sábado, 29 de outubro de 2011

In Hell (2003)

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Prisão Infernal de Ringo Lam é aquilo que é, arrisco dizer, um dos melhores filmes que Jean-Claude Van Damme nos deu nos últimos largos anos (tendo sempre em consideração o estilo de filme de que se trata.
Kyle LeBlanc (Van Damme) é um americano a trabalhar na Rússia que depois da morte da sua mulher e de declarada a inocência do seu assassino resolve fazer justiça pelas próprias mãos. Depois de preso e remetido para uma prisão de alta segurança onde só parecem estar os piores criminosos do mundo, Kyle não só terá de sobreviver ao desgosto da morte da sua amada como sobreviver na prisão num mundo bem mais cruel do que aquele que existia fora dela.
Antes de dizer seja lá o que fôr sobre este filme, assumo que o gosto de ver bem como à quantidade infindável de filmes deste estilo que tanto Van Damme como Steven Segal ou Chuck Norris fizeram e fazem. Não quero com isto dizer que eles estão na minha lista de preferidos ou daqueles que considero os melhores do mundo mas o que é certo é que não deixam de ser interessante exemplares de acção para aqueles momentos em que não só não queremos pensar muito como ainda para as ocasiões em que queremos um pouco mais de adrenalina que é como quem diz um pouco de "murro e pontapé".
Dito isto, e mantendo-o presente durante o resto do comentário, é impossível não gostar deste filme mesmo com todos os clichés a que assistimos até que o filme acabe. Vamos começar pela evidência... um casalito que nunca fez mal a ninguém é vítima de um brutal acto da vandalismo que resulta na morte da mulher. A justiça que tarda e raramente chega leva o marido a procurar a justiça pelas suas mãos e como tal é enviado para uma prisão onde nenhum dos que por lá estão são flores que se cheirem. Aqui não só tem de sobreviver à loucura, ao assédio, à pressão e à violência como tenta impôr a justiça àqueles que dela pouco querem saber. Cliché atrás de cliché e temos este filme totalmente explicado.
Pontos fortes? Bom, repetindo que temos de ter em atenção o estilo de filme que é, tem alguns. As intermináveis sequências de acção que são "fortes e feias", fazem valer o filme. Não têm qualquer tipo de explicação racional além de serem violência pelo seu puro prazer. No entanto, verdade seja dita, são elas que fazem deste filme alguma coisa. E ela é praticada por tudo e todos enquanto o filme decorre... pelo próprio sistema judicial, pelos guardas, pelos outros prisioneiros e até pelo próprio Kyle que insiste em se juntar a ela em vez de se lhe opôr. Mas nós gostamos... Sabemos que mais tarde ou mais cedo toda aquela "calmaria" vai ser contrariada.
Os pontos fracos... bom... esses... começamos pelo facto de estarmos a falar numa prisão russa que mais parece ser no México pela quantidade de presos latino-americanos que lá tem. Facto pouco credível ou consistente mas que nós até deixamos passar pelo "bem" do filme de acção que ele é.
Os flashbacks são outro aspecto negativo. Além de um tanto mal feitos remetem um dramatismo descontextualizado ao filme. Ao tentar que estes sejam os momentos "lúcidos" do filme, acabam por não se conjugar com absolutamente nada sendo apenas "algo" que ali foi editado. E isto já para não falar em todo o simbolismo da borboleta que se torna, arrisco dizer, quase absurdo.
Se olharmos para este filme apenas e só como um de acção, é impossível não o achar interessante e até, em determinados momentos, bem conseguido por não tentar ser mais do que aquilo que é. Mas se pensarmos no lado dito "filosófico" que pretende mostrar, e na tentativa de desenvolver o dramatismo que tem em segundo plano... então aí temos tudo estragado.
Apesar de bem feito, para o estilo, não consegue ser um filme bom... apenas um filme que nos distrai pelas suas sequências de acção e de luta.
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5 / 10
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