Ida de Pawel Pawlikowski é uma longa-metragem de ficção polaca e um dos filmes sensação deste ano e que agora tem a sua estreia comercial em Portugal.
Anna (Agata Trzebuchowska) é uma jovem noviça na Polónia dos anos 60 do século passado. Prestes a cumprir os seus votos, Anna conhece Wanda (Agata Kulesza), uma tia que lhe dá a conhecer um terrível segredo do seu passado que remonta aos anos da ocupação nazi.
O argumento de Pawlikowski e Rebecca Lenkiewicz leva o espectador a uma viagem não só pela Polónia comunista como também à sobrevivência do catolicismo na mesma mas principalmente a uma viagem que é feita às memórias, ao passado e àqueles que dele nunca conseguiram recuperar.
"Anna" é uma jovem para quem o mundo sempre se encontrou fechado e desconhecido graças à sua permanência num convento católico desde praticamente a sua nascença. Sem qualquer registo de um passado ou de uma proveniência, a sua educação foi desde o primeiro instante ligada aos ensinamentos católicos que as freiras lhe transmitiram e que, de certa forma, tendo sido a sua única influência lhe parecem a sua mais natural continuidade.
No entanto, é quando "Anna" descobre que as suas origens são judias e que o seu nome verdadeiro é "Ida Lebenstein" que todas as suas convicções são colocadas em causa. Se por um lado "Anna" tem em toda a sua formação moral e educacional os princípios católicos que lhe foram transmitidos, não é menos seguro afirmar que ao descobrir que os seus pais foram primeiro resgatados e depois assassinados por católicos, as suas convicções ficam automaticamente questionadas. Como poderá ela abraçar uma fé que não conseguiu garantir-lhe segurança - e aos seus - e ao mesmo tempo ser professada por aqueles que impiedosamente lhe retiraram os pais de quem não tem qualquer memória?
A seu lado temos "Wanda", a tia distante e aparentemente gélida mas que aos poucos inicia o seu próprio processo de descoberta e empatia revelando, ao mesmo tempo, os seus propósitos até então desconhecidos. "Wanda" sobreviveu à guerra na qual combateu enquanto resistente e é nestes anos 60 uma juíza na Polónia comunista. Uma mulher de relevância na sociedade mas que na sua vida particular não denota qualquer tipo de ligação evidentes pela sua casa desprovida de vida familiar e visível também nos encontros esporádicos que celebra apenas com um propósito de momentânea satisfação sexual.
Se para "Anna" este processo revela-se como de auto-descoberta e conhecimento das suas origens podendo o mesmo colocar em questão todas as suas convicções, para "Wanda" não passa de um conjunto de momentos onde se acentua não só o seu desespero como principalmente a sua espiral descendente de agonia e penitência por um passado que nunca conseguiu ser presente. Se para a primeira este processo é de conhecimento, para a segunda é de confrontação com as suas memórias, com as suas perdas e principalmente com o facto de saber que aquilo que em tempos tivera jamais poderá ser novamente obtido. No fundo, "Wanda" não sabe como sobreviver ao "amanhã" tendo conhecido o "ontem", e aos poucos desaparece - ou tenta - da sociedade que conhece e que parece ter esquecido no seu próprio silêncio.
Ambas vivem com uma identidade difusa. "Anna" parece questionar toda uma existência cristã e católica agora que conhece o mundo - ou pelo menos aquilo que ele aparenta poder ter - para lá das paredes do convento bem como as suas novas origens e raízes e por outro lado "Wanda" vive com o estigma de uma mulher socialmente bem sucedida graças ao seu combate na resistência mas, ao mesmo tempo, atormentada com a memória da família que perdeu. Família essa que é apenas mencionada em dois breves momentos aos quais o espectador precisa de estar com atenção redobrada. Num misto de novos momentos e elementos que silenciosamente parecem querer impôr-se, ambas vivem com a questão de quem serão elas realmente?
É quando a história sobre os seus passados que chega finalmente a verdadeira confrontação... "E agora o quê?!"... Quando todas as perguntas parecem finalmente ter alcançado a sua resposta e que os mortos têm finalmente o seu descanso, o que acontece ao dia seguinte destas duas mulheres? conseguirá uma resistir à confirmação dos seus votos? Conseguirá a outra encontrar paz nas suas memórias?
A magnífica interpretação das duas actrizes cativa o espectador desde o primeiro instante mostrando-lhe duas distintas perspectivas que silenciosamente captam o seu próprio espaço. Duas mulheres de força - e de convicções - que, no entanto, se deixam levar pelos seus extremos na medida em que nenhuma está disposta a conhecer o outro lado com que entretanto se deparam. Para "Anna", a descoberta de uma vida para lá do convento é garantida através de pequenos momentos que se permite viver sem que, no entanto, se comprometa com nenhum deles enquanto que para "Wanda", a ideia de aceitar que a vida continuou apesar da sua perda é também ela impossível de equacionar. Como se sobrevive à perda, ao desgosto e à auto-culpabilização que um passado lhe deixaram como herança?
Os planos semi-reveladores que a direcção de fotografia de Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski fornecem ao espectador a ideia de que apenas lhe é mostrado o essencial, os elementos que lhe permitem saber onde se encontra, o que se passa naquele imediato e a perspectiva de que existe todo um novo mundo que nunca é visto mas sim entendido como existindo, fazendo assim perceber que, tal como para as duas protagonistas, existe algo mais que poderá ou não ser visto.
Não sendo o típico filme sobre o Holocausto que nos transporta a uma intensa viagem-relato das experiências de fuga ou de permanência num campo de concentração, Ida é por sua vez o filme registo sobre a importância da memória na formação do indivíduo e sobre a forma como esta afecta de forma inquestionável a sua resistência a um mundo que impiedosamente continuou a avançar não fazendo esquecer aqueles que connosco viveram. No fundo Ida é o filme não sobre o "agora" mas sobre o "e depois" relatando a vida daqueles que sobreviveram de uma ou outra forma.
Hustle & Flow de Craig Brewer é uma longa-metragem norte-americana vencedora do Oscar de Melhor Canção Original - "It's Hard Out Here for a Pimp" - e que conferiu ainda a Terrence Howard a nomeação a Melhor Actor.
DJay (Howard) passa pela vida pondo "as suas mulheres" a trabalhar na estrada para ele. Com sonhos antigos de uma vida de glória no mundo da música, DJay tenta com alguns dos seus amigos gravar a música que o poderá ajudar a alcançar esse sonho.
Do "bairro" para a "fama" é um tema recorrente nestas longas-metragens que anseiam desesperadamente por retratar o lado oculto do país das oportunidades. O argumento, também da autoria de Craig Brewer, acaba por ser o habitual nestas histórias com algumas variantes mais ou menos insinuantes e aqui o espectador conhece "DJay" (naquela que é a primeira e única - à data - nomeação a Oscar para Terrence Howard), um homem que se limita a uma existência cuja passagem apenas é marcada pela fidelidade de duas mulheres que ele tem a trabalhar para si enquanto prostitutas - "Nola" (Taryn Manning) e "Shug" (Taraji P. Henson) - e que um dia se cruza com um velho amigo da escola - "Key" (Anthony Anderson), agora um produtor musical sem "fogo" na sua vida.
"DJay" é o protótipo por excelência do falhado a quem a vida nunca sorriu. Perdido nos seus pensamentos e em ambições esquecidas ou, também elas, apagadas, desiste do sonho achando-o apenas uma memória semi-desaparecida que em tempos ousou pensar. Rude, pouco amistoso e forçosamente um "homem da rua" que sobrevive, é o seu encontro com "Kev" que o leva a desafiar o impossível e tentar a sua sorte no meio onde sempre achou pertencer... onde conta as suas experiências e onde, de certa forma, expia toda a sua vida como que em busca de uma redenção por parte daqueles que "do outro lado" se possam identificar com aquele que ele representa.
Mas, como tudo na vida, nem sempre essas oportunidades são passíveis de alcançar com a determinação que se lhes deposita ou mesmo com as portas que parecem ser momentaneamente abertas para que por elas se possam entrar. Mais uma vez, "DJay" encontra-se perdido no tal limbo a que os homens sem oportunidades - ou que a esta condição se entregaram - se encontram e, desesperado com a perspectiva de um futuro que nunca irá mudar, se revolta com a sua condição mantendo por perto apenas a fidelidade dos seus de sempre e novos amigos.
Não se engane o espectador com esta história ou tão pouco com um trailer mais ou menos apelativo.. Aqui, a novidade não parece existir e à semelhança de tantos outros - recordo-me muito imediatamente de 8 Mile, de Curtis Hanson - o protagonista que poderá não terminar com a perspectiva de futuro ideal mas encontra sim uma forma de redenção com o seu meio, a sua vida e as suas amizades que estranhamente parecem ser não só as únicas com que pode contar mas também aquelas que mais ou menos silenciosamente sempre estiveram do seu lado. O futuro, ou aquilo que dele se deseja (desejou) pode não ser aquilo que se irá alcançar mas, ao mesmo tempo, o tal karma cósmico parece encaminhar "DJay" - e amizades - para um certo universo não alternativo mas próximo de uma realidade outrora desejada... mesmo que para lá chegar se tenha de atravessar uma última e inesperada provação.
As oportunidades, os caminhos para as alcançar ou até mesmo os intervenientes que se lhe são colocados a determinada altura podem parecer os mais indicados mas, no entanto, mais não são do que testes últimos sobre a sua determinação e vontade para o seu (tal) sonho e que lhe vão confirmar que a luta poderá ser apenas e só sua... e nunca facilitada pelos enormes sorrisos que vêem nele um sonhador desaparecido que reconhecem mas que abominam e não querem enquanto "sangue novo" no espaço que, também eles, lhes custou a alcançar.
Motivacional? Talvez... De longo alcance? Pouco provável. Hustle & Flow é "aquele" filme que apesar de algum impacto mediático que tenha alcançado nos "seus dias" - que distante que isto parece - e mesmo com um Oscar no seu curriculum consegue apenas brilhar para um núcleo muito restrito que ainda pensa e acredita num ideal de "terra das oportunidades" onde o sonho (por acaso) ainda acontece. Dotado de uma fortíssima interpretação de Taryn Manning e de uma sempre magnífica e emotiva Taraji P. Henson, Hustle & Flow é tão meteórico como olvidável permanecendo apenas na memória como "aquele filme" que trouxe a palavra "chulo" à cerimónia dos prémios de cinema mais cobiçados do mundo.
Depois de várias sessões e de uma forte e importante afirmação cultural na cidade, chegou a altura de se celebrar o primeiro aniversário do Shortcutz Xpress Viseu.
Será no próximo dia 27 de Julho no Teatro Municipal Viriato que este aniversário será celebrado num evento organizado pelo Shorcutz Xpress Viseu com a promoção e o apoio técnico do
Município de Viseu e o apoio da Só Sabão, Hotel Moínho de Vento e
Lanxeirão, onde a partir das 16 horas serão anunciados não só os vencedores das categorias em competição assim como serão exibidas as respectivas curtas-metragens.
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Melhor Curta-Metragem
M, de Joana Bartolomeu The Headless Nun, de Nuno Sá Pessoa O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado, de Nuno Matos Breu, de Jerónimo Ribeiro Rocha Arpeggio, de Hélder Faria Curiositas, de Paulo Cristovão Como Tu, de Afonso Oliveira Branco, de Luís Alves Bílis Negra, de Nuno Sá Pessoa Herculano, de Sérgio Graciano Chico Malha, de Guilherme Gomes e Miguel Reis Perto, de José Retré
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Melhor Actor
Bruno Mateus, O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado
João Craveiro, Bílis Negra
Miguel Borges, Herculano
Sérgio Praia, Perto
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Melhor Actriz
Joana de Brito, Chico Malha
Manuela Couto, Perto
Patrícia André, Herculano
Adriana Moniz, Perto De Mais
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Melhor Realizador
José Retré, Perto Sérgio Graciano, Herculano Nuno Sá Pessoa, Bílis Negra Nuno Matos, O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado
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Melhor Argumento
Bílis Negra, João Craveiro
Chico Malha, Ana Reis, Guilherme Gomes e Miguel Reis
Herculano, Célia Costa e Filipa Poppe O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado, de Nuno Matos
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Melhor Fotografia
Duarte Guedes, A Ceia
Leonor Teles, O Sítio Onde as Raposas Dizem Boa Noite
O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese é a mais recente longa-metragem do realizador de Taxi Driver (1976), Raging Bull (1980), Goodfellas (1990), Casino (1995) ou Gangs of New York (2002).
Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um tipo na casa dos vinte's com desejos de dinheiro rápido e fácil. A trabalhar numa financeira que funda, Belfort vive uma vida de excessos e exuberância onde o sexo e a droga são sinónimo de poder e ascenção. Mas quando a sua firma e as suas acções começam a ser investigadas, Belfort termina na prisão a cumprir pena pelos seus actos ilícitos que vão desde a corrupção a detenção de informação privilegiada e desfalque.
A assinatura de Scorsese neste filme é francamente notória e podemos acompanhá-lo não só na forma como dirige os excessos dos quais as suas personagens - aqui reais - são acusadas como principalmente por colocá-los ao longo de todo o filme como uma espécie de narração da consciência que reflete sobre os acontecimentos passados e as suas próprias acções. No fundo, como um prenúncio explicativo de todo o desfecho que suspeitamos - ou já conhecemos - estar por chegar.
Numa viagem que podemos seguramente afirmar como sendo alucinante, o argumento de Terence Winter com base no livro do próprio Belfort entrega ao espectador uma experiência que praticamente se poderá ter como participativa e na primeira pessoa onde acompanha os meandros de um mundo que promete - e cumpre - a concretização do sonho americano mas que, ao mesmo tempo, também se entende como de excessos e loucuras que apenas o consumo de substâncias podem fazer ignorar. A corrupção ou a troca de favores, a capacidade de ludibriar e a promessa de dinheiro fácil são uma constante e ninguém como Scorsese conseguiria filmá-los de forma coerentemente sóbria possibilitando que o espectador acompanhe todos os momentos através de uma câmara sempre presente.
Enquanto acompanhamos estes excessos e de certa forma "validamos" o comportamento de "Belfort" que apenas se pode justificar como uma vontade extrema de enriquecer e sair de uma pobreza e insignificância que claramente o terá afectado ao longo da sua juventude - não que seja velho pois que tenhamos em mente que durante todo este período ele encontra-se com menos de trinta anos de idade -, não é menos verdade afirmar que percebemos e sentimos a espiral de decadência que o acompanha bem como àqueles que o rodeiam, todos sedentos de dinheiro rápido tido à custa de quão facilmente conseguem enganar aqueles que são ludibriados pela sua forma pouco convencional de lhes revelar um mundo onde tudo está ao alcance daqueles que sonham o "sonho americano".
Aqui o dinheiro é, tal como qualquer outra droga ou dependência, um vício que se entranha no corpo e quanto mais existe mais se quer estar na sua companhia. Tal como uma droga - legal ou não - o dinheiro e também o sexo tornam-se numa dependência que mutuamente se "alimentam" das suas existências. O primeiro existe por se conseguir ludibriar os demais e tanto droga como sexo chegam pelo poder que a existência de dólares conferem àqueles que os "ganham". The money keeps rolling in seria a expressão ideal para The Wolf of Wall Street que rapidamente se torna numa espiral de decadência e destruição de todos estes indivíduos que sedentos de serem alguém na vida e preferencialmente à custa de muito pouco trabalho, ascendem socialmente a um patamar que muito poucos conseguem e esbanjam-no - ao dinheiro - com a mesma facilidade com que o alcançam. O dinheiro é fácil de conquistar - ainda mais fácil de gastar - e uma vez gasto há sempre a hipótese de conseguir um pouco mais... e mais... e ainda mais. Tal como uma droga gera a dependência e a excitação do momento e do conseguir arranjar como se de uma dose se tratasse, leva-os a ter pouco respeito - no sentido de valor - pelo ganho, e voluntariamente colocá-lo a circular no mais profundo sinal de um qualquer novo riquismo que se apodera não só deles como das suas almas.
DiCaprio que já tem na sua carreira um conjunto de obras assinaláveis em colaboração com Scorsese - Gangs of New York (2002), The Aviator (2004), The Departed (2006) e Shutter Island (2010) - encontra em "Jordan Belfort" mais uma interpretação memorável e a sua segunda nomeação a Oscar de Melhor Actor às mãos de Scorsese depois de The Aviator. Intenso pelo seu carisma jovial que insiste em não desvanecer, DiCaprio consegue encantar pela agilidade com que interpreta a sua personagem - baseada claro em factos reais - e conferir uma dose de ironia à mesma apenas conseguida pelo De Niro noutros tempos também às ordens do realizador italo-americano. Surpreendentemente eficaz pela forma como se transforma num homem entregue aos caprichos do desejo e da rápida ascenção, DiCaprio está definitivamente afastado das personagens "infantis" que caracterizaram o seu início de carreira e impõe-se uma vez mais como um actor capaz de encanar as personagens sérias e dramáticas que lhe são confiadas. O Oscar escapou-lhe uma vez mais, é um facto, mas todos nós sabemos que estará para muito breve pois o reconhecimento enquanto actor de primeira linha já ninguém lho consegue retirar.
Não sendo um admirador confesso de Jonah Hill tenho, no entanto, de confessar e afirmar o meu aplauso pela sua interpretação como o algo irritante e por vezes absurdo "Donnie Azoff", amigo de "Belfort" e que com ele deu os primeiros passos na sua nova empresa bem como a Margot Robbie como "Naomi Lapaglia" a sua segunda mulher.
Um filme de interpretações como o são normalmente as obras de Martin Scorsese, The Wolf of Wall Street destaca-se, uma vez mais, como uma intensa - muito intensa - viagem ao submundo da alma e das ambições humanas, uma espiral à decadência e ao mundo dos excessos onde se perde mais do que aquilo que se consegue ganhar mas que. no entanto, demonstra uma extraordinária capacidade de se encontrar o mais profundo do "eu" e sair vencedor da mesma... ainda que possivelmente sem os mesmos bens materiais que estiveram anteriormente na "nossa" - deles - posse. E na realidade... poderia mais alguém dirigir uma história destas que não Scorsese?!
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"Jordan Belfort:
Let me tell you something. There's no nobility in poverty. I've been a
poor man, and I've been a rich man. And I choose rich every fucking
time."
Terras do Demo de Duarte Guedes é uma curta-metragem portuguesa de ficção feita no âmbito do 48 Short Media, em Viseu.
Um filho regressa a casa depois de dez anos distante. O pai trabalha o campo enquanto o recorda e espera pelo seu regresso. O reencontro poderá não ser aquilo que ambos esperam.
Com argumento de Nuno Simões, Terras do Demo divide-se em dois claros momentos onde o espectador escuta os pensamentos solitários de cada um dos seus actores. Por um lado temos um filho (Tiago Vieira) que regressa a casa depois de dez anos no Brasil onde se afastou de uma vida dura de trabalho no campo que, percebemos, ser algo que não desejava.
Este regresso às origens através de um campo repleto de nevoeiro, que aparenta dificultar esse regresso, é acompanhado - por outro lado - pela memória de um pai (Luís Santos) saudoso e que nunca deixou as suas humildes origens ocupando-se, portanto, do trabalho da terra como seu sustento.
Com a clara convicção de que o berço - a terra - é o lugar onde sempre se pode regressar, Terras do Demo realça também que é a mesma que nos confere as maiores provações, desafios e por vezes amarguras sendo, no entanto, aquele do qual todos têm a certeza ser o único lugar ao qual pertencem. Aquela que não sendo aparentemente alterada se mantém, no entanto, numa transformação persistente e que coloca à prova todos aqueles que a cruzam.
A memória, a saudade, a confirmação de um espaço de pertença e a certeza daqueles que nos - o - amam estão presentes em Terras do Demo assim como a garantia de um passado e de um presente, para lá da certeza de um futuro possível sendo que este nem sempre se confirmará pela positiva... porque tudo se faz de perdas.
Destaque para a direcção de fotografia também da autoria de Duarte Guedes e a suspeita de que esta história poderia - com mais tempo e mais recursos para a sua concretização - ser uma história que poderia ser desenvolvida - nos pensamentos soltos - pelas suas personagens, pelas suas motivações, desejos e angústias.
Eles Comem Tudo de Afonso Oliveira, Jorge Machado, Flávio Costa e Nuno Trigo é uma curta-metragem portuguesa de ficção realizada no âmbito do 48 Short Media que decorreu no início do mês de Julho, em Viseu.
Zé (Crispim Rodrigues) encontra-se com um amigo (Ruben Silva) a tentar a sorte na pesca junto a um rio. Falam sobre a vida, sobre o estado das coisas e sobre o mundo. De repente são abordados por um misterioso engravatado (Guilherme Gil) que comprova as suas teorias.
Ainda que uma curta-metragem elaborada na sua grande maioria no decorrer das quarenta e oitos horas previstas deste evento, Eles Comem Tudo prima por um interessante argumento da autoria de Afonso Oliveira e Jorge Machado que tece sentidas e pensadas considerações sobre o mundo em que vivemos culminando com uma desarmante conclusão final.
A conversa dos dois amigos não poderia ser mais irónica e capaz de espelhar a mais básica condição económica do Homem; uns trabalham e são taxados enquanto outros mandam trabalhar as suas terras e recebem os lucros sem o mínimo esforço ou respeito por aqueles que o têm. É disto exemplo os instantes finais quando depois de uma tarde à beira rio, "Zé" consegue pescar um único peixe que o respectivo homem engravatado lhe retira como taxa para, ironia do destino, lho vender depois no mercado. Assim, este homem não só não tem o trabalho, como cobra um imposto e depois vende o produto à mesma pessoa que o conseguiu inicialmente... um trágico retrato da sociedade tal como a conhecemos e vivemos.
Ainda que muito ao estilo de um gag de uma qualquer sitcom televisiva, Eles Comem Tudo condensa nos seus breves minutos tudo aquilo que uma história se propõe a contar contendo ainda uma elevada crítica social à qual só nos resta deixar um sorriso não da piada que tem mas sim da triste realidade que esconde.
Caça de Alexandra Prezado, João Filipe Silva, João Miguel Ferreira, Ricardo Marques e Sara Allen é uma curta-metragem portuguesa de ficção produzida no âmbito do 48 Short Media onde venceu o prémio de melhor filme produzido.
Abel (Pedro Santos) é um revolucionário em fuga que tem em sua posse um documento importante que a todo o custo deve proteger. Rita (Joana Martins), é a sua preocupada irmã que desespera pelo seu futuro.
Perseguido pelos seus conhecimentos conseguirá Abel fugir de um trágico destino?
Em pouco mais de cinco minutos esta curta-metragem consegue recriar um interessante ambiente de suspeito, perseguição e fuga onde as personagens em causa nos transmitem o essencial de um filme que se pretende de suspense.
Pedro Santos, o "revolucionário" de serviço mantém o espectador em suspense sobre o seu destino e sobre aquilo que realmente esconde com as informações que tem em seu poder, no entanto, não é menos verdade que uma boa parte deste mistério se mantém em suspenso devido à escassa (mas compreensível) duração deste filme curto que termina cedo demais.
Com uma direcção de fotografia muito eficaz que transporta o espectador para um ambiente que faz lembrar os antigos filmes policiais, acredito que com um maior período de tempo para a sua execução poderia ter feito de Caça um competente filme de mistério onde muitos dos pequenos detalhes que se perdem seriam devidamente explorados. Ainda assim denota-se um cuidado especial para com os locais escolhidos para as filmagens assim como para com a atenção dada ao desenvolvimento da narrativa que tenta salvaguardar desde o primeiro instante o mistério e o sentido de "antigo regime" que esta história pressupõe.
Offline de Pedro Rodrigues é uma curta-metragem portuguesa de ficção e o mais recente trabalho deste realizador que nos trouxe o clássico S.C.U.M., um dos vencedores do Shortcutz Lisboa, um dos finalistas do MOTELx e um dos filmes premiados aqui pelo CinEuphoria em 2012, nomeadamente com os prémios de Melhor Curta-Metragem, Melhor Realizador de Curta-Metragem e Melhor Caracterização.
Num argumento também escrito por Rodrigues, Offline transporta o espectador para um ambiente sombrio onde percebemos que algo de sinistro se prepara. Vislumbramos uma mulher (Rita Brandão) que apresenta claros sinais de viver numa realidade muito própria que a rodeia e que apenas ela sente como sendo "normal".
Enquanto a própria prepara a edição de uma nova película, ao longe numa cadeira alguém está preso (Mafalda Oliveira), e percebemos que este filme poderá apresentar sinais mais sinistros do que aqueles que estávamos preparados para ver.
Vários são os indícios que desde o primeiro instante nos apontam para a presença de uma mente perturbada nomeadamente aquela imagem turva e pouco clara com que é iniciada a curta-metragem Offline. A realidade, ou a sua percepção, estão assim comprometidas e nos breves minutos que se seguem sabemos ir entrar num universo diferente e distinto onde a clausura física e principalmente a mental tomam conta dos acontecimentos sobrepondo-se assim à própria capacidade humana de sentir.
Sem um esclarecimento sobre o que levou aquele mente a ultrapassar os seus próprios limites, pois ao mesmo tempo em que nos deparamos com um ambiente grotesco e hóstil temos ao fundo na televisão uma música ligeira e imagens de Chaplin numa das suas muitas aventuras cómicas, apenas podemos deduzir que esta mulher foi de alguma forma marcada pela dor que a levou a querer eliminar todas as provas da sua existência nomeadamente aquelas que confirmem a sua passagem pelo plano terreno. É então que equacionamos que aquela jovem que se encontra detida e em sofrimento mais não será do que a sua própria filha que tortura impiedosamente ao mantê-la refém da sua vontade ao mesmo tempo que a obriga de forma quase maternal a assistir a um filme ligeiro e bem disposto... quão vã crueldade.
Crueldade esta que atinge limites ainda mais distintos quando a própria filha é, de seguida, "alimentada" por imagens do seu próprio cativeiro. Temos então uma macabra e sinistra alusão às suas duas obras-primas em confronto, ou seja, a filha que viu nascer e crescer e a sua obra fílmica cuja elaboração se deve ao sacrifício da primeira. O nascimento de um apenas será possível graças ao desaparecimento do outro que, tememos poder já ser um facto.
Todo o ambiente em torno de Offline é sinistro... Desde a história ao espaço e principalmente a sua personagem central que vive num qualquer delírio que nunca nos é explicado... e não seria preciso. Os grandes filmes de terror prendem-se com a premissa de que o mal, o verdadeiro mal, pode (sobre)viver simplesmente graças à existência daqueles que sabem que o podem fazer independentemente das consequências que dele chegarem. É isto mesmo que confirma o final desta curta-metragem; qual a defesa possível quando este verdadeiro mal surge pela mão daqueles que nos deveriam proteger e que um dia, sem qualquer motivo aparente, decidem que podem (e fazem) o mal que quiserem, impunes e donos do seu próprio (e dos outros) final?
A única diferença mais significativa entre os argumentos de S.C.U.M. e de Offline é assim a questão da impunidade. Enquanto em S.C.U.M., o mal e a violência são punidos por um inesperado vingador que se afirma pela retaliação, em Offline o mal sai impune e pelo seu próprio "pé", decidindo quando põe termo à sua obra por mais macabra que ela possa ser. Talvez por isso mesmo seja mais assustador e difícil de explicar... afinal que motivos poderemos nós encontrar para esclarecer este comportamento entre dois seres cuja principal razão de existir deveria ser o amor de uma pela outra?!
É com esta base que Pedro Rodrigues criou o clássico S.C.U.M., e que surge uma vez mais (felizmente) com Offline, outro filme que se espera (espero) chegue à selecção oficial da edição deste ano do MOTELx, e que confirma este realizador como um valor seguro do género e que, a título pessoal, espero continue a entregar obras sólidas no género de terror que (in)felizmente ainda poucos se atreveram a explorar, com qualidade, em Portugal.
Game de Josh MacDonald é uma curta-metragem canadiana de terror que acompanha a fuga de uma mulher (Andrea Lee Norwood) das garras de três violentos predadores, Prior (Pasha Ebrahimi), Gabe (Glen Matthews) e Jubal (Michael McPhee), que a perseguem através de um local remoto e onde a escapatória parece impossível.
No entanto, é quanto tudo parece perdido que o destino daquela mulher revela uma improvável salvação colocando então os três homens no banco das vítimas.
É graças a um engenhoso argumento, também ele da autoria de MacDonald, que Game revela ser a reinvenção do filme clássico do género onde a suposta vítima irá dar provas de que afinal não precisa de tanta ajuda... O que precisa mesmo é estar no seu ambiente dito natural para se transformar na vingadora ideal para exterminar todos aqueles que a afrontam. É então que no exacto momento da sua revelação que todos nós espectadores deixamos de ter empatia para com aquela personagem e sim dar-lhe razão na sua demanda... ainda que ela atinja por momentos alguns segmentos de comédia que tecem a devida homenagem aos referidos clássicos.
Numa oscilação perfeita entre drama, suspense e comédia, Game assume-se como uma interessante referência ao cinema de género que teve o seu expoente máximo em obras como The Texas Chainsaw Massacre, The Howling ou Halloween (aos quais tece uma homenagem) e apesar de estarmos perante uma curta-metragem perguntamo-nos se não gostaríamos de ver toda a captura e consequente tortura de que aquela jovem foi alvo. (In)conscientemente sabemos que estaríamos perante um intenso e muito bem planeado filme que se tornaria, também ele, numa referência moderna do género.
Impossível falar de Game sem fazer uma justa referência à magnífica caracterização de Marc Deveault e Lindsay Thorne que transformam literalmente as personagens em verdadeiras aberrações que metem medo não tanto pelo que fazem, ao qual na prática nunca chegamos a assistir, mas sim pela sua simples existência.
Foram hoje divulgados no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, na República Checa, os dez filmes candidatos ao Prémio LUX atribuído pelo Parlamento Europeu ao que de melhor se faz no cinema do continente.
Bande de Filles, de Céline Sciamma (França)
Feher Isten, de Kornél Mundruczó (Hungria/Alemanha/Suécia)
Hermosa Juventud, de Jaime Rosales (Espanha/França)
Ida, de Pawel Pawlikowski (Polónia/Dinamarca)
Kreuzweg, de Dietrich Brüggemann (Alemanha/França)
Le Meraviglie, de Alice Rohrwacher (Itália/Suíça/Alemanha)
Macondo, Sudabeh Mortezai (Áustria)
Razredni Sovraznik, de Rok Biček (Eslovénia)
Turist, de Ruben Östlund (Suécia/Dinamarca/França/Noruega)
Xenia, de Panos H. Koutras (Grécia/França/Bélgica)
Num sua apresentação foi dito que "Os dez filmes seleccionados englobam uma variedade de géneros, histórias, abordagens artísticas, mensagens e emoções diversas que obrigam o seu público a viajar através de variados países por toda a Europa", e por entre os quais podem ser descobertas duas primeiras-obras como as de Sudabeh Mortezai e de Rok Biček sendo este a primeira representação da Eslovénia ao Prémio LUX.
Entre os filmes seleccionados podemos ainda encontrar três realizadoras, Rohrwacher, Mortezai e Sciamma, presenças que orgulham os seleccionadores por uma cada vez maior inclusão de obras feitas no feminino, e encontramos ainda dois realizadores que já tiveram a oportunidade de ter as suas obras seleccionadas a este mesmo prémio, sendo eles Östlund e Mundruczó numa clara alusão a de que apesar de já terem passado por esta etapa, o Prémio LUX continua a acompanhar as obras dos realizadores que ajudou a divulgar.
Finalmente é ainda mencionada a importância dos valores e da História através das obras de Brüggemann e Pawlikowski, bem como a clara alusão aos jovens e à crise através das obras de Koutras, Rosales e da própria Rohrwacher.
Desta selecção serão agora anunciados três finalistas no final do mês de Julho, que farão parte da Competição Oficial, sendo legendados nas 24 línguas oficiais da União Europeia indo depois percorrer os 28 países membros.
O vencedor, a ser votado pelos membros do Parlamento Europeu, será anunciado a 17 de Dezembro em Estrasburgo sucedendo a The Broken Circle Breakdown, de Felix Van Groeningen que chegou inclusivé a ser nomeado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Bélgica e saiu vencedor do EFA de Melhor Actriz em Dezembro último.
The Gunfighter de Eric Kissack é uma curta-metragem de ficção norte-americana que num estilo muito próprio e uma comédia inteligente, entrega uns brevíssimos nove minutos de originalidade e inteligência desarmante.
Uma sarcástica e assumidamente provocadora narração (Nick Offerman) introduz as personagens desta comédia western. No entanto, todas as personagens aqui existentes têm a problemática vantagem de escutar tudo aquilo que esta refere sobre os seus pensamentos e intenções.
Quando no meio de um saloon onde todos têm algo a esconder a música se intensifica avisando de que algo está para acontecer, conseguirá algum deles sair daquele espaço com vida?
Kevin Tenglin escreve o inteligente, mordaz, sarcástico e por demais cómico argumento desta excelente curta-metragem que recuperando o tradicional filme western faz dele uma invulgar e improvável comédia com personagens que não deixam de ser tipificadas mas que, ao mesmo tempo, mostram o seu próprio toque de modernidade conquistando assim o espectador sem um (aparente) grande esforço.
Desmistificando os lugares comuns do género, Tenglin dá um toque pessoal a cada uma destas personagens que se fazem valer dos velhos preconceitos que o espectador tem sobre cada um deles mas, ao mesmo tempo, os coloca com questões actuais e um misto de sexualidade "imprópria" para a época e progressitas em relação à etnia - mas não em relação às mulheres - fazendo assim com que se jogue com as noções que temos do género de filme em questão enquanto conseguimos assim tirar o maior proveito de uma história que começa e termina no momento certo sem que, no entanto, não deixe uma réstia de esperança que pudesse ser muito mais explorado.
Shawn Parsons está genial como o cowboy forasteiro que chega a uma terra hóstil mas que revela no mais improvável dos locais a sua sensibilidade e paixão, e a música original de Paul Thomson recupera não só o tradicional filme western como lhe confere uma dimensão de comédia e thriller muito particular deixando todos em suspenso, espectadores e as próprias personagens.
Arriscaria dizer que estamos perante um trabalho originalmente irreverente... mas isso é pouco para a pura diversão com que entusiasticamente vemos este brilhante filme curto.
Torturous de Angus Swantee é uma curta-metragem canadiana que junta o terror e a comédia de forma eficaz e hilariante que a transformam numa curta-metragem de referência para ambos os géneros.
Greg (Craig Gunn) acorda amarrado e semi-vendado num espaço desconhecido. O pouco ângulo de visão que tem mostram-lhe não só instrumentos de tortura como o vulto de um homem (Kevin Kincaid) pronto para lhe deixar sérias marcas.
É quando se descobre que a sua identidade não é aquela do homem procurado, que o seu estranho torturador embarca numa conversa reveladora sobre o que realmente faz como também a existência na sala ao lado de Lincoln... quem ele deve realmente temer.
O argumento de Torturous escrito numa magnífica parceria de Angus Swantee com o próprio Craig Gunn não poderia ser mais alucinante. Longe do tradicional filme onde as vísceras são o momento alto de toda a dinâmica, Torturous mostra-nos o semblante de uma comédia negra com toques moralistas sobre segundas oportunidades e sonhos com potencial por ser cumprido e afinal, todos nós podemos ainda ser aquilo que realmente "somos" torna-se numa espécie de mensagem que deve ser subentendida.
Num conjunto de alucinantes diálogos que tão depressa se centram em momentos de dor e de tortura como depressa se mostram como uma qualquer redenção e luta pela sobrevivência destas duas improváveis personagens, Torturous revela-se como uma intensa comédia que em não fica a dever a outros filmes do género nomeadamente Hostel ou Saw conseguindo ao mesmo tempo aproximar-se de um estilo de comédia inteligente e inesperada.
Se por um lado Craig Gunn revela uma forte personagem e uma interpretação digna de primeira linha ao conjugar não só a sua vontade de viver ao mesmo tempo que mostra ao seu detentor que este tem ainda uma oportunidade de descobrir algo mais para a sua vida e que pode ainda completar e cumprir os seus sonhos, não é menos verdade que Kevin Kincaid como este raptor bonacheirão consegue também roubar alguns momentos desta curta-metragem com as suas dúvidas e incertezas existênciais. No entanto é a interpretação de Francine Deschepper que consegue surpreender o espectador pela sua aparência tranquila mas reveladora de uma mente diabólica ou não fosse o instrumento de tortura que utiliza aquele que realmente causa mais medo a todas as vítimas... ou como se ouve a seu tempo "you don't want to meet Lincoln".
No meio de um cenário propositadamente grotesco onde a luta pela sobrevivência justifica tudo aquilo que se diz e faz, Torturous é um puro delírio visual, recheado de momentos de boa disposição e humor negro e mordaz sem esquecer a essência dos filmes do género onde a tortura tem, de facto, de acontecer... venha ela "vestida" da forma que vier.