quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Wither (2012)

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Wither de Sonny Laguna e Tommy Wiklund que esteve em exibição no Cinema São Jorge no âmbito da sétima edição do MOTELx - Festival de Cinema de Terror de Lisboa constituiu uma das mais fortes representações do cinema gore a que assisti nos últimos largos anos.
Ida (Lisa Henni) e Albin (Patrik Almkvist) são um jovem e feliz casal cuja relação se torna cada vez mais sólida. Como forma de passarem algum tempo juntos e também com os seus amigos com quem já não se encontram tanto quanto aquilo que desejam, deslocam-se para a cabana nas montanhas pertencente ao pai de Albin onde, isolados por uma imensa floresta na Suécia, pretendem passar alguns dias e reatar os laços que em tempos os uniram.
No entanto é quando ali chegam que deparam inesperadamente com um mal que os iria atormentar, e dizimar, das mais variadas e violentas formas colocando assim em causa a continuidade da amizade que em tempos os caracterizou. Conseguirá algum deles escapar a este perverso mal que se esconde por debaixo do chão daquela cabana?
Wiklund, Laguna e David Liljeblad escrevem este argumento que, para ser sincero, não contém uma história e fio narrativo coerente ou que nos dê uma devida abordagem aos factos e aos acontecimentos. Mas, para bem dessa mesma verdade, será que é assim tão importante conhecermos mais dos detalhes que criam esta história ou será que o mais importante é mesmo o banho de sangue a que assistimos durante mais de hora e meia?
Para aqueles que responderam com esta última hipótese tenho a informar que acertarm! Indo directo à questão, poucos de nós se preocupam realmente com a justificação para o tal mal subterrâneo, ou quem realmente é aquela estranha e misteriosamente asquerosa criatura que se propaga como se de um vírus se tratasse... Aquilo que nos interessa desde o primeiro instante prende-se única e exclusivamente com os inúmeros momentos gore que roçam de muito perto o mais nojento feito nos últimos tempos. E não estou a exagerar. Não só os banhos de sangue são constantes como algumas das personagens, também elas sem uma grande história a contar para além de que vão morrer, fazem questão de ter intensos momentos em que mais parece estarem a querer que o seu interior saia todo, literalmente, para fora. E a caracterização a cargo de Göran Lundström não poderia honrar mais este filme ao conseguir ser extremamente horripilante ao ponto de conseguir meter mais nojo do que propriamente medo ao espectador. Um conselho de amigo... não estejam a ingerir nada no momento em que vêem este filme...  porque senão... tudo o que entra terá eventualmente de sair.
E dito isto... se de história o filme pouco tem para além das banalidades que pretendem inserir-nos, sem sucesso, no espaço e se as próprias interpretações pouco ou nada nos dizem desde o par protagonista até aos amigos quase apagados até ao momento em que ficam "possuídos" e resolvem divertir-se de outras formas, esta dinâmica gore é a que no fundo faz girar tudo dentro de uma limitação latente à falta de história que todo o filme apresenta.
Com um ou outro susto pontual que não chegam para fazer valer todo o filme como uma obra de referência do género, não fosse a caracterização bem efectuada que conseguisse provocar-nos algum tipo de reacção, todo este filme seria algo que esqueceríamos ao fim de dois ou três minutos e, ainda assim, estou a ser francamente generoso com o mesmo.
E no final... temos o banho de sangue esperado, as justificações de uma história que nunca chega, as personagens mais ou menos mutilados a gosto e um sobrevivente que era, desde o primeiro instante, mais ou menos esperado mas que ainda assim não satisfaz o gosto daqueles que esperam que alguém se safe. Previsível e banal ao ponto de conseguir criar momentos absurdos que nos fazem rir no meio da tensão, Wither vale pelo gore e por uma competente direcção de fotografia de Tommy Wiklund que consegue eficazmente inserir-nos no seio de um filme de terror com os elementos essenciais e mostrar-nos que dali dificilmente alguém irá sair.
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6 / 10
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