quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Tua Última Morada (2010)

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A Tua Última Morada de Joel Rodrigues e André Agostinho é uma curta-metragem portuguesa que se insere no género fantástico e que apesar de já ter algum tempo só agora chegou até este espaço.
O que acontece quando dois amigos se perdem no meio de uma floresta e vão dar a uma aparentemente abandonada casa? Como podemos antever logo de imediato com esta pequena abordagem... nada de bom. Primeiro porque a palavra "aparentemente" denuncia logo o que nos espera enquanto espectadores, e depois porque o género cinematográfico em questão pressupõe que tenha de existir bastante sangue pelo meio... e ele existe.
Após entrarem naquela casa e de se protegerem da tempestade, João (Joel Rodrigues) percebe que aquela casa não se encontra no mapa e, para a indiferença de Tiago (Rui Dionísio) que adormece, fica intrigado. Depois de um estranho e macabro pesadelo que o faz acordar, João insiste que viu uma outra pessoa dentro daquela casa. Será agora que Tiago acredita que não estão, afinal, sózinhos?
De inicialmente estamos perante uma daquelas curtas-metragens em que pensamos já saber qual é o final, na prática aquilo que este nos reserva é algo diferente do que esperamos. O inesperado, violento e imprevisível final coloca-nos numa situação em que somos chocados com os limites da loucura e de um potencial demónio (Nuno Serreira) que consegue ser, no mínimo, medonho graças a uma bem executada caracterização e uma fotografia, do também realizador André Agostinho, que através das sombras e da ausência de luz transforma aquele homem num ser fora do normal.
Dois últimos reparos, um pela positiva e outro pela negativo. O primeiro prende-se com uma interessante abordagem à câmara que através dos planos aparentemente fragmentados, nos momentos em que nos é dado realmente a conhecer o terceiro habitante daquela casa, faz uma ligação com a potencial loucura, ou demonização, não só dele como também dos invasores daquele tão estranho "lar", demonstrando toda uma instabilidade mental de que todos são alvo.
Finalmente o aspecto menos bom prende-se com a por vezes desadequada banda-sonora que em certos momentos não contribui para o aumentar da tensão mas sim para dissipá-la ao ponto de a fazer desaparecer. Enquadra-se, no entanto, muito bem no segmento final onde somos surpreendidos pelo interessante desfecho que as personagens "João" e "Tiago" têm.
Como nota final apenas tenho ainda a realçar os momentos gore que estão francamente bons e dos quais até me atrevo dizer que gostaria de ter visto mais que, no fundo, é o mesmo que dizer que gostaria que este filme fosse um pouco mais longo para desenvolver mais uma certa claustrofobia que o espaço, e o argumento, permitem ter.
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7 / 10
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