domingo, 15 de novembro de 2015

Sevilla Festival de Cine Europeo 2015: os vencedores

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Secção Oficial
Giraldillo de Oro: La Academia de las Musas, de José Luis Guerín
Giraldillo de Plata: As Mil e Uma Noites: Volume I - III, de Miguel Gomes
Prémio Especial do Júri: Rabin, The Last Day, de Amos Gitai
Prémio de Realizador: Roberto Minervini, The Other Side
Prémio de Actor: Teo Corban, One Floor Below
Prémio de Actriz: Clotilde Courau, In the Shadow of Women
Prémio de Argumento: Alexandru Baciu, One Floor Below
Prémio de Fotografia: Diego Romero, The Other Side
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Las Nuevas Olas
Prémio Filme: Pozoamargo, de Enrique Rivero
Prémio Especial: Berserker, de Pablo Hernando
Menção Especial: Dead Slow Ahead, de Mauro Herce
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Las Nuevas Olas No Ficción
Prémio Nuevas Olas No Ficción: The Event, de Sergei Loznitsa
Menção Muy Especial: No Home Movie, de Chantal Akerman
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FIPRESCI
Prémio Filme - Competição Oficial Resistencias: Transeúntes, de Luis Aller
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Europa Junior
Prémio Giraldillo Junior: Yoko y sus Amigos, de Juanjo Elordi e Rishat Gilmetdinov
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Selecção EFA
Grande Prémio do Público: Mustang, de Deniz Gamze Ergüven
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EURIMAGES
Prémio Eurimages Co-Produção Europeia: The Lobster, de Yorgos Lanthimos
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ASECAN (Asociación de Escritores Cinematográficos de Andalucía)
Prémio SGAE Curta-Metragem Panorama Andaluz: Show Me Now, de Manuel Jiménez Núñez
Prémio Especial SGAE - Direcção Artística - Realizador: David Muñoz, El Juego del Escondite
Menção Especial: Bla Bla Bla, de Alexis Morante
Prémio ASECAN ao Filme da Secção Oficial: As Mil e Uma Noites: Volume I - III, de Miguel Gomes
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II Prémio Ocaña à Liberdade: Eisenstein in Guanajuato, de Peter Greenaway
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Warren Mitchell

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1926 - 2015
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Saeed Jaffrey

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1929 - 2015
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sábado, 14 de novembro de 2015

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Maxime Bouffard

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1986 - 2015
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Christophe Lellouche

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1982 - 2015
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Romain Feuillade

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1984 - 2015
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Mathieu Hoche

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1978 - 2015
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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Shortcutz Viseu - Sessão #62

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De regresso para a Sessão #62, o Shortcutz Viseu apresenta esta semana a uma sexta-feira 13 duas curtas-metragens na secção Curtas em Competição sendo elas Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso que estará representado pelo actor Pedro Gomes, e ainda Encontradouro, de Afonso Pimentel - curta-metragem vencedora do Sophia da Academia Portuguesa de Cinema - presente também nesta sessão para a apresentação do seu filme.
Como Projecto Convidado o Shortcutz Viseu irá apresentar o Leiria Film Fest que leva como curta-metragem convidada a argentina La Mirada Perdida, de Damián Dionisio.
Desta forma, e para todos os interessados em mais uma excelente noite de cinema em formato curto, o lugar para passar a sexta-feira é o Carmo'81, na Rua do Carmo, em Viseu a partir das 22 horas.
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Jogo de Damas (2015)


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Jogo de Damas de Patrícia Sequeira é uma longa-metragem portuguesa exibida fora de competição nesta edição do LEFFEST - Lisbon & Estoril Film Festival que decorre até ao próximo dia 15 de Novembro em várias salas de cinema de Lisboa, Estoril e Cascais.
Depois da morte de Marta, as suas cinco melhores amigas - Maria (Ana Nave), Dalila (Ana Padrão), Ema (Fátima Belo), Ana (Maria João Luís) e Mónica (Rita Blanco) - reúnem-se na casa de campo que esta queria transformar para turismo rural.
Numa noite que servirá de reencontro e de aproximação, as memórias da sua amizade presente e passada irão determinar se poderá existir um futuro para a mesma. Conseguirá esta amizade sobreviver à morte?
Num ambiente que se pretende - e consegue - ser claramente intimista, o argumento de Jogo de Damas da autoria de Filipa Leal capta a essência de uma reunião de amigas que após um trágico acontecimento que a todas marca decidem restabelecer esses velhos laços de amizade então relativamente abalados. Cada uma com os seus segredos, desgostos, silêncios e mágoas tentam muito polidamente focar-se única e exclusivamente na perda de "Marta" mas, na realidade, são aquelas horas em conjunto e os silêncios que duravam até então que irão definir aquilo que será a sua "nova" cumplicidade.
Tendo cada uma delas algo a esconder e, ao mesmo tempo, algo que apontar às demais, Jogo de Damas centra-se assim na dinâmica que estas mulheres pretendem agora ter entre si sem esquecer com isso todo um passado comum que as trouxe, após largos anos, ao momento em que se encontram. A pergunta que lentamente se instala é apenas uma... até que ponto se conhecem realmente estas mulheres?
Os silêncios como consequência dos dramas vividos esconderam, em certa medida, aquilo que este grupo de amigos conhecia realmente a respeito das demais. Casamentos falhados, traições, doença e até a sua própria sexualidade foram, com o passar dos anos, assuntos tão íntimos que geraram vergonhas internas impedindo-as não de partilhar o seu "momento" mas sim de os esconder por vergonha de um "falhanço" anunciado que as demais pudessem menosprezar. Se para "Maria" a sua vida se tornou tão complicada que não pode atender ou responder ao desespero das amigas, para "Dalila" e "Ema" são os amores proibidos ou não correspondidos e que "Ana" não sente (ou sentiu) e que "Mónica" esconde por o ter, de certa forma, perdido. Se é a morte de uma "Marta" - que o espectador nunca chega realmente a conhecer para além de ser cunhada de "Mónica" - que as aproxima fisicamente, são no entanto aqueles momentos que partilham madrugada fora que as aproximam de facto através das suas cumplicidades não perdidas confirmando que a sua amizade continua, tal como antes, intacta.
É nos intervalos da morte que se pode experimentar viver... Esta poderia ser a premissa deste filme onde a referida morte é uma presença sentida, não só pelo funeral do qual chegam como também pela - agora - sentida consciencialização de que ela irá, invariavelmente, chegar e colher as suas vidas. É de ordem aleatória e desconhecida que se fará sentir mas não deixa, no entanto, de ser uma certeza. Estas mulheres são assim as sobreviventes que ainda têm a tal "oportunidade" lançada pela morte. Aquelas que podem experimentar e ousar sentir, viver, rir e ter. São aquelas que estão no não tão longo intervalo cedido pela morte mas que, curiosamente o ignoraram, limitando-se por um conjunto de medos, incertezas, vergonhas e inibições de simplesmente sentir... o amor, a aventura e até certo momento, medo de experimentar a própria vida.
Longe de ser um filme "para mulheres" como alguns o poderão querer passar ou até mesmo de outras experiências - pobres - como o Sei Lá de Joaquim Leitão, Jogo de Damas ocupa o seu espaço com cinco fortes interpretações femininas - e que se diga que o quinteto Belo, Blanco, Luís, Nave e Padrão é do melhor que o nosso burgo pode ter - que encarnam uma notória cumplicidade e entrega fazendo o espectador acreditar que se encontra perante um grupo de amigas de longa data... Desde a mágoa do amor perdido de Padrão â louca transgressão de Maria João Luís, sem esquecer a dedicação de Blanco, o sucesso de Nave ou o desgosto de Belo, estas cinco mulheres encarnam o rosto da cumplicidade não escondendo as suas mágoas... Capazes de perdoar mas feridas... E que cada ruga - ainda bem que não usaram caracterização para as esconder - representa um conjunto de histórias, momentos, tristezas e alegrias de um passado comum onde celebraram todos esses pequenos espaços que as trouxeram àquilo que hoje são. Da falta de amor à recusa do mesmo, da fama ao anonimato, da consciência de grupo à individualidade, Jogo de Damas apresenta todos estes pequenos conceitos e muitos mais deixando ainda ao espectador a capacidade - e liberdade - de se identificar com vários pequenos elementos de cada uma delas.
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7 / 10
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Te Prometo Anarquía (2015)

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Te Prometo Anarquía de Julio Hernández Cordón é uma longa-metragem de ficção presente na secção competitiva desta edição do LEFFEST - Lisbon & Estoril Film Festival que decorre até ao próximo dia 15 de Novembro.
Miguel (Diego Calva Hernández) e Johnny (Eduardo Eliseo Martínez) são dois adolescentes companheiros de aventuras e de amor que se dedicam ao tráfico de sangue para ganharem dinheiro no México dominado pelos cartéis.
Desresponsabilizados de todo e qualquer compromisso para lá da evidente cumplicidade mútua, os dois vão embarcar numa perigosa viagem que irá alterar para sempre as suas vidas. Num misto de cumplicidade e aventura, os dois jovens vêem-se colocados numa situação limite onde a sua sobrevivência depende do abandonado da vida tal como a conhecem.
O realizador e argumentista Julio Hernández Cordón cria uma invulgar história de amor num México do século XXI onde a pobreza e a ostentação - as oportunidades e a falta delas - se mesclam criando estilos e modos de vida diferentes que co-habitam no mesmo espaço geográfico.
Dividido em três momentos fundamentais, Te Prometo Anarquía apresenta-nos assim estes dois jovens - "Miguel" e "Johnny" - cúmplices desde jovem idade e cuja amizade se desenvolveu para uma relação sentimental que escondem dos poucos amigos e das famílias. Centrados não só na sua relação como nas aparências, ambos partilham ainda uma relação profissional que os aproxima dos cartéis mexicanos... Ambos traficam sangue para os referidos cartéis numa prática que lhes assegura a sobrevivência e a independência de qualquer controlo parental num México com uma elevada taxa de pobreza económica e social bem como de desemprego onde todos lutam por um rendimento extra.
Se neste primeiro momento temos a apresentação desta relação bem como da actividade lúdica na qual partilham a paixão pelo seu skate mas também a crescente - e sempre presente - cumplicidade e até ciúme, a segunda parte deste filme demonstra a vontade de ambos em que os seus rendimentos sejam visíveis para poderem afirmar-se definitivamente como independentes das amarras que ainda os prendem às suas casas.
Finalmente, o terceiro momento deste filme prende-se após uma transacção - a sua última - que envolve várias dezenas de pessoas e que corre mal levando a que os traficantes façam desaparecer todos aqueles que se disponibilizam para doar o seu sangue a troco de alguns dólares, permitindo-lhes assim alguns dias longe da pobreza em que se encontram, os dois jovens deparam-se com a sua independência e segurança ameaçadas tendo, desta forma, de escapar e iniciar toda uma nova vida que será, agora, afastados da cumplicidade que os une.
Com um tom claramente denunciador sobre grandes e "respeitadas" figuras da sociedade que se envolvem com redes criminais de forma a manterem um nível de vista faustoso e de ostentação, Te Prometo Anarquía é principalmente um conto sobre uma amizade incondicional e cúmplice que se vê forçada a encarar a sua extinção e sobre a mágoa, tristeza e o arrependimento de um amor terminado pelas involuntárias circunstâncias de uma vida que se quis e desejou melhor mas que fora ultrapassada e suplantada pelas condicionantes não controladas de um mundo que espera por devorar a próxima vítima desatenta.
Intrigante ainda pela forma como Diego Calva Hernández e Eduardo Eliseo Martínez transformam as suas duas personagens em elementos de uma potencial fábula urbana, Te Prometo Anarquía apresenta estes seres de consciência dupla que  percebendo os actos ilícitos que cometem os denunciam não pelo que praticam mas por aqueles que permitam que os mesmos existam condenando assim as vidas repletas de uma moral podre - mas defendida - em detrimento daqueles que anónimos são sugados pelos malefícios da mesma.
Ainda um destaque positivo para a moderna e sedutora banda-sonora de Erick Bongcam que parece querer transformar toda esta longa-metragem mexicana num videoclip muito ao estilo de século XXI numa sociedade de extremos e para a direcção de fotografia de María Secco que dá uma cor especial às ruas perdidas do México.
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7 / 10
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Betsy Drake

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1923 - 2015
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Montanha (2015)

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Montanha de João Salaviza é uma longa-metragem portuguesa presente na secção competitiva do LEFFEST - Lisbon & Estoril Film Festival a decorrer am várias salas de Lisboa e Estoril até ao próximo dia 15 de Novembro.
David (David Mourato) é um jovem de quatorze anos que vive nos arredores da capital. Forçado a crescer sózinho, David depara-se com a eventual morte do avô e a necessidade de se tornar adulto antes do tempo ao mesmo tempo que descobre a sua primeira paixão e a perda que está inerente a ambas as situações.
Depois de Arena (2009), de Rafa (2012) e de Cerro Negro (2012) - vencedoras da Palma de Ouro, do Urso de Ouro e do Sophia da Academia Portuguesa de Cinema respectivamente - João Salaviza regressa com a sua primeira longa-metragem e, uma vez mais, também ela com uma perspectiva sobre a clausura. Se em Arena esta se reflectia através de uma prisão domiciliária, em Rafa era a iminência de uma prisão física que se viria a confirmar com Cerro Negro mas, em todas elas, está presente a prisão maior, ou seja, aquela tida pela mente humana. Todas estas personagens - que poderiam facilmente ser "vizinhos" - cujas histórias podem (ou não) cruzar-se nas suas narrativas, são exemplos perfeitos de almas esquecidas. Almas perdidas no tempo e no espaço que ousam - um dia - olhar para lá do seu ambiente dito natural e vislumbrar à distância aquilo que poderia ser "seu".
Se pensarmos nos pequenos, e eventualmente os mais marcantes, momentos dos trabalhos de Salaviza, existe sempre um segmento em que todos olham para o vazio com que se deparam. É nesse momento que percebem que pode(ria)m ser mais - algo mais - do que aquilo que o destino invariavelmente lhes reservou e com o qual foram obrigados a conformar-se.
Transversal a todas as obras de Salaviza está o ambiente em que as suas personagens deambulam - literalmente - na medida em que são filhos de uma população que vive nas margens da sociedade e comunidade urbana. É este urbanismo que, aliás, lhes confere uma certa impotência de recursos e um anonimato que os caracteriza como "um entre muitos", impossibilitando qualquer tipo de resposta para os seus eventuais problemas. Afligidos quer pela crise económica e financeira, quer pela falta de oportunidades que o "mundo" insiste em não lhes proporcionar ou até mesmo pelos estigmas e preconceitos já inerentes ao espaços de onde provêm, todas estas personagens acabam por existir e sobreviver de forma anónima e num silêncio ruidoso.
É então graças a esta impotência retratada pelas personagens do universo de Salaviza, e no fundo pela própria sociedade - deles e nossa - aqui tão bem captadas que todo um conjunto de momentos e situações se despoleta e justifica. Desde a já referida crise que obriga a mãe de "David" a emigrar em busca de uma vida melhor e que, como tal, se vê forçada a deixá-lo com o avô. Esta sensação de abandono parental que faz de "David" um jovem problemático, facto apenas agravado pelo meio em que se encontra e por uma disparidade etária em relação ao seu avô que passa os seus dias mais preocupado em passeios com os amigos do que propriamente em tratar de um neto que entrara recentemente na adolescência e na puberdade e que, graças a toda a falta de orientação que tem, parecem condená-lo a uma vida marginal à lei e à própria sociedade.
Assim, com uma família fragmentada graças a uma mãe (Maria João Pinho) ausente, um avô às portas da morte, uma irmã ainda criança e uma ausência de figura paternal que apenas parece algures no tempo ter ganho forma através de "Gustavo" (Carloto Cotta) pai da sua irmã mais jovem e com quem parece ter uma relação tensa e da qual luta para escapar, "David" é forçado ou a crescer mais cedo ou a entrar em total ruptura com tudo e todos à sua volta. Na ainda impossível ruptura, "David" encontra em "Paulinha", a sua amiga de infância, o único refúgio possível tentando ter através dela o afecto e a cumplicidade que lhe têm faltado por parte de todas as demais pessoas da sua vida iniciando uma viagem pessoal de despertar da sua sexualidade inerentes - em certa medida - à vivência da sua adolescência.
É a solidão de "David" - sempre sofrida em silêncio - que caracteriza Montanha como o primeiro grande reflexo de uma prisão psicológica na obra de Salaviza, que tolhe este jovem e o condena a uma vida marginal onde abundam os pequenos crimes e alguma delinquência frutos de um fracasso económico e social e, como sua directa consequência, àquele também escolar. Silêncio esse que resulta de uma tristeza e um desespero profundos que perpetuam uma falta de motivação e, por sua vez, à eterna questão sobre que futuro - a haver algum - será o dele... Sentimentos fortes estes aos quais o espectador assiste em primeira mão fruto de uma câmara sempre presente e que raramente se distancia dos rostos das diversas personagens alheando-os - e a nós - de todos os detalhes supérfluos. Sempre presente está a ideia de uma morte adiada do avô - física - e a dele e demais personagens - psicológica - pela compreensão de que o "amanhã" pode ser apenas um sonho, também ele, adiado. Mesmo o ambiente exterior é apenas captado na estrita necessidade de captar "o local", não o caracterizando geograficamente nas sim de uma forma geral conferindo apenas a ideia de interior ou exterior mas, no entanto, nunca é esquecida, graças à uma intensa direcção de fotografia de Vasco Viana, a presença de um calor abrasador - pela força da luz e de sombras quentes - que os condena a tal já referida "prisão".
Tal como Os Mutantes (1998), de Teresa Villaverde foi o rosto de uma certa adolescência dos anos 90 do século passado, também a Montanha de Salaviza dá agora o tal rosto a adolescência desta segunda década do século XXI que, desprovida de sonhos, ambições, desejos e até mesmo de uma noção ou concepção de família, se encontra perdida num caminho sem retorno, sem saber para onde se dirigir limitando-se a (sobre)viver como náufragos sem rumo. E se na obra de Villaverde foram Ana Moreira e um desaparecido Alexandre Pinto a encarnarem essa geração, agora é David Mourato que lhe dá corpo e de uma invulgar forma - considerando a falta de objectivos do seu "David" - uma alma... ainda que perdida. Bravo à sua interpretação.
Com uma história que cruza, de certa forma, o enredo das suas curtas-metragens - afinal até aqui temos o "Rafa" (Rodrigo Perdigão) da curta-metragem homónima, Salaviza consegue fazer de Montanha o cúmulo de um desespero já sentido. De uma incapacidade de desejar, de acreditar, de esperar... Aliás, Montanha anula mesmo qualquer tipo de esperança - económica, social, familiar, profissional... - transformando as suas personagens em meros seres que deambulam pelos espaços, sendo uma sua parte anónima... e igualmente silenciosas.
Numa comparação que me parece pertinente não só para enquadrar Montanha como também o ano cinematográfico português... Se As Mil e Uma Noites - Volume I - III, de Miguel Gomes são o retrato de um país descontrolado e sem rumo, e se Uma Rapariga da Sua Idade, de Márcio Laranjeira o são de uma geração que já nos trinta's se encontra estagnada... então Salaviza entrega esta Montanha naquele que é o retrato de uma nova geração completamente perdida.
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"David: Só te tenho a ti."
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8 / 10
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Área de Contenção - Encontros Internacionais de Cinema Fantástico e de Horror do Cartaxo 2015: os vencedores

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Secção Oficial
Grande Prémio Área de Contenção: Arcana, de Jerónimo Ribeiro Rocha (Portugal)
Prémio Longa-Metragem: Paranoia Park, de Bruno Mercier (França)
Prémio Curta-Metragem: Caradecaballo, de Marc Martinez Jordán (Espanha)
Prémio Nacional - Luís de Pina: Bolor Negro, de Marta Pessoa (Portugal)
Prémio Animação: Dinner for Few, de Nassos Vakalis (Grécia)
Menções Honrosas: Lingo, de Daniel Roque (Portugal) - Animação, The Cart, de Patrik Eriksson (Polónia) - Fotografia, Lingo, de Daniel Roque (Portugal) - Argumento e Manias, de Santiago Capuz (Espanha) - Argumento
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Secção Out of the Box
Prémio Out of the Box: Be My Cat: A Film to Anne, de Adrian Tofei (Roménia)
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Secção New Blood
Prémio New Blood: Caradecaballo, de Marc Martínez Jordán (Espanha)
Menções Honrosas: Bílis Negra, de Nuno Sá Pessoa (Portugal) - Nacional, Dinner for Few, de Nassos Vakalis (Grécia) - Animação, The Cart, de Patrik Eriksson (Polónia) - Fotografia, La Última Voluntad de Emilio Cancela, de David Caiña Pérez (Espanha) - Humor
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Prémios do Público
Prémio do Público - Secção Oficial: Buenas Manos, de Francisco Bendomir (Argentina)
Prémio do Público - Out of the Box: Be My Cat: A Film to Anne, de Adrian Tofei (Roménia)
Prémio Monstro Debaixo da Cama: Route 52, de Jacinth Tan Yi Ting e Tok Xue Yi (Singapura) e Lingo, de Daniel Roque (Portugal)
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Prémio Pânico: O Efeito Isaias, de Ramon de los Santos (Portugal)
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sábado, 7 de novembro de 2015

Gunnar Hansen

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1947 - 2015
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Primero las Personas (2014)

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Primero las Personas de Juan Carlos Fita é um documentário espanhol em formato de curta-metragem que nos relata a determinação de quatro pessoas percorrerem cem quilómetros por uma causa em trinta e duas horas testando os limites das suas resistências físicas e psicológicas. A causa em questão prende-se com um alerto para com a falta de água em determinados lugares do mundo e esta distância percorria é a mesma que algumas mulheres em África percorrem para transportarem água para as suas aldeias.
Assim, Paco Juan, Micky Ramírez, Nacho Rabanaque e Mariano Martín iniciam uma viagem repletos de ânimo e convicção onde o riso e a boa disposição reinam mas que, aos poucos e graças ao peso doa quilómetros percorridos que se faz sentir, perdem aquela determinação inicial fazendo-os, no entanto, compreender os dramas reais de milhares de pessoas espalhadas pelo globo para questão tão pertinentes como aquela que aqui defendem e as suas limitações físicas pelo esforço e privação daquele que é provavelmente o bem mais precioso do planeta.
De forma participativa por parte do espectador e didáctica por parte da equipa que constrói esta curta-metragem, é lançado um alerta sobre estes problemas com os quais uma sociedade dita "ocidental" não se depara relativizando os mesmos enquanto consegue de forma engenhosa - pelo pressuposto da missão em causa - inserir este grupo de pessoas na real dimensão de tarefas que são para outros diárias, através daquilo que é uma prova desportiva que os obriga a percorrer semelhantes distâncias.
Sem um fim pensado - no sentido de não se saber prever qual o desfecho ou desistências desta missão - Primero las Personas triunfa por se inserir num âmbito social e conseguir criar um (mais um) alerta ou consciencialização sobre aquilo que todos nós temos garantido com um simples abrir de uma torneira e que poderá, de forma inteligente, tornar-se numa peça fundamental de ensino e sensibilização.
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7 / 10
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Academia Portuguesa de Cinema - Sophia Estudante 2015: os nomeados

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A Academia Portuguesa de Cinema anunciou hoje os filmes seleccionados à segunda edição dos Sophia Estudante, numa cerimónia que se irá realizar no Centro Cultural de Belém no próximo dia 20 de Novembro. 
Dos 65 filmes inscritos por 15 escolas - 24 de ficção, 25 documentários, 6 de animação e 10 filmes experimentais naquela que é uma nova categoria dos Sophia Estudante - as escolhas do júri composto por José Fidalgo (actor), Nuno Bernardo (produtor), Cecília Mateus (agente), Teresa Tavares (actriz) e José Carlos Oliveira (realizador) recaíram sobre os seguintes filmes:
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Ficção
Boa Noite Cinderela - ETIC
Do Silêncio - ETIC
Leonor - Universidade de Aveiro
Marasmo - Escola das Artes - Som e Imagem UCP
Palhaços - Escolha Superior de Música, Artes e Espectáculo - ESMAE
Procura-se Sófocles - Restart
Que é Feito dos Dias na Cave - Universidade da Beira Interior
Turp - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Ventil - Restart
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Documentário
O Barbeiro Guitarrista - Escola das Artes - Som e Imagem UCP
Cidade das Traseiras - Escola das Artes - Som e Imagem UCP
Fragmentos do Tempo - ETIC
LEGO - ETIC
O que Resta - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Para Lá do Marão - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Terra-Mãe - Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo - ESMAE
Um dia na Vida do Pastor Boaventura - Universidade de Aveiro
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Animação
An Original Cliché - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Ghiocel - Escola das Artes - Som e Imagem UCP
Meada - Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo - ESMAE
Red - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
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Experimental
Afrodite - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Alone - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
It Was Lucid - ETICAlgarve
Model Home - Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
Ossos - ETIC
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European Film Awards 2015: os nomeados

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Foram hoje anunciadas as nomeações que faltavam aos European Film Awards entre elas as de Melhor Filme, Comédia, Documentário, Actor, Actriz, Realizador e Argumento. Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 12 de Dezembro numa cerimónia a realizar em Berlim, na Alemanha.
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Melhor Filme
En Duva Satt på en Gren och Funderade på Tillvaron, de Roy Andersson (real.) e Pernilla Sandström (prod.)
Hrútar, de Grímur Hákonarson (real.) e Grímar Jónsson (prod.)
The Lobster, de Yorgos Lanthimos (real. e prod.) e Ed Guiney, Lee Magiday e Ceci Dempsey (prods.)
Mustang, de  Deniz Gamze Ergüven (real.) e Charles Gillibert (prod.)
Victoria, de Sebastian Schipper (real.) e Jan Dressler (prod.)
Youth - La Giovinezza, de Paolo Sorrentino (real.) e Nicola Giuliano, Francesca Cima e Carlotta Calori (prod.)
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Melhor Comédia
En Duva Satt på en Gren och Funderade på Tillvaron, de Roy Andersson (real.) e Pernilla Sandström (prod.)
La Famille Bélier, de Eric Lartigau (real.) e Eric Jehelmann, Philippe Rousselet e Stéphane Celerier(prods.)
Le Tout Nouveau Testament, de Jaco Van Dormael (real. e prod.) e Olivier Rausin e Daniel Marquet (prods.)
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Melhor Documentário
A Syrian Love Story, de Sean McAllister (real.) e Elhum Shakerifar  (prod.)
Amy, de Asif Kapadia (real.) e James Gay-Rees (prod.)
Dancing with Maria, de Ivan Gergolet (real.) e Igor Princic, David Rubio e Miha Cernec (prods.)
The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer (real.) e Signe Byrge Sørensen (prod.)
Toto si Surorile Lui, de Alexander Nanau (real. e prod.) e Valeriu Nicolae, Hanka Kastelicova, Catalin Mitulescu e Marcian Lazar (prods.)
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Melhor Realizador
Małgorzata Szumowska, Cialo
Roy Andersson, En Duva Satt på en Gren och Funderade på Tillvaron
Yorgos Lanthimos, The Lobster
Nanni Moretti, Mia Madre
Sebastian Schipper, Victoria
Paolo Sorrentino, Youth - La Giovinezza
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Melhor Actor
Michael Caine, Youth - La Giovinezza
Tom Courtenay, 45 Years
Colin Farrell, The Lobster
Christian Friedel, Elser
Vincent Lindon, La Loi du Marché
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Melhor Actriz
Margherita Buy, Mia Madre
Laia Costa, Victoria
Charlotte Rampling, 45 Years
Alicia Vikander, Ex Machina
Rachel Weisz, Youth - La Giovinezza
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Melhor Argumento
Andrew Haigh, 45 Years
Radu Jude e Florin Lazarescu, Aferim!
Roy Andersson, En Duva Satt på en Gren och Funderade på Tillvaron
Alex Garland, Ex Machina
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou, The Lobster
Paolo Sorrentino, Youth - La Giovinezza
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Auyantepui (2012)

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Auyantepui de Jorge Sousa é uma curta-metragem documental de co-produção venezuelana e espanhola que relata a experiência de Álvaro Bultó, Santi Corella e Tóni López, um grupo de pára-quedistas do "Proyecto Alas" que tentam efectuar um salto junto à catarata mais alta do mundo em Auyantepui - a montanha do diabo - na selva da Venezuela.
O espectador acompanha assim a preparação para a sua viagem e os avisos para os perigos que por aí vêm, a entrada numa selva onde se atravessa o campo, o rio e toda uma densa vegetação onde as próprias variações de temperatura complicam todo um percurso e o ânimo inicial para a execução da missão a que se propuseram sabendo - equipa e espectador - que esta pode ser uma etapa falhada da qual terão dificuldades em regressar pela escassez de alimentação.
Sempre com o pensamento em mente de que este salto é ilegal perante a lei e que os riscos que têm de atravessar para que este seja uma eventualidade - desde início as certezas são e estão ausentes - são grandes demais, esta equipa de amigos aventura-se num espaço inóspito e agreste que luta serena e silenciosamente contra as suas próprias defesas entregando ao espectador um espectáculo quase vivido na primeira pessoa sabendo que, no final, poderão não sair ilesos ou até mesmo detidos pelas autoridades que os aguardam.
Interessante do ponto de vista de uma aventura pela natureza agreste, Auyantepui é, de facto, uma montanha do diabo que lentamente consome as energias daqueles que se aventuram a viver uma experiência que rapidamente assume contornos limites e desafiantes.
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7 / 10
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Mia Madre (2015)

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Minha Mãe de Nanni Moretti é uma longa-metragem italiana de ficção presente no dia de abertura desta edição do LEFFEST - Lisbon & Estoril Film Festival que hoje se inicia prolongando-se até ao próximo dia 15 de Novembro em várias salas de cinema de Lisboa, Estoril e Cascais.
Margherita (Margherita Buy) é uma realizadora cinema no meio de uma crise existencial ao mesmo tempo que tem de lidar com a inevitável - e próxima - morte da sua mãe e terminar as gravações do seu mais recente filme.
Depois de em 2011 ter dirigido Habemus Papam, Nanni Moretti regressa com este Mia Madre numa história que cruza a crise - social e existencial-, a solidão e a perda. "Margherita" é uma mulher empenhada no seu trabalho enquanto realizadora mas, ao mesmo tempo, atravessa uma complicada fase onde se questiona sobre as suas escolhas e opções profissionais que parecem não responder à eterna questão de se terá ou não sido bem sucedida com o que faz. Afectivamente distanciada de todos aqueles que cruzaram a sua vida, desde relações sentimentais, amantes, amigos e eventualmente até da própria filha que passa boa parte do seu tempo com o pai, "Margherita" é agora uma mulher de meia idade que sente não ter cumprido nenhuma missão, nenhuma obra ou nenhuma marca que comprove a sua existência e a sua passagem. De todos os momentos, é quando a sua debilitada mãe lhe pergunta como pode ela fazer filmes sobre a desgraça e o infortúnio dos demais que melhor caracterizam este momento e que possivelmente assinalam a sua percepção de "o que é preciso cumprir" para fazer crer que existe.
Ao mesmo tempo que "Margherita" vive este seu drama existencial em que se questiona sobre o "eu", é a relação com "Ada" (Giulia Lazzarini), a sua mãe, que melhor a fazem compreender que em comparação as duas vidas representam marcos distantes de plenitude. Enquanto verbaliza memórias dispersas de um passado vivido, "Ada" tece os mais eloquentes registos do seu passado, da sua memória que subsiste e que viveu e experimentou com certezas enquanto que a filha debate-se com que tipo de memória existirá nela junto daqueles com quem "viveu". Mais tarde, já depois da confirmação da morte de "Ada", é que "Margherita" e "Giovanni" (Nanni Moretti) confirmam a abismal diferença das suas vidas em comparação com a sua progenitora ao perceber que os seus antigos alunos continuavam anos depois a visitá-la, a privar com ela e a conversar sobre os mais diferentes assuntos encarando-a como a mãe com quem muitos desabafavam sobre a vida e o mundo ou até mesmo sobre assuntos banais e inconsequentes. Dito isto, como poderão eles consolidar a vida profissional com uma inevitável tragédia com que todos se defrontam como é o caso da morte para a qual não há qualquer tipo de solução?
Se toda esta dinâmica da memória passada e aquela que o momento actual pode gerar para o futuro são uma constante na relação mãe e filha - na percepção da primeira e na constatação do legado da última -, não é menos verdade que ao mesmo tempo esta história coloca em plano central a dinâmica da perda. Como se lida com a perda daqueles que mais amamos... Será mais fácil lidar com ela se nunca criarmos nenhum tipo de elo ou ligação com os demais?... Seremos mais felizes vivendo com relações ocasionais e inconsequentes? E essencialmente como lidar com a dor que essa tal perda provoca. No final "Margherita" é obrigada a perceber que não é a morte que representa uma etapa mas sim a vida que é todo um processo de transformação de um ponto para o outro. Processo esse que pode significar a diferença para aqueles com quem são estabelecidas ligações mais ou menos esporádicas e que num expressivo ciclo poderá esse outro ser - ou não - transformado. Dito isto, qual será então o seu contributo para este "mecanismo" de transformação que é a vida?!
Finalmente existe ainda outra dinâmica presente em Mia Madre, ou seja, o papel e a importância da memória enquanto registo colectivo de experiências. Se para "Ada" esta é o registo das suas experiências e para os seus antigos alunos a importância que estas lhe deixaram aquando da sua transmissão, e se para "Margherita" é o dilema de qual será o seu contributo para a mesma, para "Barry" (John Turturro), o descontrolado actor do seu filme, a representação da memória chega sob a forma de uma doença que o faz esquecer aqueles com quem se cruza tendo, para tal, que recorrer a pequenas notas informativas sobre todos aqueles com quem é obrigado a conviver diariamente dentro ou fora do seu trabalho.
Depois de La Stanza del Figlio (2001), Mia Madre - que se note a referência ao elo familiar - é o mais pessoal e intimista filme de Moretti ao colocar de forma cândida e receptiva a questão da dor, de como cada um consegue lidar com ela ou sentir a sua manifestação sem nunca saber como, quando e onde esta se irá fazer anunciar. E se no primeiro filme esta é representada através da morte não anunciada de um filho que deixa todo um legado por viver, em Mia Madre é a sua manifestação inversa ao serem os filhos a ultrapassar - ou tentar - a morte de uma mãe que teve uma vida plena de momentos e significados, e tem em Margherita Buy - vencedora do David da Academia Italiana de Cinema - um dos seus momentos de glória por representar na perfeição uma mulher desligada do (seu) mundo mantendo com ele apenas a interacção essencial para saber que se encontra "lá" e que no final, já depois de tudo concluído e efectivado, fica sem saber - ou ter planos para - o seu dia de "amanhã".
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"Margherita: Mama che sia pensando?
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Ada: A domani."
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9 / 10
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Caminhos do Cinema Português 2015: selecção oficial

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Os Caminhos do Cinema Português divulgaram hoje a sua selecção oficial para a edição de 2015 a realizar entre os próximos dias 27 de Novembro e 5 de Dezembro em Coimbra.
Estão assim seleccionadas as seguintes obras cinematográficas:
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Longas-Metragens de Ficção
Capitão Falcão, de João Leitão
Cinzento e Negro, de Luís Filipe Rocha
Mau Mau Maria, de José Alberto Pinheiro
As Mil e Uma Noites - Volume 1: O Inquieto, de Miguel Gomes
As Mil e Uma Noites - Volume 2: O Desolado, de Miguel Gomes
As Mil e Uma Noites - Volume 3: O Encantado, de Miguel Gomes
Montanha, de João Salaviza
Yvone Kane, de Margarida Cardoso
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Documentários
Casa das Mães, de Philippe Costantini
As Cidades e as Trocas, de Luís Homem e Pedro Pinho
Crónicas de Santa Cruz, de Tiago Cravidão
O Dr. Adrián e os 5 Senhores, de Francisco Moura Relvas
Fora da Vida, de Filipa Reis e João Miller Guerra
Gipsofila, de Margarida Leitão
O Indispensável Treino da Vagueza, de Filipa Reis e João Miller Guerra
Irmãos, de Pedro Magano
João Bénard da Costa - Outros Amarão as Coisas que Eu Amei, de Manuel Mozos
Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes
Portugal - Um Dia de Cada Vez, de João Canijo
Red Brigade - Brigada Vermelha, de João Fontes e Pedro Gancho
A Torre, de Salomé Lamas
UPROR or The Trojan Women, de Tiago Afonso
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Curtas-Metragens
Amélia & Duarte, de Alice Magalhães e Mónica Santos
Arcana, de Jerónimo Rocha
O Assalto, de João Tempera
Aula de Condução, de André Santos e Marco Leão
Bicho Vai, de Mário Melo Costa
Bunker, de Sandro Aguilar
O Campo à Beira Mar, de André Ruivo
Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos
Deus Providenciará, de Luís Porto
Em Branco, de Luciano Sazo
Encontradouro, de Afonso Pimentel
Fortunato - D'Aqui até S. Torcato, de João Rodrigues
Galope, de Raquel Felgueiras
Gasolina, de João Teixeira
A Glória de Fazer Cinema em Portugal, de Manuel Mozos
Gu, de Pedro Marnoto Pereira
IEC Long, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Matta
Isa, de Patrícia Vidal Delgado
The Last Analog Tree, de Jorge Pelicano
Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso
Marta, de Bernardo Gomes de Almeida
Mós, de Bernardo Gomes de Almeida
Provas, Exorcismos, de Susana Nobre
O Rebocador, de Jorge Cramez
Renaissance, de Nuno Noivo e João Fanfas
A Tua Plateia, de Óscar Faria
Viagem, de José Magro
Vila do Conde Espraiada, de Miguel Clara Vasconcelos
Yulya, de André Marques
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Animações
Da Minha Janela..., Colectivo de Crianças e Jovens de Abrantes
A Directa, de Beatriz Novais
Especialidade da Casa, de Margarida Madeira
Nossa Senhora da Apresentação, de Abi Feijó, Alice Guimarães, Laura Gonçalves e Daniela Duarte
Papel de Natal, de José Miguel Ribeiro
Que Dia é Hoje?, de Colectivo Fotograma 24
Take It Easy Maria, de Leonor Pacheco
Vigil, de Rita Cruchinho Neves
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Melissa Mathison

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1950 - 2015
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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Le Premier Pas (2014)

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Le Premier Pas de Aurélien LaPlace é uma curta-metragem francesa de ficção que nos relata a agitada vida de Eric (Ambroise Carminati), um jovem agente de viagens que todos os dias corre - literalmente - para o pacato local de trabalho com uma única missão.
Com a acentuada queda de vendas de viagens e uma provável transferência de local de trabalho, Eric tem apenas uma semana para alcançar o seu sonho... que está a apenas vinte metros de distância.
O argumento de LaPlace transforma-se de uma história sobre um tipo pacato que procura apenas o seu lugar junto da felicidade num conto sobre os tempos modernos onde o trabalho que nem sempre é agressivo mas pode transformar toda uma vida de forma irreparável. Não, não se trata de mais uma história sobre a crise - pelo menos não de uma forma tão directa e explícita como noutros filmes - mas sim das transformações que as circunstâncias e os acasos de uma vida profissional oferecem à vida de alguém que, até um certo momento, se limitava a ter o seu espaço e rendimento estável. Mas... e quando isso não chega? Quando falta aquele pequeno "algo" que poderia ter todo o significado? É as estas questões que vem responder "Julie" (Élise Bernard), a vizinha do outro lado da rua que "Eric" tão insistentemente observa. Assim, Le Premier Pas responde de forma actual à eterna questão sobre quando poderá mudar a vida de um Homem - no sentido lato - e sobre os pequenos sinais que são deixados pelo caminho que podem indiciar que algo está prestes a mudar.
Mas, Le Premier Pas não se deixa limitar pelo óbvio ou pelo simples "olá" indo ao ponto de tecer toda uma elaborada rede de aventuras e acasos, artimanhas e inuendos que permitem a estas duas personagens cruzarem-se num mundo de desencontros ainda que, por momentos, nem tudo seja tão óbvio como ambos poderiam esperar podendo inclusive gerar conflitos que nenhum esperava. Assim, porque não optar pelo mais óbvio, ou seja, o tal "olá" que poderia até responder a inesperadas questões sobre esta relação não confirmada?
Ao bom estilo de uma comédia romântica, Le Premier Pas surpreende por um inesperado desfecho sentimental e conquista pela forma romântica como dois anónimos se aproximam e se sentem mesmo quando não se "sabem" mutuamente.
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7 / 10
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Goya 2016 - pré-selecção portuguesa

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A Academia de Cinema Espanhola divulgou hoje as curtas-metragens pré-seleccionadas para competir nas categorias de ficção, documentário e animação da próxima edição dos Prémios Goya a realizar em Madrid a 6 de Fevereiro de 2016.
Das trinta e cinco curtas-metragens pré-seleccionadas, a serem votadas nas próximas semanas para a escolha dos cinco nomeados em cada categoria, encontramos dez de animação, dez documentários e quinze de ficção entre as quais temos Os Meninos do Rio, de Javier Macipe, uma participação luso-espanhola pré-seleccionada.
Entre as pré-seleccionadas temos assim:
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Ficção
Cordelias, de Gracia Querejeta Marín
El Adiós, de Clara Roquet Autonell
El Corredor, de José Luis Montesinos
El Trueno Rojo, de Álvaro Ron
Inside The Box, de David Martín-Porras
Interior.Familia., de David Torras, Esteve Soler e Gerard Quinto
La Buena Fe, de Begoña Soler Ochando
La Gran Invención, de Fernando Trias de Bes
Los Cárpatos, de Daniel Remón
Namnala, de Nacho Solana
Os Meninos do Rio, de Javier Macipe
Óscar Desafinado, de Mikel Alvariño Hernández
Sara a la Fuga, de Belén Funes
Somos Amigos, de Carlos Solano
Soy tan Feliz, de Juan Gautier
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Documentário
El Oscar, de Isabel Vilallonga Shelly
Hijos de la Tierra, de Axel O’Mill Tubau e Patxi Uriz Domezáin
Hiru Haundiak, de Alfonso Díaz Lara
Juntos por la Vida, de Kike Arroyo
La Primavera Rosa en el Kremlin, de Mario de la Torre
Regreso a la Alcarria, de Tomás Cimadevilla Acebo
Robert Janz, Don Quixote in a Fragmented World, de Violeta Barca-Fontana
Trini Contra la Gravedad, de Manuel Rodríguez González
Ventanas, de Pilar García Elegido
Viento de Atunes, de Alfonso O’Donnell
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Animação
Abayomi, de Guillermo López López
Alike, de Daniel Martínez Lara e Rafael Cano Méndez
Araan, de Jorge Dayas
Bendito Machine V - Pull the Trigger, de Jossie Malis
Honorio. Dos Minutos de Sol, de Francisca Ramírez Villaverde e Francisco Gisbert Picó
Judge Dredd: Superfiend, de Enol Junquera e Luis Pelayo Junquera
La Noche del Océano, de María Lorenzo Hernández
The Cryptozoologist, de Vincente Mallols Tomás
Viaje a Pies, de Khris Cembe
Víctimas de Guernica, de Ferran Caum
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British Independent Film Awards 2015: os nomeados

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Melhor Filme Independente Britânico
45 Years
, de Andrew Haigh
Amy, de  Asif Kapadia
Ex Machina, de Alex Garland
The Lobster, de Yorgos Lanthimos
Macbeth, de Justin Kurzel
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Melhor Documentário
Amy
, de Asif Kapadia
Dark Horse: The Incredible True Story of Dream Alliance, de Louise Osmond
How to Change the World, de Jerry Rothwell
Palio, de Cosima Spender
A Syrian Love Story, de Sean McAllister
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Produtor do Ano
James Gay-Rees, Amy
Tristan Goligher, 45 Years
Paul Katis e Andrew De Lotbiniere, Kajaki: The True Story
Ceci Dempsey, Ed Guiney, Yorgos Lanthimos e Lee Magiday, The Lobster
David A. Hughes e David Moores, The Violators
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Melhor Realizador Revelação (Prémio Douglas Hickox)
Chris Blaine e Ben Blaine, Nina Forever
Corin Hardy, The Hallow
Paul Katis, Kajaki: The True Story
John Maclean, Slow West
Stephen Fingleton, The Survivalist
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Melhor Actor
Tom Courtenay, 45 Years
Colin Farrell, The Lobster
Michael Fassbender, Macbeth
Tom Hardy, Legend
Tom Hiddleston, High-Rise
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Melhor Actriz
Marion Cotillard, Macbeth
Carey Mulligan, Suffragette
Charlotte Rampling, 45 Years
Saoirse Ronan, Brooklyn
Alicia Vikander, The Danish Girl
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Melhor Actor Secundário
Luke Evans, High-Rise
Brendan Gleeson, Suffragette
Domhnall Gleeson, Brooklyn
Sean Harris, Macbeth
Ben Whishaw, The Lobster
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Melhor Actriz Secundária
Helena Bonham Carter, Suffragette
Olivia Colman, The Lobster
Anne-Marie Duff, Suffragette
Sienna Miller, High-Rise
Julie Walters, Brooklyn
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Revelação
Agyness Dean, Sunset Song
Mia Goth, The Survivalist
Abigail Hardingham, Nina Forever
Milo Parker, Mr. Holmes
Bel Powley, A Royal Night Out
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Melhor Argumento
Nick Hornby, Brooklyn
Alex Garland, Ex Machina
Andrew Haigh, 45 Years
Amy Jump, High-Rise
Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou, The Lobster
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Melhor Filme Independente Estrangeiro
Bande de Filles, de Céline Sciamma (França)
Carol, de Todd Haynes (EUA)
Room, de Lenny Abrahamson (EUA)
Saul Fia, de László Nemes (Hungria)
Turist, de Ruben Östlund (Suécia)
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Prémio Técnico
Chris King (edição), Amy
Fiona Weir (casting), Brooklyn
Mark Digby (design de produção), Ex Machina
Andrew Whitehurst (efeitos visuais), Ex Machina
Adam Arkapaw (fotografia), Macbeth
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Raindance Discovery Award
Aaaaaaaah!
, de Steve Oram
Burn Burn Burn, de Chanya Button
Orion: The Man Who Would Be King, de Jeanie Finlay
The Return
Winter, de Heidi Greensmith
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Melhor Curta-Metragem
Balcony, de Toby Fell-Holden
Crack
Edmond
, de Nina Gantz
Love is Blind, de Dan Hodgson
Manoman, de Simon Cartwright
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Gotham Awards 2015: os nomeados

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Melhor Filme
Carol, de Todd Haynes
The Diary of a Teenage Girl, de Marielle Heller
Heaven Knows What, de Ben Safdie e Joshua Safdie
Spotlight, de Tom McCarthy
Tangerine, de Sean Baker
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Melhor Documentário
Approaching the Elephant, de Amanda Wilder
Cartel Land, de Matthew Heineman
Heart of a Dog, de Laurie Anderson
Listen to Me Marlon, de Stevan Riley
The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer
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Realizador Revelação
Desiree Akhavan, Appropriate Behavior
Jonas Carpigano, Mediterranea
Marielle Heller, The Diary of a Teenage Girl
John Magary, The Mend
Josh Mond, James White
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Actor
Christopher Abbot, James White
Kevin Corrigan, Results
Paul Dano, Love & Mercy
Peter Sarsgaard, Experimenter
Michael Shannon, 99 Homes
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Actriz
Cate Blanchett, Carol
Blythe Danner, I'll See You In My Dreams
Brie Larson, Room
Bel Powley, The Diary of a Teenage Girl
Lily Tomlin, Grandma
Kristen Wiig, Welcome to Me
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Argumento
Carol, Phyllis Nagy
The Diary of a Teenage Girl, Marielle Heller
Love & Mercy, Oren Moverman e Michael Alan Lerner
Spotlight, Tom McCarthy e Josh Singer
While We're Young, Noah Baumbach
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Actor Revelação
Rory Culkin, Gabriel
Arielle Holmes, Heaven Knows What
Lola Kirke, Mistress America
Kitana Kiki Rodriguez, Tangerine
Mya Taylor, Tangerine
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Gotham Especial do Júri: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schrieber, John Slattery, Stanley Tucci, e Brian D'Arcy, Spotlight
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Tributos: Steve Golin, Todd Haynes, Helen Mirren e Robert Redford
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Papa dans Maman (2014)

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Papa dans Maman de Fabrice Bracq é uma curta-metragem francesa de ficção que em tons de comédia leva o espectador numa noite escura ao interior de uma casa onde duas pequenas irmãs se questionam sobre os gemidos que escutam por detrás da porta do quarto dos pais.
Mas depois de algumas considerações sobre tão agitada noite, as duas irmãs têm uma inesperada surpresa...
Quase em tom de sketch cómico, a curta-metragem escrita e dirigida por Fabrice Bracq surpreende o espectador não tanto no seu decorrer onde prima a inocência não tão inocente das duas crianças mas sim pela forma como se desfecha pela improbabilidade dos acontecimentos.
Ligeira e inocente mas com um desfecho corrosivo, Papa dans Maman funciona como um momento bem disposto e divertida que evidencia a verve pouco complicada de duas crianças.
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7 / 10
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domingo, 1 de novembro de 2015

Knock Knock (2015)

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Knock Knock - Tentações Perigosas de Eli Roth é uma longa-metragem de co-produção norte-americana e chilena que estreou na passada edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que decorreu no Cinema São Jorge e que agora encontra a sua estreia comercial no país.
Evan (Keanu Reeves) é um arquitecto casado e pai de dois filhos com a casa e a vida perfeita. Sózinho em casa durante um fim-de-semana em que a família foi para a praia, Genesis (Lorenza Izzo) e Bel (Ana de Armas) batem à sua porta da casa e pedem-lhe ajuda.
No entanto, quando as intenções das duas jovens se revelam muito para além do simples pedido de ajuda, Evan encontra-se na mais complicada situação da sua vida que lhe trará consequência inimagináveis.
De volta à realização daquele que se queria como o mais recente clássico de suspense/terror de Eli Roth que já nos havia presenteado com Cabin Fever (2002), Hostel (2005) e Hostel II (2007), o realizador norte-americano numa parceria com Keanu Reeves na interpretação e produção entrega-nos este Knock Knock que tendo o seu potencial como filme do género se deixa levar e perder por alguns momentos menos conseguidos e lugares comuns que em nada adiantam à qualidade do mesmo sobre a história de um pai de família que, afinal, não é tão feliz ou completo como as primeiras imagens deixam adivinhar.
Era inevitável o que esperamos do início deste filme onde a aparente perfeita família se desmorona quando o pai (Reeves) é colocado sózinho num espaço onde já anteriormente fazia questão de realçar a sua carência sexual. Agora, com duas jovens e disponíveis postas "a jeito", a "coisa" estava preparada para se dar. Por muito saudável que aparente ser o relacionamento desta família, a realidade é que alguma falta de credibilidade dos actores - mãe e filhos - deixa o espectador algo afastado e ausente de um qualquer crédito que se poderia conferir a esta família. Talvez por falta de química, talvez por falta de alguma naturalidade e expressividade corporal, mas aquilo que o espectador quase confirma é que estão todos a ler de um cartão que está à frente dos olhos.
Credível está, por sua vez, a dinâmica entre a dupla Izzo e de Armas que conseguem emanar uma química latente entre ambas e irradiar algo não só físico como psicológico - ainda que demente - e interpretar as suas assassinas com aquilo que - às personagens - lhes falta, ou seja, uma alma. Com as suas próprias intenções, ainda que possam (e são) parecer como incompreensíveis aos olhares de qualquer pessoa mais estável, Izzo e de Armas conseguem assumir-se como o mais notável deste filme ao ponto de, em diversos momentos, ofuscarem a presença de um Keanu Reeves que o espectador esquece que se encontra na mesma sala que elas.
Sem nunca aquecer ao ponto do macabro e do perverso como podemos encontrar em, por exemplo, Hard Candy, de David Slade (2005) onde uma implacável Ellen Page desfaz ou temeroso Patrick Wilson, Knock Knock prima principalmente por um aspecto já abordado noutras obras e que reside na perda de anonimato do século XXI graças ao uso excessivo e abusivo das redes sociais onde tudo se partilha e, como consequência, tudo se sabe deixando pouco espaço para aquilo que se passa por detrás das portas da casa de cada um de nós.
Interessante por alguns breves momentos, nomeadamente aqueles que levam ao escalar de uma violência anunciada, Knock Knock não deixa de, no entanto, ser um filme que demora a antever um clímax e, quando este chega, é verbalizado por um - no momento - pouco convincente Keanu Reeves. Simpático como o mais recente "filme-pipoca" que qualquer um de nós gosta de ver quando não quer pensar muito sobre um argumento plausível, esta longa-metragem de Eli Roth não é seguramente aquela que ficará na memória do espectador ou tão pouco a mais significativa na carreira do seu intérprete principal.
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5 / 10
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Un Par de Ciegos (2014)

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Un Par de Ciegos de David Esquivel é uma curta-metragem espanhola de ficção que centra a sua dinâmica na relação entre Ana (Bárbara Muñoz) - de Barcelona - e Simón (Juan Caballero) - de Madrid -, duas pessoas comuns como tantas outras que procuram um caminho que possa ser comum num mundo em que as distâncias podem complicar o seu futuro.
Esquivel brinda o espectador como uma história que se divide em dois distintos segmentos que, no entanto, exercem uma função de complementaridade entre si expondo, numa dualidade simultânea, a impressão de que apesar das duas histórias estarem a decorrer num espaço que, a mesma, se desenlaça com a distância de duas cidades em espaços opostos de um mesmo país. Se o espectador compreende que os protagonistas estão em cidades diferentes e com vidas profissionais já estabelecidas nas mesmas, é certo que esta viagem num local comum aparenta por diversos momentos estar a ocorrer em espaços distintos das suas vidas. Compreendemos a sua dinâmica em comum, os seus espaços e os seus momentos mas, ao mesmo tempo, existe um distanciamento físico entre ambos que se sente como um terceiro elemento não presente mas participante que os condena a um afastamento quase iminente.
Com uma dinâmica oscilante que opõe dois mundos, duas versões, dois pontos de vista e duas experiências a conviver sob o mesmo tecto (?!), o espectador perde-se sim por Un Par de Ciegos, mas sob a intensa história de cumplicidade criada entre "Ana" e "Simón" perdidos entre os seus mundos individuais e a possibilidade de criar um novo onde as suas experiências sejam partilhadas e percorridas sob uma mesma estrada.
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8 / 10
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José Fonseca e Costa

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1933 - 2015
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Todo lo que Dices que Soy (2014)

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Todo lo que Dices que Soy de Guillermo Florence é uma curta-metragem espanhola de ficção que leva o espectador até Gonzalo (Ivan Massagué), um empregado de hotel que encontra Bea (Marta Larralde), escondida debaixo de uma cama com amnésia e fugida do seu própria casamento.
Poderá Gonzalo convencer Bea que ela é o amor da sua vida antes que todos os convidados a encontrem?
Florence cria o argumento desta curta-metragem levando o espectador a uma improvável aventura... debaixo de uma cama. Poucos são os momentos desta história que o transportam para um qualquer outro lugar deixando-se, quase exclusivamente, transportar para o chão debaixo de uma cama tendo todo o mundo à sua volta passado pelas suas cabeças... e os quais só "reconhecem" pelos seus sapatos e vozes. Nada, para lá de "Gonzalo" e "Bea" existe. Aquilo que o espectador depreende de imediato é que o casamento de "Bea" está longe de ser perfeito, calculado ou esperado na medida em que a própria, devido a stress, desconhece tudo o que se passa ou mesmo reconhece alguém que com ela deveria estar a partilhar o "momento mais feliz da sua vida". Não, naquele momento "Bea" partilha apenas o seu espaço com "Gonzalo"... o empregado do hotel.
As suas incertezas instalam-se muito rapidamente principalmente quando ele começa a revelar histórias de um potencial passado - por ele imaginado - e que os unem pela potencialidade de uma perfeição que, percebemos, nem um nem o outro alguma vez experimentaram. O amor que se desenvolve - ainda que imaginado - começa lentamente a ganhar forma e a compôr-se como uma realidade que, na realidade, não existe. As suas vontades parecem transformar-se em desejos e apenas o silêncio pactuante de "Bea" parecem poder confirmar que sim... estão ambos a viver uma futura (mas passada) transformação nas suas vidas.
À sua volta ambos só encontram o silêncio na cumplicidade de um olhar ou naquele que ao qual têm de se remeter para que a sua posição e história não sejam descobertas. Enquanto todos desesperam à procura de "Bea", "Gonzalo" desespera pela potencialidade da sua perda, e as histórias "passadas" que lhe conta mais não são do que profundos desejos que talvez possam nunca ser confirmados.
Desta improvável mas ao mesmo tempo terna história de amor, permanecem junto do espectador alguns olhares, algumas trocas de um carinho e uma cumplicidade difíceis de encontrar em cinema - principalmente quando ele é em formato curto onde tudo tem um tempo marcado para "acontecer" -, e duas intensas e esperançosamente ternas interpretações que conquistam o espectador ao ponto do próprio se esquecer que, para lá da parte de baixo daquela cama, existe todo um mundo que ambos conhecem mas que, ao mesmo tempo, os distancia e os transporta para os seus próprios recantos.
De uma invulgar história de amor tem tudo e, talvez por esse motivo, se instale no espectador como um drama romântico, com diversos apontamentos de comédia mas sobretudo uma história cheia de coração, imaginação e sobretudo muita magia.
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8 / 10
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