quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Open Grave (2013)

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Open Grave de Gonzalo López-Gallego foi o filme da sessão de abertura da sétima edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que começou ontem no Cinema São Jorge em Lisboa.
Um homem (Sharlto Copley) acorda no meio de uma floresta dentro de uma vala cheia de cadáveres, sem qualquer memória da sua própria identidade. Momentos depois uma mulher (Josie Ho) que não conhece ajuda-o a sair dali e rapidamente se juntam a um grupo de amnésicos que se encontram dentro de uma casa e a desconfiança e as suspeitas entre todos cedo tomam conta dos seus comportamentos e atitudes levando-os a um conjunto por vezes irracionar de decisões.
Tudo se torna mais complicado quando descobrem que na floresta em seu redor se encontram um conjunto de pessoas com comportamentos extremamente selvagens e violentos que pode não só complicar o desconhecimento que têm das causas como também pôr em risco a sua própria segurança.
Será algum deles um misterioso assassino ou estarão todos eles a assistir a algo maior e que não conseguem compreender?
Chris e Eddie Borey escrevem o argumento desta longa-metragem que se mantém em boa parte do tempo como uma curiosa e pouca clara aventura num domínio que não conseguimos antever na sua plenitude. Sabemos que os cadáveres se acumulam naquela mórbida vala comum, e que algo de sinistro existe no "ar" que mantém tudo e todos em suspenso. Sabemos igualmente que toda a sua história mantém fortes traços de psico-thriller quando nos damos conta de que todos aqueles indivíduos se encontram enclausurados em campo aberto e que nenhum guarda recordações claras sobre os comos e os porquês de ali terem chegado entrando num domínio mais intrigante e que nos leva a penar que nos encontramos de um desconhecido serial killer.
No entanto, se toda esta atmosfera é cativante e curiosa, não deixa de ser menos verdade que ao longo da sua acção vai denotando alguns sinais de desgaste e de alguma repetição que não permitem antever um final francamente original que se possa distanciar do real género em que se enquadra, e que só atingimos nos instantes finais do filme. E se a dinâmica de um psico-thriller se mantém quase na sua totalidade, não é menos verdade que um desfecho rápido e algo óbvio onde o "vírus que destrói toda a Humanidade deixando apenas um grupo de sobreviventes que prepara um vírus para salvar os demais" é quase atirado para a frente dos olhos dos espectadores, quebra muito desse suspense e intensidade que foram sendo criados aos poucos.
É também a partir deste instante que muito daquilo que vimos perde um pouco o sentido ou a razão de existir no seu argumento, nomeadamete e como exemplo prático o facto de cada um deles, a seu tempo perceber que compreende uma língua estrangeira e que isso deve ter um qualquer misterioso significado. Se por um lado isto é verdade por outro ao termos a questão do "vírus desconhecido e exterminador" a bordo percebemos que o anteriormente referido mais não é do que uma forma de dizer que a epidemia foi global e que nenhuma nação escapou... Sendo que, no entanto, a salvação reside vinda de uma igualmente misteriosa asiática que detém na sua genética a "receita" para uma provável cura.
Finalmente temos ainda a mensagem ecológica... um vírus de origem desconhecida dizima a população terrestre não sem antes um grupo de sobreviventes se isolar nas montanhas, no meio de uma floresta, de onde aparentemente não conseguem sair mas onde os potenciais "não infectados" conseguem entrar com alguma facilidade. Infectados que deambulam sem noção por todo aquele espaço com espasmos violentos e olhares selvagens, que derrubam árvores quase mecanicamente e sem uma aparente justificação num território que, de forma geral, se mantém inalterado pela passagem do tempo e do dito vírus que apenas elimina o seu maior cancro... o Homem.
Enquanto este filme mantém a tal componente psico-thriller activa, expiando um conjunto de elementos sobre a condição humana e o quão selvagem pode o próprio Homem tornar-se quando desconhece o ambiente natural que o rodeia ou, em última análise, quando se desconhece a si próprio, temos uma história coesa, bem ritmada e com um misto de suspense e mistério que nos cativam. No entanto, quando o transformam num história pós-apocalíptica onde os sobreviventes são uma mera miragem de tempos passados, muita dessa aura de mistério desaparece e entram em cena os habituais clichés do género que, não denigrindo a imagem do filme que está competente, deixam-no naquela velha situação de "been there... done that".
Com um elenco maioritariamente desconhecido onde apenas se destacam Sharlto Copley, que a cada dia que passa se arrisca a ficar seriamente conotado com o cinema fantástico, e um Thomas Kretschmann que abandona o tradicional oficial nazi para fazer um igualmente rude sobrevivente, Open Grave consegue cativar o espectador por manter intacto o ambiente natural de um filme de suspense no qual um grupo de indivíduos se mantém num espaço restrito, longe da civilização e sem saber em quem confiar ao mesmo tempo que consegue alimentar a sua componente mais sinistra e macabra ao colocar-nos no centro, literalmente, de uma vala comum a céu aberto, elementos exponenciados pela competente direcção de fotografia de José David Montero e uma música original tensa de Juan Navazo, tornando-se num filme do género e de entretenimento interessante sem que, no entanto, seja uma obra de referência para o género.
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7 / 10
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