sábado, 7 de abril de 2012

Dead Meat (2004)

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O Manjar dos Zombies de Conor McMahon é uma longa-metragem de terror proveniente da Irlanda e que segue a já longa tradição - nem sempre conseguida - do género zombie. Habituados que estamos aos filmes deste género, Dead Meat consegue fugir ao habitual interior profundo dos Estados Unidos deslocando a sua acção para uma Irlanda rural onde a epidemia se propaga graças a um acontecimento que, à altura da concretização deste filme, preocupava a Europa... a doença Creutzfeldt-Jakob vulgarmente conhecida como a doença da vacas-loucas.
Aqui a epidemia começa, contrariamente ao que estamos habituados, graças a uma dentada de uma vaca espalhando-se rapidamente pelos agricultores que, perdidos pelo campo, espalham o terror por todas as povoações em redor a Leitrim onde Martin (David Ryan) e Helena (Marián Araújo) chegam para um fim-de-semana de tranquilidade.
Depois do apetite voraz por carne humana de animais infectados, chega a vez deste apetite se disseminar pelos humanos que começam a querer devorar o sangue - e carne - pulsante daqueles que ali chegam. Conseguirá este inocente casal sobreviver ou estarão eles preparados para a maior e mais intensa aventura das suas vidas?
Como fã do género, confesso que as expectativas são sempre demasiadamente elevadas e a originalidade ou pelo menos a acção e factor surpresa são sempre aqueles pelos quais mais anseio. No entanto, Dead Meat não só não surpreende como acaba por cair nos mesmos lugares comuns que tantas outras obras do género desde o cenário campestre às perseguições zombie que não perdoam a mais inocente das vítimas sendo, no entanto, a origem deste vírus uma interessante abordagem que infelizmente não conseguiu prender.
Com um ou outro apontamento simpático pela forma como esses são abordados - referindo concretamente o zombie paralítico, os zombies que se "retiram" durante a noite para descansar naquele que seria certamente o período perfeito para atacarem as suas vítimas inocentes, aqueles que são privados dos seus olhos graças às maravilhas da tecnologia (vulgo aspirador) ou até mesmo a perseguição de uma vaca infectada aos poucos sobreviventes deste apocalipse - Dead Meat cai num ritmo repetitivo que não ajuda à sua dinamização - nem mesmo o segmento final num castelo abandonado - e até mesmo a caracterização dos mortos-vivos, fruto de um orçamento eventualmente bastante reduzido, não consegue tornar esta obra interessante e original dentro do género, facto este que se intensifica (pela negativa) com as personagens pouco empáticas ou dinamizadas... Vítimas à parte... teríamos realmente pena delas?!
Originalidade encontramos sim na premissa inicial de Dead Meat utilizando um acontecimento real para aplicá-lo à ideia de apocalipse e no trágico mas conclusivo final no qual as testemunhas, quando existem, são consideradas para as forças governativas, tão ou mais perigosas do que os acontecimento em si. Existem ainda alguns simpáticos apontamentos de humor nomeadamente no que diz respeito à "luta" pela sobrevivência quando todos os objectos podem ser potenciais armas... desde uma pá a uma porta... de um armário a um salto alto... Tudo vale... Tudo é legítimo... e nessa perspectiva Dead Meat consegue ser apelativo e bem construído - um bem haja à imaginação - mas peca por de seguida ser muito elementar na sua concretização.
Divertido . por momentos - gore (inocentemente) quanto baste, enervante em várias ocasiões e razoavelmente bem disposto, este filme consegue por um lado estar muito associado às dezenas de outras produções do género mas, ao mesmo tempo, repetir alguns aspectos que o distanciam das mesmas por algum amadorismo - novamente refiro que muito provavelmente fruto de um orçamento humilde -, tornando-se assim um filme que o fã incondicional irá querer ver e eventualmente repetir mas que, no entanto, não será aquele que irá ficar na memória do mesmo.
Dentro do género recomendo que seja visto... Afinal qual de nós que sacraliza o género não quererá ver sempre um - e mais um - filme deste estilo... No entanto, há que ter sempre em mente as suas óbvias limitações bem como os objectivos bem intencionados com que foi elaborado. Com um orçamento claramente reduzido e sem perder a sua veia "noite dos mortos vivos", consegue ao mesmo tempo ser um filme diferente e interessante que, dirão os puristas, faz com que nenhum de nós olhe para uma vaca com os mesmos olhos, não esquecendo ainda um apontamento positivo a uma interpretação bastante positiva - para o género - de David Muyllaert como aquele por quem o espectador poderá sentir alguma empatia quando confrontado com o seu destino.
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3 / 10
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