sexta-feira, 4 de maio de 2012

David di Donatello 2012: Actor Secundário

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Pierfrancesco Favino
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Romanzo di una Strage
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David di Donatello 2012: Fotografia

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Luca Bigazzi
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Música

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David Byrne
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Canção Original

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"IF IT FALLS, IT FALLS"
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David BYRNE (música)
Will OLDHAM (texto)
Michael BRUNNOCK (intérprete)
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Direcção Artística

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Paola Bizzarri
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Habemus Papam
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David di Donatello 2012: Guarda-Roupa

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Lina Nerli Taviani
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Habemus Papam
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David di Donatello 2012: Caracterização

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Luisa Abel
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Design/Estilo de Cabelo

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Kim Santantonio
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Montagem

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Roberto Perpignani
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Som

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Benito Alchimede
Brando Mosca
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Efeitos Especiais Visuais

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Stefano Marinoni
Paola Trisoglio
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Romanzo di una Strage
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David di Donatello 2012: Filme da União Europeia

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Tellement Proches (França)
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Olivier Nakache
Eric Toledano
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David di Donatello 2012: Filme Estrangeiro

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Jodaeiye Nader az Simin (Irão)
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Asghar Farhadi
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David di Donatello 2012: Documentário

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Tahrir Liberation Square
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Stefano Savona
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David di Donatello 2012: Curta-Metragem

Dell'Ammazzare il Maiale
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Simone Massi
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David di Donatello 2012: David Giovani

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Scialla! (Stai Sereno)
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Francesco Bruni
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David di Donatello 2012: David Speciale

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Liliana Cavani
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Alegoria dos Sentidos (2010)

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Alegoria dos Sentidos de Nelson de Castro e Wilson Pereira é uma curta-metragem de ficção que nos conta a história de Catarina (Mafalda Figueiredo), uma menina cega que enfrenta e obtém uma percepção do mundo através da sua boneca que, para ela, consegue através dos diversos sentidos, ser a sua ligação com o mundo que a rodeia.
Filmado naquele que é um dos lugares mais emblemáticos de Sintra, os jardins de Monserrate (que também já haviam sido escolhidos em tempos para a mini-série As Viagens de Gulliver), esta curta-metragem cria uma perfeita atmosfera de um mundo paralelo e de fantasia que resulta maravilhosamente. Tudo desde o local em si, a fotografia que nos faz recorrer de imediato a um lugar imaginado e o próprio guarda-roupa muito característico deste estilo de filme.
Ainda com as interpretações de João Villas-Boas e de Suzana Borges (que tanta falta faz ao nosso cinema), esta curta-metragem consegue recriar um interessante ambiente visual pouco comum no panorama nacional e só por isso já merece a devida atenção.
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5 / 10
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Assim Assim (2012)

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Assim Assim de Sérgio Graciano é a longa que sucede a curta-metragem vencedora do primeiro Shortcutz Lisboa e que agora estreia já com uma extensa legião de fãs.
A história deste filme segue a mesma linha da curta-metragem já aqui comentada no CinEuphoria, onde assistimos a um conjunto de conversas entre amigos sobre a descoberta do amor e as relações. O filme começa, aliás, com a curta-metragem e parte depois para um outro conjunto de personagens que, em muitos casos, estão ligadas entre si.
Assim, depois de assistirmos à divertida e desafiante conversa entre Miguel (Ivo Canelas) e Duarte (Joaquim Horta), onde o primeiro revela a descoberta do verdadeiro amor, temos um novo conjunto de personagens com as suas alegrias, tristezas e muitas (des)ilusões sobre as suas vidas sentimentais.
Perto delas encontram-se Margarida (Isabel Abreu) e Fred (Albano Jerónimo) que têm exactamente o mesmo tipo de conversa sobre a recente relação de Margarida. A semelhança entre as histórias é tanta que pensamos que Miguel e Margarida estão de facto feitos um para o outro.
Muitos são os momentos de surpresa ou de angústia que estas diversas personagens têm. Algumas mais previsíveis que outras mas no fundo todas elas acabam por revelar aquilo que a vida é... uma surpresa. Relações que se iniciam... outras que terminam... comportamentos imprevistos por parte daqueles com quem se passa uma vida ou até mesmo relações de dependência doentia onde num casal um se anula constantemente. Medo, riso, desabafos e (in)denpendência... tudo se encontra nas diversas histórias que cruzam o nosso ecrã.
Tal como já havia referido na curta-metragem, além de um argumento brilhantemente elaborado por Pedro Lopes que nos faz simpatizar e identificar com alguns daqueles dilemas ao mesmo tempo que nos damos conta que tantos outros daqueles momentos nos são familiares através de um ou outro amigo, outro dos elementos dos quais este filme se pode "orgulhosamente orgulhar", é o seu extenso e intocável elenco
Ao já referido brilhante quarteto Ivo Canelas, Joaquim Horta, Isabel Abreu e Albano Jerónimo, juntamos outro grande conjunto de actores bem conhecido do grande público onde se destacam Cleia Almeida e Sabri Lucas, numa relação que aparenta poder romper a qualquer momento. Tomás Alves e Gonçalo Waddington, numa relação homossexual que pelo que percebemos se manteve de pé graças à constante humilhação do primeiro. Rita Blanco e Dinarte Branco, como um casal separado pela vontade deste último manter uma relação extra-matrimonial com Ana Brandão que, por sua vez, é casada com a personagem interpretada por Joaquim Horta. Nuno Lopes e Joana Santos, um casal já separado graças aos comportamentos pouco estáveis do primeiro e já em relações novas (não vou revelar quem, vejam no cinema)... Temos ainda Margarida Carpinteiro e um brilhante Pedro Lacerda que se revelam como os elementos mais soft e cómicos deste filme, cada um deles à sua própria maneira.
Este filme vai assim além da divertida história que a curta-metragem nos apresentou, explorando não só as histórias daquelas cinco pessoas que inicialmente vimos, mas também as histórias, angústias e aspirações de todos aqueles que privam com eles mais de perto.
Destaco ainda a banda-sonora de André Joaquim que consegue estabelecer uma harmoniosa relação entre as várias personagens e momentos deste filme e também a fotografia de Miguel Manso que dá uma certa "cor" às próprias angústias de todas aquelas personagens.
Este Assim Assim de Sérgio Graciano, terceira obra que vejo do realizador depois da curta-metragem com o mesmo nome e da curta Um Dia Longo que foi uma das mais fortes da última edição do Córtex, não só confirma o realizador como um dos seguros e fortes talentos da cinematografia portuguesa como ainda confirma a tendência de que grandes histórias e momentos de cinema também podem ser feitos na língua de Camões. Prova disso não só a qualidade do filme como também a sala praticamente cheia ao fim de duas semanas de exibição do filme.
E no final (não, não vou contar nada sobre o filme), sem ser abertamente revelado, temos a réstia de esperança que procuramos neste género de filmes sobre as relações sentimentais... Aqueles dois que parecem poder realmente manter uma relação... Sente-se o tal "click"... a tal "química" entre aquelas duas personagens e percebemos que independentemente do que está no passado, independenemente de se voltarem a encontrar num futuro próximo, sabemos que entre eles sim... irá resultar. O único problema é esse mesmo... será que estas duas pessoas que parecem ter uma química se voltarão a cruzar? Arrisco dizer que as estatísticas confirmam-no... eles cruzaram-se duas vezes... porque não uma terceira!
Assim Assim, um filme que todos devem obrigatoriamente ir ver ao cinema pois desde as suas personagens à sua história, todos teremos algo com que nos identificar.
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8 / 10
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rambi e os Perdidos (2011)

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Rambi e os Perdidos de Alex Carvalho é uma divertida curta-metragem de comédia que merece toda a atenção.
Quando um rapaz com problemas em casa com o pai resolve fugir, encontra-se numa estranha floresta (que mais não deve ser do que as traseiras lá de casa), onde encontra outro grupo de rapazes perdidos há meses.
Não sendo um achado do género, o que é certo é que entre um conjunto de estranhos comportamentos e de personagens caricatas (cada uma mais do que a outra), o que é certo é que damos por nós a rir com alguns disparates deste grupo. E se alguém tinha dúvidas sobre se se iria rir ou não... aguardem pelos créditos finais e logo percebem que é impossível resistir.
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5 / 10
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Fernando Lopes

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1935 - 2012
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Donos de Portugal (2012)

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Donos de Portugal de Jorge Costa é um documentário sobre o envolvimento promíscuo entre economia e política do último século português que nos dá uma muito clara e esclarecedora ideia de quem realmente tem mantido, e que mantém, as "mãos" no poder.
Sem grandes comentários quanto à sua execução, à excepção dos muito esclarecedores gráficos e imagens de arquivo que nos dão alguns conhecimentos sobre o "quem está onde", este documentário vale de facto por toda a informação que transmite e, como tal, aconselho vivamente ao seu visionamento.
Quanto ao resto só me sobra dizer... palavras para quê?! Estes quase cinquenta minutos de imagens e ligações mais ou menos perigosas são o suficiente para ficarmos...esclarecidos.
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7 / 10
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

The Patriot (1998)

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Patriota de Dean Semler conta com a interpretação principal de Steven Seagal em mais um daqueles filmes que mesmo antes de começar já sabemos que em primeiro lugar não será nada de especial e em segundo lugar irá ter uma contagem de mortes maior do que aquelas que conseguimos contar.
Depois do líder de uma milícia paramilitar libertar um vírus mortal que ameaça a vida de toda uma população, Wesley McClaren (Seagal) um médico que havia trabalhado para a CIA embarca numa luta contra o tempo para poder encontrar o antídoto que salve a vida a milhares de pessoas ao mesmo tempo que protege a vida da sua própria filha, a única que parece ser imune a este vírus mortal e que todos tentam, assim, encontrar.
Perseguições atrás de perseguições, tiros que sucedem a muitos mais tiros, irá McClaren conseguir restituir a segurança física de todos aqueles que o rodeiam e livrar-se não só de um vírus mortal como de um perigoso grupo de fanáticos que tudo faz para quebrar a ordem instaurada?
Um filme que tenha em Steven Seagal o seu intérprete principal provoca-me de imediato um conjunto bem distinto de reacções. A primeira é a de me afastar imediato pois é claro que não será nada de especial e que será pura e simplesmente uma perda de tempo. A segunda prende-se com uma vontade irracional de ver este tipo de filmes independentemente daquilo que eles possam na prática valer (que é como quem diz... nada).
Assim, com muito esforço mas pouca vontade, acabo por ver estes filmes já sabendo o pouco (nada) que fali vou retirar. Mas ao mesmo tempo é impossível não admitir que apesar de não serem nada de especial, conseguem criar uma verdadeira distracção com as suas histórias sempre iguais. Temos tiros, algumas explosões, muitos mortos e muito pouco conteúdo ou sequer uma conclusão lógica para além daquela que já é inicialmente esperada.
Na prática, e para além de algum divertimento non-sense (pelo ridículo) que consegue provocar, este género de filme não adianta absolutamente nada para o nosso enriquecimento cinematográfico. Antes pelo contrário, se o cinema se reduzisse a isto é certo e sabido que a imagem que permaneceria seria má... muito má.
Steven Seagal no seu melhor... que é como quem diz... é pouco... francamente muito pouco.
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2 / 10
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domingo, 29 de abril de 2012

La Virgen de los Sicarios (2000)

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Nossa Senhora dos Matadores de Barbet Schroeder é uma longa-metragem colombiana que mistura dois elementos bem explosivos na sua história. A violência e a pedofilia unem-se aqui numa mistura bem fatal que toma conta do filme do princípio ao fim.
Quando Fernando (Germán Jaramillo) um escritor de meia-idade regressa à sua Medellín natal depois do falecimento da sua irmã, reune-se com um grupo de velhos conhecidos numa casa onde o alcoól, a droga e o sexo com menores fazem parte de um estranho "convívio" como os próprios definem.
É nesta festa que Fernando conhece Alexis (Anderson Ballesteros), um desses jovens e por quem se apaixona começando os dois a viver juntos. A relação que funciona aos olhos de todos sem qualquer preconceito ganha contornos mais violentos quando Alexis mata indiscriminadamente todos aqueles que atentam contra o seu bem-estar, tal a facilidade com que armas e munições se encontram.
Quando Alexis é morto por um rival, Fernando parece perder o sentido da sua vida. Pelo menos até encontrar Wilmar (Juan David Restrepo), outro jovem rapaz que vai literalmente substituir Alexis. Aquilo que Fernando não sabe é que estes dois jovens por quem se apaixonou partilham muito mais do que aquilo que ele poderia imaginar.
Os dois perigosos pressupostos que compõem este filme não poderiam ser mais polémicos. Por um lado assistimos do princípio ao fim a uma violência sem limites numa cidade sem qualquer regra que pode atingir qualquer um dos seus habitantes pelo motivo mais insignificante de que possamos ter memória. Por outro, temos uma igualmente constante relação entre um adulto e um menor que são quase relegadas para segundo plano ao ponto de a certa altura quase nos parecerem "normais", devido à violência que não pára de presentear o ecrã. A certo momento, e enquanto espectadores, somos confrontados com este rebate de consciência que não poderá agradar a ninguém.
Não é um filme suficientemente relevante para que nos lembremos dele no futuro. Não tem tão pouco interpretações sólidas o suficiente para que possamos simpatizar com alguma das personagens retratadas, ao qual não ajuda o facto de estarmos a assistir a um grupo de pedófilos e marginais em plena "harmonia". No entanto tem uma estranha aliança entre os mesmos que nos faz refletir sobre o dia-a-dia podre de uma cidade onde só sobrevive quem se torna invisível.
Interessante do ponto de vista social, e da perspectiva que dá sobre a vida podre de uma cidade que já não tem ponto de salvação possível. Nem a cidade nem aqueles que nela vivem.
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4 / 10
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sábado, 28 de abril de 2012

Blood: The Last Vampire (2009)

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Blood: O Último Vampiro de Chris Nahon é a adaptação cinematográfica de uma banda-desenhada que nos remete para o Japão dos anos 70 onde Saya (Gianna Jun), uma vampira com mais de quatrocentos anos é enviada para um colégio frequentado por filhos dos militares norte-americanos, como forma de aí descobrir todos aqueles que são adoradores do demónio que pretende dominar o planeta e escravizar a espécie humana.
Saya, de aspecto frágil e no corpo de uma adolescente é uma perigosa e altamente treinada especializada em artes marciais capaz de uma frieza e insensibilidade e rigor que não a fazem demover de encontrar e exterminar todos aqueles que lhe façam frente. Depois de formar amizade com Alice (Allison Miller) no colégio, as duas irão embarcar numa intensa e perigosa viagem que irá colocar a vida de ambas em risco.
Apesar de não ser aquele género de filme que mais me entusiasma ver, hipócrita seria se não dissesse que este é o estilo de filmes que todos nós vemos quando não queremos pensar em grande coisa além de um bom momento de entretenimento em que os aspectos visuais, que passam desde as elaborados coreografias até ao meio envolvente onde o filme decorre, sejam o ponto forte.
Nesta perspectiva, apenas e só, se nos concentrarmos que não vamos ter uma história que nos irá fazer pensar e equacionar nos prós e contras que podem decorrer durante a mesma, teremos então o tipo de filme ideal. Visualmente rico, com um cenário cheio de pequenos detalhes com que podemos enriquecer o olhar e um conjunto de vampiros-monstros prontos para, a qualquer momento, assumir a sua verdadeira identidade, este filme transporta-nos para o cérebro vazio que, na prática, pretendiamos inicialmente ter.
A história em si não nos transporta para nada de novo. A eterna batalha entre o bem e o mal, os vampiros literalmente sedentos de sangue e os humanos que vivem felizes e contentes na sua ignorância ao não saber absolutamente nada do que se passa à sua volta. Dito isto... tudo dito. Ainda assim, a componente visual acaba sempre por levar a melhor e a nossa atenção para com o filme não se perde.
No entanto, o problema com este género acaba por este mesmo... nada de novo. Tudo o que aqui vemos já o tivemos em inúmeros outros filmes logo, o efeito é realmente momentâneo e, depois de terminada a sua duração, estamos exactamente no ponto de partida... Nada de novo.
Vale apenas e só como objecto de entretenimento momentâneo e vence pelas suas sequências de acção que na sua maioria conseguem ser interessantes mas que, ao mesmo tempo, não atingem o seu verdadeiro esplendor devido ao restante filme não atingir nenhum pico de originalidade que se faça afirmar. Para os apreciadores do género, aí sim, acredito que conquiste algum tipo de legião de fãs.
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2 / 10
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Imagine: John Lennon (1988)

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Imagine: John Lennon de Andrew Solt é um excelente documentário sobre a vida do Beattle John Lennon. Realizado a partir de várias entrevistas tanto a Lennon como àqueles que com ele privaram, este documentário dá-nos um olhar não só sobre a sua vida enquanto membro deste grupo planetário como também sobre a sua vida enquanto mais jovem e pós-participação nos Beattles.
Não só podemos ter uma ideia da sua vida contada pelo próprio como por aqueles que com ele partilharam vários momentos e, talvez um dos aspectos mais importantes deste documentário, algumas das suas canções que fizeram história, nomeadamente a que dá título ao próprio documentário sobre a qual podemos assistir a algumas conversas que tivera antes de a gravar sendo que o próprio documentário termina com a música em si.
Interessante e fundamental para compreender um pouco do homem para além do cantor não perdendo com isso o valor histórico que a própria banda como os seus elementos conquistaram numa época e ao longo dos tempos.
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8 / 10
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sorum (2001)

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O Terrível Segredo de Yun Jong-Chan foi o vencedor dos prémios de Melhor Actriz e Melhor Realizador na edição de 2002 do Fantasporto bem como ainda recebeu no mesmo certame o Prémio Especial do Júri.
Tudo começa quando Yong-hyun, um taxista aparentemente desprendido da vida, se muda para um prédio que assume ser-lhe familiar não sabendo bem o porquê.
Após se instalar no apartamento onde o anterior inquilino literalmente ardeu, Yong-hyun conhece Sun-yeong (Jin-Young Jang), uma mulher vítima dos sistemáticos maus tratos do senhor abusador marido e que vem mais tarde descobrir ter perdido o seu filho.
A relação inicialmente de amizade e mais tarde sexual é estabelecida entre ambos para, no final, Yong-hyun descobrir quem realmente é bem como a identidade daquela mulher com quem estabeleceu uma tão estranha relação.
Este filme vencedor de vários prémios e um dos mais aplaudidos da já referida edição do Fantasporto consegue ter como um dos seus principais trunfos a estrondosa atmosfera que recria naquele tão sinistro edifício. Primeiro pela sua localização geográfica que está muito perto do fantasmagórico e de seguida pelo aspecto decadente que possui que por um lado o torna num local intrigante como por outro num daqueles espaços onde ninguém conscientemente entra.
A isto podemos juntar uma história interessante mas que, a dada altura, percebemos qual o desfecho que irá ter pelo rumo que as duas histórias paralelas acabam por retratar. As nossas suspeitas, se bem que infundadas a maior parte do tempo, encaminham-nos para aquilo que recebemos no final. Existe um efeito surpresa, é verdade, mas não ao ponto de ser um sucesso absoluto.
As intepretações dos dois actores principais conseguem dentro da sua contenção (estamos a falar de cinema asiático portanto não será de espantar), emitir uma tal emotividade que não só nos deixa desconfortáveis como percebemos perfeitamente a quantidade de sentimentos e sensações reprimidas que os seus rostos escondem.
Apesar de não ser um fã incondicional deste tipo de cinema que acaba por não se assumir nem de terror, nem de fantástico nem tão pouco de drama, um facto é que consegue ao longo da sua pouco mais de hora e meia conter, e transmitir, uma sensação tensa e profundamente incomodativa pois damos por nós a pensar que a qualquer momento algo está prestes a explodir se bem que, na prática, não vamos ter nenhum desses momentos.
Interessante e dono de uma atmosfera inquietante este filme consegue surpreender-nos através do seu aspecto visual e de uma fotografia que lhe dão o seu "ar" macabro que culmina com o desfecho não surpreendente mas igualmente incomodativo.
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6 / 10
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

The Covenant (2006)

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O Pacto de Renny Harlin é uma história de toques de acção sobrenatural que nos remete para uma pequena localidade onde os filhos de quatro antigas famílias estudam na reputada Academia local recebem a visita do filho esquecido de uma quinta família daí proveniente.
Esta pequena descrição bastaria para perceber que os problemas estão prestes a começar mas, no entanto, há ainda que referir que os quatro são detentores de antigas famílias com poderes sobrenaturais e mágicos e que os irão pôr em prática para se defenderem do estranho visitante que agora surgir.
Este filme que começa e acaba apenas e só com o intuito de divertir milhares de adolescentes histéricas que vão com o único propósito de ver as próximas "caras bonitas" do cinema, promete inicialmente com alguns cenários mais sombrios e um ambiente propício a uma interessante história sobrenatural mas rapidamente se transforma naquilo que a maioria do cinema de Renny Harlin se transforma... muito fogo de artifício que explode sem nunca conseguir cativar o público que o vê.
E o mesmo se pode dizer dos actores... a gande maioria apenas se preocupa em desfiles caras bonitas e corpos semi-desnudados para atrai um público adolescente (tão típico em qualquer produção deste calibre) sem que se preocupem em demasia com a história que deveriam seguir. Os poucos que realmente apresentam algum trabalho (pouco mas lá o fazem) são Steven Strait e Laura Ramsey, o par protagonista que, por este exacto motivo têm as suas "obrigações".
Escapam ao desastre total alguns dos efeitos especiais que, não sendo perfeitos, conseguem criar algum dinamismo e acção no filme e assim levá-lo um pouco mais longe do que aquilo que sem eles teria ido. O mesmo se pode dizer sobre a caracterização que sem nunca revelar muito consegue ser competente e ter os seus momentos "nojo" que numa sala de cinema muito contribuem para um conjunto de gritinhos insuportáveis que algum do seu público dará.
Dito isto apenas acrescento que funciona essencialmente como o típico filme-pipoca que diverge das habituais comédias mas que, na sua essência, não tem grandes pretensões ou ambições de ser mais do que aquilo que é.
Todos nós acabamos por ver este tipo de filme sem deles esperar muito e é com esta exacta premissa que acabamos por esquecê-lo com a mesma facilidade. Distrai durante uns momentos e de seguida... "estivemos mesmo a ver o quê?"...
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4 / 10
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terça-feira, 24 de abril de 2012

Assim, Assim... (2009)

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Assim, Assim... de Sérgio Graciano foi a curta-metragem vencedora da primeira edição do Shortcutz Lisboa em 2010 e que conta com as interpretações principais de Ivo Canelas, Joaquim Horta, Isabel Abreu, Albano Jerónimo e Sabri Lucas.
Tudo acontece numa esplanada onde por um lado temos Ivo Canelas e Joaquim Horta que falam sobre a recente relação do primeiro e sobre a sua descoberta do amor. Umas mesas atrás temos Isabel Abreu e Albano Jerónimo que falam sobre exactamente o mesmo a respeito da primeira.
Esta curta, que tanto justificado sucesso teve deu origem à longa-metragem que estreou recentemente e com a participação não só dos já referenciados actores como de um vasto elenco dos maiores talentos nacionais onde se destacam Rita Blanco, Miguel Guilherme, Joana Santos, Tomás Alves, Cleia Almeida, Dinarte Branco, Margarida Carpinteiro entre outros e que se arrisca a ser um dos maiores sucessos cinematográficos do ano.
A curta, que adianto desde já ser deliciosa e que deixa qualquer um com vontade de ver a longa, coloca-nos a assistir a uma conversa entre amigos sobre as relações, o que se espera ou retira delas, e como as mesmas modificam a vida de qualquer um. Entre sonhos, expectativas e desabafos contados tanto com uma pitada de comédia irónica como até de algum drama escondido por entre palavras mais mordazes, temos a realidade de cada um deles face àquilo que as suas próprias experiências lhes trouxeram.
Escusado será falar do conjunto de actores que compõem esta curta pois qualquer um dos cinco (mesmo Sabri Lucas que aqui detém uma participação assumidamente secundária), é aquilo que Portugal de melhor tem a nível interpretativo. Um grupo de excelentes actores pertencentes a uma geração de quem se espera muito e que sempre tem cumprido aquilo que deles esperamos... o melhor.
E quanto à realização de Sérgio Graciano, tão perfeita como aquilo que já havia visto com Um Dia Longo, prova com facilidade ser um dos grandes contadores de histórias que o nosso cinema tem para dar.
Se já sabia que ia ver a longa-metragem nos próximos dias agora não me resta qualquer dúvida (também não as tinha) de que vou ver um filme que já sei ir gostar. A todos aqueles que já viram as muito bem conseguidas campanhas publicitárias deste filme... não esperem mais... vão ao cinema ver o que é realmente bom.
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8 / 10
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Uma Noite Fodida (2012)

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Uma Noite Fodida de Rúben Ferreira é a mais recente curta-metragem deste jovem realizador que, repito, terá ainda muitas cartas para dar ao cinema nacional.
Esta curta, da qual não vou revelar nada sobre a sua história, ganha forma dentro de um café quando o seu proprietário se prepara para fechar a porta e regressar a casa. Aquilo que se passa depois... tem de ser visto.
As curtas deste jovem realizador são não só criativas como dotadas de um elevado sentido de humor e imaginação que conseguem entreter qualquer um de nós. Feitas despretenciosamente, estas curtas acabam por revelar uma enorme vontade em entreter e criar um clima de boa disposição que Rúben Ferreira consegue com cada novo projecto criar.
A Artur Pereira, o actor principal, só tenho a dizer que quando precisar de um guarda-costas... já sei quem irei contratar.
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6 / 10
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Globos de Ouro SIC/Caras 2012: os nomeados

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MELHOR FILME
América, de João Nuno Pinto
O Barão, de Edgar Pêra
Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut
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MELHOR ACTOR
Fernando Luís, América
Nuno Lopes, Sangue do Meu Sangue
Nuno Melo, O Barão
Rafael Morais, Sangue do Meu Sangue
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MELHOR ACTRIZ
Anabela Moreira, Sangue do Meu Sangue
Beatriz Batarda, Cisne
Maria de Medeiros, Viagem a Portugal
Rita Blanco, Sangue do Meu Sangue
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Wolves of Wall Street (2002)

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Os Lobos de Wall Street de David DeCoteau é aquilo a que facilmente se pode chamar de um desinteressante filme que não se conseguiu assumir em nenhum estilo concreto tendo, no entanto, tentado roçar o drama, o suspense, o terror, o erótico e terminado com sucesso no absurdo.
A história deste filme parte com a chegada de Jeff (William Gregory Lee) a Nova York, à procura do seu primeiro emprego como corretor. Se de início a crise pós-11 de Setembro parece cortar-lhe as pernas, quando conhece Annabella (Elisa Donovan) tudo se encaminha conseguindo então o tão ambicionado trabalho na corretora de maior sucesso de Wall Street.
Depois de duras provas e de uma entrada fulgurante nesta corretora, os pequenos grandes problemas começam a surgir e toda a vida de Jeff começa tão ou mais rapidamente a mudar face aos constantes desafios dos seus novos e sinistros patrões.
Pelo título do filme conseguimos facilmente perceber aquilo que nos espera nesta suposta incursão pelo terror (que nunca surge) roça claramente o temática dos lobisomens que aqui deixam a pacata cidade do interior para atacarem literalmente na Big Apple. Pois... isto até seria muito bonito, e algo interessante, se não deixassem o terror para segundo plano concentrando-se muito mais a atenção num conjunto de tipos que passa o tempo a fingir que trabalha e depois ao final do dia lá resolvem ter umas tipas lá pelo escritório que, no final de uma farra... comem... e por comer podemos imaginar tudo aquilo que quisermos pois, na prática, tudo o que imaginamos deve (nunca chegamos a ver) acontecer.
Assim, algo que poderia ter algum (mínimo) interesse não o chega a ter. A relação amorosa entre o par protagonista é assombrada pela vida profissional de um deles que tão depressa está no auge como na fossa bem como pelos constantes clichés de "não deixes o teu trabalho afectar a nossa relação que inicialmente nem deveria acontecer mas que todos sabemos TER de acontecer", e finalmente pelo suposto terror que não existe e que dá lugar a alguns momentos eróticos que qualquer produção de segunda categoria manhosa conseguiria fazer com muito mais qualidade... Ah, esperem... isto é uma produção manhosa se segunda categoria e ainda assim... não resultou!
Este filme em nada adianta além de que quando termina percebemos ter passado cerca de uma hora e meia da nossa vida com uma produção que todos percebemos ter sido um desperdício de tempo e de dinheiro ter sido feita.
E se isto tudo não chegar para se perceber que não vale a pena, basta referir que os actores parecem ter todos saído de uma produção manhosa de um qualquer filme porno-erótico e que o Eric Roberts é a figura principal que funciona como chamariz para os espectadores (pobres de nós) vermos este filme.
Resumindo o que já vai longo sem qualquer justificação possível... este filme funciona bem quando queremos apenas e só ver um daqueles filmes manhosos, mas tão manhosos, que sabemos perfeitamente que nada de bom, de útil ou de interessante vai sair daqui. De resto, pouco importa se são vampiros, lobisomens, ET's, duendes ou ogres... este filme poderia ser feito com qualquer um deles, ou todos ao mesmo tempo, que em nada tornaria o filme "menos mau"... porque isso sim é aquilo que ele é... MAU!!!
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1 / 10
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domingo, 22 de abril de 2012

Youth Without Youth (2007)

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Uma Segunda Juventude de Francis Ford Coppola foi um filme muito esperado na edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes no seu ano, por pôr um termo a uma longa pausa do realizador (já vencedor do Festival) à frente de uma obra.
Este filme cuja acção se desenrola numa Europa pré-Segunda Guerra Mundial foca a vida de Dominic (Tim Roth), um timído e reservado professor de línguas que já só no mundo só pode aguardar a morte. Quando é atingido por um raio do qual ninguém espera que recupere, Dominic começa estranhamente a rejuvenescer e torna-se alvo das atenção nazis que o procuram para ser cobaia de experiências.
Dominic em fuga encontra uma mulher muito semelhante à que outrora amara (Alexandra Maria Lara na dupla interpretação de "Veronica" e "Laura"), e vê agora nesta sua nova paixão uma potencial "chave" de continuidade de investigação sobre as origens da linguagem.
Não só as expectativas de Cannes eram elevadas como muito possivelmente as de qualquer cinéfilo que aguardava pela nova entrega de Coppola. A antecipação que se gerou à volta deste filme foi de facto muita, e todos nós queriamos saber que nova pérola advinha das mãos do realizador, especialmente se pensarmos que se reune de um igualmente talentoso actor como é o caso de Tim Roth, e de dois outros fortes talentos da cinematografia europeia como é o caso de Bruno Ganz e da já referida Alexandra Maria Lara. No entanto, este filme está longe do fogo que as obras anteriores de Coppola já nos haviam mostrado.
Os actores, principalmente o trio protagonista, não brilham... Pelo menos não o suficiente comparativamente a outros trabalhos onde já os vimos. Tim Roth quase deambula pelo ecrã num misto de "vai acontecer algo" com "afinal o que estive a fazer?!". Alexandra Maria Lara sobrevive igualmente num misto entre "sou bonita e a figura feminina central" e "vou ter uns ataques de verborreia em línguas mortas" que mais atrapalha do que ajuda à fluídez da obra. E Bruno Ganz não chega a ter tempo de antena suficiente para completar a intensidade dramática que se lhe pede seja qual fôr a interpretação que apresente.
O filme, que se quer uma história de amor não cumprido e uma segunda oportunidade de reviver paixões, sentimentos e emoções numa segunda juventude, acaba por se perder muito com o desenrolar da história e os actores acabam por não brilhar nas suas interpretações dada a mensagem quase filosófica que este (o filme) se propõe transmitir, e que a meio gás se torna mais cansativo do que esclarecedor.
Mas nem tudo será negativo. Tecnicamente falando, entre fotografia e os jogos de luzes e sombras que determinam a vivacidade (ou falta dela) das cores e por sua vez dos estados de espírito e da sociedade da autoria de Mihai Malaimare Jr., bem como o guarda-roupa de época com uma execução brilhante pelas mãos de Gloria Papura, são dois dos pontos altos do filme que não se perdem nem ficam por "explicar".
Longe de ser um filme mau, esta Uma Segunda Juventude está longe dos tempos em que Coppola faria arrastar multidões de fãs às salas de cinema com as suas histórias, fossem elas retratos de uma comunidade italo-americana em que a Mafia era dona e senhora, ou retratos de gerações perdidas e desenquadradas da época em que viviam. Aqui, a existir desenquadramento, ele é sentido pela falta de rumo coeso que leve os espectadores a aplaudir de pé.
Eficaz do ponto de vista técnico e com alguns tópicos que poderiam ter sido explorados, nomeadamente a época pré-guerra e o estranho rejuvenescimento da personagem principal que, a abandonar metáforas e significados mais ou menos intelectuais se poderiam tornar em boas linhas condutoras para um filme muito mais interessante.
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5 / 10
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sábado, 21 de abril de 2012

Putas Marcianas (2011)


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Putas Marcianas de José João é uma invulgar curta-metragem que nos transporta para um mundo bem alternativo.
Quando Lucindo (Graciano Dias) e Francisco (João Baptista) tomam banhos de sol na praia com diálogos semi-insinuantes (ou não) à mistura, são abordados por Leonor (Leonor Seixas), uma semi-nua e misteriosa jovem mulher que aos poucos parece entender, a uma grande distância, tudo aquilo que eles dizem.
A empatia entre Leonor e Lucindo é imediata, para ciúme de Francisco, e ambos entram numa espiral de acontecimentos e momentos que realmente parecem saídos de uma qualquer "ruela" de Marte (se elas existissem).
A narrativa desta média-metragem está, a certa altura, perdida. Os momentos e os diálogos sobrepõem-se e, a certa altura, damos por nós a pensar se não nos encontramos num qualquer delírio esquizofrénico que parece não terminar.
Tecnicamente falando, desde a fotografia à execução dos vários planos e momentos, a curta consegue cativar o nosso interesse que é, no entanto, totalmente perdido quando pensamos realmente na história e na continuidade dos segmentos que nos faz sentir literalmente perdidos. Compreendo a vontade experimentalista mas... o que é demais "assusta" ao ponto de nem as interpretações de um conjunto de jovens actores e da veterana Paula Guedes nos conseguirem convencer.
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2 / 10
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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Terraferma (2011)

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Terraferma de Emanuele Crialese é um dos filmes mais nomeados nas categorias principais da cerimónia deste ano dos prémios David da Academia Italiana de Cinema e aquele que encerrou a Festa do Cinema Italiano de Lisboa. Um filme muito aguardado pelo público, e por mim em particular que sou um fã confesso deste realizador que já nos tinha entregue os magníficos Respiro e Nuovomondo.
Este filme começa por nos mostrar as dificuldades de uma família italiana que sobrevive da pesca numa altura em que a mesma é condicionada por tantas normas. Quando Filippo (Filippo Pucillo) e o seu avô Ernesto (Mimmo Cuticchio) se lançam mais uma vez ao mar, longe estavam de imaginar que as suas preocupações iriam aumentar.
Naquela que seria a última viagem do seu barco antes de o mandarem abater, Filippo e Ernesto encontram um barco de imigrantes ilegais no mar e socorrem alguns daqueles que se encontravam em risco de vida, contra todas as leis em vigor que os proibem de o fazer. As consequências não se fazem esperar e após o seu barco ficar apreendido os dois homens bem como Giulietta (Donatella Finocchiaro), mãe de Filippo, vêem-se a braços com uma situação ainda mais complicada quando albergam, para desconhecimento de todos, uma das imigrantes que se encontrava grávida e o seu jovem filho.
Ao mesmo tempo que a pequena ilha é sucessivamente invadida por barcos com ilegais, surge também um novo tipo de invasão... os turistas vindos das grandes cidades italianas que ali procuram bom tempo e praia e com os quais Giulietta espera poder fazer negócio alugando a sua casa, obtendo assim uma nova forma de sustento que faça a família sobreviver em tempos tão difíceis como aqueles que enfrentam.
Um filme de Emanuele Crialese não poderia ser apenas isto. Estas linhas são apenas o cenário onde tudo acontece. O pano de fundo para aquilo que é a real mensagem a transmitir. Em primeiro lugar temos de encarar os tempos modernos tal como eles se apresentam. A crise, a pesca familiar que já não garante o sustento a nenhuma família que queira sobreviver e as leis punitivas para todos aqueles que não conseguem modernizar-se face àquilo que é pedido pelo governo que olha para todos de forma anónima sem sequer se preocupar com as condições de cada um.
É esta mesma crise que leva o indivíduo a procurar alternativas e soluções para os problemas que enfrenta. E é esta mesma crise que obriga muitos daquela pequena ilha a procurarem alternativas que nem sempre são as mais legais. A sobrevivência destes, longe de ser "menor", está a milhas de distância daqueles que surgem ilegalmente naquela ilha vindos das mais diversas e distantes paragens à procura de um porto de abrigo longe das guerras, das fomes, das doenças, das torturas e das perseguições que são alvo e que os levam a atravessar meio continente africano até chegarem a um ilusório destino seguro que não os quer por lá.
O curioso reside no facto de tanto nativos, como os ilegais e os turistas, três grupos de pessoas tão distintos e diferentes, procurarem a mesma coisa... uma mais ou menos leve sensação de liberdade. Os primeiros através da independência económica que lhes garante a sua própria subsistência. Os segundos, uma liberdade de todo o conjunto de atrocidades de que foram alvo ao longo das suas mais ou menos longas vidas e finalmente os terceiros, a liberdade de um ano de trabalho que só ali frente ao mar e sob o sol pensam poder conseguir. Objectivamente não têm comparação, mas subjectivamente cada um procura o seu próprio escape à realidade que vive.
Escape este que tem para todos um elemento comum, e que em todos os filmes de Emanuele Crialese assume o papel de uma silenciosa personagem... o mar. O mar que a um garante a subsistência, a outros a liberdade e a outros ainda o prazer de dele poder disfrutar. Sempre o mar. Sempre presente. É o mar que a todos dá vida e esperança. É a estrada de fuga que todos eles inconscientemente têm.
Estes filmes de Crialese não só têm um conjunto de elementos muito característicos, mas também ganham vida através de um conjunto de actores que são eles próprios sinais de uma intensa energia que dinamiza o todo. Filippo Pucillo que aqui repete a participação num filme de Crialese, é como a força que comanda todo o filme. É a partir dele que todas as demais personagens se completam. O avô, a mãe, os ilegais, o tio e os turistas. Todos dependem, de uma ou outra forma, dele. E é ele, como a verdadeira "força" que é, que nofinal consegue encontram a solução para o problema de todos, naquele que consegue ser um dos momentos mais intensos, dramáticos e comoventes de todo um filme que apesar dos seus pontuais momentos de comédia a cargo de Beppe Fiorello (o tio que adere facilmente aos novos negócios que a ilha lhe oferecem), se assume como um verdadeiro filme-reflexão sobre a vida, a liberdade, a imigração, a crise e os tempos modernos que a um dado momento nos encontra desprevenidos e nos mostra a realidade nua e crua. À volta de Pucillo todos se complementam... Donatella Finocchiaro, que com esta sua interpretação arrecadou mais uma nomeação ao David de Melhor Actriz do ano. Mimmo Cuticchio, o avô para quem os valores maiores da vida se impõe indiscutivelmente às realidades do mundo moderno onde a vida parec ser uma parte insignificante. Beppe Fiorello que consegue descomprimir todos os momentos mais dramáticos e tensos deste filme... e para isso basta assistirmos com atenção a todas aquelas viagens de barco que organiza para os turistas, e finalmente Timnit T., a imigrante ilegal que nos revela de forma crua todos os traumas e violências por que passou até chegar àquele país distante que, para ela, representa a liberdade que tanto espera.
Falar deste filme sem falar da sua estrondosa banda-sonora seria impossível. Franco Piersanti assina uma partitura que consegue levar-nos a diferentes estados de alma. Desde a comédia ao drama, passamos por sorrisos, por alegrias e por diversões ao mesmo tempo que sentimos fortes apertos no coração até culminar no segmento final que é uma verdadeira experiência de liberdade emocional. O ano ainda vai curto, mas arrisco dizer que esta é das mais fortes composições musicais do ano e que será difícil encontrar um rival à sua altura.
Terraferma, que espero não ser o capítulo de encerramento de Crialese sobre as terras do sul de Itália, é sem dúvida o seu mais forte filme. Belo, rude, cru, intenso, verdadeiro e com uma leve pitada de comédia, é sem dúvida um dos filmes maiores do recnte cinema italiano, e uma verdadeira história sentida de dignidade e de liberdade.
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10 / 10
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Festa do Cinema Italiano 2012: vencedores

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Prémio de Melhor Filme
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Là-Bas (Educazione Criminale)
de
Guido Lombardi
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Prémio do Público
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Scialla! (Stai Sereno)
de
Francesco Bruni
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Il Mio Domani (2011)

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O Meu Amanhã de Marina Spada conta com Claudia Gerini numa interpretação que lhe rendeu a nomeação para o prémio David deste ano.
Este filme dá-nos a conhecer Monica (Gerini), uma mulher de carreira profissional bem sucedida, com uma vida aparentemente perfeita e que a nível sentimental se sente completa com a relação que mantém com o seu chefe (que é casado).
Monica trabalha, está ocasionalmente com o seu sobrinho que a adora, frequenta um curso de fotografia e vive, basicamente, uma vida isolada e sem grandes relações a nível pessoal. No fundo é uma mulher completa mas só.
Mas mesmo este comportamento de Monica, que nos pode parecer inicialmente frio e distante tem uma justificação. O abandono que sentiu por parte da sua mãe que partiu em busca de uma vida melhor com outro homem e noutro país, marcaram-na. As relações sentimentais e de afectos tornaram-se não algo de positivo para a sua vida mas sim motivos para que possa sofrer e ser, também ela, abandonada. Se as imagens e os momentos mais íntimos não chegassem para o percebermos, certamente mais tarde a relação que mantém com o seu chefe nos faria entender este aspecto.
O filme que acompanha claramente a transformação desta mulher através da imagem que temos dela enquanto citadina mas também através das referência ao seu passado enquanto jovem e adolescente numa pequena povoação do interior, também nos deixa uma ideia da sua actual cidade, Milão, e da sua constante evolução tão presente nas várias localizações da cidade que nos são mostradas e das suas obras arquitectónicas revelando assim que tanto a mulher como a cidade se encontra numa sistemática evolução. Ambas são mutáveis. Ambas procuram ser completas.
Para dar corpo a esta mulher numa transformação quase silenciosa não poderia estar uma melhor actriz do que Caudia Gerini. Com uma presença marcante e bastante carismática, Gerini consegue encarnar na perfeição esta mulher que num certo momento da sua vida percebe querer mais dela. Mais concretização pessoal em detrimento da profissional que, até então, havia ocupado o lugar principal de toda a sua vida e de todas as relações que estabelecia com os demais.
Este filme, que é profundamente intimista e mais de momentos, de percepções e de silêncios do que de elaborados diálogos, consegue aos poucos conquistar-nos. A mim conquistou (que já era fã), pela sua imensa capacidade expressiva que resume através do seu rosto todos os sentimentos que lhe passam pela alma. Não sei se será com esta interpretação que irá finalmente vencer o prémio máximo do cinema italiano, no entanto uma verdade seja dita, esta é uma interpretação que ficará como uma das suas mais marcantes, e tocantes.
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7 / 10
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vallanzasca: Gli Angeli del Male (2010)

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Vallanzasca: Os Anjos do Mal de Michele Placido não só foi um dos filmes sensação em Itália no ano passado tendo inclusivé reunido várias nomeações aos David pela sua controversa história sobre Renato Vallanzasca, um assaltante de bancos que escapou várias vezes da autoridade, como foi também um dos mais antecipados da 5ª Festa do Cinema Italiano.
Este filme que contou com duas sessões, e que foi um dos mais disputados do certame, conta-nos a história de Renato Vallanzasca (Kim Rossi Stuart), um assaltante de bancos em Milão e das suas relações pessoas e "profissionais" levando-nos para o meio do seu gang e das relações de sobrevivência que estabeleceu nas suas inúmeras permanências na prisão.
Vallanzasca, fiel às suas relações mais próximas estabelecidas com Enzo (Filippo Timi) o irmão que nunca teve e em quem deposita toda a sua confiança, com Antonella (Paz Vega) a irmã que também nunca teve e por quem sempre nutriu uma paixão mais que fraterna, Consuelo (Valeria Solarino), a mulher com quem inicia família e Beppe (Paolo Mazzarelli) o homem com quem tem uma inicialmente tensa relação mas que acaba por ser um dos seus mais fortes aliados.
Neste filme acompanhamos as várias etapas do crime pelas quais Vallanzasca atravessa. Começando como um anónimo que aterroriza as ruas de Milão e que ascende vertiginosamente no mundo do crime, Vallanzasca tem uma igualmente meteórica ascenção mediática ao ponto de ter o seu próprio clube de fãs que por ele seriam capazes de fazer tudo. Mas Vallanzasca não se ficaria por aqui. Assistimos também às suas igualmente diversas detenções e fugas de e à polícia que contribuem para o mito e para a controvérsia que a sua figura gerou, ao ponto de muitos daqueles que lhe eram próximos enveredarem por um crime mais violento culpabilizando-o depois do que havia sido feito.
O argumento, baseado em factos verídicos, e escrito por Andrea Purgatori, Angelo Pasquini, Antonio Leotti, Toni Trupia, Andrea Leanza, Antonella D'Agostino, pelo próprio realizador Michele Placido e também pelo homem que dá corpo a Vallanzasca, Kim Rossi Stuart, não só é polémico pelas próximas relações entre o mundo do crime, a Mafia e a incapacidade de um sistema judicial de criminalizar e deter aquele homem, como consegue do princípio até ao fim manter-nos com uma atenção magnética a tudo o que se passa pelo nosso ecrã.
Não nos podemos esquecer, como é evidente, do fortíssimo elenco reunido por Michele Placido onde se destacam os actores já mencionados que são os pesos pesados do novo cinema italiano, Kim Rossi Stuart, Filippo Timi (que arrisco mais uma vez dizer que se assume como um dos mais intensos actores da actualidade) e Valeria Solarino, como também espanhol, Paz Vega, e alemão através da participação especial de Moritz Bleibtreu. Se os quatro primeiros actores são determinantes para toda a história, não deixa também de ser verdade que a dinâmica existente entre Kim Rossi Stuart e Filippo Timi é proporcionalmente inversa àquela existente entre Stuart e Mazzarelli. A proximidade existente entre os dois primeiros rapidamente se vai deteriorando graças ao consumo de estupefacientes de "Enzo", o que leva "Vallanzasca" a encontrar o mesmo tipo de apoio em "Beppe", aquele que sempre havia sido o seu inimigo. Se de início por uma questão de sobrevivência na prisão, não deixa também de ser verdade que a amizade entre estes dois vultos do crime nasce de forma espontânea em pouco tempo. São estas turbulentas relações que este grupo de actores consegue facilmente recriar e entregar-nos um retrato do que foi a época de terror e a vida destes homens, e no caso de Kim Rossi Stuart tendo levado inclusivé a nomeação ao David de Melhor Actor.
A glória e a decadência destes homens é assim acompanhada a uma velocidade vertiginosa que envolve crime, Mafia, assaltos, morte, perseguição automóvel e com as doses adequadas de drama que caracterizam o lado mais humano deste conjunto de indivíduos que arriscou levar a vida depressa demais... e através do crime como a forma mais fácil e "correcta" de alcançar os seus objectivos.
Dramático por vezes, cómico noutras tantas, este filme é do princípio ao fim uma experiência extramemente intensa que ninguém deve perder tanto pela qualidade da sua história como das suas interpretações.
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9 / 10
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