sexta-feira, 4 de julho de 2014

Torturous (2012)

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Torturous de Angus Swantee é uma curta-metragem canadiana que junta o terror e a comédia de forma eficaz e hilariante que a transformam numa curta-metragem de referência para ambos os géneros.
Greg (Craig  Gunn) acorda amarrado e semi-vendado num espaço desconhecido. O pouco ângulo de visão que tem mostram-lhe não só instrumentos de tortura como o vulto de um homem (Kevin Kincaid) pronto para lhe deixar sérias marcas.
É quando se descobre que a sua identidade não é aquela do homem procurado, que o seu estranho torturador embarca numa conversa reveladora sobre o que realmente faz como também a existência na sala ao lado de Lincoln... quem ele deve realmente temer.
O argumento de Torturous escrito numa magnífica parceria de Angus Swantee com o próprio Craig Gunn não poderia ser mais alucinante. Longe do tradicional filme onde as vísceras são o momento alto de toda a dinâmica, Torturous mostra-nos o semblante de uma comédia negra com toques moralistas sobre segundas oportunidades e sonhos com potencial por ser cumprido e afinal, todos nós podemos ainda ser aquilo que realmente "somos" torna-se numa espécie de mensagem que deve ser subentendida.
Num conjunto de alucinantes diálogos que tão depressa se centram em momentos de dor e de tortura como depressa se mostram como uma qualquer redenção e luta pela sobrevivência destas duas improváveis personagens, Torturous revela-se como uma intensa comédia que em não fica a dever a outros filmes do género nomeadamente Hostel ou Saw conseguindo ao mesmo tempo aproximar-se de um estilo de comédia inteligente e inesperada.
Se por um lado Craig Gunn revela uma forte personagem e uma interpretação digna de primeira linha ao conjugar não só a sua vontade de viver ao mesmo tempo que mostra ao seu detentor que este tem ainda uma oportunidade de descobrir algo mais para a sua vida e que pode ainda completar e cumprir os seus sonhos, não é menos verdade que Kevin Kincaid como este raptor bonacheirão consegue também roubar alguns momentos desta curta-metragem com as suas dúvidas e incertezas existênciais. No entanto é a interpretação de Francine Deschepper que consegue surpreender o espectador pela sua aparência tranquila mas reveladora de uma mente diabólica ou não fosse o instrumento de tortura que utiliza aquele que realmente causa mais medo a todas as vítimas... ou como se ouve a seu tempo "you don't want to meet Lincoln".
No meio de um cenário propositadamente grotesco onde a luta pela sobrevivência justifica tudo aquilo que se diz e faz, Torturous é um puro delírio visual, recheado de momentos de boa disposição e humor negro e mordaz sem esquecer a essência dos filmes do género onde a tortura tem, de facto, de acontecer... venha ela "vestida" da forma que vier.
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8 / 10
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