domingo, 22 de abril de 2012

Youth Without Youth (2007)

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Uma Segunda Juventude de Francis Ford Coppola foi um filme muito esperado na edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes no seu ano, por pôr um termo a uma longa pausa do realizador (já vencedor do Festival) à frente de uma obra.
Este filme cuja acção se desenrola numa Europa pré-Segunda Guerra Mundial foca a vida de Dominic (Tim Roth), um timído e reservado professor de línguas que já só no mundo só pode aguardar a morte. Quando é atingido por um raio do qual ninguém espera que recupere, Dominic começa estranhamente a rejuvenescer e torna-se alvo das atenção nazis que o procuram para ser cobaia de experiências.
Dominic em fuga encontra uma mulher muito semelhante à que outrora amara (Alexandra Maria Lara na dupla interpretação de "Veronica" e "Laura"), e vê agora nesta sua nova paixão uma potencial "chave" de continuidade de investigação sobre as origens da linguagem.
Não só as expectativas de Cannes eram elevadas como muito possivelmente as de qualquer cinéfilo que aguardava pela nova entrega de Coppola. A antecipação que se gerou à volta deste filme foi de facto muita, e todos nós queriamos saber que nova pérola advinha das mãos do realizador, especialmente se pensarmos que se reune de um igualmente talentoso actor como é o caso de Tim Roth, e de dois outros fortes talentos da cinematografia europeia como é o caso de Bruno Ganz e da já referida Alexandra Maria Lara. No entanto, este filme está longe do fogo que as obras anteriores de Coppola já nos haviam mostrado.
Os actores, principalmente o trio protagonista, não brilham... Pelo menos não o suficiente comparativamente a outros trabalhos onde já os vimos. Tim Roth quase deambula pelo ecrã num misto de "vai acontecer algo" com "afinal o que estive a fazer?!". Alexandra Maria Lara sobrevive igualmente num misto entre "sou bonita e a figura feminina central" e "vou ter uns ataques de verborreia em línguas mortas" que mais atrapalha do que ajuda à fluídez da obra. E Bruno Ganz não chega a ter tempo de antena suficiente para completar a intensidade dramática que se lhe pede seja qual fôr a interpretação que apresente.
O filme, que se quer uma história de amor não cumprido e uma segunda oportunidade de reviver paixões, sentimentos e emoções numa segunda juventude, acaba por se perder muito com o desenrolar da história e os actores acabam por não brilhar nas suas interpretações dada a mensagem quase filosófica que este (o filme) se propõe transmitir, e que a meio gás se torna mais cansativo do que esclarecedor.
Mas nem tudo será negativo. Tecnicamente falando, entre fotografia e os jogos de luzes e sombras que determinam a vivacidade (ou falta dela) das cores e por sua vez dos estados de espírito e da sociedade da autoria de Mihai Malaimare Jr., bem como o guarda-roupa de época com uma execução brilhante pelas mãos de Gloria Papura, são dois dos pontos altos do filme que não se perdem nem ficam por "explicar".
Longe de ser um filme mau, esta Uma Segunda Juventude está longe dos tempos em que Coppola faria arrastar multidões de fãs às salas de cinema com as suas histórias, fossem elas retratos de uma comunidade italo-americana em que a Mafia era dona e senhora, ou retratos de gerações perdidas e desenquadradas da época em que viviam. Aqui, a existir desenquadramento, ele é sentido pela falta de rumo coeso que leve os espectadores a aplaudir de pé.
Eficaz do ponto de vista técnico e com alguns tópicos que poderiam ter sido explorados, nomeadamente a época pré-guerra e o estranho rejuvenescimento da personagem principal que, a abandonar metáforas e significados mais ou menos intelectuais se poderiam tornar em boas linhas condutoras para um filme muito mais interessante.
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5 / 10
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