terça-feira, 5 de agosto de 2014

Farcume - Festival de Curtas-Metragens de Faro 2014: os seleccionados

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A quarta edição do FARCUME - Festival de Curtas-Metragens de Faro irá decorrer nas instalações da Escola de Hotelaria e Turismo entre os dias 27 e 30 de Agosto, tendo sido já anunciada a selecção oficial para cada uma das categorias. São elas:
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Ficção
A Aldeia, de Luís Bruno Ribeiro (Portugal)
After 15 Years, de Babak habibifar (Irão)
The Bague, de Sarah-Laure Estragnat (França)
Balança, de Rui Falcão (Portugal)
Beat It Tonight, de Winther Morten (Dinamarca)
O Berço Imperfeito, de Mário Ventura (Portugal)
Buenos Aires, de Daniel Gil Suárez (Espanha)
O Cavaleiro, de Luís Mata Henriques (Portugal)
Cigano, de David Bonneville (Portugal)
A Cor dos Sonhos, de João Pina (Portugal)
Cova da Iria, de Jacinto Moreno (Brasil)
Damn Girl, de Kira Richards Hansen (Dinamarca)
Dentro del Túnel, de Sérgio Román (Espanha)
Distants, de Janno Jurgens (Estónia)
Do Outro Lado da Rua, de Pedro Bessa (Portugal)
Dring of the Dead, de Gael Pouvreau e Mathieu Auvray (França)
Electric Indigo, de Jean Julien Collete (Bélgica)
Entre Ange et Démon, de Pascal Forney (Suíça)
Exit, de Pepe Botias e Ángel De Haro (Espanha)
Falha do Sistema, de José Miguel Moreira (Portugal)
Inertial Love, de César Alenda e José Esteban Alenda (Espanha)
O Jogo, de Pedro Coutinho (Brasil)
Love at First Sight, de Mark Playne (Reino Unido)
O Mal e a Aldeia, de Diogo Lima e David Serôdio (Portugal)
Maria, de Joana Viegas (Portugal)
Marina, de Adi Mozes (Israel)
Os Meninos do Rio, de Javier Macipe (Espanha)
Merry Christmas, de Pablo Palazon (Espanha)
O Meu Avô, de Tony Costa (Portugal)
Monolog, de Christian Thueringer (Áustria)
The Morning After, de David Renaud (EUA)
No Love Lost, de Shekhar Bassi (Reino Unido)
Noah Hammer, de João Gabriel Kowalski (Brasil/EUA)
Oxytocin, de Vadzim Aheyeu (Bielo-Rússia)
Paradise Beach, de Dave Lojek (Alemanha)
Paris, de Myriam Fontaine (França)
Piove, de Francesco Zucchi e Lu Pullici (Itália)
Processo 340, de António Narciso, Joca Soares, Joel Duarte, Maria Branco Abreu, Vanessa Pinheiro e Wilson Soares
A Propósito de Ndugu, de David Muñoz (Espanha)
Quando Ela me Chamou, de Lincoln Ferdinand (Brasil)
Rio Cidade Olímpica, de Cláudia Pifano Silva (Brasil)
Saturnica, de Cesar Netto (Brasil)
Se o Tempo Fosse Remédio, de Catarina Neves (Portugal)
Second Wind, de Sergey Tsyss (Rússia)
Sinceridad, de Andrea Casaseca (Espanha)
Split Time, de Fabrice Bracq (França)
Straight to Rem, de Vítor Gonçalves (Brasil)
Sunshine Through the Rain, de Hristo Simeonov (Bulgária)
Tharattu Pattu, de Sandeep Ravindranath (Índia)
O Tiro que Não Saiu pela Culatra, de Guilherme Azevedo (Brasil)
Turiszt, de Szonja Szabo (Hungria)
Um Lugar Melhor, de Marisa Crespo e Moisés Romera (Espanha)
Un Parfum de Liban, de Haag Matthieu (França)
Veredas, de Marcos de Carvalho (Brasil)
Volvente, de Jacinta Barreto (Portugal)
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Documentário
Argila e Histórias de Vida, de Laurita dos Santos e Elisa Cabral (Brasil)
Art of Motion, de Rhodri Williams e Ollie Elliot (Reino Unido)
Aurora, de Mariana Mesquita (Portugal)
Borum, de Adriana Jacobsen (Brasil)
Chaja & Mimi, de Eric Esser (Alemanha)
Contos de Maré, de Douglas Soares (Brasil)
Contrastes - Realidade Convergente, de Joel Duarte e Vanessa Pinheiro (Portugal)
Dear Hassan, de Axel Salvatori "Sinz" (França)
L'Être Venu d'Ailleurs, de Guy Bordin e R. de Putton (Bélgica)
La Fiebre del Oro Verde, de Juan Hernandez e Manuel Martinez (Espanha)
I Am Not Here Now, de Ion Papaspyrou e Zisis Kokkinidis (Grécia)
I Love (New) Tokyo, de Emmanuel Tenenbaum (Holanda)
Lo Indecible, de Carolina Muñoz (Chile)
Jeuh Kieh a JM HM Kahun, de Arturo Aguilar (México/EUA)
Kabeza, de Fernando Bordeu (Espanha)
Kisses in Zocalo, de Maida Hals (Noruega)
Mamãs de Papelão, de Nuno Cristino Ribeiro (Portugal)
Mamucaba, de Anderson Legal (Brasil)
O Movimento Operário, de Vicentini Gomez (Brasil)
Not Anymore: A Story of Revolution, de Matthew Van Dyke (EUA)
Onde Tu Fores Vou Lá Estar, de Afonso Sousa (Portugal)
Para Lá da Cortina, de Sónia Correia (Portugal)
Pescador de um Rio sem Margem, de Rodolfo Silveira (Portugal)
Piove, il Film di Pio, de Thiago Mendonça (Brasil)
Quando Eu Vestia o meu Terno de Couro, de Flávio Farias (Brasil)
Sarirosa, de Maria José Anrubia (Espanha)
Skile, de Sara Markovic (Sérvia)
Symphonic Memories, de Jaro Minne (Bélgica)
Tesouras e Navalhas, de Hernâni Duarte Maria (Portugal)
Tio Carlos 1942 - 1965: Um Inquérito Docudramático, de João Gomes (Portugal)
Una Delgada Linea, de Nacho Gil de Diego (Espanha)
Viagem ao Coração da Serra da Estrela, de Paulo César Fajardo (Portugal)
Vida de Campo, de Soahd Arruda Farias (Brasil)
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Animação
A Lifestory, de Nacho Rodriguez (Espanha)
About the Origin of the Earth, de Joanna Polak (Polónia)
La Carte, de Stefan Le Lay (França)
Complicit, de Gavin Hoffman (Irlanda)
The Day of the Bleeding Gums, de Dimitav Dimitrov (Bulgária)
O Equilibrista e os Animais, de Mozart Albuquerque (Brasil)
Eugénia, de Deborah Cywiner (Israel)
From Here to Immortality, de Luise Hasler (Suíça)
Fuga Animada, de Augusto Bicalho Roque (Brasil)
The Gift, de Julio Pot Espiñeira (Chile)
Hiki, de Réda Sabile (Marrocos)
Hunger in India, de Neerav Doshi (Índia)
Immaginarium, de Pedro Resende (Portugal)
Inércia, de Becho lo Bianco e Mariano Bergara (Argentina)
Just de l'Eau, de Carlos de Carvalho (França)
Maker vs Marker, de Jonny Lawrence (Reino Unido)
Modin, de Ho Tak Lam e Kai Chung (Hong Kong)
Música na Fita, de Ana Rita Correia (Portugal)
Nahual, de Lula Gomez e Jordi Piulachs (Argentina)
A Nau Catrineta, de Artur Correia (Portugal)
Orion Beach, de Campbell Logan (EUA)
Paths of Light, de Nélson Fernandes (Portugal)
Payada Pa'Satán, de António Balseiro e Carlos Bolseiro (Argentina)
Quagga, de Olga Policktova e Tatiana Policktova (Rússia/Reino Unido)
Si Lunchai, de Hannes Rall (Singapura)
O Solidário não quer Solidão, de Carlon Hardt (Brasil)
Té de Manzana, de Lula Gomez (Argentina)
Um Cêntimo de Scrooge, de Josep Calle Buendia (Espanha)
The Untold & Unseen, de Ho Tak Lam (Hong Kong)
Vigia, de Marcel Barelli (Suíça)
The Water Bearer, de Mew Lab (Reino Unido)
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Videoclip
A Song for Elaine, de Borja Alvarez Ramirez (Espanha)
Blessing, de Yaser Talebi (Suécia)
Children, de Nadav Nachmany (Israel)
Correspondência, de Afonso Sousa (Portugal)
Crystal Wings, de Román Reyes (Espanha)
D-Tox, de Paulo César Fajardo (Portugal)
DSK - Badly, de Montero & Lesta (Espanha)
DSK - Cianuro Disco Funk, de Montero & Lesta (Espanha)
Edmundo Inácio - Say Something, de Pedro Matos (Portugal)
Ensolarada, de Felipe Soares, Maria Flor, Niozart Albuquerque (Brasil)
Garden's Road - Escuchando Elefantes, de Juan Galinanes (Espanha)
Jardim do Fim, de Afonso Sousa (Portugal)
Last Night, de Alfonso Vazquez Cortizo (Espanha)
Musicando no Barro, de Elisa Cabral e Laurita Caldas (Brasil)
Nome - O Tempo na tua Mão, de Pedro Matos (Portugal)
ORBLUA - Dança da Ostra, de Carlos Norton (extra-competição) (Portugal)
Peace of Mind, de Alex Vignes e Mook Vignes (Irlanda)
Piss!!, de David Barros (Portugal)
Rain Inside, de Amos Navarro (México)
R-Evolution, de Joe Palermo (Itália)
Ready for War, de Alex Vignes e Mook Vignes (Austrália)
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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Academia Brasileira de Cinema 2014: os nomeados

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Melhor Longa-Metragem de Ficção
Cine Holliúdy, de Halder Gomes
Faroeste Caboclo, de Rene Sampaio
Flores Raras, de Bruno Barreto
O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
Tatuagem, de Hilton Lacerda
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Melhor Longa-Metragem Documentário
A Luz do Tom, de Nelson Pereira dos Santos
Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle
Elena, de Petra Costa
Jorge Mautner - O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt
O Dia que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares
São Silvestre, de Lina Chamie
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Melhor Realizador
Bruno Barreto, Flores Raras
Halder Gomes, Cine Holliúdy
Heitor Dhalia, Serra Pelada
Hilton Lacerda, Tatuagem
Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor
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Melhor Actriz
Fernanda Montenegro, O Tempo e o Vento
Glória Pires, Flores Raras
Isis Valverde, Faroeste Caboclo
Leandra Leal, Mato sem Cachorro
Sophie Charlotte, Serra Pelada
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Melhor Actor
Edmilson Filho, Cine Holliúdy
Fabrício Boliveira, Faroeste Caboclo
Irandhir Santos, Tatuagem
Irandhir Santos, O Som ao Redor
Jesuíta Barbosa, Tatuagem
Wagner Moura, A Busca
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Melhor Actriz Secundária
Alexandra Richter, Minha Mãe é Uma Peça - O Filme
Ana Marlene, Cine Holliudy
Angela Leal, Bonitinha, Mas Ordinária
Bianca Comparato, Somos Tão Jovens
Sandra Corveloni, Somos Tão Jovens
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Melhor Actor Secundário
Antônio Calloni, Faroeste Caboclo
Bruno Torres, Somos Tão Jovens
Jesuíta Barbosa, Serra Pelada
Matheus Nachtergaele, Serra Pelada
Wagner Moura, Serra Pelada
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Melhor Longa-Metragem de Animação
Minhocas, de Paulo Conti
Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi
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Melhor Longa-Metragem Infantil
Corda Bamba, de Eduardo Goldenstein
Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein
Minhocas, de Paulo Conti
Tainá - A Origem, de Rosane Svartman
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Melhor Fotografia
Adrian Teijido, A Busca
Affonso Beato, O Tempo e o Vento
Gustavo Hadba, Faroeste Caboclo
Lito Mendes da Rocha, Serra Pelada
Mauro Pinheiro Jr., Flores Raras
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Melhor Direcção de Arte
José Joaquim Salles, Flores Raras
Juliano Dornelles, O Som ao Redor
Marcelo Escañuela, A Busca
Renata Pinheiro, Tatuagem
Tiago Marques, Faroeste Caboclo
Tiza de Oliveira, O Tempo e o Vento
Tulé Peake, Serra Pelada
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Melhor Guarda-Roupa
Bia Salgado, Serra Pelada
Chris Garrido, Tatuagem
Joanna Fontelles, Cine Holliúdy
Macelo Pies, Flores Raras
Valéria Stefani, Faroeste Caboclo
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Melhor Caracterização
Ancelmo Saffi, Flores Raras
Auri Mota, Faroeste Caboclo
Cris Pires, Cine Holliúdy
Donna Meirelles, Tatuagem
Siva Rama Terra, Serra Pelada
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Melhores Efeitos Visuais
Bruno Monteiro, Uma História de Amor e Fúria
Carlos Eduardo Nogueira, O Som ao Redor
Omar Colocci e Rafael Rodrigues, Faroeste Caboclo
Robson Sartori, Flores Raras
Robson Sartori, Serra Pelada
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Melhor Argumento Original
André Pereira, Mato Sem Cachorro
Halder Gomes, Cine Holliudý
Heitor Dhalia e Vera Egito, Serra Pelada
Hilton Lacerda, Tatuagem
Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor
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Melhor Argumento Adaptado
Bernard Attal, Iziane Mascarenhas e Sergio Machado, A Coleção Invisível
Julie Sayres e Matthew Chapman, Flores Raras
Marcos Bernstein e Melanie Dimantas, Meu Pé de Laranja Lima
Marcos Bernstein e Victor Atherino, Faroeste Caboclo
Nelson Pereira dos Santos e Miucha, A Luz do Tom
Paulo Gustavo e Fil Braz, Minha Mãe é uma Peça - O Filme
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Melhor Montagem Ficção
Dirceu Lustosa, Somos Tão Jovens
Helgi Thor, Cine Holliúdy
Kleber Mendonça Filho e João Maria, O Som ao Redor
Letícia Giffoni, Flores Raras
Marcio Hashimoto, Faroeste Caboclo
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Melhor Montaem Documentário
Alexandre Saggese e Luciane Correia, A Luz do Tom
Cesar Tuma e Verônica Saenz, O Dia que Durou 21 Anos
Leyda Nápoles, Jorge Mautner - O Filho do Holocausto
Marília Moraes e Tina Baz, Elena
Paulo Henrique Fontenelle, Dossiê Jango
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Melhor Som
Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Eduardo Virmond Lima, Uma História de Amor e Fúria
Alfredo Guerra e Érico Paiva, Cine Holliúdy
João Godoy, Mártin Grignaschi, Diego Gat e Lucas Meyere, Serra Pelada
Jorge Saldanha, Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Eduardo Virmond Lima, O Tempo e o Vento
Leandro Lima, Mirian Biderman, ABC, Ricardo Chuí e Paulo Gama, Faroeste Caboclo
Paulo Ricardo Nunes, Alessandro Laroca e Armando Torres Jr., Flores Raras
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Melhor Música
Fil Pinheiro, Elena
Jards Macalé, Jards
Jorge Mautner, Jorge Mautner - O Filho do Holocausto
Lina Chamie, São Silvestre
Paulo Jobim, A Luz do Tom
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Melhor Música Original
Antônio Pinto, Serra Pelada
Carlos Trilha, Somos Tão Jovens
DJ Dolores, O Som ao Redor
Marcelo Zarvos, Flores Raras
Phillipe Seabra, Faroeste Caboclo
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Au Revoir, de Milena Times
Frerte, de Hsu Chien
Linguagem, de Luis Rosemberg Filho
Os Irmãos Mai, de Thais Fujinaga
Todos os Dias em que sou Estrangeiro, de Eduardo Morotó
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Melhor Curta-Metragem Documentário
A Guerra dos Gibis, de Thiago Brandimarte Mendonça
Até o Céu Leva Mais ou Menos 15 Minutos, de Camilla Battistetti
Gericinó, de Gabriel Medeiros e Maria Clara Senra
Luna e Cinara, de Clara Linhart
Contos da Maré, de Douglas Soares
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Engole ou Cospervilha, de David Mussel, Fernanda Valverde, Gabriel Bitar, Giuliana Danza, Jonas Brandão, Marcelo Marão, Pedro Eboli e Zé Alexandre
Faroeste, de Wesley Rodrigues
Graffiti Dança, de Rodrigo EBA
Macacos me Mordam, de Sávio Leite
O Menino que Sabia Voar, de Douglas Alves Ferreira
Paleolito, de Ismael Lito e Gabriel Calegario
Quinto Andar, de Marcos Nick
Um Dia de Trabajo, de Francisco Rosatelli
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Melhor Longa-Metragem Estrangeira
Amour, de Michael Haneke (Áustria)
Blue Jasmine, de Woody Allen (EUA)
Django Unchained, de Quentin Tarantino (EUA)
La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (Itália)
La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2, de Abdellatif Kechiche (França)
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Melhor Longa-Metragem de Comédia
Colegas, de Marcelo Galvão
Mato sem Cachorro, de Pedro Amorim
Meu Passado me Condena, de Julia Rezende
Minha Mãe é uma Peça - O Filme, de André Pellenz
Cine Holliúdy, de Halder Gomes
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domingo, 3 de agosto de 2014

Bright Young Things (2003)

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Sexo, Escândalos e Celebridade de Stephen Fry é uma longa-metragem britânica adaptada pelo realizador a partir do romance Vile Bodies de Evelyn Waugh sobre a vida de um conjunto de jovens boémios na Londres dos anos 30.
Quando Adam Fenwick-Symes (Stephen Campbell Moore) regressa a Inglaterra, o seu propósito é editar o seu livro e casar com Nina Blount (Emily Mortimer). Enquanto ele se prepara para um casamento abastado e uma vida tranquila, Nina pretende uma vida de electrizante opulência e festas com os amigos. Nesta década de irreverência e loucura... anuncia-se a guerra que iria mudar para sempre as suas vidas.
Com um conjunto dos mais refinados actores britânicos desta "nova geração" como, por exemplo, os já mencionados Mortimer e Campbell Morre ou ainda James McAvoy, Michael Sheen ou Fenella Woolgar, Bright Young Things estabelece não só um paralelismo entre a luz, a cor e a folia de uma geração que não tinha vivido a Primeira Guerra Mundial mas que, ao mesmo tempo, decide viver a vida com uma intensidade até então não sentida com, por outro lado, a transição dessa dita idade mais jovem para uma "maioridade" que - haviam decidido - ainda não abraçar.
Desde os instantes iniciais da obra de Fry que o espectador sente estar perante um filme que corre com o mesmo impulso frenético que as vidas daquelas excêntricas personagens que parecem alucinadas com uma correria auto-imposta. Independentemente daquilo que mais tarde testemunhamos ser o seu modo e estilo de vida, o espectador perde-se com uma desenfreada necessidade de expôr os hábitos e vidas deste conjunto de amigos como se o mesmo fosse justificativo daquilo que tanto queriam fazer como forma de celebrar uma vida que - pensam - sentir estar a passar ao lado. Da ausência de responsabilidades a uma sentida percepção de que o mundo se altera lentamente, o grande choque desta geração chega quando são confrontados com uma sociedade que se fecha e altera sem o seu consentimento. Os hábitos permanecem e os gostos continuam mas, ao mesmo tempo, o mundo impõe-se como o grande garante do que pode ou não ser tolerado em sociedade.
Pelo pano de fundo impera ainda o amor. A necessidade de uma entrega extrema a alguém que defenda um estilo de vida comum, que se dedique ao seu parceiro para lá de todas as amarguras dos tempos de guerra ou mesmo dessa sociedade (agora) mais conservadora e que, para lá do poder do dinheiro confira entre quatro paredes uma segurança que o mundo - lá fora - afirma não dar. Bright Young Things pode ser um filme sobre a última grande geração de jovens iludidos - inocentemente - com o poder do "tudo podemos" mas, na conglomeração de todos estes elementos, perde-se nesse seu ritmo frenético que se (auto) impõe e que, por momentos, consegue cansar o espectador.
A guerra todos muda - escutamos vezes sem conta em tantos filmes do género -, eliminando a pura inocência que a todos é conferida antes de momentos reveladores de uma grande mudança. Mas, chegada esta mudança, alteram-se as vontades, os gostos e até mesmo a tranquilidade sentida nessa irreverência antes tida. Se estas premissas estão presentes em Bright Young Things, não deixa de ser real que, ao mesmo tempo, toda a junção destes elementos não consegue prender o espectador às suas inúmeras vertentes ou tão pouco aos sub-temas que tenta explorar... O excesso de personagens e todos os seus rumos nem sempre claros ou explorados, fazem compreender que existia aqui material suficiente para uma trilogia - completamente absurda - ou então, para melhor dinamização da história, concentrar todas estas experiências apenas num conjunto mais limitado de personagens com as quais o espectador conseguisse criar algum tipo de ligação ou empatia. De amores perdidos e proibidos à loucura instalada e da paz sentida à guerra que se faz sentir, Bright Young Things entra no mesmo delírio que as suas personagens e tem um fim igualmente pouco brilhante.
A realidade chega especialmente quando não a esperamos. O mundo muda e transforma-se mesmo que não demos por ele ou tão pouco o acompanhemos. No entanto, se não paramos para nos concentrarmos nos nossos próprios objectivos e ambições adaptadas a essa mesma mudança, a loucura instala-se sem que dela conseguimos uma libertação mantendo-nos presos a um passado brilhante mas ilusório e distantes de um futuro real e em igual medida... menos garantido.
Uma estreia na realização de Stephen Fry rica na composição técnica e artística da época mas que falha na concentração com a exposição das mais variadas histórias paralelas em torno de "Adam" e de uma francamente ausente "Nina" que deveriam ser o centro de todas as histórias, personagens e inuendos mas que, no entanto, por aqui mantém-se como "mais um" entre tantos.
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3 / 10
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Academia Portuguesa de Cinema: as curtas-metragens pré-seleccionadas para os Sophia 2014

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A Comissão de Curtas-Metragens para os Sophia 2014 da Academia Portuguesa de Cinema, esteve reunida para eleger um conjunto de filmes que fossem uma amostragem representativa das três categorias em competição: Ficção, Animação e Documentário respectivamente.
A Comissão decidiu que seriam apurados seis Curtas-Metragens de Ficção, seis Curtas-Metragens de Animação e seis Documentários em formato de Curta-Metragem tendo discutido a fundamentação dos diversos pontos de vista dos comissários, até ao apuramento por consenso dos 18 filmes nas referidas categorias e que irão estar, numa segunda volta, sujeitos à votação dos membros da Academia que irão assim determinar os quatro nomeados.
Na reunião, devidamente convocada pelo Coordenador da Comissão de Selecção das Curtas-Metragens José Farinha, estiveram presentes, Sofia Reis, Paulo Peralta, João Marco, Vasco Carvalho e por procuração Luís Branquinho.
Ficaram assim seleccionados os seguintes filmes:
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Ficção
Gambozinos, de João Nicolau
José Combustão dos Porcos, de José Magro
Lápis Azul, de Rafael Antunes
Longe do Éden, de Carlos Amaral
Luminita, de André Marques
Rei Inútil, de Telmo Churro
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Documentário
Almas Censuradas, de Bruno Ganhão
Casa Manuel Vieira, de Júlio Alves
Fontelonga, de Luís Costa
Lápis Azul, de Rafael Antunes
A Máquina, de Mafalda Marques
Onde a Estrada Acaba, de Rui Dias
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Animação
Alda, de Ana Cardoso, Filipe Fonseca, Liliana Sobreiro e Luís Catalo
Brincar, de Colectivo Fotograma 24 e Colectivo de crianças, jovens e idosos de Guimarães
Carrotrope, de Paulo D'Alva
Outro Homem Qualquer, de Luís Soares
Ptolmus, de Josemaria Rra
Três Semanas em Dezembro, de Laura Gonçalves
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Cólera (2013)

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Cólera de Aritz Moreno é uma curta-metragem de ficção espanhola que conta com Luis Tosar numa das principais intepretações.
Encontramo-nos nos arredores de uma pequena povoação. O espaço é praticamente deserto há excepção de um pequeno casebre para onde toda a população se dirige. O seu líder (Tosar) inicia uma rebelião que apela por alguém que se encontra dentro daquela habitação.
Enraivecidos todos desconhecem que as consequências daquela revolta serão a sua própria destruição.
Aritz Moreno contrói esta curta-metragem a partir de um argumento que escreveu em parceria com Aritz Lazkano que não vive tanto das interpretações dos seus actores - que há excepção de Tosar mal cruzam o ecrã - mas sim da mensagem que está entre linhas. Nesta história temos todo um conjunto de elementos que passam pela vingança, discriminação, ira, isolamento e intolerância, todos eles concentrados no mesmo grupo de pessoas que (sobre)vive assim graças ao medo e à ignorância.
É também numa dualidade que vive Cólera na medida em que não só se refere ao comportamento dos cidadãos daquela pequena povoação como também há infecção que se abate sobre um dos seus que foi vetado ao ostracismo. Ninguém quer saber daquela alma, pelo contrário, todos desejam que ele desapareça e que abandone o local onde se encontra. Afinal é ele, nas suas opiniões, a origem de todo o mal que se abate, ou pode vir a abater, sobre as suas casas.
Afastado então de todo o contacto humano, este Infectado (Ander Pardo) vê-se obrigado a sair, a fugir para escapar da perseguição de que é alvo, fruto do medo e da insegurança, mas fuga esta que acaba por se tornar na própria condenação de toda a aldeia da forma mas irónica e perigosa.
Cólera torna-se assim quase num estudo existencial na medida em que a causa da eventual morte da povoação não é aquele homem que vivia num isolamento total mas sim o contacto provocado por aqueles que dele queriam distância e o obrigaram a sair. No fundo, iria aquela povoação sofrer de uma doença até então desconhecida, se deixasse aquele homem ficar sossegado no seu canto longe de todo o contacto humano?
Todo o ambiente é enriquecido pelos elementos técnicos que o compõem começando pela caracterização de Olga Cruz que dão àquele infectado um aspecto verdadeiramente assustador como se em decomposição se encontrasse e a óbvia menção à direcção de fotografia de Javier Agirre que nos remete para um espaço onde todos os sentimentos mais "quentes" e resultantes da referida cólera (ira) estão em evidência. Finalmente, um breve mas importante comentário à música original da autoria de Mursego que não só dá um clima desconcertante ao próprio argumento como a toda a curta-metragem que se sente prestes a explodir e a fazer denotar consequências que se assumem catastróficas a médio prazo.
Um filme arriscado e mordaz, Cólera é sem margem de dúvidas um dos filmes curtos símbolo deste ano e desta nossa época intolerante.
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10 / 10
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quinta-feira, 31 de julho de 2014

The Monuments Men (2014)

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The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros de George Clooney é a mais recente longa-metragem do actor/realizador já premiado com dois Oscars e que aqui recupera uma parte da História recente da Europa e ainda muito pouco explorada ou conhecida.
Quando na Europa ocupada pela Alemanha Nazi se descobre que agentes hitlerianos se encontram a roubar todas as mais significativas obras de arte dos diversos museus e colecções privadas da Europa, Stokes (Clooney) reune um conjunto de profissionais das mais diversas áreas para lhe seguir o rumo e tentar resgatá-las.
Numa corrida contra o tempo que tem em vista não só a destruição destas obras às mãos dos nazis ou a sua apropriação por parte das tropas soviéticas, Stokes, Granger (Matt Damon), Campbell (Bill Murray), Garfield (John Goodman), Jean Claude (Jean Dujardin), Savitz (Bob Balaban) e Jeffries (Hugh Bonneville) rumam a uma Europa ainda ocupada e tentam encontrar os esconderijos alemães que albergam estas obras, tendo ainda a ajuda de Claire (Cate Blanchett) da Resistência Francesa que trabalhava sob a supervisão das forças alemãs em Paris.
Clooney e o seu habitual colaborador Grant Heslov adaptam a obra de Robert M. Edsel e Bret Witter sobre esta época negra e ainda pouco conhecida que nos remete para um extermínio cultural por parte da Alemanha nazi. Época esta que levanta inúmeras questões que passam desde o próprio roubo massivo de obras de arte dos mais diversos museus e igrejas pela Europa, assim como o despojamento forçado de bens daqueles que detinham colecções de arte e que viram os seus últimos dias nos mais diversos campos de concentração onde tudo, especialmente a sua dignidade, lhes fora retirado.
No entanto, este argumento com um potencial dramático imenso não só devido aos próprios acontecimentos como principalmente pela forma como eles se desenrolaram à custa das inúmeras vidas humanas que se perderam tem, no entanto, uma certa ligeireza que não permite que este filme seja a obra fundamental que poderia ter sido. Comecemos logo pelo princípio... a formação desta equipa de especialistas é aqui retratada de forma ligeira e pouco explorada quase como se de um grupo de amigos que vão tomar um copo se tratasse. Sabemos que todos eles partilham amizade com a personagem principal mas para além disso pouco sabemos dos seus passados que, aparentemente, não são brilhantes remetendo-os para uma qualquer "prateleira" social. Sentimos, com esta rápida apresentação, que estamos a assistir a uma continuação do Ocean's Eleven mas em menor escala.
Pouco sabemos das obras de arte... e com a excepção de dois exemplos também pouco sabemos dos locais de onde foram roubados. Mais grave é o facto de todas estas obras estarem documentadas graças ao esforço de "Claire" mas que, na prática, nada sabemos das vidas que estão por detrás das mesmas... dos seus proprietários e dos locais onde permaneceram provavelmente durante décadas antes dos nazis as cobiçarem violentamente. Desta forma, e ainda que o filme mantenha um ritmo interessante que cative a atenção do espectador, não é menos verdade que todos esperávamos algo mais "real" deste filme e das diferentes histórias que o poderiam ter composto. No fundo, limitamo-nos a assistir a um conjunto de factos reais pois estamos perante uma história verídica mas, no entanto, não encontramos a componente humana da mesma tornando-se na sua generalidade um filme impessoal.
Mas nem tudo é desprovido do tal "sentimento". Existe alguma tensão e componente épica em The Monuments Men (como não poderia existir?), principalmente se nos lembrarmos de como chega este grupo de amigos à Europa... é nas praias da Normandia que em Julho de 1944 começam o seu percurso pelo desconhecido à procura das obras de arte desaparecidas e apesar de não irmos encontrar nenhuma batalha não deixamos de sentir toda a sua carga naquele local onde milhares de homens encontraram a morte um mês antes do momento que agora presenciamos.
Existe também alguma componente dramática, menos tensa, em momentos como a fuga dos alemães de Paris e no confronto verbal entre "Claire" e o seu superior alemão, e principalmente alguma tragédia quando este tenta escapar a dois dos elementos do grupo afirmamdo-se como um simples conhecedor de arte com obras milionárias expostas na sua sala. No entanto, se nos concentramos na generalidade deste filme, a tensão dramática começa e termina com estes exemplos práticos limitando-se tudo o demais a parecer uma corrida contra o tempo onde ou se perdem as obras às mãos dos nazis ou às mãos dos soviéticos que procuram a sua justa compensação pelas perdas humanas que tiveram no seu território.
Da mesma falta de desenvolvimento vivem as personagens deste filme. Nenhuma delas tem o justo e merecido desenvolvimento sobre o seu passado, o que os move ou sobre as condições em que cada um se encontrou até decidir agir conforme aquilo que aparentemente a sua consciência ditou. Perguntamo-nos... todos estão lá mas... porquê?! E se esta questão em alguns deles seria quase como indiferente ou teria os seus pontos em comum à resposta dada por tantos outros, não é menos verdade que nos questionamos sobre as motivações de "Granger", de "Claire" ou de "Stokes". É certo que poderemos encontrar uma resposta parcial na observação que "Stokes" dá a certa altura sobre a defesa do património cultural de toda uma geração que assims e vê preservada mas, ao mesmo tempo, o indivíduo não defende só a ideia do passado. Sim, essa ideia está presente e é deveras importante mas, não o será também a ideia da auto-preservação e dos elementos que lhe conferiram personalidade, individualidade e conhecimento um factor determinante para esta busca? É que se são realmente elementos importantes, não é menos verdade que muito parcamente os conseguimos encontrar por lá.
No fundo aquilo sobre o qual nos questionamos ao longo de The Monuments Men é simples... a certa altura o que fez com que estes homens e mulher decidissem correr contra a maré e lutar por todo um património histórico e cultural? O que os fez levantar e dizer não? Quais as suas motivações? Os seus desejos? As suas ambições sobre os seus actos? Onde estão todos aqueles pequenos grandes detalhes que humanizam a personagem e a fazem criar uma identificação com o espectador?
Estas que são, para mim, algumas pequenas falhas na narrativa e na história de The Monuments Men não são, no entanto, factores eliminatórias da sua importância. Enquanto uma nova abordagem de filme documental onde pouco se centra a atenção sobre o "Homem" mas sim sobre os factos, temos um funcionamento quase perfeito que nos leva por uma viagem ao interior de uma Europa sem alma e devastada que é brilhantemente enriquecida pela música original de Alexandre Desplat (também ele com uma pequena participação enquanto actor) e pela fotografia de Phedon Papamichael que remete a noite para uma escuridão fora do comum, fruto dos dias negros que o continente existia, enquanto enaltece a luz de dias perdidos onde todos pretendem encontrar um rumo certo para os seus dias agora inenarráveis.
Aquilo que falta a este filme e que aqui tentei expôr seria facilmente compensado com mais uma hora de duração onde todos estes elementos conseguissem ter espaço próprio e um maior desenvolvimento. Alguma maior cor e brilho próprio que não se conseguem conquistar individualmente e mesmo em pares (tal como se desenrola a maior parte da narrativa) fica muito àquem do potencial que História e personagens têm para dar.
Assim, The Monuments Men consegue funcionar como um dos poucos (muito poucos) filmes que exploram a temática do património roubado pelos nazis durante os anos do domínio sobre a Europa mas, no fundo, todos sabemos que história a história... peça a peça... todos os sub-momentos que aqui não são contados poderiam dar o seu próprio filme e enredo rico em trágicos acontecimentos. Afinal não nos podemos esquecer que por detrás de cada peça de arte ou de cada barra de ouro se encontra uma história pessoal repleta de sofrimento e dor aqui não contada.
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"Frank Stokes: You can wipe out an entire generation, you can burn their homes to the ground and somehow they'll still find their way back. But if you destroy their history, you destroy their achievements and it's as if they never existed."
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7 / 10
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Harun Farocki

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1944 - 2014
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Dick Smith

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1922 - 2014
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Robert Drew

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1924 - 2014
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A Grandíssima (2014)

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A Grandíssima de Tiago Cardoso é uma curta-metragem documental portuguesa que nos relata alguns momentos da preparação da equipa da Rádio Popular - Boavista para a Volta a Portugal, também conhecida como a Grandíssima.
Na sua curtíssima duração, A Grandíssima faz-nos acompanhar alguns dos membros da equipa em questão e dos seus rituais de preparação para aquele que é um dos eventos desportivos mais emblemáticos em Portugal através não só das respectivas imagens como de alguns (breves) testemunhos dos mesmos.
Talvez destinado a um público mais específico, esta curta-metragem consegue captar alguns planos interessantes da Serra da Estrela e dos rituais de treino que muito se assemelham àqueles "construídos" entre os membros de uma tribo, A Grandíssima consegue ao mesmo tempo despertar a atenção daqueles menos regulares no desporto em questão, tornando-se assim interessante pela capacidade de tornar próximo todo um universo distante da maioria de nós.
Um filme simpático e com uma linguagem cinematográfica fluente que, ainda assim, merecia ser melhor explorado possibilitando dessa forma um maior conhecimento daqueles atletas, do seu treino e da experiência desportiva bem como sobre aquilo que os motiva. Seria assim uma forma de se distanciar da ideia de um documentário apenas sobre esta equipa (estando eles sempre como pano de fundo) conseguindo portanto ilustrar todo este universo da Volta a Portugal e daqueles que nela participam.
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6 / 10
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terça-feira, 29 de julho de 2014

Pawnshop (2008)

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Pawnshop de Andrew Bush é uma curta-metragem de ficção canadiana que no meio de algum humor nos conta uma história sobre a nossa convicção e como esta interfere nas decisões que são necessárias tomar.
Quando James (Matthew Amyotte) se dirige a uma casa de penhores para encontrar uma aliança para a proposta de casamento à sua namorada, estava longe de pensar que Eli (David Hughes) o seu irónico proprietário lhe dificultasse tanto a vida.
Comédia mordaz graças a um dilacerante argumento de Evany Rosen, Pawnshop é uma curta-metragem que se entranha aos poucos no nosso estado de espírito principalmente pela capacidade que tem de nos obrigar a uma auto-análise sobre as certezas e convicções que temos para com os nossos pensamentos; se estamos tão certo de uma atitude que queremos tomar... porque motivo apresentamos ao mesmo tempo tantos argumentos que nos colocam a vontade em causa?
Destaque ainda para a cortante interpretação de David Hughes que nos faz temer encontrar pelo caminho uma personagem como esta que é capaz de nos tirar do sério e esgotar a pouca paciência que se possa ter.
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7 / 10
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Senna (2010)

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Senna de Asif Kapadia é um documentário britânico vencedor de dois BAFTAS - Documentário e Montagem - sobre a ascensão e queda de um mito... o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna.
Desaparecido em 1994 em Itália após ferimentos resultantes de um acidente em competição, Senna retrata as origens e a meteórica ascensão de um dos mais brilhantes pilotos do seu tempo e a marca inconfundível que deixou junto daqueles que o conheceram.
Nascido em 1960 no seio de uma família de classe média alta na cidade de São Paulo, Ayrton Senna denotou desde cedo uma paixão inigualável pela corrida de automóveis - inicialmente karts seguida depois pela competição em Fórmula 1 - que sempre fora alimentada pela sua família que lhe proporcionou todas as condições para a prosseguir. Tendo como pano de fundo um Brasil mergulhado na pobreza e na ditadura militar, Senna vem muito jovem para a Europa onde pode dar continuidade a esse sonho.
Dos instantes iniciais enquanto jovem piloto promessa até aos primeiros indícios de um talento confirmado, este documentário leva o espectador a uma viagem pelas diversas pistas de automobilismo espalhadas por esse mundo fora e a alguns dos seus principais intervenientes como o foi, por exemplo, Alain Prost, um dos seus maiores rivais na pista.
Com uma mensagem subtil sobre as suas crenças religiosas que lhe garantiam um inesperado positivismo e energia nos momentos mais complicados, sem esquecer o destronar de mitos que a sua presença fez concretizar, Senna mostra ainda momentos do homem para lá das pistas e das competições, reservado, entregue à sua família e amizades mais próximas e uma incessante vontade de chegar um pouco mais além do que aquilo que já tinha confirmado e alcançado.
Dotado de um constante - e único - apoio em imagens de arquivo, Senna permite ao espectador conhecer os bastidores da competição onde raramente (ou quase nunca) chegam os olhares dos espectadores mais interessados, permitindo observar como destronou mitos, como quebrou barreiras - ou pelo menos assim o queremos pensar pois, na realidade, bem sabemos que elas continuam a existir de uma ou outra forma - ao mesmo tempo que dava esperança a um povo (o seu) mergulhado numa crescente miséria social que aparenta(va) não ter fim.
Essencialmente um objecto / obra de culto para os interessados na figura e apaixonados pelo tema, este Senna de Asif Kapadia - que chegou a ser falado para o Oscar na sua respectiva categoria - ainda que estruturalmente um filme bem construído e dinâmico quanto baste para nunca permitir ao espectador perder o seu interesse não consegue, no entanto, ser uma obra que chegue facilmente a um público muito vasto pela sua limitação ao espaço de "competição" da figura. Assim, e num ritmo decrescente cujo final o espectador já conhece, Senna é sim um documentário equilibrado mas que, ao mesmo tempo, se poderia ter distanciado um pouco mais das pistas e aproximado mais o homem "do outro lado".
Essencial enquanto documento histórico de uma das personalidades mais adoradas - ainda hoje - do Brasil, Senna conquista o seu público e o seu espaço mantendo sempre um certo misticismo sobre o homem e o corredor disposto a correr os seus próprios riscos e ultrapassar as barreiras e fronteiras que lhe haviam sido impostas.
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7 / 10
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dorothy (2011)

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Dorothy de Eros Romero é uma curta-metragem de ficção australiana que nos apresenta uma história sinistra e de desfecho imprevisível.
"Um palhaço é suposto ser divertido", é o que escutamos numa narração enquanto assistimos ao interior desolador de uma pequena sala onde se encontram três almas. Uma criança relativamente desfigurada acompanhada de uma mórbida boneco e dois homens com aquilo que aparenta ser o que sobra da pintura facial de um palhaço.
Se num contexto normal aquilo que nos assustaria seriam os palhaços, não é menos verdade que aqui a figura mais sinistra é a daquela criança que insisti em que os dois homens cumpram os seus estranhos caprichos.
É quando nos preparamos para assistir a uma história que pensamos já conhecer que somos surpreendidos com a misteriosa presença de Dorothy.
O realizador e argumentista Eros Romero cria aqui um ambiente demasiadamente sinistro que cativa qualquer fã do género de terror/suspense que se preze. A bizarria do local e das estranhas personagens que involuntariamente (ou não) o compõem, dão o mote para o espectador se sentir inserido num espaço onde ironicamente percebemos que a lucidez já desapareceu há muito.
Preso num purgatório que facilmente poderia ser a sua própria mente enlouquecida, "Boo" (Darrell Plumridge) é um homem atormentado por um passado em vida do qual já não se recorda até conhecer os caprichos não só daquela criança como também os de "Dorothy" que parece ter os seus próprios planos.
Apesar de sinistra e, como tal, competente para o género, é fácil perceber que Dorothy é uma curta-metragem com um potencial por cumprir. Forte na dinâmica que recria durante a sua escassa duração e que nos leva bem perto do abismo da loucura é, no entanto, um filme que poderia ter ido mais longe quer nessa mesma loucura como principalmente na violência psicológica que a sua trágica conclusão deveria ter provocado. Os elementos estão lá mas, no entanto, não são aproveitados e explorados ao seu máximo sem que, justiça seja feita, prejudique em absoluto o seu conteúdo... Pelo contrário, o único defeito aqui é não ter ido mais longe ultrapassando a sua própria barreira da loucura.
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7 / 10
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James Shigeta

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1929 - 2014
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Shortcutz Xpress Viseu 2014: os vencedores


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Decorreu ontem no Teatro Viritato a cerimónia do primeiro aniversário do Shortcutz Xpress Viseu na qual foram entregues os prémios aos melhores trabalhos do ano, provenientes das mais diversas curtas-metragens que foram exibidas nas sessões regulares nos últimos doze meses.
Num registo bem disposto e informal a votação do júri, na qual participei, foram assim declarados vencedores:
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Melhor Curta-Metragem do Ano
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Bílis Negra, de Nuno Sá Pessoa
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Melhor Actor
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João Craveiro, Bílis Negra
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Melhor Actriz
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Joana Pais de Brito, Chico Malha
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Melhor Realizador
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José Retré, Perto
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Melhor Argumento
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Célia Costa e Filipa Poppe, Herculano
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Melhor Fotografia
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Leonor Teles, O Sítio Onde as Raposas Dizem Boa Noite
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Melhor Edição
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Guilherme Gomes e Miguel Reis, Chico Malha
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

The Producers (2005)

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Os Produtores de Susan Stroman (EUA) é o homónimo remake da obra de Mel Brooks datada de 1967 na qual Max Bialystock (Nathan Lane), o mais falhado de todos os produtores da Broadway, ressurge de um novo falhanço ao formar equipa com Leo Bloom (Matthew Broderick) para produzir a pior peça de sempre... que acaba por lhes granjear dinheiro. Juntamente com Franz Liebkind (Will Ferrell) um novo e inesperado talento do teatro musical e a emergente Ulla (Uma Thurman), uma aspirante a actriz, o sucesso prova que também pode ser fruto do fracasso.
Adaptado o argumento da obra original e do musical de 2001, agora novamente escrito por Mel Brooks e por Thomas Meehan, The Producers tido como musical e comédia é, desde os instantes iniciais, uma obra que oscila entre o desinteressante, o desagradável e o francamente absurdo. Aquilo que começa como uma história sobre o tal produtor falhado interpretado com pouca graça por um exagerado e sem alma Nathan Lane, The Producers rapidamente se transforma num épico apoteótico não sobre o tal "falhanço" de uma produção teatral mas sim sobre o exagero sem graça que inspiradamente é aqui depositado com a aparente fé e confiança de que se está a construir uma obra musical "interessante". No entanto, de interessante esta longa-metragem não tem absolutamente nada.
Mas, voltando a esse argumento... imagine o espectador uma história musical... de comédia... onde a base para o sucesso provenha de um conto onde se humaniza o nazismo e os seus carrascos. Uma história onde tudo parece ser (e é), uma versão adulterada desses temidos e horrendos anos que são agora algo ligeiro e de entretenimento privado de qualquer reflexão moral ou política da época porque, afinal, o protagonista desta peça - interpretado por Ferrell - se resume a um nazi (de facto) que tem a sua oportunidade de "regressar ao mundo" após o seu isolamento posterior ao conflito graças a este espectáculo.
No entanto, se toda esta dinâmica poderia ser amenizada quando o espectador compreende que Brooks - judeu - é o autor desta história, tudo se complica (ainda que seja essa a sua intenção primordial), quando o público norte-americano (no filme), desprovido de qualquer sentido crítico e histórico, adere a este musical propositadamente criado para o falhanço, encontrando nele a redenção de um produtor falhado, de um género que nem sempre consegue prender a atenção do seu público e particularmente ver nesse tal protagonista, um elemento e factor humanizador, com verve e alma, esquecendo ou ignorando que o mesmo mais não é do que um nazi esquecido e perdido no tempo que apenas espera realcançar esse esplendor para espalhar a sua ideologia.
Impiedosamente cruel pela falta de graça - pela forma como ridiculariza a História e até mesmo o público do país - The Producers (sobre)vive de uma sucessão de momentos histéricos e viciados em anabolizantes que, para o espectador, se tornam enfadonhos, excessivos, e pouco dissimulados como tanta da realmente boa e inteligente comédia devem, de facto, ser.
E, sem em Birdcage (1995), encontramos um Nathan Lane repleto de vivacidade, humor e uma pitada de dramatismo que aproximam o espectador da sua personagem, em The Producers, o actor vive única e exclusivamente dessa pretensão - a alma -, transformando o seu "Max" numa versão exagerada do ridículo e do absurdo, sem graça e quase sempre aborrecido mesmo que para lá (tentar) chegar - à comédia - recorra aos pensados lugares comuns que, normalmente, fazem qualquer um esboçar um sorriso primitivo mas que aqui remetem o espectador para um constante estado de insatisfação e aborrecimento. Desenfreadamente à procura de salvação, nem com o apoio esquizofrénico de um Matthew Broderick pouco inspirado, de um ainda mais exagerado Will Ferrell - e tendencialmente com menos graça ainda - e uma Uma Thurman incapaz de conferir a esta obra a sua graça natural, aquilo que esta longa-metragem transmite cada vez mais parece ser o resultado de um violento acidente... não involuntário mas propositadamente criado para ser realmente mau.
Esperando que o filme - ou o mundo - termine rapidamente para se poder distanciar desta história, o espectador esgota-se com The Producers ao ponto de o querer esquecer rapidamente ou dele se lembrar como um dos piores filmes da década...
Mas, como nem tudo pode ser mau, The Producers apenas consegue atingir um apontamento positivo na sua componente mais artística nomeadamente no guarda-roupa de William Ivey Long capaz de caracterizar um género cinematográfico e um espaço temporal específicos e na direcção de arte de Mark Friedberg, Peter Rogness e Ellen Christiansen que consegue "berrar" o género musical do princípio ao fim... mas como não só de caracterização vive um filme... The Producers falha em todas as demais vertentes.
Exagerado, inconveniente, cansativo, desmiolado, sem graça e monótono... The Producers é um desastre anunciado... e revela-o desde cedo... ainda que com muito brilho.
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2 / 10
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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pena Fria (2014)

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Pena Fria de Luís Costa é uma curta-metragem portuguesa de ficção e o mais recente filme deste jovem realizador que nos deu o brilhante documentário Fontelonga, premiado aqui no CinEuphoria como um dos melhores filmes nacionais do passado ano.
Um homem (Valdemar Santos) regressa a uma aldeia do interior de Portugal para uma visita à sua família. À saída do comboio espera-o apenas o seu tio (Eloy Monteiro) que o levará para junto da sua restante família. Os motivos desta sua visita são desconhecidos mas, no entanto, percebemos que não se trata de nenhum festejo e que os silêncios o acompanham de forma devastadora. Procurará este homem uma pacificação com o seu próprio passado?
O argumento da autoria de Luís Costa e de Francisco Gomes leva o espectador e concentrar-se não só na viagem deste homem mas, ao mesmo tempo, também nos silêncios que o rodeiam. Silêncios estes que para além de conferirem algum mistério à própria personagem encarnada por um sempre magnífico Valdemar Santos conseguem estabelecer uma ligação indissociável ao espaço no qual somos inseridos enquanto espectadores. Tudo à volta da narrativa principal está embebido na mais profunda solidão e isolamento.
Enquanto a sua viagem é feita nessa solidão, levando a que o espectador deduza que aquele homem se encontra sózinho no mundo sem aparentes ligações com aqueles com quem possa ter de conviver involuntariamente, não é menos verdade que acompanhamos cenários que percebemos estarem já abandonados há muito tempo e que agora apenas poderão ser habitados por fantasmas e memórias de um passado que se perdeu.
Existe, aliás, uma inegável comparação entre Homem e espaço. A desertificação do espaço, e de certa forma do próprio Homem que o habitou, é uma constante não só em Pena Fria como também no já referido Fontelonga. São, arrisco dizer, um constante sinónimo; enquanto o espaço físico desertificou deixando ao abandono todas as estruturas que o compunham, este homem (Santos) vive a mesma solidão mas no campo social: não lhe conhecemos família para além daquele tio que o espera, não sabemos se constituiu a sua própria família para além daquela que lhe é primária e a sua viagem àquele espaço que fora seu é agonizante por despertar nele (e de certa forma em nós próprios) uma nostalgia sem comparação sobre os locais onde crescemos e onde nos "formámos" enquanto indivíduos.
Todos estes momentos de solidão acompanhados de um silêncio cortante. Um silêncio que "fala" para além das imagens e que nos revelam que tanto o espaço como o próprio homem aos poucos desaparecem sendo apenas uma memória escondida naqueles que os conheceram e que, a seu tempo, serão também eles esquecidos com o desaparecimento das poucas "testemunhas" que poderiam comprovar a sua existência. Questionamo-nos então sobre aquilo que realmente resta para além da memória e qual o seu real valor enquanto parte integrante de um património... o histórico, relativamente aos locais e à existência comunitária e o genético/familiar no que diz respeito à perpetuação de uma família que parece ter estagnado.
É neste regresso à sua aldeia que este homem revela todo o seu distanciamento, que não sabemos a que se deve ou se foi provocado ou auto-imposto, e percebemos o quão perturbador conseguem ser aqueles espaços onde cresceu, que habitou e que ele próprio também abandonou. Este espaço já não parece o seu... Não só pelo seu afastamento que percebemos ter sido de vários anos como por aquilo que encontra quando regressa... As ruínas e os sinais de abandono da casa dos seus pais, o esvaziamento de bens que outrora enchiam a casa e a própria inexistência de pessoas que dessem o calor àquele que havia sido o seu lar são agora sinais de que algo passou por aquele local mas que dele se esqueceu mais rapidamente do que o tempo que levou a construí-lo.
"Diz-se que uma casa vazia não se sente natural... sente-se a enlouquecer"... foi dito em tempos e este pensamento não poderia corresponder a uma maior verdade. Não leva o abandono à própria loucura?! Não está uma casa, um lar, povoado de recordações, memórias, momentos, situações e lembranças de pessoas e acontecimentos que lhe deram o tal "estatuto" de sede de uma família... o lar? O porto de abrigo a quem todos recorrem quando se sentem em dificuldades ou com problemas? O que acontece quando tudo desaparece com o passar o tempo? Para onde migram todas essas recordações e momentos?
Os silêncios não terminam e tornam-se quase agonizantes dentro do palheiro aonde aquele homem se dirige e onde recorda algo que o faz transformar-se e talvez pela primeira vez reagir perante semelhante cenário. Todo aquele ambiente desolador e abandonado acabam por revelar ter um impacto e provocarem-lhe revolta que dão origem a comportamentos e impulsos de cariz mais violento como uma consequência das exaltação das memórias que lhe são então presentes mas, ao mesmo tempo, percebemos pela sua atitude que alguma réstia de vida poderá ter voltado àquele local onde o lume será, uma vez mais, ateado.
O espectador que deveria então concentrar-se nessa mesma solidão e nos seus efeitos depara-se com a sua presença que, ironicamente, se transforma numa inesperada "companheira" durante toda a narrativa como se de uma personagem se tratasse.
Luís Costa, que como referi é o realizador do brilhante Fontelonga, retoma a questão da desertificação e da solidão nesta fantástica curta-metragem que é Pena Fria numa transição muito bem delineada do documentário para a ficção e que claramente o colocam como um dos nomes de uma nova e muito forte geração de brilhantes realizadores que deveremos ter em atenção para o futuro e que, espero, seja sempre próximo na entrega de novas obras com o forte calibre que estas duas referências já o são. Se no caso do referido Fontelonga ainda nos é permitido encarar a memória de forma tragicómica, em Pena Fria somos levados a encarar a rudeza de um passado que não foi encerrado despertando desta forma todos os velhos fantasmas que se pensavam encerrados.
Ainda um destaque pela positiva para uma melancólica e muito bem enquadrada música original da autoria de Danny Norbury que nos remete para uma cada vez mais intensa sensação de solidão completando todos os pequenos grandes momentos que as imagens nos transmitem, assim como para a extraordinária interpretação de Valdemar Santos que ocupa normalmente o lugar de "secundário determinante" (note-se que de secundária nada têm as suas composições artísticas) nos filmes em que participa mas que em Pena Fria tem o seu merecido protagonismo com uma interpretação que nada tem de contida e é sim doseada de uma intensidade desarmante que mostram todo o seu potencial interpretativo (sim, é até ao momento uma das melhores interpretações do ano).
De Pena Fria apenas resta dizer, se já não o é óbvio, que é sem qualquer reserva, um dos filmes maiores deste ano.
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9 / 10
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Dora Bryan

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1923 - 2014
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Random Stop (2014)

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Random Stop de Benjamin Arfmann é uma curta-metragem de ficção norte-americana baseada em factos verídicos que se torna arrepiante pela forma como é relatada na primeira pessoa.
Quando o agente Kyle Dinkheller em patrulha por uma estrada praticamente deserta se preparava para regressar à esquadra, não previa que tivesse de fazer uma inesperada paragem pelo seu caminho que iria trazer consequências inesperadas às mãos de Andrew Brannan.
Baseada em acontecimentos verídicos, Random Stop impressiona pelo argumento de Benjamin Arfmann que transporta o espectador para todas as experiências vivenciadas na primeira pessoa. Por outras palavras, contrariando uma certa tendência de colocar o público como observador dos factos decorridos, Arfmann aqui opta por contá-los sem que o espectador alguma vez veja o protagonista, à excepção de alguns poucos reflexos seus, e viver todos os acontecimentos como se se encontrasse realmente in loco.
De curta duração Random Stop consegue cativar não só pela veracidade dos acontecimentos decorridos em Janeiro de 1998, mas também pelo facto de por detrás dos mesmos se esconderem factos igualmente preocupantes e tão pouco discutidos como são os traumas de guerra de afectam aqueles que por elas passaram e os remetem para uma posterior vivência em silêncio e que, de certa forma, podem mais tarde desencadear um conjunto de eventos igualmente trágicos como aqui podemos constatar.
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"Because he let me..."
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8 / 10
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Prémio MOTELx - Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014: os nomeados

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Foram hoje anunciadas as curtas-metragens candidatas para o Prémio MOTELx - Melhor Curta de Terror Portuguesa da próxima edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, entre as quais se encontram dois anteriores participantes, um dos quais vencedor da Menção Especial do último ano.
As seleccionadas são:
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Bodas de Papel, de Francisco Antunez
Contactos 2.0, de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto
Demência, de Rafael Almeida
Dentes e Garras!, de Francisco Lacerda
Epoh, de Pedro Pinto
Forbidden Room, de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida
Gata Má, de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto
Maria, de Joana Viegas
A Morte é o Único Perdão, de Rui Pilão
Offline, de Pedro Rodrigues
Pela Boca Morre o Peixe, de João P. Nunes
Schadenfreunde - De Morrer a Rir, de Leonardo Dias
Se o Dia Chegar, de Pedro Santasmarinas
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O MOTELx decorrerá no Cinema São Jorge, no Teatro Tivoli BBVA e no Palácio Foz entre os dias 10 e 14 de Setembro.
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domingo, 20 de julho de 2014

The Texas Chainsaw Massacre (2003)

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Massacre no Texas de Marcus Nispel é uma longa-metragem norte-americana e mais um dos muitos remakes da história que fez sucesso na década de 70 aquando da estreia do seu título original.
A caminho de um festival de música, cinco amigos perdidos numa estrada do interior do Texas encontram uma mulher perdida e confusa. Depois de lhe darem boleia e do seu suicídio à sua frente, os cinco vêem-se envolvidos numa perseguição de gato e do rato por parte de uma estranha família e que os irá levar à sua morte.
Numa contínua necessidade - de bilheteira talvez! - de recriar o clássico de terror The Texas Chainsaw Massacre (1974), de Tobe Hooper, o realizador alemão (re) adapta-o com algumas variantes lavando-o com algumas caras mais ou menos conhecidas e esperando que o seu sucesso junto de um público mais jovem o conseguisse transformar naquele novo clássico do género. No entanto, e há excepção de um ou outro momento mais tenso, The Texas Chainsaw Massacre não consegue criar aquele estatuto de culto que a obra da década de 70 conseguiu mantendo-se, de uma forma geral, como aquele filme-pipoca que agrada por breves momentos a um público mais jovem sedento de uns bons noventa minutos na sala de cinema.
A fórmula, já gasta pela renovação sucessiva de uma história que nunca conseguiu ser "fechada", é aquela que todos conhecemos... Um grupo de jovens supostamente "hippie" e muito avançados para os seus dias percorrem uma estrada deserta... Depois de um breve encontro que os lança numa estranha encruzilhada em rota de colisão dos seus valores e propósitos com aquilo que está ou será moralmente aceite, encontram-se face a um momento complicado e determinante para com a continuação (ou não) das suas vidas. Temos ainda uma família francamente disfuncional que parece ter parado no tempo e um psicopata que é acarinhado pela mesma como se os seus actos fossem justificados e compreendidos e, como tal, aceites e também eles "alimentados". Entre suposições de quem realmente será de confiança e uma qualquer modernidade - para a época - que é fortemente reprimida pela morte, The Texas Chainsaw Massacre consegue apenas assustar os espectador graças aos arranjos musicais versus previsibilidade do momento que provocam não suportando, em nenhum deles, algo de novo ou esclarecedor deste que é apresentado como um dos mais chocantes casos da já referida década.
Entre actores propositadamente colocados para serem o oposto do grande vilão - deformação versus beleza - que há excepção de Jessica Biel pouco aparecem ou contribuem para a dinamização do mesmo (e mesmo assim Biel fica a léguas daquilo que de melhor já conseguiu apresentar), este The Texas Chainsaw Massacre aproveita ainda o género found footage para tentar credibilizar a história e modernizar-se face aos tempos em que o mesmo ganhou uma interessante - para alguns - linha condutora graças a The Blair Witch Project (1999), de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez apelidado como o "pai" do found footage para o bem e para o mal que isso possa representar de e com esta obra.
No final o espectador limita-se às mesmas grandes incertezas... Como terá tudo começado? Como terá de facto tudo terminado? E a grande pergunta... para onde terá escapado tão sinistra família da qual ninguém nunca mais conseguiu obter qualquer tipo de informação? Num misto de incertezas e de uma constante capitalização daquilo que todos já conhecem sem nunca conseguirem obter respostas extras ao já filmado vezes sem conta, The Texas Chainsaw Massacre é um - mais um - daqueles filmes cujo propósito final não consegue ultrapassar o óbvio... bilheteira... bilheteira... e mais bilheteira... Mantendo-se fiel ao género e aos seus fãs mas, na prática, sem grandes elementos inovadores que expliquem os factos desta história verídica claramente inspirada em Ed Gein, este The Texas Chainsaw Massacre está longe de conseguir o estatuto de culto que a obra de Hooper ainda hoje mantém.
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4 / 10
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Festival Ibérico de Cine 2014: os vencedores

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Grande Prémio para a Melhor Curta-Metragem: Sequence, de Carles Torrens
Segundo Prémio para a Melhor Curta-Metragem: Helsinki, de Juan Beiro
Melhor Realização: Pipas, de Manuela Moreno
Prémio do Público: Absolutamente Personal, de Julián Merino
Prémio de Melhor Actor: Agustín Sasián, Inocente
Prémio de Melhor Actriz: Ana Rayo, Helsinki
Melhor Argumento: Manuela Moreno, Pipas
Melhor Fotografía: Paulo Castilho, Longe do Éden
Melhor Música Original: Mariana Ricardo, Gambozinos
Prémio do Júri Jovem: Inside the Box, de David Martín Porras
Melhor Curta Extremeña: Vía Tango, de Adriana Navarro
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Álex Angulo

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1953 - 2014
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sábado, 19 de julho de 2014

James Garner

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1928 - 2014
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John Fasano

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1961 - 2014
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Skye McCole Bartusiak

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1992 - 2014
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Man on Wire (2008)

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Homem no Arame de James Marsh é um documentário em formato de longa-metragem de produção norte-americana e britânica centrado nos acontecimentos em torno de Philippe Petit aquando da sua travessia aérea entre as duas torres do World Trade Center, em Nova York em 1974 considerado, então, o "crime artístico do século".
Este documentário vencedor do Oscar na sua categoria explora através de imagens de época e testemunhos actuais dos seus principais intervenientes, um dos mais mediáticos acontecimentos da década de '70, as memórias pessoais daqueles que nele participaram bem como as suas consequências no futuro imediato que perduram até ao presente e que os viriam a alterar para sempre.
Através destas entrevistas, o espectador consegue compreender algumas das motivações ainda que, de certa forma, fique claro que a vontade de fazer este "crime artístico" mais não fosse do que uma satisfação pessoal do ego para todos, assim como as frágeis relações de amizade e sentimentais que estavam envolvidas em todo o processo. Tendo não só a cidade de Nova York como o próprio World Trace Center - hoje uma imagem na memória colectiva - como algumas das suas personagens participantes deste relato, Man on Wire é sobretudo o registo de um acontecimento que prima principalmente por ter como pano de fundo o local em que foi efectuado e que se constitui - hoje - como um elemento do momento mais negro da História de uma cidade. Obviamente que todos o recordam como um momento da ida década de '70 quando, afinal, o próprio WTC era um marco recente que definia o horizonte da cidade mas observando hoje este documentário permanece a questão sobre a relevância do mesmo - mais de quarenta anos depois -, não fossem os trágicos acontecimentos que marcaram para sempre a cidade em 2001.
Interessante do ponto de vista histórico e de definição da "alma" de um dos ícones mais intimamente ligados à cidade, e dessa forma da sua própria identidade, bem como pelos testemunhos daqueles que marcaram aquelas horas da década de '70, Man on Wire é um documentário que se prende principalmente com a memória de Petit e das suas amizades - de então - assim como dos diversos desafios que efectuava para desafiar a lei, o (im)possível e, dessa forma, os seus próprios limites... se é que alguns.
Assim, e se retirarmos esta componente pessoal e histórica que cruza a essência deste documentário, permanece uma única questão que me "atormenta" neste relato... qual a humanização da história por detrás da História na medida em que nunca são exploradas a fundo as relações que findaram após esta "travessia entre torres", nem tão pouco a actualidade das mesmas... afinal, as amizades não terminam simplesmente porque sim ou por um evento que não correu tal e qual como se esperava...
Relevante - quando contextualizado - e dinâmico - por momento -, Man on Wire nunca chega a ser cativante o suficiente para sobreviver para lá da importância histórica do local em que todos os acontecimentos ganharam forma.
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4 / 10
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