sexta-feira, 4 de maio de 2018

Testigos Pétreos (2016)

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Testigos Pétreos de Jacobo Muñoz (Espanha) é um documentário presente em competição na nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer na Cantabria, em Espanha.
Os Picos da Europa sempre foram um refúgio e diz-se que devem o seu nome ao facto dos marinheiros regressados de alto mar que neles avistaram os primeiros sinais de terra. Com uma biodiversidade notável e vestígios de alguns povoamentos ao longo dos séculos, as suas pedras são provas da existência de História e cultura ao longo dos séculos.
Do frio intenso a mais verde Primavera, as diferentes oscilações geográficas contribuem para um ecossistema específico que se pode encontrar num mesmo espaço. Flores e árvores co-habitam com animais domesticados e selvagens que vão das habituais vacas aos ursos ibéricos naquela que é uma das áreas mais bem conservadas da Europa.
Este documentário em formato de curta-metragem mais que uma homenagem aos Picos da Europa é, sobretudo, uma documentação breve sobre as montanhas, a sua fauna, flora e sem esquecer um registo da forma de vida ao longo dos séculos nas mesmas. Brilhante como um registo factual do espaço que poderá servir como um cartão de visita para com o espectador menos informado, Testigos Pétreos é assim uma forma clara e eficaz de poder conhecer um espaço geográfico tão importante da Península e do continente bem como esclarece o espectador sobre a intensa diversidade que se encontra no seu ecossistema. Em escassos metros - esclarece - tão depressa se encontra um clima e uma flora específicos como, num espaço ao lado, outro mais díspar e característico fazendo do local um manto diverso de vida e cor que floresce a todo o instante.
Ao mesmo tempo Testigos Pétreos documenta ainda todo um passado histórico da região que vai da Reconquista Cristã da Península Ibérica bem como é o espaço de "partida" de muitos dos livros religiosos já escritos tornando-se portanto num dos focos culturais da Europa de épocas passadas fazendo ainda parte da rota dos Caminhos de Santiago.
Documentário no verdadeiro sentido da palavra, Testigos Pétreos regista um pouco do espaço, da sua cultura e da sua importância histórica ao longo dos séculos fazendo destes breves instantes um brilhante serviço cultural e informativo sobre uma das mais importantes áreas naturais do continente filmadas com rigor, dedicação e sentido profissional.
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8 / 10
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Frightening Woods (2017)

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Frightening Woods de Álvaro de la Hoz (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na região espanhola.
Num bosque há uma clareira central que esconde um mistério que nunca alguém viu. Para conhecê-lo há que pagar um preço... e os passos de uma mulher anunciam uma visitação.
Filmado em Super 8, Frightening Woods é uma sincera homenagem aos filmes série B dos idos anos '70 onde um inexplicável mal parecia atormentar a presença daqueles que cruzavam o seu caminho. Pacífico quando imperturbado mas mortal quando os seus limites são invadidos, este mal carece de compaixão para com os mais aventureiros que pretendem quebrar velhos mitos... A única questão que se coloca é se serão capazes de lhe sobreviver?!
Como uma única personagem central que o espectador segue, encontramos uma mulher que vestida de vermelho irrompe pelo bosque verdejante. Aliás, é a cor das suas vestes que indica que algo de macabro poderá ter acontecimento naquele local quando os vestígios de sangue são, também eles, assumidos ao longo deste dramatização. Ao vendar-se todos os sons ao seu redor se tornam mais presentes... desde ruídos que se assemelham com vozes humanas e o barulho dos insectos que percorrem o seu entorno, esta mulher vagueia por um espaço desconhecido, inóspito e onde se sente a todo o instante que um perigo extremo espreita pronto para a atacar.
Se os seus sentidos ficam mais apurados deixando-a, obrigatoriamente, mais consciente do que a rodeia, o espectador percebe também que este mal que se aproxima a começa a rodear e enclausurar num recinto aberto, tolhendo não só os seus sentidos como os seus potenciais passos e espaço de fuga que lentamente se torna desconhecido.
Numa clara mescla entre a mitologia celta e o cinema de terror de culto, Frightening Woods celebra uma linha ténue entre a sexualidade extremada com o perigo presente e a mesma como culminar de um momento de tensão e medo que potencializam os sentidos e o prazer.
Funcional enquanto cinema de homenagem ao género em questão, Frightening Woods apenas se deixa levar pela pouca duração enquanto curta-metragem que inibe o espectador de encontrar mais explicações para o bizarro ritual ao qual tinha observado mas que, ao mesmo tempo, lhe permite deixar fluir o seu pensamento para os confins de um espaço tão supostamente abandonado.
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7 / 10
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Abuelo (2018)

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Abuelo de Caque Trueba e Juan Trueba (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que termina amanhã, na referida região espanhola.
Uma estação de serviço. É noite. Um carro que se aproxima e deixa um homem idoso (Txema Blasco) sem qualquer noção de onde se encontra.
A curta-metragem da dupla Trueba&Trueba é um verdadeiro e positivamente intenso desafio ao espectador que se deixa prender pelas imagens ternas que presencia da soberba interpretação de Txema Blasco para, já bem perto do final, se deixar levar por aquele sentimento de perda e de espanto que o desfecho desta história apresenta.
Inicialmente, esta história assinada por Caque e Juan Trueba apresenta-nos um espaço perfeitamente banal onde, na calada da noite, nada aparenta poder suceder. É calma e lentamente que compreendemos que esta estação de serviço - 24 sobre 24 horas - tem, eventualmente, uma vida mais assustadora de noite do que aquela que presenciará durante as horas em que o sol a banha. Aqui, e sem se fazer anunciar, esta história apresenta as tais "horas mortas" de uma profissão que tem tudo para ser banal, desinteressante e incapaz de proporcionar qualquer tipo de motivação para aqueles pobres perdidos que se deixam tomar conta da mesma... Até que o espectador depara com a presença, inicialmente misteriosa, desde homem mais idoso que nos cativa pela presença dinâmica de um sorriso que é semi-cúmplice para com a sua co-protagonista.
Os momentos em que ambos partilham o ecrã são, declaradamente, mágicos. A cumplicidade e a faísca que partilham no ecrã deixam o espectador primeiramente curioso, depois rendido e finalmente cativado pela potencial relação que ambos - de diferentes gerações - partilham e pela comunicação que estabelecem confirmando que aquilo que os une - neste caso a música - está para lá de qualquer outra forma manifesta de comunicação... verbal incluída. É, no entanto, quando o turno da jovem muda que ela profere a primeira palavra (para o colega que a substitui) que deixa o espectador num inesperado sobressalto que o deixa a questionar(-se) sobre aquilo que verdadeiramente observa naquela suposta química... "outro!" - profere a jovem.
Aquilo que a subsequente história nos apresenta, é uma inesperada e brilhante analogia que caracteriza, acima de tudo o demais, uma pertinente e presente questão social que compara aqueles cidadãos que, na terceira idade e privados de família - voluntariamente ou não -, são considerados meros animais enjaulados e passíveis de ser escolhidos por famílias que, tal como num canil, decidem escolher qual a sua companhia para o próximo Verão.
Independentemente de qualquer indesejada revelação que o espectador mais atento a estas palavras possa sentir, Abuelo é um daqueles filmes maiores que sai vencedor da sua curta duração pela pertinência com que conta - de forma magistral - uma história actual, sentida, sofrida e que é um claro e brutal piscar de olhos a uma sociedade indiferenciada, desinteressada e claramente ocupada com problemas mundanos que opta por esquecer aqueles que, também por ela, já cumpriram a sua penitência e os seus dias para garantir um futuro melhor para os que estão porvir... Intensa e crua, a história que a dupla de realizadores aqui se propôs (e bem) a contar, confere ao espectador uma empatia inicial, uma desconfiança intermédia e uma repulsa final que faz desta história um conto social mas também uma bruta história de terror onde este se esconde não pela criação ou existência de um qualquer monstro mas sim pela compreensão de que esse se esconde por detrás de rostos normais e com os quais todos nós habitualmente nos cruzamos na rua (e por vezes até ao espelho), assumindo não só o seu talento enquanto jovens criadores e contadores de histórias capazes de (nos) deixar pensar o que seria desta história se, em vez de uma curta-metragem, fosse uma longa onde ao fim de noventa minutos de intensa empatia com o magistral Txema Blasco... o desfecho fosse o mesmo?! Se em tão breves minutos o murro no estômago dado ao espectador é assim tão forte... o que aconteceria se esta convivência com tão dócil personagem fosse estendida? Que mais dele conheceríamos? Seria possível criar uma ainda maior empatia?
Intenso, bruto, cru, social, assustador, medonho e até mesmo terno à sua vez, Abuelo é aquela história que certamente irá marcar o percurso cinematográfico desta dupla de realizadores bem como toda uma competição oficial Cantábrica repleta de bons e diversos filmes curtos.
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9 / 10
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Bruno (2017)

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Bruno de Alberto Macasoli (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer até amanhã na região espanhola.
Ele toma um café como todos os dias. À distância observa-a. Ela olha para ele... e num instante revela-lhe um pedido. Poderá ele responder ou irá esquecer algo que lhe poderá mudar a vida?
Com argumento da autoria do próprio realizador, Bruno é uma curta-metragem que reflecte sobre os pequenos encontros da vida que podem ser determinantes para uma das partes. O que acontece quando alguém nos pede ajuda? Esta é a grande questão colocada em Bruno que, no entanto, tem a mais esperada das respostas considerando o mundo individualista em que hoje vivemos. O que fazer? Absolutamente nada.
Num mundo privado de empatia ou sentido para com o próximo, Bruno espelha um encontro casual num café entre um homem e uma mulher. Esta, momentaneamente livre, dirige-se-lhe e revela que se encontra em cativeiro às mãos do homem que a acompanha naquele espaço. Quando "Bruno" tem todas as oportunidades para denunciar o acontecimento, o seu sentido do "eu" prefere, no entanto, ignorar tudo o que lhe acontecera mantendo-se indiferente e crente de que foi alvo de uma partida de mau gosto. No entanto, é esta mesma indiferença que gera um inevitável consequência quando, tempos depois, descobre que tudo era de facto real e que os acontecimentos tiveram um trágico desfeito.
Para lá de um rapto ou de uma situação de cativeiro forçado, Bruno é portanto o espelho não daquele que foi detido mas sim dos demais conhecedores involuntários dos acontecimentos e que, de uma ou outra forma, ignoraram um pedido de ajuda vivendo a partir esse momento com a culpa do sobrevivente e com o pensamento de que tudo poderia ter sido diferente... caso tivessem resolvido intervir. Dessa forma, esta curta-metragem de Macasoli é intrigante não pela forma como o espectador se depara com uma situação de cativeiro pois, na realidade, não tem qualquer contacto com a vítima para lá de umas breves palavras que esta troca com o protagonista mas sim pela forma como observa o sentimento de um jovem homem que pode fazer a diferença mas que optou pela indiferença esquecendo os pequenos sinais de alerta que lhe foram enviados e o pedido de ajuda que poderia ter salvo a vida de uma vítima.
Dramática pela sua mensagem sobre a culpa, Bruno é uma curta-metragem intrigante filmada numa atmosfera negra e com um elevado sentimento de perda que deixa, no entanto, uma importante questão em aberto... até que ponto sobrevive aqueles que sobrevivem à tragédia?
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7 / 10
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Madre (2017)

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Madre de Rodrigo Sorogoyen (Espanha) é uma das curtas-metragens em competição na secção Nacional da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer na Cantábria, em Espanha até ao próximo dia 5 de Maio assumindo-se como um trabalho inovador e "incompleto" na medida em que abre a porta a toda uma nova dinâmica que se estende para lá deste trabalho aqui "finalizado".
Uma mãe solteiro (Marta Nieto) recebe uma inesperada chamada de Iván, o seu filho de seis anos (Álvaro Balas) de férias com o pai no País Basco francês. Aquilo que parece um normal telefonema familiar rapidamente se transforma no maior pesadelo desta mulher quando o seu filho revela que o pai não se encontra por perto e que há algum tempo que não sabe dele.
Sorogoyen, que também assina o argumento, entrega uma história que lentamente se desenvolve para aquilo que qualquer um poderia considerar um pesadelo moderno. De início temos uma mulher, interpretada por uma fulgurante Marta Nieto, que discute a sua situação sentimental (ou falta dela) com a própria mãe. Conversas de mulheres, poderiam alguns dizer, mas aquilo que o espectador retém desta conversa é a incapacidade da personagem de Nieto em se entregar emocionalmente após uma relação que, compreendemos, a ter marcado de forma determinante. Dito isto, espera-a uma nova experiência que a transforma numa mulher involuntariamente incapaz de ser aquilo que ainda mantém alguma estrutura na sua vida... a maternidade. É quando o seu jovem filho lhe revela o distanciamento do pai de quem desconhece o paradeiro que todo um drama emocional se revela pela incapacidade, graças à distância, de resolver aquilo que a cada segundo parece tornar-se um cataclismo prestes a acontecer. No final, tal como no início temos a imagem do local onde tudo aconteceu sem que nenhum de nós o tenha conseguido ver... a praia. A praia onde o jovem "Iván" se encontrava e onde, potencialmente, desapareceu ser deixar rasto. A mesma praia em que a sua mãe conseguiu escutar a voz de um homem que se aproximava mas que nunca se conseguiu - ou quis - identificar. Eventualmente o único que sabe o que acontecera ao seu filho... talvez até o único que saiba até o que aconteceu a um "pai" desaparecido.
Filmado quase numa sequência única, Madre é eventualmente um filme curto onde tudo aquilo que acontece, sem esquecer a própria dramatização dos eventos, se deve primeiro àquilo que nos chega através do outro lado do telefonema de "Iván" mas sobretudo através daquilo que os actos desesperados de uma mãe incapaz de cuidar da segurança do seu filho fazem chegar a um espectador que lentamente acolhe aquele desespero como um dos seus próprios sentimentos ou sensações.
Logo no início deste comentário revelei que esta curta-metragem era um filme "incompleto". Incompleto não pela ausência de um qualquer elemento que o transforme num filme menor, bem pelo contrário pois, aqui o que recebemos é todo um conjunto de pequenos elementos que o poderiam transformar primeiro num drama entre mãe e filha, depois na compreensão que poderíamos estar perante uma história sobre uma mulher incapaz de voltar a amar para, de seguida, percebermos que o drama aqui está na incapacidade de uma mulher e mãe voltar a encontrar o seu filho que se encontra sózinho e perdido numa qualquer praia distante e à qual ela não pode chegar com a brevidade que seria possível. Incompleto sim pois a sua breve duração e as "portas abertas" que deixa paa a imaginação são por demais avassaladoras que esta curta-metragem não prepara o espectador para essa mesma brevidade. Ainda que todas as respostas fiquem por dar mesmo com toda a qualidade narrativa e técnica que o filme transmite, existe a necessidade de saber mais, muito mais, sobre o devir desta história que se encerra antes sequer de se ter iniciado. Mais, Madre é sobre essa impotência quando, na realidade, existe ainda a percepção de que o filho se encontra na presença de alguém que não só ela não conhece como se vê incapaz de (re)conhecer a identidade do mesmo. A história, até aqui dramatizada sobre diversas perspectivas, assume então a dimensão de um relato de procura por um filho que, num breve instante, poderá encontrar-se do outro lado do mundo incapaz de chegar a uma mãe que na realidade não sabe onde o pode procurar.
Tenso e dinâmico, assustador e capaz de se assemelhar a tantas outras histórias das quais apenas temos conhecimento quando passam num qualquer noticiário, Madre revela todo um conjunto de terrores modernos que se assumem à medida que o tempo passa... primeiro o medo da solidão, depois da perda e finalmente da compreendida condição de uma mulher enquanto mãe que, incapaz de ter o seu filho nos braços parte à sua procura rumo a um desconhecido físico e temporal à procura de respostas  que não sabe se irá encontrar naquela que é uma segura e emotiva interpretação de Marta Nieto em cujo rosto se fixam os olhos do espectador.
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9 / 10
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Alleycats (2017)

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Alleycats de Alejandro Jiménez e Bernardo González (Espanha) é uma das cinco curtas-metragens presente na respectiva secção da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer na Cantábria, em Espanha até ao próximo dia 5 de Maio.
Nail é o último guerreiro do Clã dos Siameses. A sua viagem para território inimigo tem apenas um propósito... vingar a morte do pai.
O realizador Alejandro Jiménez escreve o argumento desta curta-metragem num ambiente que, influências à parte, leva o espectador nascido na década de '80 a recordar o clássico de animação Thundercats (1985) numa atmosfera onde ainda se podem encontrar referências ao cinema japonês e, tudo mesclado, num estilo muito Tarantiniano. Tudo começa como uma história de vingança... salvar a honra da família num mundo (ou sociedade) em que o bom nome foi manchado e onde a morte parece ter encerrado um domínio familiar para dar lugar a outro mais corrupto, desonesto e onde a força faz comandar o espaço.
Numa história que cruza a violência numa dinâmica de justiça com a vontade extrema de uma honra perdida, Alleycats transforma a tradicional história de animação num intenso conto repleto de acção e aventura sem esquecer que tudo aquilo que o passado construiu pode, através dessa vingança, voltar a repetir-se. Porque as dinâmicas se constroem e porque nada é deixado ao acaso, esta curta-metragem de animação da dupla Jiménez e González fascina o espectador desde o primeiro instante não só pela sua história como principalmente pela excelência da animação per si e por todo o mundo alternativo aqui criado onde gatos são donos e senhores das cidades que habitam assumindo as suas posturas - ainda que humanizadas - de senhores todos poderosos de um mundo que está na prática dominado por velhos cartéis do crime.
Intenso, repleto de acção e radicalmente inovador, Alleycats deixa, no final, a sensação de que esta história poderia ter ido muito mais longe na sua dinâmica - que nunca perderia o seu ímpeto aventureiro -, e com a certeza (ou pelo menos esperança) de que esta poderá não ser a última vez que o espectador está perante as aventuras destes tão intensos protagonistas.
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8 / 10
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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Dayless (2016)

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Dayless de Gerardo de la Fuente López (Espanha) é uma das cinco curtas-metragens de animação presente na respectiva secção oficial da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer até ao próximo sábado, na Cantábria, em Espanha.
Ele parece odiar a vida... mas esta poderá não odiá-lo. Numa nova concepção do mundo... como será que alguém pode encontrar uma forma feliz para viver?
A curta-metragem de Gerardo de la Fuente, cujo argumento também escreveu, é uma triste mas dinâmica alegoria para um novo e futurista mundo no qual tudo perdeu o seu sentido e a noção de felicidade é apenas uma miragem de um passado que já ninguém conhece. Aquilo que o espectador observa deste novo mundo é uma dimensão mecanizada de toda a vida conforme a conhecemos... da simples deslocação para um local de trabalho até ao momento em que os indivíduos têm de interagir entre si, nada é espontâneo ou natural existindo, para tudo, um obrigatório equilíbrio para que o funcionamento das partes resulte. Tudo está uniformizado e a diferença é inexistente... ou pelo menos assim pensamos.
As distâncias, física e psicológicas, fazem parte desta nova ordem mundial e todos estão privados de qualquer tipo de posses materiais mantendo - para o exterior - toda a sua vida a descoberto e bem visível. Não existe cor nem tão pouco qualquer elemento que diferencia algum destes habitantes dos demais. Os rostos são desprovidos de qualquer expressão e a uniformização é total e absoluta mas, no entanto, o que acontece quando "Ele" resolve finalmente libertar-se desta sua vida rotineira e aceite em comunidade? A cor existe... para lá do seu espaço autorizado, e a vida pode na realidade ser diferente daquilo que todos conhecem mas... o que fazer num mundo tão diferente e desconhecido onde mais ninguém habita? Como sobreviver a esta nova realidade que tudo tem de apelativo mas na qual mais ninguém se encontra? Será bom permanecer naquele espaço ou, por sua vez, regressar a todo um mundo previsível e que já se conhece? Onde nada se tem mas onde tudo está certo, garantido e seguro?!
Incerto e sem qualquer registo, os anos passam... a vida mantém-se sem alteração e a realidade que sempre se conheceu é a única possível de poder aguentar... ou até mesmo suportar! De la Fuente cria portanto a alegoria perfeita sobre um estado de espírito de uma população incapaz de encontrar felicidade nas pequenas coisas ou, nesta sua impossibilidade, de arriscar enfrentar a diferença e o outro lado de uma realidade que procura mas desconhece, que teme mas pela qual anseia e que, mesmo sabendo que existe nesse "outro lado", prefere manter afastado como algo nefasto e capaz de afectar a sua noção de estabilidade.
Detentora de uma forte e actual mensagem, Dayless é portanto o registo de uma vivência cada vez mais mecânica e autómata de uma sociedade que quer por hábito quer por consciencialização se habituou a deixar de viver e principalmente de sonhar.
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8 / 10
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terça-feira, 1 de maio de 2018

Prémios Áquila 2018: os vencedores

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Foram revelados hoje os vencedores da quarta edição dos Prémios Áquila nas categorias de Cinema e Televisão. Al Berto, de Vicente Alves do Ó foi o grande vencedor da noite ao arrecadar quatro das sete nomeações que havia recolhido.
São os vencedores:
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Cinema
Filme: Al Berto, de Vicente Alves do Ó
Realização: Paulo Filipe Monteiro, Zeus
Actor Principal: Ricardo Teixeira, Al Berto
Actriz Principal: Dânia Neto, Perdidos
Actor Secundário: João Villas-Boas, Al Berto
Actriz Secundária: Rita Loureiro, Al Berto
Argumento: La Mort de Louis XIV, Thierry Lounas e Albert Serra
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Televisão
Série: Madre Paula
Telenovela: Paixão
Actor Principal: Diogo Morgado, Ouro Verde
Actriz Principal: Luísa Cruz, Espelho d'Água
Actor Secundário: Pedro Barroso, Vidago Palace
Actriz Secundária: Carla Andrino, O Ministério do Tempo
Canção Original ou Adaptada: "Bang", de Ella Nor, Jogo Duplo
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Prémios Especiais
Prémio Fénix: Catarina Avelar
Prémio Condor: Joana Ribeiro
Prémio Excelsior: ICA - Instituto do Cinema e Audiovisual
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La Llamada (2017)

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La Llamada de Javier Ambrossi e Javier Calvo (Espanha) é uma das longa-metragens presentes na secção Puesta de Largo da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cine que decorre na Cantábria até ao próximo dia 4 de Maio.
María (Macarena García) e Susana (Anna Castillo) são duas adolescentes no acampamento católico de Verão "La Brújula". No entanto, as duas sentem uma paixão pelo reggaeton e pelo electro-latino encontrando ali surpreendentes revelações que poderão modificar o seu destino.
O grande sucesso comercial do ano passado do cinema espanhol, vencedor de Goya e de Feroz, La Llamada é um filme que tão depressa encontra no seu público alguns elementos simpáticos que por ele fazem criar alguma empatia mas, ao mesmo tempo, centra-se demasiadamente em pequenos lugares comuns que não só desmotivam à concentração do mesmo como principalmente o levam a transformar-se numa experiência semi-aborrecida que não só não cativa como ridiculariza o género.
A dupla de realizadores que aqui também assinam a autoria do argumento criam aquilo que inicialmente se caracteriza como uma interessante história de comédia sobre uma etapa de transformação na vida de duas jovens habituadas a uma certa educação católica. Aquilo que parecia como uma garantia sobre os destinos das jovens cedo se transforma num conto não sobre a sua confirmação mas sim sobre as escolhas inevitáveis a que cada uma delas está "obrigada" com o tal "despertar" - religioso e não só - e, ao mesmo tempo, a forma como ambas abraçam essas escolhas que agora lhes batem à porta. Assim, se "María" se depara com estranhas e musicais aparições de um improvável Deus (e toda a sua irreverência musical), "Susana" encontra finalmente a coragem para declarar todo o seu amor à "Irmã Milagros" (Belén Cuesta) que a acompanha nas suas escolhas desde jovem. Estão, a partir deste momento, lançados os dados para que as duas jovens encontrem, reconheçam e enfrentem aquilo que o destino (ou Deus) lhes tem reservado.
Dotado de doses exageradas de um humor nem sempre cúmplice com o espectador, repleto de momentos esperados e lugares comuns sobre a vida de duas adolescentes que com todas as suas incertezas tentam encontram o espaço próprio num mundo que nem sempre está receptivo para com as escolhas individuais, La Llamada perde-se numa colagem de segmentos que nem sempre se revelam coerentes ou tão pouco divertidos como haviam sido previamente "desenhados". La Llamada que revela ter sido criado com toda uma boa vontade de criar aquela história sobre a aceitação pessoal, termina como uma longa-metragem cosida com remendos fragilizados tendo, no entanto, um variado e bem coordenado conjunto de momentos musicais que salvam o pouco que resiste deste filme. Se existe de facto uma "chamada"... não... pelo menos não para o espectador que se perde ao assistir a todo um conjunto de interpretações banais e sem qualquer coerência mas que, na sua essência, escondem um determinado potencial ao entregar para as mãos do espectador duas personagens centrais com crises existenciais - uma artista em potência que se entrega nas mãos de Deus e outra que finalmente ganha coragem para aceitar a sua sexualidade - e ainda uma freira com crise de identidade ao revelar que, afinal, toda a sua vida dedicada à Igreja possa ter sido desperdiçada quando o mundo da música poderá ter ganho a próxima estrela... Assim, e se estes momentos musicais são de facto os mais simpáticos e interessantes de toda esta história sobre a descoberta individual, a realidade é que La Llamada, no seu conjunto, não consegue ser um filme interessante ou, pelo menos, não para lá daquele entretenimento estival que todos nós adoramos ter para não perder muito tempo a pensar na história por detrás das imagens que circulam a um ritmo alucinante... na realidade... algum de nós pensa sequer na história ou deixa-se simplesmente levar por esses lugares comuns esperados e descoordenados?
Ainda que com um conjunto de actrizes adoradas pelo público e já premiados com Goya, La Llamada não prima pela excelência nas interpretações que são, também elas, puxadas à força para que tentem aguentar o impossível. Nenhuma delas - talvez exceptuando os breves momentos entre Anna Castillo e Belén Cuesta - consegue cativar o suficiente para que se tornem memoráveis, limitando-se de uma forma geral a serem presenças semi-alucinadas numa história que aos poucos parece encarrilhar para a auto-destruição limitando-se, no final, a um número musical e a uma redenção ao amor e a Cristo (independentemente) que vencem (no filme) mas não convencem (o espectador).
Com uma Macarena García formalmente mal empregue nesta longa-metragem, La Llamada é pontualmente simpático nos momentos musicais mas não consegue (ou parece querer) ser memorável... nem para o futuro nem para o momento imediato.
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4 / 10
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Prémios Platino del Cine Iberoamericano 2018: os vencedores

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Foram ontem conhecidos os vencedores dos Prémios Platino entregues anualmente ao cinema Ibero-Americano, numa cerimónia que se realizou em Xcaret na Riviera Maya, no México. Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio foi o grande vencedor da noite ao arrecadas cinco troféus incluindo os de Melhor Filme e Melhor Realizador.
São os vencedores:
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Filme Ibero-Americano: Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio
Primeira Obra: Estiu 1993, de Carla Simón
Documentário: Muchos Hijos, un Mono y un Castillo, de Gustavo Salmerón
Filme de Animação: Tadeo Jones 2. El Secreto del Rey Midas, de David Alonso e Enrique Gato
Prémio Platino al Cine y Educación en Valores: Handia, de Aitor Arregi e Jon Garaño
Série ou Mini-Série: El Ministerio del Tiempo (Espanha)
Realização: Sebastián Lelio, Una Mujer Fantástica
Interpretação Masculina: Alfredo Castro, Los Perros
Interpretação Masculina em Série ou Mini-Série: Julio Chávez, El Maestro
Interpretação Feminina: Daniela Vega, Una Mujer Fantástica
Interpretação Feminina em Série ou Mini-Série: Blanca Suárez, Las Chicas del Cable
Argumento: Una Mujer Fantástica, Sebastián Lelio e Gonzalo Maza
Montagem: Una Mujer Fantástica, Soledad Salfate
Fotografia: Zama, Rui Poças
Música Original: La Cordillera, Alberto Iglésias
Som: Zama, Guido Berenblum
Direcção de Arte: Zama, Renata Pinheiro
Prémio de Honor: Adriana Barraza
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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pico de Orizaba (2017)

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Pico de Orizaba de Jaime Fidalgo (Espanha/México) é uma das curtas-metragens presentes na Competição Oficial Nacional da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes que decorre até ao próximo dia 5 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Num simpático e acolhedor restaurante, dois amigos (Luis Alberti e Juan Pablo Castañeda) reencontram-se. Aquilo que parecia uma amena conversa entre ambos, cedo se transforma num confronto de ideias quando um deles parece revelar ao outro a sua sexualidade. Mas nem tudo é o que aparenta... ou será?!
Jaime Fidalgo e Juan Pablo Corcuera assinam o argumento desta curta-metragem onde os inuendos e os subterfúgios de uma conversa que esconde segredos incapazes de ser revelados ao longo de uma vida atribuem, por si só, toda uma nova vida aos dois protagonistas. Cedo é apresentado ao espectador um ambiente informal entre dois amigos que, independentemente das distâncias que habitualmente os separem, deixam transparecer toda uma sentida cumplicidade típica de uma amizade próxima e já longa. No entanto, é através das pequenas "armadilhas" de uma linguagem que compromete mais quem escuta do que aquele que quer transmitir uma mensagem, que cedo se revelam os comportamentos - e os segredos - destes dois amigos que, afinal, estão mais distantes um do outro do que aquilo que o espectador cedo pensou ter compreendido. Se esta distância se assume mais psicológica do que propriamente física, é à medida que se desconstrói todo o seu discurso que se compreende que, afinal, aquela pessoa que se julgou amiga mais não é do que um estranho em potência que se apresenta à sua frente.
Mas, quem são afinal estes dois amigos? O seu discurso faz o espectador deduzir que são confidentes de outros tempos... cúmplices nas inúmeras desventuras tradicionalmente esperadas de dois amigos que se conhecem de longa data e confortavelmente confiantes da relação de amizade que mantêm. No entanto, algo faz despoletar uma reacção adversa quando um beijo surge no seu imaginário. Um beijo dado na mesa do lado que ambos observam e que poderá representar o elemento de mudança na relação que até então mantinham. Será esta uma relação que sobrevive à revelação de um segredo mantido até então? Poderá a maior fragilidade perante uma esperada amizade ser o motivo para que estes dois amigos se revelem, afinal, como dois estranhos incapazes de conviver com a diferença que até então os tinha aproximado? Existirá um "dia de amanhã" que os aproxime agora que todos os seus segredos foram finalmente revelados?
Com o tempo - breve mas conciso desta curta-metragem -, o espectador conhece dois opostos refugiados em todo um conjunto de lugares comuns que a revelação do segredo desmistifica. Da amizade o espectador espera encontrar uma história que o elucide (ou confirme) sobre o poder da empatia, sobre aquilo que reconhece como expectável entre dois amigos que nada poderá separar... nem mesmo a tal "diferença" mas... e se tudo se alterar com uma simples palavra? E se o conhecimento fôr determinante para que nada mais seja como até então?! E se, a partir daquele instante, se compreender que até mesmo a amizade pode ser tão fugaz como uma ligeira brisa?
Com duas dinâmicas interpretações que brilham pelo poder das palavras e uma inteligente realização de Jaime Fidalgo que aproxima o espectador das expressões e reacções de dois intérpretes que dão corpo, vida e alma a duas intensamente (não tão) ligeiras personagens, Pico de Orizaba surge como uma descida/subida a uma montanha repleta de pequenas surpresas que podem (ou não) ser ultrapassadas dependendo da convicção com que cada um tende a enfrentá-las sem esquecer a capacidade de desmistificar recorrentes lugares comuns sobre a sexualidade, a forma como cada um a encara ou, até mesmo, sobre o modo como cada um a expressa.
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9 / 10
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domingo, 29 de abril de 2018

Drvo - A Árvore (2018)

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Drvo - A Árvore de André Gil Mata (Portugal/Bósnia-Herzegovina) foi a longa-metragem de abertura da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer em Lisboa até ao próximo dia 6 de Maio e também um dos filmes presentes na Competição Nacional.
Um Homem (Petar Fradelic), uma Criança (Filip Zivanovic). Duas guerras. Dois estados temporais. Um Rio. Uma Árvore. O Homem e a Criança conhecem-se sob uma árvore junto a um rio. Partilham uma memória.
Com argumento do próprio Gil Mata e uma direcção de fotografia de João Ribeiro - que "pinta" belíssimo quadros de imagem em movimento -, Drvo - A Árvore é assumidamente uma obra de arte que exige, sem se impôr, ser contemplada.
Os dois momentos que acompanham esta longa-metragem aproximam o espectador de duas cruas realidades temporais de uma Sarajevo que, então, viveu sob um manto negro e violento. Numa primeira realidade temos uma criança (Zivanovic) que enquanto brinca "força" o espectador a escutar os bombardeamentos que, distantes, cercam o espaço natural à sua volta. Percebemos, mais tarde, que um homem (Fradelic) vive sob a mesma realidade no mesmo espaço. Distantes pelo tempo, o espectador compreende estas semelhantes realidades como os anos '40 - para a criança - e '90 - para o homem - onde a capital bósnia viveu sob intensos períodos de guerra - Segunda Guerra Mundial e os conflitos resultantes da declaração de independência da então Jugoslávia - nos quais, aqueles que nela subsistiam viviam sob um intenso e violento purgatório. Se a criança encontra espaço para brincar alheando-se (ou talvez não) da realidade "lá de fora", é no homem mais velho que encontramos o rosto marcado por esta (sobre)vivência e uma certa apatia para com aquilo que o rodeia.
"Ele" (Fradelic) recolhe garrafas de vidro que transporta às suas costas, e os únicos ruídos que são perceptíveis são os do vidro que chocalha e o dos seus passos na neve. Distantes, mas igualmente presentes, são os dos bombardeamentos que, no entanto, acabam por ser por ele ignorados tal a sua normalidade nesta que é a sua realidade. Dali parte num barco e desce o rio rumo a uma realidade que o espectador desconhece até que, de repente, um vulto surge numa das suas margens. O vulto de uma criança que ele então persegue até uma árvore. É naquela árvore com as marcas do frio de um rigoroso Inverno, que os dois se encontram e conversam revelando incoerentes momentos de uma memória partilhada, e eventualmente colectiva, da sua realidade e daquela do espaço em que ambos se encontram.
A conversa entre ambos ganha uma dimensão de reflexão na medida em que explora pequenas particularidades que parecem comuns a ambos. Pequenos momentos dessa referida memória que apenas o mesmo ser poderia saber e conhecer. É então que o espectador se questiona se estas duas pessoas não serão uma única em momentos distintos de uma realidade comum e, nesta medida, em que espaço temporal se encontram de facto... naquele que foi vivido pelo jovem ou pelo adulto? Estarão eles distanciados por anos ou simplesmente por realidades distintas mas comuns que se cruzam nesta cidade deserta, quase fantasma, que poderá mais não ser do que a imagem reflectida que ambos encontram e conhecem como o seu espaço de segurança?
Por momentos, e tendo esta linha de pensamento, o espectador questiona-se sobre a possibilidade deste mais não ser do que um espaço transitório para onde ambos foram transportados no seu "depois". Um espaço no qual a mesma pessoa em diferentes etapas da sua vida encontrou para poder tranquilizar o seu outro "eu"... Um jovem que encontra uma qualquer forma de paz compreendendo que o próprio irá existir até tardia idade, e o mais velho assegurando este que as agruras da vida não terminarão com o rugir das bombas que escuta ao longe. Nem tudo serão maus tempos e os anos de uma paz física e psicológica surgirão com os anos mas, ao mesmo tempo, ambos são, no seu tempo, assombrados com a realidade da guerra, do fim, da perda, da inexistência, do nada e até mesmo de uma morte vizinha que espreita pelo melhor momento de surgir e se dar a conhecer.
Também surge ao espectador uma noção de tragédia grega... dos deuses do Olimpo e dos seus servos na medida em que o homem (Fradelic) não só procura a sua subsistência (a moeda) pela recolha das garrafas como também se faz transportar entre margens através do seu barco. Fradelic, ou o "Caronte" destes tempos, transporta ou aborda aqueles que se acercam à margem do rio conferindo-lhes a possibilidade de uma existência do "outro" lado ou, por sua vez, confirmando que ainda não chegou o tempo deles serem transportados para essa nova realidade que julgam ter então alcançado. A tranquilidade ou seu adiamento, surge então personificado pela caminhada sem destino que estas margens precisam "consumir" antes de ser consumada a eterna e última passagem para o outro lado ou outra existência.
Ao mesmo tempo, André Gil Mata força o espectador a acompanhar o "homem" de Fradelic, primeiro através de uma calma e psicologicamente tranquila existência - pelo menos aparentemente -, que o faz percorrer as ruas de uma cidade abandonada e visivelmente deserta apenas na companhia de um fiel cão. Nesta caminhada percebemos a existência de um sofrimento inerente às suas acções, algo que o acompanha como um fardo atribuído a alguém que cumpre uma pena... O sofrimento como pena de uma existência condenada aos meus ritos e rituais, aos mesmos gestos e passos que se repetem sistematicamente dia após dia e dos quais este homem não consegue escapar. Numa prisão a céu aberto, o espectador sente uma imediata empatia pelo homem, pela sua condição e pela forma como silenciosamente - pela ausência de outro alguém ou até mesmo pela voluntariedade que assume ou assumiu com o passar dos tempos -, aceita o seu isolamento e aquilo que o destino lhe proporcionou... naquele momento e em toda a sua vida. O desespero surge assim não pela condição mas pela repetição de um ritual que se perpetua. Um desespero silencioso que apenas quebra para salvar da incerteza o seu "eu" mais jovem e que, de certa forma, resulta como um auto-conforto na medida em que as suas palavras poder-se-ão perpetuar na mente de um jovem que cresce e se desenvolve com a certeza de que esta incerteza de paz e segurança serão a sua realidade no início da sua vida e potencialmente nesse tal "final" nunca confirmado.
Contemplativo desde os instantes iniciais onde o espectador é levado a conhecer o interior de uma modesta habitação perdida num qualquer vale dos Balcãs, Drvo - A Árvore assume-se como a fonte de uma vida (a árvore) independentemente da forma como esta poderá ser desenvolvida no futuro. Ela será no entanto, o elemento que testemunha toda essa passagem de tempo, de pensamento, de regimes, de conflitos e sobretudo daqueles que a cruzaram ignorando que se manteve ali durante tempos inconfessáveis. Com uma direcção de fotografia de João Ribeiro, um mestre na captação do espírito, do momento e da energia do espaço, Gil Mata constrói uma obra maior do cinema português distanciando-se, no entanto, de qualquer nacionalidade que poderia inicialmente ser atribuída a esta história. Ao reter a mensagem de Drvo - A Árvore, o espectador desconhece primeiro o espaço - apenas revelado por pequenos elementos da obra -, depois o tempo - que apenas assume pela narrativa e pelo cenário de fundo na qual se desenrola - e finalmente a sua origem que pode firmar a obra apenas pela origem do seu realizador mas transformá-la num conto sem nacionalidade pela universalidade da sua mensagem.
De longe uma das obras maiores do novo cinema português, Drvo - A Árvore consegue nos seus pouco mais de noventa minutos firmar a importância da memória (física, psicológica, histórica, temporal...), transformar-se num conto assombroso na medida em que deixa o espectador incerto sobre os limites da ficção, do drama, do real e do fantástico sem que, no entanto, este se consiga esquecer de que se encontra perante uma história contemplativa sobre o silêncio, a dor, a perda e sobretudo o sofrimento de uma alma que - desconhecemos - se limita a percorrer os mesmos espaços, cantos e lugares de forma monótona (des)esperando por um breve momento no qual possa partilhar a sua sabedoria e o seu relato sobre a passagem desse tempo nem sempre benemérito.
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8 / 10
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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Paul Junger Witt

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1943 - 2018
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Self Destructive Boys (2018)

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Self Destructive Boys de André Santos e Marco Leão é uma curta-metragem portuguesa de ficção da dupla de realizadores de Aula de Condução (2015) e Pedro (2016) presente na Competição Oficial da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorre até ao próximo dia 6 de Maio em várias salas da cidade.
António (Miguel Cunha) Xavier (João Veloso) e Miguel (João Mota) são três jovens adultos na casa dos vinte anos com vidas banais e alguma necessidade de dinheiro. Cada um proveniente de um meio diferente optam por participar em filmes de pornografia homossexual. Se para uns é apenas mais uma forma de trabalho e para outros um teste à sua masculinidade, a realidade é que esta decisão modifica as suas noções sobre as suas próprias certezas.
Depois do drama hiper sexualizado Pedro (2016), a dupla André Santos e Marco Leão, também autores do argumento, regressa com uma história onde a sexualidade está novamente no centro da história mas aqui com doses de um humor descontraído que ameniza todas as grandes questões desta curta-metragem. Se em Pedro encontrávamos um jovem centrado nas suas escapadelas para alguns encontros homossexuais anónimos mantendo assim toda a sua imagem social "incólume", em Self Destructive Boys o trio de jovens reúne-se para aquilo que será a escapatória de uma vida ou sem dinheiro ou sem nada mais para fazer. Se os dois realizadores do porno gay - Victor Gonçalves e Nuno Nolasco - revelam desde cedo que o seu trabalho mais parece auto-satisfatório e uma forma de poder admirar os corpos despidos de jovens adultos a troco de algum dinheiro (sendo a sua própria parte - como cedo é revelado - bem compensatória para ambos), é no trio que encontramos algumas disparidades nas suas intenções. "António" e "Xavier" são a dupla descontraída... O primeiro encontrou a forma de ganhar algum dinheiro extra e o segundo uma forma de preencher os seus tempos mortos - sem esquecer o bom humor que em tudo coloca e, sexualidade à parte (até aqui), é na postura de "Miguel" que encontramos a maior incerteza, reticência e até mesmo um certo prazer escondido e por revelar para quem apenas ali estava para encontrar mais alguns "trocos" para comprar uma mota nova.
Mas... será só isso? Se os dois primeiros parecem algo despreocupados com o que estão predispostos a fazer e encaram tudo como "apenas mais um trabalho", é "Miguel" que se revela preocupado e temeroso sobre as consequências que podem surgir dali para o seu futuro. Afirmativo quanto às suas intenções monetárias e não sexuais, "Miguel" cedo se mostra um pouco mais entusiasmado com os seus propósitos, fugindo para não ter de enfrentar(-se?) as consequências de um aparente ou possível prazer e estímulo sexual.
Tudo num constante tom de humor, ainda que "realizadores" e "Miguel" sejam o centro mais sério deste enredo, é na dupla interpretada por Miguel Cunha e João Veloso que encontramos os desempenhos mais carismáticos desta história. "Habitués" actores - neste filme - de cinema porno gay, a descontracção entregue às suas personagens que tudo encaram como mais um "trabalhinho" que fazem para passar as horas mortas é desarmante transformando toda aquela dinâmica de uma história pseudo-dramática sobre os contornos nem sempre certos ou sérios de um conjunto de jovens adultos em busca de dinheiro, num hilariante e descontraído momento de tranquilidade de alguém que... tão depressa está prestes a fazer um filme pornográfico como, de repente, equacionam sobre onde podem ir comer um hamburguer num segmento de total banalidade cómica entre dois amigos que talvez até nem o sejam mas que se conhecem - literalmente - como se o fossem.
Descontraído e dotado de muito humor, este Self Destructive Boys revela um lado mais humorístico sobre a sexualidade explorada de forma mais séria e dramática pela dupla Santos e Leão em Pedro, conferindo às suas personagens uma ligeireza icónica revelando, ao mesmo tempo, um João Veloso como um jovem e interessante talento em ter em conta nos próximos anos sem esquecer de fazer com que o próprio espectador esqueça os supostos limites da sexualidade existentes entre três jovens adultos que, em toda a (sua) consciência, estão prestes a desafiar os seus próprios limites (se é que alguns), dar corpo aos seus desejos e vontades mas, sobretudo, perceber até onde é que estão dispostos a ir sem que a sua mente encontre os tais bloqueios que a sociedade poderá - em tempos - lhes ter colocado.
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8 / 10
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A Barriga de Mariana (2018)

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A Barriga de Mariana de Frederico Mesquita é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na Competição Oficial dá décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer na capital até ao próximo dia 6 de Maio.
Mariana (Mariana Pinheiro) está com o namorado (José Condessa) na casa de campo dos pais onde todos passam férias. No Verão que define a sua passagem da adolescência à idade adulta, Mariana descobre que está grávida. Será este o momento que define a sua relação com todos os demais?
Com um argumento também da autoria do realizador, A Barriga de Mariana recupera o Portugal interior do último ano já marcado pelas cicatrizes de um fogo que transformou toda a sua geografia. Da mesma forma que o país real se transformou, também "Mariana" está prestes a ter a sua prova de fogo ao descobrir a inesperada gravidez que terá de revelar a alguém do seu grupo estival. Filha de pais conservadores e com um namorado que se sente - mais do que ela - como um eterno jovem ainda a precisar de gozar a vida, a jovem "Mariana" encontra-se naquele inesperado limbo que coloca todos os jovens com as supostas decisões "por tomar" nas mãos. No entanto, enquanto essas decisões são, para uns, a escolha de que curso ou universidade a optar, para ela é a maternidade que que lhe bate à porta. Receosa da atitude dos pais e temerosa por um namorado que parece não estar preparado (ou querer!) a criança porvir, "Mariana" poderá ter de se transformar na inevitável adulta que, inexperiente, se prepara para ter uma vida igualmente inesperada nas suas próprias mãos.
Numa época de transformações inevitáveis - para "Mariana" e para o país como pano de fundo -, A Barriga de Mariana é portanto o retrato de uma jovem presa a noções pré-concebidas que fazem parte de uma educação mais conservadora que colidem com a irreverência natural de uma jovem que ainda não descobriu sequer o que é viver por si e que se prepara para uma maternidade onde será, forçadamente, responsável por outra vida que se avizinha. Colocando as duas noções em claro confronto emocional e psicológico, a curta-metragem de Frederico Mesquita não esquece de enquadrar a história com o Portugal de 2017 onde também predominou uma incerteza sobre o passado e o presente e as necessárias transformações que se adivinhavam para o país.
Sem nunca revelar o dia de amanhã de "Mariana", A Barriga de Mariana deixa o espectador na tal incerteza sobre aquilo que irá decidir a jovem - manter ou interromper a gravidez -, deixando claro que o seu confronto emocional é provavelmente aquilo que mais irá marcar a sua mais ou menos precipitada decisão. Ainda que sem grandes revelações sobre a história que, de forma geral, se assemelha a tantas outras do género, a curta-metragem de Mesquita revela, no entanto, uma certa sensibilidade na forma como expõe as incertezas de uma jovem que compreende estar a preparar-se para a perda... da criança porvir, de um namorado não preparado para assumir as suas responsabilidades ou ainda o apoio dos pais que não esperam uma surpresa que poderá pôr em causa os valores que pensam ter incutido na sua jovem e adolescente filha.
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7 / 10
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Histórias de Fantasmas (2018)

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Histórias de Fantasmas de Carlos Pereira é uma curta-metragem luso-alemã experimental presente na Competição Nacional da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer até ao próximo dia 6 de Maio em Lisboa.
Tudo começa com uma tempestade. Relâmpagos ao longe que iluminam a noite de uma cidade. Alguém na noite que observa imagens do passado e um vulto que sobe umas escadas de um prédio aparentemente abandonado.
O realizador, também autor deste argumento, leva o espectador ao interior de um antigo quartel da Stasi agora vetado ao abandono. As imagens que inicialmente percorrem o imaginário do espectador rapidamente o fazem pensar nas centenas ou milhares de pessoas que fizeram o mesmo percurso e que subiram as mesmas escadarias. O que escondem, no silêncio, aquelas paredes? O que retêm as sombras onde o sol mal toca? Quais os fantasmas - e suas histórias - que ainda fazem ecoar a sua presença naqueles corredores despidos de qualquer presença humana?
Inicialmente incomodativo pela forma como faz dos silêncios e da percepção - do espectador - sobre a sua presente mensagem, Histórias de Fantasmas capta essencialmente a memória de um passado trágico, pouco explorado mas ainda presente na marca arquitectónica, histórica e sobretudo humana de uma cidade em constante transformação. Numa vontade de se inserir num novo mundo - e numa nova Europa -, a questão que permanece por responder reside na vontade de compreender qual o lugar desse mesmo legado histórico, da sua importância e do seu potencial lugar no imaginário e na História comum daquele período e dos que dele fizeram parte. Quase contemplativo e que força à cooperação da mente do espectador enquanto observador participante - pela memória que evoca -, Histórias de Fantasmas é um dos daqueles filmes que recupera o ideal da Memória Histórica no cinema bem como da sua importância para a evolução de uma comunidade (ou sociedade) através da vivência de um passado e de um contributo histórico comuns.
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6 / 10
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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Jesús Daniel Díaz

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1998 - 2018
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Marco Francisco García

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1998 - 2018
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Javier Salomón Aceves

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1993 - 2018
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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Michael Anderson

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1920 - 2018
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terça-feira, 24 de abril de 2018

Ariel 2018: os nomeados

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Foram ontem divulgados os nomeados aos prémios Ariel entregues anualmente pela Academia Mexicana de Cinema. Batallas Íntimas, de Lucía Gajá, La Libertad del Diablo, de Everardo González, La Región Salvaje, de Amat Escalante, Sueño en Otro Idioma, de Ernesto Contreras e Tiempo Compartido, de Sebastián Hofmann são as obras a competir para o Ariel de Oro de Melhor Filme.
São os demais nomeados:
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Melhor Filme
Batallas Íntimas, de Caguama producciones (CasaDeLou), FOPROCINE, IMCINE e Lucía Gajá (real.)
La Libertad del Diablo, de Artegios, Animal de luz films e Everardo González (real.)
La Región Salvaje, de Mantarraya producciones, Tres tunas e Amat Escalante (real.)
Sueño en Otro Idioma, de Agencia Sha, Alebrije cine y video, Revolver Ámsterdam, FOPROCINE, Estudios Churubusco Azteca, EFICINE e Ernesto Contreras (real.)
Tiempo Compartido, de Piano e Sebastián Hofmann (real.)
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Melhor Primeira Obra
Los Años Azules, de Sofía Gómez Córdova
Ayúdame a Pasar la Noche, de José Ramón Chávez
Mientras el Lobo No Está, de Joseph Hemsani
Plaza de la Soledad, de Maya Goded
El Vigilante, de Diego Ros
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Melhor Documentário
Batallas Íntimas, de Lucía Gajá
El Maíz en los Tiempos de Guerra, de Alberto Cortés
La Libertad del Diablo, de Everardo González
Plaza de la Soledad, de Maya Goded
Un Exilio: Película Familiar, de Juan Francisco Urrusti
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Melhor Filme Ibero-Americano
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho (Brasil)
La Mujer del Animal, de Víctor Gaviria (Colômbia)
Últimos Días en la Habana, de Fernando Pérez (Cuba)
Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
Zama, de Lucrecia Martel (Argentina)
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Chambelán, de Fabián León
Libre de Culpa, de Santiago Arriaga e Mariana Arriaga
Mamartuile, de Alejandro Saevich
Oasis, de Alejandro Zuno
La Ramona, de Antonio de Jesús Sánchez
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Melhor Documentário Curta-Metragem
Artemio, de Sandra Luz López
Juan Perros, de Rodrigo Ímaz
La Muñeca Tetona, de Diego Enrique Osorno e Alexandro Aldrete
Relato Familiar, de Sumie García
Tecuani, Hombre Jaguar, de Isis Alejandra Ahumada e Nelson Omar Aldape
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Amor, Nuestra Prisión, de Carolina Corral
Cerulia, de Sofía Carrillo
Nos Faltan, de Lucía Gajá e Emilio Ramos
Poliangular, de Alexandra Castellanos
Última Estación, de Héctor Dávila
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Melhor Realização
Natalia Beristáin, Los Adioses
Lucía Gajá, Batallas Íntimas
Everardo González, La Libertad del Diablo
Amat Escalante, La Región Salvaje
Issa López, Vuelven
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Melhor Actor
Leonardo Alonso, El Vigilante
Daniel Giménez Cacho, Los Adioses
Gabino Rodríguez, Los Crímenes de Mar del Norte
Humberto Busto, Oso Polar
Eligio Meléndez, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Actriz
Ángeles Cruz, Tamara y la Catarina
Angelina Peláez, Tamara y la Catarina
Arcelia Ramírez, Verónica
Cassandra Ciangherotti, Tiempo Compartido
Karina Gidi, Los Adioses
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Melhor Actor de Elenco
Andrés Almeida, Tiempo Compartido
Héctor Holten, El Vigilante
Hernán Mendoza, Las Hijas de Abril
Norman Delgadillo, Los Crímenes de Mar del Norte
Tenoch Huerta, Vuelven
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Melhor Actriz de Elenco
Bernarda Trueba, La Región Salvaje
Mercedes Pascual, Tamara y la Catarina
Mónica Miguel, Sueño en Otro Idioma
Norma Angélica, Sueño en Otro Idioma
Vico Escorcia, Los Crímenes de Mar del Norte
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Melhor Actor Secundário
Emilio Echevarría, El Elegido
Hoze Meléndez, Sueño en Otro Idioma
Juan Pablo de Santiago, Sueño en Otro Idioma
Miguel Rodarte, Tiempo Compartido
Pedro de Tavira, Los Adioses
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Melhor Actriz Secundária
Fátima Molina, Sueño en Otro Idioma
Joanna Larequi, Las Hijas de Abril
Simone Bucio, La Región Salvaje
Tessa Ia, Los Adioses
Verónica Toussaint, Oso Polar
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Revelação Masculina
Luis Amaya Rodríguez, Ayúdame a Pasar la Noche
Jesús Meza, La Región Salvaje
Juan Ramón López, Vuelven
Luis de la Rosa, Mientras el Lobo No Está
Máximo Hollander, Los Herederos
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Revelação Feminina
Ana Valeria Becerril, Las Hijas de Abril
Macarena Arias, Alba
Nicolasa Ortiz Monasterio, Sueño en Otro Idioma
Paola Lara, Vuelven
Ruth Ramos, La Región Salvaje
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Melhor Argumento Original
Everardo González e Diego Enrique Osorno, La Libertad del Diablo
Amat Escalante e Gibrán Portela, La Región Salvaje
Carlos Contreras, Sueño en Otro Idioma
Sebastián Hofmann e Julio Chavezmontes, Tiempo Compartido
Issa López, Vuelven
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Melhor Montagem
Francisco X. Rivera, Lucía Gajá e Mariana Rodríguez, Batallas Íntimas
Paloma López Carrillo, La Libertad del Diablo
Valentina Leduc, Plaza de la Soledad
Fernanda de la Peza e Jacob Secher Schulsinger, La Región Salvaje
Joaquim Marti, Vuelven
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Melhor Fotografia
Dariela Ludlow, Los Adioses
Guillermo Granillo, El Elegido
Guillermo Granillo e Bogumil Godfrejów, La Habitación
María José Secco, La Libertad del Diablo
Tonatiuh Martínez, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Música Original
Jacobo Lieberman e Leonardo Heiblum, Batallas Íntimas
Quincas Moreira, La Libertad del Diablo
Jacobo Lieberman e Leonardo Heiblum, Plaza de la Soledad
Guro Moe, La Región Salvaje
Andrés Sánchez Maher, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Som
Antonio Diego, Jorge Juárez, Omar Juárez e Tomasz Dukszta, La Habitación
Matías Barberis, Bernat Fortiana, Pablo Tamez, Jaime Baksht e Michelle Couttolenc, La Libertad del Diablo
Raúl Locatelli, Sergio Díaz e Vincent Arnardi, La Región Salvaje
Enrique Greiner, Pablo Tamez e Raymundo Ballesteros, Sueño en Otro Idioma
Emilio Cortés, Martín Hernández, Alejandro Quevedo, Jaime Baksht e Michelle Couttolenc, Vuelven
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Melhor Direcção Artística
Carlos Jacques, Los Adioses
Antonio Muñohierro, El Elegido
Carlos Jacques, La Habitación
Bárbara Enríquez, Sueño en Otro Idioma
Ana Solares, Vuelven
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Melhor Guarda-Roupa
Anna Terrazas, Los Adioses
Fernanda Vélez, Los Crímenes de Mar del Norte
Mercè Paloma, El Elegido
Mariestela Fernández e Gabriela Diaque, La Habitación
Gabriela Fernández, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Caracterização
Nury Alamo, Los Crímenes de Mar del Norte
Maru Errando e Carlos Sánchez, El Elegido
Carlos Sánchez e Itzel Peña, La Habitación
Maripaz Robles, Sueño en Otro Idioma
Adam Zoller, Vuelven
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Melhores Efeitos Especiais
Lluis Rivera e Alejandro Vázquez, El Elegido
Arturo Godínez, La Habitación
Yoshiro Hernández, Purasangre
José Manuel Martínez, La Región Salvaje
Alejandro Vázquez, Sueño en Otro Idioma
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Melhores Efeitos Visuais
Lluís Castells, El Elegido
Radoslaw Rekita, La Habitación
Peter Hjorth, La Región Salvaje
Raúl Prado, Mientras el Lobo No Está
Raúl Prado, Juan Carlos Lepe e Edgar Piña, Vuelven
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Ariel de Oro: Queta Lavat (Actriz) e Toni Kuhn (Fotógrafo)
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 5 de Junho no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México.
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: os nomeados

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Foram há instantes revelados os nomeados à vigésima-terceira edição dos Globos de Ouro numa iniciativa anual da SIC e da Caras tendo revelado São Jorge, de Marco Martins e Fátima, de João Canijo como os grandes favoritos do ano ao arrecadar três nomeações cada.
São os nomeados:
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Melhor Filme
A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho
Fátima, de João Canijo
Peregrinação, de João Botelho
São Jorge, de Marco Martins
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Melhor Actor
Sinde Filipe, Zeus
Nuno Lopes, São Jorge
José Raposo, São Jorge
Cláudio da Silva, Peregrinação
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Melhor Actriz
Rita Blanco, Fátima
Lia Carvalho, Verão Danado
Carla Galvão, A Fábrica de Nada
Anabela Moreira, Fátima
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Os vencedores desta e das demais categorias serão anunciados numa cerimónia a realizar no próximo dia 20 de Maio no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #97

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O Shortcutz Viseu terá a sua sessão #97 a decorrer no próximo dia 27 de Abril na qual o segmento Curtas em Competição exibirá os filmes O Livro de Tudo, de Joana Alves e ainda Ivan, de Bernardo Lopes estando ambos os realizadores presentes para a apresentação das suas obras.
Como Projecto Convidado, o Shortcutz Viseu contará com a presença do Leiria Film Fest - Festival Internacional de Curtas-Metragens que trará consigo o filme curto Are You Volleyball?, de Mohammad Bakhshi, do Irão, vencedor do Prémio do Público na última edição do LFF.
Assim, a sessão #97 decorrerá na próxima sexta-feira a partir das 22 horas no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu.
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domingo, 22 de abril de 2018

Another Lisbon Story (2017)

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Another Lisbon Story de Claudio Carbone é um documentário luso-italiano exibido no âmbito do Festival Política a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Numa Lisboa cada vez mais cosmopolita é impensável a existência de bairros-favela nos arredores da capital. O Bairro da Torre, perto do aeroporto, é disso exemplo. Sessenta e duas famílias resistem num bairro sem quaisquer condições de saneamento básico ou infraestruturas reclamando-as em nome de uma vida melhor e digna.
Num mundo em constante transformação, a centralidade das cidades e da sua área metropolitana deslocou-se em relação ao passado. Aquilo que anteriormente eram bairros periféricos erguidos em locais que se distanciavam do centro são agora os espaços que a cidade reclama em nome de um crescimento frenético que os aproxima desse referido "centro". Assim, e numa análise próxima das realidades de uma comunidade que foi esquecida ao longo dos anos, Another Lisbon Story - num claro piscar de olhos à obra Lisbon Story (1994), de Wim Wenders e da sua Lisboa romântica, histórica e melancólica - primeiro faz com que o espectador conheça esta população perdida num tempo incerto às portas de uma cidade que, finalmente, chegou até às suas portas para, de seguida, revelar todo um conjunto de vontades e iniciativas que visam a recuperação destes bairros e das realidades de quem neles vivem tomando como exemplo outros já bem sucedidos - como é o caso da Quinta do Mocho e, por exemplo, os seus murais artísticos como ponto de referência artística e urbana - tentando exportar para o Bairro da Torre não só esta recuperação e iniciativa como também fazer-lhe chegar todo um conjunto de elementos básicos como, por exemplo, o saneamento básico, a canalização e mesmo a própria limpeza do espaço que parece ausente do mesmo há décadas.
Dos interesses da Faculdade de Arquitectura aos poderes políticos da cidade sem esquecer, claro, as vontades e necessidades da população que começam com a simples comparência da mesma nas diversas reuniões efectuadas onde não só se conhecem rostos como principalmente vontades, Another Lisbon Story termina com um conjunto de sentidas vontades e esperanças que culminam com a "construção" de um pequeno espaço para que as crianças brinquem e se possam fazer cumprir nestas pequenas gerações os sonhos que até então foram perdidos.
Embebido num espírito de registo-denúncia (sem apontar directamente o dedo ao acontecimento mas sim à necessidade de transformação que é notória), e com apontamentos musicais de André David, este documentário luso-italiano expõe ainda de forma francamente interessante a mescla pacífica de etnias numa comunidade onde tudo escasseia - menos a dignidade - como um interessante elemento da vida da própria cidade da Lisboa multicultural e a necessidade da integração de todos os espaços da mesma como centros de realidades diversas que não podem - ou devem - ser esquecidas. Desta forma, e sem esquecer que Lisboa não é apenas a Baixa Pombalina ou os bairros históricos como, por exemplo, Belém ou tão pouco toda uma nova área recuperada no Parque das Nações, Another Lisbon Story insiste na vontade de fazer ver - e principalmente crer - que Lisboa é uma cidade em franco crescimento que tem, no entanto, uma franja populacional em franca necessidade de fazer cumprir o fundamental... a concretização da sua própria dignidade e reconhecimento como uma parte integrante da mesma.
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7 / 10
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