terça-feira, 25 de outubro de 2011

Prayers for Bobby (2009)

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Orações para Bobby de Russell Mulcahy telefilme baseado em factos verídicos com a interpretação principal a cargo de Sigourney Weaver que com este desempenho foi nomeada para o Globo de Ouro, para o SAG e para o Emmy na sua categoria.
Este filme conta-nos a história de Bobby Griffith (Ryan Kelley) um adolescente que assume a sua homossexualidade a uma família religiosa e ultra-conservadora, e encontra na figura da sua mãe Mary (Weaver) uma oposição sem limites. Para Mary esta nova condição do seu filho é abominável e ela não concebe um mundo onde ele será condenado ao inferno, criando assim um distanciamento do filho que o levará a um isolamento sofrido em silêncio e ao seu consequente suicídio.
Este pequeno grande drama familiar tem logo à partida a atenção de muitos cinéfilos, nos quais me incluo, pela participação de Sigourney Weaver que parece estar cada vez mais afastada das luzes da ribalta apesar de ainda estar bem activa (felizmente) na sua profissão. Confesso que só a ideia de a ter uma vez mais de volta ao grande, neste caso pequeno, ecrã, é já motivo de satisfação suficiente. Mais ainda quando depois de ver este filme percebo que estou perante um dos seus grandes desempenhos dos últimos tempos e que, caso tivesse sido feito para cinema e não para a televisão, até arriscaria dizer que estaria aqui a sua quarta (e tão desejada) nomeação a Oscar.
Não só a participação de Weaver é excelente como toda a história em si é digna de um comovente filme que não deixará ninguém indiferença à sua poderosa mensagem e alerta. Como já referi, este filme mostra-nos brevemente o excelente ambiente familiar que existia na casa da família Griffith. Crentes e respeitadores das leis de Deus, uma família unida e com elevada percepção do significado da palavra família, os Griffith deparam-se com a homossexualidade de um dos seus filhos. Esta descoberta leva-os, principalmente à sua conservadora e temente a Deus, mãe que tudo faz para tirar tão impuros pensamentos da cabeça do filho esquecendo-se, por sua vez, da própria dor que causava o mesmo o facto de saber que acima de tudo estava a magoar aqueles que mais amava.
A dar corpo, e digamos alma também, a Bobby temos um notável Ryan Kelley que a todos os momentos em que aparece no ecrã nos brinda com momentos de pura emoção, transmitindo apenas com o seu olhar toda a dor e peso do mundo. Se Weaver foi nomeada para todos os prémios possíveis com esta sua interpretação, é justo dizer que Kelley também o deveria ter sido. Os dois, não actuando sempre em conjunto, fazem a dupla perfeita num filme que em vários momentos emociona o coração dos mais duros.
O jovem que na vida real não suportou a sua dor e achou que a única solução que teria para lhe escapar era o suicídio, tendo assim posto termo à sua própria vida, deixou um legado bem maior do que aquele que alguma vez imaginaria ter. Não só deixou um importante testemunho que ainda hoje permanece importante para as mentalidades que resolvem pertencer a outros séculos sobre o facto de não importar quem se ama, o importante é sim um dia poder dizer que se amou alguém, como também deixou uma verdadeira prova ou teste, à real dimensão do amor que a sua própria família sentia por si. Amor esse que apesar de nunca ter desaparecido andou sim escondido durante algum tempo e só se revelou após a sua trágica morte.
De notar é ainda como a sociedade tão aberta e liberal como a norte-americana (pensamos nós) se mantinha (mantém) ainda tão conservadora ao ponto de se condenar o amor. De notar também como se espelha a palavra de Deus como sendo recriminadora quando ao mesmo tempo se apregoa que "Deus é amor" e que "todos são feitos à sua imagem".
Muitas, e todas elas fortes, são as mensagens que este muito interessante e muito bem representado filme tem e a mais importante, para mim, é o facto de nos transmitir uma ideia que se baseia simplesmente no preconceito de se poder "catalogar" alguém com base em "diz-me quem amas e dir-te-ei quem és" em vez de naquilo que de facto poderá ser importante, ou seja pensar em "diz-me como te amam e dir-te-ei quem és?". Above all things love should be the one and only thing that matters...
Forte é também o discurso final que Mary Griffith (Weaver) faz já bem perto do final deste telefilme. Uma frase em particular despertou-me o interesse e por isso a transcrevi no final deste comentário como sendo a mais significativa de todo este argumento. Antes de verbalizar um "amen" sobre uma ideia como sendo essa a verdadeira palavra de Deus... há que ter especial atenção às crianças que partilham o mesmo espaço. As crianças que em formação individual captam tudo aquilo que os seus progenitores dizem, fazem e aplicam como sendo certo pois são elas que, enquanto adultas, irão praticar, condenar, exercer o que ouviram e viram aplicar em crianças. Somos nós enquanto adultos que as estamos a ensinar e educar sobre o que está certo e errado na vida e elas, um dia mais tarde, irão reproduzir os ensinamentos que lhes damos.
Forte... aliás, muito forte é a mensagem que este filme tenta, e consegue, transmitir, e só é pena que este filme tenha passado quase praticamente não anunciado, pois não só é bom cinema (ok, é telefilme mas ainda assim a palavra-chave é BOM), como é bem interpretado, tem um bom argumento, é baseado numa história verídica e acima de tudo a sua mensagem não deve (não deverá) passar sem ser conhecida.
Sigourney Weaver no seu melhor... por favor volta com mais filmes destes que são imperdíveis.
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"Mary Griffith: Before you echo "amen" in your home and place of worship... Think. Think and remember a child is listening."
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8 / 10
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Snow White (2001)

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Branca de Neve de Caroline Thompson é um telefilme que recria de uma forma algo diferente a intemporal história da Branca de Neves e dos Sete Anões (que aqui são mais seis que sete).
Quanto à história não vale a pena referir nada pois todos conhecem as aventuras dos sete anões que tudo fazem para proteger a integridade daquela princesa fugida de tão malvada madrasta. No entanto é importante referir que existem algumas modificações à história que tão habituados estamos a conhecer, nomeadamente no que diz respeito ao facto de serem realmente sete os protectores da jovem princesa mas que apenas seis são anões... sendo um sétimo um tanto... maior.
De referir ainda a presença do princípe que assume aqui outras formas e do próprio espelho que a malvada raínha "consulta" ter, neste telefilme, vida e personalidade próprias.
Apesar de não ser um filme mau é, no entanto, menor em relação às anteriores versões que foram feitas. A criativdade que aqui assume contornos bem vincados nos aspectos que referi anteriormente dão claramente uma nova perspectiva sobre esta história mas, ao mesmo tempo, retirar alguma beleza à mesma. Que se gabe a inovação mas a história perde no que à magia diz respeito.
A caracterização, apesar de em certos casos ser nova devido à inserção de personagens até aqui desconhecidas, está de parabéns. O mesmo se poderá dizer quanto ao guarda-roupa que mostra um elevado profissionalismo, mas também não seria de esperar outra coisa considerando que é com este género de filmes que este aspecto mais brilha. Os efeitos especiais que não são maus, revelam já mais no final um certo, atrevo-me a dizer, amadorismo ao colocar imagem real e ficcionada juntas notando-se claramente uma sobreposição de imagem.
Gostei de ver Miranda Richardson assumir-se, mais uma vez, como a vilã de serviço. Aprecio esta actriz até em todas as suas interpretações. Torna-as suas e sabemos que dali só vai surgir o melhor e ao fazer de vilã podemos realmente contar com o melhor de todo um filme. Igual elogio vai para Vera Farmiga que numa das mutações de Richardson assume ela o desempenho de vilã, numa rara mas muito enérgica e gélida personificação do mal pelo rosto desta tão angelical actriz. São realmente os pontos altos da representação deste filme.
Como uma breve apreciação final só posso dizer que este não será nem de longe aquele filme que todos irão apreciar. Para muitos desilude, e eu sou um desses, não por estar mal feito (que não está), mas por desconstruir uma história que todos conhecemos e gostamos, modernizando e levando-a por caminhos que não só não estão bem explorados como também não foram bem conseguidos. É simplesmente... diferente. Não pior... mas diferente. E o problema é que essa diferença não foi conseguida da maneira que poderia tornar este telefilme em algo bom, remetendo-o por sua vez para o mediano.
Na maioria dos aspectos técnicos até está bem conseguido mas isso não chega para se tornar num filme referência do género. Agradável, com elementos bem pensados mas muito longe do que poderia ter sido. Um típico filme de família sem muitas ambições.
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6 / 10
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domingo, 23 de outubro de 2011

The Mangler Reborn (2005)

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Mangler Reborn - O Massacre Continua de Erik Gardner e Matt Cunningham é o perfeito filme para se poder dizer que adoramos detestar. Não só é um filme de terror feito como sequela como além disso é feito directamente para o mercado de aluguer que é como quem diz passa "quase" completamente despercebido. Isto claro, até ao dia em que um qualquer canal de televisão o resolve passar às tantas da manhã e assim dizer que tem um ciclo de cinema de terror.
Dito isto temos a continuação da história da máquina que se apodera da mente de um qualquer humano de "segunda categoria", aqui na pele de um canalizador suburbano, e que se diga magnificamente interpretado por Weston Blakesley, que entra num ritual de matança às ordens da respectiva devoradora de carne humana.
Não só assistimos a uns quantos raptos dignos de um filme de terceira categoria que mais vontade de rir dão do que susto, se bem que existe aqui um misto de ambos, como além disso chega uma dada altura que temos um literal banho de sangue e de grotesco que não lembra a ninguém.
Por um lado o filme aparenta logo de início não ser lá grande especialidade, mesmo para o género que representa, no entanto, por outro lado, é certo que é daqueles filmes que nós simplesmente não conseguimos deixar de ver do princípio ao fim (eu que o diga que vi duas vezes quase seguidas).
Os cenários são pobres. Facilmente seriam filmados numa qualquer vivenda abandonada no meio do nada pois é isso que, no mínimo, aparenta a casa onde os reféns se encontram.
Por sua vez o argumento não só é pobre e completamente previsível como recorre àqueles clichés típicos deste género de filmes. Temos uma casa supostamente deserta durante a maior parte do dia mas, note-se que há sempre um "mas", há sempre um ladrão pronto para entrar naquela casa específica e efectuar aí o "assalto do ano", e isto com dezenas de outras casas mais apelativas nas redondezas.
Obviamente que não é uma especialidade mas também não deixa de ser óbvio que é um filme que nos entretém e deixa, não direi bem dispostos mas... satisfeitos como a noite cinematográfica. Não pela qualidade do filme pois na prática, e com o devido respeito para todos os intervenientes, não a tem, mas sim pela capacidade que tem de se tornar um filme que queremos ver. Aquele filme que, como disse logo no início, adoramos detestar.
Tenho a certeza que os fãs do género, e possivelmente apenas e só esses, conseguem perceber exactamente aquilo que pretendo transmitir. Que ninguém vá a pensar que é um filme de terror que irá provocar muitos sustos pois isso... nem de longe.
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2 / 10
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sábado, 22 de outubro de 2011

Intercambio (2010)

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Intercâmbio de Antonello Novellino e Antonio Quintanilla é uma curta-metragem de ficção espanhola que nos transporta para uma pequena vila de interior que se encontra cercada por soldados que a pilham de todos os seus mantimentos deixando assim a população literalmente à fome.
Em tempos de crise e em que tudo escasseia sente-se esta pequena aldeia literalmente a desaparecer... ela e a sua população que aos poucos se reduz. Os militares assumem que vedaram todo e qualquer acesso de e para a aldeia. Para onde irão então os seus habitantes que misteriosamente desaparecem?
Gostei bastante desta curta que mantém do princípio ao fim o mistério e o suspense e consegue ainda assim evidenciar um desespero constante das suas personagens.
Foca acima de tudo os instintos de sobrevivência do ser humano e até onde ele está disposto a ir para conseguir ultrapassar as mais sérias dificuldades. Como o Homem abandona o seu estado dito normal para mostrar o mais sério selvagem que esconde no seu dia-a-dia e que aqui, em circunstâncias extremas, o faz acordar.
Muito boa desde a fotografia às interpretações sem esquecer claro o seu excelente argumento. A única coisa que fico a desejar depois de a ver é que pudesse ter sido uma longa-metragem onde todas as personagens pudessem ter tido um relativamente maior aprofundamento das suas histórias.
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8 / 10
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

The Nines (2007)

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Os Noves de John August tem como trio protagonista Ryan Reynolds, Melissa McCarthy e Hope Davis naquela que é uma história mais "enrolada" e desinteressante do que propriamente apelativa e estruturada.
Gary (Reynolds) é um conceituado actor em rota de colisão com tudo e todos. O seu passatempo preferido quando não filma é o consumo de crack que o leva a estados completamente alterados ao ponto de ser colocado em prisão domiciliária ao mando da sua publicitária Margaret (McCarthy).
É durante esta detenção que Gary encontra bilhetes pela casa de que não se lembra ter escrito. Ouve ruídos estando sózinho em casa e ocasionalmente parece que vê outra imagem sua naquela mesma casa.
Dividido naquilo que se pode chamar de três capítulos, os dois seguintes a esta pequena introdução servem quase unica e exclusivamente como uma explicação do que realmente se passa na parte inicial. Assim, indo de explicação em explicação, o filme que inicialmente até prometia ser algo de interessante acaba por se perder definitiva e literalmente à medida que cada segundo avança.
A explicação de como alguns indivíduos são um 9, que é o mesmo que dizer que está na escala hierarquica abaixo de Deus, e outros estão entre 6 e 8 não convence. Parece que estamos a assistir a uma catalogação das figuras de Estado norte-americanas, as quais precisam de um dado número para saber quem é o seguinte na linha de sucessão. Enfim... muita demagogia e pouca história que, como disse, se perde há medida que o filme avança.
As três histórias que têm aparentemente uma ligação entre si, conseguem tornar-se cada uma pior que a anterior e salvo raros, muito raros, momentos em que alguma coerência parece despertar no meio do "nada", tudo o resto a que assistimos é uma tentativa falhada de intelectualizar uma história que tem muito pouco conteúdo. Aliás... o conteúdo até lá pode estar (perdido), o mal é estar tudo completamente descontextualizado.
As interpretações, à excepção de McCarthy que até consegue dar um ar de sua graça e afirmar-se num filme pobre, são também elas pobres. Ryan Reynolds parece a partir do segundo capítulo, tão perdido quanto nós espectadores. Deambula num filme à custa de meia dúzia de frases feitas e de uma suposta interpretação sensível que não vence e muito menos convence. E Hope Davis vai pelo mesmo caminho não conseguindo convencer ninguém de que é a "bad girl" lá do bairro.
Octavia Spencer, que insiste (ou insistem) em ser a actriz secundária fetiche de muitos filmes interpreta aqui aquele que é possivelmente um dos melhores segmentos do filme, no qual encarna uma prostitua pronta para alucinar com o crack alheio. Tendo graça e fazendo rir, nem isso consegue salvar o filme daquilo que ele é na prática... muito pouco.
Este tipo de filmes com um argumento com potencial que se deixam levar por alguns devaneios intelectuais onde a história tem de ter um qualquer sentido "superior" que poucos vão perceber acabam, normalmente, por se perder nesse próprio enredo e não conseguir dar nem um décimo daquilo que poderiam ter sido. Assim, uma história que até tinha pernas para andar e conseguir seduzir pelo menos um público específico acaba por ser mais aborrecido e desinteressante do que sequer conseguir convencer o público que assiste à sua projecção.
Valer a pena ver... bom... pode valer apenas pela curiosidade, como foi o meu caso, ou então para fãs de algum dos actores envolvidos porque de resto o filme não compensa a atenção que damos ao tempo em que estamos a vê-lo.
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2 / 10
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Zodiac (2007)

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Zodiac de David Fincher, realizador de quem assumo desde já ser admirador, foi um filme que só muito recentemente vi. Desencontrado do filme no circuito de aluguer foi só há bem pouco tempo que o consegui ver à venda e imediatamente comprei. Tardou mas chegou a altura de o conseguir finalmente apreciar.
A história baseada em factos reais conta-nos os acontecimentos que se iniciaram no final da década de 60 e que percorreram os anos já até ao início do século XXI que davam conta da actividade do assassino Zodiac que depois de cometer os crimes enviava longas e detalhadas cartas para os jornais a relatar os factos.
Longe de ser apenas uma história sobre um assassino, é também a história das vidas daqueles que acompanharam de perto tda a investigação sobre a misteriosa identidade deste homem que conseguiu durante todo este perído ludibriar as investigações que foram feitas sobre o caso e especialmente sobre si.
Conhecemos Paul Avery (Robert Downey Jr.), o principal reporter a investigar este caso que pela incapacidade de comprovar a verdadeira identidade do assassino acabou dependente do alcoól e na ruína. Temos ainda uma outra figura central neste caso, ou seja, David Toschi (Mark Ruffalo), o polícia que investigou de bem perto este caso, que chegou a ter o verdadeiro culpado sob interrogação e vigilância mas que, por meios retrógrados e inquestionáveis o teve de deixar seguir a sua vida. E finalmente temos o terceiro mas não menos importante interveniente Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), o cartoonista que na sombra assistiu a todas as investigações mas que se tornou no homem que conseguiu de facto provar a identidade de tão monstruoso assassino.
Este filme que na prática nos relata todo o processo de investigações, quer policias quer jornalisticas e privadas, que se arrastaram durante praticamente três décadas, os seus sucessos e ineficácias, atrasos, medos constantes por parte dos envolvidos em receber mais uma carta com relatos de uma mente bem perversa, é no fundo bem mais do que isso.
Aqui sim assistimos a essas investigações mas como pano de fundo temos os resultados práticos que as mesmas tinham nas vidas daqueles que as efectuvam. Vidas solitárias que se corrompiam pelo alcoól, famílias que aos poucos se desintegravam graças à obsessão em tentar identificar e deter um homem que a qualquer momento ameaçava cometer outro(s) assassinato(s) e também assistimos à destruição de sólidas e bem estabelecidas carreiras que ficavam ameaçadas por pequenos actos que os tornavam a eles suspeitos de alimentar um caso que deveria ser encerrado.
Os dramas humanos que começavam a afectar as vidas destes homens tanto devido à difícil resolução do caso como pelo desgaste a que eram diariamente sujeitos torna-se aos poucos o principal elemento deste, arrisco dizer, grande filme. As diversas histórias destas homens bem como a investigação policial efectuada conseguem interligar-se de uma forma perfeitamente natural onde o trágico destino destas pessoas acaba por ser quase tão dramático como o destino daqueles que morreram às mãos deste assassino.
Gostei particularmente da interpretação deste trio de actores que são bons naquilo que fazem mas que às mãos do génio que é David Fincher ganham uma nova dimensão para as suas capacidades. Interpretações que começam quase alvas e cheias de esperança, de justiça e de sonhos e que muito rapidamente se deixam embrenhar pelo lado mais negro da vida... ganham uma dimensão demasiadamente real e humana típica da sociedade actual e dos meios em que viviam. Estranho como este filme que era apontado como um dos preferidos aos Oscars não obteve nem uma única nomeação para os mesmos. Não que isso tire importância aos filme ou às interpretações que o compõem mas, verdade seja dita, elas por vezes ajudam a abrilhantar um pouco mais as mesmas.
Gostei igualmente da perfeita conjugação entre direcção artística e fotografia que a partir de dado momento dá ao filme uma dimensão acentuadamente negra estabelecendo assim uma clara ligação entre o desespero e falta de esperança em descobrir quem era o homem por detrás daqueles assassinatos. Notamos perfeitamente durante o filme que algo muda no ambiente. Inicialemente temos a imagem em tons carregados mas desprovidos de vida e aos poucos passamos a ter um filme negro com sombras e pontos "mortos" que espelham o vazio e o desconhecido. Exactamente aquilo que as personagens sentem e aquilo que nós deveremos (deveríamos) sentir. Francamente muito bom.
Demorou para assistir a este filme mas a verdade é que valeu com toda a certeza a espera. David Fincher não desilude em nada e continua com uma carreira, a meu ver, imaculada. Gostemos mais de uns e menos de outros dos seus filmes, mas a realidade é que acabamos por não ficar indiferente a nenhum deles e percebemos claramente que é ele que está por detrás das câmaras.
Intenso, como a grande maioria da sua filmografia, este filme é indispensável. Aqueles que como eu ainda não tinham assistido... não percam mais tempo pois temos aqui um verdadeiro e genuíno thriller que em muitos momentos nos consegue realmente angustiar.
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"Robert Graysmith: Just because you can't prove it doesn't mean it isn't true."
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8 / 10
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dime que Yo (2008)

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Dime que Yo de Mateo Gil é uma curta-metragem de ficção espanhola vencedora do Goya na respectiva categoria e que tem Fele Martínez como actor principal.
Esta curta começa quando Ele (Martínez) e Ela (Judith Diakhate) acabam as relações que têm e estabelecem o primeiro contacto visual. A partir deste momento temos um reflectir sobre o que os levou a essa situação e aquilo que esperam sentimentalmente do futuro.
É uma curta interessante onde qualquer um de nós se pode rever em determinados comentários dependendo da situação em que cada um, ou uma, se encontra.
Interessante e bem executada esta curta realizada por Mateo Gil que é um dos mais intensos colaboradores de Alejandro Amenábar.
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7 / 10
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

La Vie est un Roman (1983)

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A Vida é um Romance de Alain Resnais tem aquilo que se pode chamar de elenco de luxo onde se destacam, por exemplo, as figuras de Vittorio Gassman, Geraldine Chaplin, Fanny Ardant, Pierre Arditi, Sabine Azéma e André Dussollier numa história que se divide em três distintos actos.
O primeiro transporta-nos para o período pré e pós-Primeira Guerra Mundial onde o Conde Michel Forbek (Ruggero Raimondi) pretende construir um castelo no meio da floresta onde uma nova sociedade baseada apenas na paz e no amor irá florescer.
O segundo acto deste filme transporta-nos para o mesmo castelo mas na actualidade (à altura da realização do filme) que agora é uma escola na qual irá decorrer uma conferência muito moderna sobre os inovadores métodos de ensino onde se destacam os professores Walter Guarini (Gassman), Nora Winkle (Chaplin) e Élisabeth Rousseau (Azéma).
Finalmente o terceiro e último acto decorre ao mesmo tempo que a conferência toma lugar na escola/castelo e é encetada por alguns dos seus alunos que imaginam uma história medieval de príncipes e princesas e libertação de prisioneiros das masmorras.
Sendo um admirador confesso desse grande actor que é (ou foi...) Vittorio Gassman, a minha curiosidade por este filme que coloca o seu nome em destaque era assumidamente imensa. Queria rever este actor num filme onde desempenhava uma interpretação protagonista e, pensava eu, admirar a classe com que o faz(ia). No entanto, as intenções por muito boas que sejam acabaram por não corresponder em nada à realidade daquilo a que aqui assisti.
Por muito respeito que tenha para com o trabalho dos mais variados realizadores independentemente de ser ou não de meu agrado, esta obra de Alain Resnais por boas intenções que também ela tenha, traduz-se num perfeito e quase absoluto disparate.
É inevitável não fazer a devida referência às intenções sobre uma nova sociedade onde a paz e o amor reinassem bem como aos claros sinais de uma nova educação que facultasse às seus alunos novos desafios e novas fronteiras (ou a inexistência delas) mas ao contrário do que o título do filme indica a vida não é de facto um romance e as realidades são realmente outras.
A realidade é que este filme com tanta vontade de estabelecer várias histórias que de uma ou outra forma se deveriam interligar, acaba por ter duas histórias que se desenrolam em períodos distintos e nenhuma delas acaba por ser devidamente explorada ou sequer ter o interesse que poderia ter. Deambulamos assim entre os anos decorridos entre 1914 e 1918 e por outro lado estamos novamente no início dos anos 80 sem haver grande lógica ou ligação entre os acontecimentos que se iam sucedendo à excepção claro está, de se desenrolarem ambos no mesmo espaço físico.
Como se esta descoordenação não bastasse, o que é certo é que muitos dos momentos que se esperam mais sérios são tratados musicalmente onde os actores, ou por não estarem preparados ou simplesmente por não terem dotes vocais, embarcam numa cantoria sem fim e sem qualquer sentido ou graciosidade.
Este filme foi uma perfeita desilusão quer pelo seu argumento que esperava ser muito melhor, quer principalmente pelo conjunto de actores de quem esperava desempenhos muito superiores, ou pelo menos iguais àqueles a que nos (me) habituaram.
Perfeitamente dispensável, este filme torna-se absolutamente insuportável ao final de meia hora decorrida da sua história.
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1 / 10
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Em homenagem...

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a Jafar Panahi
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Porque a censura (sob qualquer forma) NÃO DEVE existir, ser permitida ou tolerada.
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(aproveito a excelente foto que faz capa do Ípsilon)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

New Boy (2007)


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New Boy de Steph Green é uma extraordinária curta-metragem de ficção irlandesa nomeada ao Oscar na sua categoria que nos mostra o primeiro dia de aulas de um rapaz vindo de África para a Irlanda e onde tem de se adaptar a novos rostos, novos hábitos e sobretudo à ideia de já não ter o seu pai que, por dedução sabemos ter sido morto por rebeldes.
Aquilo que acho de mais extraordinário nesta curta é a sua fluidez entre presente e passado, revisto através de flashbacks, e a contínua capacidade dramática que é traduzida pelo olhar daquele jovem rapaz.
Com uma história emocionante e com um desfecho de quebrar o coração onde o poder do riso é mais uma vez a prova de que todas as barreiras podem ser ultrapassadas.
Simplesmente magnífica.
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9 / 10
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domingo, 16 de outubro de 2011

La Gran Aventura de Mortadelo y Filemón (2003)

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Mortadela e Salamão - A Grande Aventura de Javier Fesser foi, desde que tive conhecimento da sua produção, um filme que quis ver. Não me saía da memória a banda-desenhada que durante os anos 80 e 90 me tinham chegado à mão e até mesmo o jogo do tão saudoso Spectrum que me fizeram tanto rir e divertir nessas maravilhosas tardes.
O ditador de Tirania, de seu nome Calimero (Paco Sagarzazu) roubou a nova arma DDT e o Súper (Mariano Venancio) quer que os seus dois melhores agentes Mortadelo (Benito Pocino) e Filemón (Pepe Viyuela) a recuperam custe o que custar.
Conhecendo a banda-desenhada aquilo que podemos esperar desta história é não só um conjunto de aventuras perfeitamente alucinantes como diversão e comédia a todo o gás. No entanto nem sempre tudo é como deveria ser.
É certo que o filme tem em termos de comédia momentos engraçados que quer pelo ridículo quer pelo absurdo nos conseguem arrancar alguns sorrisos mas, no entanto, não são aquilo que esta história poderia inicialmente permitir. Rimos exactamente por ser absurdo... não porque os momentos consigam ter realmente graça.
A magia que rodeava este conjunto de histórias era muita. Todos aqueles que como eu liam a banda-desenhada há largos anos atrás sabem que não estou simplesmente a exagerar. As histórias eram deliciosas e faziam-nos sempre esperar com ansiedade pelo próximo volume. Com este filme passamos boa parte do tempo a pensar quando é que o filme terminará pois chega o momento em que já é demais aquilo a que assistimos. Satura... não alegra.
Este exagero e absurdo também tem, no entanto, alguns factores positivos nomeadamente se pensarmos no que diz respeito aos efeitos especiais e à caracterização. Aqui o filme está, não direi imbatível, francamente bom. Que o comprovem os merecidos Goya que premiaram respectivamente José Antonio Sánchez e Paquita Núñez na caracterização e Raúl Romanillos, Pau Costa, Julio Navarro e Félix Bergés nos efeitos especiais.
Vale a pena ver este Mortadela e Salamão - A Grande Aventura, no entanto para aqueles que como eu já conheciam a banda-desenhada o filme acaba por ser uma grande desilusão por não conter a mesma magia e sentido de humor que a palavra escrita nos conseguiam transmitir. Ainda assim, e apenas pela curiosidade, vale sempre a pena ver. Talvez aqueles que não tenham qualquer tipo de contacto com a banda-desenhada o filme constitua uma agradável surpresa... mas só para esses.
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2 / 10
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Caminhos do Cinema Português 2011

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Foram seleccionadas as seguintes longas-metragens para a edição deste ano:
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A Morte de Carlos Gardel, de Solveig Nordlund
América, de João Nuno Pinto
Cisne, de Teresa Villaverde
Estrada de Palha, de Rodrigo Areias
O Barão, de Edgar Pêra
Quinze Pontos na Alma, de Vicente Alves do Ó
Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
Sonho de Verão, de Paulo César Fajardo
Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut
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sábado, 15 de outubro de 2011

Logorama (2009)

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Logorama de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain é uma extraordinária curta-metragem de animação vencedora do Oscar na sua categoria que nos dá uma imagem de uma Los Angeles inteiramente recriada à base de logotipos das mais variadas marcas internacionais.
Nesta Los Angeles assistimos a uma intensa perseguição policial, onde o palhaço da MacDonald's é o criminoso de serviço, no momento em que se dá um violento tremor de terra na cidade que fará a California finalmente separar-se do resto do continente Americano.
Bem divertida e com momentos de pura adrenalina e acção esta curta justa vencedora do Oscar não deve deixar de ser vista. Imperdível.
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8 / 10
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

The Artist (2011)

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O Artista de Michel Hazanavicius desde que foi anunciado como um dos filmes a passar na Festa do Cinema Francês no Cinema São Jorge em Lisboa que sabia não poder perder. Não só sabia que além de ter concorrido à Palma de Ouro na última edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes como também havia ganho o Prémio de Interpretação para Jean Dujardin, também tinha visto o seu trailer internacional que de imediato coloquei como um dos melhores do ano e altamente apelativo para os espectadores.
Corri de imeadiato para a bilheteira e comprar o bilhete sendo que não existiam já para a carimónia de abertura mas sim para o dia seguinte... Bom pensei que o importante era ainda existirem bilhetes... a sala era algo secundário. Não podia estar mais enganado quando constato que vou ver na maior sala do cinema e tornando assim a minha experiência com este filme verdadeiramente única.
A história deste filme remete-nos para uma Hollywood(land) de 1927 onde surgia o advento do cinema sonoro e assistimos à vida de uma glória do cinema mudo na personagem de George Valentin (Jean Dujardin). Este actor, um dos mais importantes da época cruza-se por um acaso com Peppy Miller (Bérénice Bejo) que em pouco tempo se irá tornar numa estrela em ascenção do cinema sonoro. Assistimos assim à ascenção e queda de duas personagens que partilham a mesma paixão para o bem e para o mal.
Se fosse resumir o filme apenas a esta curta e breve descrição não iria fazer a devida justiça à obra magnífica que ele realmente é. Muitos tremeram com a ideia de ver um filme a preto e branco esquecendo a mestria com que, por exemplo, foi filmado A Lista de Schindler. Pior ainda ficaram quando juntamente com o facto de ser filmado a p&b era ainda um filme... mudo. É verdade... Este muito antecipado filme que venceu um dos mais importantes prémios de interpretação do mundo era filme mudo e a preto e branco.
As primeiras imagens deixam-nos um ambiente que só recordamos daqueles filmes já bem antigos de Charlie Chaplin que há largos anos passavam na televisão e inesperadamente começamos a sentir uma empatia sem limites pelo filme. Muito também, e há que dizê-lo, graças à imensa simpatia que criamos com a personagem criada por Jean Dujardin e com o seu cão, fiel amigo que o acompanha não só na vida pessoal como profissional.
Passados poucos minutos da exibição deste filme esquecemo-nos que estamos a assistir a um filme mudo. O poder das imagens, dos olhares, dos gestos e a representação de nível superior com que todos os actores nos brindam é de facto puro deleite que nos é servido quase numa bandeja.
Jean Dujardin compõe realmente aquela que será a interpretação da sua vida, ganhe ou não mais prémios de interpretação. A emoção que nos transmite, inicialmente de jubilo e aos poucos de dor e sofrimento, transparece pelo seu olhar que se torna triste à medida que o filme avança. A dor que nos transmite quando sonha que o cinema sonoro está à porta e que ele pode ficar ultrapassado, onde tudo tem som menos a sua voz, é algo de cortar a respiração. E mais ainda, no tocante e comovente momento em que vê a sua imagem refletida numa montra em que o fato lá exposto lhe faz recordar os seus tempos áureos é no mínimo avassalador. Não menos que o comentário, não transposto para o ecrã mas perfeitamente compreensível, que o polícia tem com ele nesse momento. Aí sim sentimos o quão injusto é o mundo que tudo nos deu e tudo nos tirou.
A interpretação feminina principal a cargo de Bérénice Bejo, como Peppy Miller, é igualmente um sonho e completa na perfeição a condição de par romântico com Dujardin. Peppy é uma doce mulher que vivia enquanto fã uma paixoneta secreta pelo maior actor do cinema mudo, George Valentin. Um acaso junta-os e a dinâmica existente entre os dois é imediata. Sentimos a química, a empatia, a confiança, a cumplicidade entre ambos e esperamos ver aquilo que desde cedo parece inevitável. Enquanto George entra numa espiral descendente na importância que ocupava na Hollywoodland de 1927, Peppy, por sua vez, torna-se na actriz sensação que todos querem ver. Mas ela nunca o esquece. É ela que, mesmo na sombra, acompanha a sua queda e o esquecimento em que o nome de George Valentin cai.
A dinâmica entre estes dois actores, e entre estas duas personagens, é de tal forma grande que o filme quase poderia funcionar apenas com os dois. Os demais actores, entre os quais se destacam John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller e Malcolm McDowell numa participação especial, apesar de terem a sua importância e serem de facto indispensáveis para a acção, apenas completam e enriquecem aquilo que os dois actores principais compõem. Por mais ou menos secundárias que sejam as suas interpretações elas de facto fazem dele um filme de actores.
É impossível não comentar a originalidade que Michel Hazanavicius trouxe com este filme ao fazer-nos recordar o "velho", mas imortal, cinema mudo. A ideia não só é original como mostra que as origens do cinema estão tão vivas e presentes hoje como na altura. A evolução afastou-nos do cinema mudo e hoje é quase impensável não termos um filme onde escutamos todos os sons que estão a compôr um dado momento ou uma certa fala no entanto aqui somos forçosamente obrigados a ver os olhares e as expressões que realmente valem mais do que mil palavras. Esses olhares e expressões transportam-nos para um mundo e dor e incerteza, de alegrias e de tristezas. De amor, de cumplicidade, de pena, de mágoa e também para um mundo de sonhos e esperanças tão característicos do daquilo que o cinema representa.
Não existiu um momento em que durante este filme eu pensasse como menos bom. Todos eles estão tão harmoniosamente dirigidos e representados que este é daquelas pérolas que muito ocasionalmente nos aparecem. É daqueles filmes que serão certamente falados durante muitos anos e que, um dia mais tarde, será relembrado pela sua excelência. Pessoalmente não me espantaria em nada que fosse um dos filmes mais nomeados para a próxima cerimónia dos Oscars e que rendesse ao próprio Jean Dujardin uma nomeação na categoria de Melhor Actor. Não fosse um ano já composto por interpretações muito aguardadas e diria o mesmo a respeito de Bérénice Bejo na categoria de Melhor Actriz. E ambos seriam justos vencedores. Também não me admirava que este fosse dos filmes mais nomeados do ano e que vencesse umas quantas estatuetas (todas elas certamente merecidas).
O maior "defeito" que este filme tem é o terminar... Não direi de que forma pois é uma surpresa tão reconfortante que tem de ser vista para ser compreendida e admirada. No entanto posso referir os momentos que durante este extraordinário filme mais me sensibilizaram. E são dois (na verdade são muitos, mas estes dois destacam-se talvez pelo maior dramatismo retratado)... Um deles é o momento que mais atrás referi em que George Valentin olha os eu reflexo na montra (momento presente no trailer do filme) e relembra os tempos em que era uma glória do cinema. O outro é o desespero final de de Valentin que o leva ao extremo da sua condição mas... onde salva o seu mais precioso bem...
É um filme fascinante, grande demais para meras palavras, surpreendente, inovador, dramático e cómico... É aquele filme para o qual têm de ser postos de lado todos os preconceitos e aceitá-lo como é. Certamente todos os que o fizerem vão amá-lo e perceber que é de longe um dos melhores filmes do ano.
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"Doris: Do you know I feel miserable?
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George Valentin:  So are millions of us..."
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10 / 10
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Late Bloomer (2004)

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Late Bloomer de Craig Macneill transporta-nos para uma sala de aula onde um grupo de adolescentes a despertar para a sua sexualidade têm a primeira aula de... educação sexual.
O realizador Craig Macneill dá-nos um interessante e absolutamente genial retrato deste grupo de adolescentes pela voz e pensamento de um deles que é não só original como consegue congregar na mesma curta um assunto tido como sério contado com todo o poder que só a comédia consegue ter.
Interessante ainda como o "olhar" das duas personagens adultas para com esta temática é do mais recriminador e censurado possível como se a sexualidade de um crime se tratasse.
Absolutamente genial e um das curta-metragens mais originais que vi nos últimos tempos.
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8 / 10
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Les Chiens Isolés (2011)

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Les Chiens Isolés de Rémi Bastie, Nicolas Dehghani, Jonathan Djob Nkondo, Paul Lacolley, Kevin Manach, Nicolas Pegon e Jérémy Pires é uma curta-metragem de animação que nos retrata a vida de um grupo de homens numa plataforma petrolífera.
Quando a solidão e a sensação de imensidão do mar se apodera da mente de um deles... como irá transformar a amizade entre estes homens? Eles que ali num espaço onde têm a imensidão do mar se sentem também cada vez mais afectados pela clausura que a mesma lhes proporciona...
Apesar de achar a curta interessante e as animações bem executadas não posso deixar de pensar que é o tipo de filme que merecia algum tempo mais de duração para explorar algumas das personagens que apenas perdem por não conseguirmos perceber bem o contexto em que vivem e socializam.
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6 / 10
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Le Voyage dans la Lune (1902)

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Viagem à Lua de Georges Méliès que passou na Festa do Cinema Francês justamente antes da estreia d'O Artista, é a mais completa cópia encontrada até à data deste filme do realizador francês.
A história deste filme está quase intimamente ligada à história do próprio cinema. Porquê? Basta pensarmos... um grupo de membros de uma sociedade de geografia reune-se com o objectivo de planearem uma viagem à Lua.
Depois de uma grande discussão inicia-se a construção de uma enorme cápsula que será projectada por um gigante canhão e assim alguns desses homens conseguirem chegar à Lua.
Uma vez lá chegados, depois de acertarem exactamente num dos olhos da Lua, encontram não só um estranho território em nada convidativo e também uma estranha população agressiva e que não os quer lá. Depois de uma intensa fuga regressam à Terra, local de onde não deveriam ter saído. Ou deveriam?
É aqui que reside a tão grande semelhança entre esta viagem e o cinema. Uma viagem dita impossível mas que foi alcançada pelas vontades e caprichos de alguns, tal como o cinema retrata o sonho. O sonhos que tantos homens, tal como aqueles ali ficcionados, tiveram, têm e espero que venham a ter durante muitos e largos anos, em retratar isso mesmo... sonhos. Viagens. Desejos. Ânsias. Medos. Aventuras. Tudo aquilo que possa provocar conhecimento sobre o desconhecido. Sobre o diferente. Sobre o futuro, pois este é feito dos sonhos de hoje. E... Principalmente sobre nós próprios.
Ambientada com uma irrepreensível banda-sonora da autoria dos Air, esta curta-metragem que felizmente deixou de estar perdida é agora um perfeito filme sobre o sonho e a vontade humana, e de como ambos estão tão intimamente ligados.
Esta curta foi a perfeita abertura para uma grande noite.
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8 / 10
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Le Moine (2011)

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O Monge de Dominik Moll reune dois nomes grandes do cinema europeu em interpretações que são um pouco fora do normal de se verem para os mesmos... Vincent Cassel e Sergi López.
Este filme que teve a sua antestreia nacional no âmbito da Festa do Cinema Francês no Cinema São Jorge em Lisboa, conta-nos a história do Monge Capuchinho Ambrósio (Cassel) que é um fervoroso devoto com um imenso dom da palavra e um carisma intocável que faz arrastar multidões para os seus discursos.
Educado toda a sua vida com os hábitos e costumes do mosteiro na porta do qual fora abandonado recém nascido, Ambrósio pensa estar a salvo de todas as tentações que poderiam cruzar o seu caminho. O problema reside na chegada de um misterioso noviço que vai tentar e testar todas as convicções e fraquezas de Ambrósio.
Depois de ter visto Harry, o filme que tornou o nome de Dominik Moll num peso pesada da cinematografia francesa e europeia, as expectativas para este O Monge eram de facto grandes. Se juntarmos a isto o facto de ser interpretado pelo grande actor que é Vincent Cassel, então a curiosidade era enorme e quase incontrolável.
O filme tem tudo para resultar... Uma boa dupla entre actor principal e realizador, um conjunto notável de secundários entre os quais se destaca Sergi López, o Harry, e claro está o "simples" facto de ser um filme de época com tudo o que isso acarreta, desde um magnífico guarda-roupa, fotografia e cenários onde se desenrola o filme sem esquecer o facto de ser uma história com marcados contornos góticos que torna todo o ambiente bastante sombrio e tenebroso. Resumindo uma longa história... este filme tinha de estar au point.
O problema está exactamente aqui... Tinha de estar mas não está. Considerando que é um filme de época obviamente não podemos esperar que seja uma história ultra-movimentada onde a acção supera o contúdo do argumento, no entanto aquilo com que aqui somos confrontados é, no fundo, um filme excessivamente reflexivo, tal como as tentações a que o monge é sujeito, mas enquanto ele na história cede, nós, pelo contrário, não conseguimos ceder e criar uma grande empatia com aquilo que vemos.
Falta algo... falta um pouco da loucura que sentimos em Harry e aquele lado onde um inocente é lavado ao lado mais sombrio da natureza humana. Aqui, a existir essa passagem, acaba por se tornar algo óbvio de mais... é esperado... é quase consentido e assumido pelo espectador. Nós no fundo sabemos o que vai acontecer.
A nível técnico e estético o filme é irrepreensível. Todos os elementos se encontram a um nível superior onde não podemos sequer pensar apontar o dedo, no entanto acabam por ser esses mesmos aspectos que "salvam" o filme e não tanto a história que deveria ser envolvente. Ao sabermos que os pecados vão lá estar e aos quais irão existir cedências, não existe qualquer compaixão para perceber que aquele monge foi (é) uma vítima, antes pelo contrário sabemos que é aquilo que ele quer e vai fazer.
A química existente entre os actores e deles para com a história acaba por ser quase superficial sendo que, há que dizê-lo, Cassel é também ele irrepreensível na sua prestação confirmando mais uma vez (como se tal ainda fosse preciso) a sua excelência. Não me espantaria que no próximo ano recebesse uma nomeação ao Cesar na categoria de Actor, bem como as categorias técnicas fossem também elas nomeadas e algumas vitoriosas.
Quanto ao filme em geral... Não é de fácil visualisação nem tão pouco será um filme que fique para "depois". Ainda assim é de vez e tirar conclusões próprias pois estou certo que muitos irão achar existencialista ou uma confirmação de que a carne é, realmente, fraca.
Não pelo filme, mas mais pelos espectadores que se encontravam naquela enorme sala... tenho igualmente a dizer que é de muito mau gosto abandonar o filme a meio... Quer se goste quer não, só se descobre isso depois de o ver.
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6 / 10
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domingo, 9 de outubro de 2011

Cierresse (2011)

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Cierresse de Luca Murri, ou CRS para os amigos, é uma curta-metragem que nos mostra um Centro de Recuperação de Super-heróis ou será antes um Centro de Recuperação para Doentes Mentais?
Depois de ver esta curta italiana aquilo que fez pensar foi que se a curta já está interessante, teria sido muito melhor como uma longa-metragem para um maior desenvolvimento destas personagens que teriam muito mais para dar e enriquecer ainda mais o filme.
As ideias, que até estão presentes, bem como o argumento, conseguem ser interessantes e inovadores. Por ele sentimos alguma empatia e a graça e a comédia estão lá subjacentes mas o problema é mesmo a limitação de tempo que, como disse, corta um pouco o desenvolvimento que estas personagens poderiam ter conseguido alcançar e ter podido chegar a uma muito bem conseguida comédia.
Como disse, curta de duração, e merecia ter mais algum tempo... vale, no entanto pelas intenções bem conseguidas... ainda que por vezes nos fique sempre a vontade de querer ver mais caso existisse tempo para a exploração do argumento e consequentemente das personagens que se percebe terem claramente muito mais para dar.
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6 / 10
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sábado, 8 de outubro de 2011

Visionary Iraq (2009)

Visionary Iraq de Gabriel Abrantes e Benjamin Crotty é uma curta-metragem portuguesa que nos conta a história de dois irmãos que mantêm uma relação amorosa secreta.
As duas personagens, irmão e irmã, são interpretados pelos próprios realizadores onde, no caso feminino, pintam a cara do realizador para interpretar uma mulher africana... e mal (tanto a pintura como a consequente interpretação... se é que se pode chamar de tal).
Ao ver esta curta-metragem assustei-me. E assustei-me pelo facto de ser algo francamente pobre e muito mal feito. Que me desculpem os dois realizadores mas isto em termos visuais, interpretativos, de caracterização é, no mínimo e para ser simpático, puro lixo televisivo.
O argumento, também da autoria de ambos, é algo até com algum potencial e que poderia dar vida a uma trama interessante e entusiasmante para o espectador. No entanto, nada em tão curto espaço de tempo foi feito com tão pouca qualidade.
Perfeitamente dispensável e sem qualquer qualidade notória à vista esta é daquelas curtas que tinha ganho muito... em não ser feita.
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(pelo único facto de não atribuir zeros na classificação) <-- 1 / 10
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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Come Early Morning (2006)

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Amargo Amanhecer de Joey Lauren Adams despertou o meu interesse por dois motivos concretos. O primeiro prende-se obviamente com a presença de Ashley Judd na interpretação principal. O segundo com o facto de Roger Ebert, o maior crítico de cinema da actualidade, dizer que este é o seu melhor desempenho de sempre.
Lucy (Judd) é uma mulher nos seus trinta e poucos anos que não acredita no amor. Todos os dias que sai acaba por deitar-se com um homem diferente e de manhã fugir sem sequer trocarem uma palavra. Mantém relações de família com os avós e uma muito ocasional relação com o seu pai.
Lucy é essencialmente uma mulher só. Que está só. Que vive só e afastada de qualquer tipo de relação que lhe pudesse dar uma estabilidade emocional.
É certo que a maioria dos filmes a que assisti com a participação desta actriz são, essencialmente, de acção e onde os seus dotes dramáticos poderiam à partida não ser os melhores. Este, tido como um drama, seria aquele onde eu esperava encontrá-la no seu melhor e onde o seu potencial dramático atingisse um nível bem superior àquilo que tenho visto até à data.
Não sendo um filme menor, pois acaba por nos dar uma interessante perspectiva sobre uma mulher que não acreditando no amor o procura desesperadamente no seu silêncio interior, também não é aquele filme pelo qual esperamos ansiosamente ver uma actriz de quem gostamos dar a sua melhor interpretação de sempre.
Ashley Judd tem aqui uma interpretação amarga. Amarga no sentido de que consegue interpretar bem aquele sentimento de uma pessoa que não querendo nada de ninguém acaba por esperar que alguém lhe dê tudo. Alguém que a faça sentir uma pessoa desejada, querida e especialmente amada. Alguém que a faça sentir presente no local onde está. No fundo pretende obter o amor que junto dos seus não conseguiu obter.
Todas as demais personagens são satélites de Lucy. São pessoas que giram à sua volta apenas para confirmar que no meio de tantos ela acaba por se encontrar sózinha. São todas estas personagens que nos mostram que ela apenas se limita a estar lá desprovida de qualquer personalidade própria apenas com o intuito de ajudar os outros a cumprir as suas tarefas sejam elas quais forem.
A falta de amor próprio que Lucy sente impede-a não só de ser amada e respeitada pelos seus como principalmente por aqueles que dela se aproximam com a intenção de a conhecer como ela é e pelo que ela é. A sua solidão sente-se a cada momento que ela aparece no ecrã. Sózinha em família, com um conjunto reduzido de amigos que ela própria por vezes nem os reconhece como tal e sem ninguém que lhe dê o amor que ela própria acha e sente não merecer.
É um facto que achei esta história interessante e com potencial suficiente para este se poder transformar num bom filme. Um filme feito para uma actriz com um potencial imenso e ainda não devidamente aproveitado brilhar por ela própria. Um complemento perfeito entre ambos... No entanto há algo que falha no filme. Há algo que não consegue despoletar aquela empatia entre ambos e, por sua vez, para connosco enquanto espectadores. Claramente percebemos que é uma interpretaçã forte e não digo a melhor mas uma das mais elaboradas desta actriz mas, no entanto, comparativamente com outras suas interpretações em filmes como Beijos que Matam ou A Voz do Coração, este fica a umas quantas milhas de distância.
Tim Orr, o director de fotografia, consegue no entanto ser um dos pontos fortes do filme ao transformar toda a luminosidade e ambiente ao longo deste filme tão opaco e "morto" como as próprias expectativas que a personagem de Ashley Judd tem para si própria conseguindo já bem no final transformar essa mesma luz em algo mais claro e distinto numa clara e óbvia representação que a vida daquela mulher está, finalmente, prestes a mudar.
Sei com segurança que este filme não é um daqueles em que pensamos ter perdido parte do nosso tempo. No entanto, sei igualmente que depois de o vermos esperamos que ele pudesse ter sido algo bem maior digno do empenho que esta grande actriz que é Ashley Judd realmente merecia.
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6 / 10
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Audição (2009)

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A Audição de Francisco Campos e Henrique Bagulho é uma curta-metragem de ficção com a participação de Mário Redondo e José Wallenstein nas interpretações principais.
Filipe (Redondo) é um actor demasiadamente centrado na sua pessoa... quando a Morte (Wallenstein) reclama a sua vida através de uma última audição será que Filipe o consegue enganar?
Interessante curta-metragem feita por alunos da Universidade Lusófona, o único aspecto menos positivo que lhe noto é alguma deficiência no som.
Original e com um trabalho de fotografia bastante agradável da autoria de David Tutti dos Reis, esta é uma curta a ver e a reter pela sua qualidade.
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7 / 10
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Festa do Cinema Francês 2011

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Nomeados ao Prémio do Público:
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De Vrais Mensonges, de Pierre Salvadori
Demain?, de Christine Laurent
Et Maintenant on va où?, de Nadine Labaki
Impardonnables, de André Téchiné
Incendies, de Denis Villeneuve
La Source des Femmes, de Radu Mihaileanu
Le Dernier Vol, de Karim Dridi
Le Moine, de Dominik Moll
Les Femmes du 6ème Étage, de Philippe Le Guay
The Artist, de Michel Hazanavicius
Un Amour de Jeunesse, de Mia Hansen-Love
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Steve Jobs

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1955 - 2011
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Sobre Vivência (2009)

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Sobre Vivência de João Azevedo e Luís Lobo é uma curta-metragem feita como projecto da licenciatura de cinema da Universidade Lusófona que conta a participação de Glória de Matos e Francisco Pestana, dois já conceituados actores, e com Ricardo Borges na interpretação principal.
Esta curta conta-nos sob diferentes olhares o que é este conceito, aqui tido com dois diferentes significados, de sobrevivência... ou sobre vivência. Com os diálogos do conjunto de actores podemos ter um olhar sobre a vivência de diferentes formas e, como esta, acaba por ser sobre a sobrevivência de cada um deles.
Interessante, um trabalho de fotografia bastante bom da autoria de Leandro Ferrão e o regresso de uma glória da interpretação nacional, ou não me referisse à excelente Glória de Matos, a uma prestação em cinema que em muito me agrada (pena é não aparecer ainda mais).
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7 / 10
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Oscars 2012: Submissões a Filme Estrangeiro

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Submissões ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (filmes estreados entre 01 de Outubro de 2010 e 30 de Setembro de 2011):
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África do Sul - Skoonheid, de Oliver Hermanus

Albânia - Falja e Gjakut, de Joshua Marston
Alemanha - Pina, de Wim Wenders
Argentina - Aballay El Hombre sin Miedo, de Fernando Spiner
Áustria - Atmen, de Karl Markovics
Bélgica - Rundskop, de Michaël R. Roskam
Bósnia-Herzegovina - Belvedere, de Ahmed Imamović
Brasil - Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro, de José Padilha
Bulgária - Тилт, de Viktor Chouchkov
Canadá - Monsieur Lazhar, de Phillipe Falardeau
Chile - Violeta se fue a los cielos, Andrés Wood
China - The Flower of War, de Zhang Yimou
Colômbia - Los Colores de la Montaña, de Carlos César Arbeláez
Coreia do Sul - The Front Line, de Jang Hung
Croácia - Sedamdeset i dva dana, de Danilo Šerbedžija
Cuba - Habanastation, de Ian Padrón
Dinamarca - SuperClásico, de Ole Christian Madsen
Egipto - Lust, de Khaled El Hagar
Eslováquia - Cigán, de Martin Šulík
Eslovénia - Circus Fantasticus, de Janez Burger
Espanha - Pa Negre, de Agustí Villaronga
Filipinas - Ang Babae Sa Septic Tank, de Marlon Rivera
Finlândia - Le Havre, de Aki Kaurismaki
França - La Guerre est Déclarée, de Valérie Donzelli
Geórgia - Chantrapas, de Otar Iosseliani
Grécia - Attenberg, de Athina Rachel Tsangari
Holanda - Sonny Boy, de Maria Peters
Hong Kong - A Simple Life, de Ann Hui
Hungria - A Torinói ló, de Béla Tarr
Islândia - Eldfjall, de Rúnar Rúnarsson
Índia - Adaminte Makan Abu, de Salim Ahamed
Irão - Nader and Simin, A Separation, de Asghar Farhadi
Irlanda - As If I Am Not There, de Juanita Wilson
Israel - Footnote, de Joseph Cedar
Itália - Terraferma, de Emanuele Crialese
Japão - Postcard, de Kaneto Shindõ
Líbano - Et Maintenant, on va où?, de Nadine Labaki
Lituânia - Kai Apkabinsiu Tave, de Kristijonas Vildžiūnas
Macedónia - Punk's Not Dead, de Vladimir Blazevski
Marrocos - Omar m'a Tuer, de Roschdy Zem
México - Miss Bala, de Gerardo Naranjo
Noruega - Sykt lykkelig, de Anne Sewitsky
Nova Zelândia - O Le Tulafale, de Tusi Tamasese
Perú - Octubre, de Daniel Vega Vidal
Polónia - In Darkness, de Agnieszka Holland
Portugal - José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
República Checa - Alois Nebel, de Tomás Lunák
Roménia - Morgen, de Marian Crisan
Rússia - Burnt by the Sun 2: Citadel, de Nikita Mikhalkov
Sérbia - Montevideo, Bog te Video, de Dragan Bjelogrlić
Singapura - Tatsumi, de Eric Khoo
Suécia - Beyond, de Pernilla August
Suíça - Giochi d'Estate, de Roland Colla
Tailândia - Kon Khon, de Sarunyu Wongkrachang
Taiwan - Seediq Bale, de Wei Te-Sheng
Turquia - Once Upon a Time in Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan
Uruguai - La Casa Muda, de Gustavo Hernández
Venezuela - El Rumor de las Piedras, de Alejandro Bellame Palacios
Vietname - Thang Long Aspiration, de Lưu Trọng Ninh
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

The Insane (2006)

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The Insane de Mark Cripps e David Ellison é uma curta-metragem de suspense que nos mostra John Vincent (James Spofforth), um polícia em busca de vingança pela morte da sua mulher que fora morta por um grupo de brutais assassinos que invadiram a cidade.
Esta interessante e excelente curta-metragem que nos revela que nem tudo é o que inicialmente parece de facto o é, tem não só um extraordinário argumento como está brilhantemente dirigida por esta dupla de realizadores que nos entregam uma cidade decadente e abandonada como cenário para esta jornada pela vingança.
James Spofforth tem uma interpretação excelente e consegue ser bastante convincente como o polícia sem família devido a um trágico assassinato e como polícia que percebe não conseguir voltar a estar do lado certo da lei.
Esta curta consegue surpreender com o seu excelente final e sobretudo pela forma como retrata a loucura pela violência e a demência de uma sociedade que aparenta já não ter qualquer hipótese de ser salva.
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9 / 10
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Validation (2007)

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Validation de Kurt Kuenne é uma daquelas grandes surpresas que chega do "reino" das curtas-metragens e que nos deixam completamente deliciados.
Hugh (TJ Thyne) é o tipo que valida os parquímetros. No entanto, sempre que um novo cliente chega para pagar o dito parquímetro ele tem sempre um elogio a fazer e deixar as pessoas com um sorriso no rosto. Esse sim é o seu verdadeiro objectivo.
Centenas são as pessoas que vêem a sua vida modificada ao escutarem algumas das suas palavras, até ao dia em que Hugh se vê perdido de amor por Victoria (Vicki Davis), a única pessoa que não lhe dá qualquer sorriso pondo assim em causa a sua missão.
Mentia se dissesse que esta curta não me conseguiu surpreender e deixar, pela sua tão positiva mensagem, mais alegre. O argumento da autoria do próprio Kurt Kuenne é de tal forma positivo que somos incapazes de ver esta curta e não deixar de nos sentirmos simplesmente melhor. Tão simples e tão eficaz graças à sua forma tão natural e emotiva de representar o amor.
O sorriso é de facto uma "arma" muito poderosa... pena é que tantas pessoas não a usem... Esta curta é de longe um dos melhores exemplos do verdadeiro proposito daquilo que é o cinema... criar sorrisos, esperanças e emoções. Altamente recomendada.
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9 / 10
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domingo, 2 de outubro de 2011

The Men Who Stare at Goats (2009)

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Homens que Matam Cabras só com o Olhar de Grant Heslov foi um filme muito antecipado pela reunião de um grupo bem forte de actores onde se destacam nas principais interpretações George Glooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey.
Bob (McGregor) é um repórter que procura o furo da sua carreira e conseguir assim provar à sua ex-mulher que é com ele que deve ficar. Tudo parece correr bem quando ele conhece Lyn (Clooney), um homem que afirma pertencer a uma facção oculta do exército norte-americano que usa poderes paranormais para completar as suas missões.
Através de uma viagem pelo Iraque estes dois homens começam a estabelecer uma relação que levará Bob a questionar se tudo aquilo será apenas um estranho acaso ou pior, uma estranha realidade.
Confesso que sempre ouvi falar relativamente mal deste filme o que, para o conjunto de actores que dele fazem parte, me deixava por um lado incrédulo e por outro mais curioso por ver e confirmar o que por aqui realmente se passava. Demorou mas finalmente consegui ver e constatar... Este filme é francamente mau.
O argumento de Peter Straughan com base no livro de Jon Ronson, tem potencial suficiente para poder transformar esta história em algo interessante considerando aquilo de que trata, mas no entanto, pelo meio algo falha e a dada altura acabamos a pensar já não tanto no filme em si mas mais naquilo que parece uma verborreia de frases desconexas e interpretações péssimas por parte de um conjunto magnífico de actores.
Quanto a eles não sentimos empatia por nenhum em particular e as suas interpretações não passam do mediano ao muito mau e, se pensarmos bem no assunto, alguns deles já receberam os mais elevados prémios de interpretação ou, mesmo não os recebendo pois isso nem sempre significa algo de concreto, estão normalmente na lista daqueles actores que conseguem facilmente convencer-nos com a qualidade do trabalho que têm. Aqui, no entanto, temos a nulidade pegada... McGregor está quase sempre desesperado por mostrar que "acredita" no que experiencia... Clooney muito "preocupado" em ser credível... Bridges não é convincente como um ex-militar hippie.. e à medida que avançamos e vemos o seu estado final... pior ficamos... e quanto a Spacey parece que se limita simplesmente a... "estar lá".
Finalmente, por muita verdade que tenha esta história (ou não) a realidade é que pensamos que será "necessário" falar de um filme que na prática não nos adianta em nada ou de útil.. pouco tem (especialmente se pensarmos que é capaz de ser o maior fiasco na carreira de todos estes actores).
Retirando uma ou outra situação onde ainda dá para sorrir um pouco (honestamente já nem sei onde pois acabei de ver este filme ontem e pessoalmente não tenho nada assim de concreto que possa apelidar de bom... ou menos mau), o que é certo é que todo o filme, sem grandes excepções, é uma nulidade pegada... A falar em pontos positivos... dou os parabéns às cabras que no seu acto de libertação conseguem ser credíveis... ou até àquela que quando morta nos entrega o momento alto de interpretação de todo o filme. Tudo o resto... é perfeitamente dispensável. Para nós e para os actores que neste filme representam.
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2 / 10
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sábado, 1 de outubro de 2011

Linda Silva

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1942 - 2011
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Beyond Black Mesa (2011)

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Beyond Black Mesa de Brian Curtin é uma muito interessante curta-metragem que engloba vários géneros e estilos que passam do pós-apocalíptico à acção, invasão e elementos zombie tudo em pouco mais de onze minutos... e com sucesso.
Já utilizei aqui em vários comentários a curtas-metragens que muitas delas apenas pecam pela sua falta de duração, que é como quem diz... é uma pena serem apenas curtas e não longas-metragens. Correndo o risco de novamente ser repetitivo, para esta utilizo a mesma observação. Existe aqui muito potencial e muitas "pontas" no argumento que poderiam ser utilizadas para a transformar numa forte e interessante longa-metragem que, suspeito, iria ter uma muito extensa legião de fãs.
Tem um bom e consistente argumento e os efeitos especiais apenas o complementam e dinamizam para um resultado final bastante positivo.
Interessante e de registo, gostava de ver esta curta poder um dia (para breve) transformar-se em algo mais que lhe desse continuidade.
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8 / 10
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