segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Le Moine (2011)

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O Monge de Dominik Moll reune dois nomes grandes do cinema europeu em interpretações que são um pouco fora do normal de se verem para os mesmos... Vincent Cassel e Sergi López.
Este filme que teve a sua antestreia nacional no âmbito da Festa do Cinema Francês no Cinema São Jorge em Lisboa, conta-nos a história do Monge Capuchinho Ambrósio (Cassel) que é um fervoroso devoto com um imenso dom da palavra e um carisma intocável que faz arrastar multidões para os seus discursos.
Educado toda a sua vida com os hábitos e costumes do mosteiro na porta do qual fora abandonado recém nascido, Ambrósio pensa estar a salvo de todas as tentações que poderiam cruzar o seu caminho. O problema reside na chegada de um misterioso noviço que vai tentar e testar todas as convicções e fraquezas de Ambrósio.
Depois de ter visto Harry, o filme que tornou o nome de Dominik Moll num peso pesada da cinematografia francesa e europeia, as expectativas para este O Monge eram de facto grandes. Se juntarmos a isto o facto de ser interpretado pelo grande actor que é Vincent Cassel, então a curiosidade era enorme e quase incontrolável.
O filme tem tudo para resultar... Uma boa dupla entre actor principal e realizador, um conjunto notável de secundários entre os quais se destaca Sergi López, o Harry, e claro está o "simples" facto de ser um filme de época com tudo o que isso acarreta, desde um magnífico guarda-roupa, fotografia e cenários onde se desenrola o filme sem esquecer o facto de ser uma história com marcados contornos góticos que torna todo o ambiente bastante sombrio e tenebroso. Resumindo uma longa história... este filme tinha de estar au point.
O problema está exactamente aqui... Tinha de estar mas não está. Considerando que é um filme de época obviamente não podemos esperar que seja uma história ultra-movimentada onde a acção supera o contúdo do argumento, no entanto aquilo com que aqui somos confrontados é, no fundo, um filme excessivamente reflexivo, tal como as tentações a que o monge é sujeito, mas enquanto ele na história cede, nós, pelo contrário, não conseguimos ceder e criar uma grande empatia com aquilo que vemos.
Falta algo... falta um pouco da loucura que sentimos em Harry e aquele lado onde um inocente é lavado ao lado mais sombrio da natureza humana. Aqui, a existir essa passagem, acaba por se tornar algo óbvio de mais... é esperado... é quase consentido e assumido pelo espectador. Nós no fundo sabemos o que vai acontecer.
A nível técnico e estético o filme é irrepreensível. Todos os elementos se encontram a um nível superior onde não podemos sequer pensar apontar o dedo, no entanto acabam por ser esses mesmos aspectos que "salvam" o filme e não tanto a história que deveria ser envolvente. Ao sabermos que os pecados vão lá estar e aos quais irão existir cedências, não existe qualquer compaixão para perceber que aquele monge foi (é) uma vítima, antes pelo contrário sabemos que é aquilo que ele quer e vai fazer.
A química existente entre os actores e deles para com a história acaba por ser quase superficial sendo que, há que dizê-lo, Cassel é também ele irrepreensível na sua prestação confirmando mais uma vez (como se tal ainda fosse preciso) a sua excelência. Não me espantaria que no próximo ano recebesse uma nomeação ao Cesar na categoria de Actor, bem como as categorias técnicas fossem também elas nomeadas e algumas vitoriosas.
Quanto ao filme em geral... Não é de fácil visualisação nem tão pouco será um filme que fique para "depois". Ainda assim é de vez e tirar conclusões próprias pois estou certo que muitos irão achar existencialista ou uma confirmação de que a carne é, realmente, fraca.
Não pelo filme, mas mais pelos espectadores que se encontravam naquela enorme sala... tenho igualmente a dizer que é de muito mau gosto abandonar o filme a meio... Quer se goste quer não, só se descobre isso depois de o ver.
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6 / 10
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