domingo, 13 de outubro de 2013

Primária (2013)

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Primária de Hugo Pedro é uma curta-metragem documental que encerrou a parte da tarde do segundo dia da secção competitiva nacional do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra que hoje termina no Centro Cultural Olga de Cadaval.
Esta curta-metragem, que para poder ser definida só me ocorre a palavra brilhante, transporta o espectador para dentro de uma sala de uma turma de quarto ano que se encontra na recta final desta sua importante etapa.
Ao mesmo tempo que fazem uma revisão às matérias que precisam de preparar para os seus exames, estes jovens alunos mostram alguns dos seus momentos em conjunto onde preparam a festa de final de ano bem como alguns momentos no seu recreio, naquele que de muito perto se pode considerar o seu primeiro grande ritual de passagem após a sua marcante entrada no primeiro ano da escola.
Hugo Pedro consegue com esta sua magnífica curta-metragem não só fazer um honesto retrato pelo qual todos nós um dia passámos como principalmente levar-nos, anos depois, a reviver alguns desses mesmos momentos que marcaram para sempre a nossa memória.
Desde a passagem pelo recreio ao nosso professor (ou professora) que tanto insistia para que tivéssemos a lição toda estudada e que assim melhor preparados para o futuro nos encontrássemos, sem esquecer a tradicional festa de final de ano para a qual íamos mais ou menos "obrigados" e principalmente a última conversa com o respectivo professor onde finalmente percebíamos que aquele era o momento em que iríamos enfrentar algo novo e desconhecido numa etapa completamente diferente. Hoje, anos depois, percebemos que foi aquele exacto momento em que aquilo que conhecemos enquanto infância iria terminar, e apesar de não entrarmos propriamente num domínio mais "adulto", todo o espaço mais familiar e próximo estava então encerrado.
Sem ser saudosista mas com uma elevada componente da mesma, Primária é não só uma divertida curta-metragem sobre aquela que é talvez a mais importante etapa de todas as crianças como uma interessante e emotiva reflexão sobre o passado, sobre a mudança e a transformação que está inerentemente associada ao crescimento e ao inevitável curso da vida, e ainda que esta seja a primeira (ou uma das primeiras) curta-metragem do jovem realizador Hugo Pedro, ela é também aquela que seguramente irá ser representativa do seu trabalho e da sua carreira (dificilmente no futuro não será referida) e que talvez irónica e positivamente marca também ela a sua própria mudança para uma (espero) carreira longa e complementada com sólidos e bons trabalhos como este.
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10 / 10
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