e reputado cabaret, descobrindo que ele está pouco interessado em regressar à sua casa e à sua vida de sempre. É então que Emma se depara com uma nova perspectiva sobre a sua condição de vida e principalmente sobre si enquanto mulher que nunca viu a sua própria independência.
Depois de ver este simpático filme belga a primeira expressão que me ocorre para o caracterizar é que se nota claramente ser o fruto de um trabalho de amor. Não só pela sua fascinante história que Debrauwer e Boon escreveram como principalmente pela sua componente humanista sobre a afirmação de uma mulher no seio da sua família onde, até então, tinha sido sempre considerada como um elo nulo, sem voz, sem personalidade ou vontades e que em detrimento próprio sempre trabalhou para ajudar os demais.
Marilou Mermans tem assim a interpretação dominante ao longo de todo este filme, e consegue cativar-nos apenas com a presença de um olhar quente, sensível e com uma determinação única capaz de prender o espectador que não pára de ter uma necessidade constante em saber o que irá sair das suas acções e dos momentos mais emocionalmente complicados.
Mermans é, durante toda esta história, apenas momentaneamente abafada pela interpretação de uma vibrante e excêntrica Viviane de Muynck que enquanto "Gerda", a sua cunhada inválida, consegue ter manifestar-nos tanto ódio como simpatia e fazer-nos rir ou chorar com a mesma intensidade. "Gerda" é uma mulher que viveu toda a sua vida fechada entre as quatro paredes de um quarto sem ter quem a amasse e a ela se entregasse, não podendo assim construir a sua vida independente, ser mulher e mãe. Isenta de amor (dado ou recebido), "Gerda" teve como seu único escape dominar a vida do irmão e da cunhada a todos os minutos que conseguia e, como tal, tornar-se insuportável ao seu olhar. De Muynck consegue, sem sair do mesmo espaço físico e apenas pela força do seu olhar, dos seus gestos e principalmente das suas palavras, ser o elo forte e dominante capaz de mover montanhas e destronar qualquer outro actor e as suas sólidas interpretações.
Ainda que com sólidas interpretações do restante elenco, é a presença destas duas mulheres que domina todo o filme, e os segmentos em que as duas interagem entre si é do mais puro drama (ou comédia) que se pode ter e sentimos todas as suas emoções à flor da pele incapazes de a elas ficarmos indiferentes, e no caso de De Muynck até somos acompanhados de uma invulgar e muito coreografada banda-sonora para refletir aquilo que da sua personalidade poderemos ter.
Longe de ser uma história dramática forte e com pensamentos profundos, que também os tem, Compota é acima de tudo um filme sobre a passagem dos anos, as escolhas que efectuámos e as pessoas que esquecemos (ou tentamos esquecer) no decurso da nossa vida, e principalmente sobre a forma como todas elas (escolhas, pessoas e opções) conseguiram de uma ou outra forma influenciar a nossa própria vida de forma irreparável sem que isso seja necessariamente bom ou mau... tendo simplesmente acontecido, e deixando-nos no final como uma invulgar sensação de missão cumprida onde reflectimos sobre os nossos próprios momentos de forma a perceber se estamos (ou não) a seguir um bom caminho.
Um filme possivelmente desconhecido da maioria por terras lusitanas mas que deveria ser apreciado pela sensibilidade com que a sua história é contada e pelas fortes e muito dominantes interpretações que o par feminino protagonista deposita nas suas personagens que facilmente nos conquistam.
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8 / 10
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European Film Awards 2013: filmes pré-seleccionados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje a lista das produções europeias pré-seleccionadas para os prémios anuais que serão este ano entregues em Berlim no dia 7 de Dezembro.
Os nomeados nas categorias de Melhor Filme Europeu, Actor, Actriz, Realizador e Argumento serão escolhidos pelos membros e anunciados a 9 de Novembro no Festival de Cinema Europeu de Sevilha, enquanto as restantes categorias terão vencedores directamente anunciados e seleccionados por um painel de especialistas.
Os filmes seleccionados são assim os seguintes:
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8-Pallo, de Aku Louhimies (Finlândia)
Los Amantes Pasajeros, de Pedro Almodóvar (Espanha)
Anna Karenina, de Joe Wright (Reino Unido)
Araf, de Yesim Ustaoglu (Turquia/França/Alemanha)
Äta Sova Dö, de Gabriela Pichler (Suécia)
Berberian Sound Studio, de Peter Strickland (Reino Unido)
Blancanieves, de Pablo Berger (Espanha/França)
Borgman, de Alex van Warmerdam (Holanda/Bélgica/Dinamarca)
The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen (Bélgica)
The Congress, de Ari Folman (Israel/Alemanha/Polónia/Luxemburgo/França/Bélgica)
Cvetat na Hameleona, de Emil Christov (Bulgária)
Dans la Maison, de François Ozon (França)
Djúpid, de Baltasar Kormákur (Islândia/Noruega)
Dolgaya Schastlivaya Zhizn, de Boris Khlebnikov (Rússia)
Dom Över Död Man, de Jan Troell (Suécia)
Epizoda U Zivotu Beraca Zeljeza, de Danis Tanovic (Bósnia-Herzegovina/França/Eslovénia)
La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (Itália/França)
Grenzgänger, de Florian Flicker (Áustria)
Grzeli Nateli Dgeebi, de Nana Ekvtimishvili e Simon Gross (Alemanha/Geórgia/França)
Hannah Arendt, de Margarethe von Trotta (Alemanha/Luxemburgo/França/Israel)
Horící Ker, de Agnieszka Holland (República Checa)
I Aionia Epistrofi tou Antoni Paraskeva, de Elina Psykou (Grécia)
Imagine, de Andrzej Jakimowski (Polónia/França/Portugal)
Lo Imposible, de Juan Antonio Bayona (Espanha)
L'Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie (França)
Izmena, de Kirill Serebrennikov (Rússia)
Kapringen, de Tobias Lindholm (Dinamarca)
Kon-Tiki, de Joazhim Ronning e Espen Sandberg (Noruega/Dinamarca/Reino Unido/Alemanha/Suécia)
Krugovi, de Srdan Golubovic (Sérvia/Alemanha/FrançaCroácia/Eslovénia)
Lemale et Ha'Halal, de Rama Burshtein (Israel)
Mehal Hagiva, de Raphael Nadjari (Israel/França)
La Migliore Offerta, de Giuseppe Tornatore (Itália)
Môj Pes Killer, de Mira Fornay (Eslováquia/República Checa)
Oh Boy!, de Jan Ole Gerster (Alemanha)
Oikopedo 12, de Kyriacos Tofarides (Chipre/Grécia)
Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn (Dinamarca/França)
Paradies: Glaube, de Ulrich Seidl (Áustria/Alemanha/França)
Pozitia Copilului, de Calin Peter Netzer (Roménia)
Rosie, de Marcel Gisler (Suíça)
The Selfish Giant, de Clio Barnard (Reino Unido)
Som Du Ser Meg, de Dag Joham Haugerud (Noruega)
Svecenikova Djeca, de Vinko Bresan (Croácia/Sérvia)
Syngué Sabour, Pierre de Patience, de Atiq Rahimi (França/Alemanha/Afeganistão)
To Agori Troei to Fagito tou Pouliou, de Ektoras Lygizos (Grécia)
W Imie, de Malgoska Szumowska (Polónia)
What Richard Did, de Lenny Abrahamson (Irlanda)
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La Leçon de Natation (2009)

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La Leçon de Natation de Danny de Vent é uma curta-metragem de animação franco-belga que esteve presente no último dia da segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres no Cinema São Jorge em Lisboa.
Sendo o primeiro dia de aulas de natação, Jonas é uma jovem criança com receio do desconhecido. Com o pânico que o rodeia por todos os lados e a falta de atenção dos adultos para consigo, Jonas cai na piscina e apenas pode contar com a sua própria ajuda. Irá esta lição de natação fazê-lo ter gosto pela piscina?
Uma curta-metragem com uma história simpática e bem disposta, escrita pelo próprio de Vent, e que nos conquista pela própria descoberta com que a sua personagem principal encara um mundo desconhecido, num misto de receio e descoberta naturais da sua jovem idade que o fazem enfrentar o maior desafio da sua vida.
É impossível assistirmos a esta curta-metragem sem ter um sorriso no rosto do início até ao final. E para aumentar a curiosidade, aqui fica um pequeno segmento da mesma.
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8 / 10
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domingo, 8 de setembro de 2013

De Zaak Alzheimer (2003)

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O Caso Alzheimer de Erik Van Looy este presente no penúltimo dia do Cinema Bioscoop - Festa do Cinema da Holanda e da Flandres a decorrer no Cinema São Jorge em Lisboa.
Vincke (Koen De Bouw) e Verstuyft (Werner De Smedt) são dois brilhantes detectives de Antuérpia que após o desmantelamento de uma rede de pedofilia se vêem confrontados com o desaparecimento de um respeitado membro do Estado e com a intrigante morte de duas prostitutas.
É no seio desta investigação que os seus caminhos se cruzam com Angelo Ledda (Jan Decleir), um assassino profissional contratado para inúmeros "serviços" mas que agora se afasta gradualmente da "profissão" por denotar uma gradual debilitação devido ao Alzheimer de que sofre, especialmente depois de recusar assassinar uma jovem call-girl de 12 anos, o que provoca a ira dos seus antigos patrões. Ledda, que encontra as últimas energias para eliminar quem o contrata, estabelece assim uma relação entre todo o universo de escândalos sexuais e políticos com ramificações bem mais complicadas do que aquelas que a dupla Vincke e Verstuyft alguma vez imaginaram.
Com base no romance de Jan Geeraerts, Van Looy em colaboração com Carl Joos escrevem o brilhante argumento deste filme que nos deixa em suspenso ao longo de duas emocionantes horas, levando-nos a entrar não só no complexo universo destas personagens como também no jugo político, económico e sexual que está por detrás de rostos aparentemente inocentes e que pretendem a todo o custo espelhar uma moral social que está longe de poder ser aceite e evidenciando as inúmeras teias de corrupção que estão por detrás daqueles que deveriam cumprir a lei.
Num único filme consegue ser harmoniosamente juntos estilos tão diversos como o policial e o drama, a comédia e a intriga sempre recheados de muito suspense e de uma intensidade mordaz que nos prende aos destinos daquelas personagens deixando-nos sempre à espera do quão longe podem, ou querem, ir em nome da justiça e daqueles que vivendo nas suas margens não prejudicaram ninguém além de si próprios.
Este filme faz-nos igualmente nutrir uma especial simpatia por aquele que, à partida, deveria ser o verdadeiro repúdio de todo o filme. "Ledda" é um assassino profissional que levou toda a sua vida a eliminar "inconvenientes" para a Mafia, dando-lhe assim a possibilidade de continuar com todos os seus crimes e escapatórias à lei. E esta simpatia é conseguida graças à interpretação bem humana que um fantástico Jan Decleir consegue incorporar na sua personagem dando-lhe uma dimensão que passa a de simples assassino transformando-o antes num agente justiceiro de uma lei que a própria não reconhece mas que está no subconsciente de qualquer um de nós. Afinal quem nos incomoda mais: um assassino profissional que elimina um violador ou um pedófilo ou um homem que pratica crimes hediondos capazes de chocar as mentes de qualquer um de nós?
Se socialmente qualquer crime é de recriminar e de punir, não deixa de ser menos verdade que existe uma lei para além da própria que por muito condenável seja existe na mente de todos nós e sabemos no nosso íntimo que somos incapazes de julgar um homem como "Ledda" que resolve limpar os verdadeiros prevaricadores tornando todo o espaço em que co-habitamos estranhamente mais seguro.
No entanto, não é menos verdade que precisamos desse braço da lei também presente, e aqui está presente atrés de "Vincke" interpretado por um inspirado Koen De Bouw como o polícia que tudo faz para descobrir os factos e a verdade que estes escondem, mas que desespera por não conseguir tornar todo o seu mundo num espaço perfeito e livre de crime. É a "Ledda" e aos seus actos que vai buscar a força necessária para saber que algo é possível, naquela que é uma perfeita mas estranha junção entre o crime e a lei pois na prática um não "sobrevive" sem o outro. E De Bouw interpreta com uma extrema Humanidade o dilema em que o seu "Vincke" vive. Se por um lado é um polícia do dito "lado certo da lei" que pretende prender e punir aqueles que a violam, não é menos verdade que para o fazer acaba por ter de ceder aos caprichos e vontades de um homem que sempre viveu a sua vida no lado oposto da lei, que a contornou e violou vezes sem conta estando sempre um passo à frente daquilo que "Vincke" representa. É esta dualidade que os tanto De Vouw como Decleir representam numa perfeição e harmonia constantes e que nos conseguem cativar desde o primeiro tenebroso momento.
É ainda de destacar a interpretação de Werner De Smedt como "Verstuyft", o polícia que estando sempre do dito lado certo da lei começa a colidir com a súbita alteração de comportamento de "Vencke" e que, como tal, se assume como o elemento que o consegue trazer para aquele mesmo lado não o deixando portanto ser totalmente corrompido por uma incansável vontade de saber a verdade que o pode, invariavelmente, levar para caminhos menos ortodoxos.
Toda a atmosfera deste filme é enriquecida por uma excelente direcção de fotografia da autoria de Danny Elsen que transforma uma chuvosa Antuérpia em ruas e espaços sinistros onde o crime abunda. Sempre com uma luminosidade muito própria digna de uma Europa do norte onde o sol aparenta ter esquecido de aparecer, somos encaminhados por um ambiente que oscila entre várias tonalidades de azul que refletem não só o frio do espaço temporal como principalmente o mescla com a própria mente perturbada de "Ledda", denotando que aos poucos se começa a fragmentar enquanto se isola de grandes sentimentos em nome de uma verdade que tarda a chegar. É assim esta atmosfera fria e quase temporalmente distante de todos os intervenientes que Elsen nos transmite que funciona como uma comparação com a própria lei e justiça que parecem tardar ou sequer aparecer, num ambiente típico de um policial que recupera os seus elementos fundamentais dando-lhe um toque moderno, e o qual a música original de Stephen Warbeck ajuda a recriar e manter no clima perfeito desde o primeiro instante cativando o espectador ao ponto de esquecer a duração do próprio filme.
No final temos um thriller emocionante e repleto de adrenalina mas com uma história de fundo forte e bem narrada que nos prende aos destinos das suas personagens e das suas últimas acções que, na prática, acabem por definir toda a sua vida tendo ela sido vivida mais ou menos fora da lei, aproximando as suas personagens e esquecendo de que lado dessa dita lei viveram.
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9 / 10
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The Pinto Edition (2012)

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The Pinto Edition de Elwin Bes é uma curta-metragem de comédia holandesa feita no âmbito do 48 Hour Film Project Amsterdam, e que foi exibida no terceiro dia do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres a decorrer em Lisboa.
Esta comédia negra centra-se na vontade de Henk (Jochem Nooyen) e Ingrid (Kiki van Deursen), um casal com vontade de passar juntos umas merecidas férias que encontram um vendedor de auto-caravanas bem manhoso (Yoeri van Dreumel) que lhes faculta o negócio do século... e Víctor Pinto (Noel Deelen).
Com diálogos praticamente inexistentes mas um forte e vincado argumento da autoria de Elwin Bes e Jasper Klimbie, a força principal deste filme reside nas extraordinárias interpretações do grupo de actores que não deixam nenhum espectador indiferente e somos imediatamente cativados pelas suas curiosas e quase surreais expressões que parecem retiradas de um qualquer universo paralelo.
Harry de Boer e Maarten Moerland compõem a música original desta curta-metragem que funciona, também ela, como uma personagem da mesma ao denunciar muito do estado de espírito dos demais intervenientes bem como acentua a expressão cómica que lhe é esperada.
Bem disposta e ritmada, ao final de pouco mais de quatro minutos pensamos no quão desesperante poderia ser uma situação deste "calibre" sem que, ainda assim, não deixemos escapar um pequeno sorriso.
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7 / 10
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Cinema Bioscoop 2013 - o quarto e último dia

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Chegado o último dia da segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres que decorre até hoje no Cinema São Jorge e até ontem na Cinemateca em Lisboa, chega a altura de revelar a programação para este último dia.
Serão então exibidos duas longa-metragens sendo a primeira Confituur (Compota) de Lieven Debrauwer que estará presente na sua exibição pelas 19h30, e finalmente a encerrar o festival será exibido pelas 21h30 o filme de 2009 De Helaasheid der Dingen (A Inevitabilidade das Coisas) de Felix van Groeningen.
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sábado, 7 de setembro de 2013

De Tweeling (2002)

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As Gémeas de Ben Sombogaarté uma longa-metragem holandesa nomeada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro presente na segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres, a decorrer no Cinema São Jorge em Lisboa, cuja adaptação do romance homónimo de Tessa de Loo nos conta a trágica história de duas irmãs gémeas na Alemanha da década de 20 do século passado.
O primeiro encontro que temos com as duas irmãs remonta aos seus seis anos
 de idade quando perdem o pai e Lotte, que se encontra gravemente doente, é levada para viver com os tios na Holanda, enquanto Anna permanece na Alemanha para trabalhar na quinta de outro tio.
Com o eclodir da Segunda Guerra Mundial e com uma fronteira pelo meio a separá-las, somos levados a conhecer as condicionantes pelas quais cada atravessa e a forma como estas vão não só definir os seus destinos como principalmente a forma como essa mesma fronteira consegue exercer uma forte pressão que as irá opôr enquanto indivíduos que, noutras circunstâncias, iriam partilhar objectivos e ideais comuns.
A adaptação do romance feita por Marieke van der Pol consegue reter os elementos fundamentais de uma obra dramática, especialmente se considerarmos a envolvência de uma história que tem o seu centro no maior conflito que o continente europeu alguma vez viu, e consegue ser emocionante e consistente na sua procura de uma redenção entre aquelas duas crianças, jovens e mulheres que viveram uma vida afastada mesmo que no seu subconsciente estivessem sempre à procura do momento em que se poderiam reencontrar.
"Lotte" que começa por ser uma personagem mais frágil e debilitada aos poucos transforma-se na jovem e na mulher que é capaz de enfrentar os maiores desafios e provações por em primeiro lugar se encontrar afastada de uma irmã que amava e perto de familiares que desde criança lhe ocultaram a verdade da sua família. Com o tempo é esta mesma "Lotte" que não só consegue encontrar a sua jovem irmã como acima de tudo atravessa uma fronteira geográfica que a colocava numa situação frágil durante os difíceis e tenebrosos anos que o continente atravessava. A dar corpo a esta jovem, na qual se centra uma boa parte da acção deste filme e onde a sua própria personagem encontra a maior transformação e provação, temos uma enérgica e vibrante Thekla Reuten que personifica a imagem da jovem, mas frágil, heroína que se encontra nos dois lados de um barco a afundar. Dinâmica e com uma força e energia invejável, é nos seus braços que a maior parte da dramatização deste filme vive, e ela transporta-a para um bom porto.
Do outro lado, a interpretar a forte e dinâmica "Anna", temos uma perspicaz Sina Richardt que cresce num ambiente marcado desde muito cedo pela força do trabalho duro que iriam modelar muito da sua mentalidade enquanto jovem mulher numa Alemanha que procurava as fragilidades da população das franjas para constituir a sua fonte de apoio, e que vê na sua intérprete adulta Nadja Uhl o rosto de uma mulher que não consegue distinguir as diferenças das ideias pré-fabricadas que lhe são colocadas na cabeça como forma de procurar o bode expiatório que o regime lhe propõe (impõe?).
O reencontro já em idade avançada das duas irmãs é a personificação da tensão que se pode sentir entre duas mulheres que devido a um conjunto de mal entendidos e deformações de personalidade que os seus próprios meios lhes impuseram e Ellen Vogel enquanto "Lotte" e Gudrun Okras como "Anna", as duas actrizes mais idosas, são por um lado a força e a emotividade a conviverem num constante confronto e choque que termina como um redenção tardia mas esperada e emotiva que finalmente as aproxima ao final de décadas de afastamento.
A direcção de fotografia de Piotr Kukla consegue fazer-nos viajar para a Europa dos anos 30 e 40 do século passado, e colocar-nos no centro de tempos difíceis que jamais seriam apagados da memória colectiva dos seus povos, e a excelência da música original da autoria de Fons Merkies consegue incorporar muito do espírito e da mágoa que se fizeram sentir durante o mesmo período, transformando o filme não só numa interessante obra sobre o referido período como principalmente sobre a forma como diferentes meios e ambientes podem contribuir para a formação de uma opinião, de um pensamento e de uma ideologia que tanto pode ser nociva para aqueles que a praticam como para os demais sob os quais é praticada, mesmo que, como é aqui exemplo, os dois principais intervenientes tenham sido até certo ponto educados sob uma mesma mão.
No final, a mensagem principal que esta emocionante história escrita originalmente por Tessa de Loo nos transmite, é a força e o poder do amor, que conquista barreiras mesmo nos períodos mais difíceis, que faz com que se deseje proteger, tomar conta e abraçar aqueles com que mais de perto privamos e que constituem também eles o porto de abrigo que se procura. Aqueles que testemunham a nossa passagem, por mais curta que seja, e que são assim as provas da nossa existência. O amor que nos caracteriza, que nos marca e que nos define, mesmo que aos olhos dos demais possa parecer algo estranho, diferente e impossível. É esse amor que faz atravessar os mais abomináveis perigos, momentos e adversidades que, mesmo opondo aqueles que partilham laços de sangue, conseguem com o passar dos anos falar mais forte e mais alto do que qualquer diferença que os possa ter afastado e que é brilhantemente interpretado por um conjunto de actrizes que definem com força e perseverança toda a narrativa.
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8 / 10
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Festival Internacional de Cinema de Veneza 2013: os vencedores

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SELECÇÃO OFICIAL
Leão de Ouro: Sacro Gra, de Gianfranco Rosi
Grande Prémio do Júri: Tsai Ming-Liand, Jiaoyou
Leão de Prata Realizador: Alexandros Avranas, em Miss Violence
Coppa Volpi Actor: Themis Panou, em Miss Violence
Coppa Volpi Actriz: Elena Cotta, em Via Castellana Bandiera
Prémio Especial do Júri: Die Frau des Polizisten, de Philip Gröning
Prémio Marcello Mastroianni de Melhor Jovem Actor: Tye Sheridan, em Joe
Argumento: Steve Coogan e Jeff Pope, Philomena
Leão do Futuro - "Luigi de Laurentiis" Primeira Obra: White Shadow
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Prémio FIPRESCI
Competição Oficial: Tom à la Ferme, de Xavier Dolan
Secção Orizzonti e Semana da Crítica: Week to the Reunion, de Anna Odell
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Prémio SIGNIS
Melhor Filme: Philomena, de Stephen Frears
Menção Especial: Ana Arabia, de Amos Gitai
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Prémio Leoncino d'Oro Agiscuola
Melhor Filme: Sacro GRA, de Gianfranco Rosi
Menção Cinema para UNICEF: Philomena, de Stephen Frears
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Prémio Francesco Pasinetti
Melhor Filme: Still Life, de Uberto Pasolini
Melhor Interpretação: Elena Cotta e Alba Rohrwacher em Via Castellana Bandiera e Antonio Albanese em L'Intrepido
Menção Especial: Maria Rosaria Omaggio em Walesa. Man of Hope
Menção Especial: Il Terzo tempo, de Enrico Maria Artale
Prémio Brian: Philomena, de Stephen Frears
Queer Lion: Philomena, de Stephen Frears
Prémio Arca CinemaGiovani
Selecção Oficial: Miss Violence, de Alexandros Avranas
Melhor Filme Italiano: L'Arte della Felicità, de Alessandro Rak
Prémio CICT - UNESCO "Enrico Fulchignoni": At Berkeley, de Frederick Wiseman
Prémio Fundação Christopher D. Smihters: Joe, de David Gordon Green
Prémio CICAE: Still Life, de Uberto Pasolini
Prémio FEDIC: Zoran, il Mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto
Menção Especial: L'Arte della Felicità, de Alessandro Rak
Prémio Fundação Mimmo Rotella: L'Intrepido, de Gianni Amelio
Prémio Future Film Festival Digital: Gravity, de Alfonso Cuarón
Menção Especial: The Zero Theorem, de Terry Gilliam
Prémio P. Nazareno Taddei: Philomena, de Stephen Frears
Prémio Lanterna Magica: L'Intrepido, de Gianni Amelio
Prémio Open: Serena Nono, por Venezia Salva
Prémio Lina Mangiacapre: Via Castellana Bandiera, de Emma Dante
Menção Especial: Traitors, de Sean Gullette e Activistas, de Femen em Ukraina Ne Bordel
Prémio Mouse d'Oro
Selecção Oficial (Mouse d'Oro): Philomena, de Stephen Frears
Fora de Competição (Mouse d'Argento): At Berkeley, de Frederick Wiseman
Menção Especial (Mouse d'Oro): Stray Dogs, de Tsai Min-lian
Menção Especial (Mouse d'Argento): Die Andere Heimat - Cronik Einer Sehnsucht, de Edgar Reitz
Prémio Reino Unido - Itália - Indústrias Critativas: Il Terzo Tempo, de Enrico Maria Artale, Medeas, de Andrea Pallaoro e Kush, de Shubhashish Bhutiani
Prémio Gillo Pontecorvo -Melhor Linguagem de Romance: Con il Fiato Sospeso, de Costanza Quatriglio
Prémio Gillo Pontecorvo - Arte e Indústria: Walter Veltroni
Prémio do Júri Jovem: Philomena, de Stephen Frears
Menção Especial para Filme de Estreia: Via Castellana Bandiera, de Emma Dante
Prémio Civitas Vitae Prossima: Still Life, de Uberto Pasolini
Prémio Green Drop: Ana Arabia, de Amos Gitai
Prémio Soundtrack Stars
Melhor Banda Sonora: Via Castellan Bandiera
Menção Especial: Ryuchi Sakamoto
Prémio Schermi di Qualità: Zoran, il Mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto
Prémio Ambiente WWF: Amazonia, de Thierry Ragobert
Prémio RaroVideo - Semana da Crítica: Zoran, il Mio Nipote Scemo, de Matteo Oleotto
Prémio Europa Cinemas Label
Melhor Filme: La Belle Vie, de Jean Denizot
Menção Especial: Alienation, de Miko Lazarov
Prémio FEDEORA
Melhor Filme: Bethlehem, de Yuval Adler
Melhor Realizador em Filme de Estreia: Milko Lazarov, Alienation
Menção Especial: La Belle Vie, de Jean Denizot
Semana da Crítica
Melhor Filme: Class Enemy, de Rok Bicek
Melhor Fotografia: Las Niñas Quispe, de Sebastián Sepúlveda
Menção Especial: Giuseppe Battiston, Zoran, il Mio Nipote Scemo
Menção Especial: Anna Odell, The Reunion
Venezia 70
Melhor Filme Euro-Mediterrânico: Miss Violence, de Alexandros Avranas
Prémio Bianchi: Enzo d'Aló
Prémio INTERFILM: Philomena, de Stephen Frears
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Cinema Bioscoop 2013 - terceiro dia

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Chegado o terceiro dia da segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres, a programação continua pelo Cinema São Jorge e pela Cinemateca em Lisboa.
Assim, no São Jorge podemos hoje assistir à exibição de três filmes sendo eles Toegetakeld Door de Liefde (Consumido pelo Amor), de Ari Deelder pelas 19h30, De Zaak Alzheimer (O Caso Alzheimer), de Erik Van Looy pelas 21h30 e finalmente Loft (O Apartamento), também de Van Looy, pela meia noite.
Por sua vez no segundo e último dia de programação na Cinemateca podemos assistir a três documentários do realizador Bert Haanstra, sendo eles Strijd Zonder Einde e En de Zee eas Niet Meer ambos de 1955 e finalmente Delta Phase I de 1962.
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Sophia 2013 - Academia Portuguesa de Cinema

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Serão anunciados no próximo dia 10 de Setembro pelas 18 horas os nomeados para os Sophia 2013, prémios da Academia Portuguesa de Cinema, que serão atribuídos no dia 6 de Outubro no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Iedereen Beroemd! (2000)

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Todos São Famosos! de Dominique Deruddere foi a longa-metragem da sessão de abertura da segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres que se inicia agora no Cinema São Jorge e na Cinemateca em Lisboa.
Através de um argumento também ele escrito por Deruddere, este filme conta-nos a história de Jean (Josse De Pauw), um homem preocupado com a sua família e que trabalha enquanto operário fabril enquanto alimenta os seus sonhos de uma carreira musical para a sua filha Marva (Eva van der Gucht) através das canções que ele insistentemente lhe compõe. Esta, por sua vez, participa incansavelmente em pequenos concursos locais de música nos quais canta um ou outro êxito, no entanto Jean insiste que a fama irá chegar quando ela cantar na sua língua materna e um pouco mais afinada.
Quando Jean é despedido da fábrica e se sente envergonhado por não poder manter um nível de vida, ainda que precário, decide aproveitar as inesperadas oportunidades que tem e raptar a cantora mais famosa do país, exigindo assim um curioso resgate em nome da sua família. No entanto, quando a situação lhe foge das mãos, Jean vê-se uma vez mais à disposição das vontades alheias e, como tal, esperar que o futuro lhe reserva um dia algo de bom... mas esse dia estará para breve!
Deruddere faz-nos emergir num mundo que quase aparenta ser alternativo e onde os sonhos por mais irreais que possam parecer constituem a maior fonte de esperança que aquelas quase bizarras personagens anseiam por ter. Num misto real doloroso demais para se encarar como o último reduto, todos eles, sem excepção, desejam um pouco mais para as suas tristes e solitárias vidas. Algo melhor, longe do pequeno meio que habitam e que possivelmente lhes possa proporcionar um pouco mais quer de estabilidade quer de alegria e concretização pessoal. No entanto, sem confessar e no seu mais profundo íntimo todos eles sabem que isso será difícil de alcançar. Quer seja uma vida melhor como representado pelo caso de "Jean" e de "Marva", quer seja através de alguém por quem nutram amor, e que este seja mútuo, como "Willy" e "Debbie" denotam, todos procuram algo que transforme as suas vidas.
No fundo, é esta a principal mensagem que o argumento de Deruddere nos quer transmitir... acreditar no impossível e com ele transformar o sonho em realidade. Concretizar pequenos ideais, sonhos ou desejos que normalmente apenas ficariam no subconsciente de cada um, adormecidos e esquecidos como que de uma memória longínqua se tratassem. A luta pelo sonho e por algo melhor é feita, no entanto, ao som de uma interessante banda-sonora que revisita alguns êxitos dos anos 80 do século passado bem como um universo muito alternativo dos concursos de canções mais ou menos populares e onde o vencedor parece, à partida, já estar escolhido mesmo antes de toda a competição se iniciar. E é este mesmo imaginário que compõe um pouco das personalidades das personagens em causa e que nos revela que por muito extravagantes que possam aparentar ser os sonhos dos outros, também eles podem ter, um dia, a sua concretização... mesmo que provenham do mais inesperado dos intervenientes ou da forma menos plausível ou imaginada.
O sonho, esse sim, pode ser uma realidade. Ou melhor, o sonho pode ser "A" realidade que sempre esperámos ter e que por um ou outro motivo nunca se concretizou mas que numa dada altura, e através de um conjunto infindável de estranhas coincidências se torna cada vez mais próximo de acontecer. E quando tal milagre se concretiza não existe momento mais mágico, oportuno e redentor como aquele onde finalmente cada um pode passar da imaginação e visualizar aquilo para que esteve sempre destinado. O seu futuro... não é ele feito de sonhos?!
Por muito excêntricas que possam aparentar ser as personagens, este filme e a sua história não pediam algo menos do que a personalidade que lhe é entregue por dois excelentes actores como são Josse De Pauw e Eva van der Gucht (até aqui perfeitos desconhecidos para mim), mas que mostram o quão urgentemente precisam ser descobertos, e que são eles a vida e o fogo que esta história precisa para ser contada devendo-se a eles boa parte de tudo aquilo que temos vindo deste filme. Mas eles não são os únicos e Werner De Smedt como "Willy", o fiel amigo que nunca abandona "Jean" é também ele uma força motora do mesmo como alguém que embora constantemente enganado não desiste de vir a encontrar a sua cara metade e poder assim considerar-se completo.
Graças a uma emocionante e muito ritmada música original de Raymond van het Groenewoud que recupera muito do espírito dos anos 80 e um certo imaginário da época que vem depois ser aumentada pela direcção de fotografia de Willy Stassen, enquanto assistimos a este filme damos por nós inseridos na época e no espaço pelos quais somos imediatamente contagiados e percebemos facilmente o quão justa foi a nomeação ao Oscar de Filme Estrangeiro que o mesmo proporcionou à Bélgica.
Este é sem dúvida um enérgico e bem disposto filme que precisa ser urgentemente descoberto e o Bioscoop de 2013 não poderia ter começado de melhor forma ao contar-nos uma história repleta de personagens que procuram ser alguém maior e com mais ambições do que aquelas que o modesto meio de onde provêm lhes pode, aparentemente, proporcionar.
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8 / 10
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Badpakje 46 (2011)

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Fato-de-Banho 46 de Wannes Destoop, que também assina este argumento, é uma curta-metragem belga que nos conta a história de Chantal (Janis Vercaempst), uma menina de doze anos que se encontra algo desamparada na sua jovem vida. Sem grandes amigos que se lhe reconheçam ou tão pouco aceitação por parte da sua mãe, Chantal apenas encontra algum apoio junto de Pascal (Johan Heldenbergh), o seu padrasto que lhe alegra um pouco os seus dias.
No entanto é na piscina local que Chantal se sente como se estivesse no seu meio natural, e é na natação, e no seu treinador que nunca a deixar desanimar, que encontra uma forma de se expressar e de satisfazer a sua inaptidão social. Até ao dia em que precisa de uns óculos de natação novos para poder participar numa competição... situação que descobre ser bem mais complicada do que esperava.
A jovem Janis Vercaempst tem uma interpretação dominante que preenche toda a dinâmica deste filme, e nem a participação excêntrica e obsessiva de Lies Pauwels que interpreta "Anita", a sua mãe, consegue desviar as atenções do espectador que estão concentrados em todas as suas acções.
É devido a Vercaempst que somos, por momentos, obrigados a esquecer todo aquele ambiente dito "natural" que a circunda e que mais não é do que um reflexo de uma vida quase marginal, empobrecida e que vive nas franjas de uma sociedade mais abastada. As dificuldades deste conjunto de pessoas que são enaltecidas por uma direcção de fotografia de Dries Delputte, que as dissimula sem as ignorar, obrigam o espectador a ver o que "Chantal" fará de seguida e esperando que por uma única vez na sua jovem vida possa sair triunfadora, e que aquele ambiente onde se sente pertencer (a piscina) mais não é do que uma forma de se "limpar" e "purificar" de um ambiente hostil (a casa) que parece afastá-la de cada vez que nele se tenta integrar.
Fato-de-Banho 46 é uma forte e por vezes arrasadora curta-metragem que nos revela que nem sempre o meio determina o Homem que por sua vez procura aquele local especial no mundo a que pode chamar seu e onde se sente a triunfar. E Janis Vercaempst já triunfou.
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9 / 10
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My Old Hand Crank Camera (2008)

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My Old Hand Crank Camera de Maarten Roos e Pieter-Rim de Kroon é uma curta-metragem documental e experimental holandesa que também esteve presente na segunda edição do Bioscoop Lisboa que nos relata a aventura do realizador Pieer-Rim de Kroon ao recuperar uma câmara de filmar com mais de cem anos e com ela registar algumas imagens da Amsterdão actual, na companhia de Maarten Roos que com ele realiza esta curta.
Desprovida de um argumento que narre uma história em concreto, toda esta curta-metragem é um relato quase contínuo da descoberta e recuperação da centenária máquina de filmar e com ela captar imagens simbólicas dos nossos dias que resultam, no final, numa interessante mescla de épocas onde o passado e o presente se tocam e complementam harmoniosamente.
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7 / 10
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Succes (2008)

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Sucesso de Diederik Ebbinge é uma curta-metragem holandesa de comédia e o filme que abriu a segunda edição do Cinema Bioscoop - Festival de Cinema da Holanda e da Flandres de Lisboa, que decorre este ano no Cinema São Jorge e na Cinemateca.
O argumento escrito por Ebbinge apresenta-nos Jos (René van 't Hof), um homem aparentemente solitário, nervoso e ansioso que nos revela preparar-se para uma tarefa muito importante para a sua vida profissional. É quando chega ao sala de conferências que o seu confiante patrão Van Dam (Sieger Sloot), o chama para fazer a sua esperada apresentação que deixa todos de boca aberta.
No entanto, é depois da sua confirmação como o novo talento da empresa que assistimos uma vez mais àquilo que é a verdadeira e trágica vida e Jos que, infelizmente é apenas mais um homem que tenta desesperadamente deixar a sua marca num mundo por onde terá uma breve passagem.
A grandeza desta divertida mas ao mesmo tempo triste curta-metragem reside principalmente no argumento de Ebbinge que nos diverte durante todo o tempo até ao último instante em que percebemos que "Jos", por muito sucesso que possa aparentar, falha no principal ao não ter ninguém que testemunhe a sua passagem, as suas conquistas e, no fundo, e a sua vida.
Num brilhante registo interpretativo de René van 't Hof, Sucesso conquista-nos pela sua comédia non stop e desarma-nos pela tragédia com que se apresenta sobre o estilo de vida workaholic que domina o Homem na sociedade moderna.
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8 / 10
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Cinema Bioscoop 2013 - Segundo dia

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E depois de uma animada primeira sessão do Bioscoop 2013 no Cinema São Jorge com a exibição de três curtas-metragens e da longa nomeada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro Iedereen Beroemd! de Dominique Deruddere, eis que começa o segundo dia do festival com a exibição de mais duas longas-metragens. Assim pelas 19h30 passa no São Jorge o filme De Tweeling (As Irmãs Gémeas), de Ben Sombogaart e pelas 22h30 o filme Taartman (O Pasteleiro), de Annemarie van de Mond.
Depois da exibição de De Tweeling, haverá ainda um debate sob o tema das "adaptações de obras literárias" onde estarão presentes Tessa de Loo, a autora do romance do qual o filme foi adaptado, Annemarie van de Mond realizadora de Taartman, Jaap Spijkers um dos actores do filme, bem como o realizador Lieven Debrauwer do filme Confituur a exibir no próximo Domingo bem como Rik van Uffelen actor principal deste filme.
Finalmente após a exibição de Taartman haverá ainda um Q&A com a realizadora que encerrará assim o dia no Cinema São Jorge.
De referir ainda que começam hoje também as sessões do Bioscoop na Cinemateca, com a exibição de dois documentários; o primeiro pelas 19 horas da autoria de André Delvaux é De Man Die Jijn Haar Kort Liet Knipen de 1965, e finalmente pelas 21e30 Biij De Beesteb Af de Bert Haanstra de 1972.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #06

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O Shortcutz Xpress Viseu está de regresso ao "Só Sabão", no Largo de São Teotónio, atrás da Sé, amanhã dia 6 de Setembro pelas 21e30 para mais uma sessão competitiva na qual irão participar as curtas-metragens Mancha, de Ana Seia que estará presente na sua exibição, e ainda O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado, de Nuno Matos.
Será também exibida durante esta sessão no segmento Shortcutz Around the World, a curta-metragem Drag Junky, de Gabriel Bauer, partilhada pelo Shortcutz Amsterdam, bem como estará também presente um Projecto Convidado sendo este a trilogia Monos, de Pedro Reis Nogueira que estará, também ele, presente no Shortcutz Xpress Viseu.
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Cinema Bioscoop 2013

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De 5 a 8 de Setembro no Cinema São Jorge e na Cinemateca em Lisboa
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A cerimónia de abertura do festival será já hoje, dia 5, pelas 20 horas, no Cinema São Jorge, seguindo-se a exibição do filme de origem flamenga Iedereen Beroemd! (Todos são Famosos!), de Dominique Deruddere.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Poesia de Segunda Categoria (2012)

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Poesia de Segunda Categoria de Luís Santo Vaz, que também assina o argumento, é uma curta-metragem portuguesa de ficção que nos transporta no tempo para um encontro entre António Ferro (João Didelet) e um Fernando Pessoa (Rui Mário) que desesperava por dinheiro para sobreviver tendo assim de vender os seus bens. Ferro sugere-lhe que participe num concurso literário, no qual recebe um honroso segundo prémio.
Ensombrado pelo dia em que teria de o receber pela sua obra de referência "Mensagem", considerada "poesia de segunda categoria", Pessoa é visitado por Álvaro de Campos (André Gago), um dos muitos heterónimos que utilizou, demonstrando uma quase esquizofrenia apenas comparada à sinistra época que aos poucos se fazia sentir em Portugal.
Luís Santo Vaz consegue com esta curta-metragem reconstruir um ambiente muito particular da primeira metade do século passado, altura essa em que o país entrava ruinosamente num período sombrio e onde as liberdades se inseriam num conjunto de miragens que levariam anos a obter. Este mesmo clima vai sendo "cozinhado" ao longo da curta e visível através de pequenos elementos que, bem analisados, se tornam desconcertantes e assustadores nomeadamente a paranóia com que é enquadrado o heterónimo de Pessoa, a forma como este é visitado pelo mesmo e principalmente pelos pequenos grandes destalhes factuais com que é encarada, por exemplo, a sua obra-prima Mensagem ao receber um prémio de "segunda categoria", sendo ela por si um elogio à História de Portugal e aos seus inúmeros feitos, elogio esse que é assim estendido à própria cultura e existência lusitana.
No entanto é no preciso momento em que a cerimónia decorre que Luís Santo Vaz consegue reconstruir o segmento mais emblemático e que caracteriza na perfeição essa mesma época ténebre e pouco lúcida a que Portugal iria assistir. Em primeiro lugar graças à interpretação de Paulo João como "Salazar" que, em breves instantes, mostra com um pequeno olhar o quão subjugado iria manter o país nas décadas seguintes, e finalmente graças à própria manifestação de "António Ferro" quando impõe à escritora "Cecília Meireles" que texto deve ler para homenagear um ausente "Pessoa" tendo esta, no entanto, optado por algo bem mais emblemático e característico do momento ao seleccionar "Nevoeiro" como simbologia de um Portugal a entristecer e um vislumbre quase apagado do que fora outrora.
Rui Mário, apesar de uma interpretação fugaz enquanto um dos maiores escritores lusitanos, tem uma interpretação sólida e da qual desejaria ter visto mais aprofundada, ao ponto de ser explorada algum do seu génio e loucura que, tal como podemos constatar, era a única forma do mesmo encarar um Portugal que ele próprio enlouquecia e se fechava em dogmas e certezas de um passado que deveria estar ultrapassado.
Por sua vez Diana Costa e Silva compõe um interessante retrato da escritora "Cecília Meireles", e o segmento em que lê um poema proibido e sintomático do momento, e não só... quão actual ele é, consegue reter uma essência transversal à época e inseri-lo nos nossos dias em que estamos estranhamente a atravessar uma época, também ela, preocupante e asfixiante para a cultura, para a educação e o saber e principalmente para um povo permissivo que se embrenha assim na sua própria loucura.
No entanto também a nível técnico temos uma curta-metragem de qualidade e para tal basta analisar a caracterização da autoria de Mário Leal e Sandra Pinto que consegue fazer destes actores "figuras" das primeiras décadas do século passado, e que em junção com um requintado guarda-roupa de Olga Amorim, Maria Rosa Vaz e Halyna Suyata e uma apurada direcção de arte também da autoria do realizador, nos fazem de facto entrar na época em questão.
Finalmente deixo ainda o merecido destaque à direcção de fotografia de André Matos Cardoso que com uma ausência de luminosidade excessiva tornando todo o ambiente à nossa volta mais carregado de cores vivas e dominantes, consegue ser um retrato de um povo e de uma época que se via esmagado por um regime que se queria austero, dominador e, em grande parte do domínio social, opressor.
Luís Santo Vaz conseguiu aqui encontrar um material forte e francamente interessante que poderia com todo o mérito entregar ao espectador uma longa-metragem desafiante, histórica mas muito dinâmica e que poderia ela própria servir como um interessante objecto de estudo não só da época que retrata como também dos seus intervenientes reais e da grande obra de Pessoa que é aqui inserida.
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"Cecília Meireles: Oh Portugal, hoje és nevoeiro."
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8 / 10
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Um Acidente Inesperado (2013)

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Um Acidente Inesperado de Rúben Ferreira é uma curta-metragem portuguesa de comédia do jovem realizador português que tem construído uma sólida legião de fãs nos últimos tempos.
Através de um argumento de Alex Carvalho, que também protagoniza esta curta-metragem, entramos uma vez mais nas aventuras de um curioso grupo de amigos que são, no mínimo, muito alternativos. Depois de um deles (Alex Carvalho) atropelar uma rapariga (Ana Silva) numa estrada praticamente deserta, e de voluntariamente assassinarem uma outra (Cátia Silva), todos eles embarcam numa odisseia para levarem a atropelada para casa e decidir o que fazer com o corpo. É então que descobrem que ela não estava morta sendo então que Carvalho juntamente com um José Marques mais calmo em relação aos seus últimos trabalhos e um Nuno Correia que parece dever pouco à inteligência decidem seduzi-la, enquanto os outros dois elementos do grupo, Marco Pereira e Bruno Ferreira, estão mais ocupados a fazer nascer um amor desconhecido entre ambos, para que no final se descubra que aquela jovem rapariga afinal... não gosta assim tanto deles como eles dela...
Se bem que a intenção de divertir é boa e válida, não é menos verdade que o talento e a capacidade de Rúben Ferreira para dirigir histórias diferentes e mais complexas já foi comprovada com um dos trabalhos que apresentou no início deste ano na curta-metragem Viagens que não só o confirma como um nome a fixar para o futuro como também nos mostra uma sua faceta mais séria e bem mais eficaz que conquistar um público mais variado.
Este Um Acidente Inesperado é o seu trabalho assumidamente mais frágil e que apresenta também uma certa saturação do que se pretende retratar e que ao tentarem personificar certos clichés caem mais depressa em personagens estereotipadas e na maior parte dos momentos sem conseguirem obter resultados quanto à comédia que se pretende que tenham que, também ela, começa assim a ficar muito gasta e nem mesmo o humor nonsense apresentado pela paixão por uma tábua que emite alguns ruídos consegue ser suficiente para nos fazer ter alguma esperança.
E mesmo tecnicamente esta curta-metragem denota alguns problemas nomeadamente no que diz respeito ao cuidado tido com a percepção do som das filmagens não só de exteriores como dos interiores, assim como as constantes oscilações de câmara que tornam complicada a visualização da curta pois nem mesmo como uma demonstração de mais "acção" conseguem funcionar, e até um reflexo na porta onde os cinco amigos espreitam denuncia a imagem de quem está a filmar... pequenas grandes falhas que assinalam a "morte" da obra mesmo que percebendo que ela foi feita com muito boa intenção.
Esta curta-metragem à semelhança das demais que têm vindo a confirmar o sucesso deste jovem realizador será certamente um sucesso junto das camadas etárias mais jovens e virá uma vez mais confirmar o futuro promissor de Rúben Ferreira enquanto realizador mas, no entanto, afirmo uma vez mais que o mesmo precisa de ir um pouco mais além do habitual visto que já provou ser capaz disso e, como tal, não se pode esperar menos do que o seu melhor.
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2 / 10
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Valérie Benguigui

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1965 - 2013
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Zigurate (2011)

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Zigurate de Ricardo Terto e Gabriela Ramalho é uma curta-metragem de ficção brasileira que nos tenta inserir num complexo mundo onde os sonhos e a realidade caminham lado a lado confundindo-se e dando aos seus intervenientes uma dimensão que poderá ser (ou não) falsa.
Bernardo (Osmar Amorim) é um homem que não se lembra da sua mãe que falecera quando ele tinha seis anos. Com o seu pai pouca ligação teve visto que este se suicidara tinha ele onze anos de idade, vivendo num aparente drama de falta de afecto e atenção paternal.
Num constante dilema sobre aquilo que idealiza como o mundo perfeito onde todas as suas vontades são positivamente respondidas, Bernardo sonha-o como um espaço onde é o rei e senhor de todas as vontades que têm de ser cumpridas por terceiros, nomeadamente aqueles que no dito mundo real exercem sobre ele uma posição de chefia.
Sedento de sonhos e desejos de vingança e de alguma humilhação, o argumento escrito por Ricardo Terto coloca o nosso protagonista numa constante viagem entre dois mundos que a dada altura nem ele, nem tão pouco o espectador, consegue decifrar se são a sua realidade ou algo que ele idealiza e deseja como tal mas que lhe mostra consequências bem mais duras do que aquelas com que ele alguma vez pensou viver.
Confusa e dispersa esta curta-metragem peca ainda por um conjunto múltiplo de interpretações e personagens que roçam muito de perto o mais básico e pouco preparado fazendo dispersar a atenção do espectador de um argumento que é ele, por si, muito confuso e sem sal cujo único objectivo imediato é tentar, sem sucesso, recriar um universo paralelo ao qual apenas os mais fortes e resistentes conseguem manobrar.
Os vários segmentos pelos quais viajamos são, também eles, dispersos e vagos, sem uma relação condutora entre si, o que nos faz chegar a menos de metade desta curta-metragem já vagos de ideias sobre aquilo que pretenderam transmitir para além de uma mescla pouco elaborada de ritmos e de presunções sobre aquilo que poderia ser essa mesma realidade alternativa.
Se por um lado a ideia base encontra-se lá por explorar, o que por si mostra alguma criatividade apesar de se constituir como um argumento já visto, não deixa de ser menos verdade que a sua fraca execução faz do mais forte ser o mais fraco e fragilmente concebido, tornando toda a curta-metragem num trabalho não memorável e dispensável.
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1 / 10
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domingo, 1 de setembro de 2013

Carlos Blanco Hernández

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1917 - 2013
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European Film Awards 2013: filmes seleccionados ao Prémio do Público

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À semelhança dos últimos anos, a Academia Europeia de Cinema, cuja cerimónia se irá realizar em Berlim no dia 7 de Dezembro, anunciou os filmes candidatos ao Prémio do Público que está em votação até ao próximo dia 31 de Outubro aqui.
E os nomeados para o EFA do Público são:
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Los Amantes Pasajeros, de Pedro Almodóvar (Espanha)
Anna Karenina, de Joe Wright (Reino Unido)
The Broken Circle Breakdown, de Felix von Groeningen (Bélgica)
La Cage Dorée, de Ruben Alves (Portugal/França)
Djúpid, de Baltasar Kormákur (Islândia/Noruega)
Lo Imposible, de Juan Antonio Bayona (Espanha)
Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega/Dinamarca/Reino Unido/Alemanha/Suécia)
La Migliore Offerta, de Giuseppe Tornatore (Itália)
Oh Boy!, de Jan Ole Gerster (Alemanha)
Searching for Sugar Man, de Malik Bendjelloul (Reino Unido/Suécia)
Den Skaldede Frisør, de Susanne Bier (Dinamarca)
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FARCUME 2013: os vencedores

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FICÇÃO
1º lugar: Bué Sabi, de Patrícia Delgado e O Cheiro das Velas, de Adriana Martins da Silva
2º lugar: Dios por el Cuello, de José Trigueiros
3º lugar: Poesia de Segunda Categoria, de Luís Santo Vaz
Menções Honrosas: A Viuvez da Carpideira, de Anderson Legal e Bruno Little, Noite Gélida em Castelo Branco, de Luís Diogo e Rafael e Maria, de Ricardo Machado
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DOCUMENTÁRIO
1º lugar: Mia Mia Sudan Taman Taman, de Luís Moya
2º lugar: Aldeia dos Tísicos, de Hugo Dinis Neves
3ª lugar: Areia, de Humberto Kzure-Cerquera
Menções Honrosas: Brincadeiras dos Nossos Avós, de Flávio Farias, Crooner Vieira - A Potência da Voz e o Romantismo Nada Têm a Ver com a Idade, de Catarina Neves, Faro do Comboio ao Avião, de Lena Campelo, Fábio Léria, Carla Santos e José Cabecinha
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ANIMAÇÃO
1º lugar: ED, de Gabriel Garcia
2º lugar: Forbidden Room, de Ricardo Almeida, Emanuel Nevado
3º lugar: Luminaris, de Juan Pablo Zaramella
Menções Honrosas: A Ria, a Água, o Homem, de Matos Barbosa e Gata Má, de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto
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VIDEOCLIP
1º lugar: João Lum - Chama de Mil Cores, de Sonat Duyar
2º lugar: Indie Nice Weather for Ducks - Back to the Future, de Bruno Carnide e Cláudio Cigarro
3º lugar: Orblua - Aviãozinho Militar, de Carlos Norton
Menções Honrosas: Tribal Baroque - Gipsi Dance, de Nuno Sá Pessoa e Vol 2 - Sai e Vem, de Joel Duarte
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