quarta-feira, 23 de março de 2011

Master and Commander: The Far Side of the World (2003)

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Master and Commander: O Lado Longínquo do Mundo de Peter Weir foi o filme que reuniu pela segunda vez Russell Crowe e Paul Bettany numa história que decorre em alto mar na época dos grandes Impérios Napoleónico e Britânico.
É neste contexto que assistimos à vida diária do Surprise, um navio ao comando do Capitão Jack Aubrey (Crowe) que tem como missão encontrar e dominar o Acheron, nacio francês que pretende chegar ao Pacífico e assim estender o domínio de Napoleão nos mares.
Após um primeiro contacto onde o Surprise foi literalmente surpreendido (bonito isto), o Acheron mostra realmente quem tem o domínio e o poderio dos mares... Resta então a Aubrey tentar reconquistar a confiança, agora abalada, dos seus homens e tentar virar o jogo em seu favor.
Se bem que é do período áureo de Russell Crowe, também é verdade que é do seu melhor período o filme mais fraco. Se compararmos este filme com O Informador, Gladiador ou Uma Mente Brilhante, percebemos claramente que aqui falta um bocado o fulgor que Crowe apresentou nos outros filmes. Reflexo disso foi também a sua ausência das nomeações à grande maioria dos prémios, nomeadamente ao Oscar.
No entanto este filme tem alguns pontos bem positivos, e a esses ninguém os pode criticar. O primeiro é o magnífico trabalho de fotografia de Russell Boyd que consegue criar um ambiente muito particular em torno da vida em alto mar e também ao conseguir criar uma distinção bem clara entre o horizonte que separa o céu do mar. Muito positivo mesmo este trabalho que foi justamente distinguido com o Oscar na sua categoria.
Este filme toca também no aspecto de que nem só as batalhas podem quebrar o espírito do Homem. Muitas vezes são as batalhas travadas entre os próprios Homens que conseguem domar e quebrar o espírito humano. A desconfiança e o isolamento inerentes à vida em alto mar davam a estas homens a sensação de suspeita sobre tudo, e todos, o que pudesse à partida parecer diferente. Temos isso presente no síndrome de Jonas tão bem explicado no decurso da história pessoal de um dos oficiais e da sua relação entre os restantes homens na embarcação.
No entanto nem tudo era mau. Poucas, mas boas, eram as alegrias que se conseguiam retirar destas viagens que pareciam não ter um fim à vista. Para Maturin (Bettany) o médico e explorador de serviço, a ideia de poder viajar e conhecer novas espécies ou novos locais ainda intocados pelo Homem eram os factores essenciais que o faziam mover nestas viagens.
Há pouco havia dito que este era provavelmente o filme mais fraco do período em que Russell Crowe estava em alta. Talvez não seja o mais fraco mas sim o mais reflexivo. Aquele que se centra mais em conhecer as acções do Homem em tempo de crise e de isolamento. Como ele reage perante as constantes adversidades que surgem tão rapidamente como muda o estado do mar.
Assim, visto isto pelo final... Temos um interessante e reflexivo filme com intensas sequências de batalhas navais e rico num trabalho de fotografia mas que perde um tanto pelas interpretações medianas que, apesar de bem executadas, não enchem por inteiro o filme.
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7 / 10
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