quinta-feira, 16 de julho de 2020

Phyllis Somerville

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1943 - 2020
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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Carlotta Barilli

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1935 - 2020
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Maurice Roëves

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1937 - 2020
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Igor Chernykh

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1932 - 2020
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Victoria Rodríguez

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1931 - 2020
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terça-feira, 14 de julho de 2020

Galyn Görg

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1964 - 2020
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Dinah Hinz

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1934 - 2020
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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Shortcutz Viseu - Sessão #144

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A Sessão #144 do Shortcutz Viseu irá decorrer na próxima sexta-feira, dia 17 de Julho, onde na secção Curtas em Competição serão exibidos os filmes curtos Exposição, de Luís Azevedo que estará presente para apresentação da sua obra e conversa com o público e ainda Náufragos, de Pedro Neves.
A Sessão, que irá uma vez mais decorrer na Incubadora do Centro Histórico a partir das 22 horas, é de entrada gratuita sendo que precisa obrigatoriamente de reserva devido à actual situação de emergência sanitária.
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domingo, 12 de julho de 2020

Kelly Preston

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1962 - 2020
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Divya Chouksey

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1991 - 2020
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Raymundo Capetillo

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1943 - 2020
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sábado, 11 de julho de 2020

Leiria Film Fest 2020: os vencedores

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Prestes a terminar a sétima edição do Leiria Film Fest - da qual tive uma vez mais o privilégio de fazer parte enquanto membro do júri - que este ano decorreu quase exclusivamente online devido à actual situação de emergência sanitária, os vencedores foram hoje anunciados destacando Agouro, de David Doutel e Vasco Sá como o grande vencedor ao arrebatar os dois troféus - Nacional e Internacional - da respectiva competição.
São os vencedores:
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Ficção
Internacional: Reonghee, de Jegwang Yeon (Coreia do Sul)
Nacional: Sleepwalk, de Filipe Melo
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Região de Leiria: Erva Daninha, de Guilherme Daniel
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Documentário
Internacional: Iceberg Nations, de Fernando Martín Borlán
Nacional: Direito à Memória, de Rúben Sevivas
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Animação
Internacional: Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
Nacional: Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
Menção Honrosa: O Peculiar Crime do Estranho Senhor Jacinto, de Bruno Caetano
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Reonghee (2019)

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Reonghee de Jegwang Yeon (Coreia do Sul) é uma das curtas-metragens presentes na categoria de Ficção da sétima edição do Leiria Film Fest que relata uma história de emigração dos tempos modernos.
Duas trabalhadoras numa fábrica. Uma nacional... a outra uma emigrante ilegal. Quando o seu local de trabalho é alvo de uma inspecção da polícia de emigração, uma delas morre. O que resta quando a outra se sente ilegal no seu próprio país?
Jegwang Yeon capta não só o silencioso drama da emigração ilegal, que aqui apesar de motor central desta história acaba por ser, em última análise, aquilo que despoleta todo o restante conto, mas também a história daqueles que ficam no "depois" da tragédia e que desconhecem todo um trajecto tido por quem neste seu "agora" desapareceu.
Esta é assim a história de duas mulheres. Duas mulheres que em qualquer outra circunstância estão em circunstâncias semelhantes. As duas tentam trabalhar e ganhar a sua subsistência e, longe de luxos, sobrevivem num mundo onde compreendem existir quem provavelmente não tenhas as mesmas oportunidades que elas têm em poder ter um local de trabalho para o qual se dirigem todos os dias. Com despesas inerentes a uma vida dita normal e um ou outro sonho de pequenos luxos que tardam em chegar, a sua situação apenas se torna diferente quando analisamos e compreendemos que uma delas está num território que não é o seu. Desconhecemos qual a sua situação familiar, financeira e até emocional para lá de que está ilegal num país onde tenta sobreviver. É então que aquele fatídico dia revela, não para ela mas sim para a sua colega e amiga, a realidade de um mundo que espreita ali ao lado sem que ela alguma vez tivesse dado conta.
Da realidade da perseguição institucional ao distanciamento de uma entidade patronal que se quer descartar de problemas e compensações, é a jovem coreana agora sobrevivente de uma tragédia que nunca pensou sobreviver que compreende que ali ao seu lado na sua agora desaparecida amiga, existe toda uma situação frágil e potencialmente perigosa para centenas - talvez milhares - de pessoas que tentam a possibilidade de um dia melhor que poderá não chegar. Reonghee é assim, muito rapidamente, uma história que se revela não sobre a vítima mas sim sobre aquela que lhe sobrevive e que conhece toda uma nova e desconhecida realidade tão ou mais sombria do que aquilo que alguma vez imaginou... se é que alguma vez o fez.
Distante dos tradicionais rituais moralistas que tantas vezes algumas destas histórias nos entregam, Reonghee obriga o espectador a questionar-se não sobre a situação de fatalidade em si, mas sim uma inesperada questão que lentamente se constrói na mente do espectador... quem é afinal o verdadeiro ilegal nesta história? Será aquela que procurou uma vida melhor numa realidade diferente da sua ou a sobrevivente que sendo natural do país em que se encontra desconhece as realidades escondidas nas sombras de vidas anónimas e que a colocam (agora) frente a uma realidade social, económica e humanitária que desconhecia e que a assombra como um pesadelo que vive repetidamente e a cada momento do seu dia? Ou, por sua vez, a questão utópica que deveria ser realmente posta em cima da mesa... existe, de facto, alguém que seja "ilegal"... esteja e seja onde fôr?
De uma frescura revigorante - apesar do seu pesado e angustiante tema e desfecho -, Reonghee é o inesperado filme sobre a emigração que todos nós sabemos existir mas que se assume como uma realidade para a qual não estamos preparados ou tantas vezes preferimos não abrir os olhos! Intenso, provocador e assumidamente obriga a uma inesperada reflexão, esta curta-metragem é um assombroso conto de um terror moderno que assusta não pela sua imaginação mas pela sua trágica e sensível realidade.
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8 / 10
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Dernier Acte (2019)

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Dernier Acte de Miguel Amendola Borrallo, Yohan Gantelet, Antonin Géral-Ariès, Lucie Krencker, Clara Obeidi e Geoffrey Rakotoarisoa (França) é uma das curtas-metragens de animação presentes na respectiva secção da sétima edição do Leiria Film Fest.
A época de caça está aberta. Dois caçadores executam a estratégia maior... infiltrar-se no território do inimigo disfarçados com peles de animais... e tentar a sua sorte.
Em terra de cego quem tem olho é rei. Nada mais certo do que este antigo ditado popular para traçar as intenções de duas personagens que pensam ter decifrado o código absoluto para dominar os animais que tão desesperadamente tentam capturar. Numa savana onde todo um conjunto de animais selvagens têm o seu próprio código, dois caçadores tentam, pela trapaça, retirar os seus lucros e dividendos sobrevivendo assim num universo que não é o seu.
Repleto de humor e algum sarcasmo, esta é a "confirmação" de que por vezes se consegue sobreviver num território que não é o seu ou, pelo menos, que existe a possibilidade de adaptar todo um conjunto de regras e normas previamente conhecidas para que uma inesperada nova realidade ocorra e os locais ditos "normais" de cada um sejam agora... outros domínios. Quando as interacções entre improváveis novos "amigos" se firmam e todo um novo universo se estabeleça como a realidade de alguns... desmistificam-se lugares, papéis "sociais" e até mesmo personalidades que, afinal, não eram tão intransigentes como inicialmente se queriam dar a conhecer.
Típica animação onde se invertem as realidades conhecidas pelas personagens que dela fazem parte, Dernier Acte é um divertido conto sobre sobrevivência firmada no engano e no engodo mas que confirma sempre a vitória do mais preparado... o selvagem. Um selvagem resistente e que tantas vezes demonstra qualidades mais humanas do que aqueles que o são. Divertida e capaz de captar bons momentos de comédia numa animação refinada, principalmente quando conhecemos a sua realidade enquanto obra académica, Dernier Acte permite ao espectador um conjunto de bons e bem dispostos momentos de humor na linha de uma animação mais tradicional que, em boa medida, fez parte da juventude de tantos de nós.
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7 / 10
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Purpleboy (2019)

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Purpleboy de Alexandre Siqueira (Portugal/França/Bélgica) é uma das curtas-metragens presentes na competição oficial de Animação da sétima edição do Leiria Film Fest que, este ano, decorre nas plataformas digitais do festival devido à actual situação de emergência sanitária.
Oscar nasce no jardim da casa dos pais. Ninguém sabe o seu sexo mas ele afirma ser rapaz. Num momento autoritário e opressivo poderá Oscar ter o reconhecimento que deseja?
O argumento desta curta-metragem - num positivo e distinto elogio à obra de Siqueira -, repleto de representatividade e simbologia, afirma-se essencialmente como uma ode à individualidade e ao poder da auto-representação tão, e cada vez mais, difícil num mundo onde a transformação e a aceitação do "outro" são, a cada dia que passa, tarefas árduas para aqueles que pretendem uma normalização do "eu" como a referência social predominantemente aceite e estilizada. Normalização essa que colide com toda uma diversidade que por vezes não se compreende, outras não se observa e, tantas outras, não se conseguem identificar mas, fundamentalmente, não se pretendem aceitar como parte de um todo colectivo.
Nesta perspectiva, Purpleboy é um filme inovador cujo recurso à animação pretende, conscientemente ou não, alcançar um público diversificado - a nível etário - e, dessa forma, facultar uma abordagem a essa diversidade que pareça não só fruto de uma obra que se pretende de entretenimento mas, sobretudo, uma que tenta de forma construtiva deixar uma mensagem educacional sobre essa já mencionada diversidade e a sua validação pela sua compreensão. Purpleboy desmistifica a cada fragmento o esperado papel social homem versus mulher. Porque não poderá alguém nascido no corpo de uma mulher ser, no fundo, um homem... porque terá um homem de gostar de futebol e não de jardinagem... Porque terá de existir uma cor ou um comportamento que determine o papel social de cada indivíduo e não os seus gostos, as suas acções ou os seus sentimentos... indo mais longe, porque terá alguém de ser definido ou "determinado" seja pelo que fôr e não ser simplesmente... ser?!
Inteligente pela mutação da história que evolui à medida que cada fragmento é exposto, e expõe, um determinado momento na história de "Oscar" e da sua (auto-)transformação consciente que nos é revelada através de pequenas imagens e simbologia (do sangue ao avião em forma de quinta como representação dessa transformação e de uma "viagem"), Purpleboy exibe uma energia muito própria também graças a uma intensa música original de Christophe Petchanatz que lhe confere um espírito tão ou mais irreverente que o protagonista mas, ao mesmo tempo, a necessária e esperada sensibilidade para que o seu público consiga encontrar pontos de referência e empatia se não com ele... pelo menos com a sua história, e francamente imaginativo pela forma como aborda certos lugares comuns do papel social (esperado) de cada um, quebrando inesperados tabus, dissolvendo ideias pré-concebidas sobre os mesmos e onde todos os momentos têm um próprio e necessário sentido que vinga pela sua pertinência e sentido.
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8 / 10
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O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto (2019)

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O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto de Bruno Caetano (Portugal) é uma das curtas-metragens de animação presentes na competição oficial da sétima edição do Leiria Film Fest.
Uma cidade. Tempos futuros. A Natureza foi proibida e a vida como a conhecemos já não existe. Um homem comete um crime. As consequências, ainda que inesperadas, revelam os tempos em que vive.
Encontramo-nos numa cidade sem um único sinal de vida. A já mencionada Natureza não existe e mesmo a vida humana parece limitada a um conjunto de comportamentos que se transformaram em hábitos de sobrevivência desprovidos de qualquer sentido racional que os aproxime daquilo que são... humanos. Com gestos e comportamentos controlados quer pelas autoridades quer por aqueles que agora vivem dentro de uma "nova ordem" social, como resistir quando o diferente, o belo ou aquilo que é (agora) inatingível surge inesperadamente ao virar da esquina? Diz-se que o maior acto de rebeldia é a forma como se desafia a ordem... mas, na realidade,  não será este mais do que a admiração pelo belo e desconhecido que se assume à frente dos (nossos) olhos e garante o vislumbre daquilo que já não existe mas que encontra uma forma de sobreviver no mais inóspito dos ambientes?
Esta curta-metragem não poderia chegar numa altura mais pertinente. Habituados que estamos em observar o nosso meio ambiente ser destruído pelos inequívocos "sinais da evolução" que transformam espaços verdes em cemitérios de cimento e onde tudo se limita a uma vida de rápido, desorientado e desorganizado consumismo, perguntamos (quando já não o temos), o que é feito dos espaços verdes que, em tempos, embelezavam as nossas ruas, os nossos bairros e as nossas cidades?! Em O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto o realizador Bruno Caetano desafia esta nova "normalidade" dando cor (ou a sua falta) a uma intransigente realidade que o espectador consegue identificar em tantos bairros e em tantas cidades - eventualmente a sua - e questiona rapidamente... para onde nos dirigimos?
Como toda uma consequência dessa realidade o que encontramos na realidade... de uma cidade cinzenta e poluída a um policiamento que surge de todas as esquinas. De pessoas desinteressadas com a realidade que, eventualmente, nem chegaram a conhecer a um ritmo frenético e mecanizado a grande questão surge quando o maior acto (ou pelo menos o inicial) de rebeldia é manifestado por uma força maior que poderemos identificar com essa Natureza "desaparecida". Esta é agora considerada como algo subversivo, tal como a água que agora só pode ser obtida gota a gota mediante um pagamento quase insuportável e a sobrevivência clandestina da mesma deve-se apenas àquele que, em sigilo e na clandestinidade, mantêm a autêntica necessidade de mudar (para) algo que eventualmente nunca havia conhecido. Identifica e reconhece mas o espanto denotam a compreensão de que aquilo que se observa é algo desconhecido como que observando um fruto proibido.
Assim, e neste contexto de uma "nova realidade" - ou o "novo normal" que este ano tanto se utiliza -, esta curta-metragem aborda temáticas tão importantes como a massificação da industrialização desordenada, da construção selvagem, da substituição do meio natural pelo cimento e pelo betão mas também de uma nova ditadura que, tão antiga como aquela que os livros de História relatam, primeiro começa com a implantação de um novo conjunto de regras que poderão assumir-se como "inofensivas" mas que cedo se manifestam como ordens obrigatórias a cumprir, que se verificam pelos olhares indiscretos de alguém sempre pronto a identificar-se com esse regime e sobretudo pela penalização que o mesmo aplica para aqueles que o "desafiam"... mesmo nas acções mais básicas que são, para este, subversivas.
Intenso e actual serão os melhores adjectivos a aplicar a este O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto que não só é uma das curtas-metragens mais apropriadas e actuais do presente momento - nacional e mundial - como também dos mais bem executados e pertinentes filmes cuja animação, nem sempre inocente, alerta para esta "mudança" não anunciada mas sempre assumida como a realidade que vivemos abrilhantada por uma música original de Filipe Raposo que capta um certo espírito "moderno" apenas amenizado por uma direcção de arte que nos transporta para um mundo distópico que por vezes não identificamos num passado ou num futuro... francamente anunciado.

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8 / 10

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R.A.S. (2019)

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R.A.S. de Lucas Durkheim (França) é uma das curtas-metragens de animação presentes na sétima edição do Leiria Film Fest que este ano apenas decorreu numa versão online devido à actual situação de emergência sanitária provocada pelo COVID-19.
Há vários meses que cinco jovens soldados se encontram numa missão nas montanhas afegãs. Aborrecidos e sem nada para fazer, a sua rotina é subitamente interrompida quando o inesperado acontece.
Num misto que oscila entre o drama e o tradicional filme de guerra, esta animação acaba por primar pela excelência no pensamento filosófico que coloca este conjunto de jovens num cenário atípico para a sua jovem idade, lançando-os nas incertezas de um cenário de conflito a reflectir sobre um passado recente onde, nos seus ambientes naturais normalmente nas grandes urbes ditas ocidentais, viviam e experimentavam as "agruras" de um despertar onde as realidades eram assumidamente diferentes. Do pensamento sobre os estudos, um trabalho ou a eventual constituição de família para a incerteza que a guerra lhes pode conferir e mesmo a possibilidade de uma auto-extinção - por vezes física por vezes psicológica - que lhes garante apenas que nada é garantido.
O deserto que os rodeia... a aridez que lhe é inerente... e até mesmo o meio desprovido de vida são tão certos como a sua realidade. Nada existe - para eles e para o espectador - que possa ser equiparado a uma tão grande incerteza sobre o dia de amanhã. Aliás, é apenas este sentimento de isolamento que a grande dimensão territorial lhes confere que lhes permite pensar que, sozinhos no mundo, nada lhes poderá acontecer... até que todas as certezas, pensamentos e convicções são finalmente abaladas por aquilo que é inevitável no cenário em que se encontram.
No final, e para o espectador, apenas persiste uma única certeza... Nada acontece até acontecer algo trágico. É aqui que se instala o medo, a incerteza e a compreensão de que o mundo que outrora conheceram jamais poderá ser retomado. Não nas mesmas condições. Aqueles que sobreviverão a este trágico e desconhecido local encontrarão uma "casa" diferente daquela que conheceram. Diferente não por uma realidade diferente do espaço mas sim pela forma como eles agora regressam tendo testemunhado toda uma nova realidade e encaram aquilo que fora, noutras tempos, seu. O mundo mudou... mas da forma como pessoalmente cada um agora o encara.
R.A.S. denota todo um certo alinhamento com o existencialismo questionando - personagens e espectadores - sobre o lugar que ocupam no mundo e como a mesma pessoa sob um diferente espaço e contexto pode transformar-se num indivíduo completamente diferente daquele que reconhece em si, para si e para com o mundo que o rodeia. Intenso enquanto filme que aborda um pensamento filosófico, a trágica realidade de um mundo actual e o já mencionado existencialismo, Durkheim apresenta uma das mais intensas e pertinentes (para a actualidade) curtas-metragens que, primeiro pelo seu género e depois pela sua mensagem, cativam o espectador e o seu pensamento para qual o (seu) lugar no mundo colocando-o sob diferentes perspectivas e realidades.
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8 / 10
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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Andrés Indriðason

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1941 - 2020
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Peter Maertens

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1931 - 2020
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o28 (2019)

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o28 de Otalia Caussé, Geoffrey Collin, Louise Grardel, Antoine Marchand, Robin Merle e Fabien Meyran (França) é uma das curtas-metragens de animação presentes na competição oficial da sétima edição do Leiria Film Fest.
O eléctrico 28 em Lisboa. Os turistas que se deliciam por todos os cantos da cidade. Mas... quando tudo parece revelar ser uma normal tarde de Verão... os travões deixam de funcionar.
Esta divertida e intensa curta-metragem revela dois aspectos muito interessantes da vida estival da capital portuguesa... por um lado temos uma cidade com o maior registo de luz solar ao longo do ano que aqui se assume como a personagem - e a tela - silenciosa de uma história estival... por outro, encontramos os eternos turistas que, nas suas mais diversas formas e feitios, invadem e assumem as rédeas da vida diária da cidade (que também nunca dorme), captando todos os momentos e todos os recantos da cidade e da sua vida na mesma para um dia mais tarde recordar. Atropelando tudo e todos os que se cruzam no seu caminho, ainda que aqui apenas centrados no famoso eléctrico Lisboeta, nada pode passar ao acaso. Mas... o que acontece quando esta visita dá início a todo um conjunto de acidentes que revelam que a cidade, às mãos dos mesmos, está preparada para o desastre?!
O espírito da cidade e o cuidado que o conjunto de realizadores teve em captar pequenos grandes elementos de Lisboa nomeadamente as colinas pelas quais o eléctrico desce a uma velocidade vertiginosa, a panorâmica da mesma ou os seus inúmeros monumentos bem como os mais caricatos turistas que todos nós conhecemos das ruas da cidade, dão aqui uma cor e um brilho especial que transforma esta curta-metragem numa experiência única e alucinante da qual dificilmente se passa sem notar. Única porque é captada uma certa essência tradicional de uma cidade que se assume cada vez mais cosmopolita sem esquecer os já mencionados recantos que destacam a sua tradição milenar e, ao mesmo tempo alucinante, porque as "invasões" (por vezes bárbaras) que a assolam todos os períodos estivais conseguem transformar a outrora pacatez de Lisboa numa vibrante experiência da qual nem os paquetes com hordas de turistas são esquecidos.
De produção francesa mas com uma assumida alma portuguesa, o28 prima, acima de tudo, por uma garra de boa disposição e uma invulgar energia que conquistam o espectador desde o primeiro instante. Uma curta-metragem símbolo maior de uma animação fresca e desempoeirada capaz de reter o melhor do género e constituir-se, ao mesmo tempo, como um belíssimo exemplar da cidade de Lisboa e dos seus lugares dignamente representados e homenageados com singular beleza e criar, ainda, um conjunto de personagens que, tipificadas, conseguem ser uma paródia ao turista moderno, sedente de momentos captados, de experiências únicas e de uma aventura que fica para o resto dos seus dias.
o28 é uma alma... é uma energia... e uma boa disposição instantânea e selvagem que é, seguramente, um dos mais intensos registos de animação do ano ao qual nenhum irá - ou poderá- ficar indiferente.
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8 / 10
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