terça-feira, 22 de maio de 2018

La Revelación (2017)

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La Revelación de Javier Serna Cacho (Espanha) que relata o encontro de Victor e Santi num descampado onde o primeiro se lamenta por não ter feito bem o exame e, como tal, não poder ir de férias de Verão onde poderia ver Marta, a sua paixão. No entanto, os dois jovens têm um plano que poderá mudar o destino das suas férias.
Tido como um tradicional conto sobre o despertar sentimental de dois jovens - um para o amor e o outro para aquilo que o mesmo representa -, esta simpática curta-metragem de Javier Serna Cacho celebra o poder da amizade, a força transformadora das primeiras paixões e também todo um género cinematográfico que explora as vontades reveladoras de uma geração em pleno crescimento e desenvolvimento emocional.
Com o ênfase principal centrado na dinâmica entre os dois jovens estudantes e nos seus dilemas estivais e sentimentais, La Revelación começa por celebrar a proximidade entre ambos e a forma como decidem resolver os problemas de um deles de forma a que o seu futuro imediato possa ser melhor passado. Da rapidez com que discutem os seus destinos à forma como se zangam e facilmente resolvem a sua discórdia, esta curta-metragem dá corpo à forte e vivida imaginação de duas crianças que em nome do amor tudo fazem e a tudo recorrem. Mas, como duas crianças solitárias não resolvem os problemas do mundo, é através da figura do professor que dão corpo aos seus anseios, engendrando todo um esquema de salvação daquilo que poderia ser um tórrido e desinteressante Verão. Do engenho que origina a escapatória à capacidade do adulto em deixar que uma criança sonhe um pouco mais além do que o seu imediato permite, La Revelación prima pela capacidade de saber contar uma história com recursos limitados onde, também a imaginação do espectador se deixa levar pelo poder de um bom conto. No entanto, é o "Verão" do espectador que pode encontrar aqui o seu suplício.
La Revelación tem um argumento sólido na medida em que o espectador (re)conhece a história ali contada e vibra com as memórias de uma infância já ida na qual também teve todos os seus enredos, historietas e momentos nem sempre divertidos que (pela memória) se transformaram em recordações saudadas e saudosas desse passado tido. No entanto, são os próprios parcos recursos com que esta curta-metragem foi feita que limitaram a sua expansão para uma melhor execução da mesma na medida em que se compreende pelo pouco treino dos jovens actores como pelos cortes abruptos de um segmento para o outro que aqui existe muito que poderia ser limado e melhor executado. Não denegrindo todo o sonho e fantasia com que esta curta-metragem foi elaborada e a magia que nela se tentou criar, a realidade é que no final se sentem as suas fragilidades como potencializadoras de um conto que poderia ter tido um resultado final melhor, mais profundo e mais memorável. Não obstante, La Revelación consegue ser um trabalho terno, emotivo e até mesmo capaz de fazer o seu público recordar alguns dos seus momentos de infância com um sentido sorriso no rosto.
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4 / 10
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