
quinta-feira, 16 de julho de 2020
quarta-feira, 15 de julho de 2020
terça-feira, 14 de julho de 2020
segunda-feira, 13 de julho de 2020
Shortcutz Viseu - Sessão #144


domingo, 12 de julho de 2020
sábado, 11 de julho de 2020
Leiria Film Fest 2020: os vencedores

Ficção
Internacional: Reonghee, de Jegwang Yeon (Coreia do Sul)
Nacional: Sleepwalk, de Filipe Melo
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Região de Leiria: Erva Daninha, de Guilherme Daniel
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Documentário
Internacional: Iceberg Nations, de Fernando Martín Borlán
Nacional: Direito à Memória, de Rúben Sevivas
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Animação
Internacional: Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
Nacional: Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
Menção Honrosa: O Peculiar Crime do Estranho Senhor Jacinto, de Bruno Caetano
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Reonghee (2019)


Dernier Acte (2019)

Repleto de humor e algum sarcasmo, esta é a "confirmação" de que por vezes se consegue sobreviver num território que não é o seu ou, pelo menos, que existe a possibilidade de adaptar todo um conjunto de regras e normas previamente conhecidas para que uma inesperada nova realidade ocorra e os locais ditos "normais" de cada um sejam agora... outros domínios. Quando as interacções entre improváveis novos "amigos" se firmam e todo um novo universo se estabeleça como a realidade de alguns... desmistificam-se lugares, papéis "sociais" e até mesmo personalidades que, afinal, não eram tão intransigentes como inicialmente se queriam dar a conhecer.
Típica animação onde se invertem as realidades conhecidas pelas personagens que dela fazem parte, Dernier Acte é um divertido conto sobre sobrevivência firmada no engano e no engodo mas que confirma sempre a vitória do mais preparado... o selvagem. Um selvagem resistente e que tantas vezes demonstra qualidades mais humanas do que aqueles que o são. Divertida e capaz de captar bons momentos de comédia numa animação refinada, principalmente quando conhecemos a sua realidade enquanto obra académica, Dernier Acte permite ao espectador um conjunto de bons e bem dispostos momentos de humor na linha de uma animação mais tradicional que, em boa medida, fez parte da juventude de tantos de nós.

Purpleboy (2019)

Nesta perspectiva, Purpleboy é um filme inovador cujo recurso à animação pretende, conscientemente ou não, alcançar um público diversificado - a nível etário - e, dessa forma, facultar uma abordagem a essa diversidade que pareça não só fruto de uma obra que se pretende de entretenimento mas, sobretudo, uma que tenta de forma construtiva deixar uma mensagem educacional sobre essa já mencionada diversidade e a sua validação pela sua compreensão. Purpleboy desmistifica a cada fragmento o esperado papel social homem versus mulher. Porque não poderá alguém nascido no corpo de uma mulher ser, no fundo, um homem... porque terá um homem de gostar de futebol e não de jardinagem... Porque terá de existir uma cor ou um comportamento que determine o papel social de cada indivíduo e não os seus gostos, as suas acções ou os seus sentimentos... indo mais longe, porque terá alguém de ser definido ou "determinado" seja pelo que fôr e não ser simplesmente... ser?!
Inteligente pela mutação da história que evolui à medida que cada fragmento é exposto, e expõe, um determinado momento na história de "Oscar" e da sua (auto-)transformação consciente que nos é revelada através de pequenas imagens e simbologia (do sangue ao avião em forma de quinta como representação dessa transformação e de uma "viagem"), Purpleboy exibe uma energia muito própria também graças a uma intensa música original de Christophe Petchanatz que lhe confere um espírito tão ou mais irreverente que o protagonista mas, ao mesmo tempo, a necessária e esperada sensibilidade para que o seu público consiga encontrar pontos de referência e empatia se não com ele... pelo menos com a sua história, e francamente imaginativo pela forma como aborda certos lugares comuns do papel social (esperado) de cada um, quebrando inesperados tabus, dissolvendo ideias pré-concebidas sobre os mesmos e onde todos os momentos têm um próprio e necessário sentido que vinga pela sua pertinência e sentido.

O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto (2019)

O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto de Bruno Caetano (Portugal) é uma das curtas-metragens de animação presentes na competição oficial da sétima edição do Leiria Film Fest.
Uma cidade. Tempos futuros. A Natureza foi proibida e a vida como a conhecemos já não existe. Um homem comete um crime. As consequências, ainda que inesperadas, revelam os tempos em que vive.
Encontramo-nos numa cidade sem um único sinal de vida. A já mencionada Natureza não existe e mesmo a vida humana parece limitada a um conjunto de comportamentos que se transformaram em hábitos de sobrevivência desprovidos de qualquer sentido racional que os aproxime daquilo que são... humanos. Com gestos e comportamentos controlados quer pelas autoridades quer por aqueles que agora vivem dentro de uma "nova ordem" social, como resistir quando o diferente, o belo ou aquilo que é (agora) inatingível surge inesperadamente ao virar da esquina? Diz-se que o maior acto de rebeldia é a forma como se desafia a ordem... mas, na realidade, não será este mais do que a admiração pelo belo e desconhecido que se assume à frente dos (nossos) olhos e garante o vislumbre daquilo que já não existe mas que encontra uma forma de sobreviver no mais inóspito dos ambientes?
Esta curta-metragem não poderia chegar numa altura mais pertinente. Habituados que estamos em observar o nosso meio ambiente ser destruído pelos inequívocos "sinais da evolução" que transformam espaços verdes em cemitérios de cimento e onde tudo se limita a uma vida de rápido, desorientado e desorganizado consumismo, perguntamos (quando já não o temos), o que é feito dos espaços verdes que, em tempos, embelezavam as nossas ruas, os nossos bairros e as nossas cidades?! Em O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto o realizador Bruno Caetano desafia esta nova "normalidade" dando cor (ou a sua falta) a uma intransigente realidade que o espectador consegue identificar em tantos bairros e em tantas cidades - eventualmente a sua - e questiona rapidamente... para onde nos dirigimos?
Como toda uma consequência dessa realidade o que encontramos na realidade... de uma cidade cinzenta e poluída a um policiamento que surge de todas as esquinas. De pessoas desinteressadas com a realidade que, eventualmente, nem chegaram a conhecer a um ritmo frenético e mecanizado a grande questão surge quando o maior acto (ou pelo menos o inicial) de rebeldia é manifestado por uma força maior que poderemos identificar com essa Natureza "desaparecida". Esta é agora considerada como algo subversivo, tal como a água que agora só pode ser obtida gota a gota mediante um pagamento quase insuportável e a sobrevivência clandestina da mesma deve-se apenas àquele que, em sigilo e na clandestinidade, mantêm a autêntica necessidade de mudar (para) algo que eventualmente nunca havia conhecido. Identifica e reconhece mas o espanto denotam a compreensão de que aquilo que se observa é algo desconhecido como que observando um fruto proibido.
Assim, e neste contexto de uma "nova realidade" - ou o "novo normal" que este ano tanto se utiliza -, esta curta-metragem aborda temáticas tão importantes como a massificação da industrialização desordenada, da construção selvagem, da substituição do meio natural pelo cimento e pelo betão mas também de uma nova ditadura que, tão antiga como aquela que os livros de História relatam, primeiro começa com a implantação de um novo conjunto de regras que poderão assumir-se como "inofensivas" mas que cedo se manifestam como ordens obrigatórias a cumprir, que se verificam pelos olhares indiscretos de alguém sempre pronto a identificar-se com esse regime e sobretudo pela penalização que o mesmo aplica para aqueles que o "desafiam"... mesmo nas acções mais básicas que são, para este, subversivas.
Intenso e actual serão os melhores adjectivos a aplicar a este O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto que não só é uma das curtas-metragens mais apropriadas e actuais do presente momento - nacional e mundial - como também dos mais bem executados e pertinentes filmes cuja animação, nem sempre inocente, alerta para esta "mudança" não anunciada mas sempre assumida como a realidade que vivemos abrilhantada por uma música original de Filipe Raposo que capta um certo espírito "moderno" apenas amenizado por uma direcção de arte que nos transporta para um mundo distópico que por vezes não identificamos num passado ou num futuro... francamente anunciado.
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8 / 10
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R.A.S. (2019)

Num misto que oscila entre o drama e o tradicional filme de guerra, esta animação acaba por primar pela excelência no pensamento filosófico que coloca este conjunto de jovens num cenário atípico para a sua jovem idade, lançando-os nas incertezas de um cenário de conflito a reflectir sobre um passado recente onde, nos seus ambientes naturais normalmente nas grandes urbes ditas ocidentais, viviam e experimentavam as "agruras" de um despertar onde as realidades eram assumidamente diferentes. Do pensamento sobre os estudos, um trabalho ou a eventual constituição de família para a incerteza que a guerra lhes pode conferir e mesmo a possibilidade de uma auto-extinção - por vezes física por vezes psicológica - que lhes garante apenas que nada é garantido.
O deserto que os rodeia... a aridez que lhe é inerente... e até mesmo o meio desprovido de vida são tão certos como a sua realidade. Nada existe - para eles e para o espectador - que possa ser equiparado a uma tão grande incerteza sobre o dia de amanhã. Aliás, é apenas este sentimento de isolamento que a grande dimensão territorial lhes confere que lhes permite pensar que, sozinhos no mundo, nada lhes poderá acontecer... até que todas as certezas, pensamentos e convicções são finalmente abaladas por aquilo que é inevitável no cenário em que se encontram.
No final, e para o espectador, apenas persiste uma única certeza... Nada acontece até acontecer algo trágico. É aqui que se instala o medo, a incerteza e a compreensão de que o mundo que outrora conheceram jamais poderá ser retomado. Não nas mesmas condições. Aqueles que sobreviverão a este trágico e desconhecido local encontrarão uma "casa" diferente daquela que conheceram. Diferente não por uma realidade diferente do espaço mas sim pela forma como eles agora regressam tendo testemunhado toda uma nova realidade e encaram aquilo que fora, noutras tempos, seu. O mundo mudou... mas da forma como pessoalmente cada um agora o encara.
R.A.S. denota todo um certo alinhamento com o existencialismo questionando - personagens e espectadores - sobre o lugar que ocupam no mundo e como a mesma pessoa sob um diferente espaço e contexto pode transformar-se num indivíduo completamente diferente daquele que reconhece em si, para si e para com o mundo que o rodeia. Intenso enquanto filme que aborda um pensamento filosófico, a trágica realidade de um mundo actual e o já mencionado existencialismo, Durkheim apresenta uma das mais intensas e pertinentes (para a actualidade) curtas-metragens que, primeiro pelo seu género e depois pela sua mensagem, cativam o espectador e o seu pensamento para qual o (seu) lugar no mundo colocando-o sob diferentes perspectivas e realidades.

sexta-feira, 10 de julho de 2020
o28 (2019)












