sexta-feira, 11 de julho de 2014

Terras do Demo (2014)

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Terras do Demo de Duarte Guedes é uma curta-metragem portuguesa de ficção feita no âmbito do 48 Short Media, em Viseu.
Um filho regressa a casa depois de dez anos distante. O pai trabalha o campo enquanto o recorda e espera pelo seu regresso. O reencontro poderá não ser aquilo que ambos esperam.
Com argumento de Nuno Simões, Terras do Demo divide-se em dois claros momentos onde o espectador escuta os pensamentos solitários de cada um dos seus actores. Por um lado temos um filho (Tiago Vieira) que regressa a casa depois de dez anos no Brasil onde se afastou de uma vida dura de trabalho no campo que, percebemos, ser algo que não desejava.
Este regresso às origens através de um campo repleto de nevoeiro, que aparenta dificultar esse regresso, é acompanhado - por outro lado - pela memória de um pai (Luís Santos) saudoso e que nunca deixou as suas humildes origens ocupando-se, portanto, do trabalho da terra como seu sustento.
Com a clara convicção de que o berço - a terra - é o lugar onde sempre se pode regressar, Terras do Demo realça também que é a mesma que nos confere as maiores provações, desafios e por vezes amarguras sendo, no entanto, aquele do qual todos têm a certeza ser o único lugar ao qual pertencem. Aquela que não sendo aparentemente alterada se mantém, no entanto, numa transformação persistente e que coloca à prova todos aqueles que a cruzam.
A memória, a saudade, a confirmação de um espaço de pertença e a certeza daqueles que nos - o - amam estão presentes em Terras do Demo assim como a garantia de um passado e de um presente, para lá da certeza de um futuro possível sendo que este nem sempre se confirmará pela positiva... porque tudo se faz de perdas.
Destaque para a direcção de fotografia também da autoria de Duarte Guedes e a suspeita de que esta história poderia - com mais tempo e mais recursos para a sua concretização - ser uma história que poderia ser desenvolvida - nos pensamentos soltos - pelas suas personagens, pelas suas motivações, desejos e angústias.
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7 / 10
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