sexta-feira, 4 de maio de 2018

Bruno (2017)

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Bruno de Alberto Macasoli (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer até amanhã na região espanhola.
Ele toma um café como todos os dias. À distância observa-a. Ela olha para ele... e num instante revela-lhe um pedido. Poderá ele responder ou irá esquecer algo que lhe poderá mudar a vida?
Com argumento da autoria do próprio realizador, Bruno é uma curta-metragem que reflecte sobre os pequenos encontros da vida que podem ser determinantes para uma das partes. O que acontece quando alguém nos pede ajuda? Esta é a grande questão colocada em Bruno que, no entanto, tem a mais esperada das respostas considerando o mundo individualista em que hoje vivemos. O que fazer? Absolutamente nada.
Num mundo privado de empatia ou sentido para com o próximo, Bruno espelha um encontro casual num café entre um homem e uma mulher. Esta, momentaneamente livre, dirige-se-lhe e revela que se encontra em cativeiro às mãos do homem que a acompanha naquele espaço. Quando "Bruno" tem todas as oportunidades para denunciar o acontecimento, o seu sentido do "eu" prefere, no entanto, ignorar tudo o que lhe acontecera mantendo-se indiferente e crente de que foi alvo de uma partida de mau gosto. No entanto, é esta mesma indiferença que gera um inevitável consequência quando, tempos depois, descobre que tudo era de facto real e que os acontecimentos tiveram um trágico desfeito.
Para lá de um rapto ou de uma situação de cativeiro forçado, Bruno é portanto o espelho não daquele que foi detido mas sim dos demais conhecedores involuntários dos acontecimentos e que, de uma ou outra forma, ignoraram um pedido de ajuda vivendo a partir esse momento com a culpa do sobrevivente e com o pensamento de que tudo poderia ter sido diferente... caso tivessem resolvido intervir. Dessa forma, esta curta-metragem de Macasoli é intrigante não pela forma como o espectador se depara com uma situação de cativeiro pois, na realidade, não tem qualquer contacto com a vítima para lá de umas breves palavras que esta troca com o protagonista mas sim pela forma como observa o sentimento de um jovem homem que pode fazer a diferença mas que optou pela indiferença esquecendo os pequenos sinais de alerta que lhe foram enviados e o pedido de ajuda que poderia ter salvo a vida de uma vítima.
Dramática pela sua mensagem sobre a culpa, Bruno é uma curta-metragem intrigante filmada numa atmosfera negra e com um elevado sentimento de perda que deixa, no entanto, uma importante questão em aberto... até que ponto sobrevive aqueles que sobrevivem à tragédia?
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7 / 10
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