sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mouse-X (2014)

.
Mouse-X de Justin Tagg é uma curta-metragem inglesa de ficção e mistério sobre Anderson (Justin Lee), um homem que acorda num edifício desconhecido sem qualquer ideia de onde está ou sobre a forma como ali chegou.
À medida que investiga a sala em que se encontra, Anderson percebe que não está sózinho naquele espaço e que, tal como ele, muitas outras pessoas atravessam a mesma situação mas... e se de repente percebesse que não são outras pessoas?
O realizador e argumentista Justin Tagg cria uma história original e cativante na medida em que surpreende o espectador em primeiro lugar pela sua repetição de acontecimentos que o obrigam estar num constante retrocesso dos factos mas que, ao mesmo tempo, transportam um elemento novo e desafiante que antecedem um desfecho imprevisto.
A memória sempre difusa daquelas sucessivas personaegens que se apresentam apenas lhes permite relembrar um pequeno segmento do passado já vivido pelo(s) seu(s) outro(s) "eu" e reagir aos novos acontecimentos com um pequeno conhecimento de causa que apenas confere uns instantes de vantagem. É neste instantes que se define a sua (deles) resistência e inteligência para escaparem ao desfecho de um loop narrativo num espaço que tem tanto de misterioso como de macabro. Assim, aos poucos percebemos que em cada uma daquelas salas se encontram três versões da mesma personagem que sabendo da existência das demais as ignora tendo como único intuito o desenrolar daquilo que já se conhece. No fundo, Mouse-X transforma-se naquela história de auto-conhecimento onde todas as versões existentes de um mesmo "eu" colaboram para a sua auto-sobrevivência mesmo que para tal seja necessário "castigar" uma sua (dele) parte.
No final Mouse-X obriga o espectador a uma sentida reflexão sobre o ponto de ruptura de cada um após uma sucessão de acontecimentos semelhantes e sem uma aparente solução que, ao mesmo tempo, o obrigam a uma rotina aparentemente sem limites e da qual não existe fuga possível.
Curiosa e muito positiva é também a direcção artística de Mark Sutherland, a direcção de fotografia de Hákon Pálsson e a música original de Verbal Vigilante que dão um ar sinistro e muito apelativo a Mouse-X tansformando-a numa das curtas-metragens sensação do género fantástico e com leves traços do saudoso Matrix.
.

.
9 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário