sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Segredo do Vale dos Pirilampos (2012)

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O Segredo do Vale dos Pirilampos de Cláudio Matos, que também é autor do argumento, é uma curta-metragem portuguesa do género fantástico, claramente inspirada em filmes de suspense e terror pelas múltiplas referências que lhes faz.
Um casal de namorados, Pedro (David Martins) e Susana (Kat Ramos), decidem dar um passeio por um pinhal e tirar umas fotografias quando, de repente, ela se lembra de um estranho desaparecimento de uma menina que ocorreu no local algum tempo antes.
Incrédulo Pedro insiste com a namorada para continuarem o seu passeio até ao lago que lhe diz ser tranquilo e agradável. É aqui que surgem as primeiras fotografias... e não só!
Aos poucos e à medida que esta curta-metragem nos vai presenteando com os ares de sua graça, vamos assistindo a um conjunto de referências que nos aproximam de uma série de filmes teen que em tempos todos nós vimos. O casal inocente no meio de um passeio... a mata afastada de qualquer réstia de civilização... o estranho desaparecimento... a assombração que insiste em torturar a felicidade alheia e isto já para não falar no acidente que vitimiza um dos namorados que não é esquecido pela referida assombração... "one never forgets".
O problema que aqui se põe é apenas e só um... a fórmula está algo gasta, e para que nós não demos importância a isso, a usá-la é preciso fazê-lo de forma convincente. A ideia, já muito vista e explorada em dezenas de filmes do género, poderia funcionar se a aproximação a um público mais vasto o fizesse identificar-se com algumas referências geográficas que tornassem o filme num "mito", como sucede por exemplo com o filme A Curva de David Rebordão onde as estradas de Sintra e os mitos urbanos que a curta provocou a transformam num verdadeiro objecto de culto internacional. Aqui, nem mesmo o acidente, ou demais consequências, aos quais A Curva serve de clara referência trazem nenhum elemento novo limitando-se a explorar algo mas noutro local.
E o mesmo se pode dizer a respeito das duas interpretações. Louvo a vontade de se realizarem destes projectos, e o facto de a todos divulgar disso é sinal, no entanto há que criar alguma consistência e credibilidade no desempenho da história que se pretende contar. Se por um lado David Martins tem os seus momentos desastrados, logo engraçados, em que empatizamos com a figura do namorado que só quer passar um bom momento com a sua respectiva, não deixa também de ser verdade que a insegurança que Kat Ramos transporta para a sua personagem, ao ponto de em diversos momentos parecer que debita telegraficamente as suas falas, destroem um pouco essa dinâmica. Deduzo que sejam os dois amadores na matéria mas é essencial criar alguma naturalidade nas emoções que se pretendem transmitir.
Tecnicamente, e há excepção de alguns apontamentos para com os trabalhos de exteriores onde os movimentos de câmara e o som têm obrigatoriamente de ser melhor trabalhados, tudo o resto até se enquadra bem no espírito do género e da curta sendo que de tudo, o segmento final consegue ser o mais bem alcançado.
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