sábado, 29 de março de 2014

La Dérade (2011)

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La Dérade de Pascal Latil, também autor do argumento, é uma curta-metragem francesa de ficção que nos conta a história de Simon (Yoann Moëss) e François (Adrien Strasiulis), dois namorados separados por uma trágica fatalidade mas que, ao mesmo tempo, constitui a maior prova de amor que poderiam ter.
Simon tem de realizar um transplante de coração e, sem saber, recebe o de François, o seu namorado que falecera vítima de um acidente de automóvel.
Ao mesmo tempo que descobrimos a fatalidade de um e a possibilidade de vida do outro que o espectador é confrontado com uma dinâmica entre as duas personagens que, na realidade, mais não é do que uma sentida despedida entre dois amantes que jamais poderão conviver corpo a corpo sendo que, no entanto, será impossível negar que as suas vidas ficarão para sempre unidas.
Pascal Latil entrega ao espectador uma curta-metragem que o deixa divido sobre aquilo a que assiste, ou seja, tanto sente que se encontra perante o flashback de uma relação que já terminou como, ao mesmo tempo, permanece a dúvida se "Simon" e "Fraçois" não se encontram ainda numa harmoniosa convivência que está apenas assombrada pelo estado de saúde do primeiro. É então aos poucos que a história nos revela a trágica realidade do que acontecera a cada um e ainda que fisicamente separados estão unidos não só pelo amor que sentiram em vida como também pelo coração, o símbolo do amor.
Ainda que La Dérade divague um pouco por um universo de simbologia acentuado pelas memórias de um sobrevivente, esta curta-metragem não deixa de manter vivo algum mistério e sugestão que contribuem para o misticismo da história e para a sua trágica conclusão que deixa o espectador em suspenso, muito também fruto das sentidas interpretações de Moëss e Strasiulis que apenas revelam o seu amor e não os seus destinos. Potencial para uma longa-metragem que nos revelasse mais do passado de cada um mas... seria isso mesmo necessário?!
Deixo ainda uma interessante referência à direcção de fotografia de Guillaume Duchemin que mantém todo o espaço onde a acção decorre, uma praia, como se de um purgatório se tratasse... o único local onde as duas almas se poderiam encontrar e expiar os sentimentos nutridos em comum.
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7 / 10
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