sábado, 17 de novembro de 2018

Beautiful Boy (2018)

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Beautiful Boy de Felix van Groeningen (EUA) marcou o segundo dia do LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival a decorrer no Centro Cultural Olga de Cadaval, em Sintra e nos Cinema Monumental e Cinema Ideal, em Lisboa até ao próximo dia 25 de Novembro.
David Sheff (Steve Carell) e Nic (Timothée Chalamet) são pai e filho cúmplices. Em Beautiful Boy acompanhamos a relação entre os dois que ultrapassa o encanto da descoberta da juventude de Nic pelo próprio bem como o desencanto inexplicável pela sua vida quando se deixa afundar no submundo da dependência e toxicodependência enquanto a restante família sobrevive num limbo dividindo-se entre a sua recuperação e o testemunho da perda da sua inocência.
Tido como um dos mais fortes candidatos à próxima edição dos Oscars entregues pela Academia Norte-Americana de Cinema, Beautiful Boy é seguramente um dos mais chocantes e emocionantes filmes que passa(rá) nesta edição do LEFFEST. Sempre numa perspectiva de passado e presente - belíssima a edição de Nico Leunen - que nunca desampara o espectador independentemente da viagem temporal a que o obriga permitindo, dessa forma, observar a dinâmica entre pai e filho, Beautiful Boy transpira de uma inesperada nostalgia. Tudo tem início quando observamos a personagem interpretada por Steve Carell a querer contar algo sobre o seu filho. É a partir deste pequeno segmento que o espectador compreende que existe algo por contar sobre a dinâmica e relação desta família. Conhecedores ou não do argumento e dos factos que se seguem, o espectador é imediatamente preso a esta história pela compreensão de que uma tragédia se prolonga na mesma. Aos poucos, e sempre num registo temporal que pressupõe a aceitação dos segmentos como registos francos e fragmentados da sua memória, Beautiful Boy oscila entre a dinâmica cúmplice de pai e filho - tendo sempre a demais família como secundários de peso para a mesma - e a deterioração da sua relação fruto da dependência de "Nic" que o leva inicialmente aos pequenos furtos dentro de casa e, posteriormente, a uma toxicodependência que primeiro o afasta da família e de seguida (como o espectador depreende com o tempo) dos próprios sonhos que a sua ida juventude (apesar de jovem) lhe permitiram alguma vez sonhar.
É esta dinâmica entre pai e filho que acompanhamos enquanto uma evolução constante da mesma, sempre cúmplice apesar de um crescente afastamento, que o espectador observa e da qual espera um clímax instantâneo... que nunca chegará. Aqui o que é revelado é a lenta, mas sistemática, destruição dessa relação corrompida pelos silêncios, pelos segredos inconfessáveis e pelas mentiras, pelo sentido sufoco de que um sofrimento sentido no escuro nunca poderá ser compreendido pelos outros e que, a cada momento em que a dependência se torna mais intensa, é um passo em retrocesso para a relação familiar que se sente nunca poder ser recuperada. Assim, e no meio deste precipício que se anuncia, "Nic" distancia-se do pai não pela falta do amor que sabe que este sente por si mas pela consciencialização de que os seus passos em falso são uma desilusão para a imagem de filho que o seu pai criou estando (para si) a "obra" deformada na perspectiva do seu criador.
Nunca chegando a compreender completamente - se é que motivos existem!! - o que terá levado "Nic" a esta dependência, o argumento de Beautiful Boy, escrito por van Groeningen e Luke Davies a partir da obra homónima de David Sheff e Tweak do próprio Nic Sheff, reflecte primeiramente a união e o amor de uma família. É a partir desta base que futuramente se compreende não a queda no abismo mas sim a eventual recuperação de "Nic" bem como a entrega que pai e filho depositam na esperança de que serão sempre os portos seguros um do outro - mesmo com a fragilidade e incerteza que os comportamentos de "Nic" fazem despertar - sem que, no entanto, esta longa-metragem caia nos lugares comuns de julgar qualquer uma das personagens (reais e não ficcionadas) ou tão pouco as sucessivas incursões de jovem "Nic" na esperança de uma recuperação que parece tardar a chegar.
Se a dinâmica entre pai e filho são, fundamentalmente, o essencial desta história, é a segura mas contemplativa mão de Felix van Groeningen que lhe conferem uma esperada ambiência fundada na cumplicidade e na devoção, para com a família, já sentida em obras anteriores como, por exemplo, De Helaasheid der Dingen (2009) ou The Broken Circle Breakdown (2012). Não é suposto o espectador julgar ou tirar qualquer tipo de conclusão precipitada sobre os comportamentos ou dinâmicas familiares aqui retratadas... na prática, ninguém saberá como poderia reagir a uma situação familiar que lentamente se degradasse em frente aos próprios olhos. Por sua vez, aquilo que van Groeningen pretende com a sua abordagem é retratar a total entrega para que um "do grupo" não ceda à tentação ou à decadência estando, para isso, sempre isentos quanto à dedicação que no mesmo é depositada. Mais alternativas ou mais conservadoras, quer sejam de um comportamento mais irascível ou temperamental, todas estas personagens retratadas pelo realizador belga são fruto de uma realidade que pode encontrar-se já ao virar da rua e com a qual qualquer um de nós se poderá retratar - dependências à parte -, e que revelam uma vulnerabilidade latente comum a tantos de nós.
De um Steve Carell que conhecemos das suas inúmeras incursões na comédia e que tem retirado das suas prestações algumas das mais memoráveis nos últimos anos nesse campo, consegue aqui dar corpo a um pai que, não querendo utilizar a expressão sofrido, se deixa também consumir pela dependência do filho mas, ao mesmo tempo, conhecer toda uma faceta do mesmo que desconhecia... não pelos seus comportamentos mas sim pela sua dinâmica psicológica que lentamente se revela pelas pequenas pistas e indicações que são deixadas (talvez não ao acaso) por um filho que silenciosamente gritava por um pedido de ajuda, a um Timothée Chalamet que se revela pelo segundo ano consecutivo - depois de Call Me By Your Name (2017), de Luca Guadagnino - como um dos mais importantes nomes de uma nova geração de actores que aqui entrega mais uma intensa representação de alguém dividido entre a dependência e o sentimento de uma culpa muito expressada por dela não se conseguir libertar, Beautiful Boy poderá até ter como intuito despoletar o tal alerta sobre os perigos da dependência. No entanto, e sempre com uma intensa banda-sonora que sonoriza na perfeição todo um conjunto de momentos e estados de espírito, a esperada mensagem final não será tanto sobre esse alerta mas sim sobre toda uma longa e por vezes exasperante etapa da (nossa) entrega e devoção àquela pessoa que poderá ter tanto de nós e a qual desejamos que recupere de um período negro, frágil e vulnerável que atravessa(rá). Não tanto sobre a resistência à dependência daquele que a atravessa mas sim sobre a resiliência daqueles que a acompanham de lado e sobre o efeito transformador (e revelador) que todo o processo faz conhecer - numa perspectiva auto-avaliatória - compreendendo, dessa forma, que o espírito humano (alguns poderão chamar-lhe amor) tem tanto ou mais por conhecer e resistir do que aquilo que qualquer um de nós poderia admitir numa primeira instância
Beautiful Boy, ainda que com um pano de fundo sobre essas dependências, centra-se portanto - senão mesmo totalmente - na capacidade de resistir a uma adversidade extrema que coloca à prova tanto física como mentalmente o espírito e a alma desse sentimento a que vulgarmente todos chamam de amor.
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9 / 10
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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Pablo Ferro

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1935 - 2018
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The Sisters Brothers (2018)

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Os Irmãos Sisters de Jacques Audiard (França/Espanha/Roménia/EUA/Bélgica) foi a longa-metragem escolhida para a sessão de abertura da décima-segunda edição do LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival que decorre, na vila estremenha, no Centro Cultural Olga de Cadaval.
1850. Hermann Kermit Warm (Riz Ahmed) percorre o Oeste norte-americano do Oregon a San Francisco para aí se dedicar à prospecção de ouro. Nesta viagem, acompanhado por John Morris (Jake Gyllenhall), Warm é perseguido por Eli (John C. Reilly) e Charlie (Joaquin Phoenix), os reputados irmãos Sisters.
Se inicialmente esta viagem se apresenta como um relato de fuga e perseguição, é quando os quatro homens se confrontam e conhecem que finalmente se descobrem os dilemas morais com que cada um vive.
Thomas Bidegain e Jacques Audiard adaptam a obra de Patrick DeWitt revelando aqui, para o espectador, um não tão tradicional western ou, pelo menos, um que não se resume a uma eterna caça ao homem cujo propósito único e último é a vingança e a morte. Não, Audiard, mestre na arte de contar histórias trágicas nas quais se procura a redenção das suas personagens para com a vida e um auto-perdão num mundo para o qual parecem ter sonhos e esperanças nem sempre concretizáveis, encontra em The Sisters Brothers o seu mais recente veículo para a continuidade desta vertente da sua obra. No entanto, nem tudo permanece tão linear quanto inicialmente o espectador poderia pensar. Contrariamente ao que encontramos em Sur mes Lèvres (2001), De Battre mon Coeur s'est Arrêté (2005), Un Prophète (2009) ou mais recentemente com De Rouille et d'Os (2012), The Sisters Brothers apresenta sim essa redenção, também pela tragédia, mas esta não se manifesta necessariamente como o veículo condutor da história mas sim como um resultado ou consequência do destino das suas personagens. Por outras palavras, se as obras anteriormente mencionadas exibem um conjunto de personagens que se interligam pela sua aparente aptência para a desgraça, em The Sisters Brothers esta união existe entre, por exemplo, a dupla de irmãos pelos seus laços de protecção e afectividade bem como entre a personagem de Gyllenhall e de Ahmed como o resultado da compreensão de que o mundo pode, de facto, ser diferente se naquele preciso momento em que o pensam encontram a solução comum para os seus destinos não se deixando consumir pela sede de uma qualquer vingança.
Não é desconhecido do espectador desde cedo que o passado dos irmãos Sisters os moldou para esse futuro que agora vivem. No entanto, a dinâmica dos dois irmãos é não só cúmplice como inesperadamente pertença de um registo cómico que os entrega ao espectador de forma cativante e até mesmo familiar, revelando que estes dois traçaram desde cedo um caminho do qual aparentam não querer distanciar-se... até se cruzarem com a dinâmica de "Warm", um homem que afirma ser possível um mundo diferente... para si... para eles. É com esta possibilidade e com as oportunidades que a própria hipótese levanta, que não só o seu passado parece ser, não direi branqueado mas pelo menos amenizado, transformando a continuidade dos seus destinos numa aparente miragem... Afinal, não será bom provar o outro lado do crime? Encontrar uma tranquilidade que nunca conheceram? É neste constante crescente que o espectador observa a respeito das suas personagens e na dinâmica de influência do passado sobre a situação em que se encontram que o espectador lentamente reconhece e observa a transformação. Primeiro adversos à mesma e finalmente receptivos à mera possibilidade, toda a primeira metade desta história se insere num registo de descoberta e comédia (mesmo que ligeira) que colocam o espectador numa posição de simpatia para com os dois irmãos cúmplices e parceiros mas que, ao mesmo tempo, se encontram nos antípodas do desenvolvimento emocional um do outro. Se "Eli" se revela como aquele disposto a aceitar outra hipótese de vida - incerto de onde e como concretizá-lo -, é a fiel "obediência" ao laço de fraternidade que tem tornado impossível essa vontade. E se "Charlie" se revela como o moralmente mais adverso à mesma, é aquele que sai mais transformado quando compreende que esse novo rumo é possível mesmo que fruto de um acto bárbaro... tido pelas suas próprias mãos.
Nesta medida, Ahmed e o seu "Warm" é esse factor motor da mudança. É a certeza que a sua voz tranquila transmite que deixa a dupla de irmãos instável no seu discernimento... e se foi a ganância que os juntou ("Sisters" e "Warm"), foi a tragédia que os fez compreender que um novo rumo seria possível desde que encontrassem forma de se render ao seu passado... este pode transformá-los... mas será apenas a aceitação do que se passou, a fórmula para o descanso - físico e mental - fosse alcançado... num momento que facilmente poderia ser equiparado à rendição de "Kane" para com o seu "Rosebud" de Citizen Kane (1941), de Orson Welles. O passado pode limitá-los... até ao momento em que decidem aceitá-lo como aquilo que ele é... passado.
Com os tradicionais elementos que caracterizam o género em questão, The Sisters Brothers é um inesperado western sentimental e fraterno sobre a hipótese de um novo futuro onde encontramos as áridas planícies, os elementos de vingança, as cidades perdidas de um interior e ainda despovoado Oeste americano - que, na realidade, nem se encontra na área geográfica em questão - e toda uma componente técnica que passa do guarda-roupa à direcção artística e caracterização que facilmente nos remetem para o desejado imaginário. Mas, se tecnicamente The Sisters Brothers está irrepreensível (e não se poderia esperar algo diferente aos mãos de Audiard) são, no entanto, as interpretações que dão uma esperada cor a uma história que poderia estar apenas tingida pelo vermelho de vingança... de um John C. Reilly como a força moral de uma história que nunca perde o seu fio condutor a um Joaquin Phoenix como a chamada "wild card" onde reina a sua instabilidade psicológica e o desejo de uma vingança sistemática para com tudo o que o rodeia que contrastam - ou encontram os seus pares - com a inteligência moral que as interpretações de Ahmed e Gyllenhall fazem transparecer, entregando a esta história uma permanente duplicidade que resulta como o esperado equilíbrio que "cola" esta longa-metragem, os destinos das suas personagens e que resulta não num fim feliz para todos - afinal, nunca o é no verdadeiro western -, mas sim na possibilidade que aqueles que viveram nas margens encontraram para, finalmente, terem o seu descanso.
Potencialmente diferente do western tradicional reinando - aqui - uma subtil comédia de ocasião, The Sisters Brothers sai vencedor ao revelar a hipótese das oportunidades que se "agarram" como também pela forma como transmite ao espectador a capacidade da esperança surgir mesmo no meio de uma tragédia sem limites... ou como para "eu" encontrar o meu caminho tenho de primeiro eliminar todos os obstáculos... mesmo aqueles que mo revelaram... no final permanece aquele frase popularizada com The Wizard of Oz (1940), de Victor Fleming... there's no place like home...
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8 / 10
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Film Independent's Spirit Awards 2019: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Spirit Awards que serão os últimos troféus a ser atribuídos antes da próxima edição dos Oscars. Entre os nomeados encontram-se alguns dos títulos mais emblemáticos do cinema independente do último ano nomeadamente We the Animals, de Jeremiah Zagar o mais nomeado do ano.
São os nomeados:
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Melhor Filme
Eighth Grade, Eli Bush, Scott Rudin, Christopher Storer e Lila Yacoub (prods.)
First Reformed, Jack Binder, Greg Clark, Gary Hamilton, Victoria Hill, David Hinojosa, Frank Murray, Deepak Sikka e Christine Vachon (prods.)
If Beale Street Could Talk, Dede Gardner, Barry Jenkins, Jeremy Kleiner, Sara Murphy e Adele Romanski (prods.)
Leave No Trace, Anne Harrison, Linda Reisman e Anne Rosellini (prods.)
You Were Never Really Here, Rosa Attab, Pascal Caucheteux, Rebecca O’Brien, Lynne Ramsay e James Wilson (prods.)
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Melhor Primeira Obra
Hereditary, Ari Aster (real.) e Kevin Frakes, Lars Knudsen e Buddy Patrick (prods.)
Sorry to Bother You, de Boots Riley (real.) e Nina Yang Bongiovi, Jonathan Duffy, Charles D. King, George Rush, Forest Whitaker e Kelly Williams (prods.)
The Tale, de Jennifer Fox (real. e prod.) e Sol Bondy, Lawrence Inglee, Mynette Louie, Oren Moverman, Simone Pero, Reka Posta, Laura Rister, Regina K. Scully e Lynda Weinman (prods.)
We the Animals, de Jeremiah Zagar (real.) e Andrew Goldman, Christina D. King, Paul Mezey e Jeremy Yaches (prods.)
Wildlife, de Paul Dano (real. e prod.) e Andrew Duncan, Jake Gyllenhaal, Riva Marker, Oren Moverman, Ann Ruark e Alex Saks (prods.)
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Melhor Documentário
Hale County This Morning, This Evening, de RaMell Ross (real. e prod.) e Joslyn Barnes e Su Kim (prods.)
Minding the Gap, de Bing Liu (real. e prod.) e Diane Quon (prod.)
Of Fathers and Sons, de Talal Derki (real.) e Hans Robert Eisenhauer, Ansgar Frerich, Eva Kemme e Tobias N. Siebert (prods.)
On Her Shoulders, de Alexandria Bombach (real.) e Hayley Pappas e Brock Williams (prods.)
Shirkers, de Sandi Tan (real. e prod.) e Jessica Levin e Maya Rudolph (prods.)
Won't You Be My Neighbor?, de Morgan Neville (real. e prod.) e Caryn Capotosto e Nicholas Ma (prods.)
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John Cassavetes Award
A Bread Factory, de Patrick Wang (real. prod. arg.) e Daryl Freimark e Matt Miller (prods.)
En el Séptimo Día, de Jim McKay (real. prod. arg.) e Alex Bach, Lindsey Cordero, Caroline Kaplan e Michael Stipe (prods.)
Never Goin’ Back, de Augustine Frizzell (real. e arg.) e Liz Cardenas, Toby Halbrooks e James M. Johnston (prods.)
Sócrates, de Alex Moratto (real. prod. arg.), Thayná Mantesso (arg.) e Ramin Bahrani, Jefferson Paulino e Tammy Weiss (prods.)
Thunder Road, de Jim Cummings (real. e arg.) e Natalie Metzger, Zack Parker e Benjamin Weissner (prods.)
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Melhor Filme Internacional
Beoning, de Lee Chang-Dong (Coreia do Sul)
The Favourite, de Yorgos Lanthimos (Reino Unido)
Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher (Itália)
Manbiki Kazoku, de Hirokazu Koreeda (Japão)
Roma, de Alfonso Cuarón (México)
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Melhor Realização
Paul Schrader, First Reformed
Barry Jenkins, If Beale Street Could Talk
Debra Granik, Leave No Trace
Tamara Jenkins, Private Life
Lynne Ramsay, You Were Never Really Here
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Melhor Actor
John Cho, Searching
Daveed Diggs, Blindspotting
Ethan Hawke, First Reformed
Christian Malheiros, Sócrates
Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here
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Melhor Actriz
Glenn Close, The Wife
Toni Collette, Hereditary
Elsie Fisher, Eighth Grade
Regina Hall, Support the Girls
Helena Howard, Madeline’s Madeline
Carey Mulligan, Wildlife
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Melhor Actor Secundário
Raúl Castillo, We the Animals
Adam Driver, BlacKkKlansman
Richard E. Grant, Can You Ever Forgive Me?
Josh Hamilton, Eighth Grade
John David Washington, Monsters and Men
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Melhor Actriz Secundária
Kayli Carter, Private Life
Tyne Daly, A Bread Factory
Thomasin Harcourt McKenzie, Leave No Trace
Regina King, If Beale Street Could Talk
J. Smith-Cameron, Nancy
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Melhor Argumento
Nicole Holofcener e Jeff Whitty, Can You Ever Forgive Me?
Richard Glatzer, Rebecca Lenkiewicz e Wash Westmoreland, Colette
Paul Schrader, First Reformed
Tamara Jenkins, Private Life
Boots Riley, Sorry to Bother You
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Melhor Primeiro Argumento
Quinn Shephard e Laurie Shephard, Blame
Bo Burnham, Eighth Grade
Christina Choe, Nancy
Jennifer Fox, The Tale
Cory Finley, Thoroughbreds
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Melhor Montagem
Luke Dunkley, Nick Fenton, Chris Gill, Julian Hart, American Animals
Nick Houy, Mid90s
Anne Fabini, Alex Hall, Gary Levy, The Tale
Keiko Deguchi, Brian A. Kates, Jeremiah Zagar, We the Animals
Joe Bini, You Were Never Really Here
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Melhor Fotografia
Ashley Connor, Madeline’s Madeline
Benjamin Loeb, Mandy
Sayombhu Mukdeeprom, Suspiria
Zak Mulligan, We the Animals
Diego Garcia, Wildlife
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Robert Altman Award: Suspiria, de Luca Guadagnino (real.), Avy Kaufman e Stella Savino (dir. de casting) e Malgosia Bela, Ingrid Caven, Lutz Ebersdorf, Elena Fokina, Mia Goth, Jessica Harper, Dakota Johnson, Gala Moody, Chloë Grace Moretz, Renée Soutendijk, Tilda Swinton, Sylvie Testud, Angela Winkler (elenco)
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Bonnie Award
Karyn Kusama
Tamara Jenkins
Debra Granik
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Producers Award
Jonathan Duffy e Kelly Williams
Gabrielle Nadig
Shrihari Sathe
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Someone to Watch Award
Lemonade, de Ioana Uricaru
Sócrates, de Alex Moratto
We the Animals, de Jeremiah Zagar
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Truer than Fiction Award
Hale County This Morning, This Evening, de RaMell Ross
Minding the Gap, de Bing Liu
On Her Shoulders, de Alexandria Bombach
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Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 23 de Fevereiro, numa cerimónia a realizar em Santa Mónica, na California.
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William Goldman

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1931 - 2018
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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

European Film Awards 2018: os primeiros vencedores

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os primeiros vencedores da trigésima-primeira edição dos European Film Awards.
Entre os vencedores, escolhidos a partir da selecção oficial deste ano por um jurado composto por Luca Bigazzi (Itália), Dasha Danilova (Rússia), Dadi Einarsson (Islândia), Mattias Eklund (Suécia), Marcelle Genovese (Malta), Malina Ionescu (Roménia), Monica Rottmeyer (Suíça) e Christopher Slaski (Reino Unido), encontram-se alguns dos maiores êxitos cinematográficos europeus do ano, vencedores de diversos festivais internacionais de cinema e alguns dos candidatos ao Oscar de Filme Estrangeiro.
São os vencedores:
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Montagem: Jaroslaw Kaminski, Zimna Wojna
Fotografia - Prix Carlo di Palma: Martin Otterbeck, Utoya 22. Juli
Música Original: Christoph M. Kaiser e Julian Maas, 3 Tage in Quiberon
Som: André Bendocchi-Alves e Martin Steyer, Der Hauptmann
Design de Produção: Andrey Ponkratov, Leto
Guarda-Roupa: Massimo Cantini Parrini, Dogman
Caracterização: Dalia Colli, Lorenzo Tamburini e Daniela Tartari, Dogman
Efeitos Visuais: Peter Hjorth, Gräns
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Estes e os demais vencedores serão premiados na cerimónia a realizar no próximo dia 15 de Dezembro, em Sevilha.
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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Paulo Guerreiro

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1970 - 2018
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Katherine MacGregor

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1925 - 2018
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Stan Lee

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1922 - 2018
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domingo, 11 de novembro de 2018

Hollywood Film Awards 2018: os vencedores

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Foram divulgados os vencedores dos Hollywood Film Awards entregues anualmente aos melhores registos cinematográficos do ano destacando-se, entre eles, alguns dos mais aguardados nomes desta temporada.
São os vencedores:
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Documentário: Believer, de Don Argott
Realização: Damien Chazelle, First Man
Realização Revelação: Felix van Groeningen, Beautiful Boy
Actor: Hugh Jackman, The Front Runner
Actriz: Glenn Close, The Wife
Actor Secundário: Timothée Chalamet, Beautiful Boy
Actriz Secundária: Rachel Weisz, The Favourite
Actor Revelação: John David Washington, BlacKkKlansman
Actriz Revelação: Amandla Stenberg, The Hate U Give
Elenco: Green Book
Elenco Revelação: Crazy Rich Asians
Argumento: Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Hayes Currie, Green Book
Montagem: Tom Cross, First Man
Fotografia: Matthew Libatique, A Star Is Born
Música: Justin Hurwitz, First Man
Som: Erik Aadahl, Ethan Van der Ryn e Brandon Proctor, A Quiet Place
Design de Produção: Hannah Beachler, Black Panther
Guarda-Roupa: Sandy Powell, The Favourite
Caracterização: Jenny Shircore, Sarah Kelly e Hannah Edwards, Mary Queen of Scots
Efeitos Visuais: Dan DeLeeuw, Kelly Port, Russell Earl e Daniel Sudick, Avengers: Infinity War
New Hollywood Award: Yalitza Aparicio, Roma
Carreira: Nicole Kidman
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sábado, 10 de novembro de 2018

European Film Awards 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje a listagem definitiva dos nomeados aos European Film Awards de 2018 cujos vencedores serão agora seleccionados pelos mais de 3500 membros da Academia destacando Dogman, de Matteo Garrone, Girl, de Lukas Dhont, Gräns, de Ali Abbasi, Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher e Zimna Wojna, de Pawel Pawlikowski como os candidatos ao troféu máximo do ano.
Os nomeados são:
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Melhor Filme Europeu
Dogman, de Matteo Garrone
Girl, de Lukas Dhont
Gräns, de Ali Abbasi
Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher
Zimna Wojna, de Pawel Pawlikowski
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Melhor Comédia Europeia
The Death of Stalin, de Armando Iannucci
Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Le Sens de la Fête, de Eric Toledano e Olivier Nakache
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Melhor Documentário
Bergman - Ett Ar, ett Liv, de Jane Magnusson
The Distant Barking Dogs, deSimon Lereng Wilmont
Of Fathers and Sons, de Talal Derki
The Silence of Others, de Robert Bahar e Almudena Carracedo
A Woman Captured, de Bernadett Tuza-Ritter
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Melhor Filme Europeu de Animação
Another Day of Life, de Raul de la Fuente e Damian Nenow
The Breadwinner, de Nora Twomey
Croc-Blanc, de Alexandre Espigares
Early Man, de Nick Park
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European Discovery - Prix FIPRESCI
Dene Wos Guet Geit, de Cyril  Schäublin
Egy Nap, de Zsófia Szilágyi
Girl, de Lukas Dhont
Sashishi Deda, de Ana Urushadze
Den Skyldige, de Gustav Möller
Touch Me Not, de Adina Pintilie
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University Film Award
Foxtrot, de Samuel Maoz
Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher
Ouale Lui Tarzan, de Alexandru Solomon
Styx, de Wolfgang Fischer
Utoya 22. Juli, de Erik Poppe
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Melhor Curta-Metragem Europeia
Gli Anni, de Sara Fgaier
Aquaparque, de Ana Moreira
Burkina Brandenburg Komplex, de Ulu Braun
Cpam, de Petar Krumov
L'Échapée, de Laëtitia Martinoni
I Signed the Petition, de Mahdi Fleifel
Kapitalistis, de Pablo Muñoz Gomez
Kontener, de Sebastian Lang
Lâchez les Chiens, de Manue Fleytoux
Meryem, de Reber Dosky
Prisoner of Society, de Rati Tsiteladze
Los que Desean, de Elena López Riera
Vypusk '97, de Pavlo Ostrikov
What's the Damage, de Heather Phillipson
Wildebeest, de Nicolas Keppens e Matthias Phlips
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Melhor Realização
Matteo Garrone, Dogman
Samuel Maoz, Foxtrot
Ali Abbasi, Gräns
Alice Rohrwacher, Lazzaro Felice
Pawel Pawlikowski, Zimna Wojna
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Melhor Actor
Jakob Cedergren, Den Skyldige
Rupert Everett, The Happy Prince
Marcello Fonte, Dogman
Sverrir Gidnason, Borg
Tomasz Kot, Zimna Wojna
Victor Polster, Girl
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Melhor Actriz
Marie Bäumer, 3 Tage in Quiberon
Halldóra Geirhardsdóttir, Kona fer i Strid
Joanna Kulig, Zimna Wojna
Bárbara Lennie, Petra
Eva Melander, Gräns
Alba Rohrwacher, Lazzaro Felice
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Melhor Argumento
Dogman, Ugo Chiti, Mattero Garrone e Massino Gaudioso
Gräns, Ali Abassi, Isabella Eklöf e John Ajvide Lindqvist
Lazzaro Felice, Alice Rohrwacher
Den Skyldige, Gustav Möller e Emil Nygaard Albertsen
Zimna Wojna, Pawel Pawlikowski
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Os vencedores serão conhecidos na cerimónia da trigésima-primeira edição dos European Film Awards a realizar no próximo dia 15 de Dezembro em Sevilha, em Espanha.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Carga (2018)

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Carga de Bruno Gascon (Portugal) é a primeira longa-metragem do realizador das curtas-metragens Boy (2014) e Vazio (2015) cujo argumento - também da sua autoria - remete o espectador para uma história tragicamente real nos nossos dias... o tráfico e exploração de seres humanos.
Viktoryia (Michalina Olszanska) chega a Portugal no contentor de um camião conduzido por António (Vítor Norte). Esta não é uma viagem qualquer... O primeiro sinal da sua vida chega quando Viktor (Dmitry Bogomolov) revela que todos estes imigrantes são pequenas peças de uma rede de tráfico e exploração sexual que irá, de forma inimaginável, alterar as suas vidas. Viktoryia terá de conseguir sobreviver-lhe.
Foi a inteligente mediatização desta longa-metragem, a sua campanha de divulgação e a anterior obra da dupla realizador Bruno Gascon e produtora Joana Domingues que, aliada a um magnífico elenco onde figuram para além dos já referidos actores outros como Rita Blanco, Ana Cristina Oliveira, Miguel Borges ou Duarte Grilo que fizeram de Carga uma das mais esperadas longas-metragens deste quase final de ano cinematográfico.
O argumento, também assinado pelo realizador, transporta o espectador para um muito silenciado drama moderno fruto de uma abertura fronteiriça que é agora, o inexistente limite para a propagação livre do tráfico de seres humanos às mãos de uma máfia sedenta do mais rápido lucro económico que a mesma lhes proporciona. Neste contexto, assistimos então a uma infindável rede de "profissionais" que exploram não só a miséria alheia com vista ao lucro próprio mas sobretudo os limites invisíveis de uma lei que, na realidade, opta por ignorar aquilo que não "vê". É então que começamos por conhecer "Viktoryia" (Michalina Olszanska), uma jovem mulher que, descendente desse distante leste Europeu, encara no Ocidente a saída para a sua recuperação económica podendo, dessa forma, sustentar toda uma família que (desconhece mas subentende o espectador) espera por dias melhores. Mas, do distante antigo bloco soviético a esta Europa Comunitária ainda encarada como um qualquer eldorado onde as hipóteses e os sonhos são ainda uma possibilidade, existe toda uma distância não só geográfica como principalmente oportunista e cínica que assume a miséria alheia como a fonte de resolução dos seus problemas. Por um lado encontramos todo um conjunto de máfias que assumem as dificuldades dos seus compatriotas como uma hipótese de alcançar o sucesso (financeiro), estabelecendo-se como importantes "homens de negócios" neste Ocidente que voluntariamente os ignora... Por outro, encontramos todo um conjunto de intermediários que encaram nesta "actividade económica" a (sua) mais recente forma de sustento possibilitando um melhor nível de vida que a crise recentemente sentida veio abalar. Pelo meio são estabelecidas todo um conjunto de redes e artimanhas que não só perpetuam esta "negociata" como principalmente estabelecem relações de dependência com as referidas máfias, impossibilitando o mais honesto dos "homens de trabalho" (entretanto já não tão honestos) de saírem destas redes... mesmo que o tentassem.
Estabelecida que está a dinâmica de Carga - e dos seus principais intervenientes - reside então o drama das vítimas, aquele tentado pelos agressores que a meio gás reflectem sobre o dilema moral que violentamente sobre eles se abate, a conivência dos "ricos empresários" deste Ocidente que encontram nestes "encontros" pagos a forma de expiarem os seus desejos mais selváticos e imorais ao mesmo tempo que outros, nos seus limites, vivem na ignorância - como a personagem interpretada por Blanco - e, de certa forma, também as famílias destas jovens mulheres que se mantêm num esquecimento perpétuo desconhecedores dos destinos das suas filhas.
No meio de alguns lugares comuns sobre a acção desta máfia de leste que em vez de explorar economicamente todos os migrantes que fazem chegar à Europa Ocidental optam por eliminar todos aqueles que são do sexo masculino ou mesmo o aspecto terceiro mundista com que chegam a este canto do continente já não tão encantado, Carga deposita mais o seu foco na perspectiva de todos os referidos intermediários do que propriamente na vítima protagonista aqui a cargo de uma inspirada e combativa Olszanska que não se resigna à sua condição de vítima optando por uma luta da qual, em última instância, poderá sair perdedora. Assim, é ao longo da dinâmica estabelecida logo no inicio desta longa-metragem, que o espectador observa em primeiro lugar a perspectiva de "António" (Vítor Norte), o aparentemente pacato homem de família, distante da mulher que ama e um daqueles homens de respeito que se transformou num inesperado pai da própria neta em virtude da emigração da filha vítima, também ela, da crise que o país conheceu. Observamos ainda como a sua própria mulher (Blanco), se transforma no rosto de uma humanidade ainda querida dos Portugueses que insistem em auxiliar - sem questionar - o primeiro desamparado que lhes bate à porta - a seu tempo o momento mais esperado desta longa-metragem que resulta naquela ode à ironia - mas, sobretudo, ao desencanto tardio dos intermediários a soldo "empregados" por essa máfia como a "Sveta" de Ana Cristina Oliveira - gélido e convincente o seu desdém para com  "Anna" de Sara Sampaio - onde se compreende que também ela fora em tempos uma vítima daquilo ao qual hoje dá continuidade ou o "Mário" de Miguel Borges que depois de ter entregue centenas ou milhares de mulheres a um cruel destino se deixa encantar pela beleza de "Viktoryia" compreendendo que tem de a salvar... custe o que custar.
Mas, é neste deambular de consciências mais ou menos pesadas em choque com um humanismo e vontade de fugir e sobreviver apresentados pela vítima que surge também o tal esperado rosto do mal encarnado por um sinistro "Viktor" (belíssima composição de Dmitry Bogomolov). De sorriso fácil mas nunca quente ou tão pouco convidativo, Bogomolov encanta pela forma como seduz forçadamente pelo poder das suas palavras, pela certeza das suas convicções e mais ainda pela garantia que o seu olhar confere de que nada do que de ma se espera é tão mau quanto aquilo que o próprio pode provocar. O seu "Viktor" garante... podias - nunca se saberá - nunca ter entrado no "negócio"... mas jamais conseguirás sair dele sem que sejas real e definitivamente eliminado... Seguramente uma das mais fortes interpretações às quais deu corpo e alma, Bogomolov surge aqui com um dos mais intensos desempenhos desta história capaz de deixar o espectador na dúvida sobre se não irá encontrar uma qualquer explosão da sua personagem... e encontra - spoilers aside - mas, ainda assim, conseguir que o espectador não se distancie da mesma.
A temática do tráfico de seres humanos não é novidade no cinema português... já o tivemos com Transe (2006), de Teresa Villaverde, Yulya (2015), de André Marques ou na curta-metragem deste  ano Yellow Country, de Dinis M. Costa explorando todas as vertentes do crime organizado... das pressões e ameaças às chantagens e à política do medo sem esquecer os efeitos colaterais que todas as inesperadas vítimas e intervenientes exibem aquilo que todas estas obras tentam filmar (e consciencializar).. No entanto, Carga surge possivelmente num momento em que o público se encontra mais receptivo - e eventualmente mais consciencializado - de que este "negócio" do tráfico de seres humanos existe e talvez não tão longe das suas fronteiras e das suas portas... não é apenas uma realidade de um qualquer destino que dificilmente identifica e que desconhece pela sua distância. Esta exploração económica e sexual existe e, tal como o título da longa-metragem indica, para muitos que a praticam mais não é do que uma forma de "carga" que se transporta de destino a destino e que faculta mais algum dinheiro ao final do mês... indiferenciada que está a "mercadoria", porque não começar finalmente a perceber que também dentro das nossas fronteiras - e a tal ideia de que pode acontecer mesmo na "casa do lado" - existe a ocorrência sistemática de um crime que possivelmente não se quer encarar e admitir... Assim, e talvez de forma diferente das obras anteriormente mencionadas, a longa-metragem de Bruno Gascon consegue juntar o útil ao agradável - estranha mas indicada escolha de palavras - conseguindo filmar um drama real de forma séria mas comercial capaz de chegar a um público maior e mais receptivo e cujo próprio leque de actores, também pela sua mediatização, poderá conseguir "recrutar" público às salas e criar a tal consciência de que o que vemos não é apenas um filme unindo de forma inteligente as várias "funções" de um filme... entreter e ensinar ou dar a conhecer.
Consciente de uma importante mensagem a transmitir, fruto de um argumento bem estruturado, mesmo tipificando por vezes em demasia o "protótipo" do emigrante de leste e do português bom samaritano, Carga tem ainda uma imponente música original - parabéns a Filipe Goulart e Milton Núñez - que, no entanto, nem sempre funciona para a melhor dramatização de todos os momentos onde, por vezes se pressupõe que vai existir um qualquer clímax quando, na realidade, nem sempre o mesmo se encontra "no momento", assim como uma sumptuosa direcção de fotografia de JP Caldeano que capta, com a mesma segurança, tanto as cores naturais desse país real rude mas quase sempre sobre-humano, como também essa assumida desumanização dos calabouços onde todas as vítimas (sobre)vivem à espera de uma libertação que tarda ou nunca chegará... a escuridão envolve-(n)os e aquelas prisões de porta destrancada tornam-se sombrias e verdadeiros labirintos assumindo que qualquer um, quando preso nestas malhas do crime, é seu refém.
Inteligente, pertinente, actual e consistente do início ao final, Bruno Gascon triunfa com esta Carga... uma primeira longa-metragem onde se expõem não só vítimas e mandantes do crime como principalmente todos aqueles que pelos mais variados motivos subsistem com a perpetuação do mesmo. Sobre estes últimos permanece o dito popular... Em terra de cego, quem tem olho é rei... pelo menos... até um dia!
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Premios Fenix de Cine IberoAmericano 2018: os vencedores

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Foram hoje divulgados os vencedores dos Premios Fenix de Cine IberoAmericano - numa cerimónia realizada na Cidade do México -, troféus anualmente atribuídos às melhores produções do ano transacto dos países da América Latina e Península Ibérica. Pájaros de Verano, de Cristina Gallego e Ciro Guerra foi considerado o Melhor Filme do Ano - arrecadando ainda os troféus de Melhor Actriz e Música Original - e Zama, de Lucrecia Martel o mais premiado da noite com quatro troféus.
São os vencedores:
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Longa-Metragem de Ficção: Pájaros de Verano, de Cristina Gallego e Ciro Guerra
Documentário: Muchos Hijos, Un Mono y Un Castillo, de Gustavo Salmerón
Realização: Marcelo Martinessi, Las Herederas
Interpretação Masculina: Lorenzo Ferro, El Ángel
Interpretação Feminina: Carmiña Martínez, Pájaros de Verano
Argumento: Matar a Jesús, Laura Mora e Alonso Torres
Montagem: Zama, Miguel Schverdfinger e Karen Harley
Fotografia - Ficção: Zama, Rui Poças
Fotografia - Documentário: Central Airport THF, Juan Sarmiento G.
Música Original: Pájaros de Verano, Leonardo Heiblum
Som: Zama, Guido Berenblum
Direcção Artística: Zama, Renata Pinheiro
Guarda-Roupa: La Librería, Mercè Paloma
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domingo, 4 de novembro de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #113

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É com a Sessão #113 do Shortcutz Viseu que as sessões voltam a uma das suas casas iniciais... o Museu Grão Vasco por onde irá ficar nas próximas três sessões.
A sessão volta a contar com o tradicional segmento de Curtas em Competição onde serão exibidos os filmes cutos Fidalga, de Flávio Ferreira (que estará presente na sessão para a apresentação do seu filme) e ainda Thursday Night, de Gonçalo Almeida.
Finalmente, e para terminar a noite, será ainda exibido no segmento Curta-Metragem Convidada o filme curto Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, vencedor do Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim.
Assim, e para aquela que já é a noite mais cinematográfica de Viseu, será na próxima sexta-feira dia 9 de Novembro que, depois das 22 horas, tem início a Sessão #113 do Shortcutz Viseu, no Museu Grão Vasco.
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sábado, 3 de novembro de 2018

Sondra Locke

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1944 - 2018
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Maria Guinot

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1945 - 2018
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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Helena Ramos

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1954 - 2018
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British Independent Film Awards 2018: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos British Independent Film Awards que premeiam a excelência do melhor cinema independente britânico tendo, entre os nomeados, alguns dos títulos mais desejados desta temporada de prémios nomeadamente Disobedience, de Sebastián Lelio e The Favourite, de Yorgos Lanthimos.
São os nomeados:
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Melhor Filme Britânico Independente
American Animals, de Bart Layton
Beast, de Michael Pearce
Disobedience, de Sebastián Lelio
The Favourite, de Yorgos Lanthimos
You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay
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The Discovery Award
The Dig, de Andy Tohill e Ryan Tohill
Irene's Ghost, de Iain Cunningham
A Moment in the Reeds, de Mikko Makela
Super November, de Douglas King
Voyageuse, de May Miles Thomas
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Melhor Documentário

Being Frank: The Chris Sievey Story, de Steve Sullivan
Evelyn
Island
Nae Pasaran, de Felipe Bustos Sierra
Under the Wire, de Christopher Martin
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Melhor Curta-Metragem Britânica
The Big Day, de Dawn Shadforth
Bitter Sea, de Fateme Ahmadi
The Field
To Know Him
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Melhor Filme Internacional Independente
Capharnaüm, de Nadine Labaki (Líbano)
Manbiki Kazoku, de Hirozaku Koreeda (Japão)
The Rider, de Chloé Zhao (EUA)
Roma, de Alfonso Cuarón (México)
Zimna Wojna, de Pawel Pawlikowski (Polónia)
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Produtor Revelação
Kristian Brodie, Beast
Jacqui Davies, Ray & Liz
Anna Griffin, Calibre
Marcie Maclellan, Apostasy
Faye Ward, Stan & Ollie
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Melhor Realização
Andrew Haigh, Lean on Pete
Yorgos Lanthimos, The Favourite
Bart Layton, American Animals
Michael Pearce, Beast
Lynne Ramsay, You Were Never Really Here
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The Douglas Hickox Award - Realização Revelação
Richard Billingham, Ray & Liz
Daniel Kokotajlo, Apostasy
Matt Palmer, Calibre
Michael Pearce, Beast
Leanne Welham, Pili
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Melhor Actor
Joe Cole, A Prayer Before Dawn
Steve Coogan, Stan & Ollie
Rupert Everett, The Happy Prince
Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here
Charlie Plummer, Lean on Pete
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Melhor Actriz
Gemma Arterton, The Escape
Jessie Buckley, Beast
Olivia Colman, The Favourite
Maxine Peake, Funny Cow
Rachel Weisz, Disobedience
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Melhor Actor Secundário
Steve Buscemi, Lean on Pete
Barry Keoghan, American Animals
Alessandro Nivola, Disobedience
Evan Peters, American Animals
Dominic West, Colette
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Melhor Actriz Secundária
Nina Arianda, Stan & Ollie
Rachel McAdams, Disobedience
Emma Stone, The Favourite
Rachel Weisz, The Favourite
Molly Wright, Apostasy
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Prémio Revelação
Jessie Buckley, Beast
Michaela Coel, Been So Long
Liv Hill, Jellyfish
Marcus Rutherford, Obey
Molly Wright, Apostasy
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Melhor Argumento
Deborah Davis e Tony McNamara, The Favourite
Bart  Layton, American Animals
Sebastián Lelio e Rebecca Lenkiewicz, Disobedience
Michael Pearce, Beast
Lynne Ramsay, You Were Never Really Here
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Argumentista Revelação
Karen Gillan, The Party’s Just Beginning
Daniel Kokotajlo, Apostasy
Bart Layton, American Animals
Matt Palmer, Calibre
Michael Pearce, Beast
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 2 de Dezembro, em Londres.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

DocLisboa - Festival Internacional de Cinema 2018: os vencedores

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Terminou este Domingo a décima-sexta edição do DocLisboa - Festival Internacional de Cinema que decorreu desde o passado dia 18 na capital.
Foram os vencedores:
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Competição Internacional
Grande Prémio Cidade de Lisboa: Greetings from Free Forests, de Ian Soroka
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: The Guest, de Sebastian Weber
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Competição Portuguesa
Filme: Terra, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres
Prémio Kino Sound Studio: Pele de Luz, de André Guiomar
Menção Honrosa: Vacas e Raínhas, de Laura Marques
Prémio Escolas - Prémio ETIC: Terra Franca, de Leonor Teles
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Competição Transversal
Prémio Revelação: Cidade Marconi, de Ricardo Moreira
Menção Honrosa: Amanecer, de Carmen Torres e Paul Is Dead, de Antoni Collot
Curta-Metragem: The Guest, de Sebastian Weber
Prémio do Público: Vadio, de Stefan Lechner
Prémio Prática, Tradição e Património: Vacas e Raínhas, de Laura Marques
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Competição Verdes Anos
Filme: After the Fire, de Ahsan Mahmood Yunus
Prémio Especial: Aos Meus Pais, de Melanie Pereira
Prémio Doc's Kingdom - Realização: Hosein Jalilvand, Song of the Bell
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Arché
Prémio RTP: Fantasmas, Caminho Longo para Casa, de Tiago Siopa
Prémio FCSH: Viagem aos Makonde de Moçambique, de Catarina Alves Costa
Prémio Arquipélago: La Playa de los Encharquidos, de Iván Mora Manzano
Prémio Bienal Arte Jovem: Amor e Medos Estranhos, de Deborah Viegas
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domingo, 28 de outubro de 2018

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Alma Clandestina (2018)

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Alma Clandestina de José Barahona (Brasil) é um dos documentários presentes na secção Da Terra à Lua da décima-sexta edição do DocLisboa - Festival Internacional de Cinema a decorrer na capital até ao próximo Domingo.
Maria Auxiliadora Lara Barcellos. Activista política que lutou contra a ditadura no Brasil na década de '60 e que se viu forçada a viver no exílio na América Latina e na Europa depois de períodos de detenção e tortura. Dorinha, como era conhecida pelos que lhe eram mais próximos, suicidou-se em 1976 em Berlim deixando, no entanto, um legado de vida que deve ser novamente analisado.
Depois de Estive em Lisboa e Lembrei de Você (2015) essa obra (não tão) ficcionada sobre a emigração brasileira para a capital portuguesa, o realizador José Barahona regressa com esta obra documental que versa sobre um importante e não tão distante período da História recente do Brasil que não só é pertinente pela sua contextualização histórica como principalmente pelos tempos que hoje o país vive onde a política regride voluntariamente a estes idos anos.
Se em Estive em Lisboa e Lembrei de Você Barahona explora a dinâmica de um cidadão brasileiro em busca de melhores dias para a sua vida, encontrando em Lisboa o tal "eldorado" sob a forma de uma solidão que pode, no entanto, proporcionar-lhe um novo começo - não necessariamente melhor -, em Alma Clandestina o realizador propõe um olhar pertinente, perturbador, não distante e actual sobre a vida de uma activista política que, como tantos outros, incluindo o "Sérgio" interpretado por Paulo Azevedo na já mencionada obra, mais não procura do que uma vida justa e igualitária com todas as oportunidades que são sentidas como merecidas. Mas, bem distante da ficção, aquilo que Alma Clandestina proporciona ao espectador é, para lá de uma história, um relato sobre a crueldade de um regime que (se) impõe eliminando sem qualquer pudor todos os que lhe façam frente.
Foi neste período de ditadura militar iniciado em 1964 e que apenas viria a terminar em 1985 que o Brasil viu não só o seu retrocesso nas liberdades individuais como também culturais o que levou a Maria Auxiliadora Barcellos a uma vida de exílio que a fez passar pelo Chile, México, Bélgica, França e Alemanha. Neste período, distante da sua família e do país onde nascera, a activista viria a estabelecer um conjunto de comunicações com a sua família no Brasil e que Alma Clandestina aborda como uma forma de conhecer não só a política (contemporânea de Dilma Rousseff), como também - e principalmente - a mulher por detrás de toda esta militância.
"Dorinha" é caracterizada por todos como uma mulher forma de aparência frágil. Alguém capaz de discutir assertivamente assuntos sociais e políticos deixando aqueles que a escutavam interessados e conscientes mas, ao mesmo tempo, é o distanciamento desta mulher do seu ambiente natural que a caracterizam como uma mulher de certa forma atormentada com a impossibilidade de uma liberdade vivida nesse seu Brasil cada vez mais distante. Maria Auxiliadora Barcellos viria a morrer - por suicídio - em Berlim em 1976 com 31 anos de idade. Longe da Democracia que tanto ambicionara para o seu país, seriam os tormentos de uma vida "em fuga" que viriam a caracterizar o seu pensamento, o seu comportamento e principalmente a sua queda física e emocional longe desse país que se deixou mergulhar numa ditadura que perseguia, torturava e eliminava aqueles que se lhe opunham. É esta dinâmica, para lá dessa contextualização histórica que é aqui tão bem enquadrada pelo realizador, que se explora dando assim forma à mente e ao pensamento de uma mulher atormentada, fisicamente distante mas mentalmente comprometida com um desejo de liberdade e Democracia que o país não vivia. Num momento é inclusive equiparado ao sentimento de "Dorinha" aquele tido pelos escravos africanos que compreendiam nunca mais pisar a sua terra levados pelos barcos negreiros para as terras de Vera Cruz... banzu... uma profunda nostalgia e saudade que a levaram a querer representar toda uma nova vida nessa clandestinidade que era, também ela, opressora e limitadora na medida em que não lhe conferiam qualquer possibilidade de viver a sua vida nesse Brasil que sempre sonhara e imaginara... o tal no qual "olhava para o céu que a alimenta", revelador da sua extrema esperança nesse lugar comum a que todos nós em liberdade apelidamos de "dias melhores".
Os seus pensamentos inundam os testemunhos daqueles que com ela conviveram assim como as cartas que deixara para trás como desabafos de uma vida... vivida mas saturada... desencantada até. O desencanto pela ideia de um Brasil "caridoso" no qual afirma existir apenas pela inferioridade do ."outro" e que denuncia toda a sua fragilidade emocional e revolta psicológica pela perpetuação de um regime que insistia na diminuição dos que com ele não concordam e até mesmo por uma incerteza que a colocava e aos demais militantes numa condição oscilante entre "exilados" e "banidos" impossibilitando-os de qualquer reconhecimento internacional independentemente do local em que se encontrassem.
Mas, são as memórias desse período de torturas e dos seus torturadores que tudo utilizavam da agressão física e emocional sem esquecer a sexual que, em boa medida, Alma Clandestina apresenta ao espectador. Contrariamente a tantos outros documentários do género, aqui José Barahona centra a dinâmica de uma acção não nos infindáveis relatos sobre o que se passava para lá das paredes de uma qualquer prisão para onde eram levados os opositores políticos mas sim nos testemunhos na primeira pessoa sobre o que por lá acontecia. Não escutamos momentos sobre tortura ou pressão física e psicológica que qualquer um de nós mais atento ou interessado nestes documentos históricos já não conheça de tantas outras obras. Aqui, por sua vez, escutamos os desabafos de uma dessas intervenientes e compreendemos principalmente a sua degradação emocional enquadrando as suas palavras - bem como o que elas escondem - no período histórico em questão e a sua involuntária perda para com esses pensamentos questionando-se o espectador por diversas vezes sobre o trauma que a memória guarda dividindo Maria Auxiliadora em três momentos específicos... um certo ideal de felicidade junto dos seus... a dor e a revolta de um presente de tortura e fuga... e finalmente a compreensão de um futuro que (in)conscientemente reconhecia ser incerto. Para lá de qualquer registo sobre a ditadura - a noção pressupõe (ou deveria) per si toda uma conotação negativa - Alma Clandestina é sim o registo da força de vida de uma mulher mas também das suas ânsias e fragilidades que lentamente a consumiram e se transformaram num desespero crescente e imparável.
Baseado em testemunhos daqueles que com ela conviveram, em diversas das suas cartas e em textos como Continuo Sonhado e Buti, Alma Clandestina é o documentário necessário e pertinente não só enquanto um documento histórico como também enquanto um espelho dos dias que agora estão novamente a ser vividos no Brasil, onde o discurso político ultra-radicalizado ganha toda uma nova dinâmica e no qual parece novamente querer perseguir aqueles que se lhe opõem ou são considerados "inimigos", criando divisões, grupos e segmentos de exclusão e sobretudo uma certa consciência social da existência de um "eu" e o "outro" residindo na primeira pessoa essa ideia de positividade e iluminação que é imediatamente confiscada a todos aqueles que não partilham o mesmo ideal do "líder" e da silenciosa ditadura que se instala... com o consentimento de um povo nem sempre esclarecido e tantas vezes politicamente ignorante que procura um Messias num suposto rosto de lei carismático e igualmente perigoso.
A alma, mesmo enclausurada, nunca se transforma em capturada. O testemunho da vida de Maria Auxiliadora Barcellos aqui trazido ao grande ecrã por José Barahona comprova sim, que pode ser frágil, que pode tremer ou até mesmo viver nessa clandestinidade que o próprio título do documentário assume... Mas é esse mesmo tormento e até mesmo essa clandestinidade que a tornam livre... Livre de escolher o seu dia e o seu amanhã dentro de todas as incertezas que lhe estão inerentes a uma vida que é, de certa forma, vivida num cativeiro a céu aberto, sem paredes ou grades que o tolhem mas que, ao mesmo tempo, não lhe possibilitam a proximidade aos seus e ao que é seu como a mesma desejaria.
Assim, se Alma Clandestina é importante por esta perspectiva histórica e pessoal da vida de uma mulher que é essencialmente intemporal... mais relevante se transforma a partir do momento em que o espectador consciente compreende os dias pelos quais o Brasil, e até mesmo um pouco do mundo, atravessa.
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"Estar vivo e existir não é respirar... É sentir uma pulsação que te empurra."
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Prémio Sakharov 2018 para...

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... o realizador Ucraniano Oleg Sentsov.
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O Prémio Sakharov de Liberdade de Pensamento em honra do dissidente político Soviético Andrei Sakharov atribuído desde 1988 a indivíduos e organizações que lutam em prol dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais, distinguiu o realizador de uma lista que incluía ainda as organizações não-governamentais que defendem os Direitos Humanos e salvam os migrantes em perigo no Mediterrâneo e ainda Nasser Zefzafi, líder do Hirak, um movimento de protesto em Marrocos.
Ao anunciar o laureado desta trigésima edição do Prémio Sakharov, o Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, referiu que "Através da sua coragem e determinação, ao pôr a sua vida em perigo, o realizador Oleg Sentsov tornou-se num símbolo da luta pela libertação de prisioneiros políticos na Rússia e por todo o mundo" acrescentando que "ao atribuir-lhe o Prémio Sakharov, o Parlamento Europeu expressa a sua solidariedade para com ele e a sua causa. Pedimos que seja imediatamente libertado. A sua luta relembra-nos que é o nosso dever defender os Direitos Humanos por toda a parte do mundo e sob todas as circunstâncias".
Sentsov fora sentenciado a vinte anos de prisão por "planear actos terroristas" contra o controle russo "de facto" na região ucraniana da Crimeia, tendo a Amnistia Internacional descrito o processo judicial como "injusto num tribunal militar".
O realizador transformou-se num símbolo de aproximadamente setenta cidadãos Ucranianos detidos ilegalmente e condenados a pesadas penas de prisão pelas forças de ocupação russas na Península da Crimeia. Sentsov encontrava-se numa greve de fome desde Maio que havia terminado no início do mês depois de ter sido ameaçado de ser alimentado de forma coerciva.
A cerimónia de entrega do Prémio Sakharov irá decorrer no próximo dia 12 de Dezembro no Parlamento Europeu em Estrasburgo.
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terça-feira, 23 de outubro de 2018

James Karen

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1923 - 2018
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European Film Awards - Filme de Animação e Comédia Europeia 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou esta segunda-feira os nomeados aos seus prémios anuais nas categorias de Filme Europeu de Animação e Melhor Comédia Europeia. São os nomeados:
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Melhor Comédia Europeia
The Death of Stalin, de Armando Iannucci
Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Le Sens de la Fête, de Eric Toledano e Olivier Nakache
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Melhor Filme Europeu de Animação
Another Day of Life, de Raul de la Fuente e Damian Nenow
The Breadwinner, de Nora Twomey
Croc-Blanc, de Alexandre Espigares
Early Man, de Nick Park
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Os vencedores destas e das demais categorias serão conhecidos na cerimónia da trigésima-primeira edição dos European Film Awards a realizar no próximo dia 15 de Dezembro, em Sevilha.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #112

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A Sessão #112 do Shortcutz Viseu chega na próxima sexta-feira sob a forma de uma sessão especial inteiramente dedicada ao MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa onde serão exibidos alguns filmes curtos que passaram pela última edição do festival.
Assim, e para todos aqueles que apreciam uma noite de terror e suspese, It's Thight But It Hardly Chokes, de David P. Sañudo (Espanha), Conductor, de Alex Nover (EUA), Centrifugado, de Mireia Noguera (Espanha), The Hour of Darkness, de Domenico de Feudis (Itália) e Lunch Ladies, de Clarissa Jacobson (EUA) compõe uma noite inteiramente dedicado ao género que irá ter lugar, uma vez mais, na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea a partir das 22 horas do próximo dia 26 de Outubro.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Diana Sowle

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1930 - 2018
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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Gotham Independent Film Awards 2018: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Gotham Independent Film Awards, os primeiros que "abrem" oficialmente a temporada de prémios às produções cinematográficas do último ano.
Entre as surpresas e as confirmações, os nomeados são:
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Melhor Filme
The Favorite, de Yorgos Lanthimos
First Reformed, de Paul Schrader
If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins
Madeline's Madeline, de Josephine Decker
The Rider, de Chloé Zhao
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Melhor Documentário
Bisbee' 17, de Robert Greene
Hale County This Morning, This Evening, de RaMell Ross
Minding the Gap, de Bing Liu
Shirkers, de Sandi Tan
Won't You Be My Neighbor?, de Morgan Neville
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Bingham Ray Award - Realizador Revelação
Bo Burnham, Eighth Grade
Ari Aster, Hereditary
Crystal Moselle, Skate Kitchen
Boots Riley, Sorry to Bother You
Jennifer Fox, The Tale
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Melhor Actor
Adam Driver, BlacKkKlansman
Ben Foster, Leave No Trace
Richard E. Grant, Can You Ever Forgive Me?
Ethan Hawke, First Reformed
Lakeith Stanfield, Sorry to Bother You
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Melhor Actriz
Glenn Close, The Wife
Toni Collette, Hereditary
Kathryn Hahn, Private Life
Regina Hall, Support the Girls
Michelle Pfeiffer, Where Is Kyra?
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Intérprete Revelação
Yalitza Aparicio, Roma
Elsie Fisher, Eighth Grade
Thomasin Harcourt, Leave No Trace
Helena Howard, Madeline's Madeline
Kiki Layne, If Beale Street Could Talk
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Prémio Especial do Jurado - Elenco: The Favorite, Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz
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Melhor Argumento
The Favorite, Deborah Davis e Tony McNamara
First Reformed, Paul Schrader
Private Life, Tamara Jenkins
Support the Girls, Andrew Bujalski
Thoroughbreds, Cory Finley
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 26 de Novembro, em Nova York.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

César Fernandes

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1966 - 2018
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