sábado, 31 de outubro de 2015

Killies (2015)

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Killies de David Rebordão é uma curta-metragem portuguesa de ficção e a perfeita para a noite de Halloween que hoje se comemora.
Muppet-Face (Nuno Crespo) decide transmitir em directo o seu novo desporto, e esperar que os visitantes da sua página credibilizem o seu trabalho com o maior número de visitas possível. Paula (Erica Rodrigues) irá ajudá-lo... mas não da forma que ele espera.
Com o impacto das novas tecnologias e o livre acesso que todos têm às mesmas, o que aconteceria se alguém decidisse em nome de uma qualquer fama utilizá-las de forma a difundir a sua mente retorcida?
Numa curta-metragem que insere o espectador em todo um imaginário de morte e bizarria, Killies transfigura-se num potencial video snuff que não o chega a ser não deixando, no entanto, de conter alguns elementos que levam a uma curiosidade mórbida sobre o momento seguinte. Sabendo que a morte - ou salvamento - de "outro" pode ser determinada por um número de visitantes record, a questão principal que é então auto-colocada é apenas uma... terminaríamos nós de assistir a este potencial assassinato em directo se isso salvasse a vida daquela vítima ou, por sua vez, sentiríamos que deveríamos deixar este espectáculo terminar e sermos testemunhas reais dos seus efeitos finais?
Tal como uma selfie que regista em fotografia um momento específico, os killies são a forma como este psicopata decide registas os seus momentos... Os momentos em que a dor e a tortura alheia - meros espectáculos televisivos que acompanhamos em qualquer boletim noticiário - podem ser registados e ser considerados como uma arte - para "Muppet-Face" - são neste agora tornados num videoblog que detalhadamente informa sobre um qualquer momento macabro mais ou menos planeado mas, no entanto, o que acontece quando os planos de uma mente retorcida acabam por não sair como ela esperava? Que os psicopatas o são ninguém duvida, mas será que todas as eventuais vítimas o são na realidade?
Uma das questões mais interessantes de Killies é não tanto a forma como um qualquer psicopata pode utilizar as redes sociais para difundir os seus actos - afinal esta difusão mais não é do que uma prova contra o próprio - mas sim a forma como essas mesmas redes sociais que todos nós utilizamos podem ser uma perigosa arma que nos identifica e permite a nossa localização de forma fácil e eficaz... muitas vezes pelas próprias "mãos", na medida em que muitos as utilizam para denunciar a sua privacidade, os seus espaços e principalmente os seus hábitos tão desejados pelos predadores. A esta questão apenas uma fácil e simples resposta... necessitaremos nós de expôr toda a nossa vida num espaço que não só não controlamos como, em muitos casos, não sabemos sequer quem está do outro lado a controlá-la?
Com uma intenção interessante na perspectiva de vídeo de terror - com algum realismo - e que recupera o clima do saudoso A Curva (2004) do mesmo realizador, Killies apenas "peca" por um inesperado volte face ao terror e ao suspense que prometia, abraçando nos últimos instantes uma comédia que dispensaríamos assumindo-se, no entanto, como um sólido regresso de Rebordão ao cinema de género depois do já referido A Curva e O Assalto (2014).
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7 / 10
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